sexta-feira, 31 de março de 2017

Grupo Coral de Tabuaço em Sendim - 26 de março

       No passado dia 26 de março, o Grupo Coral de Nossa Senhora do Pranto, da Paróquia de Sendim, celebrou o seu 10.º Aniversário. A celebração centrou-se essencialmente na celebração e animação litúrgica da Missa comunitária.
       Para o efeito, foram convidados os Grupos Corais de Nossa Senhora da Conceição de Tabuaço e de São João Batista de Moimenta da Beira. A celebração iniciou com três cânticos de saudação-acolhimento, pelos três grupos corais. Seguiu-se a celebração da Santa Missa, com os três grupos a liderarem os cânticos em momentos distintos. No ofertório, alguns gestos que vincaram o aniversário e o compromisso eclesial. No momento de Ação de Graças, cada grupo coral cantou uma canção dedicada a Nossa Senhora. No final, os três grupos corais, em conjunto, cantaram um cântico, "Onde Deus te levar".
       O último momento foi um lanche-convívio.
       Algumas fotos da presença do Grupo Coral de Tabuaço no aniversário do Grupo Coral de Sendim.


Para outras fotos disponíveis, visite-nos no Facebook, Paróquia de Tabuaço.

Vede como fala abertamente e não Lhe dizem nada

       Jesus percorria a Galileia, evitando andar pela Judeia, porque os judeus procuravam dar-Lhe a morte. Estava próxima a festa dos Tabernáculos. Quando os seus parentes subiram a Jerusalém, para irem à festa, Ele subiu também, não às claras, mas em segredo. Diziam então algumas pessoas de Jerusalém: «Não é este homem que procuram matar? Vede como fala abertamente e não Lhe dizem nada. Teriam os chefes reconhecido que Ele é o Messias? Mas nós sabemos de onde é este homem, e, quando o Messias vier, ninguém sabe de onde Ele é». Então, em alta voz, Jesus ensinava no templo, dizendo: «Vós Me conheceis e sabeis de onde Eu sou! No entanto, Eu não vim por minha própria vontade e é verdadeiro Aquele que Me enviou e que vós não conheceis. Mas Eu conheço-O, porque d’Ele venho e foi Ele que Me enviou». Procuravam então prender Jesus, mas ninguém Lhe deitou a mão, porque ainda não chegara a sua hora (Jo 7, 1-2.10.25-30).

       À medida que o tempo avança, vislumbra-se o desfecho da vida e missão de Jesus. Os sinais são claros. A oposição à Sua missão torna-se evidente, demasiado evidente. No Evangelho dá-se notícia que Jesus anda às claras, embora todos pensassem que Ele não viria à festa, ou se o fizesse, não se expusesse publicamente. Mas Jesus lá está a pregar abertamente, sem medo, em alta voz.
       Jesus prega com clareza levando os seus ouvintes a colocarem algumas questões. Tendo sido proibido de ensinar, sendo perseguido, como é que surge agora a pregar à frente de todos? Será que os judeus passaram a acreditar que Ele é o Messias? Mas, a interrogação continua, se fosse o Messias nós não saberíamos de onde Ele é!
       Jesus responde com frontalidade. É conhecida a Sua origem, terrena. Mas Ele vem do Pai. Neste caso, já não é tão fácil "saber" da origem de Jesus. Entramos no plano da fé.
       A hora de Jesus está a chegar, mas ainda não chegou, como se refere no Evangelho. A perspectiva é evidente, a entrega de Jesus é voluntária, é dádiva, não é imposta. "A vida ninguém ma tira, sou Eu que a dou".

quinta-feira, 30 de março de 2017

SUSAN SPENCER-WENDEL - ANTES DO ADEUS

SUSAN SPENCER-WENDEL, com Bret Witter (2013). Antes do Adeus. Lisboa: Editora Pergaminho. 384 páginas.
       Susan Spencer-Wendel é uma mulher adulta, 44 anos, jornalista reconhecida, satisfeita da vida, casa, mãe de três filhos. A vida é uma correria. A mão esquerda começa a ficar paralisada e começam as interrogações, os médicos, os exames e a negação do que começa a ser óbvio: esclerose lateral amiotrófica (ELA). O diagnóstico é uma sentença de morte, pois é uma doença terminal, três a cinco anos de vida, não há cura nem forma de retardar o seu avanço.
       Que fazer diante de uma notícia tremenda? A autora vai-nos dizendo. Uma fase de negação. Mas chega o momento que não há como fugir à inevitabilidade da doença. O corpo começa a deixar de funcionar, os comandos (cerebrais) não são correspondidos. Há consciência, mas o músculos vão atrofiando e deixando de obedecer e de funcionar. Até articular palavras se torna uma luta gigantesca.
É conhecida a expressão de Tolstoi: as famílias são iguais, as famílias tristes sofrem cada uma à sua maneira. Susan opta por viver e viver feliz, procurando criar memórias para os filhos, para o marido e para os amigos.
       O seguro de vida permite-lhe pagar a hipoteca da casa, viajar como sempre gostou de fazer, com a melhor amiga, Nancy, (para ver a aurora boreal), com o marido, numa espécie de segunda lua de mel, ir com a filha, de 14 anos, a Nova Iorque e vê-la provar um vestido de noiva, pois já não estará por cá quando ela casar, vai proporcionando aos filhos os seus pedidos.
       Entretanto decide escrever, enquanto é possível. Chega um momento que escreve apenas com um dedo num iphone, mas escreve, dedicando tempo. É um legado para os filhos, para o marido, para a famílias, para os amigos. Não se revolta. Procura viver cada momento, numa atitude zen, aceitando o que tem que ser, o que não está ao seu alcance modificar. Claro que sofre, chora, por ver o mundo avançar, os filhos a crescerem, certa que não estará cá para os ver crescer, querer fazer as coisas e não poder, a dependência de todos e em tudo. Chora. Mas não perde tempo a lamentar-se.
       Adotada, procura as suas raizes, para apaziguar o seu passado e ligar-se, ao marido e aos filhos, à família biológica, nomeadamente à sua ascendência grega.

"Antes do Adeus tem momentos profundamente tristes - trata-se, afinal, de uma despedida -, mas sem um traço de amargura ou de raiva. Em cada página, sente-se otimismo, a alegria de viver e o sentido de humor de uma mulher grata pela vida. Um livro sobre a morte, mas cheio de vida. Um livro que nos recorda que temos sempre a opção de sorrir. E que, como ensina a autora, «cada dia é melhor se for vivido com alegria»" (contracapa).
       Outro dos aspetos bem vincados ao longo de todo o livro, é a sua fé em Deus. Os pais (adotivos) são batistas, a autora nem por isso, mas acredita em Deus, acredita que se irá encontrar com o Pai biológico já falecido. E que o fim não será definitivo.
"Acenda uma vela em vez de amaldiçoar a escuridão".
"Acredito em Deus. Acredito em forças que nos transcendem de prodígios que escapam ao entendimento humano".
"Tomei a resolução de escrever sobre a força e não sobre a doença, sobre a alegria e não sobre o desespero".
"As minhas capacidades vão-se desprendendo do meu ser como uma medalha se desprende de um fio".
"Desde o diagnóstico, os estados depressivos tornaram-se menos frequentes. Desde que aceitei a minha condição, a angústia aproxima-se de mim ao de leve, como uma borboleta, e poisa silenciosamente como as borboletas poisam nas plantas à volta da cabana. Observo os seus rodopios, admiro a sua complexidade, sinto o seu peso por um breve instante, e depois... passa! Esa tristeza tem uma beleza intrínseca que me faz sentir sempre viva, e isso ainda me interessa, ainda é importante para mim".
"Regozija-te com o que tens e com a forma como as coisas são. Quando te deres conta de que não há nada em falta, o mundo inteiro será teu".
"Removendo a necessidade, removo também o sofrimento".
"Há que aceitar a vida conforme ela se desenrola. É importante que sonhemos e nos esforcemos por alcançar os nossos sonhos, mas também há que aceitar. Não faz sentido forçarmos o mundo a ser aquele que sonhámos. A realidade é muito melhor que isso".
"Não faz qualquer sentido ansiar por algo inalcançável, pois esse é o caminho direto para a loucura".
"Procurem-me nos vossos corações, meus filhos. Sintam-me aí e sorriam... procurem-me nos ocasos... sei que o meu fim está próximo, mas não desespero".
A autora terá morrido em 4 de junho de 2014.
Alguns vídeos disponíveis na Internet:

João era uma lâmpada que ardia e brilhava...

       O Senhor disse ainda a Moisés: «Tenho observado este povo: é um povo de dura cerviz. Agora deixa que a minha indignação se inflame contra eles e os destrua. De ti farei uma grande nação». Então Moisés procurou aplacar o Senhor seu Deus, dizendo: «Por que razão, Senhor, se há-de inflamar a vossa indignação contra o vosso povo, que libertastes da terra do Egipto com tão grande força e mão tão poderosa... (Ex 32, 7-14).
      Jesus disse aos judeus: «Se Eu der testemunho de Mim mesmo, o meu testemunho não será considerado verdadeiro. É outro que dá testemunho de Mim e Eu sei que o testemunho que Ele dá de Mim é verdadeiro. Vós mandastes emissários a João Baptista e ele deu testemunho da verdade. Não é de um homem que Eu recebo testemunho, mas digo-vos isto para que sejais salvos. João era uma lâmpada que ardia e brilhava e vós, por um momento, quisestes alegrar-vos com a sua luz. Mas Eu tenho um testemunho maior que o de João, pois as obras que o Pai Me deu para consumar – as obras que realizo – dão testemunho de que o Pai Me enviou. E o Pai, que Me enviou, também Ele deu testemunho de Mim. Nunca ouvistes a sua voz, nem vistes a sua figura e a sua palavra não habita em vós, porque não acreditais n’Aquele que Ele enviou. Examinais as Escrituras, pensando encontrar nelas a vida eterna; são elas que dão testemunho de Mim e não quereis vir a Mim para encontrar essa vida. Não é dos homens que Eu recebo glória; mas Eu conheço-vos e sei que não tendes em vós o amor de Deus. Vim em nome de meu Pai e não Me recebeis; mas se vier outro em seu próprio nome, recebê-lo-eis. Como podeis acreditar, vós que recebeis glória uns dos outros e não procurais a glória que vem só de Deus? Não penseis que Eu vou acusar-vos ao Pai: o vosso acusador será Moisés, em quem pusestes a vossa esperança. Se acreditásseis em Moisés, acreditaríeis em Mim, pois ele escreveu a meu respeito. Mas se não acreditais nos seus escritos, como haveis de acreditar nas minhas palavras?» (Jo 5, 31-47).

       A figura de Moisés é-nos apresentada nas duas leituras, no Êxodo e no Evangelho.
       Na primeira leitura, vemo-lo como intercessor junto de Deus, para aplacar a Sua ira contra o povo que se transviou, que se afastou dos caminhos do Senhor. Nas palavras de Moisés escutámos o sentir do próprio Deus que contraria a nossa facilidade em julgar e em condenar. Deus está sempre pronto a perdoar, vindo ao nosso encontro, está à porta e bate...
       Jesus fala em Moisés, para dizer que a fé nas palavras de Moisés levam à fé na Palavra de Deus que encarna em Jesus Cristo. Por outro lado, Jesus apresenta-Se como novo Moisés. Este intervém para que Deus não se ire contra o povo da Aliança; Jesus vem, não para condenar, mas para salvar e dar a vida pela humanidade.
       Testemunham a favor de Jesus, o próprio Moisés, João Baptista, e, mais importante, o próprio Deus, cujas obras Jesus realiza. Ao falar de João Baptista, Jesus fala-nos ao coração. A luz é sempre uma procura... ainda que a nossa treva nos tolde a mente...

quarta-feira, 29 de março de 2017

Meu Pai trabalha incessantemente e Eu também...

      O primeiro texto da liturgia é um belíssimo "testamento", mais um, do profeta Isaías. Nas suas palavras, a Palavra de Deus expressa o grandiloquente amor de Deus a favor de toda a humanidade, chamando todos à luz, ao bem, à verdade, à felicidade.
Assim fala o Senhor: «No tempo da graça, Eu te ouvi; no dia da salvação, Eu te ajudei. Eu te formei e designei para renovar a aliança do povo, para restaurar a terra e reocupar as herdades devastadas; para dizer aos prisioneiros: ‘Saí para fora’ e àqueles que vivem nas trevas: ‘Vinde para a luz’. Hão-de alimentar-se em todos os caminhos e acharão pastagem em todas as encostas. Não sentirão fome nem sede, nem o sol ou o vento ardente cairão sobre eles, porque Aquele que tem compaixão deles os guiará e os conduzirá às nascentes da água. De todas as minhas montanhas farei caminhos e as minhas estradas serão niveladas. Ei-los que vêm de longe: uns do Norte e do Poente, outros da terra de Sinim. Rejubilai, ó céus; exulta, ó terra; montes, soltai gritos de alegria, porque o Senhor consola o seu povo e tem compaixão dos seus pobres. Sião dizia: ‘O Senhor abandonou-me, o Senhor esqueceu-Se de mim’. Pode a mulher esquecer-se da criança que amamenta e não ter carinho pelo fruto das suas entranhas? Mas ainda que ela o esquecesse, Eu nunca te esquecerei» (Is 49, 8-15).
       No Evangelho, seguindo o diálogo de ontem com alguns dos judeus, Jesus acentua a dinâmica do bem, como trabalho ininterrupto. O bem tem lugar a todas as horas, em todas as circunstâncias. E será sempre uma manifestação da bondade de Deus.
Disse Jesus aos judeus: «Meu Pai trabalha incessantemente e Eu também trabalho em todo o tempo». Esta afirmação era mais um motivo para os judeus quererem dar-Lhe a morte: não só por violar o sábado, mas também por chamar a Deus seu Pai, fazendo-Se igual a Deus. Então Jesus tomou a palavra e disse-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: O Filho nada pode fazer por Si próprio, mas só aquilo que viu fazer ao Pai; e tudo o que o Pai faz também o Filho o faz igualmente. Porque o Pai ama o Filho e Lhe manifesta tudo quanto faz; e há-de manifestar-Lhe coisas maiores que estas, de modo que ficareis admirados. Assim como o Pai ressuscita os mortos e lhes dá vida, assim o Filho dá vida a quem Ele quer. O Pai não julga ninguém: entregou ao Filho o poder de tudo julgar, para que todos honrem o Filho, como honram o Pai. Quem não honra o Filho não honra o Pai que O enviou. Em verdade, em verdade vos digo: Quem ouve a minha palavra e acredita n’Aquele que Me enviou tem a vida eterna e não será condenado, porque passou da morte à vida. Em verdade, em verdade vos digo: Aproxima-se a hora – e já chegou – em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus; e os que a ouvirem, viverão. Assim como o Pai tem a vida em Si mesmo, assim também concedeu ao Filho que tivesse a vida em Si mesmo; e deu-Lhe o poder de julgar, porque é o Filho do homem. Não vos admireis do que estou a dizer, porque vai chegar a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz: Os que tiverem praticado boas obras irão para a ressurreição dos vivos e os que tiverem praticado o mal para a ressurreição dos condenados. Eu não posso fazer nada por Mim próprio: julgo segundo o que oiço e o meu juízo é justo, porque não procuro fazer a minha vontade, mas a vontade d’Aquele que Me enviou» (Jo 5, 17-30).
       Um desafio: praticar o bem, realizar boas obras, para que seja manifesta a graça de Deus.
       Uma certeza: o julgamento do mundo e das pessoas será feito por Jesus, melhor, diante de Jesus. Nós também somos responsáveis pelas obras que realizamos, e assim também pela nossa salvação e pela salvação de todos.

terça-feira, 28 de março de 2017

Levanta-te, toma a tua enxerga e anda...

Pela água e pelo Espírito Santo tornamo-nos novas criaturas, nascemos de novo, enformados como Corpo de Jesus que é a Igreja. Nas leituras propostas para hoje, a água aparece como elemento fundamental. Na primeira leitura, do profeta Ezequiel, a água em abundância produz vida, purifica, sara, gera abundância:
O Anjo disse-me: «Esta água corre para a região oriental, desce até Arabá e entra no mar, para que as suas águas se tornem salubres. Em toda a parte aonde chegar esta torrente, todo o ser vivo que nela se move terá novo alento e o peixe será muito abundante. Porque aonde esta água chegar, tornar-se-ão sãs as outras águas e haverá vida por toda a parte aonde chegar esta torrente. À beira da torrente, nas duas margens, crescerá toda a espécie de árvores de fruto: a sua folhagem não murchará, nem acabarão os seus frutos. Todos os meses darão frutos novos, porque as águas vêm do santuário. Os frutos servirão de alimento e as folhas de remédio» (Ez 47, 1-9.12).
       Também no Evangelho, a água surge como elemento purificador. As águas agitadas da piscina possibilitam a cura dos que nelas mergulham o corpo. Jesus é a Salvação em pessoa, é água, é vida nova, é cura. Quem vem/vai a Ele torna-se saudável não apenas de corpo mas sobretudo espiritualmente, capaz de viver, de amar, de caminhar para os outros, de abraçar, de partir, de rezar, de louvar...
Jesus subiu a Jerusalém. Existe em Jerusalém, junto à porta das ovelhas, uma piscina, chamada, em hebraico, Betsatá, que tem cinco pórticos. Ali jazia um grande número de enfermos, cegos, coxos e paralíticos. Estava ali também um homem, enfermo havia trinta e oito anos. Ao vê-lo deitado e sabendo que estava assim há muito tempo, Jesus perguntou-lhe: «Queres ser curado?» O enfermo respondeu-Lhe: «Senhor, não tenho ninguém que me introduza na piscina, quando a água é agitada; enquanto eu vou, outro desce antes de mim». Disse-lhe Jesus: «Levanta-te, toma a tua enxerga e anda». No mesmo instante o homem ficou são, tomou a sua enxerga e começou a caminhar. Ora aquele dia era sábado. Diziam os judeus àquele que tinha sido curado: «Hoje é sábado: não podes levar a tua enxerga». Mas ele respondeu-lhes: «Aquele que me curou disse-me: ‘Toma a tua enxerga e anda’». Perguntaram-lhe então: «Quem é que te disse: ‘Toma a tua enxerga e anda’». Mas o homem que tinha sido curado não sabia quem era, porque Jesus tinha-Se afastado da multidão que estava naquele local. Mais tarde, Jesus encontrou-o no templo e disse-lhe: «Agora estás são. Não voltes a pecar, para que não te suceda coisa pior». O homem foi então dizer aos judeus que era Jesus quem o tinha curado. Desde então os judeus começaram a perseguir Jesus, por fazer isto num dia de sábado (Jo 5, 1-3a.5-16).
       No Evangelho podem sublinhar-se outros aspetos relevantes. Aquele homem não tinha ninguém que olhasse por ele. Muitas passavam indiferentes. Como hoje pode acontecer. Há depois o preconceito (desculpa) religioso. A cura ao sábado provoca escândalo a quem não teve mãos, nem vontade, nem lembrança, nem generosidade para ajudar aquele enfermo, mas tem língua para expor e apontar...

segunda-feira, 27 de março de 2017

Vou criar novos céus e nova terra

       Assim fala o Senhor: "Eu vou criar os novos céus e a nova terra e não mais se recordará o passado, nem voltará de novo ao pensamento. Haverá alegria e felicidade eterna por aquilo que Eu vou criar: vou fazer de Jerusalém um motivo de júbilo e do seu povo uma fonte de alegria. Exultarei por causa de Jerusalém e alegrar-Me-ei por causa do meu povo" (Is 65, 17-21).
       O funcionário real insistiu: «Senhor, desce, antes que meu filho morra». Jesus respondeu-lhe: «Vai, que o teu filho vive». O homem acreditou nas palavras que Jesus lhe tinha dito e pôs-se a caminho. Já ele descia, quando os servos vieram ao seu encontro e lhe disseram que o filho vivia. Perguntou-lhes então a que horas tinha melhorado. Eles responderam-lhe: «Foi ontem à uma da tarde que a febre o deixou». Então o pai verificou que àquela hora Jesus lhe tinha dito: «O teu filho vive» (Jo 4, 43-54).

     Na primeira leitura proposta para este dia, a palavra do Senhor fala dos novos céus e a nova terra que Ele vai criar. Com Jesus Cristo, os novos céus e a nova terra chega até nós. O funcionário real que vai ter com Jesus acredita que n'Ele está o poder de Deus e comprova-o com a cura do seu filho. O reino de Deus chegou até nós, os novos céus e a nova terra chegaram com Ele, Deus feito homem.

sábado, 25 de março de 2017

Domingo IV da Quaresma - ano A - 26.março.2017

       1 – Domingo da Alegria e da luz, da unção e da vida nova trespassada de graça e salvação, presença de Deus na minha e na tua vida. Deserto e tentações, pão e palavra de Deus. Montanha e altura, Jesus e apóstolos, vislumbre da eternidade, luz vinda do Céu. Sede e água, Samaritana e Água Viva que é Jesus e um alimento maior que toda a fome. A verdade e o espírito, a adoração de Deus e o amor aos irmãos.
       Mais forte que toda a cegueira, a Luz de Cristo, que nos eleva para Deus e nos faz reconhecer os outros como irmãos. É conhecida a estória do sábio que pergunta aos seus discípulos qual o momento exato em que a noite dá lugar ao dia. Respostas: quando conseguimos ver o chão que pisamos, quando distinguimos a sombras e sabemos se são pessoas ou são árvores, quando surge o primeiro raio de sol no horizonte! Passa a ser dia, conclui o sábio, no momento em que olhamos para os outros e os reconhecemos como irmãos. É esta a luz que salva, que nos irmana, que nos faz viver e sentir como família de Deus.
       2 – Jesus encontrou um cego de nascença. É Jesus que nos encontra. Será importante que nos predisponhamos a deixar-nos encontrar por Ele. Neste encontro a proximidade de Jesus e a distância dos seus discípulos. O preconceito, a dúvida, o questionamento. Se ele está cego, alguma coisa fez de errado. Ou ele ou os pais. Infelizmente, ainda na atualidade, o obscurantismo da fé é gigante, manifestando falsa resignação: foi Deus que quis, paciência! Como se Deus quisesse o nosso mal, como se um Pai tivesse gosto em ver os filhos a sofrer.
       Jesus não se interroga nem explica esta fragilidade. Faz o que está ao Seu alcance para resolver ou minorar a situação. Em vez das palavras e da reflexão filosófica e/ou moral e religiosa, Jesus intervém para curar, para salvar, para sanar todo o mal, não apenas o mal físico mas tudo o que anoitece a vida humana. «É preciso trabalhar, enquanto é dia, nas obras d’Aquele que Me enviou. Vai chegar a noite, em que ninguém pode trabalhar. Enquanto Eu estou no mundo, sou a luz do mundo».
       Ele vem como Luz, para iluminar todos os recantos da vida humana. As trevas fazem-nos tropeçar e atropelar os outros. É dia quando e sempre que eu reconheço o outro como irmão.
       Para os judeus, e para muitos de nós, a cegueira é sinal de maldição de Deus. Este homem é desprezado e excluído. Não bastava a falta de vista quanto mais a exclusão social e religiosa. Jesus inclui-o. Não de forma mágica, mas com o poder de Deus e a unção da terra e da vida (terra e saliva), e com a água que lava e purifica. Novamente este elemento. Precisaria Jesus de utilizar estes elementos da natureza? Talvez não, mas uma vez mais Jesus nos remete para a terra, para os dons da natureza, para o esforço, pouco ou muito, mas que se exige a quem quer ser curado por Ele.
       3 – Diante do assombro, o medo ou a conversão, a maledicência ou o silêncio, a indiferença ou o testemunho, a negação e o cinismo ou a abertura ao mistério. Mais cego é aquele que não quer ver.
       O cego de nascença foi curado. Os vizinhos e os que o tinham visto a mendigar interrogam-se e interrogam-no, incrédulos, atónitos. Este homem dá testemunho do que nele se operou pelas mãos e pelas palavras de Jesus.
       Entram em cena os fariseus e o legalismo, o preconceito. Diante do milagre reconhecido, a suspeição e a insinuação. Por todas as formas tentam desacreditar o milagre, mas como são muitas as pessoas que conheciam o cego de nascença e testemunham a cura, arranjam outra desculpa para não aceitarem Jesus. Afinal, Ele curou o cego, mas em dia de sábado! O mal passa a ser o dia da cura, como se Jesus não viesse de Deus por fazer tais coisas ao sábado. Não querem ver e portanto há que arranjar desculpas como aqueles que não vão à Missa e justificam-se dizendo que os que lá vão são piores! É uma desculpa infantil.
       O interrogatório vai-se fazendo com uma ameaça prévia: quem professar que Jesus é o Messias será expulso da Sinagoga. Perante a insistência, aquele que era cego lança-lhes o repto: estais tão interessados em saber, será que quereis tornar-vos discípulos? A resposta dos fariseus, embora negando Jesus, é também um profissão de fé: «nós somos discípulos de Moisés. Nós sabemos que Deus falou a Moisés; mas Este, nem sabemos de onde é». Vale a pena deter-nos na resposta do homem curado: «Isto é realmente estranho: não sabeis de onde Ele é, mas a verdade é que Ele me deu a vista. Ora, nós sabemos que Deus não escuta os pecadores, mas escuta aqueles que O adoram e fazem a sua vontade. Nunca se ouviu dizer que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença. Se Ele não viesse de Deus, nada podia fazer».
       Perante tal testemunho e convicção, os fariseus e os doutores da Lei expulsam-no da Sinagoga, reafirmando que a cegueira é consequência do pecado: «Tu nasceste inteiramente em pecado...».
       4 – A cura é um primeiro passo, a conversão vem a seguir é mais demorada, leva uma vida inteira. Na maioria das vezes Jesus exige a fé (prévia) para intervir curando. No relato desta cura não se faz qualquer referência à fé deste homem. Sinal e expressão que Deus age além de nós, toma a iniciativa e a Sua misericórdia não está inteiramente dependente da nossa vontade. Cabe-nos acolher ou recusar a bondade e as maravilhas do Senhor. Mas Deus não atua na condicional.
       No Evangelho não sabemos como prosseguiu a vida de alguns dos que foram curados por Jesus. Uns passaram a segui-l'O; a outros, Jesus recomendou que regressassem às suas famílias e dessem testemunho das maravilhas de Deus neles realizadas. Alguns são curados e não mais se lembram de quem os curou, como no caso dos 10 leprosos em que só um vem agradecer, louvando e dando glória a Deus.
       Tendo conhecimento do que os fariseus e doutores da Lei fizeram a este homem, Jesus veio ao seu encontro e, então sim, desafia-o à fé: «Tu acreditas no Filho do homem?». A fé é muito mais que um conjunto de ideias, ainda que credíveis, a fé é um encontro. Deus vem ao nosso encontro e em Jesus Cristo encontra-nos no nosso peregrinar, no nosso caminho. A fé decide-se diante Jesus: «Eu vim a este mundo para exercer um juízo: os que não veem ficarão a ver; os que vêem ficarão cegos».
       Poderíamos recordar um dos pontos da mensagem do papa Francisco para esta Quaresma: o pecado cega-nos. Palavras semelhantes com que Jesus termina o diálogo com os fariseus e doutores da Lei: «Se fôsseis cegos, não teríeis pecado. Mas como agora dizeis: ‘Nós vemos’, o vosso pecado permanece». Um trocadilho sugestivo, a cegueira, isto é, a inocência, a pureza, livra do pecado; a presunção e o auto endeusamento geram pecado, tornam-nos cegos.
       A verdadeira cura, o milagre mais difícil é a conversão do coração e a persistência no bem.
       5 – Para nós, que fomos batizados na água e no Espírito Santo, a luz deve guiar-nos pelo caminho do bem, pelo caminho de Jesus. «Outrora vós éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor».
       Se fomos libertados das trevas, como nos lembra o apóstolo, ajamos como tal, como filhos da luz. Procuremos em tudo o que mais agrada ao Senhor, afastando-nos do mal, das obras das trevas: a injustiça, a mentira, a hipocrisia, a corrupção. «Desperta, tu que dormes; levanta-te do meio dos mortos e Cristo brilhará sobre ti». A autenticidade da nossa fé é verificável pelos frutos da luz: a bondade, a justiça e a verdade. O bem e o cuidado pelos outros devolve-nos a visão que nos conduz até à eternidade; o pecado da indiferença, do egoísmo, da prepotência cega-nos, não nos deixa reconhecer que o irmão é dom, não nos deixa entrever a eternidade de Deus.

       6 – O pecado faz parte da nossa condição mortal, finita, limitada. Mas não estamos sós. O mal maior não está no pecado, está em não nos reconhecermos pecadores. O mal não são os pecadores que se predispõem a acolher a misericórdia do Senhor, o mal são os corruptos, os hipócritas, que persistem no mal e não se abrem ao bem de Deus. O Papa Francisco tem repetido amiúde: pecadores sim, não corruptos. Não há nada que Deus não possa perdoar, redimir, menos os idólatras, ou seja, aqueles que se colocam no lugar de Deus, excluindo-O, e maltratando os irmãos.
       Não estamos sós. Frágeis, somos fortalecidos pela graça do Senhor. Ele é o Bom pastor que nos guia e nos conforta. Ele nos leva a descansar em verdes prados e nos conduz às águas refrescantes, para sempre habitaremos na casa do Senhor.

       7 – Na primeira leitura, Samuel é enviado por Deus para ungir um novo Rei. A perceção de Samuel é semelhante à nossa, fixa-se nas aparências, com o risco da cegueira, incapaz de ver o verdadeiro bem, os sinais da presença de Deus. Samuel deslumbra-se com os irmãos de David pelo porte, pela beleza. Diz-nos o Senhor, «Deus não vê como o homem; o homem olha às aparências, o Senhor vê o coração».
       Os sete filhos passam diante de Samuel e todos parecem reunir qualidades para se tornarem reis. No final, Deus escolhe aquele que não conta, jovem e pastor. Tornar-se-á um grande Rei, com pecados, mas temente a Deus, sempre, em todo o tempo. O Papa Francisco invoca-o como São David, pois, apesar das falhas graves, profundas, na sua conduta pessoal, está sempre pronto para assumir o seu pecado diante de Deus, intercedendo pelo povo, arcando com as consequências do seu mau proceder.

       8 – «Deus de misericórdia, que, pelo vosso Filho, realizais admiravelmente a reconciliação do género humano, concedei ao povo cristão fé viva e espírito generoso, a fim de caminhar alegremente para as próximas solenidades pascais» (Oração de coleta).

Pe. Manuel Gonçalves


Textos para a Eucaristia (A): 1 Sam 16, 1b. 6-7. 10-13a; Sl 22 (23); Ef 5, 8-14; Jo 9, 1-41.

Solenidade da Anunciação do Senhor

Nota histórica:
       Deus que no decorrer dos séculos, tinha encarregado os profetas de transmitir aos homens a Sua palavra, ao chegar a plenitude dos tempos, determina enviar-lhes o Seu próprio Filho, o Seu Verbo, a Palavra feita Carne.
       Contudo, o Pai das misericórdias quis que a Incarnação fosse precedida da aceitação por parte daquela que Ele predestinara para Mãe, para que, assim como uma mulher contribuiu para a morte, também outra mulher contribuísse para a vida» (Lumen gentium, 56).
       No momento da Anunciação, através do Anjo Gabriel, Deus expõe portanto, a Maria os Seus desígnios. E Maria, livre, consciente e generosamente, aceita a vontade do Senhor a seu respeito, realizando-se assim o mistério da Incarnação do Verbo. Nesse momento, com efeito, a segunda Pessoa da Santíssima Trindade começa a Sua existência humana. O filho de Deus faz Se Filho do Homem. O Deus Altíssimo torna-Se o «Deus connosco».
       Ao celebrar este mistério, precisamente nove meses antes do Natal, a Solenidade da Anunciação orienta-nos já para o Nascimento de Cristo. No entanto, a Incarnação está intimamente unida à Redenção. Por isso, as Leituras (especialmente a segunda) introduzem-nos já no Mistério da Páscoa.
       Essencialmente festa do Senhor, a Anunciação não pode deixar de ser, ao mesmo tempo, uma festa perfeitamente mariana. Na verdade, foi pelo sim de Maria que a Incarnação se realizou, a nova Aliança se estabeleceu e a Redenção do mundo pecador ficou assegurada.
 
      O Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José, da descendência de David. O nome da Virgem era Maria. Tendo entrado onde ela estava, disse o Anjo: «Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo». Ela ficou perturbada com estas palavras e pensava que saudação seria aquela. Disse-lhe o Anjo: «Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David; reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim». Maria disse ao Anjo: «Como será isto, se eu não conheço homem?» O Anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice e este é o sexto mês daquela a quem chamavam estéril; porque a Deus nada é impossível». Maria disse então: «Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra» (Lc 1, 26-38).

sexta-feira, 24 de março de 2017

Amar a Deus e ao próximo como a si mesmo

       A Sagrada Escritura é um manancial de vida nova. Palavras humanas, com toda a contextualização em que foram transmitidas e escritas, inspiradas por Deus e que se tornam para nós palavras de salvação, palavras de vida eterna.
       A contingência do tempo e da história, não aligeira o essencial da mensagem: os caminhos do Senhor levam-nos à felicidade, pois levam-nos pelo caminho da conciliação, da caridade, da justiça, da partilha, da comunhão. E estes valores, estas escolhas, sempre nos aproximam uns dos outros e nos fazem sentir úteis uns aos outros, fazem-nos sentir parte da família humana.
       Oseias, mais um dos profetas maiores de Israel, lembra que não são os poderes humanos, o poderes dos exércitos que podem salvar o povo, mas a conversão dos seus membros... o ponto de partida, também aqui, é o amor, a misericórdia de Deus.
Assim fala o Senhor: «Israel, converte-te ao Senhor, teu Deus, porque foram os teus pecados que te fizeram cair. Vinde com palavras de súplica, voltai para o Senhor e dizei-Lhe: “Perdoai todas as nossas faltas e aceitai o dom que Vos oferecemos, a homenagem dos nossos lábios. Não é a Assíria que nos pode salvar; não montaremos mais a cavalo, nem chamaremos ‘Nosso Deus’ à obra das nossas mãos, porque só em Vós o órfão encontra piedade”. Curarei a sua infidelidade, amá-los-ei generosamente, pois a minha ira afastou-se deles. Serei como orvalho para Israel, que florirá como o lírio e lançará raízes como o cedro do Líbano» (Os 14, 2-10).
       A uma pergunta de um escriba, Jesus responde com o essencial da Lei e dos Profetas, isto é, de toda a Sagrada Escritura. "Amar a Deus de todo o coração e ao próximo como a si mesmo" é única exigência do Evangelho:
Jesus respondeu-lhe: «O primeiro é este: ‘Escuta, Israel: O Senhor, nosso Deus, é o único Senhor: Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças’. O segundo é este: ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’. Não há nenhum mandamento maior que estes». Disse-Lhe o escriba: «Muito bem, Mestre! Tens razão quando dizes: Deus é único e não há outro além d’Ele. Amá-l’O com todo o coração, com toda a inteligência e com todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, vale mais do que todos os holocaustos e sacrifícios» (Mc 12, 28b-34).

quinta-feira, 23 de março de 2017

Segui o caminho do Senhor e sereis felizes!

       "Foi isto que ordenei ao meu povo: ‘Escutai a minha voz, e Eu serei o vosso Deus e vós sereis o meu povo. Segui sempre o caminho que vou indicar-vos e sereis felizes’. Mas eles não ouviram nem prestaram atenção: seguiram as más inclinações do seu coração obstinado, voltaram-Me as costas, em vez de caminharem para Mim" (Jer 7, 23-28).
       "Todo o reino dividido contra si mesmo, acaba em ruínas e cairá casa sobre casa. Se Satanás está dividido contra si mesmo, como subsistirá o seu reino? Vós dizeis que é por Belzebu que Eu expulso os demónios. Ora, se Eu expulso os demónios por Belzebu, por quem os expulsam os vossos discípulos? Por isso eles mesmos serão os vossos juízes. Mas se Eu expulso os demónios pelo dedo de Deus, então quer dizer que o reino de Deus chegou até vós" (Lc 11, 14-23).

       O expulsar os espíritos impuros é uma característica de Alguém com poder divino, como perdoar os pecados. Desta forma, Jesus confirma que vem da parte de Deus, para instaurar um tempo novo, para nos introduzir nos caminhos de Deus, na certeza que vivendo de acordo com a Sua vontade nos realizamos como pessoas e como comunidade. Aliás, é essa também a mensagem comunicada através de Jeremias.
       O gesto de Jesus, contudo, provoca uma reacção negativa, o que indicia que doravante a sua situação não vai ser fácil. Uma crescente oposição à Sua palavra e à Sua postura hão-de conduzi-l'O ao Calvário, para testemunhar o amor de Deus para connosco.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Aura Miguel. Conversas... com o Papa Francisco

AURA MIGUEL (2017). Conversas em Altos Voos. Encontros e entrevista com o Papa Francisco. Lisboa: Paulus Editora. 146 páginas.
"A matéria-prima deste livro é a entrevista de uma hora que o Papa Francisco concedeu à Rádio Renascença, a 8 de Setembro de 2015, na Casa Santa Marta. Mas este livro inclui detalhes inéditos sobre como é viajar com o Papa Francisco e como é o seu estilo descontraído, dentro do avião e não só; há várias peripécias documentadas em muitas fotos, aqui reproduzidas, bem como minuciosos relatos dos bastidores. Mas o motivo principal deste livro relaciona-se com a próxima visita do primeiro Papa latino-americano a Fátima. A nossa esperança é que estas páginas ajudem a conhecer melhor o ilustre peregrino que aí vem e reforcem o amor dos portugueses pelo Sucessor de Pedro, tão inseparavelmente ligado à Mensagem que a Virgem, há cem anos, confiou a três crianças portuguesas" (contracapa).
       Aura Miguel é "vaticanista", isto é, jornalista, da Rádio Renascença, e que está creditada junto da Santa Sé (Vaticano), acompanhando o Papa nas suas viagens apostólicas. Já conta mais de 80 viagens no avião que transporta o Papa para diversos países. Acompanhou João Paulo II, Bento XVI e agora Francisco. São muitas as histórias e as curiosidades. Neste livro conta o primeiro encontro com o Papa Francisco, como lhe solicitou uma entrevista para a Rádio Renascença e como Francisco respondeu num novo voo, numa nova Viagem Apostólica, seis meses depois, entregando-lhe um envelope, com a data para entrevista, o lugar e a hora.
       A entrevista realizou-se a 8 de setembro de 2015, Natividade de Nossa Senhora, na Casa de Santa Marta, por ocasião da Visita Ad Limina dos Bispos portugueses, com início a 7 de setembro.
       A publicação do livro e da entrevista, disponível digitalmente na Rádio Renascença, prepara e antecipa a Visita do Papa Francisco a Portugal como Peregrino de Fátima.
       A entrevista começa precisamente por falar do conhecimento que o Papa tem dos portugueses, falando também encontro com os Bispos portugueses, com a acentuação nos jovens e na catequese, partindo depois para outros temas como a surpresa da eleição, as periferias, os jovens e a Europa envelhecida, os valores e a educação, a paz em que sente apesar de tamanha responsabilidade, o Jubileu da Misericórdia, a cultura do encontro, a criatividade na educação, os direitos e os deveres, os direitos com a verdade, a felicidade e os problemas a enfrentar, o empenho político e o cuidado pela criação, a preferência de uma Igreja acidentada que uma Igreja doente por não sair...
       Além de outras curiosidades que constam do livro, o facto do Papa Francisco, juntamente com o envelope, ter entregado a Aura Miguel duas pagelas, uma de Santa Teresa do Menino Jesus e outra de São José.

Leituras: PAPA FRANCISCO - A Verdade é um Encontro

PAPA FRANCISCO (2015). (2.ª Edição). A Verdade é um Encontro. Homilias em Santa Marta. Prior Velho: Paulinas Editora. 568 páginas.
       Uma das novidades do pontificado do Papa Francisco, eleito a 13 de março e iniciando oficialmente o pontificado a 19 de março de 2017, foi a celebração quotidiana da Eucaristia na Capela de Casa de Santa Marta onde fixou a sua residência.
       Todos os dias, pela manhã, o Papa celebra com outros sacerdotes e para diversas pessoas, de paróquias, comunidades, grupos, funcionários do Vaticano, alunos dos colégios, congregações. Funciona como uma Missa paroquial, aos dias de semana, à mesma hora, para começar bem o dia. A diferença está nos fiéis que mudam de dia para dia e no facto de o pároco ser o Papa.
       As homilias diárias são familiares, íntimas, expressivas, com diversas imagens, exemplos, com muitas perguntas, com expressões que imediatamente circulam pelo mundo inteiro. É, de algum modo, um laboratório, já que as pistas de reflexão são muitas vezes desenvolvidas em discursos, mensagens, nos documentos pontifícios e aprofundadas nas Homilias em Eucaristias solenes.
       Logo após a celebração da Eucaristia, a Santa Sé, pelos órgãos competentes, faz chegar um breve resumo das palavras do Papa, acompanhadas de uma imagem, um pequeno vídeo...
       Não é a homilia inteira, como é explicado na apresentação do livro, não faria muito sentido, pois é um comentário a partir das leituras, procurando desafiar, propor, refletir, com pausas, interrogações, aproximando-se quase de uma conversa familiar. O acesso a estes trechos está disponível na plataformas da Internet da Santa Sé, mas também em muitas páginas ligadas a Dioceses, paróquias, comunidades, partilhadas, espalhadas. O livro tem a vantagem de ser sublinhado e mastigado. Quando lemos num ecrã, pelo menos para mim é assim, quase sempre o fazemos a correr, ou se for em vídeo, ouvimos e já estamos a fazer outra coisa, o livro ajuda a tomar mais atenção (claro que também há distrações).
       Este volume, na segunda edição, contém as "homilias" do primeiro ano de pontificado. Lendo, percebe-se melhor as intervenções mais públicas do Papa: pecadores mas não corruptos... misericórdia... cristãos aguados (água das rosas)... humildes mas não ingénuos... perdão... adoração de Deus (cuja dificuldade é notória nas pessoas e nas comunidades)... economia e os pobres... a riqueza e a avareza... pecadores concretos (e não abstratos, genéricos)... obras de misericórdia e juízo final, a fé vive-se, é concreta... cristãos alegres, na certeza que Deus nos ama ao ponto de em Jesus dar a vida por nós... a contradição dos cristãos da sexta-feira santa sem a Páscoa, tristes, melancólicos, sempre a protestar por tudo e por nada... incapazes de sorrir, de levantar a cabeça... pessoas com cara de santinhos mas que na verdade são hipócritas... perfeitos, pessoas boas, sem levantar ondas, como o jovem do Evangelho, certinho mas que no final não segue Jesus, pelo Seu caminho... Conhecer, confiar em Jesus, seguir Jesus pelo Seu caminho... ainda que com dificuldades e perseguição... a cruz é parte essencial da vida do cristão e da Igreja... Igreja em saída... ir às periferias... rezar com coragem, lutando com Deus como fizeram Abraão, Jacob, Moisés, David... fieis a Deus e ao povo... o encontro com Jesus na Eucaristia.. Lamentar-se faz mal ao coração... a fé não se negoceia... o perigo de falar dos outros... os mexericos matam... não maquilhar a vida, mas aceitar o bem e o mal... cristãos mornos fazem mal à Igreja... A Igreja é mãe, é uma história de amor... Um bom cristão não se lamenta... um cristão que se lamenta continuamente, deixa de ser um bom cristão: é o senhor ou a senhora "lamúrias"... o problema não é sermos pecadores: o problema é não nos arrependermos do pecado, não termos vergonha daquilo que fizemos... cultura do encontro, construtores de pontes e não de muros... a originalidade cristã não é a uniformidade...
       Seguir Jesus, caminhar com Jesus, adorar Jesus...

Tabuaço: Festa do Pai-nosso | Dia do Pai | 2017

       Nos últimos anos, a Festa do Pai-nosso, dos meninos do 2.º ano de catequese, da nossa paróquia, tem sido na solenidade de São José, também Dia do Pai. Este ano, o dia 19 coincidiu com o 3.º Domingo da Quaresma, sendo transferida a Salinidade de São José para segunda-feira, dia 20. Porém, a Festa do Pai-nosso manteve-se no dia 19 de março, assinalando-se também o dia do Pai.


       Uma celebração belíssima, valorizada por alguns gestos específicos, como o Ofertório, com gestos relacionados com a liturgia da Palavra e com os pais. No Pai-nosso, a formação de um anagrama, com as letras transformadas em orações e a coreografia do Pai-nosso.
       No momento de Ação de Graças, a distribuição a todos os pais de um porta-chaves, feito pela catequese e catequistas e pelo Grupo de Jovens, e também a distribuição de um copo branco, a cada pessoa, com a palavra "Sede de Deus", gesto este inserido na Caminhada da Quaresma-Páscoa, iniciativa pastoral da nossa Diocese de Lamego.

       Algumas fotos deste bela e terna celebração:


Para mais fotos, visitar a Paróquia de Tabuaço no Facebook