Mostrar mensagens com a etiqueta Pe. João Carlos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Pe. João Carlos. Mostrar todas as mensagens

sábado, 15 de abril de 2017

Túmulo e Lábios abertos - Reflexão do Pe. João Carlos

       Como as santas mulheres e os apóstolos corramos nós também ao sepulcro para vermos a pedra removida e o túmulo aberto que testemunham a ressurreição de Jesus. Hoje, como todas as manhãs, na Liturgia das Horas, nós pedimos: “Abri, Senhor, os meus lábios e a minha boca anunciará o vosso louvor”.
       O pedido que hoje fazemos vale para um dia de oito dias, toda a oitava da Páscoa, recordando-nos que este é um dia especial. Os nossos lábios abrem-se como a pedra removida do túmulo para dizer: “Cristo ressuscitou, Aleluia, Aleluia”, como eco ao canto de há oito dias atrás “Hosana, hosana, ó Filho de David”. Canto de louvor e de prece que, no Domingo de Ramos, invocava a salvação, promessa desejada no Filho de David e cumprida, duma forma jamais sonhada, no Filho de Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo, vencedor da morte e do pecado, Salvador da humanidade inteira.
       O louvor de hoje é, assim, necessariamente, mais prolongado e mais solene pela grandeza infinita do mistério pascal de Cristo que divide o tempo cronológico da História e o coração de cada homem que se deixa tocar e acolher pelo desejo salvífico de Jesus Redentor, a todos graciosamente oferecido.
       Abramos com a mesma emoção as portas das nossas igrejas e contemplemos os sinais do ressuscitado para louvarmos também com os olhos, os ouvidos e os demais sentidos a alegria que inunda o nosso coração. Entremos e vejamos:
– As toalhas alvas dos altares que nos recordam o lençol dobrado que guardou o corpo morto de Jesus;
– A água lustral com que a Igreja fará novos filhos no Filho, na administração fecunda do Batismo;
– A luz do Círio Pascal, lume novo para iluminar a terra inteira;
– As flores perfumadas que anunciam a primavera nova da Páscoa do Senhor;
– O incenso que se eleva para o alto transportando com o seu fumo o louvor da assembleia orante e jubilosa que se reúne em nome do Senhor, com a certeza da sua presença viva e sacramental, hoje e todos os dias até ao fim dos tempos.
       Escancaremos o coração à escuta da Palavra de Deus que nos dá as razões da nossa fé e da nossa esperança.
       Levemos essa notícia boa e bela pelas ruas e casas no compasso da visita pascal, transportando dentro de nós o anseio do salmista que diz com júbilo: «Hei de falar do vosso nome aos meus irmãos, hei -de louvá-lo no meio da assembleia».
       E quando o sol declinar e a noite chegar que os nossos lábios ainda continuem abertos para dizer: “Este é o dia que o Senhor fez, nele exultemos e nos alegremos!”

Pe. João Carlos Morgado

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Paróquia de Tabuaço: Reflexão para a Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus - Pe- João carlos

       Celebramos hoje a Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, e desde há 49 anos o Dia Mundial da Paz. Cada ano que começa é um tempo animado pela esperança onde se formulam desejos que são preces que exorcizam o que de menos bom aconteceu no ano que termina e imploram o que almejamos para o ano que começa. A paz é, talvez, o pedido coletivo mais comum.
       O lema escolhido pelo Papa Francisco, para este dia é: “Vence a indiferença, conquista a paz”, todo um programa que diz bem os caminhos a seguir e a evitar para alcançar este bem coletivo. A ausência da paz não resulta só da ação dos beligerantes mas também do silêncio dos pacíficos, que podem atolar-se no “lodaçal da indiferença, que é, talvez, a mais grave doença que afeta a humanidade deste tempo” como recorda D. António Couto, nosso bispo.
       A indiferença envenena, desde logo, as relações interpessoais. Quantas vezes a indiferença é a forma mais frequente de “matar” alguém na nossa vida. Frequentemente, sob a capa de uma “tolerância”, mal entendida, exercemos esta forma subtil de violência: este ou aquele irmão é-nos indiferente. Esquecemos as obras de misericórdia. Para não nos incomodarmos deixamos de fazer a correção fraterna ou suportar com paciência as fraquezas do próximo; paciência pró-ativa de quem dá suporte e respeita o ritmo da conversão do outro.
       A globalização da indiferença, afirma o Santo Padre, conduz a uma malsã autossuficiência do homem que o leva, não só a fechar-se ao irmão, mas também a Deus e à Criação. Colocados sob o lema do Jubileu da Misericórdia: “Misericordiosos como o Pai”, somos convidados a passar da indiferença à misericórdia através da conversão do coração que crie uma cultura da solidariedade e da compaixão. Num discurso a sacerdotes, a 3 de Setembro passado, o Papa Francisco advertia: “Por favor, que nas vossas comunidades nunca haja indiferença. Comportai-vos como homens. Se surgirem discussões ou diversidade de opiniões, não vos preocupeis, é melhor o calor da discussão que a frieza da indiferença, verdadeiro sepulcro da caridade fraterna”. Uma orientação útil para qualquer cristão e para todas as comunidades humanas e eclesiais. 
       Ao celebrarmos hoje a maternidade divina de Maria, voltamo-nos para Aquela que é modelo de abertura a Deus e aos irmãos. Ela é a antítese da indiferença. A sua grandeza vem-lhe toda de Deus e, por isso, ela canta “A minha alma glorifica ao Senhor, porque olhou para a sua humilde serva”. Esta atitude humilde de quem sabe que tudo é dom de Deus, fá-la viver em permanente estado de prontidão diante dos apelos Deus e das necessidades do próximo, leva-a a correr para junto de sua prima Isabel e a lembrar ao seu filho, nas bodas de Caná, que aqueles noivos não tinham vinho.
       Que a Senhora do caminho, da pressa e da visitação, nos cure da doença da indiferença e nos torne atentos às necessidades do irmão.

Pe. João Carlos Morgado
Pró Vigário Geral da Diocese de Lamego

sábado, 4 de abril de 2015

DOMINGO DE PÁSCOA - 5 de abril de 2015

Proposta de reflexão a distribuir pelos fiéis na Solenidade de Páscoa, na Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Tabuaço:

       1 – Hoje a nossa igreja está diferente. Depois do despojamento dos altares, da austeridade nas flores, do sacrário vazio… Agora temos os altares revestidos de toalhas brancas, a igreja perfumada com flores novas e frescas, o sacrário está cheio e iluminado, os sinos tocam festivamente desde ontem à noite…
       Esta profusão de elementos entram-nos pelos sentidos e anunciam, mesmo aos mais distraídos, que algo de novo acontece. Espantamo-nos maravilhados, como as mulheres que foram ao sepulcro e viram tantos sinais, que também lhes entraram pelos sentidos, de que algo novo tinha acontecido. Elas foram testemunhas da ressurreição de Jesus, nós somo-lo hoje.
       E aqui nas margens do Douro, neste “excesso da natureza”, como lhe chamava Miguel Torga, nós temos aberto outro livro que nos transmite a mesma mensagem. Diante de nós, e à nossa volta, temos as árvores floridas, num manto alvo, que nos anuncia um tempo novo, frutos e colheita nova. Árvores erguidas como a madeira da cruz de Cristo, onde o Filho de Deus foi elevado como primícias de uma humanidade nova. Por isso não temos por onde “fugir” a este grito da Vida Nova que nos é dada pela Ressurreição do Senhor. Dela nos fala o interior das nossas igrejas e a natureza que nos circunda.
       Conta-se que São Francisco de Assis, um dia, andava com uma ervinha na mão e com ela batia nos elementos da natureza que encontrava por onde passava e dizia “Não me faleis mais de Deus! Não me faleis mais de Deus….” ; tal era o clamor ensurdecedor da presença de Criador que ele sentia nas criaturas.

       2 – Corramos também nós como Pedro e João ao sepulcro e tal como Pedro deixemos passar João à frente, porque é este último que pode indicar o caminho, uma vez que foi ele e não Pedro, que seguiu o Senhor até à cruz. As mulheres também sabiam o caminho porque elas tinham corajosamente desafiado o medo e tinham seguido Jesus até ao calvário. Hoje nós também não nos enganaremos no caminho se caminharmos atrás da cruz. Arrumamos todos os sinais de sexta-feira, menos a cruz. Esta não a queremos arrumar porque ela é o sinal e o caminho que nos leva ao Ressuscitado.
       Para a receber abrimos hoje as portas das nossas casas, abramos também os nossos corações;
       Por causa dela pomos hoje a mesa, deixemos que Cristo seja nosso hóspede o ano todo e a vida inteira;
       Nela depositamos hoje o beijo do nosso afeto, manifestemos-lhe sempre a nossa ternura e unjamos com ela todos os nossos irmãos.
       Que belo é o nosso compasso quando o vivemos assim: olhando para a cruz onde o Filho do Homem uma vez levantado atrai todas as coisas a si.

       3 – E agora é tempo de ouvirmos o mandato do Senhor: “Ide…!”
       Abrimos as portas da igreja e das casas por fora, é tempo já de as abrimos também por dentro e deixarmos o Senhor sair. É tempo de irmos anunciar a grande nova aos nossos irmãos. Se formos atrás d’Ele não nos perderemos no caminho porque Ele nos precede sempre. Se formos discípulos como João e as santas mulheres abriremos o caminho, porque imitaremos o seu trajeto: seguiremos o Senhor sempre, até á Cruz e a partir da Cruz.
       Como recordava Santo Agostinho: "Se queres ser discípulo de Jesus tens de seguir atrás d’Ele e não quereres que Ele vá atrás de ti!"
       Neste dia que o Senhor fez, com o badalar festivo dos sinos, com o tilintar das campainhas do compasso, com as flores do campo, com o canto dos pássaros, com a nossa voz, com a cruz erguida a conduzir-nos, proclamemos alegremente: Cristo ressuscitou! Aleluia!

Pe. João Carlos
Pró Vigário Geral da Diocese de Lamego

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Solenidade de Todos os Santos - reflexão

       Celebramos hoje a festa dos habitantes da nova Jerusalém a cidade santa, imagem da Pátria Celeste, a nossa Pátria definitiva, aquela em função da qual nos movemos e existimos.
       O padre Américo, fundador da Obra da Rua, conhecida pelas suas casas do Gaiato dizia: “Ai de mim se aceitasse crianças na casa unicamente para lhes encher a barriga! Dar-lhes de comer é pretexto para educar; educação cívica, educação moral; educação religiosa. Há um segredo divino no meu palmilhar de cada dia que não me deixa cair no chão: eu desejo encontrar na Eternidade, sentados à direita do Pai celeste, todos aqueles garotos que me passam pelas mãos”. Dificilmente se encontrará imagem mais bela para traduzir o lema pastoral da nossa diocese para este ano: “Ide e fazei discípulos!” É para encaminhar para o Céu que a evangelização tem sentido.
       Do mesmo modo, São João Maria Vianney – o Santo Cura d'Ars – quando, no dia 9 de Fevereiro de 1818, pediu informações a um rapazito, Antoine Givre de seu nome, que encontrou pelo caminho e a quem, perdido no nevoeiro, procurou indicações sobre o itinerário a seguir para a paróquia de que ia tomar posse, respondeu: “Muito bem, meu amigo, tu mostraste-me o caminho para Ars, eu mostrar-te-ei o caminho para o Céu”. E assim foi. Durante toda a estadia em Ars a sua preocupação primeira era a santificação dos seus habitantes; de tal forma trabalhou que os frutos foram aparecendo e passados alguns anos ele dizia com santo orgulho: “Agora gosto de ir ao cemitério, é como um relicário”, de tal forma ele tinha assistido à morte edificante, depois de uma vida exemplar, de tantos dos seus paroquianos.
       Por tradição costumamos associar a Solenidade de Todos os Santos à Comemoração dos Fiéis Defuntos. E bem! Na solenidade de hoje nós recordamos todos os santos, os canonizados e os não canonizados e por isso vamos ao campo santo do cemitério para fazer memória agradecida desses bem-aventurados que conhecemos, que foram do nosso tempo, da nossa terra, porventura da nossa família e entramos como quem vai a um santuário para agradecer e pedir a intercessão dos que comtemplam já a face de Deus.
       Aos vermos glorificados estes filhos da Igreja, devemos recordar que nós temos a mesma mãe (a Igreja) e o mesmo Pai (Deus) e que a primeira preocupação da nossa vida deve ser procurarmos adquirir o direito à mesma cidadania. Se sabemos a direção, importa que não nos percamos no caminho. A santidade é o objectivo, a santificação o caminho. O Papa Francisco tem-nos recordado coisas elementares como o dizer “obrigado”, “pedir licença” e “pedir perdão”. É um resumo de virtudes pequenas que encerram um oceano de santidade. A santificação exercita-se nas pequenas coisas pois “quem não é fiel no pouco, também não é fiel no muito”.
       Cada dia, cada hora, cada gesto, cada mortificação, cada obra de misericórdia conta. É agora o tempo favorável, não teremos outro. Conhecemos a lei e os profetas, conhecemos Cristo e o Evangelho, é por aqui o caminho.
       Que o exemplo dos santos nos estimule e a sua intercessão nos auxilie a caminhar sempre com os olhos postos na Pátria Celeste. Amen! Aleluia!

Pe. João Carlos
Pró Vigário Geral da Diocese de Lamego

domingo, 9 de junho de 2013

Escola de Fé - Creio na Santa Igreja - Pe. João Carlos

       Procuramos responder à iniciativa do nosso Bispo, D. António, de formar nos Arciprestados, nas zonas pastorais e/ou nas paróquias, escolas de vivência da Fé, dedicando tempo e espaço à formação de adultos, ao aprofundamento da da fé, da mensagem de Jesus Cristo, num propósito que deverá ser de todas as dioceses do país, resultado também do pedido dos leigos aquando do inquérito sobre a pastoral da Igreja em Portugal.
       Na passada sexta-feira, 7 de junho, solenidade do Sagrado Coração de Jesus, tivemos entre nós o Pe. João Carlos para abordar mais um elemento do Credo, da nossa identidade cristã-católica. Desta feita, na Igreja Paroquial. O Pe. João Carlos, servindo-se de um diaporama sobre a Constituição Dogmática Lumen Gentium, exarado do Concílio Vaticano II, aprofundou o tema da Igreja, do compromisso eclesial de todos os cristãos, sublinhando o papel dos leigos, dentro e fora da Igreja, a abertura da igreja para outros credos, e para as realidades circundantes. Durante a reflexão foi deixando um testemunho pessoal da forma de viver a fé em diferentes realidades.
       Sobre a Igreja, a abertura da mesma para outras confissões religiosas e para outras religiões. Além disso, sublinhando também o lugar dos santos, a quem devemos chatear. A Igreja não os adora, mas se estão mais perto de Deus, também a sua intercessão está mais próxima. Olhando a partir das três portas que estão na fachada da Sé Catedral de Lamego, a concepção da Igreja "tripartida", porta de entrada no Céu, com os santos, porta da Igreja peregrina, por onde entramos e caminhamos, e a Igreja em purgatório.
       Algumas fotos de mais uma sessão da Escola de Fé:








Para outras fotos da Escola de Fé, visite a página:

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Reflexão para o NATAL de Jesus cristo

       Estamos novamente a viver a quadra natalícia. Esta recorda-nos que Deus não desiste do homem. A vinda de Jesus ao mundo é a expressão máxima da afirmação anterior. Deus criou o mundo e o homem, mas este afastou-se de Deus pelo pecado e assim feriu de forma grave a bondade inicial do ato criador de Deus.
       O pecado desfigurou a imagem divina do homem criado à imagem e semelhança de Deus. Mas Deus enviando o seu Filho ao mundo quis, pela sua Encarnação, assumir tudo o que é humano e pela sua paixão morte e ressurreição restaurar o que o pecado tinha destruído.
       É uma grande lição, esta, que nos vem do Natal: Deus não fez um mundo diferente, nem criou um homem novo; Ele veio para este mundo e para este homem para o transformar.
       Esta exemplaridade da Encarnação deve servir-nos como chave de leitura para a nossa vida, e para o nosso tempo: se Deus aposta em nós, como não havemos de apostar uns nos outros? O mundo mudou muito: fatores demográficos, sociais, culturais, migratórios e outros alteraram profundamente – e num espaço de tempo muito curto – a configuração social e eclesial das nossas comunidades. Mas aceitar esta realidade e trabalhar com ela é uma forma de fidelidade ao Evangelho.
       Por conseguinte, evitemos a tentação de fugir da realidade, de nos alienarmos ou de nos demitirmos dos sinais interpelantes do nosso tempo. Sobretudo evitemos a tentação de imaginarmos que tudo seria perfeito se a realidade fosse outra, se as pessoas fossem diferentes e se os recursos fossem inesgotáveis.
       A realidade é o que é, as pessoas são o que são e os recursos nunca serão suficientes se não tivermos prioridades bem definidas. Revisitando o Evangelho constamos que os tempos de Jesus não eram fáceis e eram, tal como hoje, mais difíceis para uns do que para outros. Mas é precisamente àqueles para quem a vida era mais dura que Deus se dirige em prioridade, basta pensar nos pobres pastores de Belém, os mais excluídos dos excluídos sociais da altura; foram esses que primeiro receberam o anúncio do nascimento do Salvador e os primeiros a comtemplar o rosto humano do Filho de Deus.
       Talvez seja mesmo necessário uma certa pobreza, pelo menos interior, para não nos deixarmos distrair por tanto barulho, tanto consumismo, tanta futilidade, tanta autossuficiência e tanto orgulho que nos encadeiam os olhos e nos impedem de ver a luz diáfana do Presépio.
       O Santo Padre Bento XVI no seu livro sobre a infância de Jesus afirma que o jumento e o boi do presépio representam a humanidade. Bela imagem esta, a dos animais que estão comtemplando o Menino sem se aperceberem do mistério de que eram testemunhas. Na mesma linha o nosso Bispo escreve:
Há dois mil anos Deus sonhou
E foi
Natal em Belém.
Sonha também.
Se o jumento corou
E o boi se ajoelhou,
Não deixes tu de orar também. 
          (D. António Couto, Estação de Natal, p. 37)

       Ajoelhemos nós também diante do Deus feito menino para nos ensinar a grandeza das coisas pequenas. Então, também hoje, será Natal!
P. João Carlos

sábado, 31 de dezembro de 2011

Santa Maria Mãe de Deus - Dia mundial da Paz

       1 - Hoje, neste domingo, ao começar um novo ano, reunimo-nos para celebrar o Filho de Deus feito homem. Fazemo-lo, contemplando-O nos braços de Maria, que no-l’O oferece, que nos convida a aproximar-nos d’Ele como fizeram os pastores em Belém.
       Com fé e com esperança, peçamos a Jesus, Príncipe da Paz, que o seu amor e a sua paz alcancem o mundo neste ano que hoje começamos.
       Desde há 45 anos que, por iniciativa do Papa Paulo VI, o primeiro dia do ano, dia da Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus, é celebrado como Dia Mundial da Paz. E como admirar-se desta escolha, se no fim da Ladainha de Nossa Senhora nós a invocamos como Rainha da Paz, coroando com esta invocação um dos bens maiores pelo qual anseia a humanidade!
        2 - O tema da mensagem de Bento XVI para este Dia Mundial da Paz é: Educar os Jovens para a Justiça e a Paz. O Santo Padre está convencido de que os jovens podem, com o seu entusiasmo e idealismo, oferecer uma nova esperança ao mundo. E é com esperança que o Papa afirma: “Com qual atitude devemos olhar para o novo ano? No Salmo 130, encontramos uma imagem muito bela. O salmista diz que o homem de fé aguarda pelo Senhor ‘mais do que as sentinelas pela aurora’ (v.6), aguarda por Ele com firme esperança, porque sabe que trará luz, misericórdia, salvação. Esta expectativa nasce da experiência do povo eleito, que reconhece ter sido educado por Deus a olhar o mundo na sua verdade sem se deixar abater pelas tribulações. Convido-vos a olhar o ano de 2012 com esta atitude confiante.”
       A mesma toada confiante nos é transmitida por D. António Couto, o nosso novo bispo, que iniciará o seu ministério episcopal na diocese no próximo dia 29: ”Com alegria e confiança de criança, levanto os meus olhos para os montes, para Aquele que guarda a minha vida, de noite e de dia, quando saio e quando entro, desde agora e para sempre! É com esta luminosa melodia do Salmo 121, que canto, neste dia, ao bom Deus, que sei bem que «tem sido o meu pastor desde que existo até hoje» (Génesis 48,15). D’Ele quero ser transparência pura, sempre, como Ele, pastor que visita, com um olhar repleto de bondade, beleza e maravilha, os seus filhos e filhas que Ele agora me confia. Enche sempre, Senhor, o meu olhar, mãos e coração com a tua presença bela e boa. Que, em mim, sejas sempre Tu a visitar o teu povo. É esta divina maneira de ver bem, belo e bom (episképtomai), que diz o bispo (epískopos) e a visita ou visitação pastoral (episkopê) (Lucas 1,78; 7,16; 19,44).” 
       Unamo-nos nos mesmos sentimentos aos nossos Pastores e enfrentemos o novo ano na confiança, na esperança e na paz.

       3 – A paz é dom de Deus, mas é também trabalho do homem. Deus não nos dispensa do nosso trabalho e a tarefa que Bento XVI que aponta é a aposta na educação. O Santo Padre lembra que educar – na sua etimologia latina “educere” - significa conduzir para fora de si mesmo ao encontro da realidade, rumo a uma felicidade que faz crescer a pessoa. E aponta lugares concretos para uma verdadeira educação para a paz e a justiça:
  • A família, já que os pais são os primeiros educadores e a família é a célula originária da humanidade;
  • Os responsáveis das instituições com tarefas educativas, que devem velar para que, em todas as circunstâncias, seja valorizada e respeitada a dignidade de cada pessoa;
  • Os responsáveis políticos, que devem ajudar as famílias e as instituições educativas a exercerem o seu direito - dever de educar;
  • O mundo dos media, para que não se limitem a informar mas também a formar na medida em que existe uma ligação estreitíssima entre educação e comunicação;
  • Também os jovens são convidados a fazer um uso bom e consciente da liberdade para serem responsáveis pela sua própria educação e formação para a justiça e a paz. 
        Aceitemos a missão que o sucessor de Pedro nos confia, com a mesma confiança e generosidade com que Nossa Senhora aceitou a interpelação do Anjo, que lhe permitiu ser a Mãe de Deus.

Pe. João Carlos,