sábado, 4 de fevereiro de 2017

São João de Brito, presbítero e mártir

Nota biográfica:

       Nasceu em Lisboa (Portugal) no dia 1 de março de 1647, de família nobre. Com 9 anos entra para a Corte como pagem. Depois de uma piedosa adolescência, entrou na Companhia de Jesus, em 17 de dezembro de 1662, depois dos estudos na Universidade de Évora, é ordenado sacerdote em 1673. Nesse mesmo ano parte para a Índia (14 de março), desembarca em Goa a 14 de setembro. No ano de 1686 sofre o primeiro «martírio». Entretanto regressa a Portugal, onde chega em 8 de setembro de 1687. Três anos depois, a 8 de abril de 1690, parte de novo para a Índia, chegando a Goa a 2 de novembro.
       Numa carta de 20 de abril de 1692. “Não há perseguição que me possa roubar a alegria que sinto em pregar, mais uma vez, o Evangelho aos gentios. Nos últimos quatro meses tenho estado escondido numa floresta, vivendo debaixo de uma árvore com tigres e cobras. Até agora ainda não fui atacado...
       “Tal é a minha relação para o ano de 1682. Tudo se resume nisto: não temos suporte humano em que nos possamos apoiar, opõem-se-nos reis e príncipes, os poderosos e letrados fazem quanto podem para nos expulsar; e mesmo assim, graças a uma proteção especial de Deus Nosso Senhor, que nos mantém nesta terra, nós conseguimos difundir a Sua Santa Religião.”

       A 8 de janeiro de 1693 é preso, onde sofre vários tormentos.O seu julgamento decorreu a 28 de janeiro, mera formalidade, foi condenado à morte. Em Oriur foi morto por degolamento a 4 de fevereiro de 1693. Até ao último suspiro João de Brito foi sempre um exemplo de Fé cristã; ao caminhar tranquilamente para o local da execução ele continuava a viver o Evangelho, e ao enfrentar o carrasco estava certo de que “se alguém guardar a Minha palavra nunca mais verá a morte” (Jo 8,51).
       Viria a ser beatificado pelo Papa Pio IX, a 8 de abril de 1852 e canonizado pelo Papa Pio XII, a 22 de junho de 1947.

Cronologia:


1647 – Nascimento em Lisboa (1 de Março).
1656 – Com 9 anos entra na Corte como pagem.
1662 – Entrada no Noviciado da Companhia de Jesus (17 de dezembro).
1664 – Faz os votos no fim do Noviciado (25 de dezembro).
1665 – Estudos na Universidade de Évora.
1666 – Começa os estudos no Colégio das Artes, em Coimbra.
1673 – Ordenação sacerdotal.
1673 – Partida para a Índia (15 de março). Chegada a Goa (14 de setembro).
1674 – Inicia a ação missionária na missão do Maduré.
1686 – Primeiro «martírio».
1687 – Regresso a Portugal. Chega a Lisboa a 8 de setembro.
1690 – Parte novamente para a Índia (8 de abril). Chegada a Goa (2 de novembro).
1693 – Prisão e tormento (8 de janeiro).
1693 – Martírio em Oriur (4 de fevereiro).
1852 – Beatificação pelo Papa Pio IX (8 de abril).
1947 – Canonização pelo Papa Pio XII (22 de junho)

Oração:
        Senhor, que fortalecestes com invencível constância o mártir São João de Brito para pregar a fé entre os povos da Índia, concedei-nos, por seus méritos e intercessão, que, celebrando a memória do seu triunfo, imitemos os exemplos da sua fé. Por Nosso Senhor Jesus Cristo...

Pio XII, papa, no dia seguinte ao da canonizacão de João de Brito

Renunciou à vida do mundo

João de Brito, o benjamim da família, órfão de pai desde a mais tenra infância, foi educado na corte do sábio rei de Portugal D. João IV. No meio da alegria folgazã dos pajens seus companheiros, nunca deixou de reflectir na sua vida a bondosa imagem de um novo Estanislau: a sua modéstia, a sua piedade, a espontânea defesa da sua pureza angélica, tornaram-se alvo frequente de mofas e de outros tratamentos ainda piores, os quais, suportados com paciência inquebrantável, lhe deram ocasião para que o apelidassem, como presságio do seu fim heróico, «o mártir».
Não se julgue que fosse insensível ao que lhe feria o amor próprio; mas era de índole tão bondosa mesmo para com aqueles que não apreciavam a sua virtude, que à irrisão e ofensas dos companheiros correspondia sempre com um sorriso benévolo e suma afabilidade.
João, que desde o nascimento fora santificado pelo dom da graça divina, e depois saboreou como o Senhor é bom, passa pelo mundo como um raio de luz através das sombras da selva escura, cresce como lírio entre os espinhos, eleva-se para o céu e floresce, esquecendo tudo quanto o rodeia; estimulado pelos favores de Deus, alimenta em si uma adolescência vigorosa que, à imitação do Apóstolo, quando Aquele que o tinha destinado desde o seio materno quis chamá-lo para pregar o seu Filho entre os gentios, decididamente não consultou a carne e o sangue, e subtraiu-se à ternura materna, ao afecto do rei e à tranquilidade da sua terra natal.
Olhai para o jovem missionário, para o heroísmo da sua acção, que se dilata no meio dos povos infiéis: acção esplêndida, acção destemida, acção fecunda. Seria necessário não ter ideal algum no coração para não sentir o entusiasmo que suscita a narração da sua vida tão ardente, para não experimentar, com um sentimento de santa inveja, o desejo de participar em tão árduas canseiras evangélicas e de alcançar os seus merecimentos na medida das próprias forças.
Neste herói da santidade, movido por uma atividade sem tréguas nem descanso, não tardaria a sentir-se consumada a vida laboriosa do missionário, se não tivesse sobrevindo tão subitamente o martírio a impedir-lhe o trabalho ardoroso da pregação da fé e moral evangélica, interrompendo o curso da sua vida e da obra começada.

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