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sábado, 8 de julho de 2017

Domingo XIV do Tempo Comum - ano A - 9.julho.2017

       1 – Só a humildade nos permite aprender, dialogar, partilhar, comungar a vida com os outros. Só a humildade nos permite apreciar a vida, agradecer os dons recebidos, cultivar os talentos a favor dos outros e em prol de uma sociedade renovada. Só a humildade nos permite ser pessoas, diante dos outros e, para quem tem fé, diante de Deus. Só a humildade nos enriquece, nos humaniza e nos aproxima dos outros. Só a humildade nos leva a reconhecer as falhas, a pedir perdão e a tentar corrigir os erros. Só a humildade nos capacita para compreendermos os outros, sermos tolerantes com as suas falhas e apreciadores das suas qualidades. Só a humildade nos leva a construir pontes e derrubar muros, a juntar as nossas energias às energias dos outros, procurando a paz e a justiça. Só a humildade nos coloca à escuta e nos predispõe a aprender sempre mais. Olhos e ouvidos abertos ao que nos rodeia, coração atento a outros corações.
       Humildade não é o mesmo que ingenuidade, ignorância, descuido ou o não querer-saber. Humildade não é renunciar a valores e convicções, não é aderir, sem mais, aos valores, ideias e projetos dos outros. Humildade não é abdicar da própria vida para viver a vida dos outros. Humildade não é achar que os outros são bons e eu sou mau, que os outros são capazes de tudo e eu não sou capaz de nada. Humildade não é autocomiseração, fazer-se de coitadinho/a para que todos reparem em mim e me apapariquem. Humildade não é cruzar os braços, não é encolher-se ou remeter-se ao seu canto para não incomodar ninguém.
       A humildade compromete-nos, abre o meu e o teu coração à vida e aos outros, leva-nos a sair do nosso egoísmo para, com os outros, formarmos família. A humildade faz-nos reconhecer que estamos a caminho, somos limitados, podemos crescer e aprender sempre mais e que os outros são uma oportunidade e não um estorvo. A humildade leva-nos a reconhecer que não somos deuses e que não sabemos tudo.
       A prepotência, a sobranceria, a arrogância, ao invés da humildade, afasta-nos dos outros, uma vez que nos coloca acima, à parte, num mundo virtual ou ideal, longe do alcance de todos. Sou tão bom que não preciso de ninguém, já aprendi tudo, já não existe nada que possa surpreender-me ou que possa enriquecer-me. Se alguma coisa corre mal, foram os outros que não estiveram à altura. Eu não falho. Numa palavra, sou o meu deus, pelo que não preciso de Deus, não existem em mim insuficiências, limitações, não existe caminho a percorrer, sou perfeito e acabado!
       2 – As palavras de Jesus começam por ser oração, mas são também desafio: «Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, Eu Te bendigo, porque assim foi do teu agrado».
       Na continuação, Jesus fala na mediação necessária: só o Pai conhece verdadeiramente o Filho e só o Filho conhece verdadeiramente o Pai e aquele a quem o Filho O revelar. Jesus revela o Pai e a Sua ternura pela humanidade, mas só um coração dócil, humilde, solidário será capaz de escutar, de acolher e de reconhecer a voz, a palavra e a vida de Deus. Voltamos ao ponto de partida: só a humildade nos predispõe para a fé, para a esperança, para o encontro com Deus e com os outros.
       Jesus há de estar ao centro, no meio, unindo, congregando. Depois da Sua morte e da ressurreição faz-Se presente, faz-Se ver, da mesma forma que durante a Sua vida pública, no cuidado e no serviço aos mais pobres. Ele coloca como referência as crianças e os pequeninos: «Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes» (Mt 25, 40). Na verdade, «se não voltardes a ser como as criancinhas, não podereis entrar no Reino do Céu. Quem, pois, se fizer humilde como este menino será o maior no Reino do Céu. Quem receber um menino como este, em Meu nome, é a Mim que recebe» (Mt 18, 3-5). Em certa ocasião trazem crianças para Jesus as abençoar e os discípulos, muito zelosos, tentam afastá-las. Então Jesus diz-lhes: «Deixai as crianças e não as impeçais de vir ter comigo, pois delas é o Reino do Céu (Mt 19, 14). Em verdade vos digo: quem não receber o Reino de Deus como um pequenino, não entrará nele» (Lc 18, 17).

       3 – Quase a abrir o evangelho de São João, o encontro e diálogo de Jesus com Nicodemos. Diz-lhe Jesus: «Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer do Alto não pode ver o Reino de Deus». Nicodemos contrapõe: «Como pode um homem nascer, sendo velho? Porventura poderá entrar no ventre de sua mãe outra vez, e nascer?» (Jo 3, 3-4).
       Na resposta, Jesus aponta a conversão, o deixar-se moldar pelo Espírito de Deus. A pequenez e a humildade, para se deixar iluminar pela Luz que vem de Deus.
       Nas bem-aventuranças, o mesmo registo: «Felizes os pobres em espírito...Felizes os mansos... Felizes os puros de coração... Felizes os pacificadores... porque deles é o Reino de Deus» (Mt 5, 3-10).
       Com a delicadeza, transparência, disponibilidade das crianças, mas na certeza de quem ninguém pode voltar a ser criança. Seria, além disso, doentio voltar à infantilidade. Diz São Paulo: «Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Mas, quando me tornei homem, deixei o que era próprio de criança» (1 Cor 13, 11). Não se trata então de voltar a ser criança, infantil, ingénuo, mas como criança, humilde, ávido de aprender e crescer, disponível para se admirar com a vida e com os dons dos outros, aberto às surpresas de Deus e a aceitar o que não se compreende totalmente, confiar, lançar-se nas mãos de Deus.
       Ser humilde dá muito mais trabalho do que ser arrogante, prepotente, sobranceiro. A humildade exige vigilância e cuidado, para não se ensoberbecer, treino diário para não se fechar no seu saber. A humildade exige uma conversão permanente, um esforço (da vontade) para se deixar vencer pela graça de Deus, pela força do amor, para se deixar preencher pelo Espírito de Cristo.
       4 – É a confiança que nos faz viver, viver bem e com qualidade. A confiança, como a humildade, não é ingenuidade, estupidez, mas capacidade de se entregar a Alguém que é confiável e apostar que, no final, apesar do caminho tortuoso, com altos e baixos, com opções que exigem renúncias e sacrifícios, nada terá sido em vão, porque vivemos, gastamos a vida por amor, e a vida não desaparecerá para sempre: será plenizada em Deus.
       Impressiona ver uma criança lançar-se nos braços da mãe ou do pai. Assusta-nos ver que pode cair! Como é que se atira com tanta facilidade? Basta o olhar materno/paterno, um sorriso, um gesto e a criança deixa-se cair, atira-se, entrega-se, porque sabe, porque acredita e, mais, porque confia. Vale a pena recuperar uma pequena estória que escutámos ao Pe. Joaquim Dionísio na pregação da novena da Imaculada Conceição:
       Um malabarista chegou a uma aldeia. Na praça onde as pessoas se juntaram, atou a ponta de uma corda a um poste, num dos lados da praça, e a outra ponta da corda noutro poste do outro lado da praça. Perguntou: quem acredita que eu passo de uma lado para o outro sem cair? Se caísse corria o sério risco de morrer, tal era a altura a que estava colocada a corda. Todos responderem que acreditavam. E passou para o outro lado. Voltou a perguntar se acreditariam se regressaria em segurança ao ponto inicial. Todos responderam que acreditavam. Depois pegou numa vara e pergunta idêntica responderam que acreditavam, e também no regresso ao ponto inicial. Pegou numa carreta, colocou-a sobre a corda e perguntou quem acreditava que ele passasse de um para outro lado. Todos disseram que sim. E ele mais uma vez passou em segurança. Quando chegou ao outro lado, perguntou quem queria colocar-se na carreta para ir para o outro lado. Ninguém se ofereceu. A não ser o filho. Acreditavam nele e nos seus feitos, mas não confiavam. Por vezes temos de confiar. Confiar em Deus. Confiar como crianças, confiar como filhos!
       É o convite de Jesus: «Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e a minha carga é leve».

       5 – Na primeira leitura anuncia-se a alegria pela proximidade da salvação. «Exulta de alegria, filha de Sião, solta brados de júbilo, filha de Jerusalém. Eis o teu Rei, justo e salvador, que vem ao teu encontro, humildemente montado num jumentinho, filho duma jumenta... Anunciará a paz às nações».
       O Messias que está para vir vencerá, não pela violência, mas pela força do amor. Cristo Jesus, o Messias que vem de Deus, mostra-nos que o caminho para regressar a Deus é feito de delicadeza, de amor, de compaixão, é tecido de perdão e de serviço, de ternura e de misericórdia.
       Foi assim com Ele, será assim connosco, seus discípulos e suas testemunhas. Ele libertou-nos da ignomínia do pecado e da morte, pela Sua entrega, até ao fim, como cordeiro, inocente e imaculado, levado ao matadouro. Já não estamos sujeitos ao mal e às trevas. Coloquemo-nos sob o domínio do Espírito de Deus que nos habita. Se o Espírito de Deus habita em nós, então, diz-nos São Paulo, pertencemos a Cristo e se Lhe pertencemos caminhemos à Sua luz pelo caminho do bem, da verdade, da justiça e da paz.

Pe. Manuel Gonçalves



Textos para a Eucaristia (ano A): Zac 9, 9-10; Sal 144 (145); Rom 8, 9. 11-13; Mt 11, 25-30.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Paróquia de Tabuaço: Festa da Imaculada Conceição

       A Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, de Tabuaço, mais uma vez viveu a festa em honra da Sua Padroeira. A comunidade compareceu em força, como é habitual. Sendo a Madrinha dos Bombeiros Voluntários de Tabuaço, também uma presença sempre significativa dos membros desta Corporação, no transporte e guarda de honra ao Andor, e este ano com o regresso da Fanfarra, tornando ainda mais majestosa a celebração festiva.


       A Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Maria preenche a igreja, mas sobretudo o coração dos seus fiéis. Referência para Tabuaço, referência para o País, pois Ela é a Rainha e Padroeira de Portugal. Também a Santa Casa da Misericórdia de Tabuaço A tem como Padroeira.
       A Celebração da Eucaristia coroou esta festa, com a contribuição generosa do Grupo Coral de de quantas pessoas quiseram participar ativamente, pessoas e grupos paroquiais, que ajudam na celebração, preparam o espaço, zelam para que tudo esteja acolhedor para quem vem. Seguiu-se a Procissão, por algumas das ruas da Vila e Paróquia de Tabuaço, com a participação habitual da Banda de Música de Sendim. Na ordenação do trânsito e prestando guarda de honra a Guarda Nacional Republicana de Tabuaço, a quem agradecemos na pessoa do seu Comandante, a disponibilidade neste e em tantos dias ao longo de todo o ano.
        A pregação esteve a cargo do Pe. Joaquim Proença Dionísio, Reitor do Seminário Maior de Lamego e Diretor da Voz de Lamego, Jornal Diocesano, sublinhando, na homilia, o COLO de Maria, que da parte de Deus, nos acolhe, nos protege e nos aproxima de Deus.
        Ao longo de nove dias - NOVENA -, o Pe. Joaquim fez-nos caminhar com Nossa Senhora, como testemunha de fé, como exemplo do seguimento de Jesus e da vontade do Pai, como discípula e missionária, mostrando a Misericórdia de Deus, sintonizando-nos na confiança a Deus.
       Pode encontrar os resumos de cada dia nas seguintes hiperligações:

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Novena da Imaculada Conceição 2016 - nono dia

       Ao nono dia, o Pe. Joaquim Dionísio, Pregador da Novena e da Festa de Nossa Senhora da Conceição fixou-se na nossa condição de discípulos missionários.
       A Palavra de Deus revela-nos Deus, mas também nos revela a nós. Quem melhor nos fala de Deus é Jesus Cristo, pelas palavras e pelos gestos, pela sua postura. Para os judeus Deus era juiz, distante, pronto para castigar. Jesus revela um Deus bom, um Deus que é Pai. Se é Pai, ama-nos. Sempre. Não desiste de nós. Para os judeus, Deus deve ser tratado com respeito, com distância, com frieza, pode-Se zangar. Para Jesus, Deus é tão próximo que espera por nós. Sublinha-se sobretudo o amor, a misericórdia, a proximidade de Deus. Se é Pai, ama. Ama todos os filhos. Todos somos filhos. Diante de Deus somos todos iguais. Todos contamos.
       As palavras de Jesus são revolucionárias ao mostrar-nos que Deus confia em nós e também nós devemos confiar. Se confiamos, anunciámo-lo. A missão de Jesus é revelar-nos o Amor do Pai. Como Seus seguidores a nossa missão é segui-l'O e deixarmos transparecer, testemunhar, viver esse amor de Deus. Somos discípulos missionários. É essa a temática para este nono dia de novena.
       O Papa Francisco utiliza a expressão sem o "e" que ligava os discípulos e missionários, podendo entender-se que poderíamos ser uma coisa sem a outra. A expressão discípulos missionários sublinha de imediato que uma dimensão exige a outra. Não podemos ser discípulos sem nos tornarmos missionários. A Igreja é por natureza missionária, é a sua identidade, como sublinha um dos documentos do Vaticano II (1962-1965). O cristão, todo o batizado, parafraseando o concílio, é por natureza missionário. Ninguém está dispensado.
       Santa Teresa do Menino Jesus, que entrou para o Carmelo com 15 anos e morreu com 24 anos de idade, é a Padroeira das Missões, sem ter saído do convento, mas pelo seu grande amor à missão, pela preocupação de testemunhar Jesus em todos os ambientes. Também nós podemos ser missionários, em nossa casa, no trabalho, onde quer que nos encontremos. Como batizados somos discípulos do Senhor. Todos somos chamados. Não apenas os que são perfeitos. Se a Igreja fosse constituída apenas por pessoas perfeitas, então a igreja estaria vazio porque nenhum de nós estaria cá. Olhemos para os discípulos de Jesus: Judas que O vende por 30 moedas. Pedro que o nega por três vezes - não O conheço - quando tinha comido com Ele várias vezes. Tomé que só acredita se vir as Suas chagas.
       Também nós somos chamados, não por sermos bons, mas porque somos filhos e Ele nos ama como filhos.
       Somos discípulos missionários na oração, colocando-nos confiantes nas mãos de Deus. Não apenas fé, mas confiança. Por vezes acreditamos mas temos dificuldade em acreditar.
       Uma pequena história. Um malabarista chegou a uma aldeia, na praça onde as pessoas se juntaram, atou a ponta de uma corda a um poste, num dos lados da praça, e a outra ponta da corda noutro poste do outro lado da praça. Perguntou: quem acredita que eu passo de uma lado para o outro sem cair. Se caísse corria o sério risco de morrer, tal era a altura a que estava colocada a corda. Todos responderem que acreditavam. E passou para o outro lado. Voltou a perguntar se acreditariam se regressaria em segurança ao ponto inicial. Todos responderam que acreditavam. Depois pegou numa vara, e à mesma pergunta responderam que acreditavam, e também no regresso ao ponto inicial. Pegou numa carreta, colocando-a sobre a corda e perguntou quem acreditava que ele passasse de um para outro lado. Todos disseram que sim. E ele mais uma vez passou em segurança. Quando chegou ao outro lado, perguntou quem queria colocar-se na carreta para ir para o outro lado. Ninguém se ofereceu. A não ser o filho. Acreditavam nele e nos seus feitos, mas não confiaram. Por vezes temos de confiar. Confiar em Deus. Assumir a fé e ter confiança em Deus que é Pai e nos ama.
        Peçamos a Maria, a Virgem Imaculada que nos mostre o caminho do seguimento, do discipulado. Fazei o que Ele nos disser. Se A queremos honrar é fazendo o que Ela nos manda. E Ela remete-nos para Jesus. Ela mostra-nos o caminho a seguir, ajuda-nos nas dificuldades, mostra-nos a misericórdia de Deus em Quem podemos confiar.

Pe. Joaquim Dionísio: a Imaculada Conceição

Imaculada Conceição da Virgem Maria


       Vivemos hoje, dia 8 de dezembro, a festa em honra da Imaculada Conceição da Virgem Maria, padroeira principal do nosso país e desta paróquia de Tabuaço. Tal celebração, vivida nos primeiros dias do novo ano litúrgico e em pleno advento, recorda-nos o singular destino desta jovem judia escolhida por Deus, bem como o que poderá acontecer connosco se decidirmos viver em obediência a Deus.
       Para a fé cristã, Maria é indissociável do Menino que trouxe ao mundo, Jesus, em quem se manifestou plenamente o Deus vivo. Por isso, ela é chamada, desde o concílio de Éfeso (431), “Mãe de Deus”. E segundo a tradição católica, desde a proclamação do dogma, feita pelo Papa Pio IX (08/12/1854), Maria foi proclamada preservada do pecado original desde a sua concepção: “Declaramos que a doutrina que diz que Maria foi concebida sem pecado original é doutrina revelada por Deus e que a todos obriga a acreditá-la como dogma de fé”.
       Assim se afirma, defende e ensina que, para acolher o Filho de Deus, Maria não podia ter no coração nenhum traço de hesitação ou de recusa. Qual fruto antecipado do perdão oferecido por Jesus na cruz, Maria é a imaculada, preservada de todo o pecado e da separação de Deus que marca a humanidade desde os princípios, o pecado original.
       Diante de Maria, da sua disponibilidade e mediação, certamente nos sentimos admiradores e gratos, sabendo que estamos diante de uma criatura e que tudo nela é obra do Omnipotente, o mesmo Senhor da Vida que a todos quer salvar.
       Quem, como Maria, na espera do nascimento do filho, poderá mostrar à Igreja e a cada um de nós, como dispor o coração para o receber? Ela é a figura da discípula atenta, da espera ativa e da confiança total em Deus.

A caminho, com Maria!


       A novena preparatória desta festa foi mais uma oportunidade para contemplar aquela a que, familiarmente, nos habituámos a olhar e a invocar como Mãe. E lembrar Maria como mãe é contemplá-la como aquela cuja presença nos sossega e cuja ação nos dá confiança.
       Mas não basta admirar e agradecer a ação maternal e protetora de Maria; urge estar atento ao seu exemplo e disponível para acatar o seu convite:
  • contemplar a misericórdia de Deus. Deus não desiste de nenhum de nós e o Seu amor concede-nos alegria, esperança e alento para avançar, apesar dos limites assumidos;
  • disponibilidade para escutar e seguir. Deus concede-nos dons que se transformam em deveres para nós, na medida em que a melhor forma de os guardar é gastá-los. O comodismo perturba o seguimento e a obediência que importa protagonizar quando está em jogo a vontade de Deus e a nossa felicidade;
  • silêncio eficiente. Nem sempre o ruído ou o gozo são sinónimos de acção profícua ou de exemplo meritório. Mais do que proclamar bem alto a intenção de ser ou de fazer, têm muito mais valor a escolha e a acção acertadas. As palavras são dispensáveis quando os gestos falam por si.
  • escolher bem. Nem sempre as estradas mais largas levam às metas desejadas. O Senhor convida-nos para a felicidade, mas tal meta não se atinge com facilidade.
  • não desistir de caminhar. Por vezes, as dificuldades que a vida nos traz pode pôr à prova a nossa perseverança e a nossa fé; desistir surge como opção. Mas sabemos que não estamos sós e que o Senhor nos leva “ao colo”. Por outro lado, Jesus Cristo sempre nos disse que a meta não se alcança sem esforço.
Invocando a intercessão de Nossa Senhora da Conceição, pedimos e esperamos, com alegria e confiança, a bênção e as graças do Senhor que vem.

Pe. Joaquim Dionísio

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Novena da Imaculada Conceição 2016 - oitavo dia

       Deus revela-Se numa imagem tão simples e de fácil perceção. É jesus que nos mostra o Pai. É em Jesus que Deus melhor Se revela. A imagem do Bom Pastor. Tem 100 ovelhas, mas uma delas saiu do aprisco (cf. Mt 18, 12-14). Então o bom Pastor deixa as 99 nove ovelhas e vai em busca da que anda perdida. Para Deus todos contam, mas nenhum se perde no conjunto. Todos têm lugar. Cada pessoa.  
     Deus conhece-nos, ama-nos como filhos. Não desiste de nós. Lembremos a parábola do Filho Pródigo que evidencia a misericórdia daquele Pai, a misericórdia de Deus que é Pai. O filho apronta uma justificação. O Pai mal avista o filho à distância corre para o abraçar e nem o deixa terminar com as justificações.
       É aqui que podemos falar do Sacramento da Reconciliação, em vésperas da sua celebração dentro da Novena da Imaculada Conceição. Vamos então falar do Sacramento da Penitência. Foi desta forma que o Pe. Joaquim contextualizou a sua reflexão.
       Os Sacramentos são 7 e abarcam a vida da pessoa, desde o nascimento ao fim da sua vida histórica. Três deles só se celebram uma vez na vida, pois marcam a pessoa para sempre: o batismo, a confirmação e a ordem. O Sacramento da Reconciliação pode celebrar-se as vezes necessárias.
       Em primeiro lugar, sublinhar que os Sacramentos são um encontro festivo com o Senhor. Não recebo os sacramentos por superstição (vou receber um sacramento, porque me pode acontecer algo se não o receber). Os sacramentos não são mágicos. A graça de Deus atua em nós mas não anula da nossa natureza, a nossa vontade. Os sacramentos não são individualistas. Não é para mim, ou é o meu sacramento, mas da Igreja, de Cristo, configuram-nos a Cristo e inserem-nos na comunidade. Sublinha-se a dinâmica de encontro com o Senhor.
       Por outro lado, o Sacramento da Penitência, muitas vezes visto mais como um tribunal de penitência, do que um encontro libertador. Culpa da Igreja que acentuou uma dimensão mais acusatória. Na recente Carta Apostólica, Misericordia et Misera, o Papa relembra que os sacerdotes confessores não são juízes, não devem estar preocupados em saber coisas, curiosidades sobre os penitentes, devem acolher, escutar, aconselhar, comunicar a graça de Deus. É Deus quem perdoa.
       O Sacramento da Reconciliação e a dúvida acerca da misericórdia de Deus. Ora, relembrando novamente a parábola do Pai Misericordioso, o filho prepara uma desculpa que o justifique nos seus devaneios, o Pai faz festa pelo regresso do filho, faz festa por aquele que volta, como no caso da ovelha perdida.
       Outra dúvida: acerca de nós. Vou confessar-me mas vou voltar a fazer o mesmo. Devo confiar mais na graça de Deus. Deus não desiste de nós. Não desistamos nós também. Com a ajuda de Deus, com a Sua graça em mim vou conseguir corrigir este e aquele aspeto, pode não ser logo de uma vez, mas vou conseguir.
       Outro aspeto: não tenho pecados, não mato nem roubo... tenho a consciência limpa... se está limpa é porque não a uso. Todos somos pecadores. Posso não matar com uma faca ou pistola, mas posso matar os sonhos a uma pessoa, ou matar a sua honra quando digo mal dela. No sacramento da Penitência devo olhar mais para mim, fazer exame de consciência. Não vou confessar os pecados dos outros. Pequena história: o pai queixou-se ao filho que a mãe estava cada vez mais surda, não ouvia quase nada. O filho sugeriu ao pai uma experiência para verificar a que distância a mãe não ouvia. De longe o pai começou a perguntar à esposa, que estava na cozinha a preparar o jantar: Maria, o que vamos jantar hoje? E como não ouvisse a resposta foi-se aproximando, à entrada da cozinha, a dois metros, por detrás da esposa e finalmente tocou-lhe e perguntou de novo: Maria, o que temos para o jantar? Ó António já te respondi uma meia dúzia de vezes que eram batatas com frango! Às vezes só vemos o pecado nos outros.
       Que a Imaculada Conceição nos ilumine no desejo de nos aproximarmos do Senhor, com humildade e confiança, certos a benevolência de Deus.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Novena da Imaculada Conceição 2016 - sétimo dia

       Que bom é ter bons amigos. Como é bom ter amigos como este homem do evangelho (Lc 5, 17-26). Este homem está doente. Quatro (ou mais) amigos que não apenas estão ao pé dele, mas tudo fazem para que a sua situação possa melhorar. Pegam nele e levam-no a Jesus. Fazem-no descer pelo telhado. É uma questão de fé e de esperança. Fé e esperança andam ligadas. A fé colocada em Deus. Assim também a oração. Rezamos por que confiamos. Esperamos ser ouvidos. Claro que rezar não é só falar com Deus. Temos dois ouvidos e só uma boca. Então devemos escutar o dobro do que falamos. Levam-no à presença de Jesus que o cura.
       Como podemos levar os outros até Jesus? Em primeiro lugar pela oração. Oração que assenta na fé e na esperança. É o tema para este dia. Não podemos rezar se não tivermos fé. Rezamos porque acreditamos em Deus e acreditamos que Ele pode fazer o que Lhe pedimos. Senão não rezávamos. Intercedemos por alguém a Deus, porque acreditamos que Deus pode intervir. A vida sem fé, sem esperança, está arruinada. A esperança faz-nos caminhar. Tomamos um medicamento com a promessa que vamos melhorar...
       A oração ainda que por intercessão pelos outros, faz-nos bem a nós, pois dessa forma tomamos consciência que Deus está diante de nós, como Alguém que nos ama e em Quem podemos colocar a nossa confiança. A oração faz-nos escutar Deus. Como víamos, rezar não é apenas proferir palavras, recitar oração. É também escutar a nossa consciência, onde Deus nos fala.
       Oração e silêncio. Estar calado também é oração. Por vezes é mais importante fazer silêncio para ouvir Deus. Como Maria. Muitas vezes se diz que Maria guardava todas aquelas coisas no coração. Mais que falar a Deus, deixava que Deus Lhe falasse e guardava tudo no coração.
       Oração e humildade. Lembremos a parábola que Jesus contou sobre o fariseu e o publicano que subiram ao templo para rezar. O fariseu rezava - obrigado por não ser como aquele... Estava centrado em si mesmo, falando dos seus méritos, dispensando Deus. A soberba fecha-nos a Deus e aos outros. O publicano nem ousava olhar para o alto, para Deus, e com humildade dirigia o seu coração para a misericórdia de Deus e bem sabemos como atua a misericórdia de Deus. Por maior que seja o nosso pecado, maior é a misericórdia de Deus.
       Oração e ação. A oração não nos afasta dos outros. A oração compromete-nos. Próximos de Deus, próximos uns dos outros. Como aquele homem que rezava, rezava a Deus que lhe saísse a lotaria. Um dia Deus respondeu-lhe: pelo menos compra a cautela. Faz pela vida. Ou como o estudante que reza, mas não estuda. A oração não premeia a preguiça. Deus ajuda-nos quando nós fazemos por isso. Recebemos tantos dons! A oração faz-nos também tomar consciênca dos dons recebidos e da necessidade de os partilhar. Quando acordamos de manhã isso é um dom. É um verdadeiro milagre.
       Oração e santificação. A oração predispõe-nos à conversão. Aquele publicano saiu justificado, isto é, perdoado dos seus pecados. Não há santos sem passado, nem pecador sem futuro. Ou seja, os santos também caíram, mas souberam levantar-se e ir até ao fim, confiando na misericórdia de Deus. Os pecadores têm futuro porque estão a tempo de se converter e beneficiarem do perdão de Deus.
       Os santos são para nós um exemplo de caminho, de fé, de oração. O melhor exemplo é Maria. Confiou em Deus e entregou-Se totalmente à Sua vontade.
       O pregador, Pe. Joaquim Dionísio, terminou a sua reflexão convidado-nos a que sejamos estes bons amigos do Evangelho, prontos para levarmos outros a Jesus e a deixarmos que outros nos levem a Jesus.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Novena da Imaculada Conceição 2016 - sexto dia

       No sexto dia da Novena, caindo em Domingo, a Novena incluiu a recitação do Terço, a Exposição, Adoração e Bênção do Santíssimo. A pregação do Pe. Joaquim partiu de um texto de São João (5, 1-9), em que Jesus cura um paralíptico que estava à beira da piscina de Betzatá.
       Depois da proclamação deste texto, o Pregador relembrou o texto do Evangelho proclamado neste segundo Domingo de Advento e que fala de João Batista. Três notas acerca do Evangelho deste dia em relação a João Batista: um anúncio, um convite, uma ameça. Anúncio: O reino de Deus está a chegar. É uma Boa Notícia. É Evangelho.Um convite/desafio: Convertei-vos. A conversão é caminho que nos leva a Jesus.
       Um aviso, uma ameaça: a machado está posto à raiz, toda a árvore que não dá fruto é cortada e deitada ao lume. Daí a necessidade da conversão, a adesão ao anúncio, fazendo com que este anúncio nos leve ao compromisso com os outros.
       Por outro lado, a figura de Santa Faustina, que é a confidente de Jesus para a misericórdia e que estará em evidência na paróquia durante o mês de dezembro (Um santo Missionário por mês - iniciativa arciprestal). Ao longo do ano pastoral anterior, a vivência do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, convocado pelo Papa Francisco. E para quê um ano dedicado à misericórdia?
A ponte entre João Batista e Santa Faustina. Anúncio do Reino de Deus que está a chegar e desafio à conversão. Misericórdia divina em abundância, esbanjada a favor de todos. Era necessário um Jubileu da Misericórdia para que todos tivessem (e soubessem) acesso á misericórdia de Deus. Naquela piscina só podia entrar um doente de cada vez. Quando a água começa agitar-se, quem pode entra na piscina. Só se pode salvar um de cada vez. Solidários na doença, mas junto à piscina tornam-se adversários, há rivalidade a ver quem entra primeiro e se salva. Ora o Jubileu da Misericórdia lembra-nos que todos podemos ser salvos. Não importa se se chega antes ou no fim. Todos podem aceder à salvação, que é dom gratuito de Deus a todos.
       Sobre a Misericórdia três notas fundamentais. A misericórdia é dom de Deus. Deus é a Misericórdia que nos procede. Agimos com misericórdia porque antes Deus agiu desse modo connosco. A misericórdia é dom mas torna-se dever (1). Se recebemos de graça, de graça havemos de dar. Os dons só se preservam se forem gastos a favor dos outros. A misericórdia exige proximidade (2). Proximidade física, espiritual ou afetiva, mas proximidade. Lembremos a parábola do Bom Samaritano. O levita e o sacerdote cumprem a Lei, pensam em si mesmos... O que nos acontece se nos aproximarmos? Afastam-se, mantém-se à distância. Po sua vez, o samaritano pensa, não sem si, mas no que acontecerá se não se aproximar daquele homem? Aproxima-se. É válido também para nós, a distância afasta-nos dos outros, a proximidade redime, cura, salva-nos. 
       A misericórdia traduz-se, concretiza-se, pela compaixão (3). Não é ter pena do outro. Isso é diminuir o outro. Se temos pena, não o reconhecemos como igual, com a mesma dignidade. Podemos e devemos sentir compaixão. Esse é proceder de Deus para connosco, compadeceu-Se de nós, do nosso pecado, vindo ao nosso encontro.
       O Jubileu da Misericórdia foi/é importante para nos lembrar que esta piscina é para todos, venham antes ou depois, peçam perdão muitas vezes ou uma vez apenas, venham muitas vezes à Missa ou só no fim da vida. A Pedro, depois da negação, Jesus há de perguntar pelo amor: Pedro, Tu amas-Me? Não pergunta quantas línguas conhece, que capacidades tem, pergunta pelo amor. Amar é quanto basta. No dizer de Santo Agostinho, ama e faz o que quiseres. Amar é bom. Lembremos o amor das mães pelos filhos e quanto fazem para o bem dos filhos. "No entardecer da vida seremos julgados pelo amor" (São João da Cruz). Como nos lembra São Mateus no capítulo 25: tive fome e deste-me de comer, tive sede e deste-me de beber... a pergunta é pelo amor ou pela falta de amor, de compaixão. Conta-se a história de um rabino que interrogou os seus discípulos acerca do momento em que a noite dava lugar ao dia. As respostas são variadas e também as podemos dar: quando distinguimos formas, ou vemos os degraus, ou conseguimos ler um texto. Então o rabino responde-lhes: é dia quando encontras o outro e o reconheces como irmão.
       Com São João Batista, escutemos o anúncio, deixemos-nos desafiar à conversão e arrependimento e procuremos dar fruto, para sermos árvores que perduram para a vida eterna.
       Com Santa Faustina, abramo-nos à misericórdia de Deus, recebendo-a possamos partilhá-la com os outros.
       Nossa Senhora saibamos gastar-nos a favor dos outros como Ela Se gastou e continua a gastar a favor da humanidade. Os muitos dons que recebeu de Deus fê-los frutificar no serviço e cuidado da humanidade.

Novena da Imaculada Conceição 2016 - quinto dia

       O nosso pregador, o Pe. Joaquim Dionísio, tendo em contra a presença das crianças da catequese, utilizou uma metodologia mais dialógica, começando por perguntar o que ia surgir em frente ao altar. Relembramos que a Paróquia de Tabuaço está a participar na Caminhada do Advento-Natal para o Arciprestado de que faz parte. O projeto é ir construindo o Presépio, tendo como pano de funda a liturgia da palavra e a ligação ao Plano Pastoral da Diocese. O espaço escolhido foi em frente ao altar. A resposta não se fez esperar: vai ali aparecer Jesus, o Presépio. Mas ainda não está o Menino Jesus, sóno dia de Natal. Então que fazer? Esperamos. E Durante a espera? Comemos, dormimos, brincamos... E que mais podemos fazer enquanto esperamos?
       O Pe. Joaquim propôs então uma pequena história. Se temos que ir de viagem... o autocarro sairá pelas 9h00. Mas chego à paragem pelas oito horas? O que faço? Espero. E enquanto espero o que posso fazer. Podemos. Um menino chegou assim cedo, pegou na consola e pôs-se a jogar. Chegou outro e aproveitou para ler. Um outro ia olhando à sua volta. Viu então uma senhora de muita idade a atravessar a estrada, levantou.-se e foi ajudá-la.
       Enquanto esperamos podemos fazer várias coisas. Deveríamos fazer coisas positivas. É uma espera ativa. Como Maria. Enquanto Jesus não nasce, sabendo que a sua prima se encontra grávida vai ajudá-la. Podia ficar de braços cruzados, mas optou por sair e ir ao encontro.
       O Evangelho hoje falava de uma figura. Quem? João. João Batista? E o que ele fazia? Batizava. Por isso se chama João, o Batista. Ele anuncia e prepara a vinda de Jesus. Diz-nos o que fazer enquanto esperamos. É um homem esquisito, come gafanhotos e mel silvestre. Mas é um homem sério, coerente. Diz ao que vem. Diz o que tem a fazer. Mais vale ser antipático e ser verdadeiro, do que muito simpático e mentiroso. João prega a verdade, procura a verdade, denuncia as injustiças e a corrupção. Outro dos aspetos é a sua humildade. Ele poderia ter a fama que quisesse, mas prefere manter-se pequenino, aponta para o Messias.
       João prepara a vinda de Jesus. É a sua missão. Os pais e as catequistas hão de ser como João Batista, optando pela verdade, pela coerência, pela humildade. São os primeiros educadores dos filhos. Têm a missão de comunicar os valores e as referências, também a pertença e a inserção na comunidade crente. A fé aproxima-nos da comunidade, faz-nos participar da vida comunitária. A fé não isola, pelo contrário leva-me ao encontro do outro para atender às suas necessidades.
       Podemos esperar por Jesus de braços cruzados, a jogar ou a brincar, ou distraídos da vida. Ou podemos esperar ativamente, como Nossa Senhora, que soube que a sua prima Isabel estava grávida e não ficou em casa à espera que Jesus nascesse, foi ter com ela para a ajudar. Podemos muitas coisas enquanto esperamos, façamos coisas positivas.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Novena da Imaculada Conceição 2016 - quarto dia

       Neste quarto dia de novena, em honra de nossa Senhora da Conceição, o Pe Joaquim iniciou por lembrar o Dr. Manuel Gonçalves da Costa, reconhecido historiador da diocese, natural de Penude. Tinha tido uma intervenção na Academia Portuguesa de História e contou aos seus alunos no Seminário como tinha começado a sua intervenção: para Deus tudo é fácil, para o homem tudo é difícil. 
       Deus é todo poderoso, o homem é frágil. Deus é a Verdade, é Livre. Sabe tudo.
       O ser humano é limitado, fraqueja, os desencontros, a incompreensão. Como víamos ontem, as dificuldades manifestam-se a cada momento. A fé ajuda-nos a encontrar Jesus, a enfrentar as dificuldades, a abrir-nos para Deus, a compreender que Deus nos ama, e que não nos falha. A fé não elimina o mal, o sofrimento, mas dá-nos a esperança para nos erguemos, para caminhar, para procurarmos Jesus, como aqueles dois cegos do Evangelho. A fé permite-nos ver mais além do sofrimento.
       Aqueles dois cegos do evangelho (Mt 9, 27-31) somos nós. Podem não ser cegos físicos, pois eles seguem Jesus pelo caminho, Somos cegos quando deixamos de ver, já não vemos mais, estamos desorientados. Quando nos falta a esperança e já não conseguimos caminhar.
       Aqueles cegos já tinham ouvido falar de Jesus e por isso sentem-se impulsionados para recorrer a Jesus. Seguem-n'O no seu caminho e predispõe-se a mudar: Senhor, tende piedade de nós. Também pedimos ao Senhor que tenha compaixão de nós, que venha em nossa auxílio e nos salve. Para esta súplica é preciso a humildade, só na pequenez nos abre o coração para a grandeza da misericórdia de Deus. Deus cria-nos sem nós, mas não nos salva sem nós (Santo Agostinho). A fé é dom. Mas os dons são para gastar, para partilhar. A fé é dom, mas Deus conta connosco. Esper a nossa resposta.
       Outro dos aspetos do Evangelho, o encontro com Jesus dá-se na rua. Jesus podia curá-los ali, mas só quando entra em casa, na comunidade, é que fala com eles e os cura. É na comunidade que podemos encontrar Jesus. Por vezes procuramos Jesus onde Ele não está. Podemos encontrá-l'O na oração, na Palavra de Deus, pela qual nos fala, encontrámo-l'O sobretudo na comunidade, Igreja é a assembleia convocada por Ele, é na comunidade que nos apoiamos.
       Quando alguém diz "eu cá tenho a minha fé", é mentira. Pode ser uma conjunto de ideias, mas não é fé. A pessoa desculpa-se para fazer tudo à sua maneira. A fé congrega-nos, faz-nos comunidade, é em comunidade que Deus nos fala, é em comunidade que Deus nos cura.

Novena da Imaculada Conceição 2016 - terceiro dia

       Ao terceiro dia da Novena, o Pe. Joaquim Dionísio começou por evocar a figura de Santa Teresa de Jesus, ou Santa Teresa de Ávila, ao tempo em que se tornou reformadora do Carmelo. Procurava então viver santamente, estendendo o testemunho às irmãs e aos religiosos em que viviam nos diferentes conventos. Pelo caminho encontrava muitos obstáculos, era criticada, abertamente, contestada, acusada, com processos que lhe moveram, dentro da própria congregação.
       Decidiu queixar-se a Jesus: bem vês o bem que procuro fazer e o testemunho que quero dar de Ti e do Teu Evangelho, procuro viver com humildade e ser prestável a toda a gente, e no entanto não me deixam em paz. A reposta de Jesus: é assim que trato os meus amigos. Contra-resposta pronta de Santa Teresa: é por isso que tens tão poucos!
       A partir daqui o nosso Pregador, propôs-se refletir sobre a dificuldade de dar testemunho. Também nós nos queixamos ao Senhor, questionando-O sobre as dificuldades que temos de enfrentar, rezamos, vimos à Missa, confiamos n'Ele, praticamos o bem, e mesmo assim sofremos, somos colocados à prova, com injustiças, sofrimentos, incompreensões, doenças, solidão... Questionamos Deus.
       No dia de Páscoa, dois homens caminham tristes, desiludidos em direção a Emaús, vão a falar do que sucedeu com o Senhor, em Quem tinha depositado a sua confiança, pensando que Ele ia resolver os problemas, restaurar a paz e a glória de Israel. Ouviram-n'O entusiasmados, acompanharam-n'O para todo o lado, pensaram que ira ser um tempo de sucesso. Mas no fim, Aquele que seria o Messias esperado, foi preso, julgado e morto numa cruz. Tudo pareceu em vão.
       Entretanto um terceiro Homem vem ao encontro deles e começa a falar com eles, a explicar-lhes as Sagradas Escrituras, mostrando que tudo o aquilo que aconteceu tinha de acontecer para se manifestar a glória de Deus. Este terceiro homem é o Senhor. Acompanhou-os ao longo do caminho. Como vinha caindo a noite, convidaram-n'O para pernoitar em sua casa. Durante a refeição, ao partir do pão, isto é, a Eucaristia, revelou-lhes que a ressurreição, a vida, venceu a morte. A dúvida deu lugar à fé e à confiança. A tristeza deu lugar à alegria. O medo deu lugar à partilha, ao anúncio, ao testemunho.
       Também isto é construir sobre a rocha, no dizer do Evangelho deste dia (Mt 7, 21.24-27).
       Os discípulos de Emaús somos nós. A escuta da Palavra, a sua reflexão, permite aclarar dúvidas e interrogações. A escuta da Palavra de Deus e o vir à sua mesa. A dúvida permite perguntar. Como Santa Teresa de Jesus. Deus responde com a Sua Palavra, com os Seus dons.
       Por outro lado, Deus não força. Vem, coloca-Se perto, mas respeita o nosso ritmo, não empurra, não arrasta, não exclui.Caminha connosco. Está no meio. Importa que esteja no meio. Os discípulos de Emaús estavam tristes porque perderam Jesus de vista. Ele tem de estar visível, ser o centro. Como tem referido o Papa Francisco, a Igreja reflete Cristo, havendo o perigo da autorrefencialidade, da Igreja se anunciar a si mesma. Como a Lua, que não tendo luz própria, reflete a luz do Sol, assim a Igreja, assim os cristãos. Vamos ao Seu encontro, deixemo-nos encontrar por Ele, coloquemo-l'O no centro.
       No primeiro dia de Novena, refletimos sobre a alegria de ser cristão. No segundo, do testemunho, neste terceiro dia, da dificuldade em dar testemunho, quando a fé é testada pela vida, pelos dias de chuva e sofrimento.
       Samta Teresa sentiu essas dificuldades. Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe, a Imaculada Conceição, também viveu momentos de dúvida, questionando o Anjo, e tantos outros momentos em que tudo parecia correr contrário ao que seria expectável da parte de Deus. Mas confiou em Deus, deixou que a fé superasse a dúvida e que o medo desse lugar à confiança. Também assim é construir sobre a rocha, na oração, na escuta da Palavra de Deus, participando do Seu banquete.
       Por fim, outro aspeto... Terminou o Jubileu da Misericórdia. O Papa colocou em grande evidência a reflexão e sobretudo a prática das 14 obras de misercórdia, 7 corporais e 7 espirituais. O Pregador desafia a vivência de uma 15.ª Obra de Misericórdia: acordar os que estão a dormir. Acordarmos quem está a dormir e deixarmo-nos acordar quando adormecemos. Podemos ir a caminho de Emaús, mas deixemos que nos acordem para regressar e dar testemunho do Crucificado-Ressuscitado, como Santa Teresa, como Maria. Também isto é construir sobre a rocha.
       Por vezes a fé acaba, as famílias desfazem-se, a relação pais-filhos esmorece, porque alguém se ficou a dormir, descuidando-se de viver. Deus dá-nos dons. Qual a melhor maneira de os guardar? Pergunta feita pelo Pe. Joaquim. A melhor forma de guardar os dons é partilhá-los. Quanto mais gastarmos a vida, quanto mais vivermos, mais vida teremos...
       Também isto é construir sobre a rocha, para testemunhar Jesus. Ajuda-nos no caminho, Nossa Senhora da Conceição, intercedendo por nós, cuidando para que Jesus esteja no centro, incentivando-nos à escuta da Palavra que alimenta a nossa fé, que nos alimenta no caminho e nas dificuldades que vamos encontrando.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Novena da Imaculada Conceição 2016 - segundo dia

       O segundo dia da Novena da Imaculada Conceição coincide com a Festa do Apóstolo Santo André, pelo que também ele figura na celebração e na pregação.
        O Pe. Joaquim Dionísio começou por apresentar um homem que viveu há muitos anos. Um homem simples que começou a pregar e que muitas pessoas simples se aproximavam para escutar. A sua forma de falar faziam com que muitos deixassem os seus afazeres para o escutarem e para o seguir. Deixavam o trabalho, os campos, os amigos e escutavam-nos com prazer. Mas não apenas falava, com a o anúncio curava, restituía a vista aos cegos, aos coxos e paralíticos devolviam o movimento, elevava-os e não apenas fisicamente, mas também espiritualmente. E mais pessoas vinham para se encontrarem com Ele. A todos olhava com ternura. Anunciava o amor de Deus, agia com compaixão, perdoava, levantava os que andavam abatidos. Os que andavam cansados vinham ter com Ele. Os que estavam à beira do caminho, aqueles para quem ninguém olhava, ele vi-os e chamava-os. Sem se impor, propondo-se. Esse homem era Jesus. Hoje continua a falar-nos, a elevar-nos, a deixar que O sigamos.
        Alguns não gostavam nem das suas palavras nem do seu proceder. Prenderam-se, julgaram-no injustamente, mandaram-no crucificar. Os que estavam instalados sentiram-se ameaçados, apesar de Jesus anunciar a paz, a compaixão, o perdão. Passou fazendo o bem e Deus ressuscitou-O. Está no meio de nós. Vem ao nosso encontro. Antes da Ascensão, apareceu aos seus discípulos e disse-lhes: sois testemunhas de todas estas coisas. Das palavras cheias de esperança e dos gestos repletos de compaixão. Hoje somos nós as testemunhas destas coisas. Por isso viemos para nos encontrarmos com Jesus e O testemunharmos para que outros possam encontrá-l'O. Ser testemunha é presenciar e falar na hora certa do que viu e do que deve ser. Assim, teremos que ser testemunhas de Jesus. É a nossa identidade batismal, somos cristãos, para testemunhar o Cristo, o Filho de Deus, em toda a parte, em todos os nossos afazeres.
        Relembrando as palavras do Papa Paulo VI em Portugal, em 1967, o nosso tempo precisa, mais que Mestres precisa de testemunhas. Não de qualquer coisa, mas de Jesus. É Ele o centro, sempre. Nós passamos, Ele permanece. É por ele que estamos em novena, vimos à Missa, e por causa d'Ele que rezamos. Antes os cristãos dividiam-se em praticantes e não praticantes. Citando o nosso Bispo, o mundo de hoje precisa de cristãos que sejam mais que praticantes, sejam apaixonados por Jesus Cristo, para dessa forma O comunicarem com paixão, denunciando as injustiças, anunciando-O em todos os ambientes, respeitando os outros, propondo não impondo, mas intervindo. A fé comunica-se por atração (Bento XVI).
        Propomos Jesus em todos os momentos, não somos cristãos de pastelaria (Papa Francisco). Na pastelaria, tudo é doce. A vida tem as suas dificuldades, nestas precisamos de anunciar Jesus, pelo amor, onde tudo começa e tudo acaba.
        Santo André foi ao encontro de Jesus, deixou-se tocar pela Sua palavra e pela Sua compaixão. Segui-O, tornou-se testemunha, até derramar o sangue por Ele. Assim, Maria, que invocamos como Nossa Senhora da Conceição, também Ela foi testemunha, vivendo com paixão a sua fé, comunicando-a. Ainda hoje continua a interceder por nós, a testemunhar o amor de Deus, a apontar-nos para Jesus.
       Na parte final, o Pe. Joaquim utilizou uma estória. Um homem que foi convocado pelo Rei. Este homem ficou assustado e recorreu aos seus amigos. Tinha três amigos. O mais íntimo, o número 1, encontrava-se com ele todos os dias, a todas as horas, eram inseparáveis. Com amigo número 2 encontrava-se uma vez por semana e quando calhava. Ao amigo número três encontravam uma vez por mês, de longe a longe. Foi ter com o número um que lhe respondeu, nem pensar, pede-me tudo, menos isso. O número dois disse-lhe que o acompanhava mas ficaria à porta, não entraria. Foi então ter com o amigo número três que imediatamente se disponibilizou a acompanhá-lo à presença do Rei. O homem somos nós. O Rei é Deus. A convocação para ir à Sua presença é o momento da nossa morte. O amigo número um são as coisas que nos ocupam e preocupam, deixamo-las todas, nenhuma seguirá connosco. O amigo número dois são os nossos familiares e amigos, acompanham-nos, mas ficam à porta, do cemitério. O amigo número três é o bem que fazemos, acompanham-nos para a eternidade. Ser testemunha de Jesus é optar pelo amigo número três e colocá-lo em primeiro lugar. 

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Novena da Imaculada Conceição 2016 - Primeiro Dia

       A grande festa da comunidade paroquial é a festa da Sua Padroeira, a Imaculada Conceição, no dia 8 de dezembro. Ela é também a Madrinha dos Bombeiros, a Padroeira da Santa Casa da Misericórdia, e a referência de toda a paróquia e dos seus grupos.
       Antes da festa a preparação. Nove dias, uma novena, numa espécie de retiro aberto, com a celebração do Terço, com a celebração da Eucaristia e com a Pregação. Este ano a pregação está a cargo do Pe. Joaquim Dionísio, Reitor do Seminário Maior de Lamego, Diretor da Voz de Lamego.
       O Pregador, neste primeiro dia, começou por nos situar "onde estávamos"... em Tabuaço, na Igreja, na casa de Jesus? Estamos em nossa casa, disse. Em casa sentimo-nos bem. Não estamos a mais. De outros lados podemos ser enxotados, mas não de nossa casa. Vimos e sentimo-nos em casa. Sentimo-nos bem porque viemos a um encontro com Deus, que nos ama.
       O Pe. Joaquim continou a questionar: o que nos deixa felizes? Muitas respostas podíamos dar: estar em família, ter saúde, ter trabalho, viajar... Mas o mais importante é saber que alguém nos ama. Estejamos onde estivermos, se alguém gosta de nós, isso deixa-nos felizes. Claro que há dificuldades... A fé não nos livra dos problemas, mas dá-nos a esperança para não desistir.
       Começamos esta Novena como um encontro, em nossa casa, com Maria, em alegria. Saber que alguém gosta de nós, é motivo para estarmos contentes, como Jesus. "Jesus exultou de alegria pela ação do Espírito Santo...". A alegria de estarmos em casa e de nos sabermos amados. A alegria que queremos partilhar.
       Em novena para escutar. Há diferenças entre escutar e ouvir... ouvimos muitas coisas, escutar é com a consciência, com o coração como Maria, que Deus nos dá por Mãe. A NOVENA há de ser tempo de encontro, de escuta para obedecer. Como Maria, que escuta e se dispõe a fazer a vontade do Senhor: eis a serva. Fazer-se pequenino. "Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e aos inteligentes e as revelaste aos pequeninos" (Lc 10, 21-24). Fazer-se pequenino para crescer. Quem é grande não tem espaço para crescer. O pecado de Adão e Eva foi quererem ser como Deus ao ponto de O dispensar. Ser pequenino para escutar. Escutar para obedecer a Deus. Seguindo Maria que nos manda fazer tudo o que Jesus nos diz. É o nosso propósito ao iniciarmos esta novena, em casa, com Maria, num encontro com Alguém que nos ama, com Jesus, para experimentarmos a alegria.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Editorial da Voz de Lamego | SOCIEDADE do CANSAÇO