quinta-feira, 28 de março de 2013

Carta a Jesus numa Quinta-feira

       A quinta-feira é dedicada ao sacerdócio e à Eucaristia.
       Foi na Quinta-feira Santa, durante a Última Ceia, que Jesus instituiu o sacerdócio e a Eucaristia: "Fazei isto é memória de Mim". São os dois temas principais do Ano Pastoral na nossa Diocese de Lamego. O Ano Sacerdotal, convocado pelo Papa Bento XVI, por ocasião do 150.º aniversário da morte do Santo Cura d'Ars, e a Eucaristia, como proposta do nosso Bispo, D. Jacinto, para o último ano do terceiro triénio do seu pontificado à frente da Diocese de Lamego.
       O texto que se segue, em forma de carta a Jesus, ajuda-nos a situar-nos diante deste grandiloquente mistério:

 Meu querido Jesus
       Hoje é Quinta-feira, dia da semana em que a Igreja faz memorial da instituição da Eucaristia, a graça imensa que nos quiseste dar durante a Última Ceia.
       Por isso mesmo, querido Jesus, quero-te pedir perdão por todas as vezes em que participo na Santa Missa e apenas está presente o meu corpo, porque a minha cabeça, os meus pensamentos e às vezes até o meu coração, vagueiam pelos meus problemas do dia-a-dia, por tantas situações que nada têm a ver com aquele momento, e por isso mesmo não me deixo envolver na Tua presença de amor.
       Peço-Te perdão também, por todas as vezes em que Te recebo como alimento para a vida de fé que me deste, e o faço de um modo rotineiro, como se de um hábito “mecânico” se tratasse, quase não dando conta do extraordinário Mistério que nos deixaste para nossa Salvação, não realizando sequer que és Tu mesmo que Te dás como Alimento a mim, pobre pecador.
       Peço-Te perdão ainda, querido Jesus, porque às vezes, depois de Te receber em mim, em vez de Te adorar, amar e louvar, apenas penso em pedir, pedir para mim e para os outros, querendo mais ser consolado do que consolar.
       Querido Jesus, perdoa-me também, por todas as vezes em que tenho tanta pressa para me ir embora, quase não deixando a Santa Missa acabar, e sobretudo não Te agradecendo a graça de mais uma Eucaristia a que me chamaste a participar, a celebrar, para por mim e por todos Te entregares.
       E também, meu adorado Jesus, perdoa-me por tantas vezes criticar o Sacerdote, porque demora muito ou pouco, porque a homília não me agrada, e até pela crítica e julgamento que tantas vezes faço daqueles que acolitam, lêem, ou ajudam na distribuição da Comunhão.
       Pobre de mim, que mesmo na Tua presença real e verdadeira, tantas vezes me deixo levar pelos meus orgulhos e vaidades, em vez de baixar a cabeça e humildemente dizer: «Senhor, eu não sou digno…».
       Tem piedade, querido Jesus, deste pobre pecador, que apesar da sua fraqueza, crê em Ti, confia em Ti e Te agradece pelo Teu infinito perdão, pelo Teu eterno amor, pela Tua entrega permanente, por todos e por mim, ao Pai.
       Dá um beijo a Tua Mãe e diz-lhe que eu confio muito n’Ela, e que preciso muito que me guie no caminho da humildade, no caminho do Sim.
       Intercede por todos e por mim junto do Pai Criador e não Te esqueças, querido Jesus, de derramares em todos e em mim, como eu fracos e pecadores, o Espírito Santo que coloca a oração em nós e nos ensina, (como ensinou Tomé), a dizer: «Meu Senhor e meu Deus!»
       Um abraço e um beijo deste Teu irmão muito pequenino, pobre pecador, que Te quer amar cada vez mais e Te pede a Tua Bênção de amor.
Joaquim, in Que é a Verdade?

Outras cartas a Jesus: Segunda-feira; Terça-feira; Quarta-feira, e Sexta-feira.

Silêncio da Palavra na Cruz

       Por fim, a missão de Jesus cumpre-se no Mistério Pascal: aqui vemo-nos colocados diante da «Palavra da cruz» (cf. 1 Cor 1, 18). O Verbo emudece, torna-se silêncio de morte, porque Se «disse» até calar, nada retendo do que nos devia comunicar. Sugestivamente os Padres da Igreja, ao contemplarem este mistério, colocam nos lábios da Mãe de Deus esta expressão: «Está sem palavra a Palavra do Pai, que fez toda a criatura que fala; sem vida estão os olhos apagados d’Aquele a cuja palavra e aceno se move tudo o que tem vida». Aqui verdadeiramente comunica-se-nos o amor «maior», aquele que dá a vida pelos próprios amigos (cf. Jo 15, 13).
       Neste grande mistério, Jesus manifesta-Se como a Palavra da Nova e Eterna Aliança: a liberdade de Deus e a liberdade do homem encontraram-se definitivamente na sua carne crucificada, num pacto indissolúvel, válido para sempre. O próprio Jesus, na Última Ceia, ao instituir a Eucaristia falara de «Nova e Eterna Aliança», estabelecida no seu sangue derramado (cf. Mt 26, 28; Mc 14, 24; L c 22, 20), mostrando-Se como o verdadeiro Cordeiro imolado, no qual se realiza a defi nitiva libertação da escravidão.
       No mistério refulgente da ressurreição, este silêncio da Palavra manifesta-se com o seu significado autêntico e definitivo. Cristo, Palavra de Deus encarnada, crucificada e ressuscitada, é Senhor de todas as coisas; é o Vencedor, o Pantocrator, e assim todas as coisas ficam recapituladas n’Ele para sempre (cf. Ef 1, 10). Por isso, Cristo é «a luz do mundo» (Jo 8, 12), aquela luz que «resplandece nas trevas» (Jo 1, 5) mas as trevas não a acolheram (cf. Jo 1, 5). Aqui se compreende plenamente o significado do Salmo 119 quando a designa «farol para os meus passos, e luz para os meus caminhos» (v. 105); esta luz decisiva na nossa estrada é precisamente a Palavra que ressuscita. Desde o início, os cristãos tiveram consciência de que, em Cristo, a Palavra de Deus está presente como Pessoa. A Palavra de Deus é a luz verdadeira, de que o homem tem necessidade. Sim, na ressurreição, o Filho de Deus surgiu como Luz do mundo. Agora, vivendo com Ele e para Ele, podemos viver na luz.

Bento XVI, Verbum Domini, n.º 12.

terça-feira, 26 de março de 2013

Busco Tus huellas Señor Jesus


A nossa tradução/adaptação:
De Ti, nasce a luz; de Ti, toda a verdade
em Ti, posso encontrar a liberdade!

Busco Teus passos Senhor Jesus
Busco palavras de eternidade
Quero encontrar essa luz sem fim
Quero encontrar a verdade.

O meu desejo é viver em Ti
Quero fazer a Tua vontade
Que mais, Senhor, posso eu querer
Se és Tu, minha liberdade.

Diz-me, Senhor, que hei-de eu fazer
P’ra iluminar toda a escuridão
Diz-me, Senhor, como conseguir
Ser uma luz de verdade.

Estou convencido que sem Teu amor
Tudo se encerra na solidão
Somos escravos de uma ilusão,
Se connosco não estás.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Domingos de Ramos e Via-sacra

       A Semana Santa inicia com o Domingo de Ramos na Paixão do Senhor, com destaque para a bênção dos Ramos e a proclamação do Evangelho da Paixão, este ano seguindo o evangelista São Lucas. Na paróquia de Tabuaço, apresentamos imagens da celebração da bênção dos Ramos, na Capela de Santa Bárbara, seguindo-se a procissão até à Igreja e a celebração da Santa Missa, e ao início da noite, a Via-sacra, na Igreja Paroquial, com a participação de vários grupos, à cabeça com as catequistas e catequese, mas incluindo acólitos, grupo coral, elementos do conselho económico, jovens...
Para ver outras imagens, visitar o perfil da Paróquia de Tabuaço no facebook

domingo, 24 de março de 2013

Encontro de Francisco com Bento XVI

        A meu ver, uma forma simples de desmistificar o encontro foi mostrá-lo, evitando que se fique muito tempo a criar palavras ou factos ou possibilidades:

sábado, 23 de março de 2013

Domingo de Ramos na Paixão do Senhor - ano C

       1 – Entramos na SEMANA MAIOR da nossa fé, Semana Santa, pois SANTO é Aquele vem da parte de Deus e nos dá Deus, num mistério que nos envolve, nos desafia e nos salva. Jesus percorre connosco as diversas situações da vida, como facilmente se visualiza nos dois momentos que se entrelaçam: entrada triunfal em Jerusalém, um REI sentado num jumentinho, e processo que condena Jesus e O devolve a Jerusalém, com uma coroa de espinhos e suspenso numa cruz.
       Na epístola de São Paulo aos Filipenses, segunda leitura, encontramos um ponto de partida luminoso, uma grande síntese da vida de Jesus: 
“Cristo Jesus, que era de condição divina, não Se valeu da sua igualdade com Deus, mas aniquilou-Se a Si próprio. Assumindo a condição de servo, tornou-Se semelhante aos homens. Aparecendo como homem, humilhou-Se ainda mais, obedecendo até à morte e morte de cruz. Por isso Deus O exaltou e Lhe deu um nome que está acima de todos os nomes”.
       Ele está no meio de nós, nas mesmas circunstâncias finitas, frágeis, limitadas, caminha lado a lado, entra connosco na cidade, ouve as nossas preces e os nossos gritos, aceita o nosso louvor, as nossas oferendas e a nossa conversão. A realeza de Jesus é despojada de poder, de riqueza, de exuberância. Não vem numa caravana, protegido por um exército, vem num jumentinho e com Ele vem uma multidão de discípulos, preocupada em viver:
“Estando já próximo da descida do monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos começou a louvar alegremente a Deus em alta voz por todos os milagres que tinham visto, dizendo: «Bendito o Rei que vem em nome do Senhor. Paz no Céu e glória nas alturas!». Alguns fariseus disseram a Jesus, do meio da multidão: «Mestre, repreende os teus discípulos». Mas Jesus respondeu: «Eu vos digo: se eles se calarem, clamarão as pedras».
       2 – Quando as coisas parecem estar a correr (demasiado) bem, eis que Jesus lhes/nos revela um tempo de grande provação. Fá-lo na intimidade da casa e da refeição, com palavras e gestos já nossos conhecidos: “Tomai e reparti entre vós, pois digo-vos que não tornarei a beber do fruto da videira, até que venha o reino de Deus...”
       Os discípulos percebem que alguma coisa não está bem, mas ainda não sabem a dimensão das palavras de Jesus, que institui o memorial, antecipando no repartir do pão e do cálice, a Sua permanência no meio de nós, depois da Sua morte e ascensão para Deus. Ouvem Jesus a dizer que entre eles está alguém cujas intenções não são concordes com o Seu projeto. A casa começa a desfazer-se. Um deles levanta-se da mesa e sai de casa. Doravante a casa fica vulnerável, exposta, as portas não são forçadas, abrem-se por dentro.
       E quando o edifício começa a desmoronar-se, o espírito de sobrevivência vem ao de cima, procurando cada um safar-se quanto antes: “Levantou-se também entre eles uma questão: qual deles se devia considerar o maior?... O maior entre vós seja como o menor e aquele que manda seja como quem serve. Pois quem é o maior: o que está à mesa ou o que serve? Não é o que está à mesa? Ora Eu estou no meio de vós como aquele que serve...”
       No momento da Ceia, a última ou a primeira, Jesus clarifica de novo a opção pelo serviço: EU estou no meio de vós para servir e dar a vida. A disputa não é pelo poder, mas pelo amor.
       3 – A ceia avança, e as horas aceleram. É tempo de Jesus solidificar a adesão e o seguimento dos seus discípulos.
       Diz Jesus a Pedro: “Eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça. E tu, uma vez convertido, fortalece os teus irmãos». Pedro respondeu-Lhe: «Senhor, eu estou pronto a ir contigo, até para a prisão e para a morte». Disse-lhe Jesus: «Eu te digo, Pedro: Não cantará hoje o galo, sem que tu, por três vezes, negues conhecer-Me». Depois de Jesus ser preso, Pedro não resistirá ao medo e à vergonha: «Esse homem, com certeza, também andava com Jesus, pois até é galileu». Pedro respondeu: «Homem, não sei o que dizes»... Por três vezes Pedro se coloca fora da comunhão com Jesus, contradizendo a predisposição manifestada quando está à mesa com Jesus e os companheiros.
       Com efeito, aos discípulos ainda lhes falta a maturidade do sofrimento e das contrariedades, as expetativas estão eivadas de sucesso e fama. Precisam de muita oração e de muito amor, de muita confiança em Deus. “Então saiu e foi, como de costume, para o monte das Oliveiras e os discípulos acompanharam-n’O. Quando chegou ao local, disse-lhes: «Orai, para não entrardes em tentação... Porque estais a dormir? Levantai-vos e orai, para não entrardes em tentação»...
       Das indicações de Jesus, a oração é a primeira. Pela oração fortalecemos as nossas escolhas diante de Deus e dos homens. Há tempo para tudo, não pode faltar tempo para Deus, para melhor acolhermos a Sua vontade e percebermos os caminhos que nos conduzem a Ele, e d’Ele para as pessoas que nos rodeiam.
       4 – Jesus sai do Jardim das Oliveiras e entra triunfalmente em Jerusalém. Agora de novo vai para o Jardim, para rezar, para Se configurar mais e mais à vontade de Deus. Leva os discípulos, para Se sentir apoiado. Mas eles dormem, estão demasiado ansiosos por todas as notícias que envolvem o Mestre. Ninguém aguenta a intensidade e a tensão dos acontecimentos presentes. O Mestre vai morrer. Ele sabe disso. Confessa-o aos discípulos. Não querem acreditar. É um disparate o Seu Senhor ser preso e morto. Não pode ser.
       “Judas, um dos Doze, aproximou-se de Jesus, para O beijar. Disse-lhe Jesus: «Judas, é com um beijo que entregas o Filho do homem?».
       Ser traído é sempre mau. Ser traído por um amigo é uma calamidade. Ser traído pelo melhor amigo, o homem de confiança (de Jesus e dos outros discípulos) é inacreditável. O cumprimento de Judas a Jesus é o de um amigo próximo e confidente. Perdoa-lhes, Senhor, ele perdeu o juízo, não sabe o que está a fazer, a entregar à morte um inocente, o melhor amigo.
       Preso, açoitado, provocado, Jesus não responde com injúrias ou palavrões: «Tu és então o Filho de Deus?». Jesus respondeu-lhes: «Vós mesmos dizeis que Eu sou». Confirma apenas o que abertamente já tinha dito: EU SOU.
       Outra subida, para o Calvário, com a pesada CRUZ às costas, vergado pelo cansaço, pela desilusão, pelo desamparo dos discípulos, pelas acusações injustas, pelas vergastadas, pelas invetivas da multidão. São muitas horas…
       “Quando O conduziam, lançaram mão de um certo Simão de Cirene, que vinha do campo, e puseram-lhe a cruz às costas, para a levar atrás de Jesus. Seguia-O grande multidão de povo e mulheres que batiam no peito e se lamentavam, chorando por Ele”. Mesmo para pessoas menos atentas, a atitude de Jesus gera empatia, tanto sofrimento sem um lamento.
        É crucificado, e a postura é a mesma de sempre. De perdão: «Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem». De entrega confiante ao Pai: “O véu do templo rasgou-se ao meio. E Jesus exclamou com voz forte: «Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito». Dito isto, expirou”.
       Mas a história não acaba aqui. Há de continuar ao terceiro dia… no nosso dia.
       5 – Se a Cruz fosse a última palavra, e com ela a morte, não estaríamos a falar de Jesus, não estaríamos reunidos em Seu nome para escutar a Sua Palavra, atualizando os seus gestos, não estaríamos a partilhar o Seu Corpo para sermos mais Corpo de Cristo, Igreja viva.
         A Grande Semana é vivida sob a égide da esperança, Luz que irradia para além da cruz, do sofrimento e da morte. As nuvens carregadas que surgem sobre as nossas cabeças darão lugar à vida, à ressurreição, a Deus no meio de nós. A última palavra é de Deus.
       O profeta Isaías apresenta-se como discípulo, respondendo com amor a toda a ofensa. Nestas palavras se caracteriza a figura do servo sofredor, identificável com Jesus Cristo: “O Senhor deu-me a graça de falar como um discípulo, para que eu saiba dizer uma palavra de alento aos que andam abatidos. Todas as manhãs Ele desperta os meus ouvidos, para eu escutar, como escutam os discípulos. O Senhor Deus abriu-me os ouvidos e eu não resisti nem recuei um passo. Apresentei as costas àqueles que me batiam e a face aos que me arrancavam a barba; não desviei o meu rosto dos que me insultavam e cuspiam. Mas o Senhor Deus veio em meu auxílio”, ou como víamos na entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, se os discípulos se calarem, as pedras falarão.
        Nesta hora e em todas as horas nublosas rezemos confiantes: “Senhor, não Vos afasteis de mim, sois a minha força, apressai-Vos a socorrer-me”.

Textos para a Eucaristia (ano C): Lc 19, 28-40; Is. 50, 4-7; Sl 21 (22); Filip 2, 6-11; Lc 22, 14 – 23, 56

sexta-feira, 22 de março de 2013

Bento XVI - HUMILDADE - Francisco

       A partilha deste post deve-se ao facto de também nós sermos de opinião que o preconceito em relação ao Cardeal Ratzinger, quando eleito Papa, se tornar por de mais evidente com a sucessão. A atitude das pessoas em geral e dos meios de comunicação social em particular acentuam muitos preconceitos.
       Por ser alemão? Por ser Prefeito da Doutrina da Fé, por ser muito conhecido, por ser o garante da fidelidade a Jesus Cristo e ao Evangelho, por suceder a um Papa carismático, que permaneceu durante quase 27 anos? Certamente muitos destes motivos pesaram...
       Francisco andava de autocarro... Bento XVI andava a pé e entrava com gatos no Vaticano... Simpatia. O então Cardeal Ratzinger cumprimentava todas as pessoas que encontrava e era dos mais dialogantes nas diversas reuniões... Sapatos - Francisco usa os seus, são certamente mais confortáveis, Bento XVI calçava os sapatos feitos por um sapateiro italiano, o mesmo que os fazia para João Paulo II, também desta forma se valoriza o trabalho de uma pessoa simples (ainda que depois alguém se lembrasse de dizer que os sapatos eram prada)...
       A pobreza... Bento XVI escreveu uma Carta Encíclica toda dedicada à CARIDADE... em qualquer texto de João Paulo II ou de Bento XVI a opção pelos pobres é evidente, não é uma descoberta recente do Papa Francisco que muito respeitamos. Quantas vezes estes predecessores afirmaram a necessidade da Igreja ser pobre e para os pobres?
       Muitos dizem que a Igreja é muito rica, mas com a sua riqueza material e também espiritual é das instituições que está na primeira linha a ajudar os mais débeis da sociedade: hospitais, lares, centros de dia, creches, apoio a mães solteiras, apoio a toxicodependentes, as pessoas com SIDA... por todo o mundo, que inclui Portugal.
       Paramentos... quando veio a Portugal foram oferecidos ao Papa mais paramentos do que aqueles que ele poderia usar... e agora deitam-se foram para não ostentar solenidade? Ou vão delapidar o património cultural e imóvel para ajudar os pobres, ficando sem o património, sem estruturas e sem meios para ajudar? E por que é que as pessoas que falam tanto na necessidade de ajudar os pobres com a riqueza dos outros, não pegam nas jóias de família, nas alianças de casamento, vendendo-as e dando o dinheiro aos pobres?
       Já viram quantas famílias riquíssimas deixaram cair palácios por falta de dinheiro?
       O acolhimento a Francisco é mais que justo e merecido. O preconceito em relação a Bento XVI foi sendo ultrapassado à medida que as pessoas o foram conhecendo para lá da informação mediática... Fica o texto...

In Católico com muito orgulho, a partir de: Gazeta do Povo – Por Marcio Antonio Campos

       A simplicidade e a humildade serão, de fato, características marcantes do pontificado do papa Francisco. Praticamente toda reportagem faz questão de ressaltar esses pontos, que são, realmente, elogiáveis. No entanto, a maior parte dos relatos da imprensa também faz questão de estabelecer um antagonismo entre Francisco e seu antecessor, Bento XVI. Não basta saber que o anel do novo papa é de prata, banhado a ouro; é preciso citar o de Ratzinger, feito de ouro maciço. Elogia-se o papa que mantém a cruz peitoral de ferro dos seus tempos de bispo, ao mesmo tempo em que se lembra que Bento XVI usava cruzes de ouro. A impressão é de que se pretende levar o leitor a pensar “esse, sim, é um bom papa, não é como o anterior”, como se um conclave fosse um concurso de simpatia.
       O mote começa a beirar o exagero quando cerimônias como a do início do pontificado são elogiadas por sua “simplicidade” em contraposição às liturgias de Bento XVI. Na verdade, a missa em quase nada foi diferente do que teria sido se o papa anterior a tivesse celebrado. É verdade que o novo pontífice não parece demonstrar o mesmo interesse pela liturgia que tinha Bento XVI, mas é preciso levar em consideração que Ratzinger jamais viu nas vestes litúrgicas um instrumento de ostentação e autopromoção. Sua visão da beleza como elemento apologético está bem documentada em sua obra. E, simplicidade por simplicidade, Bento sempre fez questão de usar adereços litúrgicos – cada um deles carregado de simbologia, ou seja, não se trata de mero enfeite – já usados por outros papas e pertencentes ao Vaticano, com custo zero.
       Francisco se sente muito à vontade entre a multidão, mas é até injusto comparar um pontífice com décadas de experiência pastoral com um acadêmico introvertido que fez praticamente toda a sua carreira eclesiástica em universidades e na Cúria Romana. E, mesmo assim, Bento nunca fugiu dos fiéis ou nunca se mostrou avesso ao contato com as pessoas. O “abraço coletivo” que ganhou dos dependentes de drogas na Fazenda Esperança, em Guaratinguetá (SP), é um dos momentos mais tocantes de sua visita ao Brasil, em 2007.
       A julgar pelas repetidas menções que faz a seu “amado predecessor”, muito provavelmente o próprio papa Francisco rejeitaria comparações de estilo com a intenção de diminuir Bento XVI ou fazê-lo parecer fútil com suas cruzes douradas e sapatos vermelhos. Mas é difícil imaginar que os elogios ao papa simples e humilde vão continuar quando ele começar a se pronunciar sobre os tais “temas polêmicos” a respeito dos quais a imprensa sempre espera, em vão, por mudanças. Aí se perceberá que Bento XVI e Francisco não são tão diferentes quanto parecem.
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Outra curiosidade que achei espantosa. Na comparação com Bento XVI, o Papa Francisco deslocou-se na praça de São Pedro de jipe, isto é, Papa-móvel descoberto, no dia de início de pontificado, como se Bento XVI andasse sempre no Papa-móvel fechado -ainda que por questões de segurança seja defensável, mas também depende do tempo atmosférico:
(Bento XVI num jipe, que nem é papal
 Bento XVI no Papa-móvel jipe, em diferentes ocasiões...
E neste outro Papa-móvel, oferecido ao Vaticano pela Mercedes, há diferenças substanciais? Além da cobertura?
Francisco no Papa-móvel, no início de Pontificado. Acham que deslocar-se num ou outro Papa-móvel faz muita diferença?

quinta-feira, 21 de março de 2013

Joseph Ratzinger - Cooperador da Verdade


Solenidade de São José - Dia do Pai

       No passado dia 19 de março, celebrou-se a solenidade de SÃO JOSÉ, Patrono Universal da Igreja. Foi também o dia para assinalar a figura do pai, dos nossos pais. Nas comunidades paroquiais de Tabuaço e de Távora, e no âmbito da catequese, lugar para que as crianças/adolescentes promovessem a festividade deste dia. Em Tabuaço, a Eucaristia solenizada pelo Grupo Coral da Catequese, encenação do Evangelho - Parábola do Filho Pródigo -, e no momento de ação de graças, leitura de um poema e distribuição pelos pais de um cravo e um cartão.
       Em Távora, a distribuição de um cartão também alusivo a São José e ao pais, no ofertório, e, no momento de ação de graças pequenas frases das crianças sobre os seus pais, o que se alargou também ao grupo coral.
       Ficam algumas imagens, que podem ser visualizadas nos respetivos perfis no facebook: Paróquia de Tabuaço || Paróquia de Távora.





quarta-feira, 20 de março de 2013

O Pai é o que assiste com mais amor

"A parábola do filho pródigo e uma reflexão sobre o tema.
- O Pai é paciência infinita
- O Pai é respeito infinito
- O Pai é generosidade sem limites
- O Pai é amor que persegue
- O Pai é amor que sabe sofrer sem pesar nos outros
- O Pai é amor sempre operante
- O Pai é esperança respeitosa
- O Pai é ternura que sabe derramar o Seu Sangue em silêncio
- O Pai é criatividade, que sabe arriscar
- O Pai é Aquele que quer a todo o custo a salvação do seu filho
- O Pai é aquele que quer arrancar o filho do mal!
Então, continua a contar Jesus:
       Então aquele filho foi guardar os porcos para não morrer de fome. Queria comer ao menos as alfarrobas dos porcos, mas ninguém lhas dava.
       Era a maior humilhação. Nós sabemos que para um Hebreu, tocar um porco era ficar impuro, era não poder mais rezar nem ler a Escritura, não podia entrar no templo ou na Sinagoga.
       A vida ensina que há coisas que nunca conhecemos enquanto não as experimentamos.
       Mas, como Deus é amor operante, também permite estas coisas para que o pecador reentre em si, com a sua experiência pessoal. Deus conduz-nos pela mão com infinita paciência.

Jesus explica-nos quem é o Pai e continua:
       O Pai, é aquele que não abandona ninguém, antes pelo contrário, é aquele que assiste com mais amor quem necessita mais de Ti.
       Então eis que começa o primeiro passo para o Sacramento do Perdão. Diríamos nós, para a confissão.

Diz o Evangelho:
       "Então reentrou em si mesmo e disse: Quantos jornaleiros na casa do meu Pai têm pão em abundância e eu aqui morro de fome; levantar-me-ei e irei ter com meu Pai ".
       Cessa finalmente a resistência, triunfa o bom senso. A provação ajuda a ver o que é o egoísmo que não deixava ver e aquele jovem começa a pensar. Nós somos seres sem juízo como as crianças...!
       E o Pai, com paciência nos conduz. Obrigado, ó Pai, por tudo quanto fazes por nós, Tu tens a arte de tocar o nosso coração e de levar cada uni de nós ao Sacramento.
       E para alguns de nós, se calhar, o Pai teve que trabalhar tanto para nos trazer aqui...
       E o rapaz finalmente diz: levantar-me-ei e irei ter com Meu Pai e Lhe direi: "Pai pequei contra o Céu e contra Ti; já não sou digno de ser chamado teu, filho!"

       Neste momento, no coração do Filho, o Pai amadurece a vontade que o leva a tomar uma decisão: voltarei para o Pai, voltarei para o Sacramento da Reconciliação.
       O Pai é paciência, o Pai é tolerância, o Pai é amor infinito que trabalha constantemente no coração do homem e que nós nunca saberemos compreender: Porque ele manda situações duras, humilhações, sofrimentos, vergonhas, confrontações até que apareça o arrependimento.

Nesta altura o rapaz diz:
       Pequei, pequei, trata-me como o último dos teus servos...
       Então, partiu e foi: eis o SACRAMENTO DA RECONCILIAÇÃO!
       É mesmo assim, quando decidimos, pronto: estamos preparados para o sacramento do Perdão.

       E Jesus explica:
       O Sacramento é voltar para a casa! Voltar para os braços do Pai, é o arrependimento, é Reparação: trata-me como um dos teus servos.

Notemos que também esta decisão é uma graça do Pai;
é o arrependimento que se torna eficaz,
é o arrependimento que se torna acção,
é o arrependimento que se torna reparação.
Eis que assim nós vemos que o Pai não somente ama,
mas reconstrói dentro de nós com uma paciência infinita,
com o sofrimento e a dor.
O Pai dobra a vontade do filho.
O Pai trabalha no coração do homem com amor infinito
que nunca compreenderemos:
situações duras, humilhações, sofrimentos, vergonha etc.
até que apareça o arrependimento.
       E então o jovem diz finalmente:
       irei e lhe direi: Pequei. Trata-me como o último dos teus servos...
       Levantou-se e partiu!

       Eis o Sacramento: o Sacramento é voltar para os braços do Pai, o arrependimento é reparação bem definida.

       Notemos ainda: antes o amor do filho era muito frágil, depois, o Sacramento do Perdão reconstrói em nós uma criatura nova!
       "Correu para ele, abraçou-o"!
       Diante deste gesto, cada um de nós pode rezar assim: "Pai, eu posso cometer os mais horríveis crimes
(como sabemos este filho tinha destruído todo o seu património...), mas nenhum delito é tão grande até ao ponto de ser capaz de travar o Teu amor. Antes, quanto maior for o delito, mais nos dispensas ternura e amor". Tu beijas o filho, e o levas a retribuir-te o beijo!
       E que faz o filho?"

terça-feira, 19 de março de 2013

Ratzinger - Cooperador da Verdade

       A expressividade do então Cardeal Joseph Ratzinger, mesmo que não se perceba o que diz, faz sobressair uma pessoa bem disposta, bem humorada, que interage com as pessoas que tem à sua frente, com naturalidade espontânea...


Solenidade de São José, Esposo de Maria

Nota biográfica:
       Nos desígnios de Deus, José foi o homem escolhido para ser o pai adoptivo de Jesus. É no seio da sua família modestíssima que se realiza, com efeito, o Ministério da Incarnação do Verbo. Intimamente unido à Virgem-Mãe e ao Salvador, José situa-se num plano muito superior ao dos mais profundos místicos: amando Jesus, amava o Seu Deus; toda a ternura respeitosa, com que envolvia Maria, dirigia-se à Imaculada Mãe de Deus.
      Figura perfeita do «justo» do Antigo Testamento, homem de uma fé a toda a prova, no cumprimento da sua missão, mostrará sempre uma disponibilidade total, mesmo nos acontecimentos mais desconcertantes.
       Protector providencial de Cristo, continua a sê-lo do Seu Corpo Místico. O exemplo da sua vida é sempre actual para todos quantos querem situar a sua vida na âmbito dos desígnios de salvação do Senhor.

Oração:
       Deus todo-poderoso, que na aurora dos novos tempos confiastes a São José a guarda dos mistérios da salvação dos homens, concedei à vossa Igreja, por sua intercessão, a graça de os conservar fielmente e de os realizar até à sua plenitude. Por Nosso Senhor Jesus Cristo...
 

sábado, 16 de março de 2013

Domingo V da Quaresma - ano C - 17 de março

       1 – No evangelho de São Lucas, no domingo passado, Jesus, através da conhecida parábola do Filho pródigo, mostrou-nos como Deus é um Pai que respira amor, perdoa e faz festa pelo regresso do filho. Hoje, no Evangelho de São João, Jesus testemunha, com palavras e gestos, a opção clara e inequívoca pelo amor, que se traduz no perdão, na proximidade com os outros, no acolhimento das pessoas mais frágeis, tantas vezes excluídas pela sua condição social, religiosa, pela sua origem, ou pela situação em que se encontram, doentes, pecadores, publicanos, mulheres de má vida, e no caso presente uma mulher apanhada em flagrante adultério.
       Os dois evangelhos entrelaçam-se. Jesus não vem para separar, julgar, excluir, vem para salvar, incluir, desafiar-nos a sermos MAIS, a darmos o melhor de nós mesmos, a descobrirmos nos outros a presença de Deus.
       A Lei de Moisés tinha previsto que uma mulher apanhada em flagrante adultério fosse morta por apedrejamento. Ouvimos Jesus a dizer que não vem para anular a Lei mosaica. Ele garante a plenitude da Lei. Como? É o que vemos neste episódio, e em muitas outras situações. A Lei suprema é a CARIDADE, preenchida pelo perdão e pelo bem.


       2 – Vale a pena ler/escutar o evangelho:
Jesus foi para o monte das Oliveiras. Mas de manhã cedo, apareceu outra vez no templo e todo o povo se aproximou d’Ele. Então sentou-Se e começou a ensinar. Os escribas e os fariseus apresentaram a Jesus uma mulher surpreendida em adultério, colocaram-na no meio dos presentes e disseram a Jesus: «Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. Na Lei, Moisés mandou-nos apedrejar tais mulheres. Tu que dizes?». Falavam assim para Lhe armarem uma cilada e terem pretexto para O acusar. Mas Jesus inclinou-Se e começou a escrever com o dedo no chão. Como persistiam em interrogá-l’O, ergueu-Se e disse-lhes: «Quem de entre vós estiver sem pecado atire a primeira pedra». Inclinou-Se novamente e continuou a escrever no chão. Eles, porém, quando ouviram tais palavras, foram saindo um após outro, a começar pelos mais velhos, e ficou só Jesus e a mulher, que estava no meio. Jesus ergueu-Se e disse-lhe: «Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?». Ela respondeu: «Ninguém, Senhor». Disse então Jesus: «Nem Eu te condeno. Vai e não tornes a pecar».
       3 – Jesus recolhe-se no monte das Oliveiras, para alguns momentos de oração e intimidade com o Pai. Regressa à cidade e ao templo. Para ensinar. Todas as horas são boas para ensinar. Nem só de pão vive o homem. A palavra, a abertura de espírito, as razões e o sentido para a vida. Poderemos ter tudo, mas o essencial é que a nossa vida faça sentido, para nós e para os outros, e que descubramos que a nossa luta, o nosso sofrimento, o nosso compromisso, não é em vão. Podemos ter o mundo inteiro, mas se nos faltam razões para viver, a presença dos amigos, a compreensão das nossas limitações, um ombro amigo, se nos falta um FIM pelo qual valha a pena viver, somos miseráveis. Jesus vem para ensinar. Para nos dar Deus. Para nos abrir o Coração do Pai. Para nos revelar um FIM, que não terá fim, será princípio da comunhão plena com Deus.
       A originalidade de alguns fariseus e escribas faz-nos lembrar aquelas pessoas que andam sempre em busca de motivos para denunciar, expor, conflituar, para arranjar confusão, a fim de exibirem a falibilidade dos outros, em contraponto com o heroísmo pessoal. Ou, como refere o célebre psiquiatra brasileiro, denunciando nos outros os próprios defeitos. Apontando para outros, desvia-se a atenção. Mais uma cilada a Jesus. Que fará, cumprirá a lei de Moisés ajudando a matar aquela mulher? E então o perdão e misericórdia que Ele defende?
       Diante d'Ele os acusadores e uma mulher pecadora. Por vezes os gestos são mais eloquentes que muitas explicações. Os acusadores evocam a Lei de Moisés, por que lhes convém. Jesus baixa-se e escreve no chão. Insistem com Ele, interrogam-no. Jesus responde taxativamente: “Quem de entre vós estiver sem pecado atire a primeira pedra”, baixa-se e continua a escrever no chão, a aguardar, provocando uma resposta nova, criativa, original (agora sim) nos seus ouvintes. Frente a Ele fica apenas aquela pobre mulher que já tinha o destino traçado.
       Também aqui é significativa a interação que Jesus provoca: «Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?». Ela respondeu: «Ninguém, Senhor». Disse então Jesus: «Nem Eu te condeno. Vai e não tornes a pecar».
       Ao perdoar, e compreender, Jesus não sanciona ou aplaude o pecado daquela mulher, nem lhe diz que fez bem, nem a desculpa com os pecados dos outros. Não lhe diz para esquecer e ir à sua vida. Não. Envia-a para uma vida nova, diferente, de compreendida para convertida. VAI. Não VOLTES a pecar. Tens uma oportunidade para refletir, para começar uma vida nova. Não desperdices a tua vida com situações de pecado que te podem levar à morte. Vive positivamente. Encontrar-se com Jesus implica um caminho novo e não regressar à vida anterior. Foi assim com os Magos, é assim com esta mulher. VAI. NÃO VOLTES ao lugar do passado.
       4 – Desde logo a incoerência e a descriminação da lei. A mulher apanhada em adultério era condenada à morte – infelizmente ainda acontece em alguns países, marcados por fundamentalismos radicais –, e o homem que estava com ela nas mesmas circunstâncias? Por justiça, não teriam que ser os dois levados às autoridades e partilhado o mesmo destino? Em que é que se diferencia o pecado cometido por uma mulher ou por um homem?
       É uma descriminação que perdurou, mesmo em ambientes cristãos.
       Por outro lado, não seremos igualmente pecadores, quando provocamos situações para os outros pecarem? Poderemos, por algum momento, colocar-nos acima dos outros? Eles pecadores, nós santos? Os homens e as mulheres mais santas foram/são as pessoas mais compreensivas, tolerantes, acolhedoras, como no caso concreto de Jesus Cristo. Obviamente que em muitas situações a justiça tem de ser reposta, e o perdão não dispensa dessa justiça, sob pena de as vítimas continuarem a sê-lo.

       5 – O novo Papa, na primeira Eucaristia, na Capela Sistina, propôs-nos três verbos essenciais: CAMINHAR, EDIFICAR, PROFESSAR Jesus Cristo crucificado, caminhar sempre, na presença do Senhor, à luz do Senhor, procurando viver com irrepreensibilidade”, só com esta disponibilidade seremos verdadeiros discípulos do Senhor Jesus.
       Deste modo, a postura do cristão não poderá ser diversa da de Jesus Cristo. Neste ambiente se situam as palavras do apóstolo São Paulo: “Considero todas as coisas como prejuízo, comparando-as com o bem supremo, que é conhecer Jesus Cristo, meu Senhor. Por Ele renunciei a todas as para ganhar a Cristo e n’Ele me encontrar… Continuo a correr… Só penso numa coisa: esquecendo o que fica para trás, lançar-me para a frente, continuar a correr para a meta, em vista do prémio a que Deus, lá do alto, me chama em Cristo Jesus”.
       Em nenhuma circunstância o discípulo de Jesus está dispensado de prosseguir o seu caminho, transparecendo Cristo e Cristo crucificado. Diz o Papa Francisco: “Esta vida é um caminho e quando paramos as coisas não correm bem... Quando professamos um Cristo sem cruz não somos discípulos do Senhor”.

       6 – Em tempo de Quaresma, o nosso olhar só pode fixar-se na CRUZ de Jesus, como expressão do amor de Deus, como sinal do perdão e da caridade que Cristo visualiza para nós. Ele vai à frente. Nós seguimo-l'O e o encontro com Ele far-nos-á seguir por um caminho novo. VAI. Não VOLTES à tua vida anterior.
       Ponhamo-nos à escuta, com o olhar vigilante, para acolhermos e descobrirmos o NOVO CAMINHO com o qual Jesus nos presenteia, anunciado desta forma pelo profeta Isaías:
“O Senhor abriu outrora caminhos através do mar, veredas por entre as torrentes das águas... Eis o que diz o Senhor: «Olhai: vou realizar uma coisa nova, que já começa a aparecer; não a vedes? Vou abrir um caminho no deserto, fazer brotar rios na terra árida. Os animais selvagens – chacais e avestruzes – proclamarão a minha glória, porque farei brotar água no deserto, rios na terra árida, para matar a sede ao meu povo escolhido, o povo que formei para Mim e que proclamará os meus louvores».
       Já vislumbramos a Cruz e para lá da CRUZ e por causa da Cruz já nos incendeia a LUZ da ressurreição, a presença luminosa de DEUS.


Textos para a Eucaristia (ano C): Is 43, 16-21; Filip 3, 8-14; Jo 8, 1-11.