terça-feira, 4 de outubro de 2016

São Francisco de Assis

       1 – São Francisco de Assis não foi sacerdote mas é incontornavelmente sacerdote, porque na sua santidade nos mostra Deus e leva até a Deus a humanidade inteira.
       Em 1209, São Francisco, com alguns companheiros, apresentou-se diante do Papa Inocêncio III, que aprovou oralmente a primeira Regra: procurar viver o Evangelho, a divisa que se manteve ao longo da história dos franciscanos.
       2 – É, sem dúvida, uma das figuras maiores do cristianismo. Nasceu em Assis, na Úmbria, no centro de Itália, no dia 26 de setembro de 1181 (ou 1182). Filho de Pietro Bernardone, rico comerciante de tecidos, e de Pica Bernardone, que pertencia a uma família nobre de Provença, recebeu o nome de João, pelo Batismo, mas pouco depois o pai mudou-lho para Francisco (francês). Tinha vários irmãos. Estudou mas com pouca dedicação. Os negócios não lhe despertaram muito interesse e parece que era pejado de atenções dos pais, permitindo-lhe fazer tudo o que quisesse.
       Tornou-se um verdadeiro rei da boémia. Jovem, audaz, rico, simpático, alegre, bem educado, era benquisto pela alta sociedade. Com 20 anos de idade, juntamente com outros conterrâneos, foi lutar contra os jovens de Perugia, onde ficaria em prisão por mais de um ano.
       Entretanto abraçou a carreira militar. Foi para a guerra como cavaleiro. Na noite anterior teve um sonho em que se via num grande salão, com várias armaduras com a insígnias da cruz, ouvindo uma voz: “Estas são para ti e para os teus soldados”. Quanto se dirigia para Apúlia, caiu em Espoleto. Terá tido outro sonho no qual uma voz lhe disse para voltar a Assis. Passou por um período de incerteza.
       Em 1208, numa Missa na capela de Santa Maria dos Anjos, escutou o Evangelho que dizia que os discípulos de Jesus Cristo não deveriam possuir nem ouro nem prata, nem duas túnicas, nem calçado nem bastão. Entendeu que as palavras lhe eram dirigidas. Encontra a sua vocação. Despoja-se de tudo o que tem e passa a trajar uma túnica de lã, áspera, com uma corda atada à cintura, como os camponeses mais pobres, e começa a exortar à penitência, ao amor fraterno e à paz.
       Outros seguem o seu exemplo, deixam a riqueza e acompanham-no. Entretanto reparou a Igreja de São Nicolau e para saber a vontade de Deus, abriu três vezes a Bíblia, à sorte, encontrando passagens em que Jesus dizia aos seus discípulos para deixarem tudo e segui-lo. “Esta será a nossa regra de vida”, exclamou Francisco. Com os companheiros, saiu para a praça e entregou todos os bens que tinha aos pobres.

       3 – O número de companheiros chegou a 11 e Francisco achou por bem escrever uma “Regra”. Seguiram para Roma a fim de obterem a aprovação por parte do Papa.
       Entretanto, o Papa Inocêncio III, numa noite do ano de 1209, teve um sonho em que via a Basílica de São João de Latrão a oscilar, com rachas e a desmoronar-se. Apareceu um mendigo que segurou o edifício e este voltou à solidez original. Quando uns dias mais tarde Francisco estava à sua frente, o papa lembrou-se do sonho, reconheceu nele o mendigo e aprovou a “Regra”: “Eis aqui o homem destinado por Deus para escorar e reparar a Igreja”.
       Por volta de 1211, fixaram-se em Assis. Os beneditinos cederam-lhes a Igreja de Santa Maria dos Anjos. O convento franciscano foi construído, tornando-se a sede dos franciscanos, de onde eram enviados a pregar, por toda a parte.

       4 – Em 1212, dá-se o encontro com aquela que viria a ser chamada de Irmã de São Francisco, Santa Clara de Assis. Tocada pela pregação do santo, esta jovem rica de Assis, procurou-o e pediu-lhe que a deixasse seguir esta nova forma de vida. Tinha 18 anos. Permaneceu durante algum tempo com as monjas beneditinas, mas logo o santo arranjou um lugar, para Clara, para Santa Inês, sua irmã, e para outras virgens piedosas. A casa reconstruída por São Francisco, doada pelos beneditinos, serviu de mosteiro à Segunda Ordem Franciscana das Damas Pobres, atualmente Clarissas Pobres.

       5 – Em 1214, viaja, numa segunda tentativa para evangelizar os “sarracenos”, para Marrocos, mas atacado por forte doença em Espanha, regressou a Itália.
       Em maio de 1217 reuniu o primeiro capítulo geral dos Frades Menores, enviando os companheiros para Toscânia, Provença, Lombardia, Espanha e Alemanha, deixando a França para si, mas em seu lugar acabou por ir o irmão Pacífico.
       Por insistência do cardeal Ugolino, foi a Roma, durante os anos de 1217 e 1218, pregando diante do Papa e dos cardeais. É por essa altura que se dá o encontro com São Domingos. Dedicou-se a viagens por Itália, mas com a preocupação de missionar os “infiéis”, o que veio também a acontecer.
       No verão de 1224, com os companheiros, jejua durante quarenta dias, a preparar a festa de São Miguel. É durante este tempo de retiro, na festa da exaltação da Santa Cruz, que teve a visão do Serafim repleto de luz, cuja sequela foi o aparecimento das 5 chagas de Jesus Cristo.
       No princípio do outono de 1226, sentiu próxima a morte. Pediu que lhe lessem a Paixão de Jesus segundo o Evangelho de São João, despojando-se das suas roupas e vestindo umas emprestadas, para morrer sem nada seu.
       Morreu no dia 3 de outubro de 1226, com 45 anos de idade. Foi canonizado em 16 de julho de 1228, pelo Papa Gregório IX.

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