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quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Saiu o semeador a semear...

       Naquele tempo, Jesus começou a ensinar de novo à beira mar. Veio reunir-se junto d’Ele tão grande multidão que teve de subir para um barco e sentar-Se, enquanto a multidão ficava em terra, junto ao mar. Ensinou-lhes então muitas coisas em parábolas. E dizia-lhes no Seu ensino: "Saiu o semeador a semear. Enquanto semeava, uma parte da semente caiu à beira do caminho; vieram as aves e comeram-na. Outra parte caiu em terreno pedregoso, onde não havia muita terra; logo brotou, porque a terra não era funda. Mas, quando o sol nasceu, queimou-se e, como não tinha raiz, secou. Outra parte caiu entre espinhos; os espinhos cresceram e sufocaram-na e não deu fruto. Outras sementes caíram em boa terra e começaram a dar fruto, que vingou e cresceu, produzindo trinta, sessenta e cem por um".
       E Jesus acrescentava: «Quem tem ouvidos para ouvir, oiça». Quando ficou só, os que O seguiam e os Doze começaram a interrogá-l’O acerca das parábolas. Jesus respondeu-lhes: «A vós foi dado a conhecer o mistério do reino de Deus, mas aos de fora tudo se lhes propõe em parábolas, para que, ao olhar, olhem e não vejam, ao ouvir, oiçam e não compreendam; senão, convertiam-se e seriam perdoados». Disse-lhes ainda: «Se não compreendeis esta parábola, como haveis de compreender as outras parábolas? O semeador semeia a palavra. Os que estão à beira do caminho, onde a palavra foi semeada, são aqueles que a ouvem, mas logo vem Satanás e tira a palavra semeada neles. Os que recebem a semente em terreno pedregoso são aqueles que, ao ouvirem a palavra, logo a recebem com alegria; mas não têm raiz em si próprios, são inconstantes, e, ao chegar a tribulação ou a perseguição por causa da palavra, sucumbem imediatamente. Outros há que recebem a semente entre espinhos. Esses ouvem a palavra, mas os cuidados do mundo, a sedução das riquezas e todas as outras ambições entram neles e sufocam a palavra, que fica sem dar fruto. E os que receberam a palavra em boa terra são aqueles que ouvem a palavra, a aceitam e frutificam, dando trinta, sessenta ou cem por um» (Mc 4, 1-20).
       Jesus desenvolve o seu ministério na pregação do Evangelho de Deus, acompanhando com gestos concretos, com milagres, com exorcismos, com a sua postura na relação com todos os que chama e/ou encontra. A parábola do Semeador fala do Seu ministério - o próprio Jesus explica o seu significado -, é Ele o Semeador que espalha a palavra. A semente é a palavra. O terreno é cada um de nós, que a acolhe de diferentes maneiras... umas vezes somos terra fértil, outras somos terra árida onde a palavra de Deus não penetra...

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Como ovelhas sem pastor...

       Jesus viu uma grande multidão e compadeceu-se deles, porque eram como ovelhas sem pastor. Começou então a ensiná-los demoradamente. Como a hora ia já muito adiantada, os discípulos aproximaram-se de Jesus e disseram-Lhe: «O local é deserto e a hora já vai adiantada. Manda-os embora, para irem aos casais e aldeias mais próximas comprar de comer». Jesus respondeu-lhes: «Dai-lhes vós mesmos de comer». Disseram-Lhe eles: «Havemos de ir comprar duzentos denários de pão, para lhes darmos de comer?» Jesus perguntou-lhes: «Quantos pães tendes? Ide ver». Eles foram verificar e responderam: «Temos cinco pães e dois peixes». Ordenou-lhes então que os fizessem sentar a todos, por grupos, sobre a verde relva. Eles sentaram-se, repartindo-se em grupos de cem e de cinquenta. Jesus tomou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos ao Céu e pronunciou a bênção. Depois partiu os pães e foi-os dando aos discípulos, para que eles os distribuíssem. Repartiu por todos também os peixes. Todos comeram até ficarem saciados; e encheram ainda doze cestos com os pedaços de pão e de peixe. Os que comeram dos pães eram cinco mil homens (Mc 6, 34-44).
       A compaixão de Jesus para com a multidão revela-nos a Sua atenção e preocupação pelas necessidades mais profundas do ser humano. O Evangelho deste dia mostra Jesus a ensinar a multidão, pois eram como ovelhas sem pastor. As pessoas que vêm até Ele trazem muitas dúvidas, muitos medos, muita incerteza. Jesus alimenta-os com a Sua palavra. Pouco depois, alimenta-os com os pães e com o peixes, neste milagre da multiplicação, que é também milagre da partilha solidária, e que antecipa o Sacramento da Caridade, a Eucaristia, memorial da paixão redentora de Jesus, alimento para toda a humanidade e até à eternidade...

sábado, 17 de novembro de 2018

Santa Isabel da Hungria

Nota biográfica:
       Isabel era filha de André II, rei da Hungria, e nasceu no ano 1207. Ainda muito jovem foi dada em matrimónio a Luís IV, landgrave da Turíngia, e teve três filhos. Dedicou-se a uma vida de intensa meditação das realidades celestes e de caridade para com o próximo. Depois da morte de seu marido, renunciou aos seus títulos e bens e construiu um hospital onde ela mesma servia os enfermos. Morreu em Marburgo no ano 1231.
Oração de coleta:
       Senhor, que destes a Santa Isabel da Hungria o dom de conhecer e venerar a Cristo nos pobres, concedei nos, por sua intercessão, a graça de servirmos com caridade sem limites os pobres e os atribulados. Por Nosso Senhor, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

Conrado de Marburgo,
diretor espiritual de Santa Isabel da Hungria
ao Sumo Pontífice, no ano 1232

Isabel conheceu e amou a Cristo nos pobres

Isabel começou muito cedo a distinguir se na virtude. Em toda a sua vida foi consoladora dos pobres; a dada altura dedicou se inteiramente aos famintos e, junto de um castelo seu, mandou construir um hospital onde recolhia muitos enfermos e estropiados. Distribuía largamente os dons da sua beneficência, não só a quantos ali acorriam a pedir esmola, mas em todos os territórios da jurisdição de seu marido, chegando ao ponto de gastar nessas obras de assistência todas as rendas provenientes dos quatro principados e vendendo por fim, para utilidade dos pobres, todos os objectos de valor e vestes preciosas.
Costumava visitar duas vezes por dia, de manhã e à tarde, todos os seus doentes, ocupando se pessoalmente dos que apresentavam aspeto mais repugnante. Dava de comer a uns, deitava outros na cama, transportava outros aos ombros e dedicava se a todo o género de serviço humanitário. Em todas estas coisas nunca ela encontrou má vontade em seu marido de grata memória. Finalmente, depois da morte deste, no desejo da suma perfeição, pediu me com lágrimas que a autorizasse a pedir esmola de porta em porta.
Precisamente no dia de Sexta-Feira Santa, estando desnudados os altares, numa capela da sua cidade, onde acolhera os Frades Menores, na presença de testemunhas e postas as mãos sobre o altar, renunciou à sua própria vontade, a todas as pompas do mundo e ao que o Salvador no Evangelho aconselha a deixar. Feito isto e vendo que poderia ser absorvida pelo tumulto do século e pela glória mundana naquela terra, em que no tempo do marido vivera com tanta grandeza, veio para Marburgo contra minha vontade. Nesta cidade construiu um hospital para receber doentes e aleijados dos quais sentou à sua mesa os mais miseráveis e desprezados.
Além destas atividades caritativas, diante de Deus o afirmo, raras vezes encontrei mulher mais dada à contemplação. Algumas religiosas e religiosos viram muitas vezes que, quando voltava do recolhimento da oração, o seu rosto resplandecia maravilhosamente e os seus olhos brilhavam como raios de sol.
Antes de morrer ouvi a de confissão. Perguntando-lhe o que se devia fazer dos seus haveres e mobiliário, respondeu me que tudo quanto parecia possuir era já dos pobres desde há muito tempo e pediu-me que distribuísse tudo por eles, exceto a pobre túnica com que estava vestida e com a qual desejava ser sepultada. Depois recebeu o Corpo do Senhor e, seguidamente, até à hora de Vésperas, falou muitas vezes do que mais a tinha impressionado na pregação. Por fim, encomendou devotamente a Deus os que lhe assistiam e expirou como quem adormece suavemente.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Leituras CORMAC McCARTHY - A ESTRADA

CORMAC McCARTHY (2010). A Estrada. Lisboa: Relógio d'Água. 192 páginas.
       Um livro que se lê de fio a pavio, sem respirar, com o fôlego a exigir que se continue, pela trama, pela beleza da escrita, pelo conteúdo. Vamos por partes. Há livros que nos caem nas mãos. Há livros que temos de ler. Há livros que encontramos por acaso. Há livros que sugerimos aos outros porque, para nós, são belos, importantes, com um conteúdo relevante, por constituírem literatura premiável, por serem arte.
       Na leitura de alguns comentários sobre o filme/romance Silêncio, livro de Shusaku Endo, adaptado ao cinema por Martin Scorsese, encontramos esta crónica de Henrique Cardoso, "Ser cristão no coração da trevas", crónica semana na Rádio Renascença. «No meu processo de conversão, o romance “A Estrada” foi fundamental. Costumo dizer a brincar que este livro de Cormac McCarthy é o meu quinto evangelho. Na altura (2009), já não era ateu e estava naquele centrão teológico chamado agnosticismo, que é uma forma chique de dizer ainda-não-tinha-coragem-para-dar-o-passo-em-direcção-de-Deus».
       O cronista comentava o filme de Martin Scorsese, Silêncio, adaptado a partir do romance de Shusaku Endo, que já por aqui recomendei (SHUSAKU ENDO - SILÊNCIO).
       A ligação do livro "A estrada" ao filme: «O livro parte desta pergunta: o que fazer no coração das trevas? Num mundo apocalíptico sem qualquer esperança, num mundo que parece o local da batalha onde Lúcifer venceu Gabriel, como é que mantemos a nossa decência? Como é que mantemos a nossa moral num mundo que nem sequer é imoral mas sim amoral, tal é a indiferença perante o mal? A própria ideia de “moral” é concebível num mundo onde até o canibalismo se torna normal? Quase dez anos depois, o filme “Silêncio” de Martin Scorsese remete-me de novo para essa questão. Só que agora, já na condição de convertido, coloco a palavra “fé” onde antes tinha a palavra “moral”. Como é que se serve Deus e Jesus a partir do coração das trevas? A própria ideia de “fé” faz ali sentido?».
       Foi nesta altura que pessoalmente achei crucial ler o "Silêncio" mas ler também "A Estrada". Acabada a leitura de um, logo iniciei o outro.
       É um daqueles livros memorável. Um homem com o seu filho, ao longo de uma estrada (sem fim), a procurar sobreviver, entre escombros, encontrando pessoas más (algumas serão boas), um mundo destruído, ardido, desumano, onde a vida escasseia, e assim também os alimentos... vivendo um dia de cada vez e uma noite de cada vez, em sobressalto. O pai que tudo faz para proteger o filho, num diálogo vivo em que sobrevém a vida e os sentimentos. No filho assoma a bondade, a inocência. No pai o pragmatismo, o instinto de sobrevivência. Apoiam-se um ao outro. Quando falta tudo e também a esperança parece desaparecer, apoiam-se um ao outro, até ao fim... O perigo de um morrer pode significar a morte do outro. O pai não deixará que o filho morra e se morrer também ele acabará com a sua vida, são o mundo um do outro.
       Fome, frio, medo, "A Estrada é a história verdadeiramente comovente de uma viagem, que imagina com ousadia o futuro onde não há esperança, mas onde um pai e um filho, 'cada qual o mundo inteiro do outro', se vão sustentando através do amor... é uma meditação inabalável entre o pior e o melhor de que somos capazes: a destruição última, a persistência desesperada e o afeto que mantém duas pessoas vivas enfrentando a devastação total" (contracapa).
       Hei de gostar de ver o filme...

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

AUGUSTO CURY: TREINAR AS EMOÇÕES PARA SER FELIZ

AUGUSTO CURY (2014). Treinar as emoções para ser feliz. Alfragide: Lua de Papel. 168 páginas.
       A TIM - Teoria da Inteligência Multifocal é uma das teses estudadas ao longo de anos e de milhares de páginas por Augusto Cury. Não se trata apenas de uma teoria ao lado de outras para estudiosos testarem, refutarem, compararem. Trata-se de uma opção psicoterapéutica para ajudar pessoas, famílias, escolas, projetos educativos, líderes...
       Para qualquer um de nós seria muito difícil pegar num livro de 3 mil páginas e tentar acompanhar o texto, os passos, o conteúdo. Por certo, só o tamanho já seria suficiente para desmobilizar muitos de nós. O autor, através de diversos artigos, livros, tem procurado tornar mais acessível a teoria, com os diferentes enfoques, utilizando uma linguagem mais simples, com exemplos, muito exemplos, com os quais nos podemos identificar, ou pelo menos, dos quais poderemos tirar ilações para as nossas dificuldades.
       Neste livro, Augusto Cury desafia-nos a cuidar das nossas emoções, que são por demais importantes para a nossa vida, mas que devem ser doseadas com a nossa inteligência, com a nossa razão. Podemos e deveremos duvidar das impossibilidades da nossa vida, criticar os pensamentos e as emoções negativas, e escolhermos viver positivamente, determinando ser autores da nossa história e não meros observadores (DCD - duvidar, criticar, determinar).
       O ser humano é um mistério. Nem a nós nos conhecemos bem quanto mais àqueles que nos são mais próximos. A nossa mente regista todas as informações (RAM - Registo automático da memória), mas sobretudo os momentos mais tensos da nossa vida, os mais significativos. A memória não poderá ser apagada, como quando queremos apagar dados de um computador, mas podemos reeditar as memórias, optando pela vida, pela luta, deixando-nos ajudar pelos outros. O subtítulo ajuda-nos a perceber o conteúdo deste livro: "Não procure a felicidade no mundo lá fora. Ela está dentro de si".
       Cada um de nós é um vencedor. Vencedor na maior das batalhas, a batalha pela vida. Outrora, ainda não tínhamos consciência, nem pensávamos, e lutamos, contra milhões de outros idênticos a nós, prosseguimos a maior das viagens, sem muitos meios. Claro que houve um conjunto de fatores que concorreram para chegarmos ao destino. O espermatozóide que fomos prosseguiu corajosamente até perfurar o óvulo, a outra metade de nós e da qual dependemos para viver. Os fatores que concorreram, outros que foram forçando o óvulo, até que cedeu connosco.
       Vejam-se os oito capítulos em que se divide o livro e que fazem referência direta ao início da vida, à fecundação, mas também ao Mestre dos Mestres, Mestre da Vida, Mestre da Sensibilidade, Mestre do Amor, Mestre da Emoção, Jesus Cristo:

  1. Você venceu o maior concurso da história
  2. Você foi o maior nadador da história
  3. Você foi o maior alpinista da história
  4. Você viveu o maior romance da história
  5. O mais excelente mestre da emoção
  6. O treino da emoção do Mestre dos mestres
  7. A corrida pela vida o grande encontro
  8. Você é insubstituível: um ser único no universo
       Umas das obras de referência de Augusto Cury é sobre a inteligência de Jesus Cristo. A análise parte de uma perspetiva psicológica, pedagógica, e não do ponto de vista religioso e divide-se em 5 volumes: O Mestre dos Mestres, O Mestre da Sensibilidade, O Mestre do Amor, O Mestre Inesquecível, O Mestre da Vida. Jesus tinha tudo para ser uma pessoa ansiosa, stressada, derrotista. Desde as condições em que nasceu às dificuldades que teve que enfrentar ao longo da vida. Quando se aproxima a morte, no Horto das Oliveiras, a ansiedade é tão grande que se dá com ele uma fenómeno muito raro: suor com gotículas de sangue. Mas logo desperta os seus discípulos, fala-lhes do que está a sentir, sem medo, sem se esconder numa suposta supremacia.
       "O mestre da emoção andou com o seu traidor, Judas, por muito tempo e, embora tivesse consciência da sua traição, não o baniu do convívio do seus discípulos. Previu que Pedro iria negá-lo de maneira dramática e não fez nada para impedi-lo. Que homem é este que não desiste nem de um traidor e que suporta ser negado com paciência? ... Ele sabia navegar e ser livre nas águas da emoção!"
       Este é mais um contributo de Augusto Cury para que nunca desistamos da vida. Já fomos os melhores alpinistas, os maiores nadadores da história, já vivemos o maior romance da história, então não desistamos agora ou no momento em que a nossa vida pareça desfeita.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Augusto Cury - ANSIEDADE. Enfrentar o mal do século

AUGUSTO CURY (2015). Ansiedade. Como enfrentar o mal do século. Lisboa: Pergaminho. 160 páginas.
       Augusto Cury tornou-se um escritor de renome, que lhe vem da formulação de algumas teorias em psicologia e psiquiatria. Durante 17 anos estudou e produziu um nova teoria: Inteligência Multifocal (TIM), escrevendo milhares de páginas. A tese inicial tinha mais de 3 páginas. Para conseguir que publicassem o seu trabalho teve de batalhar muito. Ao longo do tempo têm vindo a público diversas publicações, que partem daquela teoria, exemplificam-na, tornam-na explícita e acessível a todos.
       Este livro coloca em evidência o SPA - Síndrome do Pensamento Acelerado. Pensar faz bem. Não temos forma de parar o pensamento. É o maior centro de lazer do ser humano. No entanto pensar demasiado é prejudicial à saúde mental e, consequentemente, à pessoa.
        Temos muita informação, mas não somos mais felizes. A ciência e a tecnologia permite-nos resolver muitos problemas mas não têm acrescentado muita qualidade à nossa vida emocional, afetiva. A esperança média de vida é muito mais elevada, mas começamos a morrer muito antes, a envelhecer, ficando pessimistas, agressivos, doentes. E com um forte poder da mente, o surgimento de doenças corporais. O corpo e a mente estão interligadas. Somos psicossomáticos.
       Um dos males maiores do nosso tempo, segundo Augusto Cury, é o SPA, a ansiedade. Não estamos satisfeitos com nada. Pensamos em demasia, fazemos luto antes do tempo, andamos demasiado ocupados e preocupados, não temos tempo para apreciar a vida, a beleza à nossa volta, trabalhamos muitas horas que nem temos tempo para as pessoas que nos são queridas.
       Lembra-nos o autor, que a nossa mente regista milhares de informações, num fenómeno que chama de RAM (Registo automático da memória). Num computador podemos apagar o que não nos interessa, na nossa mente não, não podemos apagar partes da memória, quando muito podemos reeditar as memórias. Com efeito, a memória regista privilegiadamente os acontecimentos, momentos, mais significativos, positivos ou negativos. Se não fizermos a crítica aos nossos pensamentos, se não duvidamos do nosso pessimismo, então poderemos viver num campo minado de emoções.
       Outro dos termos utilizados por Augusto Cury, as janelas killer, pensamentos assassinos. Um clique e disparamos, por vezes sem saber bem porquê. Vem uma lembrança e caímos derrotados, antecipando problemas ou criando-os, deixando-nos abater por uma crítica ou uma derrota. O desafio do autor é a que façamos higiene mental através da técnica de DCD - duvide, critique, determine... Duvide da sua incapacidade, critique os seus pensamentos sobretudo os que são negativos. Seja determinado em promover pensamentos e decisões positivas.

Algumas expressões do autor neste livro:
"Quem não estiver preparado para perder o trivial não é digno de conquistar o essencial. E, se formos amigos da sabedoria, descobriremos que o essencial são as pessoas que amamos... " (p 7).
"O dinheiro compra bajuladores, mas não amigos; compra pacotes turísticos, mas não a alegria; compra todo e qualquer tipo de produto, mas não uma mente livre; compra seguros, mas não o seguro emocional" (pp 10-11).
"Tudo o que mais detestamos ou rejeitamos será registado com maior poder, formando janelas traumáticas, que denomino killer. Se o leitor detesta alguém, tenha a certeza de que essa pessoa dormirá consigo e estragará o seu sono" (p 27).
"A loucura e a racionalidade são mais próximas uma da outra do que imaginamos. Por isso, uma pessoa inteligente jamais discrimina ou diminui os outros" (p 30).
"Quem vence sem riscos triunfa sem dignidade" (p 33).
"Quem vence sem dificuldade triunfa sem grandeza" (p 86).
"Quem vence sem crises e acidentes vence sem glória" (p 144).
"Não há céu sem tempestade" (p 40).
"Ser sábio não significa ser perfeito, não falhar, não chorar e não ter momentos de fragilidade. Ser sábio é aprender a usar cada dor como uma oportunidade para aprender lições, cada erro como ocasião para corrigir caminhos, cada fracasso como hipótese de recomeçar" (p 45).
"A maturidade psíquica não exige que sejamos heróis, mas seres humanos com uma humildade inteligente, capazes de reconhecer a nossa pequenez e imaturidade e de construir uma nova estratégia, uma plataforma de janelas saudáveis, um novo «bairro» na nossa memória. O heroísmo deve ser enterrado" (p 61).
"Pais que querem ensinar os seus filhos a ser pacientes quando eles são impulsivos... o exemplo grita mais do que as palavras... quem trai as suas palavras com as suas ações precisa de aumentar o tom de voz e exercer pressão para ser ouvido. É, portanto, um péssimo líder. Devemos plantar janelas light para contribuir para a formação de mentes livres e de emoções saudáveis" (p 68-69).
"É fundamental que os pais não deem presentes e roupas em excesso aos filhos nem os coloquem em múltiplas atividades. É igualmente fundamental que conquistem o território da emoção deles e saibam transferir o capital das suas experiências, ou seja, que lhes deem o que o dinheiro não pode comprar. Não deixá-los o dia inteiro ligados às redes sociais e a usar smartphones. A utilização ansiosa destes aparelhos pode causar dependência psicológica como algumas drogas..." (p 110).
"Um Eu saudável e inteligente percebe que todos os seres humanos são igualmente complexos no processo de construção de pensamentos, embora essa construção implique diferentes manifestações culturais, velocidade de raciocínio, coerência e sensibilidade (p 84).
"O Eu gestor faz uma higiene mental diária: duvida dos pensamento perturbadores, critica as falsas crenças e determina ou decide estrategicamente aonde quer chegar; portanto, usa a técnica do duvidar, criticar e determinar (DCD)" (p 86).
"Duvidar de tudo o que nos aprisiona, criticar cada pensamento que nos fere e determinar estrategicamente aonde queremos chegar quanto à nossa qualidade de vida e relações sociais são tarefas fundamentais do Eu" (p 136).
"Quem exige demasiado de si retira o oxigénio da própria liberdade, asfixia a sua criatividade e, o que é pior, estimula o registo automático da memória produzir janelas killer sempre que falha, tropeça, claudica ou não corresponde às suas altíssimas expectativas" (p 92)
"Quem faz muito do pouco é muito mais estável e saudável do que quem precisa de muito para sentir migalhas de prazer" (p 92).
"A imaturidade emocional acompanha algumas necessidades neuróticas: de poder, de estar sempre certo, de não saber lidar com os limites, de controlar os outros, de querer tudo rapidamente e de ser o centro das atenções sociais" (p 122).
"Quem não luta pelos seus sonhos e quer tudo rapidamente será uma eterna criança" (p 123).
"Só os amigos nos traem; os inimigos dececionam-nos. Só as pessoas a quem nos damos nos podem ferir tanto" (p 145).
Outros livros que já sugerimos anteriormente (clique sobre o título):

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Martin Pistorius - QUANDO EU ERA INVISÍVEL

MARTIN PISTORIUS (2015). Quando eu era invisível. Amadora: Nascente. 272 páginas.
       A partir dos 12 anos, Martin entrou em estado vegetativo, encerrado dentro da sua mente, e com a o corpo descontrolado. Uma criança saudável, tímida, com um futuro risonho pela frente. Para os pais é um choque verem que o filho vai definhando. Ficam com a vida hipotecada. O pai nunca desistiu e sempre acreditou que o filho estava ali naquele corpo quase inerte. A mãe passou por um momento de dor, de perda e de luto, para poder cuidar dos outros dois filhos.
       Passando por diferentes centros de cuidados específicos, ou lares que acolhem pessoas com estas fragilidades enquanto os pais estão em viagem ou em férias, vai registando diversas experiências, positivas e negativas, desde pessoas que desabafam na sua presença, outras que o obrigam a comer, ou abusa dele, até que, passados 12 anos, conhece uma jovem terapeuta, Virna, que percebe que ali não está apenas um corpo, mas alguém que habita esse corpo e que só mexia os olhos.
       Após alguns testes, aos quais responde, apontando para símbolos, vai ser acompanhado mais de perto, com o apoio sempre presente dos pais e dos irmãos, adaptando-se a utilizar um computador, com software para produzir a fala e para responder através de símbolos e palavras. Vai-se aperfeiçoando com o corpo a responder a maiores estímulos e com um maior controlo.
       Pouco a pouco conquistou a autonomia que lhe permitiu estudar, trabalhar, executar algumas tarefas, ter um emprego a tempo inteiro.
        Há muitas situações diferentes, em casos semelhantes. Por vezes é quase um milagre encontrar as pessoas certas para verem além do corpo e das suas limitações. Este é um caso extraordinário de luta, de encontro, de amor e de afetos. Martin encontrará o amor da sua vida e de África do Sul viajará para Londres, para casar, e viver a sua vida. Com muitas necessidades e dependências, mas onde o amor vence barreiras e ilumina os seus dias.
"Gostaria que todos vós parassem por um momento e imaginassem se não tivesse uma voz ou qualquer outro meio de comunicação.
Nunca poderia pedir "passa-me o sal" ou dizer a alguém coisas verdadeiramente importantes como "amo-te". Não poderiam dizer a ninguém que se sentiam incómodos, com frio ou com dores. Durante algum tempo, depois de descobrir o que me tinha acontecido, tive uma fase em que seria capaz de me morder de frustração pela vida que levava. Depois deixei-me disso. Tornei-me completamente passivo.
A minha vida sofreu uma mudança radical. Todavia, continuo a aprender a ajustar-me a ela e, embora as pessoas me digam que sou inteligente, tenho dificuldade em acreditar nisso. Os meus progressos são fruto de muito trabalho e do milagre que aconteceu quando as pessoas acreditaram em mim.
A comunicação é uma das coisas que nos torna humanos. E eu sinto-me honrado por me terem dado a oportunidade de comunicar".

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Na aldeia global… Vizinhos mas (ainda/já) não irmãos!

       O papa Bento XVI, na encíclica Caritas in Veritate, deixa esta afirmação sucinta mas reveladora: “A sociedade cada vez mais globalizada torna-nos vizinhos, mas não nos faz irmãos” (19), acentuando que “o primeiro capital a valorizar é o homem, a pessoa na sua integridade” (25).
       O atual Papa, Francisco, na Viagem a Lampdusa (8 de julho de 2013), e na Mensagem para o Dia Mundial da Paz (1 de janeiro de 2014) retomou estas palavras de Bento XVI, sublinhando que “esta cultura do bem-estar leva à indiferença a respeito dos outros; antes, leva à globalização da indiferença” (Lampdusa) pois nos “faz habituar ao sofrimento alheio” (Dia Mundial da Paz).
       Contradição absurda: os que estão perto de nós são-nos estranhos de tal forma que nos surpreendem, positiva ou negativamente, sem que esperássemos por tal. Começa a verificar-se aquilo que é ridicularizado no ambiente digital: membros da mesma família, no mesmo espaço físico, usam as redes sociais para poderem falar entre si. Tornamo-nos surdos e cegos aos que estão perto e ávidos das novidades longínquas.
       Tudo o que se passa, em todo o mundo, acessível a uma palavra, um toque, um clique. Por outro lado, como vem a acentuar o Papa Francisco, tanta informação sobre desgraças alheias vão-nos deixando anestesiados contra o que vemos e ouvimos. Gera-se a globalização da indiferença, já nada nos choca, mais desgraça menos desgraça, milhares de pessoas que morrem à fome, famílias destruídas pelos cartéis de droga. E, pelo meio, se globaliza a cultura do descarte. As pessoas são descartáveis se impedem a realização dos meus interesses pessoais ou os objetivos da empresa. Talvez choque mais quando as Bolsas de Valores desvalorizam 1% nas suas ações!
       Rodeados por multidões, nesta aldeia global, e continuamos sozinhos, a remar cada um por si. A informação e o conhecimento são utilizados em benefício próprio, qual Adão e Eva que se apropriam do fruto da árvore, que afinal é dom para todos. O individualismo corre juntamente com a globalização. Por outro lado, alguns esforços de solidariedade protagonizadas pelas redes sociais e que rapidamente se expandem; sendo benéficos e pragmáticos correm também o sério risco da banalização e da indiferença. Tantas causas que “globalizamos”: tanta gente necessitada que todos os esforços são inúteis, pois não conseguimos chegar a todo lado. De que adiantará ajudar uma pessoa que seja senão mudo o mundo? Resta-nos rezar e comover-nos?!
       A oração e a comoção como ponto de partida e referência, mas há que potenciar tudo o que pode aproximar-nos e comprometer-nos…

in VOZ DE LAMEGO, n.º 4259, de 8 de abril de 2014

domingo, 6 de abril de 2014

Na aldeia global… Para que todos sejam um!

       A globalização está em gérmen no coração humano e no plano da criação. O ser humano é um ser social. Deus salva-nos em povo, comunidade dos Seus filhos. O pecado – nas diversas formas de egoísmo, inveja, ganância, isolamento – quebra os laços que nos congregam como irmãos.
       Ao aproximar-se a hora derradeira, Jesus reza ao Pai para que os discípulos se mantenham UM, como Ele e o Pai são UM (cf. Jo 17,21)). É simultaneamente um desafio e um compromisso para cristãos e comunidades eclesiais. O desígnio do Evangelho é a comunhão de todos os homens e mulheres, entre si e com Deus. Se um é o mesmo Pai, então somos todos filhos, todos irmãos. Não faz sentido que acentuemos aquilo que fere e nos destrói, o que divide e nos desumaniza, quando o chão é comum e nos irmana.
       Na Oração Sacerdotal, Jesus traça também a missão dos Seus discípulos, comprometendo-os com a história: “Não te peço que os retires do mundo, mas que os livres do Maligno” (Jo 17, 15). Fixamos o nosso olhar no olhar de Deus que nos devolve aos irmãos, onde Se reflete a Sua presença.
       A revolução industrial, primeiro, com a mecanização progressiva do trabalho; a evolução dos meios de transporte, possibilitando ligações por terra, ar e mar, e cada vez mais seguros e mais rápidos; a aceleração dos meios de comunicação social, do telefone fixo ao telemóvel, do computador à internet, aperfeiçoando técnicas e instrumentos de comunicação. Encontramo-nos numa aldeia global. Antigamente queríamos dar um recado saíamos de casa e íamos ao encontro da pessoa. As distâncias eram “distantes”. Horas, dias, semanas, meses ou anos para saber de alguém que estivesse noutra aldeia, cidade, noutro país ou noutro continente. Assim também para visitarmos um parente. Uma viagem a Lisboa demorava quase todo o dia, quando já havia carreira (autocarro). Hoje o contacto com outra pessoa, ainda que do outro lado do mundo, está ao alcance de um clique, de um telefonema, ou de um contacto visual através de ferramentas como o Skype. Os avós de hoje aguardam aquela hora no final do dia para verem o netinho. Os pais aguardam a comunicação dos filhos para se verem, como se estivessem à janela…
       A evolução traz muitos desafios, aproximando pessoas e povos, mas nem todos beneficiam. Há hoje uma multidão cada vez maior de excluídos, pobres, pessoas que contam apenas e só para as estatísticas. Cabe-nos globalizar a esperança e a caridade, concretizando-a onde nos encontramos.

in VOZ DE LAMEGO, n.º  4258, de 1 de abril de 2014

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Nunca desistas...


       Na cidade de Pittsburgh, estado da Pensilvânia, EUA, Jamie é uma mãe solteira a braços com a ineficiência do acompanhamento pedagógico que a sua filha, disléxica, precisaria para garantir o sucesso escolar. Apesar das tentativas, a sensibilização que tenta junto da direção da escola, e em particular da principal professora da filha, não surtem qualquer efeito.
      Desesperada, conhece Nona, uma professora que vive igualmente sozinha com um filho problemático e que passa por um período particularmente difícil após a separação do marido. Outrora professora combativa, empenhada e carismática para os seus alunos, Nona parece ter sucumbido aos entraves de um sistema educativo demasiado distante da realidade específica da sua escola, limitando-se a fazer o essencial para permitir aos alunos completarem a escolaridade obrigatória.
       As preocupações e afinidades entre ambas aproximam-nas e uma lei vigente no sistema, segundo a qual é permitido aos pais assumirem maior controlo da escola, desperta em Jamie o ímpeto de fazer desta uma instituição melhor para a sua filha e os restantes alunos. O espírito afoito de Jamie faz despertar em Nona o sentido de dignidade profissional e pessoal, e sobretudo a esperança que há muito perdera.
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       Juntas, encetam uma luta pela qualidade educativa que as levará a travar várias batalhas junto do corpo docente, da direção e até mesmo de outros pais. Mas não desistem.
       "Nunca Desistas" é a terceira longa metragem de Daniel Barnz, e a terceira vez, depois "No País das Maravilhas" e "Beastly – O Feitiço do Amor", que o realizador norte-americano exprime a sua preocupação com a questão da inclusão/exclusão numa sociedade que teima em promover padrões de normalidade próximos de uma perfeição superficial, utópica e desumanizadora.
       Aqui, numa história de luta por um sistema educativo mais justo que conta com mais um notável desempenho de Viola Davis ("As Serviçais" e "Dúvida"), Barnz foca com razoável interesse um caso que, embora baseado numa realidade circunscrita a um estado norte-americano (uma lei que permite aos encarregados de educação participação ativa e efetiva na gestão da escola), desperta interesse além fronteiras.
Fotograma
       É o caso de Portugal, onde a resposta à inclusão de crianças com dificuldades de aprendizagem, abrangendo um vastíssimo espectro de obstáculos ao sucesso escolar e pessoal dos alunos, está longe de encontrar resposta na escolaridade obrigatória.
       Não obstante o registo algo caricatural do corpo docente e algum populismo nas asserções do argumento, "Nunca Desistas" tem o mérito de nos pôr a pensar sobre a escola e a família como protagonistas, por excelência, da esperança numa sociedade mais humana.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

A Princesa que morreu por amor

       "Mack e os filhos pararam nas cataratas Multnomah… Missy implorou ao pai para que ele conte a lenda da jovem índia, filha de um chefe da tribo Multanomah…
       A história falava de uma Princesa, única filha de um pai idoso. O chefe adorava a filha e escolheu com cuidado um marido para ela: um jovem guerreiro, da tribo Clatsop, que a amava. As duas tribos juntaram-se para celebrarem as bodas; porém, antes do início da festa, uma doença terrível começou a espalhar-se entre os homens, matando muitos deles.
       Os anciãos e os chefes reuniram-se para discutir o que poderiam fazer contra a doença devastadora que dizimava rapidamente os seus guerreiros. O feiticeiro mais velho contou que o seu pai, já bem idoso e pouco antes de morrer, previra uma doença terrível que mataria os seus homens, uma doença que só poderia ser vencida se a filha de um chefe, pura e inocente, oferecesse de boa vontade a vida pelo seu povo. Para realizar a profecia, ela deveria subir voluntariamente a um penhasco sobre o Grande Rio e saltar para a morte sobre as rochas mais abaixo.
       Uma dúzia de jovens, todas filhas dos vários chefes, foram levadas à presença do Conselho. Depois de demorados debates, os anciãos decidiram que não poderiam pedir um sacrifício tão grande, sobretudo porque não sabiam se a lenda era verdadeira.
       Mas a doença continuou a espalhar-se implacavelmente entre os homens, até que, finalmente, o jovem guerreiro, o futuro esposo, caiu doente. A princesa, que o amava muito, sentiu no fundo, do coração que algo precisava de ser feito e, depois de lhe dar um breve beijo na testa, afastou-se.
       Demorou toda a noite e todo o dia seguinte para chegar ao local indicado na lenda, um penhasco altíssimo acima do Grande Rio e das terras que se estendiam a perder de vista. Depois de rezar e de se entregar ao Grande Espírito, ela cumpriu a profecia sem hesitar, saltando para a morte nas rochas mais abaixo.
       Nas aldeias, na manhã seguinte, os doentes levantaram-se saudáveis e fortes. Houve grande júbilo e comemoração, até que o jovem guerreiro descobriu que a sua noiva tinha desaparecido. À medida que a percepção do q eu acontecera se espalhava rapidamente ente entre o povo, muito empreenderam a viagem até ao lugar onde sabiam que iriam encontrá-la. Enquanto se reuniam em silêncio à volta do corpo destroçado na base do penhasco, o seu pai, tomado pelo sofrimento, gritou ao Grande Espírito, pedindo que o sacrifício dela fosse lembrado para sempre. Nesse momento, do lugar onde ela saltara começou a jorrar água, transformando-se numa névoa fina que caía aos pés deles, formando lentamente um lago maravilhoso…

       A narrativa possuía todos os elementos de um verdadeiro conto de redenção, não muito diferente da história de Jesus, que ela conhecia tão bem. Falava de um pai que amava a filha única e de um sacrifício anunciado por um profeta. Por causa do amor, a jovem decidiu dar a sua vida para salvar o noivo as tribos da morte certa.
       … Quando chegou a vez de Missy rezar, ela quis conversar com o pai:
       - Papá, por que teve ela de morrer?
       - Querida, ela não teve de morrer. Ela escolheu morrer para salvar seu povo…

       As questões sucedem-se. O Grande Espírito é Deus? Deus quis que o Seu filho morresse? Se Deus quis que a Princesa morresse, se Deus quis que Jesus Cristo morresse, então Deus é mau?
       Jesus escolheu morrer, por amor à humanidade, assim como a Princesa da lenda... Mas os mistérios do homem e de Deus continuam a ser insondáveis, mas pelo menos conhecemos um rosto que nos mostra Deus: JESUS CRISTO.

In A Cabana, de Paul Young.

domingo, 30 de junho de 2013

Papa Francisco - Maria

       Porque Deus tinha uma carência para poder penetrar humanamente na nossa história: precisava de uma mãe, e a pediu a nós. Esta é a Mãe a quem olhamos hoje, a filha do nosso povo, a servidora, a pura, a só de Deus; a discreta que dá espaço para que o filho realize sua missão, a que sempre está possibilitando esta realidade, mas não como dona nem inclusive como protagonista, e sim como servidora; a estrela que sabe apagar para que o Sol se manifeste. Assim é a mediação de Maria à qual nos referimos hoje. Mediação de mulher que não nega sua maternidade, mas a assume desde o começo; maternidade com parto duplo, um em Belém e outro no Calvário; maternidade que contém e acompanha os amigos do seu Filho, que é a única referência até o final dos dias. E assim Maria continua entre nós, "situada no próprio centro dessa 'inimizade' do protoevangelho, daquela luta que acompanha a história da humanidade" (cf. Redemptoris Mater, 11). Mãe que possibilita espaços para que a Graça chegue. Essa Graça que revoluciona e transforma nossa existência e nossa identidade: o Espírito Santo que nos torna filhos adotivos, nos liberta de toda escravidão e, em uma possessão real e mística, nos entrega o dom da liberdade e clama, de dentro de nós, a invocação do nosso pertencimento: Pai!
em 7 de novembro de 2011.

Papa Francisco - rasgai os vossos corações...

       «Rasgai os vossos corações e não as vossas vestes, convertei-vos ao Senhor, vosso Deus, porque Ele é clemente e compassivo, paciente e rico em misericórdia» (Joel 2, 13)
       Pouco a pouco acostumámo-nos a ouvir e ver, através dos meios de comunicação, a crónica negra da sociedade contemporânea, apresentada quase com perverso regozijo, e também nos acostumámos a tocá-la e a senti-la em torno de nós e na nossa própria carne. O drama está na rua, no bairro, na nossa casa e, por que não, no nosso coração. Convivemos com a violência que mata, que destrói famílias, aviva guerras e conflitos em muitos países do mundo. Convivemos com a inveja, o ódio, a calúnia, o mundanismo no nosso coração. O sofrimento de inocentes e pacíficos não deixa de nos esbofetear; o desprezo pelos direitos das pessoas e dos povos frágeis não nos são tão distantes; o império do dinheiro com os seus efeitos demoníacos como a droga, a corrupção, o tráfico humano incluindo crianças – a par da miséria material e moral são moeda corrente. A destruição do trabalho digno, a emigrações dolorosas e a falta de futuro unem-se também a esta sinfonia. Os nossos erros e pecados como Igreja também não ficam fora deste panorama. Os egoísmos mais pessoais justificados, e não por causa disso menores, a falta de valores éticos dentro de uma sociedade que faz metástases nas famílias, na convivência dos bairros, vilas e cidades, falam-nos da nossa limitação, da nossa debilidade, e da nossa incapacidade de transformar esta lista inumerável de realidades destrutivas.

in Jorge Maria Bergoglio/Papa FRANCISCO, Só o amor nos salvará.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Papa Francisco - tráfico de pessoas

       Hoje, nesta cidade, queremos que se ouça o grito, a pergunta de Deus: "Onde está o seu irmão?" Que esta pergunta de Deus percorra todos os bairros desta cidade, que percorra o nosso coração e sobretudo que entre também no coração dos "Cains" modernos. Talvez alguns perguntem: que irmão? Onde está o seu irmão escravo? Aquele que você está matando todos os dias na oficina clandestina, na rede de prostituição, nos lugares das crianças que você usa para mendigar, para "campanha" de distribuição de drogas, para roubos e para prostituí-los! Onde está o seu irmão, aquele que tem de trabalhar quase escondido como catador de lixo porque não foi contratado? Onde está o seu irmão? E, frente a esta pergunta, podemos fazer, como fez o sacerdote que passou ao lado do ferido, fazer de conta que estamos distraídos; ou como fez o levita: olhar para o outro lado, porque a pergunta não parece ser para mim. A pergunta é para todos! Porque, nesta cidade, está instalado o sistema de tráfico de pessoas, esse crime mafioso e aberrante, como tão acertadamente definiu há poucos dias um funcionário: crime mafioso e aberrante!

(25 de setembro de 2012)

Papa Francisco - nesta cidade tão nossa há escravos

        "Não ter medo. Não ter medo de dizer a Verdade ainda que a Verdade doa. Ainda que nos dê vergonha, hoje juntamo-nos para nos reconhecermos uns aos outros. para nos olharmos olhos nos olhos e dizermos: «Tu tens dignidade, e querem tirar-ta». E gritar. Hoje juntamo-nos para nos sentirmos mais fortes porque nesta cidade em que vivemos querem debilitar-nos, querem tirar-nos a força, querem tirar-nos a dignidade.
       ... nesta cidade de Buenos Aires tão linda, tão nossa, há escravos. Hoje vou dizê-lo de novo. E hoje viemos olhar-nos nos olhos para dizermos uns aos outros: «Se lutardes, se eu lutar convosco, se nos olharmos e lutarmos juntos, haverá menos escravos». No ano passado dizia-vos, com muita dor, que nesta cidade de Buenos Aires há os que «cabem» no sistema e os que «sobram», os que não cabem, para quem não há trabalho, nem pão, nem dignidade. E esses que «sobram» são material descartável, porque também nesta cidade de Buenos Aires se «descarta» as pessoas e estamos cheios de «camiões do lixo existenciais», de homens e mulheres que não são tidos em conta...
       E o padre não tem mais nada a dizer?... Sim, tenho. Algo mais grave ainda: esses homens, mulheres, meninos e meninas que não cabem, que são material descartável, que não são tidos em conta, são tratados como mercadoria. São objeto de negócio. E hoje podemos dizer que nesta cidade das fábricas clandestinas, com os cartoneros [recolhem cartão para vender], no mundo da droga, no mundo da prostituição, existe comércio de pessoas. Por isso nos diz a Palavra de Deus: «Grita com força e sem medo» (cf. Is 58,1); e eu digo-vos: «Gritemos com força e sem medo». Não à escravatura. Não aos que sobram. Não às crianças, aos homens e mulheres usados como material descartável. É a nossa carne que está em jogo! A mesma carne que eu tenho, que vós tendes, está à venda! E tu não te comoves com a carne do teu irmão? «Não, não é igual a mim»... É o teu irmão, é a tua carne.
       Hoje Deus diz-nos o mesmo que dizia a Caim: «Onde está o teu irmão Abel?» (tinha-o matado). E Caim, com grande cinismo, responde: «Não sei dele. Sou porventura guarda do meu irmão?» (Gn 4, 9). Esta grande cidade de Buenos Aires responde o mesmo muitas vezes! «Que tenho eu com isso? Por acaso devo ocupar-me de tudo?» É o teu irmão, é a tua carne, é o teu sangue!... Tornámo-nos insensíveis, perdemos o coração. Buenos Aires esqueceu-se de chorar ao vender os seus filhos, Buenos Aires esqueceu-se de chorar ao escravizar os seus filhos... E hoje olhamo-nos nos olhos... Lutemos juntos para que esta cidade reconheça a sua queda... e chore, e se corrija... e faça justiça...
(4 de setembro de 2009)

in Jorge Mario Bergoglio/Papa FRANCISCO, Só o amor nos salvará.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Igualdade: a preservação das diferenças

O elogio da igualdade acontece pela valorização do que é distinto. Apresentando o tema que preside às actividades do Secretariado da Pastoral da Cultura durante o ano 2010, D. Manuel Clemente sublinhou a necessidade de, nas sociedades actuais, salvaguardar o que é diferente para que seja possível construir a igualdade entre as pessoas.
       “O género ou a raça não são necessariamente limites à igualdade a realizar, mas a possibilidade de se ser com os outros, dando e recebendo”. Para D. Manuel Clemente, “a igualdade só pode acontecer entre seres distintos”. “Entre seres absolutamente idênticos, não haveria campo para a igualdade” porque, referiu o Presidente da Comissão Episcopal da Cultural, Bens Culturais e Comunicações Sociais, a igualdade “pressupõe relação”.

Masculino e feminino:
       Para D. Manuel Clemente, hoje “temos de considerar um certo tropeço da ‘indistinção’ a surgir no caminho da igualdade. O que se deve à aceleração que a Europa conheceu no domínio da ciência e da técnica, com a “mentalidade conexa”.
       “Trazidas do campo da natureza para a pessoa humana, começou esta a ser encarada mais como algo a produzir do que simplesmente a reproduzir”, referiu D. Manuel Clemente.
       Mais do que como produto da natureza, o ser homem ou ser mulher começou a ser encarado com escolha livre. Para o Bispo do Porto, escolhe-se “o que se queira ou o que se sinta ser, alterando a fisiologia pela tecnologia”.
       Para D. Manuel Clemente, a igualdade garante especificidades: geográficas e de género. Ideias que desafiam a acção dos referentes da pastoral da cultura porque a norma dos tempos actuais sugere “vontade de ser tudo, sem limites naturais ou institucionais de qualquer espécie”.
       Culturalmente, andará por perto o tempo da “deriva libertária do liberalismo”. Ou seja, “a liberdade sem referência”, como um sentimento individual “sem relação”.

Desafios aos Referentes da Pastoral da Cultura:
       Aos participantes no VI Encontro de Referentes da Pastoral da Cultura, D. Manuel Clemente desafiou a “ligar propostas evangelizadoras e realidades locais valorizando, ou seja distinguindo positivamente, lugares, tradições e modos e potenciando-os para o futuro como identidades intercambiadas”.
       Por outro lado, o Bispo do Porto alertou para a oportunidade de aprofundar os “modos feminino e masculino”, dos autóctones e dos imigrados que vêm de outras culturas. Para D. Manuel Clemente, esse aprofundamento deverá ser feito nas dimensões bíblica, antropológica e cultural.

Elogio da igualdade:
       No VI Encontro, os Referentes da Pastoral da Cultura apresentaram as iniciativas a decorrer ou programadas nas instituições que representam. Foi também uma oportunidade para lançar as actividades para 2010, que este ano, quer propor “um novo elogio da igualdade”.
       “Dedicámos o ano passado a pensar os novos caminhos da liberdade”. Depois da igualdade, o próximo ano será para analisar temáticas sobre a fraternidade.
       O Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura assinala assim o Centenário da República, “não como acontecimento do passado mas como realidade presente”. O Pe. José Tolentino Mendonça, Director deste Secretariado, referiu que esta é uma forma de “revisitar, em chave cristã, a herança tricolor de liberdade, igualdade e fraternidade”.

Notícia desenvolvida pela Agência Ecclesia.

Bem-aventuranças da Mulher

  • Bem-aventurada a mulher que cuida do próprio perfil interior e exterior, porque a harmonia da pessoa faz mais bela a convivência humana.
  • Bem-aventurada a mulher que, ao lado do homem, exercita a própria insubstituível responsabilidade na família, na sociedade, na história e no universo inteiro!
  • Bem-aventurada a mulher chamada a transmitir e a guardar a vida de maneira humilde e grande!
  • Bem-aventurada a mulher quando nela e ao redor dela acolhe, faz crescer e protege a vida!
  • Bem-aventurada a mulher que põe a inteligência, a sensibilidade e a cultura a serviço dela, onde ela venha a ser diminuída ou deturpada.
  • Bem-aventurada a mulher que, em seu caminho, encontra Deus: escuta-O, acolhe-O, segue-O, como tantas mulheres ao longo da História, e se deixa iluminar por Ele na opção da vida!
  • Bem-aventurada a mulher que se empenha em promover um mundo mais justo e mais humano!
  • Bem-aventurada a mulher que, dia após dia, com pequenos gestos, com palavras e atenções que nascem do coração, traça sendas de esperança para a humanidade!”
       Reconheça e agradeça a DEUS pelas mulheres que foram e continuam a ser importantes na sua vida: a sua mãe, irmãs, esposa (se casado), companheiras de trabalho, amigas... Todas elas foram e continuarão a ser presenças da bondade e do amor de DEUS na vida de todos nós...
 
“SER MULHER É TRAZER EM SI MESMA A FORÇA E A SENSIBILIDADE QUE LHE PERMITE TRANSFORMAR A PRÓPRIA ESSÊNCIA EM UMA EXISTÊNCIA DE CARINHO E AFECTO.”
(Rosemére Cordeiro).
“A MULHER QUE TEME O SENHOR, ESSA SERÁ LOUVADA.”
(Provérbios 31,30).
“RECOMENDO-VOS A NOSSA IRMÃ FEBE, QUE ESTÁ SERVINDO À IGREJA DE CENCRÉIA, PARA QUE A RECEBAIS NO SENHOR... PORQUE TEM SIDO PROTETORA DE MUITOS E A MIM INCLUSIVE.”
(Rom 16,1-2a. Febe, uma mulher que exercia a liderança na comunidade cristã do século I)
 
BÊNÇÃO DAS MULHERES
Que o Deus de Eva te ensine a discernir o bem e o mal.
Que o Deus de Agar conforte a ti e a todas as mulheres quando se sentem sós no deserto da vida.
Que o Deus de Miriam te faça instrumento de libertação.
Que o Deus de Débora te conceda audácia e coragem para lutar pela justiça.
Que o Deus de Ester te conceda fortaleza para afrontar os poderosos.
Que o Deus de Maria de Nazaré abra o teu coração para que tu possas receber o gemem Daquele que vive para sempre.
JESUS E AS MULHERES:
       Jesus, que disse à Samaritana tudo aquilo que ela havia feito, te torne evangelizadora do teu povo.
       Jesus, que curou a mulher encurvada, liberte a ti e a todas as mulheres oprimidas pelas tradições culturais da escravidão.
       Jesus, que se deixou ungir a cabeça por uma mulher, te conceda ser profetiza para que o reconheça sempre como Senhor e Messias.
       Jesus, o amigo de Maria Madalena, te envie como uma apóstola para que possas levar a mensagem de libertação a todos os povos.
       Que o Espírito te consagre para que em Jesus Cristo, tu possas anunciar boas notícias aos pobres e liberdade aos prisioneiros, em nome de Deus que é, que era e que sempre será o Deus-connosco. Assim seja!!!

domingo, 16 de dezembro de 2012

Festa de Natal da CATEQUESE - 2012

       No passado sábado, 15 de dezembro, no Auditório do Centro de Promoção Social de Tabuaço, realizou-se a Festa de Natal da Catequese. Com encontro marcado para as 14h30, a festa iniciou com a celebração da Santa Missa. Seguiu-se a apresentação dos vários anos de catequese, que nos brindaram com poemas, canções, teatro, dança.
       Ficam algumas imagens desta tarde bem animada, agradecendo a todos os que participaram e a todos os que apoiaram a logística.
Para ver todas as imagens que temos disponíveis
visite-nos na página da Paróquia de Tabuaço no facebook

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Frei Ventura - tempo da fé e das ideias...

       Mais uma entrevista do Frei Ventura, aqui na Semana Bíblica dos Açores, um testemunho de vida, a força das palavras e das convicções. Passar da religião à fé: