quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Maria, Mãe Santíssima, transparência de Deus Pai

       É este o tema escolhido pelo pregador, Pe. António Giroto, para a Novena da Imaculada Conceição, que se iniciou ontem. No primeiro dia, a bênção e a colocação de uma nova coroa, na imagem de Nossa Senhora, oferecida com esse propósito.
       Na homilia, o Pe. Giroto, partindo do tema geral escolhido, para este primeiro dia de novena, refletiu na santidade a que todos somos chamados. Maria vive em santidade, que se expressa em diversos momentos da Sua vida. Também nós, como criaturas podemos ser santos, "santo é o pecador que não desiste". Numa imagem muito atual, o pregador frisou que deveríamos fazer um facebook (livros das caras) espiritual, isto, deveríamos ser "caras" transparentes, como Maria, que transparecem o próprio Deus.
 

A bênção:
       Abençoai e santificai esta coroa, que vamos colocar na imagem da nossa padroeira, Nossa Senhora da Conceição, simbolicamente coroando-a como rainha e Senhora nossa, Mãe de Jesus e Mãe da Igreja. 
       Que esta imagem resplandecente e bela nos ajude a fixar o nosso olhar e o nosso coração na beleza de Nossa Senhora, na Sua vida, no Seu sim, na Sua prontidão em ajudar e a interceder por todos nós. 
       Ao colocarmos-lhe a coroa, ao fixarmos o nosso olhar na Sua glória, possamos elevar as nossas orações e o nosso olhar para o Seu filho Jesus, deixando que ressoe em nós o Seu apelo: “Fazei tudo o que Ele vos disser”.
       Como Isaías profetizava acerca do Messias, também nós não nos deixemos enganar pelas aparências, mas elevemos desta Imagem de Maria, próxima de nós, o nosso Espírito para Deus, em Quem Ela pôs toda a confiança e com ela possamos rezar: a minha alma louva ao Senhor porque olhou para a humildade dos seus servos. E com ela possamos também dizer sim: faça-se em mim segundo a tua vontade. Por nosso Senhor…

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Primeiro dia da NOVENA da Imaculada Conceição

       Na paróquia de Tabuaço inicia hoje a NOVENA de preparação para a celebração da Festa da Padroeira, Nossa Senhora da Conceição. Terá lugar, neste primeiro dia, a bênção e a colocação de uma nova coroa, oferecida para o efeito, na imagem de Nossa Senhora da Conceição.
       A pregação estará a cargo do Pe. António Jorge Giroto, natural de Parada de Ester, no concelho de Castro Daire. Nasceu em 21 de dezembro de 1985, e foi ordenado sacerdote em 26 de junho de 2010. Foi o pregador na Festa de São João Baptista, também em Tabuaço, e da Romaria e Festa de Santa Eufémia, em Pinheiros.
       Para quem tiver acesso ao facebook poderão aceder ao perfil do Pe. António Giroto AQUI.
       Este é um tempo muito rico para a comunidade paroquial de Tabuaço, preparando a festa da sua padroeira, vive o início do tempo do Advento, ao jeito de um retiro aberto, oração, encontro, reflexão, na espera confiante do Natal de Jesus Cristo.

O Embaixador da Palavra: Gratidão a D. António Couto

       Programa Pastoral da Arquidiocese de Braga sublinha como prioridade pastoral para este ano “repensar a nossa identidade como Igreja, a nossa vivência e a nossa missão” a partir da Palavra.
       Queremos estruturar um trabalho sério para que, neste mundo de mudanças, ousemos ser Igreja para hoje discernir os caminhos a percorrer, colocando-nos na atitude de “ouvir” o que o Espírito Santo tem a dizer. Ele como inspiração e orientação; e todo o Povo de Deus como intérprete duma renovação adequada que aposta no essencial.
       Tem-nos acompanhado a atitude de querer tomar conta da Palavra de Deus para que ela tome conta de nós. Só assim seremos Igreja de harmonia com os critérios evangélicos e cristãos que testemunham o valor incomensurável de Deus pela humanidade.
       Neste itinerário de renovação, numa comunhão eclesial profunda, tivemos o dom de ter connosco D. António José da Rocha Couto. A Igreja chama-o, agora, para servir na Diocese irmã de Lamego. Sentimos a tristeza da perda, mas reconhecemos que o seu trabalho, amigo e persistente, ficará como semente a produzir frutos ou como chuva suave a penetrar o coração das comunidades para o seu rejuvenescimento.
       A sua consciência profunda da missão da Igreja e a sua paixão pela Palavra de Deus e a sua permanecerá. Por isso, o termo mais justo para o definir será: “O Embaixador da Palavra”. Embaixador, pois a sua acção pastoral funda-se num carácter missionário; Palavra, pois esta é o conteúdo central dessa acção.
       A dedicação não se paga nem se esquece. O amor nem sempre necessita de palavras mas faz com que nos sintamos unidos na mesma missão, mesmo que em terrenos diferentes. A gratidão está na certeza de que pode continuar a sentir-se “bracarense”, pois não deixaremos de contar com ele em oportunidades e circunstâncias que o futuro nos reservará.
       “Quem corrige alguém, encontra depois mais gratidão do que aquele que lisonjeia com palavras” (Pr 28,23). Sei que não aceita homenagens. Mas como forma de agradecer as “correcções bíblicas e missionárias” que nos proporcionou, o clero da Arquidiocese irá manifestar-lhe um sincero obrigado no dia 20 de Dezembro, no seu encontro de Natal.
       Que nas terras de Lamego, também através da nossa comunhão eclesial, continue a gastar a vida pela “vinha amada” que, lá como cá, deve produzir frutos na medida em que se alimenta da Palavra.
       Bem-haja, D. António Couto! Fica entre nós pelo testemunho.
       Vamos consigo na oração.

Jorge Ortiga, A.P.
Braga, 19 de Novembro de 2011

Não julgará segundo as aparências...

       A leitura proposta para este dia, do Profeta Isaías, é muito expressiva, vale a pena ler e reler com muita atenção:

       "Sairá um ramo do tronco de Jessé e um rebento brotará das suas raízes. Sobre ele repousará o espírito do Senhor: espírito de sabedoria e de inteligência, espírito de conselho e de fortaleza, espírito de conhecimento e de temor de Deus. Animado assim do temor de Deus, não julgará segundo as aparências, nem decidirá pelo que ouvir dizer. Julgará os infelizes com justiça e com sentenças rectas os humildes do povo. Com o chicote da sua palavra atingirá o violento e com o sopro dos seus lábios exterminará o ímpio. A justiça será a faixa dos seus rins e a lealdade a cintura dos seus flancos. O lobo viverá com o cordeiro e a pantera dormirá com o cabrito; o bezerro e o leãozinho andarão juntos e um menino os poderá conduzir. A vitela e a ursa pastarão juntamente, suas crias dormirão lado a lado; e o leão comerá feno como o boi. A criança de leite brincará junto ao ninho da cobra e o menino meterá a mão na toca da víbora. Não mais praticarão o mal nem a destruição em todo o meu santo monte: o conhecimento do Senhor encherá o país, como as águas enchem o leito do mar. Nesse dia, a raiz de Jessé surgirá como bandeira dos povos; as nações virão procurá-la e a sua morada será gloriosa" (Is 11, 1-10).
       O Profeta (do Advento) anuncia breve a chegada do Messias, da parte de Deus, saído do tronco de Jessé, sobre Ele repousará o espírito do Senhor, com Ele o espírito de sabedoria, de inteligência, de conselho, de fortaleza, de conhecimento e de temor a Deus. Com Ele um tempo novo, um reino em que a soberania será da conciliação e da paz, em que a harmonia entre pessoas e povos se estenderá à harmonia com todo o universo, com a própria natureza.
       Ele não julgará pelas aparência, pois conhecerá o nosso íntimo. É também este um desafio importante para nós, não julgarmos pelas aparências, mas aguardamos com optimismo as surpresas que nos chegam dos outros, dando-lhes tempo e oportunidade para mostrarem o melhor de si mesmas.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Jacob e Isaú - a bênção roubada!

       Isaac aumentou a sua riqueza cada vez mais, com o passar dos anos. E ficou também cada vez mais frágil. No final, acabou por ficar cego.
       Um dia, mandou chamar Esaú. “Não viverei muito mais tempo” – disse ele. “Mas gostaria de comer mais um daqueles saborosos guisados de carne antes de morrer. Será um última coisa que irei apreciar e então dar-vos-ei a minha bênção final”.
       Esaú pegou no seu arco e flechas e saiu para caçar.
       Rebeca havia ficado à escuta.
       “Rápido” – disse para Jacob. “Buscai dois cabritos jovens. Temos de fazer um guisado de carne para o vosso pai antes que Esaú regresse. Podeis levar-lho fingindo de Esaú. Então ele dar-vos-á a sua bênção final e isso vale bastante.”
       “Mas não irá funcionar” – protestou Jacob. “O nosso pai sentirá a diferença entre os grandes braços peludos de Esaú e os meus. Acabará por me odiar.”
       “Fazei somente o que digo!” – sibilou Rebeca. “Tenho um plano.”
       Jacob foi buscar os cabritos. Rebeca cozinhou o guisado e vestiu o seu filho com as peles dos cabritos. Jacob levou-o ao seu pai, tremendo de ansiedade com o truque que estava a pregar.
       “Sois mesmo vós, Esaú?” – perguntou Isaac. “Soais mais a Jacob! Vinde… deixai-me sentir-vos… ah, sim, conheceria estes braços fortes em qualquer lugar. Deixai-me dizer a oração de bênção. Quero que prospereis e sejais chefe da família para sempre”.
       E assim foi dada a bênção.
       Só quando Esaú regressou a casa depois de uma caçada bem sucedida e trouxe um guisado saboroso e rico ao seu pai, é que este descobriu a artimanha. “Já dei a bênção final” – gritou Isaac em desânimo. “Deve ter sido o vosso irmão. Ele ficou com o que era vosso”.
       Esaú estava cego de raiva. Não havia nada que o seu pai pudesse dizer para o acalmar. “Terei a minha vingança!” – disse Esaú para si mesmo. “Assim que o nosso pai morrer, matarei aquele mentiroso miserável. Não terá misericórdia da minha parte”. 

Mónica Aleixo, in Boletim Voz Jovem, novembro 2011

Jacob e Esaú: a herança por uma tigela de sopa!

       Quando Abraão por fim morreu e foi enterrado ao lado da sua esposa Sara, Isaac herdou toda a sua riqueza. Deus abençoou-o, assim como havia abençoado Abraão, e Isaac prosperou.
       Com o passar do tempo, a sua esposa Rebeca ficou grávida e teve gémeos. O primeiro a nascer era ruivo e coberto de cabelos. Ela chamou-lhe Esaú, nome derivado de uma palavra que na sua língua significava “peludo”. O segundo filho nasceu com a mão agarrada ao pé do seu irmão. Ela chamou-lhe Jacob, nome derivado de uma palavra que significava “calcanhar”.
       Esaú cresceu e tornou-se forte e activo. Adorava a vida ao ar livre e tornou-se um hábil caçador. Este facto fez com que Isaac se afeiçoasse muito a ele: adorava comer a carne dos animais que o seu filho mais velho trazia da caça.
       Jacob preferia os confortos do lar. Era reservado e atencioso e esse facto fazia dele o preferido de sua mãe.
       Um dia, Jacob encontrava-se em casa a cozinhar uma panela de sopa de feijão quando Esaú regressou da caça. “Estou faminto!” – exclamou ele. “Dá-me a comer um pouco dessa sopa”. “Talvez” – respondeu Jacob, mantendo o seu irmão afastado da comida. “Mas apenas se prometeres que posso ficar com todos os privilégios que possuis como filho mais velho: gostaria de ser aquele que irá herdar a riqueza do nosso pai”. “Ora!” – exclamou Esaú, enquanto se detava derreado pelo cansaço. “O que interessa o que cada um de nós irá herdar quando o nosso pai morrer? Eu é que morrerei de fome se não comer de imediato. Sim, podes ficar com tudo o que quiseres”.
       Desta forma impensada, Esaú abdicou dos direitos valiosos que lhe cabiam por nascimento em troca de uma tigela de sopa.

Mónica Aleixo, in Boletim Voz Jovem, outubro 2011.

Vinde, caminhemos à luz do Senhor

       «Vinde, subamos ao monte do Senhor, ao templo do Deus de Jacob. Ele nos ensinará os seus caminhos e nós andaremos pelas suas veredas. De Sião há-de vir a lei e de Jerusalém a palavra do Senhor». Ele será juiz no meio das nações e árbitro de povos sem número. Converterão as espadas em relhas de arado e as lanças em foices. Não levantará a espada nação contra nação, nem mais se hão-de preparar para a guerra. Vinde, ó casa de Jacob, caminhemos à luz do Senhor ( Is 2, 1-5).
        Isaías é, sem dúvida, profeta do Advento. Em muitas passagens o profeta anuncia a proximidade do Messias, do Eleito de Deus, do Emanuel - Deus connosco, do Libertador. Em tempo de adversidade, a esperança em Deus, que não abandona o Seu povo, mas sempre renova a Sua presença amorosa. Há-de vir Ele mesmo para apascentar o seu rebanho e instaurar um tempo novo.
       Nesse dia, nesse tempo, tudo será diferente, as nações viverão em paz, as armas da violência tornar-se-ão instrumentos ao serviço da paz e do bem comum... Caminhemos à luz do Senhor! Já. Aqui e agora.

sábado, 26 de novembro de 2011

Domingo I do Advento (ano B) - 27 de novembro

       1 – "Disse Jesus aos seus discípulos: Acautelai-vos e vigiai, porque não sabeis quando chegará o momento. Será como um homem que partiu de viagem: ao deixar a sua casa, deu plenos poderes aos seus servos, atribuindo a cada um a sua tarefa, e mandou ao porteiro que vigiasse. Vigiai, portanto, visto que não sabeis quando virá o dono da casa: se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se de manhãzinha; não se dê o caso que, vindo inesperadamente, vos encontre a dormir. O que vos digo a vós, digo-o a todos: Vigiai!"
       O Advento, que agora iniciamos, prepara-nos para a celebração do nascimento de Jesus, o Natal, expressão do Amor de Deus que vem até nós, encarnando, fazendo-Se homem no meio da humanidade, no tempo e na história.
       Qual natureza, com as diversas estações, em que o outono e o inverno dão lugar à primavera e ao verão, em que tudo renasce e se renova, as folhas secam e caem, mas novos rebentos surgem, rebentam, florescem, abrindo-se em belíssimas flores e frutos saborosos!
       Na liturgia fazemos um percurso espiritual similar, tudo se renova constantemente com a presença de Jesus Cristo e com o mistério da Sua morte e ressurreição. Ele veio, "limitando-Se" na nossa finitude e na nossa fragilidade, por amor levou até às últimas consequências o Seu amor para com a humanidade, morrendo numa cruz e ressuscitando, mas deixando-nos, no mistério da Eucaristia, o Seu corpo e o Seu sangue como memorial. Ele está sempre connosco. Celebramos os diversos momentos da Sua vida, para acolhermos o mistério de toda a Sua vida, que não conseguimos nunca abarcar totalmente.
       O Evangelho neste primeiro domingo do Advento, mostra-nos o grito de Jesus: vigiai. "Acautelai-vos e vigiai, porque não sabeis quando chegará o momento". Deste modo faz-se a ponte para a liturgia da palavra dos domingos anteriores, nos quais se acentuava o momento de encontro definitivo com Deus, a hora de acertar as nossas contas com Ele, num desafio permanente a que não nos deixemos adormecer. Enquanto é tempo, vigiemos, multipliquemos os talentos que Ele nos dá, vivamos com alegria, com garra, com sentido, sabendo que qualquer hora poderá será a última aqui na terra.
       2 – Neste tempo litúrgico que vivemos, a Palavra de Deus testemunha a proximidade de Deus, que vem, que permanece, que caminha connosco. Por vezes, nas situações mais difíceis da nossa vida, parece que Deus Se esconde, Se ausenta, Se distancia de nós. Mas Ele está, os nossos olhos é que se tornam opacos pelo pecado, pela dúvida, pela desconfiança em relação ao Seu poder e ao Seu amor.
       Mastiguemos as palavras do profeta Isaías: "Todos nós caímos como folhas secas, as nossas faltas nos levavam como o vento. Ninguém invocava o vosso nome, ninguém se levantava para se apoiar em Vós, porque nos tínheis escondido o vosso rosto e nos deixáveis à mercê das nossas faltas. Vós, porém, Senhor, sois nosso Pai e nós o barro de que sois o Oleiro; somos todos obra das vossas mãos".
       Por um lado as maravilhas que operou ao longo da história a que nem sempre correspondeu a vivência do povo da Aliança. "Nunca os ouvidos escutaram, nem os olhos viram que um Deus, além de Vós, fizesse tanto em favor dos que n’Ele esperam. Vós saís ao encontro dos que praticam a justiça e recordam os vossos caminhos".
       Com o Salmo não apenas respondemos à Palavra de Deus, não apenas suplicamos a Sua presença, mas preparamo-nos para nos deixarmos ver por Deus e nos deixamos envolver pela Sua salvação: "Senhor nosso Deus, fazei-nos voltar, mostrai-nos o vosso rosto e seremos salvos". O ROSTO de Deus salva-nos do nosso egoísmo e da nossa fragilidade.

       3 – Jesus Cristo é o Rosto de Deus para nós. Ele dá-nos a conhecer Deus como Pai. Não vivemos nas trevas, mas na LUZ que é Cristo, Ele ilumina a nossa vida, o nosso caminho. Com efeito, em Jesus Cristo Se revela o amor de Deus para connosco, e, em simultâneo se revela em nós a identidade divina, somos imagem e semelhança de Deus. Mais, somos templo de Deus vivo, somos filhos no Filho, em Cristo nos assumimos como irmãos, o que nos compromete com os outros e com o mundo que nos rodeia.
       Diz-nos o Apóstolos São Paulo: "a graça e a paz vos sejam dadas da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo. Dou graças a Deus, em todo o tempo, a vosso respeito, pela graça divina que vos foi dada em Cristo Jesus. Porque fostes enriquecidos em tudo: em toda a palavra e em todo o conhecimento; e deste modo, tornou-se firme em vós o testemunho de Cristo... Fiel é Deus, por quem fostes chamados à comunhão com seu Filho, Jesus Cristo, Nosso Senhor".
       Não vivemos no desconhecimento, ignorantes, no mundo das trevas. Jesus vem até nós e mostra-nos o ROSTO de Deus, que é Amor em movimento pela humanidade inteira. A fidelidade de Deus para connosco motiva-nos à mesma fidelidade para com Ele e n'Ele ao nosso semelhante.

Textos para a Eucaristia (ano A): Is 63,16b-17.19b; 64,2b-7; Sl 79 (80); 1 Cor 1,3-9; Mc 13,33-37.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Dia da Igreja Diocesana de Lamego - programa Ecclesia

       Programa ECCLESIA, na RTP 2, no dia de ontem, com três assuntos principais: Viagem Apostólica de Bento XVI a Benim; o novo Bispo de Lamego, D. António Couto, com reportagem no Dia da Igreja Diocesana de Lamego, no passado dia 20 de novembro, com a apresentação do Plano Pastoral da Diocese para o ano de 2011/2012; ordenação do novo Bispo Auxiliar de Lisboa, D. Nuno Brás; apresentação da Campanha "10 Milhões de Estrelas - Um Gesto pela Paz", voltado para a Somália:

Bispos de Portugal, tenho uma coisa para vos dizer!

D. António Couto escreve aos bispos de Portugal pedindo mais empenho na dimensão missionária 16-Jun-2010 Bispos de Portugal, tenho uma coisa para vos dizer!
       1. No espaço de dois anos e meio, o Papa Bento XVI fez aos Bispos de Portugal dois interessantíssimos discursos: o primeiro, em Roma, em 10 de Novembro de 2007, durante a Visita ad Limina; o segundo, em Fátima, em 14 de Maio de 2010, durante a Visita Apostólica a Portugal.

       2. No discurso de 2007, o Papa trouxe para primeiro plano a construção de uma Igreja de comunhão e participação, em que os seus membros não fiquem perdidos e entretidos nas pregas do tempo e da vaidade a discutir quem é o primeiro, mas se ocupem verdadeiramente nas coisas de Deus e no testemunho de Cristo, começando por apostar numa nova e fecunda iniciação cristã, que não vá deixando pelo caminho cada vez mais crianças e jovens. Mais do que os discursos e as ideias, é o encontro testemunhado com a Pessoa de Cristo que é determinante. Era este o caminho, o método.

       3. No discurso de 2010, Bento XVI, serenamente feliz, começou por apresentar o Papa como alguém que vive, não para si mesmo, mas para a presença de Deus no mundo, coram Deo e coram hominibus. Esta atitude faz toda a diferença. Por isso, insistiu que os Pastores não podem ser apenas pessoas que ocupam um cargo, mas têm de sentir-se responsáveis pela abertura da Igreja à acção do Espírito, como a harpa de David exposta ao vento do Espírito, de onde saem sempre as mais belas melodias.
       Sentinelas atentas, portanto, aos novos movimentos e novas formas eclesiais, que o Espírito vai despertando, e que vão transformando o «inverno da Igreja» em nova primavera.

       4. Coram Deo e coram hominibus. Difícil postura, sem equilibrismos, ao mesmo tempo contemplativa e profética. Testemunhal sempre. E Bento XVI voltou a lembrar que os discursos e apelos aos princípios e valores cristãos, ainda que necessários e indispensáveis, não chegam ao mais fundo do coração da pessoa, não tocam a sua liberdade, não mudam a vida. Aquilo que fascina, referiu, é sobretudo o encontro com pessoas crentes que, pela sua fé, atraem para a graça de Cristo, dando testemunho d’Ele.

       5. Por isso e para isso, Bento XVI lembrou aos Bispos o caminho pastoral que se propuseram fazer: oferecer a todos os fiéis uma iniciação cristã exigente e atractiva, radicada no Evangelho, e que venha a ter reflexos na vida pública. Por isso e para isso, lembrou ainda o Papa, é necessário um novo vigor missionário de todos os cristãos, chamados a formar um laicado maduro, empenhado na Igreja e solidário no coração do mundo, onde devem ser verdadeiras testemunhas de Jesus Cristo, sobretudo nos meios humanos onde o silêncio da fé é mais amplo e profundo, e referiu a propósito, os meios políticos, intelectuais e dos profissionais da comunicação.

       6. Mas também é fundamental o testemunho da alegria, da caridade e da esperança no mundo deste tempo, com tantas e tão acentuadas carências sociais, com tantas pobrezas, onde sobressai a falta do sentido da vida.

       7. Enfim, os Bispos de Portugal devem ser mestres e testemunhas, mestres porque testemunhas, exercendo sempre a sua paternidade episcopal, antes de mais com os sacerdotes, mas também com todos os fiéis, não descurando a denúncia profética e o seu papel de sentinelas que velam pelo rebanho e conduzem o rebanho, sem esquecer a atenção de privilégio que devem sempre saber dar à ovelha perdida. Isto porque, a grande referência para o Papa, para os Bispos e para todos os cristãos é Jesus Cristo. Sem Ele, disse em jeito de desabafo o Papa na Homilia da Santa Missa celebrada no Porto, no dia 14 de Maio: quanto tempo perdido, quanto trabalho adiado!

       8. Glosando o título deste breve texto, retirado das palavras certeiras de Jesus que dissolvem os pensamentos tortuosos insidiados no coração do fariseu Simão (Lc 7,36-50), os Bispos de Portugal foram desafiados a verem, para além das muitas acções que vão realizando neste país e neste tempo (a mulher do Evangelho acima citado realiza seis!), a sétima, que é a grande acção da Graça de Deus que há-de ser sempre o fio condutor da sua vida de Pastores, de bons Pastores. Portanto, só estando verdadeiramente e sem subterfúgios e sem intervalos coram Deo, se pode estar também verdadeiramente coram hominibus, prestando a esta humanidade sofrida e desalentada um verdadeiro serviço de qualidade.

       9. Para lá dos conteúdos dos discursos com que nos brindou, o maior realce tem de ser posto, todavia, também para que os discursos sejam verdadeiros, no facto de Bento XVI ter sido no meio de nós testemunha qualificada da acção da Graça de Deus em acção no nosso mundo.

D. António Couto, Bispo Auxiliar de Braga/novo Bispo de Lamego, in Agência Ecclesia.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Bento XVI escreve às crianças sobre Maria, Mãe de Deus

       Bento XVI acaba de lançar um livro sobre ‘Maria, a mãe de Jesus’, onde convida as crianças a descobrirem os ensinamentos da Virgem e a colocarem nas suas mãos as alegrias e dificuldades do dia a dia.
       No prefácio da obra, que surge em destaque na edição de hoje do jornal do Vaticano, “L’Osservatore Romano”, o cardeal-arcebispo de Milão realça que o Papa fala aos mais novos de uma figura que, apesar de ter sido “concebida sem pecado”, passou pelas mesmas vicissitudes de qualquer ser humano.
       “Viveu as mesmas alegrias que nós, as mesmas dores, momentos felizes e momentos difíceis, fadigas como as nossas e o mesmo entusiasmo, sempre confiando e colocando-se nas mãos de Deus”, escreve D. Angelo Scola, recordando que a oração mariana pode fazer “muito” pela vida de cada um.
       Ao longo de 48 páginas, os ensinamentos do Papa ilustram os principais episódios da vida de Maria e explicam o significado das festas litúrgicas que foram instituídas pela Igreja Católica, em sua homenagem.
       Tudo isto é feito com a ajuda de um conjunto de representações marianas, onde se destaca a chamada “Virgem da Ternura”, uma imagem da tradição bizantina que descreve o Menino Jesus com o rosto apoiado na sua mãe.
       Com edição da ‘Piccola Casa Editrice’ e ilustração do italiano Franco Vignazia, o livro “Maria, a mãe de Jesus” está disponível nas livrarias italianas, por 10 euros.
       Vignazia tinha ilustrado, em 2010, a obra “Os amigos de Jesus”, que apresentava às crianças as catequeses de Bento XVI sobre os Apóstolos.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

África, Portugal, o Papa e o mundo

Ainda que o português não seja uma língua oficial da ONU (...), Bento XVI deu em África um contributo inquestionável para a sua divulgação e afirmação internacional
 
 
        Bento XVI foi ao Benim levar uma mensagem de esperança num continente que ainda não aprendeu a confiar nas suas próprias capacidades e no potencial que tem para participar ativamente na construção de um novo mundo – embora esse estado de coisas seja mantido, também, por pressões externas, de quem lucra com o subdesenvolvimento e o amesquinhamento dos africanos.
       Relativamente ignorada pelos media nacionais, a visita confirmou o português como uma língua da Igreja, particularmente em África, onde o testemunho de milhares de missionários foi homenageado pelo Papa.
       O Benim conserva ainda uma fortaleza portuguesa, precisamente numa das duas cidades que foram visitadas, na ‘costa dos escravos’, memória histórica daquilo que, de pior, a humanidade é capaz, mas, acima de tudo, um alerta para as novas escravaturas e formas de colonialismo (incluindo o dos mercados) a que o novo documento papal – um verdadeiro mapa para o futuro da Igreja africana – aludiu.
       Ainda que o português não seja uma língua oficial da ONU, por enquanto, Bento XVI deu em África um contributo inquestionável para a sua divulgação e afirmação internacional. O Benim - berço do vudu, como foi por várias vezes designado -, recebeu o Papa com o respeito devido aos mais velhos, nas culturas africanas, como um sábio que trouxe palavras de paz e apelos à reconciliação, essenciais para que o futuro possa ser diferente das guerras e crises que marcaram a África pós-independências.
       O clima foi, em vários momentos, muito semelhante ao célebre mundial de futebol da África do Sul (o das vuvuzelas), com cantos e manifestações constantes de quem esperava para ver Bento XVI, nem que fosse de passagem.
       A resposta do Papa, que valorizou por diversas vezes a “tradição” africana, esteve à altura das circunstâncias e pode servir como ponto de referência para um diálogo nem sempre bem conseguido com a modernidade, que saiba promover a interculturalidade e a coexistência pacífica entre os povos de África, com as suas várias religiões.

Ecografia - preparação dos jovens para o Advento

       O SDPJ de Lamego levou a efeito mais um dia de encontro, oração, reflexão, no passado dia 19 de novembro, em Armamar, para preparar o Advento. Da paróquia de Tabuaço estiveram presentes 17 jovens, acompanhados pela Catequista e responsável pelo grupo. Aqui ficam, em formato de vídeo, alguns desses momentos, através das fotos que o secretariado disponibiliza também na sua página no facebook.

Sublime ORAÇÃO

Bem debaixo, Senhor, da tua asa,
coloca a nossa casa ...
Nossa mesa abençoa, e o leite e o linho,
guarda nosso caminho.
Brote em torno, o jardim, frutas e flores;
de nossa boca louvores.
Conserva pura a fonte de cristal;
longe o pecado e o mal.
Repele o incêndio, a peste, a inundação,
reinem a paz e a união.
Bem haja na janela o azul do dia;
na parede Maria.
Encontre a noite quieta a luz acesa;
quente sopa na mesa.
Batam a porta o pobre e o viajor;
e tu mesmo, Senhor.
Tranquilo seja o sono sob a cruz,
que a outro sol conduz.

autor desconhecido, postada a partir de Alfa & Ómega.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Ordenação do Diácono Ricardo Barroco

       Ontem, a partir das 16h00, na Sé Catedral, 135 anos depois da Dedicação da mesma, Dia da Igreja Diocesana, solenidade de Jesus Cristo Rei do Universo, o Administrador Apostólico da Diocese de Lamego, D. Jacinto Botelho, um dia depois de conhecer o Seu sucessor, D. António Couto, presidia à Eucaristia solene com a Ordenação de mais um Diácono em ordem ao sacerdócio ordenado: Ricardo Jorge Ribeiro Barroco.

Pontos de contacto:
       Durante a celebração de ordenação do novo Diácono Ricardo, lembramo-nos de alguns pontos de contacto importantes, pelo menos para nós.
       A naturalidade é a mesma: PENUDE. Nascemos e fomos baptizados na paróquia de Penude.
       O Ricardo, ainda muito novo foi viver para Magueija. Entre os 2 e os 10/11 anos também vivi em Magueija e aí frequentei a Escola Primária (no Cabeço). Nessa altura, já andava no ciclo, regressei à minha povoação, Matancinha, em Penude. Ele permaneceu em Magueija.
       O Ricardo pertence a uma família - os Barrocos - a que também eu tenho ligações, parentes afastados. Quando era pequeno, diziam aos meus pais que eu saía à parte dos barrocos.
       Saliente-se também que o Ricardo tem um primo sacerdote, o Pe. Horácio Rossas, Comboniano e que se encontra atualmente na Zâmbia, em missão.
       No meu estágio pastoral, no Seminário Menor de Resende, como Diácono, na Equipa Formadora, encontrei o Ricardo Barroco, aluno do 8.º ano e depois do 9.º ano, juntamente com outros que hoje são sacerdotes, como o Pregador da novena da Imaculada Conceição, o Pe. António Giroto, aliás, são do mesmo ano.
       Atualmente e desde há 11 anos ao serviço de paróquias no Arciprestado/Concelho de Tabuaço, e o Ricardo Barroco, integrando a Equipa Sacerdotal do Pe. Amadeu e do Pe. Filipe, estagia em algumas paróquias deste Arciprestado: Valença do Douro, Desejosa (com a anexa da Balsa) e Pereiro.

sábado, 19 de novembro de 2011

Mensagem de D. Jacinto, Administrador da Diocese de Lamego

       Sua Santidade Bento XVI nomeou o Senhor D. António José da Rocha Couto para meu sucessor. Saúdo-o com a maior amizade e consideração e auguro-lhe um episcopado carregado de Bênçãos e êxitos pastorais. Tenho servido esta Igreja de Lamego que desposei, quase ao longo de 12 anos, como bispo diocesano e continuarei a servi-la, como administrador apostólico, até à tomada de posse do meu sucessor.
       Antes de mais agradeço ao Senhor a magnanimidade da Graça recebida, a confiança que o Beato João Paulo II e o actual Pontífice, Sua Santidade, Bento XVI, em mim depositaram; a vivência de fraternidade com os irmãos no episcopado; igualmente tenho de ser grato ao Senhor pela comunhão e docilidade do Presbitério, pelo testemunho sempre estimulante das religiosas e religiosos e dos membros dos Institutos de vida apostólica; e pela amizade, carinho, e dedicação dos nossos leigos. 
       Penaliza-me a debilidade e imperfeição da minha resposta e do meu serviço que, confiando na misericórdia de Deus, Ele me perdoará, e vós também sabeis desculpar, como tão generosamente tendes manifestado.
       Mas devo agradecer ainda ao Senhor a riqueza de que esta Diocese de Lamego vai beneficiar com a nomeação do Senhor D. António Couto. Natural de Vila Boa do Bispo, Marco de Canaveses, Porto, é membro da Sociedade Missionária da Boa Nova e até agora Bispo Auxiliar de Braga, que vários dos nossos sacerdotes conhecem, porque orientou um dos últimos retiros anuais do nosso clero. Trata-se de um Bispo de reconhecida cultura e competência teológica, nomeadamente no campo da Sagrada Escritura, que até ao momento tem sido professor na Faculdade de Teologia do Porto da Universidade Católica. Foi eleito na última Assembleia da Conferência Episcopal para presidir à Comissão agora reestruturada com o pelouro da Missão e Nova Evangelização. Cabe-lhe por isso a responsabilidade de coordenar toda a movimentação em que a Igreja de Portugal se encontra empenhada na linha da Nova Evangelização, o que é uma mais-valia para a nossa Diocese. Agradeço as orações que permanentemente por mim tendes feito chegar ao Céu, durante o meu ministério episcopal, prática a que continuareis a ser fiéis também pelo nosso novo Bispo que, se Deus quiser, em 29 de Janeiro tomará posse da Diocese, e receberemos com júbilo, numa manifestação viva de fé e de comunhão.

+ Jacinto Tomaz de Carvalho Botelho, Administrador Apostólico de Lamego

XXXIV Domingo do Tempo Comum - 20 de novembro

NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, REI DO UNIVERSO

       1 – Disse Jesus: "...Todas as nações se reunirão na sua presença e Ele separará uns dos outros,… Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Vinde, bem ditos de meu Pai; recebei como herança o reino que vos está preparado desde a criação do mundo. Porque tive fome e destes-Me de comer; tive sede e destes-me de beber; era peregrino e Me recolhestes; não tinha roupa e Me vestistes; estive doente e viestes visitar-Me; estava na prisão e fostes ver-Me’... Quantas vezes o fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes’".
       Ao longo dos últimos domingos, Jesus apontou-nos para o essencial, amar a Deus antes e acima de tudo e ao próximo como a nós mesmos, recordando-nos que os propósitos só têm sentido se levados à prática, de contrário seriam apenas palavras ocas, incoerentes. Neste duplo mandamento se concretizam os ideais do Evangelho e a certeza de acolhermos a salvação que nos chega com Jesus Cristo. O caminho da vida eterna fica iluminado na morte e ressurreição de Jesus, como expressão do Seu amor a Deus Pai e à humanidade que integrámos. Agora é a nossa vez.
       A hora e a ocasião é incerta, mas a vida que Deus nos deu é uma oportunidade para transformarmos o mundo. Como víamos há uma semana, na Sua "ausência" cabe-nos a nós fazer render os talentos, para multiplicarmos o bem, a justiça, o amor, e no "ajuste de contas" final, quando Ele vier para nos recolher na Sua morada, seremos portadores dos novos céus e nova terra, que Jesus iniciou e que nós ajudamos a instaurar, passando a outros o testemunho da vida nova que recebemos pelo Baptismo, no Espírito Santo, e que nos conduz à presença de Deus Pai, na eternidade.
       Hoje, no Evangelho de São Mateus, é-nos apresentado o Juízo Final. Temo-lo como hora de esperança, confiando com alegria na misericórdia de Deus. O Seu juízo é salvífico. Jesus veio ao mundo para nos salvar. Deixemos-nos salvar por Ele, sigamo-lo na prossecução do bem, na promoção da verdade, na vivência da caridade e do perdão. Quando chegar a hora, já não será connosco, mas com Deus e com o Seu amor de Pai. Este Juízo é mais um desafio que se nos coloca, a nós que ainda vivemos, acentuando, mais uma vez, que o amor a Deus se visualiza e traduz no amor para com o nosso semelhante.

       2 – Caminhamos, mas não estamos sós. O próprio Deus vem, constantemente, como Pastor para o meio das ovelhas, vem para junto de nós, como nos garante o Senhor na profecia de Ezequiel: "Eu próprio irei em busca das minhas ovelhas e hei-de encontrá-las. Como o pastor vigia o seu rebanho, Quando estiver no meio das ovelhas que andavam tresmalhadas, para as tirar de todos os sítios em que se desgarraram num dia de nevoeiro e de trevas. Eu apascentarei as minhas ovelhas, Eu as levarei a repousar, diz o Senhor. Hei-de procurar a que anda tresmalhada. Tratarei a que estiver ferida, darei vigor à que andar enfraquecida. E velarei pela gorda e vigorosa. Hei-de apascentá-las com justiça". 
       Reconfortantes também as palavras do salmo proposto neste dia: "O Senhor é meu pastor: nada me falta. Leva-me a descansar em verdes prados, conduz-me às águas refrescantes e reconforta a minha alma. Ele me guia por sendas direitas, por amor do seu nome".
       A lógica dos dois textos é semelhante, como o pastor cuida de todas as ovelhas, numa atenção especial às mais fragilizadas, para que estas não abandonem o rebanho e para que não se percam, assim Deus no meio de nós, qual Pastor, que em Jesus Cristo Se revela como Cordeiro de Deus, que carrega aos ombros a ovelha ferida, que nos carrega aos ombros quando estamos cansados e oprimidos, atraindo-nos para Si, alimentando-nos com a Sua Palavra e com a Sua vida, morte e ressurreição, que tornámos presente no mistério da Eucaristia.

       3 – Por outro lado, para nós cristãos, o Juízo final significa antes de mais o encontro com Deus, é um momento redentor. Com a morte biológica chega o nosso encontro definitivo com Deus. Ele não veio para julgar, mas para que todo o mundo seja salvo por Ele. A Sua vida encaminha-nos em direcção a Deus. Jesus vive procurando em tudo e em toda a parte realizar a vontade de Deus. A concretização dessa vontade de Deus coloca-O na comunhão plena com a eternidade, que Ele antecipa para nós, com a Sua morte e ressurreição, e, colocado à direito de Deus Pai, daí nos atrai.
       A propósito, recorda-nos o Apóstolo que "Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram. Uma vez que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos; porque, do mesmo modo que em Adão todos morreram, assim também em Cristo serão todos restituídos à vida".
       Não apenas não estamos sós na nossa peregrinação terrena, porque Ele está connosco, nosso bom Pastor, como somos iluminamos pela Sua morte e ressurreição, Jesus guia-nos, vai à frente, mostra-nos o caminho da eternidade, no Seu compromisso com a humanidade eleva-Se para Deus, para que também, n'Ele e por Ele, imitando-O possamos do mesmo modo ser elevados para a glória do Céu.

Textos para a Eucaristia (ano A): Ez 34,11-12.15-17; Sl 22 (23); 1 Cor 15,20-26.28; Mt 25,31-46.

1.ª Mensagem de D. António Couto à Diocese de Lamego

       Com alegria e confiança de criança, levanto os meus olhos para os montes, para Aquele que guarda a minha vida, de noite e de dia, quando saio e quando entro, desde agora e para sempre! É com esta luminosa melodia do Salmo 121, que canto, neste dia, ao bom Deus, que sei bem que «tem sido o meu pastor desde que existo até hoje» (Génesis 48,15).
        D’Ele quero ser transparência pura, sempre, como Ele, pastor que visita, com um olhar repleto de bondade, beleza e maravilha, os seus filhos e filhas que Ele agora me confia. Enche sempre, Senhor, o meu olhar, mãos e coração com a tua presença bela e boa. Que, em mim, sejas sempre Tu a visitar o teu povo. É esta divina maneira de ver bem, belo e bom (episképtomai), que diz o bispo (epískopos) e a visita ou visitação pastoral (episkopê) (Lucas 1,78; 7,16; 19,44).
       É nesta toada de comovida oração que saúdo e abraço a bela, antiga e ilustre Diocese de Lamego, todos os filhos e filhas de Deus que nela levantam as mãos e o coração para Deus, desde os mais pequeninos até aos mais idosos, todos e todas as comunidades e paróquias, com os/as seus/suas catequistas, cantores, acólitos, leitores, zeladoras, confrarias, movimentos, ministros da comunhão, animadores da caridade, seminaristas, institutos religiosos e seculares, diáconos, presbíteros, serviços e secretariados, colégio de consultores e cabido da Sé Catedral, e o meu querido amigo e irmão no episcopado, D. Jacinto Tomás de Carvalho Botelho, a quem saúdo com particular afeto.
       Estarei amanhã [domingo], Dia da Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, em comunhão com todos vós na celebração do Dia da Igreja Diocesana, e sentirei convosco «A Família e a Igreja nos caminhos da Nova Evangelização». Que o Senhor a quem servimos e que nos mandou servir os nossos irmãos mais pequeninos encha das suas graças o jovem Ricardo Jorge Ribeiro Barroco, que amanhã receberá a Ordenação Diaconal. Para todos invoco a bênção de Cristo Rei, e a proteção de S. Sebastião, Padroeiro da nossa Diocese de Lamego, e de Maria, Mãe de Deus e nossa mãe, que particularmente invocamos como Nossa Senhora dos Remédios.
       Quero, nesta hora de graça, manifestar também o meu afeto e gratidão à Igreja Bracarense, que Deus me deu a graça de servir nos últimos quatro anos. O meu abraço grato e fraterno ao Senhor Arcebispo Primaz, D. Jorge Ferreira da Costa Ortiga, e ao Senhor Manuel da Silva Rodrigues Linda., que tem sido comigo Bispo Auxiliar. As minhas mais afetuosas saudações a todos aqueles que, nestes quatro anos, Deus colocou no meu caminho: presbíteros, diáconos, seminaristas, fiéis leigos empenhados no «trabalho do amor» (1 Tessalonicenses 1,3) e o bom povo de Deus, a quem tanto fico a dever.
       À Igreja de Lamego que servirei agora, à Igreja de Braga que servi nestes quatro anos, à Sociedade Missionária da Boa Nova que me acolheu desde criança e em cujo seio aprendi a dilatar o coração, e a todas as Igrejas por onde tive a graça de passar e de servir, a todos peço que «luteis comigo na oração» (Romanos 15,30) para que eu possa ser sempre fiel à causa do Evangelho. Esta hora de graça serve ainda para atestar a minha fidelidade, comunhão e gratidão ao nosso Papa Bento XVI, e também a minha lealdade e comunhão ao Senhor Núncio Apostólico em Portugal, D. Rino Passigato, e a todo o Colégio Episcopal.

Braga, 19 de novembro de 2011, Memória de Santa Maria no Sábado
D. António José da Rocha Couto

Falaste bem, Mestre...

       E que os mortos ressuscitam, até Moisés o deu a entender no episódio da sarça ardente, quando chama ao Senhor ‘o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob’. Não é um Deus de mortos, mas de vivos, porque para Ele todos estão vivos». Então alguns escribas tomaram a palavra e disseram: «Falaste bem, Mestre». E ninguém mais se atrevia a fazer-Lhe qualquer pergunta (Lc 20, 27-40).
        No tempo de Jesus existiam vários grupos, fações. Um desses grupos, os saduceus, classe dos comerciantes, preocupava-se sobretudo com o que era material, com o que poderia dar dinheiro. Era um grupo materialista. Os seus membros não acreditavam na ressurreição dos mortos.
       Aproximam-se de Jesus e colocam-lhe um "problema" muito da tradição judaica. Se um irmão tivesse casado e morrido sem descendência, o irmão a seguir desposaria a mesma mulher para desse modo lhe dar descendência, e se este, por sua vez, também não deixasse descendência, o seguinte assumia a responsabilidade de casar com a mesma mulher a fim de lhe dar a descendência. Ora sucedeu que sete desposaram a mulher, mas todos morreram sem descendência, com qual deles ficaria ela na vida eterna?
A resposta de Jesus é clara e inequívoca, na vida eterna nem se casam nem se dão em casamento. É uma realidade distinta da terrena e história.
       Por outro lado, Jesus evoca a Sagrada Escritura, na ocasião em que Moisés vai falar com Deus, tratando Deus como o "Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob", ou seja, um Deus de vivos e não de mortos. Como Moisés é uma referência fundante e fundamental para todos os judeus, esta referência de Jesus é conclusiva e não merece reparos.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

A felicidade à mão de semear!

Há quem pergunte: por que é que alguns dos meus companheiros andam tão felizes e eu não? Não tenho também porventura o direito à felicidade?

Não há receitas para se ser feliz. Nem certamente alguém poderá dizer de verdade que é realmente feliz. Contudo, podemos ter atitudes que podem tornar os nossos dias mais alegres.
Damos 5 sugestões:

1. O LADO POSITIVO
       Em vez de vermos o lado negativo das coisas, é bom vê-las com outros olhos. É o caso do copo meio cheio. O optimista fica satisfeito porque está com líquido até meio. O pessimista vê a parte vazia e lamenta-se.

2 . TER UM PROJECTO DE VIDA
       Cada qual deve ter um projecto a realizar a curto, a médio e a longo prazo. Que seja um projecto belo, que ajude a ser mais humano e mais solidário. E empenhar-se activamente na sua realização. O trabalho dá alegria.

3. INTELIGÊNCIA E CORAÇÃO
       Cada qual deve exercitar a sua inteligência, sentindo alegria de fazer sempre novas descobertas. Mas deve também exercitar o coração, escutando as pessoas, conhecendo-as melhor e amando-as como a nós mesmos.

4. NÃO ESPERAR PELOS OUTROS
       Isto significa que será cada qual a assumir o seu destino, sem estar à espera que nos venham servir a felicidade numa bandeja. Ajudados por uns e estorvados por outros, somos nós os responsáveis da nossa vida.

5. FAZER NOVAS AMIZADES
       É bom ter o nosso grupo de amigos, em quem confiamos e com quem nos sentimos felizes. Mas é saudável encontrar outras pessoas, conquistar novas amizades, dedicando-lhes o nosso tempo, torná-las felizes.

in Revista Juvenil, Outubro 2010, n.º 539

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Pedacinho de DEUS

       Esta é uma canção proposta no manual de EMRC do 6.º Ano de escolaridade. Na unidade letiva 1 - Sou Pessoa - Deus é-nos apresentado como PESSOA, que Se relaciona connosco, e que nós trazemos em nós, a nossa identidade fala-nos de Deus, trazemos em nós os traços da divindade, com a mesma capacidade criativa para amar e ser amado, para construir, para renovar, para fazer "coisas novas". Pedacinho de Deus recorda-nos o que há de melhor em nós.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Parábolas sobre o Céu e o Inferno

       Quando frequentava o sétimo ano de escolaridade, há uns anos largos, o Livro de EMRC, trazia uma pequena história/parábola sobre o céu e o inferno:
Dois burros presos um ao outro, com dois fardos de erva, de cada lado. Cada um puxava para o seu monte e a corda não dava para que os dois chegassem ao respectivo monte em simultâneo. Cada um procurava comer do monte de erva que tinha pela frente. Resultou infrutífero. Era o inferno. Numa situação posterior, os dois burros juntaram-se e comeram primeiro de um monte e depois do outro. É o Céu. A partilha leva-nos a lucrar a todos. O egoísmo prejudica-nos a todos.
Uma outra parábola, recolhida sobre esta temática, cuja origem desconhecemos:
Pessoas com um rico manjar pela frente, à base de arroz. Uma condição: para comerem tinham que usar os pauzinhos (comer como os chineses), com dois metros de cumprimento. Cada qual tentava comer o seu manjar, sem se preocupar com o outro, apenas com a preocupação de não deixar nada. Nenhum conseguia comer. Era o inferno. A outra situação mostrava o mesmo manjar delicioso, com as pessoas, alegres e sorridentes, a estenderem a comida à pessoa que tinham à sua frente. Era o Céu. Todos conseguiam comer, saborear, apreciar o outro a comer!!! Partilha e solidariedade.
       Por vezes pequenas gestos decidem a vida e podem alterar o mundo que nos envolve. A atitude é fundamental. Uns diante das imensas dificuldades que a vida lhes coloca, lutam, lutam até vencerem. Outros, com tantas oportunidades mas que não mexem uma palha. Deixam como está. Mas como a história é dinâmica, deixar como está é contribuir para tornar o mundo pior.
       Não cabe aos outros decidir. Cabe a cada um de nós. A felicidade bate-nos à porta, tantas vezes, de tantas maneiras diferentes, em ocasiões diversas. escolhamos ser felizes com os outros. Se ainda assim for difícil, deixemo-nos surpreender por Deus...

Outros textos sobre esta temática, neste nosso blogue.
Ao procurarmos uma imagem que ilustrasse este post, encontramos a segunda imagem também blogada e talvez mais fiel à parábola original, aqui!

terça-feira, 15 de novembro de 2011

CEP - Esperança em tempo de crise

MENSAGEM dos BISPOS de PORTUGAL:

       Estimados concidadãos e também vós, os imigrantes que connosco constituís Portugal, neste difícil fim de 2011:
       É com inteira proximidade e muito afeto que vos dirigimos esta mensagem, querendo assinalar o nosso compromisso com todos, especialmente os mais atingidos pela presente crise e as grandes interrogações que ela levanta.
       Atravessamos dificuldades grandes, como grandes são as incertezas quanto ao futuro, tanto na economia como na vida social, para a generalidade dos cidadãos e muito especialmente os mais pobres e frágeis. Como bispos católicos, devemos e queremos estar absolutamente com todos, em especial com quem mais precisa de palavras e gestos de esperança: esta nasce da solidariedade e de um Deus que nunca nos abandona. Na compreensão cristã da vida, a generosidade e a coragem com que se superam as dificuldades são fermento de uma sociedade nova.
       Não é a primeira vez na nossa história que os sobressaltos na vida habitual e nas expectativas normais se tornam ocasiões de consciencialização e decisão coletivas. Aproveitemos este momento, que não desejávamos, para aprofundar valores que não deveríamos esquecer nunca, pois são a própria base duma sociedade justa e saudável.
       É certo que se juntaram fatores externos e internos, como muitas análises, mais ou menos coincidentes, não deixam de evidenciar. Excessiva especulação financeira e pouca consistência económica somaram-se negativamente e tanto nos enfraqueceram internamente como nos prejudicaram internacionalmente. Alimentámos, ou alimentaram-nos, aspirações que agora são impossíveis de concretizar. Falha hoje a própria base material em que tudo o mais se sustenta, ou seja, uma vida económica saudável e suficientemente apoiada pelo investimento e pelo crédito, que garanta trabalho digno para todos: trabalho que é condição indispensável para o sustento e a realização das pessoas e das famílias.
       Acompanhamos o esforço dos vários responsáveis nacionais e internacionais, agora mais premente pela magnitude dos problemas. É cada vez mais claro que a política internacional não pode reduzir-se, nem muito menos submeter-se, a obscuros jogos de capital que fariam desaparecer a própria democracia. Esta só acontece onde todos se reconhecem, respondendo cada um pelo que faz ou não faz, à luz de valores e direitos que a todos interessam e suportam. O capital provém do trabalho, que, realizando a pessoa humana, mantém prioridade absoluta. Nem podemos abster-nos da vida democrática, nem devemos cair nas mãos de novos senhores sem rosto. Também aqui se há de respeitar a verdade, condição básica da justiça e da paz.
       Nesta curta mensagem, que pretende ser um sinal de presença, oferecemos o que nos é mais próprio como Igreja Católica em Portugal:
– A nossa solidariedade ativa, como é exercida diariamente pelas instituições sociais católicas, com todas as possibilidades que tivermos e em franca colaboração com tudo o que se faça na sociedade em prol de um bem que tem de ser verdadeiramente comum e não deixe ninguém em condições desumanas.
– A nossa insistência nos valores e princípios fundamentais da doutrina social da Igreja, que aliás compartilhamos com a racionalidade humana em geral, concretizando-se em quatro pontos axiais: a dignidade da pessoa humana; o bem comum; a subsidiariedade, que suscita e apoia a contribuição específica de cada corpo social; e a solidariedade, expressão da fraternidade, que nunca procura o bem particular sem ter em conta o bem de todos.
– A certeza, mais uma vez afirmada, de que compartilhamos “as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias” dos nossos concidadãos, querendo reproduzir agora os sentimentos daquele Cristo, que tendo nascido há dois mil anos, quer “renascer” também no Natal que se aproxima – e com a mesma luz para idênticas trevas.
Com todos e cada um de vós,
Os Bispos de Portugal

Fátima, 10 de novembro de 2011

O lodo e as estrelas

       Chegou-nos, há poucos dias, este pequeno grande livro, do Pe. Telmo Ferraz, da Casa do Gaiato, e que agora recomendamos vivamente.
O autor:
       Pe. José Telmo Ferraz é bem nosso conhecido. Amigo de famílias que encontrou em Angola, tem vindo a cada passo a Tabuaço, para connosco celebrar Eucaristia, por alguns daqueles que o Senhor já chamou a Si. Há alguns anos atrás, responsável pelo grupo da LIAM, vinha com muita frequência, na promoção missionária, em encontros de oração e de reflexão, pelo que é também bem conhecido da comunidade paroquial.
O Lodo e as Estrelas:
       surpreendeu-nos em todos os sentidos, uma vez que desconhecíamos que o autor tivesse posto em livro memórias do seu trabalho na Casa dos Gaiatos, junto das pessoas mais fragilizadas e mais desprotegidas, em Portugal e por terras de Angola.
       Na construção das "barraiges", entre 1955 e 1959, por exemplo em Picote, em que muitos trabalhadores, para sustentar as famílias, estragam a vida por 25$OO (vinte e cinco escudos, para hoje: € 0,125), nas doenças dos pulmões, acabando sem qualquer protecção social, e com as respectivas famílias a morrer de fome. A presença do sacerdote é um alento para as almas, acompanhando na doença, no desfortúnio, na morte, mas também em momentos de alegria, baptizando os filhos, ajudando com os meios escassos de que dispõe ou que lhe fazem chegar.
       Depois, em terras de Angola, outra realidade portuguesa, também nos idos anos de 1960 e 1961, quando fervilham ódios, conflitos, e se acentua a revolta dos negros contra os brancos, e muitas vezes, na maior das desumanidade, se mata (só) por matar, para vingar, porque alguém mandou, porque é de outra cor... e depois e de novo a pobreza extrema, a miséria, palhotas pequenas para albergar famílias com muitas bocas famintas... e os preconceitos...

O Lodo e as Estrelas (3.ª Edição, Editorial Casa do Gaiato. Paço de Sousa: 1985):
       É também um testemunho de vida, de entrega, de fé. Escrito em prosa, mas com poesia nas palavras, nas frases, nos olhares que se percebem, no amor, na paixão em servir, poesia da fé mas também dos limites humanos. É uma leitura agradável, refrescante, certamente escrita com muitas lágrimas, muitas recordações, mas com a consciência que se deixaram marcas de bem dizer e bem fazer.
       Parabéns aos autor. Surpreendeu-nos, muito sinceramente. E a todos o que poderão tornar-se seus leitores, não vão ficar desiludidos.

O comentário do autor sobre o livro:
       «Apontamentos simples, no quotidiano, de factos tão simples, quase banais - mas nossos, reais. Há neles verdade e sinceridade. Só anseio que, partindo deles, encontres uma vivência que avive um pouquinho o teu amor pelos outros. Sabes a história da primeira parte, na primeira edição. Uma gota d'água causou susto! A esta gota d'água junto em segunda parte uns fios de espuma tecidos em Angola».

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A nossa maratona

No meio daquela multidão cada um se sente, de repente, radicalmente só, ferido pela dor, provado por uma incógnita que não oferece tréguas
       Acho que todas as vidas, mais longas ou mais breves, têm o mesmo comprimento: medem todas quarenta e dois Kms. Porquê? Por que essa é a extensão de uma maratona. Repito: se a vida se parece com alguma modalidade, penso que não anda longe dessa corrida bela e interminável que de uma maneira evidente coloca em prova a resistência, a esperança e a vontade. Hoje vi passar uns largos milhares de corredores e dei comigo a pensar no que faz estas pessoas correr. Não falo dos atletas profissionais que têm aí uma expressão importante da sua vocação e do seu talento. Falo destes milhares de mulheres e de homens comuns, que ao longo de um ano arranjam com esforço um tempo livre para os treinos necessários e que anualmente acorrem à maratona não para competir uns com os outros, mas talvez por alguma razão mais profunda, que nos endereça para zonas silenciosas do nosso próprio coração. Eles correm porquê? Muito simplesmente para se sentirem vivos ou a reviver. Para se lançarem a si próprios um desafio. Para sentirem, de forma mais palpável, que as múltiplas corridas em que quotidianamente se embrenham (em que nos embrenhamos) convergem para uma meta.
       De que a maratona é uma parábola da vida não restam dúvidas quando ouvimos um maratonista descrever a sua experiência. O arranque, com o entusiasmo e a quase euforia. Depois a comunhão com os outros corredores e com o público que assiste. As palmas tornam-se um encorajamento e as palavras de confiança um redobrar da confiança própria. Nesta etapa nem se sente o chão e cada corredor como que levita. Diz quem sabe que as coisas mudam mais ao menos ao Km vinte e cinco. O desgaste físico e as primeiras incertezas trazem um abatimento interior inesperado. No meio daquela multidão cada um se sente, de repente, radicalmente só, ferido pela dor, provado por uma incógnita que não oferece tréguas. “É a primeira crise?”- perguntamos. Um maratonista ri-se e dirá que daí para a frente é só crises. E, por isso mesmo, ele tem a cada momento, na adversidade, de restaurar a possibilidade da esperança. A confiança não é um garantido seguro, mas uma marcha no aberto, para não dizer no desprovido. E, verdadeiramente, os corredores vacilantes que cruzam a meta não se podem queixar. A primeira parte desta maratona, por exemplo, era feita por mulheres e homens em cadeiras de rodas, e muitos deles não tinham pernas.

José Tolentino Mendonça, Editorial da Agência Ecclesia

domingo, 13 de novembro de 2011

Pontos Cardeais (PC) - Tabuaço

       Uma visita guiada pelo Concelho de Tabuaço, pela história, tradições, pelos monumentos, por paisagens deslumbrantes:

PC-Tabuaço from Luisdemar Rodrigues on Vimeo.

sábado, 12 de novembro de 2011

XXXIII Domingo do Tempo Comum (ano A) - 13 de novembro

       1 – Na aproximação ao final do ano litúrgico, a Palavra de Deus ajuda-nos a reflectir sobre as realidades últimas, a morte, a vida eterna, a passagem deste mundo para a comunhão com Deus. Obviamente que a reflexão sobre a morte e sobre a eternidade nos obriga a enquadrar o tempo que está antes, a nossa responsabilidade para com o tempo actual, neste nosso mundo, com as pessoas que estão à nossa volta. Pensamos no fim para melhorarmos o entretanto, o caminho que lá nos conduz. Quando chegar a nossa hora, o tempo deixa de ser nosso, restará a misericórdia de Deus e a esperança dos que ficam a aguardar pela sua vez. Por ora, o nosso compromisso, a nossa vida.
       Ouçamos as palavras significativas do Apóstolo São Paulo: "Sobre o tempo e a ocasião, não precisais que vos escreva, pois vós próprios sabeis perfeitamente que o dia do Senhor vem como um ladrão nocturno. E quando disserem: «Paz e segurança», é então que subitamente cairá sobre eles a ruína, como as dores da mulher que está para ser mãe, e não poderão escapar. Mas vós, irmãos, não andeis nas trevas, de modo que esse dia vos surpreenda como um ladrão, porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia: nós não somos da noite nem das trevas. Por isso, não durmamos como os outros, mas permaneçamos vigilantes e sóbrios".
       Paulo recorda-nos as palavras que ouvimos de Jesus Cristo há uma semana: "vigiai, porque não sabeis o dia nem a hora". Até podemos esquecer, atarefados, stressados, empenhados em viver bem (que seja sobretudo isto), mas, como popularmente se diz, temos o destino marcado, um dia haveremos de dar contas ao Senhor, Deus do Universo, e Deus nosso. O conselho de Paulo é o mesmo de Jesus: iluminados pelas palavras, pela vida, pela morte e ressurreição de Jesus, vivamos na luz, como filhos da luz, vigilantes e sóbrios, não nos deixemos adormecer por fáceis resignações, comodismos ou distrações.
       2 – Duas realidades incontornáveis e certas na nossa vida: a morte (ainda que não saibamos o dia nem a hora) e o amor. Queiramos ou não, novos ou mais velhos, com saúde de ferro ou doentes crónicos, homens ou mulheres, bem humorados ou zangados com todos, sorridentes ou sisudos, a nossa hora chegará um dia, não ficaremos para a semente. Mesmo que esse fosse o nosso anseio. Ninguém sobreviverá à corrupção do tempo e da história. Teremos um fim.
       O amor, por outro lado, comanda a vida. A este respeito há muitas discussões, pois o dinheiro comanda muitos mundos. O poder (e o desejo de poder) comanda outros mundos. O ódio e a vingança têm também os seus mundos e os seus adoradores. Mas no final sobrevém o amor, a vida, a esperança, a fé. Noutro contexto, o Apóstolo Paulo dir-nos-ia que agora coexistem a fé, a esperança e o amor, mas só o amor permanecerá até à eternidade. Se o mundo se regulasse pela lei do poder ou do dinheiro, já há muito não estávamos por cá, nem o meio mundo que engana, nem o meio mundo que é enganado. É pela força e dinâmica do amor que o mundo tem evoluído e tem sido transformado e não destruído.
       Para nós, crentes, é o amor de Deus que nos criou e é no Seu amor que sobrevivemos no tempo e na história e sobreviveremos à nossa morte biológica. Com efeito, em Deus o amor transborda em plenitude para nos criar e para nos salvar. É o amor que mobilizou, e mobiliza, homens e mulheres a ultrapassarem os seus limites e a colocarem o seu saber, o seu coração, os seus talentos e a sua vida ao serviço dos outros e da humanidade, nas mais diversas áreas de saber, da ciência, da tecnologia.
       É certo que muito mal e sofrimento grassa no mundo, por vezes tão rente a nós que se torna impossível ignorar. Ainda assim, connosco, o anseio de viver com alegria e saúde, por muito tempo, rodeados de esperança e de amigos e de situações que possamos desfrutar. É como que um impulso inscrito em nós por Deus para darmos sentido à nossa existência.

       3 – A morte é certa. Mas não podemos ficar sentados e de mãos cruzadas à espera. Então vivamos com entusiasmo. Vivamos no amor, que também é certo, o de Deus por nós, o que nos torna filhos em Jesus Cristo, o amor que o Espírito Santo nos inspira para nos ligarmos como família na partilha solidária, para entrarmos em comunhão uns com os outros, vivendo em dinâmica de felicidade.
       No Evangelho deste domingo, a parábola de Jesus sobre os talentos é muito expressiva, como que nos dizendo que Deus nos dá a vida e nos presenteia com muitos talentos. Na Sua "ausência", enquanto não nos recolhe de novo para a morada eterna, cabe-nos desenvolver, com criatividade e generosidade, os talentos que possuímos e que d'Ele nos aproximam constantemente.
        "Disse Jesus aos seus discípulos a seguinte parábola: «Um homem, ao partir de viagem, chamou os seus servos e confiou-lhes os seus bens. A um entregou cinco talentos, a outro dois e a outro um, conforme a capacidade de cada qual; e depois partiu. O que tinha recebido cinco talentos fê-los render e ganhou outros cinco. Do mesmo modo, o que recebera dois talentos ganhou outros dois. Mas, o que recebera dois talentos ganhou outros dois. Mas, o que recebera um só talento foi escavar na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor... Muito tempo depois, chegou o senhor daqueles servos e foi ajustar contas com eles»..."
       Há caminhos a percorrer, há quem escolha pôr mãos à obra de imediato e quem opte por se esconder no medo, nas desculpas, na falta de dons, no que os outros podem e devem fazer, nas circunstâncias desfavoráveis, na falta de tempo.
       Como poderemos chegar felizes junto de Deus se desperdiçamos o nosso tempo e as qualidades que Ele nos deu e as oportunidades que tivemos para sermos felizes e contribuirmos para a felicidade de outros? Quando Ele vier retomar o que é Seu, que teremos para oferecer? Multiplicámos o que nos deu, ou desculpar-nos-emos com o medo, com os outros, com as limitações pessoais ou com as circunstâncias?

Textos para a Eucaristia (ano A): Prov 31,10-13.19-20.30-31; 1 Tes 5,1-6; Mt 25,14-30.

Deixando-me perdoar, aprendo a perdoar...

       "Importante é também o sacramento da Penitência. Ensina a olhar-me do ponto de vista de Deus e obriga-me a ser honesto comigo mesmo; leva-me à humildade. Uma vez o Cura d’Ars disse: Pensais que não tem sentido obter a absolvição hoje, sabendo entretanto que amanhã fareis de novo os mesmos pecados. Mas – assim disse ele – o próprio Deus neste momento esquece os vossos pecados de amanhã, para vos dar a sua graça hoje. Embora tenhamos de lutar continuamente contra os mesmos erros, é importante opor-se ao embrutecimento da alma, à indiferença que se resigna com o facto de sermos feitos assim. Na grata certeza de que Deus me perdoa sempre de novo, é importante continuar a caminhar, sem cair em escrúpulos mas também sem cair na indiferença, que já não me faria lutar pela santidade e o aperfeiçoamento.
       E, deixando-me perdoar, aprendo também a perdoar aos outros; reconhecendo a minha miséria, também me torno mais tolerante e compreensivo com as fraquezas do próximo".

São Josafat, Bispo e Mártir

       Nasceu na Ucrânia, cerca do ano 1580, de pais ortodoxos. Abraçou a fé católica e entrou na Ordem de S. Basílio. Ordenado sacerdote e eleito bispo de Polock, dedicou se com grande empenho à causa da unidade da Igreja, pelo que foi perseguido pelos seus inimigos e morreu mártir em 1623.
Oração de Colecta:
       Intensificai, Senhor, na vossa Igreja a acção do Espírito Santo, que levou o bispo São Josafat a dar a vida pelo seu povo, e concedei-nos, por sua intercessão, que, fortificados pelo mesmo Espírito, não hesitemos em dar a vida pelos nossos irmãos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Seminário e a generosidade e a tolerância


       O Seminário é o período em que aprendeis um com o outro e um do outro. Na convivência, por vezes talvez difícil, deveis aprender a generosidade e a tolerância não só suportando-vos mutuamente, mas também enriquecendo-vos um ao outro, de modo que cada um possa contribuir com os seus dotes peculiares para o conjunto, enquanto todos servem a mesma Igreja, o mesmo Senhor. Esta escola da tolerância, antes do aceitar-se e compreender-se na unidade do Corpo de Cristo, faz parte dos elementos importantes dos anos de Seminário.
       Queridos seminaristas! Com estas linhas, quis mostrar-vos quanto penso em vós precisamente nestes tempos difíceis e quanto estou unido convosco na oração. Rezai também por mim, para que possa desempenhar bem o meu serviço, enquanto o Senhor quiser.
       Confio o vosso caminho de preparação para o sacerdócio à protecção materna de Maria Santíssima, cuja casa foi escola de bem e de graça. A todos vos abençoe Deus omnipotente Pai, Filho e Espírito Santo.