sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Ninguém coloca remendo novo num vestido velho...

       Os fariseus e os escribas disseram a Jesus: «Os discípulos de João Baptista e os fariseus jejuam muitas vezes e recitam orações. Mas os teus discípulos comem e bebem». Jesus respondeu-lhes: «Quereis vós obrigar a jejuar os companheiros do noivo, enquanto o noivo está com eles? Dias virão em que o noivo lhes será tirado; nesses dias jejuarão». Disse-lhes também esta parábola: «Ninguém corta um remendo de um vestido novo, para o deitar num vestido velho, porque não só rasga o vestido novo, como também o remendo não se ajustará ao velho. E ninguém deita vinho novo em odres velhos, porque o vinho novo acaba por romper os odres, derramar-se-á e os odres ficarão perdidos. Mas deve deitar-se vinho novo em odres novos. Quem beber do vinho velho não quer do novo, pois diz: ‘O velho é que é bom’» (Lc 5, 33-39).
       Todas as instituições, constituídas por pessoas, enquadram regras, ritos, tradições, que as identificam. As religiões não são excepção. Pelo contrário, é nos ritos e nas tradições que têm a sua força e a sua identidade. Mas para que a religião seja saudável e redentora não pode ser fixista e aprisionar as pessoas a tradições válidas no passado mas que na atualidade estão desajustadas.
       Jesus depara-se com as tradições judaicas. Os fariseus e os escribas chamam-n'O a atenção para o não cumprimento das normas religiosas por parte dos seus discípulos. Embora Jesus não se volte diretamente contra as tradições - importa sobretudo a vivência interior, a transformação de vida, o compromisso com a justiça e com a paz, e a coerência entre o que se exige aos outros e o que se vive -, ainda assim aproveita a ocasião para lembrar que os tempos são novos e se são novos não se encerram nas mesmas estruturas do passado.
       A salvação vai para lá de todas as estruturas, tradições, usos e costumes, normas e preceitos. A graça de Deus é maior, e não está prisioneira das nossas estruturas ou concepções.

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