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terça-feira, 5 de junho de 2018

Paróquia de Tabuaço | Profissão de Fé | 2018

       No dia 20 de maio de 2018, Solenidade de Pentecostes, celebrou-se a Profissão de Fé na Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Tabuaço, dentro da solene Eucaristia de Domingo. 10 adolescentes, do 6.º Ano de Catequese, proclamaram a sua Fé em Deus Pai, Filho, Espírito Santo e na Santa Igreja Católica e em tudo o que o Evangelho anuncia e a comunidade propõe.
      Profissão de Fé do Artur António, do António Pedro, do Pedro Egger, do Miguel Silva, do João Manuel, da Matilde Silva, da Eva, da Carolina Martins, do Pedro Macedo, do João Gonçalves.
      Créditos: Diana e Maria Inês Silva | Paróquia de Tabuaço Música: Claudine Pinheiro - "Fica, Senhor".

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Paróquia de Tabuaço | Profissão de Fé | 2017

       A Profissão de Fé, festa do 6.º ano de catequese tem sido celebrada na Salinidade de Pentecostes, enriquecendo este dia. Este ano, caiu a 4 de junho de 2017. Professaram a sua fé, em festa, a Cláudia Feição, a Joana Filipa, o Fábio Alexandre, o Guilherme, o João Pedro, a Lara Sofia, o João Rafael, o Jorge Daniel, o João Miguel, a Adriana Filipa e a Rita Alexandra.



       A celebração iniciou na Capela de Santa Bárbara e prosseguiu na Igreja Matriz de Tabuaço. Alguns momentos mais sublinhados como o acender da Vela no Círio Pascal e o benzer-se (cada um) na Pia Batismal, evocando desta forma o Batismo, no qual pais e padrinhos assumiram, com a sua fé e pertença à Igreja, a missão de educar os filhos ou afilhados na fé da Igreja. À medida que vão crescendo, os filhos e afilhados vão assumindo, no desejo, nas palavras e na participação na vida da comunidade, a fé que os une à Igreja, aos outros cristãos, para integrarem e enriquecerem a família de Deus.

Algumas imagens da Profissão de Fé:


Outras fotos disponíveis: Paróquia de Tabuaço no Facebook

sábado, 17 de junho de 2017

VL – A manhã de Páscoa é (também) hoje - 2

       O mistério da morte e da ressurreição de Jesus faz-nos entrar na comunhão de Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo, inserindo-nos no Seu Corpo que é a Igreja. Ele a cabeça, nós os membros. Pelo batismo somos imersos na vida de Deus. Somos novas criaturas. Mergulhamos na Sua morte para ressuscitarmos com Ele. Hoje, como ontem, precisamos de viver ressuscitados e ressuscitar a cada instante na nossa identidade original: filhos de Deus, irmãos em Jesus Cristo.
       A sociedade do nosso tempo é altamente individualista. A cultura do "eu" está na mó de cima. Verificável também no meu grupo, partido, no clubismo, na ideologia. Imersos num mundo global, mas cujas referências e gostos nos comprometem, não com o diferente, mas com quem tem os mesmos gostos que nós. Nas redes sociais aderimos aos grupos afins e excluímos rapidamente quem pensa diferente. Eu e o meu grupo.
       O grupo dos apóstolos faz esta experiência até ao fim. De diferentes origens e com temperamentos diversos. João e André, filhos do trovão; Pedro, impulsivo; Judas Iscariotes tendencialmente revolucionário; Mateus, cobrador de impostos. Filipe letrado. Tão diferentes mas todos lutam por se colocar acima e disputar o lugar cimeiro na futura hierarquia do Reino de Deus. Como grupo fecha-se e impede que outras pessoas entrem. Afastam as crianças (cf. Mt 19, 13-15). Quando encontram um homem a pregar em nome de Jesus e a curar, proíbem-no: "ele não andam connosco" (cf. Mc 9, 38-41). A resposta de Jesus é clarificadora: deixai vir a mim as crianças, é delas o reino de Deus; não o proibais, quem não é contra nós é por nós.
       Olhamos a vida a partir da nossa janela. O outro vê-nos partir da sua janela. São olhares que não se anulam, não veem o mesmo, não são fundíveis. Duas linhas retas, paralelas, nunca se tocam. Também a nossa vida. O problema não está em sermos diferentes, o problema está em não nos aceitarmos diferentes, valorizando as diferenças que nos enriquecem, pois nos fazem ver, ouvir, saborear, saber outras realidades.
       Não é fácil deixarmos alguém entrar no nosso grupo. Não é fácil sentir-nos em casa num grupo que não é o nosso grupo de origem. Somos invasores, o grupo já existia quando chegamos. Quando chega alguém ao nosso grupo parece dividir a atenção que tínhamos uns com os outros, vem desestabilizar os equilíbrios que construímos ao longo do tempo.
       Jesus faz essa experiência com os apóstolos, não desistindo de nenhum, treinando-os para viver em lógica de serviço e de amor.

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4416, de 13 de junho de 2017

sexta-feira, 16 de junho de 2017

VL – A manhã de Páscoa é (também) hoje

       O acontecimento fundante do cristianismo é a Páscoa, a ressurreição de Jesus. Não é isolável de toda a Sua vida e do mistério da encarnação. A postura de Jesus ao longo do tempo que vive entre nós também ressuscita: a bondade, a delicadeza, a atenção aos mais frágeis, a convivência com os excluídos ou relegados para as periferias existenciais tais como crianças e mulheres, pecadores e publicanos, doentes e estrangeiros, pobres e escravos. Ressuscita com Jesus uma clara opção pelo amor preenchido de verdade e de doçura.
       Hoje também é dia de Páscoa, pois Jesus vive e está no meio de nós. Liturgicamente, o tempo da Páscoa encerrou com a solenidade de Pentecostes. Na Diocese de Lamego algumas paróquias seguiram a proposta do Plano Pastoral Diocesano, com a Caminhada Quaresma-Páscoa, acentuando em cada domingo um aspeto da liturgia da Palavra, sobretudo a partir do Evangelho, um gesto, um símbolo, um desafio, sempre sob lema “Ide e anunciai o Evangelho a toda a criatura”.
       A CRUZ foi o elemento constante, como expressão de entrega, de amor levado às últimas consequências. A cruz tem Jesus. Jesus leva-nos com a Sua cruz até ao calvário, mas não nos deixa aí, eleva-nos com Ele para a direita do Pai. No final da caminhada, a Cruz preenchida de vida, de colorido, de desafios – vida, ide, paz, amor, pão – e, no centro, Jesus.
      Uma certeza: quem não carrega a sua cruz não pode seguir Jesus. “A cruz de Jesus não é submissão ou resignação, mas um sinal do que supõe fazer frente ao mal… As contrariedades são normais… O sofrimento em si mesmo não é bom nem positivo, é uma parte da existência humana. Só é possível quando é vivido a partir do Amor. É o preço do Amor, do dar-se a si mesmo e isso leva consigo o sofrimento” (Pe. Ricardo, OP).
       Se em cada ano celebramos solenemente a Páscoa de Jesus, em cada domingo, a Páscoa semanal. Em cada Eucaristia, a ação do Espírito Santo torna presente a morte e a ressurreição de Jesus e a Sua presença atual e atuante no meio de nós, até ao fim dos tempos. A Eucaristia faz-nos celebrar a vida de Jesus e confiar-Lhe também a nossa, com os seus escolhos e com as suas esperanças. O desafio e o compromisso é que da Eucaristia nós transpareçamos Cristo Jesus vivo. Por conseguinte, é preciso viver hoje a Páscoa de Jesus, anunciando-O com os nossos gestos de bondade e com a mesma paixão de Jesus, gastando a vida a favor dos outros.

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4415, de 6 de junho de 2017

sábado, 3 de junho de 2017

Solenidade de Pentecostes - 4 de junho de 2017

       1 – «Se mandais o vosso espírito, retomam a vida e renovais a face da terra».
       Na resposta salmódica à palavra de Deus reconhecemos que só Ele é o Senhor da Vida, que a dá e a retoma, que no-la devolve. «Como são grandes, Senhor, as vossas obras! A terra está cheia das vossas criaturas. Se lhes tirais o alento, morrem e voltam ao pó donde vieram. Se mandais o vosso espírito, retomam a vida». É o Espírito do Senhor que nos dá a vida. É n'Ele que somos ressuscitados em Cristo Jesus. Surge, neste contexto, a oração de súplica: enviai/mandai o Vosso Espírito, renovai a face da Terra. Parafraseando o nosso Bispo, D. António Couto, na homilia do Crisma, em Tabuaço, é o Espírito de Deus que nos capacita, não para tornar o mundo melhor, mas para criar um mundo novo. Melhor do que o que está poderá ser ainda mau. É urgente criar um mundo novo, com o olhar cheio de Jesus, com o coração cheio do amor de Deus. A salvação já se deu, com a morte e ressurreição de Jesus. Cabe-nos transparecê-la, através das palavras e das obras, através do nosso compromisso sério uns com os outros, sob a dinâmica (ou, nas palavras de D. António, dinamite) do Espírito Santo.
       É esse o dinamismo com que Jesus, no primeiro dia da semana, primeiro dia da Nova Criação, Se apresenta vivo no meio dos discípulos e Lhes comunica a paz, dando-lhes o Espírito Santo: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos».
      O Espírito que recebemos é dinamismo que nos envia. A mensagem de Jesus é clara. A paz que Ele nos traz, a paz que nos dá, não é para nos adormecer, mas para nos comprometer. Recebei o Espírito e ide, perdoai. Como o Pai Me enviou também Eu vos envio a vós. Recebeste de graça, dai de graça.
       2 – «Se mandais o vosso espírito, retomam a vida e renovais a face da terra».
       O Espírito que nos renova, tornando-nos criaturas novas, envia-nos de imediato. Não é para amanhã. Não é para quando estivermos bem-dispostos. Não é para quando nos convém. Não é para quando as circunstâncias forem mais favoráveis. Não é para quando tivermos tempo e/ou disponibilidade. É para ontem. Hoje já é tarde. O Espírito Santo é fogo que arde em nós e nos preenche e nos provoca. A paz que Eu vos dou não é a paz do mundo, a paz que Eu vos dou há de inquietar-vos até que a todos chega a vida, chegue a paz, chegue a Boa Nova da salvação.
       No relato do Pentecostes, no livro dos Atos dos Apóstolos, o Espírito Santo inunda todo o espaço e sobretudo encharca de luz os Apóstolos. É um vento forte. São como que línguas de fogo que repousam em cada um deles. Todos ficam cheios do Espírito Santo. Não há portas nem janelas que impeçam a chegada de Jesus ao meio dos Seus discípulos; não há obstáculos que impeçam a inundação do Espírito Santo. Só nós, cada um de nós, pode impedir que Jesus continue vivo; só nós, cada um de nós, pode impedir que o Espírito Santo seja chama, fogo, luz, vida nova!
       Naquele dia, os apóstolos perderam o medo e a vergonha. O que é decisivo já não sou eu, já não és somente tu. O decisivo é a ação do Espírito Santo em mim que me faz portador da Boa Nova de Jesus. O decisivo passa a ser a responsabilidade e o compromisso que tenho para com os outros. De graça recebi para dar gratuitamente. Já. Aqui e agora. Como Jesus. Falando uma linguagem percetível a todos. Jesus faz-Se entender pela docilidade, pela compaixão, pela ternura; faz-Se compreender pela proximidade, pela delicadeza, pelo amor. É também essa a linguagem que nos aproxima uns dos outros, nos aproxima de Deus e nos leva ao encontro de todos.
       3 – «Se mandais o vosso espírito, retomam a vida e renovais a face da terra».
       O Espírito Santo irmana-nos, mas não nos anula. Aproxima-nos, mas não nos massifica. Identifica-nos como discípulos de Jesus, mas não nos uniformiza. Por um lado, é o Espírito Santo que verdadeiramente nos torna cristãos. Somos batizados na água e no Espírito. É Ele que nos garante a fé e a profissão da mesma. Sem Espírito Santo como perderíamos dizer que Jesus é o Messias, o Filho de Deus?
       Por outro, dá-nos a sabedoria e a fortaleza para nos colocarmos em atitude de saída e de serviço. Saindo de nós, para nos encontrarmos com os outros, fazendo comunidade e servindo-os de todo o coração. O primeiro serviço é precisamente o anúncio do Reino de Deus. Um anúncio que há de frutificar na caridade, reconhecendo que esta será sempre a referência para as palavras e para as obras. Não há pregação que não nos comprometa com a saúde, a alimentação, a habitação, a dignidade da pessoa humana concreta. Mas a caridade só será autêntica se não se fixar em nós mas apontar para Deus, para o Alto, apontar para Jesus, mesmo que essa orientação se fique num primeiro momento por esses gestos preenchidos de alegria, de confiança e de carinho.
       A fraternidade constrói-se com o contributo de cada um. Não nos diluímos, desaparecendo, uns nos outros, mas somos diante e com os outros. Temos por fundamento e modelo a Santíssima Trindade: Um só Deus em Três Pessoas, comunhão perfeita de vida e de amor. Com efeito, somos um só Corpo, pois recebemos um só Espírito, todos fomos batizados na morte e na ressurreição de Jesus Cristo.
       «Há diversidade de dons espirituais, mas o Espírito é o mesmo. Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo». É Deus que opera em nós e cada um recebe d'Ele os dons, não para seu benefício, para em prol do bem comum. O corpo é um todo constituído por diversos membros. Também nós em Cristo, judeus e gregos, portugueses e chineses, somos um só Corpo.
       4 – «Se mandais o vosso espírito, retomam a vida e renovais a face da terra».
       A oração é o ambiente natural do cristão. Assim é para Jesus. No meio da azáfama arranja tempo para estar com Deus a sós. A sua vida, pode dizer-se com segurança, é oração constante. Isso, porém, não O dispensa de Se retirar para orar, por vezes passando a noite em oração. Os Seus discípulos, para que a sintonia e a sincronização com a vontade de Deus seja permanente, terão de O imitar, dando prioridade à oração. Esta, em nenhuma situação tira tempo para o serviço e o cuidado aos outros.
       «Deus do universo, que no mistério do Pentecostes santificais a Igreja dispersa entre todos os povos e nações, derramai sobre a terra os dons do Espírito Santo, de modo que também hoje se renovem nos corações dos fiéis os prodígios realizados nos primórdios da pregação do Evangelho».
       A oração da Eucaristia (hoje) faz-nos louvar a Deus pela santificação da Igreja presente nos povos de toda a terra, suplicando pelos Seus dons, para que em nós e através de nós as Suas maravilhas continuem a iluminar o mundo.

Pe. Manuel Gonçalves

Textos para a Eucaristia (ano A): Atos 2, 1-11; Sl 103; 1 Cor 12, 3b-7. 12-13; Jo 20, 19-23.

sábado, 21 de maio de 2016

Solenidade da Santíssima Trindade - C - 22.maio.2016

       1 – Em muitas situações da vida temos dificuldade em compreender, aceitar e acolher uma opinião diferente da nossa, uma forma de viver que nos é alheia, uma postura que temos como petulante e prepotente. Umas vezes com razão. Muitas vezes porque não demos tempo para que o outro explicasse. Não escutámos. Com pressa, adiantamo-nos a silenciamos outras opções, para não termos nem que refletir nem que escolher.
       Ao fim e ao cabo, todos somos tolerantes e compreensivos quando concordam connosco e/ou quando estimamos aqueles que se nos contrapõem. É conhecido o episódio em que os discípulos voltam para junto de Jesus, dizendo-Lhe, satisfeitos da vida, que proibiram um homem de expulsar espíritos impuros em Seu nome por não fazer parte do grupo (Mc 9, 38-40 ). Pouco depois Jesus dir-lhes-á que entre eles o serviço aos outros deve ser uma prioridade e um compromisso constante. As disputas para o primeiro lugar ficam reservadas para os chefes das nações, não para os Seus seguidores (cf. Mc 9, 30-37). E, por outro lado, o bem é sempre bem, venha de onde vier!
       Se olharmos para a política, para o desporto e até para a Igreja vemos com facilidade a tentação de excluir quem não concorda com as nossas ideias e com as nossas opções. Só o que vem da minha bancada, da minha janela, do meu grupo, do meu clube é que é positivo e defensável. Somos pouco trinitários, temos dificuldades ancestrais em aceitar e acolher o que não é familiar, por defesa, por medo, por insegurança e/ou por sobrevivência. Quando duas tribos se encontravam, lutavam pelo mesmo lugar, mediam forças e tentavam aniquilar-se mutuamente garantindo que não estariam sujeitas a novas ameaças. Cortava-se o mal pela raiz! Ou, estabelecem uma aliança de cooperação, garantida por casamentos mistos, envolvendo as famílias das duas tribos.
        Segundo o livro do Génesis, Deus criou-nos para vivermos como família, um só povo porque um só Deus e Pai de todos. O pecado – quando cada um encara o outro como adversário e como inimigo, o outro como impossibilidade para "eu" ser deus – gera conflitos, disputas, guerras, ruturas. Afastam-se os mais frágeis. Impõem-se os mais fortes. Pelo menos até certo ponto, pois os mais fracos podem preparar-se e fortalecer-se para se tornarem mais fortes e poderem voltar à luta.
       2 – A solenidade da Santíssima Trindade cria mais uma oportunidade para louvarmos o Deus que nos é revelado por Jesus Cristo, que O encarna, personificando-O no tempo e na história, mostrando-O (quem Me vê, vê o Pai), dando-lhe um rosto, um corpo, tornando-O visível. Em Jesus Cristo, vemos Deus. Nos seus gestos e palavras. Na Sua postura e nas Suas escolhas. Na Sua delicadeza e na Sua compaixão. Cumprido o tempo, Ele enviar-nos-á o Espírito Santo, para que continue a revelar-nos a misericórdia infinita do Pai e a suscitar em nós a docilidade para O acolhermos, vivendo-O e testemunhando-O em todo o mundo e em todo o tempo.
       Acompanhando Jesus, os discípulos veem e compreendem que para Deus não há excluídos. Na expressão do Papa Francisco, não há santos sem passado e sem pecado, e não há pecadores sem futuro, sem possibilidade de se arrependerem e mudarem de vida. Para Jesus, os pecadores, os excluídos do poder, da sociedade, da cultura, da religião, as pessoas doentes, os publicanos, os pequeninos, as prostitutas, as pessoas cujas profissões "menores" as afastam dos reinos deste mundo, têm preferência no Reino de Jesus, não por serem melhores mas precisamente porque são os primeiras a precisarem de ser socorridos. Os pais darão uma atenção privilegiada ao filho que está doente ou está mais frágil, não por desamor em relação aos outros, mas para que aquele volte à mesa e ao convívio. E isso é ser família, cuidar uns dos outros, a começar pelos mais frágeis. Sabemos bem como atravessamos a cultura do descarte (expressão do Papa Francisco)! Desafio: construir a cultura da proximidade, da inclusão, instaurando a civilização do amor e da vida, já preconizada por Paulo VI, acentuada por João Paulo II, clarificada por Bento XVI e globalizada por Francisco.
       3 – O Evangelho hoje proclamado coloca-nos nos últimos momentos da vida histórico-temporal de Jesus. A caminhada percorrida com os Seus discípulos já tem algum tempo. Amadureceram. Puderam ver Jesus, a Sua postura delicada, a atenção aos mais frágeis, a confiança que lhes comunicou a falar do Pai, o reino aberto a todos.
       Ao aproximar-se o final, Jesus sabe que ainda precisam de mais tempo, mas sobretudo precisam de se manter ligados ao Pai, pelo Espírito Santo. Se nos apoiarmos em nós, as nossas limitações e fraquezas virão ao de cima e facilmente podemos ensoberbecer-nos. Se nos deixarmos guiar pelo Espírito, Ele nos revelará a verdade, além das nossas debilidades e pecados. Somos vasos de barro, mas ainda assim Deus manifesta-Se em nós e através de nós. O Espírito de Deus faz-nos perceber da nossa grandeza, porque filhos de Deus, e da nossa dependência aos outros, porque irmãos; faz-nos acolher os outros como família e não como adversários e inimigos, mostrando-nos o caminho a percorrer e a distância que nos separa – e nos atrai – da misericórdia de Deus.
       Diz Jesus: «Tenho ainda muitas coisas para vos dizer, mas não as podeis compreender agora. Quando vier o Espírito da verdade, Ele vos guiará para a verdade plena; porque não falará de Si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará o que está para vir. Ele Me glorificará, porque receberá do que é meu e vo-lo anunciará. Tudo o que o Pai tem é meu. Por isso vos disse que Ele receberá do que é meu e vo-lo anunciará».
       O Espírito Santo nos revelará toda a verdade, recordar-nos-á as palavras de Jesus, palavras que nos geram para a vida eterna e nos comprometem com o reino de Deus, aqui e agora, neste mundo.
       4 – A economia da salvação traz-nos Deus. Como alguém dizia, não é preciso a chegada de Cristo ou do Papa Francisco, para chegar à humanidade a misericórdia de Deus. A Sagrada Escritura vai dando nota da presença benevolente de Deus na História. Pelos mensageiros, Patriarcas, Juízes, Profetas e Reis. Pelos acontecimentos que colocam à prova a fé e a firmeza do povo eleito.
       O livro dos Provérbios fala-nos da Sabedoria de Deus, que poderemos, seguindo a reflexão dos Padres da Igreja e com algumas cautelas, identificar com o próprio Jesus.
       A sabedoria de Deus apresenta-se: «O Senhor me criou... antes das suas obras mais antigas. Desde a eternidade fui formada, desde o princípio, antes das origens da terra. Antes de existirem os abismos e de brotarem as fontes das águas... antes de se implantarem as montanhas e as colinas... ainda o Senhor não tinha feito a terra e os campos, nem os primeiros elementos do mundo. Quando Ele consolidava os céus, eu estava presente; quando traçava sobre o abismo a linha do horizonte, quando condensava as nuvens nas alturas, quando fortalecia as fontes dos abismos, quando impunha ao mar os seus limites para que as águas não ultrapassassem o seu termo, quando lançava os fundamentos da terra, eu estava a seu lado como arquiteto, cheia de júbilo, dia após dia, deleitando-me continuamente na sua presença».
       Há páginas nos profetas que anunciam a vinda do Messias. Com efeito, ler o Antigo Testamento com a luz da Páscoa, que inclui o mistério da Encarnação, ajuda a perceber o encadeamento da história da Aliança de Deus com o Seu povo. Uma Aliança que não fica em banho-maria, mas tem um desfecho. Ao mesmo, lendo o Novo Testamento com os seus antecedentes, ajuda a perceber e acolher melhor todo o mistério de Deus que Se revela ao longo do tempo e em plenitude com a vinda de Jesus Cristo. Não é um momento, um rompante. Deus, desde sempre, cria-nos por amor, querendo-nos bem, vem salvar-nos. Toda a história da humanidade está imbuída da misericórdia complacente de Deus. 

       5 – Na segunda leitura, o Apóstolo São Paulo desafia-nos a confiarmos a nossa vida a Deus que é Pai e Filho e Espírito Santo, na certeza que não nos desiludiremos. Com efeito, fomos "justificados pela fé, estamos em paz com Deus, por Nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual temos acesso, na fé, a esta graça em que permanecemos e nos gloriamos, apoiados na esperança da glória de Deus. Mais ainda, gloriamo-nos nas nossas tribulações, porque sabemos que a tribulação produz a constância, a constância a virtude sólida, a virtude sólida a esperança. Ora a esperança não engana, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado".
       A esperança em Deus anima-nos nas tribulações e fortalece-nos no compromisso para construirmos um mundo mais fraterno, iniciando o reino de Deus que Jesus nos trouxe da eternidade, para a qual nos conduzirá. Há que converter as dificuldades em provações e oportunidades!
       Confiemo-nos nas mãos e no coração de Deus: "Deus Pai, que revelastes aos homens o vosso admirável mistério, enviando ao mundo a Palavra da verdade e o Espírito da santidade, concedei-nos que, na profissão da verdadeira fé, reconheçamos a glória da eterna Trindade e adoremos a Unidade na sua omnipotência" (oração de coleta).

Pe. Manuel Gonçalves


Textos para a Eucaristia (C): Prov 8, 22-31; Sl 8; Rom 5, 1-5; Jo 16, 12-15.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

A Páscoa de Jesus e o nosso compromisso batismal

       Liturgicamente, tendo celebrado a Ascensão do Senhor, vamos centrar-nos no Pentecostes, a dádiva do Espírito Santo. Com a plenitude da Páscoa, nasce a Igreja e os cristãos que a constituem. Doravante, Jesus tem outros olhos, outra voz, outras mãos, outros pés. Ele está vivo em nós e através de nós.
       As Suas últimas palavras são de despedida, de promessa, de esperança e de envio. Sintetizam o mistério pascal, comprometendo os discípulos. Doravante não poderão calar o que viram e ouviram: «Vós sois testemunhas destas coisas» (Lc 24, 48).
       Ao longo de três anos – a vida pública de Jesus –, os apóstolos foram testemunhas de um sonho, um projeto de vida, um desafio envolvente. O reino de Deus a emergir na pessoa de Jesus Cristo, nas Suas palavras e nos Seus gestos de compaixão e de proximidade, de delicadeza e de acolhimento. Uma mesa posta para todos. Um banquete para incluir, a começar pelos excluídos. Um reino de portas abertas, integrador, em que ninguém está a mais. Acompanham-n'O camponeses, pedintes, doentes, maltrapilhos. Não admira que Ele tenha o cheiro das ovelhas. Mais que um estilo (exterior) é um jeito de ser, um compromisso. A santidade de Jesus mistura-se com o (nosso) pecado, a divindade abaixa-Se para caminhar connosco e nos elevar.
       A Ascensão de Jesus e o dom do Espírito Santo leva-nos a sério. Não somos mais crianças de levar pela mão. O tempo de aprendizagem perdura a vida toda mas há um momento em que as aprendizagens e os instrumentos nos responsabilizam e nos é passada a bola. Cabe-nos prosseguir o caminho aberto por Jesus.
       Depois da Sua paixão, diz-nos São Lucas, Jesus apareceu vivo aos Seus discípulos, durante 40 dias (tempo necessário para iniciar e cimentar uma nova forma de se relacionarem com o Mestre), falando-lhes ainda e sempre do reino de Deus. Agora é tempo de descobrirem Jesus no mundo das pessoas e não ficar simplesmente à espera que do Céu venha a resolução de todas as dificuldades (cf. Atos 1, 1-11).
       Não apenas eles. Também nós. Quantas vezes ficamos à espera? De sinais! De respostas! De soluções! Por vezes deixamos o tempo passar a ver se tudo se resolve! Ou deixamos para ver se outros resolvem! Então do Céu a mesma voz: Por que esperais? Ele está convosco e através de vós continua a agir no mundo.
       Ele não nos faltará com a Sua presença e o Seu amor. Até ao fim!

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4362 , de 10 de maio de 2016

terça-feira, 17 de maio de 2016

Paróquia de Tabuaço | Festa do Credo | 2016

       No dia 15 de maio de 2016, solenidade de Pentecostes, a Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Tabuaço viveu mais uma festa da Catequese, a Festa do Credo. Nos últimos anos, esta solenidade tem sido valorizada com a festa da Profissão de Fé. Porém, este ano e infelizmente, não existe o 6.º Ano de Catequese, pelo que também não há lugar à Profissão de Fé. Credo e Profissão de Fé assemelham-se. Daí a opção por colocar a festa na Solenidade do Pentecostes, na certeza que só o Espírito Santo nos faz professar a fé em Deus que é Pai, criador do universo, que é Filho, que encarna para viver connosco, é morto e ressuscita, que Espírito Santo, que gera a vida e nos santifica, e na Igreja na qual Jesus vive e Se manifesta ao mundo.
       Os meninos do 5.º Ano, com as suas catequistas, apresentaram-se felizes e com vontade de festejar o Credo. Alguns momentos sublinhados: a oração de fiéis, evocando os dons do Espírito Santo, e a Profissão de Fé - Credo, envolvendo catequistas, sacerdote, pais, padrinhos/madrinhas de batismo e, claro, os catequizandos.
       Fotos desta festa, simples mas muito significativa, para os intervenientes diretos e suas famílias e para a comunidade paroquial:

Para outras fotos disponíveis, visitar a Paróquia de Tabuaço no Facebook

sábado, 14 de maio de 2016

Solenidade de Pentecostes - ano C - 15 . maio . 2016

       1 – A Páscoa é um acontecimento inaudito que altera a história para sempre. Não é um acontecimento materialmente comprovável (em si mesmo) mas é visível e real pelos frutos que gera. Apanha os apóstolos desprevenidos e apanha-nos entre dúvidas e questionamentos. É uma enxurrada de vida e de luz, que por vezes nos sossega e nos impele para o futuro e outras vezes nos assusta e nos retém no passado ou na fragilidade do momento. Com a ressurreição de Cristo, a vastidão do Céu abre-se para nós. Já não vivemos marcados pelas trevas, mas pela claridade, pela luz. Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida. Por Ele vamos ao Pai. É o Rosto e o Corpo e a Presença do Pai.
       Encarnou, viveu, foi morto, ressuscitou. Agora vive junto do Pai, mas com a mesma sacramentalidade de nos dar a eternidade e nos mostrar o Céu. Está presente de maneira nova, pelo Espírito Santo, que Ele envia de junto do Pai e nos dá em abundância. A Sua promessa cumpre-Se em plenitude com o Espírito Santo. Encarnação, Paixão, Páscoa, Ascensão e Pentecostes. Um único mistério de amor. Deus dá-Se totalmente. Ele que nos criou por amor, por amor nos redime.
       No primeiro dia da Semana, tempo novo, de graça e de salvação, de luz e de misericórdia, os apóstolos encontram-se atordoados, ainda inconsoláveis com os acontecimentos dos dias anteriores. O Mestre da Docilidade, que pregou a paz, a justiça, o amor, a inclusão, o perdão, a igualdade entre todos, a filiação comum, um reino para todos, foi preso, escarnecido, esbofeteado, chicoteado, crucificado como um malfeitor. Fica sem chão e sem pátria, Ele que Se abaixou na perfeição, ajoelhando e lavando-nos os pés. É levantado da terra, na Cruz, como escárnio. Que fazer? Como pôde ter acontecido? Não era Ele o Messias prometido? Como pôde Deus permitir tal atrocidade?
       Se foi assim com o Mestre do Amor, não se espera outro desfecho para os seus seguidores! Fogem. Escondem-se. Fecham-se em casa, com medo dos judeus. Naquela tarde, no PRIMEIRO DIA da Nova Criação, Jesus apresenta-Se vivo no MEIO deles. Com a mensagem de sempre: «A paz esteja convosco».
       2 – Para que as dúvidas sejam integradas na fé, Jesus mostra-lhes as mãos e o lado. Não é engano. Não é um fantasma ou um espírito que anda a vaguear. É o próprio Cristo. As marcas da paixão, aliás, as marcas do amor, da entrega, estão visíveis. Não há que enganar. É Cristo Jesus. Não é uma ilusão de ótica, ainda que a fé seja interior, espiritual. Jesus deixa-Se ver. Como prometera. Agora estais tristes, porque vou partir, mas logo regressarei e então a vossa alegria será completa.
       A mensagem ratifica os sinais: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Jesus cumpriu o tempo, preencheu o mundo com a misericórdia de Deus. Três anos intensos. Por campos e cidades. Ao encontro das pessoas. Com gestos e palavras convida todos para o Seu Reino de amor. Com a Sua morte, e previamente preparados, os discípulos assumem a mesma missão de viver e testemunhar o Reino de Deus, levando-o a toda a parte, a todas as pessoas.
       Mas não pensemos que ficam órfãos. Jesus di-lo com antecedência: enviar-vos-ei o Paráclito, o Espírito Santo, vou preparar-vos um lugar, para que onde Eu estou vós estejais também, porquanto não vos deixarei órfãos. O Espírito Santo revelar-vos-á toda a verdade, a verdade que vos transmiti.
       Jesus coloca-Se no MEIO, sopra sobre eles – NOVA CRIAÇÃO – e diz-lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos».
       O Espírito Santo é dado para partilhar a vida e os dons e todo o bem, nunca para reter. O que se guarda perde-se. Ganha-se o que se partilha. Só nos pertence o que damos.
       3 – São Lucas, tal como víamos na semana passada, desdobra o mistério pascal, temporal mas sobretudo espiritualmente. É um mistério tão grande que precisamos de tempo. Precisamos de rezar, meditando a grandeza da bondade de Deus que nos salva dando-nos Jesus, no tempo, e para sempre, dando-nos o Espírito Santo. Jesus vive na Palavra proclamada e vivida, vive nos Sacramentos, especialmente na Eucaristia, que nos deixou como memorial da Sua morte e ressurreição. O pão e o vinho, pela força do Espírito, convertem-se no Corpo e no Sangue de Jesus, alimentando-nos até à vida eterna. Vive por todo o bem que façamos. Vive quando acolhemos os que Ele acolheu, amou e serviu, os mais frágeis.
       A Ascensão torna claro que Jesus agirá nos e pelos Apóstolos. Agora são eles. Agora somos nós. Ficar especados a olhar para o Céu para que Deus resolva o que nos compete não nos insere no reino de Deus. Este constrói-se connosco, com os nossos talentos, com o nosso esforço. Melhor, com a mesma docilidade de Jesus, deixando que Deus Pai atue em nós pelo Seu Santo Espírito.
        Vejamos como é que o Pentecostes mudou para sempre a vida dos discípulos. A acentuação de Lucas não deixa espaço para demissão, para o medo ou para cruzar os braços. Os apóstolos estão encerrados em casa. Eis que "subitamente, fez-se ouvir, vindo do Céu, um rumor semelhante a forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam. Viram então aparecer uma espécie de línguas de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem".
       Com tamanha barulheira, percebe-se que outras pessoas acorram para ver o que se passa. Sublinha Lucas que eram "judeus piedosos, procedentes de todas as nações que há debaixo do céu". O Espírito Santo não se confina a um lugar ou a um grupo de pessoas. Se alguém se sente agraciado e se abre ao Espírito de Deus perceberá que é constituído missionário a favor de outros. Os Apóstolos são inundados com o fogo do Espírito e imediatamente se tornam o que são: Apóstolos de Jesus Cristo. Quem os ouve percebe-os. É a linguagem do Espírito, do amor, é a linguagem do bem e dos afetos. Todos percebem. Também nós percebemos e nos fazemos perceber se a linguagem é da escuta, do acolhimento e do serviço, da misericórdia, da bênção e do perdão.

       4 – A Páscoa envolve-nos no mistério de Deus. É dom e graça. Não depende de nós, vem de Deus e se de Deus nos vem então só Ele nos pode ensinar a acolher, a perceber e a viver.
       O Apóstolo São Paulo di-lo categoricamente: "Ninguém pode dizer «Jesus é o Senhor» a não ser pela ação do Espírito Santo". É o Espírito Santo que suscita a vocação e nos impele à missão evangelizadora. É do Espírito que recebemos os dons para nos dedicarmos uns aos outros e transformarmos o mundo, a começar pela família, pela comunidade, por aqueles que estão mesmo à nossa beira. Os apóstolos começaram de imediato a irradiar o Evangelho do Reino. Também nós fomos constituídos filhos e herdeiros para repartirmos a herança que recebemos de Cristo pelo Espírito Santo. De facto, diz São Paulo, "há diversidade de dons espirituais, mas o Espírito é o mesmo. Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. Há diversas operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. Em cada um se manifestam os dons do Espírito para o bem comum. Assim como o corpo é um só e tem muitos membros e todos os membros, apesar de numerosos, constituem um só corpo, assim também sucede com Cristo. Na verdade, todos nós – judeus e gregos, escravos e homens livres – fomos batizados num só Espírito, para constituirmos um só Corpo. E a todos nos foi dado a beber um único Espírito".
       Verdadeiramente nosso é o que partilhamos com os outros. Não existem dons que não sejam partilháveis. Pelo contrário, se não são para compartir não são dons. O que é dado é para ser ofertado. Nisto se reconhece a bondade e o amor de Deus que se manifesta nos dons que nos aproximam e nos irmanam.
       5 – O Espírito Santo conforma-nos na esperança e anima-nos nas tribulações. Promessa de Jesus: "Quando vos entregarem, não vos preocupeis nem como haveis de falar nem com o que haveis de dizer; nessa altura, vos será inspirado o que tiverdes de dizer. Não sereis vós a falar, mas o Espírito do vosso Pai é que falará por vós" (Mt 10, 19-20).
       A vida em Cristo, pelo Espírito Santo, sob a bênção do Pai, não nos garante uma vida anestesiada, sem dor e sem sabor. Jesus previne os seus discípulos, dizendo-lhes que se O perseguiram a Ele que é Mestre e Senhor, o mesmo farão aos seus seguidores. Vale a pena encaixar aqui algumas palavras do Papa Francisco sobre a dádiva do Espírito e a esperança a que somos chamados: «A esperança é um dom que Deus nos concede, se sairmos de nós mesmos e nos abrirmos a Ele. Esta esperança não dececiona porque o Espírito Santo foi infundido nos nossos corações. Não faz com que tudo apareça bonito, não elimina o mal com a varinha mágica, mas infunde a verdadeira força da vida».

Pe. Manuel Gonçalves



Textos para a Eucaristia (C): Atos 2, 1-11; Sl 103 (104); 1 Cor 12, 3b-7. 12-13; Jo 20, 19-23.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Pentecostes 2015 | Homilia do Papa Francisco


        «Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós (...) Recebei o Espírito Santo» (Jo 20, 21.22): diz-nos Jesus. A efusão do Espírito, que tivera lugar na tarde da Ressurreição, repete-se no dia de Pentecostes, corroborada por sinais visíveis extraordinários. Na tarde de Páscoa, Jesus aparece aos Apóstolos e sopra sobre eles o seu Espírito (cf. Jo 20, 22); na manhã de Pentecostes, a efusão acontece de forma estrondosa, como um vento que se abate impetuoso sobre a casa e irrompe na mente e no coração dos Apóstolos. Como resultado, recebem uma força tal que os impele a anunciar, nas diferentes línguas, o evento da Ressurreição de Cristo: «Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas» (Atos 2, 4). Juntamente com eles, estava Maria, a Mãe de Jesus, a primeira discípula, e ali se torna Mãe da Igreja nascente. Com a sua paz, com o seu sorriso, com a sua maternidade, acompanhava a alegria da jovem Esposa, a Igreja de Jesus.


      A palavra de Deus – especialmente neste dia – diz-nos que o Espírito age nas pessoas e comunidades que estão repletas d’Ele, fá-las capazes de receber Deus («capax Dei» – dizem os Santos Padres). E que faz o Espírito Santo por meio desta capacidade nova que nos dá? Guia para a verdade completa (Jo 16,13), renova a terra (Sal 103/104) e produz os seus frutos (Gal 5, 22-23). Guia, renova e dá frutos.
       No Evangelho, Jesus promete aos seus discípulos que, quando Ele tiver regressado ao Pai, virá o Espírito Santo que os «há-de guiar para a verdade completa» (Jo 16, 13). Chama-Lhe precisamente «Espírito da verdade», explicando que a sua ação será introduzi-los sempre mais na compreensão daquilo que Ele, o Messias, disse e fez, nomeadamente da sua morte e ressurreição. Aos Apóstolos, incapazes de suportar o escândalo da Paixão do seu Mestre, o Espírito dará uma nova chave de leitura para os introduzir na verdade e beleza do evento da Salvação. Estes homens, antes temerosos e bloqueados, fechados no Cenáculo para evitar repercussões da Sexta-feira Santa, já não se envergonharão de ser discípulos de Cristo, já não tremerão perante os tribunais humanos. Graças ao Espírito Santo, de que estão repletos, compreendem «a verdade completa», ou seja, que a morte de Jesus não é a sua derrota, mas a máxima expressão do amor de Deus; um amor que, na Ressurreição, vence a morte e exalta Jesus como o Vivente, o Senhor, o Redentor do homem, o Senhor da história e do mundo. E esta realidade, de que são testemunhas, torna-se a Boa Notícia que deve ser anunciada a todos.

       Depois o Espírito Santo renova – guia e renova – renova a terra. O Salmo diz: «Se envias o teu Espírito, (...) renovas a face da terra» (Sal 103/104, 30). A narração dos Actos dos Apóstolos sobre o nascimento da Igreja encontra uma significativa correspondência neste Salmo, que é um grande louvor de Deus Criador. O Espírito Santo, que Cristo enviou do Pai, e o Espírito que tudo vivifica são uma só e mesma pessoa. Por isso, o respeito pela criação é uma exigência da nossa fé: o «jardim» onde vivemos é-nos confiado, não para o explorarmos, mas para o cultivarmos e guardarmos com respeito (cf. Gn 2, 15). Mas isto só é possível, se Adão – o homem plasmado da terra – se deixar, por sua vez, renovar pelo Espírito Santo, se deixar re-plasmar pelo Pai segundo o modelo de Cristo, novo Adão. Então sim, renovados pelo Espírito, podemos viver a liberdade dos filhos em harmonia com toda a criação e, em cada criatura, podemos reconhecer um reflexo da glória do Criador, como se afirma noutro Salmo: «Ó Senhor, nosso Deus, como é admirável o teu nome em toda a terra!» (8, 2.10). Guia, renova e dá, dá fruto.
       Na Carta aos Gálatas, São Paulo quer mostrar qual é o «fruto» que se manifesta na vida daqueles que caminham segundo o Espírito (cf. 5, 22). Temos, duma parte, a «carne» com o cortejo dos seus vícios elencados pelo Apóstolo, que são as obras do homem egoísta, fechado à acção da graça de Deus; mas, doutra, há o homem que, com a fé, deixa irromper em si mesmo o Espírito de Deus e, nele, florescem os dons divinos, resumidos em nove radiosas virtudes que Paulo chama o «fruto do Espírito». Daí o apelo, repetido no início e no fim como um programa de vida: «caminhai no Espírito»(Gal 5, 16.25).
       O mundo tem necessidade de homens e mulheres que não estejam fechados, mas repletos de Espírito Santo. Para além de falta de liberdade, o fechamento ao Espírito Santo é também pecado. Há muitas maneiras de fechar-se ao Espírito Santo: no egoísmo do próprio benefício, no legalismo rígido – como a atitude dos doutores da lei que Jesus chama de hipócritas –, na falta de memória daquilo que Jesus ensinou, no viver a existência cristã não como serviço mas como interesse pessoal, e assim por diante. Ao contrário, o mundo necessita da coragem, da esperança, da fé e da perseverança dos discípulos de Cristo. O mundo precisa dos frutos, dos dons do Espírito Santo, como elenca São Paulo: «amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, autodomínio» (Gal 5, 22). O dom do Espírito Santo foi concedido em abundância à Igreja e a cada um de nós, para podermos viver com fé genuína e caridade operosa, para podermos espalhar as sementes da reconciliação e da paz. Fortalecidos pelo Espírito – que guia, guia-nos para a verdade, que nos renova a nós e à terra inteira, e que nos dá os frutos – fortalecidos no Espírito e por estes múltiplos dons, tornamo-nos capazes de lutar sem abdicações contra o pecado, de lutar sem abdicações contra a corrupção que dia a dia se vai estendendo sempre mais no mundo, e dedicar-nos, com paciente perseverança, às obras da justiça e da paz.

PAPA FRANCISCO
Basílica de São Pedro, 24 de maio de 2015

sábado, 23 de maio de 2015

Solenidade de Pentecostes - 24 de maio de 2015

       1 – «Enquanto a sociedade se torna mais globalizada, faz-nos vizinhos mas não nos faz irmãos» (Bento XVI, Caritas in Veritate). Nesta expressão do Papa Emérito constata-se que a globalização dos meios de comunicação social, o desenvolvimento das vias de comunicação, a evolução técnica e tecnológica, nos aproximou, vencendo barreiras geográficas, culturais, sociais, mas o excesso de comunicação e a fácil mobilidade não enriqueceu a relação entre as pessoas, não eliminou conflitos, intolerâncias ou a indiferença. Não basta ter os meios, é necessário ter vontade. Não basta estarmos lado a lado, é necessário que nos vejamos e nos reconheçamos como irmãos.
       Há excelentes meios técnicos, mas para se comunicar bem é preciso comunicar com o espírito, com alma, comunicando-nos, pondo nas palavras, nos gestos e nas obras o que somos, dando o melhor. Os melhores smartphones, tablets, a internet mais rápida, os meios sofisticados de imagem e de vídeo, não tornam as pessoas melhores ou mais comunicativas. Há pessoas que não despegam do telemóvel o dia inteiro e nem por isso têm uma vida social mais intensa e interessante e a interação com os outros deixa muito a desejar. Pessoas que facilmente acedem ao outro lado do mundo e entram em conversação com pessoas que não conhecem de lado nenhum e, em contrapartida, não têm amigos reais, têm grande dificuldade em se relacionar com os pais, com os irmãos, com as pessoas de carne e osso. Correr, saltar, brincar, ouvir música, ir a uma festa de amigos, fazer desporto, envolver-se em atividades culturais, desportivas, religiosas, conviver com os amigos dos pais, almoçar/jantar com os avós… pode tornar-se um pesadelo, pois há urgência em estar on-line, conectado a todos os amigos digitais…
       Hoje, solenidade do Pentecostes, Cristo dá-nos o Espírito Santo para que as nossas palavras não sejam vazias, para que as nossas palavras nos aproximem, nos levem aos outros e nos tragam os outros. Para que não fiquemos na eficácia da técnica, que é útil e necessária, mas cheguemos ao coração dos outros, com palavras que animem, deem esperança e vida.


       2 – Há uma linguagem para lá de todas as palavras e de todos os gestos, a linguagem do amor, da amizade, da compaixão, a linguagem dos afetos, da proximidade, do olhar penetrante, do sorriso que comunga e partilha a vida, do rosto que se identifica com o sofrimento alheio. Há uma linguagem de ternura que atrai e que é facilmente percetível por todos. É possível que nos entendamos, quando utilizamos a linguagem da verdade e do bem, uma linguagem com espírito, com vida, uma linguagem que serve para dar as mãos e unir esforços. Como família.
       Jesus confirma os Seus discípulos. Naquela tarde, primeiro dia da semana, Domingo de ressurreição e vida nova, Jesus ultrapassa as fronteiras das portas e das janelas do medo e da desconfiança, e coloca-Se no MEIO dos Seus discípulos. Não há barreiras para esta nova forma de estar. Não há muros intransponíveis para Jesus Ressuscitado. Só é preciso que os nossos corações estejam abertos, dóceis, prontos a acolher o Espírito que d'Ele nos vem, a paz que Ele nos traz, a paz que experimentamos se Ele está connosco no Meio de nós. «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos».
       A alegria que os discípulos experimentam naquela ocasião repetir-se-á em cada um de nós, em cada momento que deixarmos que Ele nos habite, irrompa na nossa vida e nos transforme. Alegria e paz quando e sempre que formos instrumento de perdão e de misericórdia, contribuindo para a paz e a alegria dos outros.


       3 – Não há portas nem janelas que blindem o amor e a compaixão. Um coração ferido só se cura com a força da ternura, da doçura, da proximidade. Não há medicamentos que curem a solidão, não há anestésicos que resolvam a vida e nos tornem irmãos. Não há antibióticos que anulem a indiferença, a intolerância, a ganância ou a prepotência. Só o amor. Deus é amor!
       Há momentos da vida em que os medicamentos ajudam, anestesiando, mas só a amizade, o calor humano, a proximidade física e espiritual curam verdadeiramente. Os motivos do sofrimento podem não desaparecer, mas são integrados na partilha e na comunhão, na amizade solidária e compassiva, confiando-os a Deus, colocando-nos no Seu coração, através daqueles e daquelas que Ele colocou ao nosso lado.
       Há muitas vozes que ouvimos. Muito ruído que nos desafia, nos inquieta, nos desassossega. Há vozes que não nos deixam dormir nem descansar. Há ruído que não passa disso mesmo, ruído que transparece ódio, inimizade, agressão. Há vozes que não chegam ao céu. É um ruído de fundo, maledicente, doentio, que acusa, que aponta, que se acobarda desviando para os outros os próprios defeitos e imperfeições. Há vozes que não reproduzem nem som nem palavras, nem linguagem humana, apenas destilam veneno. A comunicação implica escuta, respeito pelo outro, compreensão pelas diferenças, exige tratar o outro como igual, como irmão. Precisamos sempre de rever a nossa comunicação, purificá-la. Os sons só permanecerão, como linguagem humana, se tocarem o coração, o nosso e o dos outros.

       4 – Os Apóstolos estão reunidos, como comunidade. Sublinhe-se. É em comunidade que Jesus Se manifesta, aparecendo aos discípulos. É em comunidade que Jesus envia o Espírito Santo. Aquele que é dado multiplica-Se pelos discípulos. Dá-Se inteiramente. Inteiramente a cada um. E cada um se reconhece diante dos outros, com o mesmo Espírito Santo. O Espírito é dado para nos aproximar, para nos converter e fazer com que sejamos família de Deus.
       Diversos os dons, mas o Espírito é o mesmo, pois é o Senhor que opera tudo em todos. “Todos nós – judeus e gregos, escravos e homens livres – fomos batizados num só Espírito, para constituirmos um só Corpo. E a todos nos foi dado a beber um único Espírito”.
       É um rumor, uma rajada de vento, que não deixa ninguém indiferente. Ninguém poderá ficar indiferente Àquele que vem do Céu. A religião como a fé não é algo que nos feche em casa e nos isole. A fé provoca alegria e vontade de comunicar aos outros o Espírito que recebemos. É o que fazem os Apóstolos, começam logo a falar diversas línguas conforme o Espírito lhes permite. Não são tanto as línguas que falam, mas sobretudo a voz de Deus que Se faz ouvir através da nossa língua, numa linguagem que nos irmana. E se a linguagem for ternura, se for a língua do Espírito, então cada um percebe na sua própria língua, no seu coração: Deus que fala através do irmão.

       5 – Aprendemos a balbuciar os primeiros sons com os nossos pais ou com aqueles que estão mais perto de nós ou passam mais tempo connosco na infância. No plano da fé somos sempre "crianças", aprendizes, discípulos. É o Espírito Santo que nos faz balbuciar a nossa profissão de fé. Como nos recorda o apóstolo: “Ninguém pode dizer «Jesus é o Senhor» a não ser pela ação do Espírito Santo”.
       Deixemos que o Espírito Santo, que nos é dado por Jesus Cristo, nos coloque diante dos outros como irmãos, filhos do mesmo Pai do Céu, para sermos uma só família, cuidando uns dos outros, fazendo com que a diversidade de dons nos enriqueça mutuamente.
       “Vinde, ó santo Espírito, / vinde, Amor ardente, / acendei na terra / vossa luz fulgente. / Descanso na luta / e na paz encanto, / no calor sois brisa, / conforto no pranto. / Luz de santidade, / que no Céu ardeis, / abrasai as almas / dos vossos fiéis” (Sequência ao Espírito Santo).

Pe. Manuel Gonçalves


Textos para a Eucaristia: Atos 2, 1-11; Sl 103; 1 Cor 12, 3b-7. 12-13; Jo 20, 19-23.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Paróquia de Tabuaço - Profissão de Fé - 2014

       Solenidade de Pentecostes e como em anos anteriores, a celebração da Profissão de Fé, com os adolescentes do 6.º ano de catequese. O Pentecostes remete-nos imediatamente para o Sacramento da Confirmação/Crisma, precisamente o Sacramento em que a profissão de fé, a renovação das promessas batismais, o compromisso cristão, são feito pelos crismandos. A Profissão de Fé, como festa da Catequese, prepara e antecipa o Sacramento do Crisma.
Eduarda Pastor, Liliana, Mafalda Azevedo, Margarida Silva, Marco Eduardo, Virgilio Silva, José Pedro, Gustavo Eduardo,Luciano Santos, Marta, Inês Filipa, com as suas catequistas, Luisa Ferraz Serodio e Sónia Castro. Algumas fotografias da Paróquia de Tabuaço:
Para ver o nosso álbum completo visitar: