Papa Francisco, Lumen Fidei (n.º 24)
A terceira Carta Encíclica de Bento XVI empresta o título a este blogue. A Caridade na Verdade. Agora permanecem a fé, a esperança e a caridade, mas só esta entra na eternidade com Deus. Espaço pastoral de Tabuaço, Távora, Pinheiros e Carrazedo, de portas abertas para a Igreja e para o mundo...
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quarta-feira, 21 de agosto de 2013
Lumen Fidei - a fé e a verdade
terça-feira, 20 de agosto de 2013
Lumen Fidei - a fé em dinámica eclesial
O crente aprende a ver-se a si mesmo a partir da fé que professa. A figura de Cristo é o espelho em que descobre realizada a sua própria imagem. E dado que Cristo abraça em Si mesmo todos os crentes que formam o seu corpo, o cristão compreende-se a si mesmo neste corpo, em relação primordial com Cristo e os irmãos na fé...
A fé tem uma forma necessariamente eclesial, é professada partindo do corpo de Cristo, como comunhão concreta dos crentes. A partir deste lugar eclesial, ela abre o indivíduo cristão a todos os homens. Uma vez escutada, a palavra de Cristo, pelo seu próprio dinamismo, transforma-se em resposta no cristão, tornando-se ela mesma palavra pronunciada, confissão de fé...
A fé não é um facto privado, uma concepção individualista, uma opinião subjectiva, mas nasce de uma escuta e destina-se a ser pronunciada e a tornar-se anúncio...
A fé torna-se operativa no cristão a partir do dom recebido, a partir do Amor que o atrai para Cristo (cf. Gl 5, 6) e torna participante do caminho da Igreja, peregrina na história rumo à perfeição.
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
Lumen Fidei - a fé centra-se em Cristo
A nova lógica da fé centra-se em Cristo. A fé em Cristo salva-nos, porque é n’Ele que a vida se abre radicalmente a um Amor que nos precede e transforma a partir de dentro, que age em nós e connosco...
Cristo desceu à terra e ressuscitou dos mortos: com a sua encarnação e ressurreição, o Filho de Deus abraçou o percurso inteiro do homem e habita nos nossos corações por meio do Espírito Santo. A fé sabe que Deus Se tornou muito próximo de nós, que Cristo nos foi oferecido como grande dom que nos transforma interiormente, que habita em nós, e assim nos dá a luz que ilumina a origem e o fim da vida, o arco inteiro do percurso humano.
O crente é transformado pelo Amor, ao qual se abriu na fé; e, na sua abertura a este Amor que lhe é oferecido, a sua existência dilata-se para além dele próprio... Na fé, o «eu» do crente dilata-se para ser habitado por um Outro, para viver num Outro, e assim a sua vida amplia-se no Amor. É aqui que se situa a acção própria do Espírito Santo: o cristão pode ter os olhos de Jesus, os seus sentimentos, a sua predisposição filial, porque é feito participante do seu Amor, que é o Espírito; é neste Amor que se recebe, de algum modo, a visão própria de Jesus. Fora desta conformação no Amor, fora da presença do Espírito que o infunde nos nossos corações (cf. Rm 5, 5), é impossível confessar Jesus como Senhor (cf. 1 Cor 12, 3).
Papa Francisco, Lumen Fidei (n.º 20-21)
domingo, 18 de agosto de 2013
Lumen Fidei - a salvação pela fé...
É precisamente aqui que se situa o cerne da polémica do Apóstolo com os fariseus: a discussão sobre a salvação pela fé ou pelas obras da lei. Aquilo que São Paulo rejeita é a atitude de quem se quer justificar a si mesmo diante de Deus através das próprias obras; esta pessoa, mesmo quando obedece aos mandamentos, mesmo quando realiza obras boas, coloca-se a si própria no centro e não reconhece que a origem do bem é Deus. Quem atua assim, quem quer ser fonte da sua própria justiça, depressa a vê exaurir-se e descobre que não pode sequer aguentar-se na fidelidade à lei; fecha-se, isolando-se do Senhor e dos outros, e, por isso, a sua vida torna-se vã, as suas obras estéreis, como árvore longe da água. Assim se exprime Santo Agostinho com a sua linguagem concisa e eficaz: «Não te afastes d’Aquele que te fez, nem mesmo para te encontrares a ti». Quando o homem pensa que, afastando-se de Deus, encontrar-se-á a si mesmo, a sua existência fracassa (cf. Lc 15, 11- -24). O início da salvação é a abertura a algo que nos antecede, a um dom originário que sustenta a vida e a guarda na existência. Só abrindo-nos a esta origem e reconhecendo-a é que podemos ser transformados, deixando que a salvação actue em nós e torne a vida fecunda, cheia de frutos bons. A salvação pela fé consiste em reconhecer o primado do dom de Deus, como resume São Paulo: «Porque é pela graça que estais salvos, por meio da fé. E isto não vem de vós, é dom de Deus» (Ef 2, 8).
Papa Francisco, Lumen Fidei (n.º 19 )
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Lumen Fidei - Jesus Aquele que explica Deus
A plenitude a que Jesus leva a fé possui outro aspecto decisivo: na fé, Cristo não é apenas Aquele em quem acreditamos, a maior manifestação do amor de Deus, mas é também Aquele a quem nos unimos para poder acreditar. A fé não só olha para Jesus, mas olha também a partir da perspectiva de Jesus e com os seus olhos: é uma participação no seu modo de ver. Em muitos âmbitos da vida, fiamo-nos de outras pessoas que conhecem as coisas melhor do que nós: temos confiança no arquitecto que constrói a nossa casa, no farmacêutico que nos fornece o remédio para a cura, no advogado que nos defende no tribunal. Precisamos também de alguém que seja fiável e perito nas coisas de Deus: Jesus, seu Filho, apresenta-Se como Aquele que nos explica Deus (cf. Jo 1, 18). A vida de Cristo, a sua maneira de conhecer o Pai, de viver totalmente em relação com Ele abre um espaço novo à experiência humana, e nós podemos entrar nele.
Lumen Fidei - amor que vence a morte
Se o amor do Pai não tivesse feito Jesus ressurgir
dos mortos, se não tivesse podido restituir a vida
ao seu corpo, não seria um amor plenamente fiável,
capaz de iluminar também as trevas da morte.
... Jesus pôde vencer a
morte e fazer resplandecer em plenitude a vida.
A nossa cultura perdeu a noção desta presença
concreta de Deus, da sua acção no mundo; pensamos
que Deus Se encontra só no além, noutro
nível de realidade, separado das nossas relações
concretas. Mas, se fosse assim, isto é, se Deus
fosse incapaz de agir no mundo, o seu amor não
seria verdadeiramente poderoso, verdadeiramente
real e, por conseguinte, não seria sequer
verdadeiro amor, capaz de cumprir a felicidade
que promete. E, então, seria completamente indiferente
crer ou não crer n’Ele. Ao contrário, os
cristãos confessam o amor concreto e poderoso
de Deus, que actua verdadeiramente na história
e determina o seu destino final; um amor que se
fez passível de encontro, que se revelou em plenitude
na paixão, morte e ressurreição de Cristo.
Papa Francisco, Lumen Fidei (n.º 17)
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
Lumen Fidei - ídolos
Compreende-se assim que o ídolo é um pretexto para se colocar a si mesmo no centro da realidade, na adoração da obra das próprias mãos. Perdida a orientação fundamental que dá unidade à sua existência, o homem dispersa-se na multiplicidade dos seus desejos; negando-se a esperar o tempo da promessa, desintegra-se nos mil instantes da sua história. Por isso, a idolatria é sempre politeísmo, movimento sem meta de um senhor para outro. A idolatria não oferece um caminho, mas uma multiplicidade de veredas que não conduzem a uma meta certa, antes se configuram como um labirinto. Quem não quer confiar- se a Deus, deve ouvir as vozes dos muitos ídolos que lhe gritam: « Confia-te a mim! » A fé, enquanto ligada à conversão, é o contrário da idolatria: é separação dos ídolos para voltar ao Deus vivo, através de um encontro pessoal. Acreditar significa confiar-se a um amor misericordioso que sempre acolhe e perdoa, que sustenta e guia a existência, que se mostra poderoso na sua capacidade de endireitar os desvios da nossa história. A fé consiste na disponibilidade a deixar-se incessantemente transformar pela chamada de Deus. Paradoxalmente, neste voltar-se continuamente para o Senhor, o homem encontra uma estrada segura que o liberta do movimento dispersivo a que o sujeitam os ídolos.
Papa Francisco, Lumen Fidei (n.º 13)
terça-feira, 9 de julho de 2013
Papa FRANCISCO - Carta Encíclica LUMEN FIDEI
Com a chancela do Vaticano, datada de 29 de junho de 2013, solenidade do martírio de São Pedro e São Paulo, a primeira Carta Encíclica, LUMEN FIDEI, do Sumo Pontífice FRANCISCO aos bispos, aos presbíteros e aos diáconos, às pessoas consagradas e a todos os fiéis leigos sobre a FÉ.
Como reconhece o Papa, esta é uma encíclica muito forte sobre a fé, a luz da fé, que brota do amor de Deus, que implica escuta do chamamento de Deus e da Sua Palavra, que Se revela ao longo da história e assume um ROSTO humano, Jesus Cristo... foi escrita a 4 mãos:
"Estas considerações sobre a fé — em continuidade com tudo o que o magistério da Igreja pronunciou acerca desta virtude teologal — pretendem juntar-se a tudo aquilo que Bento XVI escreveu nas cartas encíclicas sobre a caridade e a esperança. Ele já tinha quase concluído um primeiro esboço desta carta encíclica sobre a fé. Estou-lhe profundamente agradecido e, na fraternidade de Cristo, assumo o seu precioso trabalho, limitando-me a acrescentar ao texto qualquer nova contribuição. De facto, o Sucessor de Pedro, ontem, hoje e amanhã, sempre está chamado a «confirmar os irmãos » no tesouro incomensurável da fé que Deus dá a cada homem como luz para o seu caminho" (LF 7).
Esta é uma CARTA escrita com fé, com alma, de forma muito simples, acessível, procurando comunicar a FÉ em Cristo, vivida em Igreja, ao longo da história, com a memória que transmite a fé, mas que vem do futuro e que a todos nos atrai com a Sua luz, com o Seu amor.
Curioso: se tentarmos ver que partes escreveu Bento XVI e o Papa Francisco, será muito difícil, ainda que possa haver algumas expressões características de um ou de outro, e que poderá ficar mais especialistas. É a primeira Encíclica do Papa Francisco, em que assume um esboço já muito avançado sobre a vivência da fé e da luz que esta irradia sobre a pessoa, sobre o mundo. Lendo, poderíamos dizer que Bento XVI a escreveu do início ao fim. Lendo-a, poderíamos dizer que é inteiramente de Francisco. Para quem lê ou escuta Bento XVI ou Francisco (também como Cardela Jorge Bergoglio), percebe-se, nos dois, uma grande força espiritual, uma linguagem muito simples, de fácil leitura, com exemplos que ajudam a perceber o que se quer transmitir, com poucas citações, a não ser as citações bíblicas, ainda assim com citações dos Padres da Igreja, mas também de intelectuais além da Igreja visível.
Quatro partes - Acreditamos no amor (cf. Jo 4, 16); Se não acreditardes, não compreendeis (cf. Is 7, 9); Transmito-vos aquilo que recebi (cf 1 Cor 15, 3); Deus prepara para eles uma cidade (cf. Heb 11, 16). Nesta parte final, salienta-se o testemunho de fé de Nossa Senhora - Feliz daquela que acreditou (cf. Lc 1, 45).
"A fé não é luz que dissipa todas as nossas trevas, mas lâmpada que guia os nossos passos na noite, e isto basta para o caminho... o serviço da fé ao bem comum é sempre serviço de esperança que nos faz olhar em frente, sabendo que só a partir de Deus, do futuro que vem de Jesus ressuscitado, é que a nossa sociedade pode encontrar alicerces sólidos e duradouros. Neste sentido, a fé está unida à esperança, porque, embora a nossa morada aqui na terra se vá destruindo, há uma habitação eterna que Deus inaugurou em Cristo, no seu corpo (cf. 2 Cor 4, 16 - 5, 5). Assim o dinamismo de fé, esperança e caridade (cf. 1 Tes 1, 3; 1 Cor 13, 13) faz-nos abraçar as preocupações de todos os homens, no nosso caminho rumo àquela cidade, «cujo arquitecto é o próprio Deus» (Heb 11, 10), porque «a esperança não engana» (Rom 5, 5)".
É um texto, para quem tem fé, para quem gosta de ler, para quem gosta de se enriquecer espiritualmente, um texto excelente. Como é possível que tamanha sabedoria se veja na maior das simplicidades? O grande faz-se pequeno. Deus Infinito assume a nossa finitude e fragilidade. Bento XVI e Francisco escrevem e falam como se estivessem olhos nos olhos diante de cada um de nós e com a clara preocupação de serem transparentes, compreensíveis, deixando que nas suas palavras muito humanas deixem que fale a Palavra de Deus.
Já aqui trouxe muitas sugestões de livros ou textos. Eis uma CARTA que por nada perderia. Do princípio ao fim. No final bem que poderia ser assinada, não por Bento XVI ou Francisco, mas poderia ser assinada por Jesus, tanta é a luminosidade que transmite.
Para ler a Encíclica Lumen Fidei:
sexta-feira, 5 de julho de 2013
Lumen Fidei - encíclia papal a 4 mãos
7. Estas considerações sobre a fé — em continuidade com tudo o que o magistério da Igreja pronunciou acerca desta virtude teologal — pretendem juntar-se a tudo aquilo que Bento XVI escreveu nas cartas encíclicas sobre a caridade e a esperança. Ele já tinha quase concluído um primeiro esboço desta carta encíclica sobre a fé. Estou-lhe profundamente agradecido e, na fraternidade de Cristo, assumo o seu precioso trabalho, limitando-me a acrescentar ao texto qualquer nova contribuição. De facto, o Sucessor de Pedro, ontem, hoje e amanhã, sempre está chamado a «confirmar os irmãos » no tesouro incomensurável da fé que Deus dá a cada homem como luz para o seu caminho. Na fé, dom de Deus e virtude sobrenatural por Ele infundida, reconhecemos que um grande Amor nos foi oferecido, que uma Palavra estupenda nos foi dirigida: acolhendo esta Palavra que é Jesus Cristo — Palavra encarnada –, o Espírito Santo transforma-nos, ilumina o caminho do futuro e faz crescer em nós as asas da esperança para o percorrermos com alegria. Fé, esperança e caridade constituem, numa interligação admirável, o dinamismo da vida cristã rumo à plena comunhão com Deus. Mas, como é este caminho que a fé desvenda diante de nós? Donde provém a sua luz, tão poderosa que permite iluminar o caminho duma vida bem sucedida e fecunda, cheia de fruto?
Papa Francisco, Lumen Fidei.
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