segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

São Jerónimo Emiliano, Presbítero

Nota biográfica:
       Nasceu em Veneza no ano 1486. Caiu prisioneiro em Castelnuovo (1511) quando combatia contra a Liga de Cambrai. Fechado no castelo, teve ambiente e tempo para meditar sobre as coisas efêmeras e decidiu-se pelas eternas. Algo parecido com o que faria santo Inácio, dez anos mais tarde. Sentiu-se impelido ao serviço dos pobres e dos jovens, dos enfermos e das pecadoras arrependidas. Após algum tempo de preparação com João Pedro Carafa, o futuro Paulo IV, foi ordenado padre.
       Dez anos mais tarde uma terrível crise assolava a península; em seguida veio uma epidemia. Jerónimo vendeu tudo o que possuía para ajudar os indigentes. Prestou grande serviço aos órfãos e viúvas. O seu campo de trabalho foi extenso: Verona, Bréscia, Como e Bérgamo. No lugarejo de Somasca, em Bérgamo, teve início a Sociedade dos Clérigos Regulares que mais tarde foram chamados Padres Somascos. Dedicavam-se ao ensino gratuito com o revolucionário método dialogado, e a socorrer as crianças órfãs e os pobres.
       São Jerónimo Emiliano morreu em Somasca enquanto dava assistência aos doentes. Contraiu a peste e morreu do mesmo mal dos seus assistidos. Era o dia 8 de Fevereiro de 1537. Foi canonizado em 1767. Pio XI nomeou-o padroeiro dos órfãos e dos jovens abandonados.
Oração de coleta:
       Pai de infinita misericórdia, que em São Jerónimo Emiliano, protetor e pai dos órfãos, destes à vossa Igreja um sinal da vossa predilecção para com os pobres e os humildes, dai-nos, por sua intercessão, a graça de conservar sempre o espírito de adopção pelo qual nos chamamos e somos vossos filhos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
São Jerónimo Emiliano aos seus irmãos

Só no Senhor devemos confiar

Amados irmãos em Cristo e filhos da Ordem dos Servos dos pobres:
O vosso pobre pai vos saúda e vos exorta a que persevereis no amor de Cristo e na observância fiel da lei cristã, como mostrei por palavras e por obras enquanto estive convosco, de modo que o Senhor seja glorificado por meu intermédio no meio de vós.
O nosso fim é Deus, fonte de todos os bens, e devemos confiar só n’Ele e em mais ninguém, como dizemos na nossa oração. O nosso bom Senhor, querendo aumentar a vossa fé (sem a qual, como diz o Evangelista, Cristo não pôde realizar muitos sinais) e atender a vossa oração, decidiu servir-Se de vós assim: pobres, maltratados, aflitos, fatigados, desprezados por todos, e agora por fim privados até da minha presença física, se bem que não do espírito do vosso pobre e muito amado pai.
Porque vos trata Ele assim, só Ele o sabe. Mas podemos sugerir-vos três razões. Em primeiro lugar, o nosso bendito Senhor vos adverte que quer contar-vos entre o número dos seus filhos dilectos, contanto que persevereis nos seus caminhos: foi assim, na verdade, que Ele procedeu com os seus amigos e os fez santos.
Uma segunda razão é esta: o Senhor procura que cada vez mais confieis somente n’Ele e não nos outros; porque Deus como eu vos disse, não realiza as suas obras naqueles que se recusam a colocar só n’Ele toda a sua fé e toda a sua esperança, mas infunde sempre a plenitude da caridade nos que são dotados de grande fé e esperança, e com eles realiza grandes coisas. Portanto, se permanecerdes na fé e na esperança, Deus fará convosco grandes coisas e exaltará os humildes. E assim, quando Ele vos priva de mim e de qualquer outro que vós estimais, obriga-vos a escolher entre estas duas coisas: ou vos afastais da fé e voltais às coisas do mundo, ou permaneceis fortes na fé e sois aprovados por Deus.
E há uma terceira razão: Deus quer experimentar-vos como o oiro no crisol. As escórias do oiro, com efeito, são consumadas pelo fogo, mas o verdadeiro oiro permanece e o seu valor aumenta. Assim também procede o Senhor com o seu servo bom, que na tribulação permanece firme e espera n’Ele. Deus o levanta, e de todas as coisas que deixou por seu amor, receberá o cêntuplo neste mundo e a vida eterna no mundo que há-de vir.
Foi deste modo que Ele procedeu com todos os Santos. Assim procedeu com o povo de Israel depois de tanto ter sofrido no Egipto: não só o tirou de lá com grandes prodígios e o alimentou com o maná no deserto, mas por fim deu-lhe a terra prometida. Portanto, se no meio de tantas provações permaneceis firmes na fé, o Senhor vos dará paz e repouso, por um tempo neste mundo e para sempre no outro.

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