Mostrar mensagens com a etiqueta Páscoa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Páscoa. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 9 de maio de 2017

Paróquia de Tabuaço - Dia da Mãe 2017

       O primeiro Domingo do mês de maio, este ano a 7 de maio, traz consigo um dia muito especial: o Dia da Mãe. Mais do que a multiplicação das palavras, gestos simples mas comoventes, este ano inseridos também na dinâmica da Caminhada da Quaresma-Páscoa 2017.
       No momento de ação de graça, um momento dedicado às Mães e a entrega de um pequeno vaso com uma semente, relacionando com o Dia Mundial de Oração pelas Vocações, com a Vida, com a sementes da vocação, da vida que se gera, se cuida e faz crescer...
       Algumas fotos da celebração da Eucaristia em Dia da Mãe:

Disponíveis outras fotos: Paróquia de Tabuaço no Facebook.

sábado, 6 de maio de 2017

Domingo IV da Páscoa - ano A - 7 de maio de 2017

       1 – Há muitas situações que nos tiram o sono. Muitos momentos em que não conseguimos adormecer com a rapidez desejada e o sono é tão leve que acordamos cansados, parecendo que nem chegámos a dormir. Damos voltas e mais voltas e não adianta. Uma doença. A morte de alguém. Uma traição. Um negócio que correu mal. Um conflito com um colega. Um aborrecimento com um familiar.
       A falta de saúde, o cansaço, o stress no trabalho ou a falta de trabalho – e a insegurança no trabalho – tudo isso são motivos fáceis de detetar. Ansiedade. Medo de não dormir bem, de acordar sem vontade de sair de casa, de chegar de manhã e continuar tudo igual.
       Afinal de contas o que é que nos deixa mais inseguros e ansiosos? A vida não é branco e preto, mas podemos responder com segurança que é o nosso relacionamento com os outros que nos provoca medo, ansiedade, desgaste, agitação. O que os outros podem pensar de mim? Como vou reagir ao que me me vão dizer? Como me vou defender ou justificar? Como vou fazer calar o outro? Como é que lhe hei de mostrar que sei mais que ele? A conversa que tive com a minha mulher! A discordância com a atitude do meu filho! O raspanete que levei do meu pai! Como é que vou gerir a amizade com dois amigos que não se dão entre eles? Como vou exigir o que é meu por direito? Como é que vou explicar ao meu professor que não consegui estudar? Que é que a professora pensará de mim?
       Cada um de nós precisa da aceitação do outro e ser reconhecido, antes de mais, como pessoa. Há quem se imponha pela maldade, pelo poder, pela violência. Há quem se afirme pela positiva, pela delicadeza, por ser prestável, útil, atencioso. Há alunos que chamam a atenção pela assertividade em relação aos professores e aos colegas. Há alunos que chamam a atenção pelos disparates que fazem a toda a hora. Ou como quem diz, ou vai ou racha.
       2 – Neste 4.º Domingo de Páscoa temos dois modelos de assertividade, de empatia ou um modelo com dois rostos e que se multiplica por muitos rostos e muitas pessoas. Assim o queiramos. Por um lado, o Dia Mundial de Oração pelas Vocações, que evoca a figura do Bom Pastor, visualizável em Jesus Cristo. Por outro, o Dia da Mãe, que nos remete para Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe, mas também para as nossas próprias mães.
       O pastoreio fala-nos de pobreza e de trabalho, de honestidade e delicadeza. Os pastores eram pessoas simples e humildes. Levavam o seu trabalho a sério, pois disso dependia a sua sobrevivência. Pessoas que lidam com animais sabem como se lhes ganha afeição. Também os pastores se tornam pessoas delicadas, conhecendo as ovelhas pelo nome, cuidando delas para que nenhuma se perca, não deixando que nenhuma se afaste com o risco de se tornar presa fácil para os animais selvagens. Guardando as suas ovelhas ou da tribo/povoação, o cuidado é semelhante. É o seu ganha-pão.
       David, antes de ser rei, era pastor. Ficou no imaginário dos judeus como uma referência do cuidado para com o Povo. Aqui e além, a sua fragilidade humana, mas sem lhe faltar a humildade para pedir perdão e interceder junto de Deus a favor do povo. A expectativa messiânica assenta na figura de David, o que há de ser, o Messias que está para vir, é um novo David ou filho de David, será um rebento de Jessé (pai de David). Em Domingo de Ramos, na entrada triunfal em Jerusalém, Jesus é aclamado como filho de David, isto é, o Messias prometido, agora reconhecido como tal.
       Com efeito, o Pastor por excelência é o próprio Deus. Eu próprio irei para o meio do Meu povo, como pastor que apascenta o seu rebanho. Belíssimo o salmo com que hoje respondemos à Palavra de Deus: «O Senhor é meu pastor: nada me falta. Leva-me a descansar em verdes prados, conduz-me às águas refrescantes e reconforta a minha alma...não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo: o vosso cajado e o vosso báculo; me enchem de confiança».
       3 – O Messias de Deus, Cristo Jesus, assume-Se como o Bom Pastor, a Porta pela qual entram as ovelhas, o Porteiro que abre a porta às ovelhas. Como Pastor, conhece cada ovelha pelo nome, levando aos ombros as que andam cansadas e abatidas, para que nenhuma se perca. As ovelhas, por sua vez, conhecem a voz do Seu Pastor, seguem a Sua voz, porque sabem que Ele as trata bem. «Eu vim para que as minhas ovelhas tenham vida e a tenham em abundância».

       4 – O mês de maio desafia-nos a olhar com mais atenção para Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe. O primeiro dia do mês é dedicado às Mães, com uma referência muito peculiar a Santa Maria Mãe de Deus. N'Ela, as características que queremos encontrar nas nossas mães: a candura, a doçura, a capacidade de nos amar em todas as circunstâncias, de nos desculpar e justificar, a diplomacia para a paz e para unidade na família, defendendo-nos com unhas e dentes, procurando a harmonia na família, o diálogo, a disponibilidade para o esforço e sacrifício, para sofrer em nossa vez, a humildade e, em muitas situações, a sujeição à humilhação.
       A vida de Maria mostra-nos a Sua delicadeza para com aqueles que precisam de ajuda, exemplo disso a pressa em ir ao encontro de Isabel ou a intervenção junto de Jesus para agir em favor dos noivos de Caná da Galileia; prontidão para se inteirar da vida do Filho, como quando lhe trazem más notícias. Respeita a Hora do Filho mas mantém-se por perto, vigilante.
       Pelos frutos se veem as árvores. Jesus não nasceu do ar, como extraterrestre, é de carne e osso. Ele aprendeu a ser delicado com os Seus pais, Maria e José. Com o Pai, o trabalho, a profissão, os valores do respeito e da honra, da palavra dada e do compromisso. Com a Mãe, a atenção aos outros, a doçura, a humildade, o olhar terno e a capacidade de se colocar – tanto quanto possível – no lugar dos outros, com as suas necessidades e dúvidas.
       A história bíblica vai-nos mostrando que Deus é Pai que nos ama com amor de Mãe. Jesus transparece a beleza e a misericórdia de Deus Pai, nas palavras, na postura, nas imagens utilizadas na pregação, nos gestos assumidos. O seu último desejo, contudo, aponta para a Maria, dando-no-l'A por Mãe, assumindo-nos como irmãos, afiliando-nos a Maria: Eis a tua Mãe. Eis o teu filho.

       5 – São Pedro, na primeira como na segunda leitura, falando e escrevendo, procura envolver-nos na salvação revelada e realizada por Jesus Cristo que veio de Deus para nos salvar, para nos reunir e congregar. Passou fazendo o bem, sofrendo por todos nós. E por nós foi crucificado.
       A Sua postura é de bondade. Não responde com violência à violência de que é vítima. «Ele suportou os nossos pecados no seu Corpo, sobre o madeiro da cruz, a fim de que, mortos para o pecado, vivamos para a justiça: pelas suas chagas fomos curados. Vós éreis como ovelhas desgarradas, mas agora voltastes para o pastor e guarda das vossas almas».
       Ele deu-nos o exemplo. Para que, imitando-O, morrendo n'Ele o que em nós é obscuro, pecado, inveja, revolta, vontade de vingança, com Ele possamos ressuscitar na alegria e na paz, na justiça e na verdade, na relação franca e transparente. O batismo sinaliza a nossa conversão e o compromisso permanente em sermos dóceis ao Espírito Santo que recebemos, ao espírito de filhos adotivos, para que a graça de Deus em nós produza abundantes frutos de redenção e de bênção.
       Que o Espírito Santo, que nos habita, nos inspire à abertura do coração, à confiança na bondade dos outros, nos impele a despregar-nos da ansiedade doentia, do medo e das expectativas que nos tolhem na relação entre nós. Que a cuidado e delicadeza do Bom Pastor e a ternura e o amor da Virgem Mãe nos faça mensageiros da paz e da alegria e construtores de um mundo saudável e fraterno, inclusivo, acolhendo as diferenças que nos enriquecem, promovendo a dignidade que nos irmana como filhos amados de Deus.

Pe. Manuel Gonçalves


Textos para a Eucaristia (ano A): Atos 2, 14a. 36-41; Sl 22 (23); 1 Pedro 2, 20b-25; Jo 10, 1-10.

sábado, 29 de abril de 2017

Domingo III da Páscoa - ano A - 30 de abril de 2017

       1 – Há dias num passeio ocasional, caminhando distraído com os meus botões, vejo alguém especado a olhar para mim. "Então, tudo bem contigo? Onde estás?" Poderia ter respondido: "Estou aqui à tua frente? Não vês?" Mas a pergunta remetia para a vida (sacerdotal/paroquial) e não para a localização geográfica. "Há quanto tempo! Já não te via desde o nosso 6.º ano, na Preparatória..." Pois sim, falando para mim, será que me conhece mesmo ou será mais um equívoco?! "Peço desculpa, mas já vai tanto tempo que por ora não te estou a reconhecer!". "Eu reconheci-te logo. Estás mais velho, mais forte, com menos cabelo, mas tens o mesmo sorriso. Mas olha que eu não estou assim tão diferente, pensa lá um pouco, sentávamo-nos lado a lado nas salas de aula do 5.º e do 6.º ano. Depois tu foste para o Liceu e eu para a Sé. Chamo-me (N), também cresci, tenho algumas rugas, casei, tenho 2 filhos, mais altos que eu..."
       Situações como esta não são assim não escassas. O tempo. A memória. As feições. O contexto. A surpresa do encontro. São vários os fatores que influem quando encontramos alguém ou alguém nos encontra e só um se lembra do rosto, da pessoa, do tempo passado!
       Três dias depois, Jesus aparece aos seus discípulos. Estes ficam atónitos e num primeiro momento não O reconhecem. Estranho?! Talvez não. Assim acontece com as mulheres que de manhã cedo foram ao sepulcro. Assim acontecerá quando os discípulos estiverem reunidos e Jesus lhes aparecer e Se colocar no meio deles. Jesus morreu. Ponto final, parágrafo. Embora tenha prometido regressar, vivo, ressuscitar, já passaram três longos dias, inacreditáveis. Ainda parece um sonho que Ele – o Messias de Deus – tenha sido morto. Não devemos estar a ver direito! "Vede as minhas mãos e o meu lado. Sou Eu. Não temais".
       Dois dos discípulos regressam a casa, desencantados. Jesus vem e coloca-Se com eles a caminho. Primeiro momento. Jesus vem ao nosso encontro nas circunstâncias da nossa vida e todos os momentos são propícios. Há de haver um tempo que depende de nós reconhecê-l'O e acolhê-l'O ou ignorá-l'O.
       2 – Pelo caminho, Jesus vai-lhes explicando as Escrituras, preparando-os para o que está para vir, para O reconhecerem (anúncio, catequese, formação). Os discípulos manifestam pesar pelo que aconteceu e fazem o ponto da situação: Jesus de Nazaré, profeta, grandioso em palavras e obras, foi morto e esfumou-se a esperança de ser o libertador de Israel, pois passaram três dias e não aconteceu nada, ainda que algumas mulheres tenham ido ao túmulo e tenham dito que lhes apareceram Anjos a anunciar que Jesus estava vivo. Alguns discípulos foram comprovar o que as mulheres tinham visto, mas não viram o Senhor.
       «Não tinha o Messias de sofrer tudo isso para entrar na sua glória?». A pergunta provocatória de Jesus, lança pontes para a Sua vida pública, em que tinha anunciado o sofrimento e a perseguição se prosseguisse com o seu programa de vida, denunciando a prepotência, a arrogância, o autoritarismo, a intolerância e optando pelos mais pobres, pelos excluídos, pelos mais pequeninos, pelos publicanos e pecadores, pelas mulheres e pelas crianças, incluindo, promovendo, devolvendo a dignidade perdida, revelando-lhes o amor de Deus, tratando-os como irmãos. Esta postura criou inveja, ciúme, gerou ódios que que viriam a custar-Lhe a vida. Como tinha previsto. Chegar à meta sem esforço e sem sacrifícios não é possível. Há provações, obstáculos, dificuldades a vencer. Aquele que perseverar será salvo.
       Vão dialogando e Jesus serve-se da Sagrada Escritura para lhes mostrar as intuições da Lei e dos Profetas no que ao Messias diz respeito. Entretanto aproximam-se da sua povoação e Jesus faz menção de seguir o Seu caminho. Ele vem até nós, mas não Se impõe, dá-nos a liberdade para O acolhermos, ou para O deixarmos prosseguir para outras bandas. Os discípulos de Emaús sentem-se impelidos a deixar que Ele permaneça: «Ficai connosco, porque o dia está a terminar e vem caindo a noite».
        3 – No domingo anterior víamos como Jesus Se apresenta no meio dos Seus discípulos e Lhes comunica a paz, enviando-os por todo o mundo a anunciar a Boa Nova do Reino de Deus. Na tarde daquele primeiro domingo, Jesus mostra-lhes as mãos e o lado. E assim no segundo domingo, novamente no meio dos discípulos, com a presença de Tomé, ausente da comunidade no primeiro encontro do Ressuscitado com os discípulos reunidos, lhes mostra as marcas da Paixão.
       Tivemos oportunidade de refletir sobre o caminho de cada um. Cada pessoa tem o seu ritmo. A fé não se manifesta para todos da mesma maneira, porque todos somos diferentes. Mas se cada um se orienta para Cristo, Caminho, Verdade e Vida, e se O coloca como centro, mais tarde ou mais cedo vamos estar a caminhar na mesma direção.
        Há momentos de dúvida, de hesitação e até de treva. Mas não desistamos. Deus manifesta-Se também na noite da nossa fé e da nossa vida. Assim no-lo garantem muitos santos. Jesus dá-nos uma sugestão para O encontrarmos: vendo e tocando as Suas chagas presentes nos irmãos. Quando cuidamos dos outros por amor a Jesus Cristo, a nossa fé exprime-se e amadurece, mesmo que com incertezas. A fé fortalece-se com o amor e cuidado aos outros.
       Hoje Jesus mostra-nos outra forma de O reconhecermos. Pôs-se à mesa com eles, "tomou o pão, recitou a bênção, partiu-o e entregou-lho". Abrem-se os olhos, melhor, o entendimento e reconhecem-n’O. A fração do pão, da forma como Jesus no-lo dá, a Eucaristia, faz-nos irmãos, aproxima-nos, abre-nos a compreensão.
       Jesus desaparece da sua presença, está no pão a partilhar e anunciar. Partem imediatamente. À Eucaristia levamos tudo o que arde cá dentro, os nossos projetos e angústias, os nossos sonhos e as nossas alegrias. A Eucaristia abre-nos os olhos e o coração e a vida e envia-nos em missão. Eles vão de imediato ao encontro dos demais discípulos.
       4 – A comunidade garante e fortalece a fé. Os dois discípulos regressam ao seio da comunidade, para testemunharem o encontro com Jesus e para escutarem e absorverem o testemunho dos outros discípulos. Também na dúvida, na incerteza, a comunidade dos crentes deve ser o espaço e o tempo em que descobrimos Jesus. Onde dois ou três estiverem reunidos em Meu nome estarei no meio deles. Estarei convosco até ao fim dos tempos.

       5 – A primeira leitura, dos Atos dos Apóstolos, dá-nos conta do desassombro com que Pedro, com os onze Apóstolos, portanto, não isoladamente, mas com a comunidade dos seguidores de Jesus, fala para os judeus e, tal como os discípulos de Emaús, anuncia o que aconteceu com Jesus, agora com a certeza que Deus Pai O ressuscitou, não O abandonando à mansão os mortos. Pedro relembra que Deus tinha prometido a David que um seu descendente se havia de sentar no seu trono para sempre, antecipando a ressurreição de Cristo.
       Os Apóstolos experimentaram a tristeza e o desencanto da morte de Jesus. Foi um duro golpe. O reencontro com o Ressuscitado e o Dom do Espírito Santo muda-lhes a vida para sempre. Um grupo de pobretanas assume um papel preponderante no anúncio do Evangelho e na propagação do Reino de Deus, instaurado e iniciado por Jesus.

       6 – Na segunda leitura, São Pedro, em missiva que escreve à Igreja, recorda como Cristo morreu para nos salvar. Deus Pai, que não faz aceção de pessoas, ressuscitou-O para que a nossa fé e a nossa esperança estejam em Deus e não em coisas perecíveis. Por conseguinte, devemos viver como peregrinos, exilados neste mundo, praticando as boas obras. Justificados por Cristo, justifiquemos com a nossa vida a Sua entrega e façamos com que tenha valido a pena levar até ao fim o Seu amor por nós, até à morte e morte de Cruz.

       7 – Confiança em Deus é o que Salmo proposto para hoje no ensina: Senhor "Vós sois o meu refúgio. Vós sois o meu Deus. Senhor, porção da minha herança e do meu cálice, está nas vossas mãos o meu destino. Bendigo o Senhor por me ter aconselhado, até de noite me inspira interiormente. O Senhor está sempre na minha presença, com Ele a meu lado não vacilarei. Por isso o meu coração se alegra; e a minha alma exulta e até o meu corpo descansa tranquilo".
       A confiança em Alguém que é fiel, sempre foi e sempre será, e que nos garante o futuro, nos garante que sairemos vencedores, assim acolhamos o Seu amor e a Sua vida, permite-nos arriscar e comprometermo-nos com os outros, e apostar na transformação do mundo, com e apesar dos obstáculos, dificuldades e provações do caminho. Ele segue connosco no nosso caminho. Até ao fim.

Pe. Manuel Gonçalves


Textos para a Eucaristia (ano A): Atos 2, 14. 22-33; Sl 15 (16); 1 Pedro 1, 17-21; Lc 24, 13-35.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

VL – Deus da Páscoa. Não é a Cruz que nos mata…

       Não, não é a Cruz que mata Jesus.
       Não, não é a Cruz que nos mata.
       O que mata Jesus é o nosso pecado, o nosso egoísmo, o nosso desamor.
       O que nos mata é a solidão, o colocar-nos como centro ou deixando que os outros nos endeusem. O que nos mata é a preguiça em amar e fazer o bem.
       Mata Jesus a prepotência, a corrupção, a idolatria, a intolerância.
       Morremos, não quando o coração falha ou o cérebro se desliga, mas quando deixamos de amar, quando deixamos de sentir a vida, o apelo dos outros, quando somos indiferentes ao sofrimento e necessidades dos irmãos.
       É na Cruz que Jesus é morto, mas nem a Cruz O impede de nos encontrar. Jesus não dá as costas à Cruz, enfrenta-a, carrega-a, mas não foge. Ressuscitado, traz na Sua carne, na Sua vida, as marcas da crucifixão. Vede as minhas mãos e o meu lado, Sou Eu, não temais. E de forma ainda mais incisiva a Tomé: vê, toca, as minhas chagas, Sou Eu, não é um fantasma ou um espírito.
       Poderíamos dizer, em contraponto, que não é a Cruz que nos salva, mas o amor de Jesus. Somos salvos por uma Cruz, mas não por uma cruz qualquer ou a cruz enquanto instrumento de tortura e de matança, mas por Aquele que leva o amor até às últimas consequências, até ao limite, enfrentando a injúria, os escarros e o escárnio, a flagelação e a morte cruenta na Cruz.
       O cristão não vive sem a Cruz. Sem a Cruz não existe Igreja, não existem cristãos. Mas, em definito, quem nos salva é Jesus que morreu na Cruz. Quem nos salva é Jesus que volta à vida. Não é a cruz mas a ressurreição que ilumina o nosso caminho para Deus. A cruz é memória e promessa. Recorda-nos o imenso amor de Deus por nós manifestado em Jesus Cristo. É promessa que desemboca na Ressurreição. Aquele que vimos esmagado pelo sofrimento, agredido violentamente, obrigado a carregar o travessão da cruz, exausto pelas vergastadas e pela perda de sangue, voltou à vida. Deus Pai, a Quem Se confiou, não O desapontou, ressuscitou-O. Ele vive e está no meio de nós.
       E de volta à vida, com as marcas da Paixão, Jesus carrega a mesma mensagem, enviando-nos: ide e anuncia o Evangelho a toda a criatura, curai os doentes, expulsai os demónios, comunicai a paz e a esperança, testemunhai o amor e a fidelidade de Deus, até ao fim do mundo.

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4409, de 25 de abril de 2017

E se eles vêm da parte de Deus?!

       O tempo de Páscoa mostra como um grupo de pessoas - simples, com defeitos e limitações, hesitantes umas vezes, intempestivos outras, ora ignorantes ora ambiciosos, prontos para seguir Jesus e logo fogem com medo dos judeus - fizeram chegar o Evangelho a todo o mundo e ao século XXI, até nós. Com a Ressurreição e as aparições do Ressuscitado tornam-se corajosos, afoitos, sabendo que o Espírito de Deus os ampara e protege, sabendo também que não terão um tratamento mais leve do que teve o Mestre.
        Levantou-se um homem no Sinédrio, um fariseu chamado Gamaliel, doutor da Lei venerado por todo o povo, e mandou sair os Apóstolos por uns momentos. Depois disse: «Israelitas, tende cuidado com o que ides fazer a estes homens. Há tempos, apareceu Teudas, que dizia ser alguém, e seguiram-no cerca de quatrocentos homens. Ele foi liquidado e todos os seus partidários foram destroçados e reduzidos a nada. Depois dele, nos dias do recenseamento, apareceu Judas, o Galileu, que arrastou o povo atrás de si. Também ele pereceu e todos os seus partidários foram dispersos. Agora vou dar-vos um conselho: Não vos metais com estes homens: deixai-os. Porque se esta iniciativa, ou esta obra, vem dos homens, acabará por si mesma. Mas se vem de Deus, não podereis destuí-la e correis o risco de lutar contra Deus». Eles aceitaram o seu conselho. Chamaram de novo os Apóstolos à sua presença e, depois de os terem mandado açoitar, proibiram-nos falar no nome de Jesus e soltaram-nos. Os Apóstolos saíram da presença do Sinédrio cheios de alegria, por terem merecido serem ultrajados por causa do nome de Jesus. E todos os dias, no templo e nas casas, não cessavam de ensinar e anunciar a boa nova de que Jesus era o Messias (Atos 5, 34-42).
     
       Os apóstolos cumprem a missão de anunciar Jesus Cristo, crucificado e ressuscitado, em todas as ocasiões, no templo, na sinagoga, em casas particulares. Como em relação a Jesus, também em relação aos discípulos cedo se levanta a perseguição por parte das autoridades do Templo, pelos chefes do povo, se bem que surja sempre alguém a professar a fé em Jesus e depois nos apóstolos, ou pelo menos, a usar de tolerância. Nicodemos, um dos chefes dos judeus, aderiu a Jesus. José de Arimateia não se acomodou e deu a cara por Jesus ao emprestar-lhe o túmulo. Hoje, Gamaliel, convida os seus pares a usar de sabedoria, de bom senso: se a obra for humana morrerá por si mesma, como aconteceu em muitas situações no passado, mas se for de Deus não poderá ser destruída e estarão a lutar contra Deus.
       O discernimento de Gamaliel, doutor da Lei, é uma preciosa ajuda diante das dificuldades e das dúvidas e deixa-nos um desafio importante: quando não soubermos o que vem de Deus, o melhor é dar o benefício da dúvida, ou como nos diz Jesus, numa das parábolas, há que deixar crescer juntamente o trigo e o joio, até à hora da ceifa, para que não se destruam os dois com a desculpa de que se procura eliminar o joio...
       Ainda que seguindo as palavras de Gamaliel, as autoridades mandam açoitar os Apóstolos e proíbem-nos de ensinar.
       Por sua vez, os Apóstolos saem da presença das autoridades cheios de alegria por terem dado testemunho de Jesus na adversidade.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Paróquia de Tabuaço: Semana Santa 2017

       A vivência da Semana Santa, a Maior da liturgia da Igreja, na medida em que se comemora, se celebra, se atualiza o mistério maior da fé cristã, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo, tem uma importância significativa nas diferentes comunidades paroquiais e religiosas. A Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Tabuaço não é exceção, procurando, de ano para ano, envolver toda a comunidade, com a preciosa generosidades dos grupos paroquiais, disponibilizando tempo, recursos e boa vontade.


       A Semana Santa inicia com o Domingo de Ramos na Paixão do Senhor, este ano a 9 de abril. Pela manhã a bênção de Ramos na Capela de Santa Bárbara, prosseguindo em Procissão para a Igreja Matriz, onde se celebrou a Eucaristia, com a Leitura da Paixão do Senhor. À noite, pelas 21h00, no Adro da Igreja Matriz, a Via-Sacra paroquial, com preponderante participação e empenho da catequese, crianças e catequistas, e com o Grupo de Jovens, envolvendo diretamente o Grupo Coral e dos membros do Conselho Económico na logística e no som.
       O segundo momento importante e que vem a ser tradição, o Dia do Perdão, Dia da Adoração do Santíssimo Sacramento, solenemente exposto, assegurada pelos diversos grupos eclesiais e pela comunidade no seu conjunto. Com a Adoração do Santíssimo (em reserva na Capela de Santa Bárbara) durante o dia de sexta-feira, vivem-se aproximadamente as "24 Horas para o Senhor", iniciativa proposta pelo Papa Francisco e aqui transferida para o dia das Confissões comunitárias e para a sexta-feira santa.
       Chegámos ao Tríduo Pascal, com a celebração da Ceia do Senhor, em quinta-feira santa, comemorando a Instituição da Eucaristia e com a cerimónia do Lava-pés. No final, a trasladação do Santíssimo Sacramento para a Capela de Santa Bárbara.
       Na sexta-feira santa, a Adoração da Santa Cruz, com a Liturgia da Palavra em que se proclama o Evangelho da Paixão segundo São João. No final da celebração, e como em anos anteriores, a Procissão do Senhor Morto para a Capela de Santa Bárbara.
       O sábado Aleluia é o tempo de preparar a Igreja, os corações e a vida, a comunidade para a celebração festiva da Páscoa. A Vigília Pascal é um momento único de celebração, de fé e de devoção, com os diferentes momentos, a bênção do Lume Novo, a Liturgia da Palavra percorrendo toda a História da Salvação, a bênção da Água batismal, com o cantar das Ladainhas dos Santos, a Liturgia Eucaristia.
       O Domingo de Páscoa inicia cedo, pelas 8h00. Contando com uma vintena de pessoas, diretamente envolvidas, 4 gírios percorreram a Vila/Paróquia para anunciar de casa em casa a alegria da Ressurreição. A Visita Pascal conclui com a celebração da Missa solene de Páscoa e com a Procissão da Ressurreição.
       Algumas imagens das diferentes celebrações:
Para as outras fotos disponíveis, visite a Paróquia de Tabuaço no Facebook.