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sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Quando o amanhã começar sem mim

       Belíssimo poema que Eben recebe de sua irmã biológica, sobre a sua outra irmão biológica já falecida e que encontrou do outro lado (em UMA PROVA DO CÉU):
"Quando o amanhã começar sem mim" ( David M. Romano, / 1993)

Quando o amanhã começar sem mim,
E eu não estiver lá para ver,
Se o sol nascer e encontrar seus olhos
Cheios de lágrimas por mim,

Eu gostaria que você não chorasse
Da maneira que chorou hoje,
Enquanto pensava nas muitas coisas
Que deixamos de dizer.

Sei quanto você me ama,
E quanto amo você,
E cada vez que você pensa em mim,
Sei que sente a minha falta.

Mas quando o amanhã começar sem mim,
Por favor, tente entender
Que um anjo veio e chamou meu nome,
Tomou-me pela mão
E disse que meu lugar estava pronto
Nas moradas celestiais
E que eu tinha de deixar para trás
Todos os que eu tanto amava.

Mas quando me virei para ir embora
Uma lágrima escorreu-me pela face
Por toda a vida eu pensei
Que não queria morrer.
Eu tinha tanto para viver,
Tanta coisa por fazer,
E pareceu quase impossível
Que eu estivesse indo sem você.

Pensei em nossos dias passados,
Nos dias bons e nos dias ruins,
Em todo o amor que vivemos,
Em toda a alegria que tivemos.

Se eu pudesse reviver o ontem
Ainda que só por um instante,
Eu diria adeus e lhe daria um beijo
E talvez visse você sorrir.

Só então descobri
Que isso não aconteceria,
Pois o vazio e as lembranças
Ocupariam meu lugar.

Quando pensei nas coisas deste mundo
Vi que posso não voltar amanhã,
Então pensei em você
E meu coração se encheu de dor.

Mas quando cruzei os portões do céu
Eu me senti em casa
Quando Deus olhou para mim e sorriu
De seu grande trono dourado,

Ele disse:

"Isto é a eternidade
E tudo o que lhe prometi.
Agora sua vida na Terra é passado
Mas aqui uma vida nova começa.
Eu prometo que não haverá amanhã,
Mas que o hoje durará para sempre.
E como todos os dias serão iguais,
Não haverá saudades do passado.
Você foi tão fiel
Tão confiável e verdadeiro,
Embora tivesse feito coisas
Que sabia que não deveria.
Mas você foi perdoado
E agora finalmente está livre.
Então que tal me dar a mão
E compartilhar da minha vida?"
Logo, quando o amanhã começar sem mim,
Não pense que estamos separados,
Pois todas as vezes que pensar em mim,
Eu estarei dentro do coração.

in EBEN ALEXANDER. Uma prova do Céu.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

M A R I A - Aquela que está mais perto de Deus


Àquela que é infinitamente jovem.
Porque também infinitamente mãe.
Àquela que é infinitamente reta.
Porque também infinitamente inclinada.
Àquela que é infinitamente alegre.
Porque também infinitamente dolorosa.
Setenta vezes dolorosa.
Àquela que é infinitamente sensível.
Porque também infinitamente tocada.

Àquela que está infinitamente acima de nós.
Porque também está infinitamente entre nós.

Àquela que é cheia de graça,
Porque está connosco.

Àquela que está connosco,
Porque o Senhor está com Ela.

Àquela que está repleta de graças,
Porque Ela é cheia de graça.

Àquela que está mais perto de Deus,
Porque Ela é quem está mais perto dos homens.
Charles Péguy (1873-1914), in Família Paroquial de Rio Tinto: 01/01/2012

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Mundo interior: cebola ou batata?

       "Comecemos talvez de um modo desajeitado, perguntando: o nosso mundo interior é uma cebola ou uma batata? A pergunta faz-nos sorrir, é um bocado cómica, mas, se quisermos, acaba por colocar-nos perante a nossa realidade de uma forma bastante profunda. A pergunta pode ser feita numa cozinha, por uma criança que está a descobrir o mundo, pode ser proferida por filósofos nos seus tratados ou pode ser formulada por um mestre espiritual. O nosso mundo interior é uma cebola ou uma batata? Nietzsche, por exemplo, dizia que «tudo é interpretação», isto é, não há um núcleo de Ser a sustentar a nossa experiência de vida, tudo são cascas de cebola, modos de ver, perspetivas, interpretações. Para lá disso não há mais nada. Uma visão espiritual do mundo, por outro lado, está certamente do lado da batata, pois considera que mesmo escondida por uma crosta ou por um véu persiste uma realidade que é substanciosa e vital.

       A verdade é que mesmo sabendo que a vida é uma batata, nós vivêmo-la muitas vezes como se fosse uma cebola. Vivemos de opiniões, de verdades parciais e provisórias, de paixões, vivemos de aparências e modas como se a vida fosse isso. Esgotamo-nos a desfilar cascas e camadas, sem um centro que nos dê realmente acesso ao pleno sentido. Há uma escritora contemporânea, Susan Sontag, que diz que a nossa existência como que fica sequestrada neste sem fim de interpretações que nos distraem da viagem essencial. Não habitamos em nós próprios, levados por ideias, pontos de vistas, cascas e mais cascas. Segundo ela, o mais urgente seria apurar e aprofundar os nossos sentidos, aprendendo a ver melhor, a sentir melhor, a escutar melhor.

       Na vida espiritual também é isso o mais importante. Simone Weil escrevia que ela é fundamentalmente feita de atenção: «é a orientação para Deus de toda a atenção de que a alma é capaz». Da qualidade da atenção depende em muito a qualidade da vida espiritual.

       Possamos dizer a verdade do poema de Sophia de Mello Breyner Andresen:
«Deixai-me limpo
O ar dos quartos
E liso
O branco das paredes
Deixai-me com as coisas
Fundadas no silêncio.»
       Os sentidos espirituais abrem-se e maturam no silêncio. Se mergulharmos neles, tornam-se trilhos para o nosso caminho. É esse o conselho que os mestres unanimemente fazem para passarmos da cebola à substanciosa e vital batata. O conselho de Arsénio, um dos Padres do Deserto (eremitas cristãos que fundaram a espiritualidade monacal) soava assim - «Foge. Cala-te. Permanece no recolhimento». Poemen garantia - «Se fores realmente silencioso, em qualquer lugar onde estiveres encontrarás repouso». João Clímaco, na primeira metade do século VII, escreveu: «o amigo do silêncio aproxima-se de Deus, e encontrando-se com Ele em segredo, recebe a sua luz». Isaac de Nínive prescrevia aos que o procuravam: «Ama o silêncio acima de todas as coisas; ele concede-te um fruto que à língua é impossível descrever… Dentro do nosso silêncio nasce alguma coisa que nos atrai ao silêncio. Que Deus te conceda perceber aquilo que nasce do teu silêncio.»

José Tolentino Mendonça, In Diário de Notícias - Madeira (16-01-11)

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Um acordo com o tempo...

Me detive por horas diante de um relógio!
Meus olhos acompanharam o correr de seus ponteiros.
Rezei para que parassem!
Rezei para que o veloz correr dos ponteiros deixasse de ser imperativo.
Chorei...
Chorei o amargor daquilo que não volta e a esperança do que ainda virá.
Chorei minhas auroras...
Chorei a partida do sol.
Mas os ponteiros não se comoveram...
Giraram, giraram e ainda estão girando!
Será que um dia vão parar? Talvez sim, ou não, quem sabe...
Então resolvi fazer um acordo com o tempo...
No correr dos ponteiros, resolvi elaborar a vida... Minha vida!
Resolvi descobrir a beleza de momentos que não voltarão e vivê-los intensamente!
Resolvi Amar intensamente e Viver AFETADO!
Afetado pelos afetos que valem a pena, pelos amores que me constroem.
Vou deixar que o tempo passe...
E na passagem dos dias, reinterpretarei os momentos e resignificarei a dor.
Acho que a felicidade mora nesse acordo!
É assim que vou bem aventurando a vida!
Abraço o que é meu, assumo o que me faz bem!
Estou indo ser feliz e não pretendo voltar!

Bruno Bressani, Fragmentos.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Oração para o tempo de férias


Senhor, seja este o tempo
de nos relançarmos em aliança mais pura com o real
convictos daquilo que a hospitalidade
paciente e fraterna do mundo
em nós revela

Que saibamos apreciar a imediatez flagrante em que a vida se dá,
mas também as suas camadas profundas, escondidas, quase geológicas.
Que no instante e na duração saibamos escutar,
hoje e sempre,
o vivo, o desperto, o fremente
e o seu esperançoso trabalho.

Recebe, de nós,
a aurora e o verde azulado dos bosques.
Recebe o silêncio intacto dos espaços.
Recebe a música oceânica do vento.

Mas recebe igualmente a marcha desencontrada da história,
o desenho inacabado da nossa conversa terrena,
esta espécie de parto que,
entre dor e alegria,
nos une.

Sejam os nossos quotidianos gestos
mergulhados na vivacidade da troca,
abertos ao que de todos os pontos
da humanidade e do mundo converge,
impelido pelo teu Espírito.

Que a frágil chama de amor hoje acesa
Ilumine tudo por dentro:
desde o coração da menor partícula
à vastidão das leis mais universais.
E tão naturalmente invada
cada elemento, cada mola, cada liame,
florescendo e amadurecendo
toda a vida que em nós vai germinar.

José Tolentino Mendonça, Editorial Agência Ecclesia.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Abençoa, Senhor, o espírito quebrado!

Abençoa o espírito quebrado
de quem sofre a pesada solidão dos homens;
o ser que não conhece repouso,
o sofrimento que nunca confiamos
a ninguém.

Abençoa o cortejo
destes noctívagos
que não amedronta o espectro
dos caminhos desconhecidos.

Abençoa a miséria dos homens
que morrem nesta hora.
Dá-lhes, meu Deus,
um bom fim.

Abençoa, Senhor, os corações,
os corações amargos,
antes de tudo.
Dá aos doentes
o alívio,
ensina o esquecimento
àqueles que privaste
do seu bem mais querido.
Não deixes ninguém na terra inteira
na angústia.

Abençoa os que estão na alegria,
protege-os, Senhor.
A mim, até hoje,
nunca livraste da tristeza,
por vezes, ela pesa muito.
Entretanto, dá-me a tua força
e assim posso aguentá-la.
EDITH STEIN, in O Povo de Rio Tinto, n.º 284, Abril 2011

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Poesia


Poesia é beleza,
riqueza sem fim.
Faz nascer a ternura
e sentir a doçura
da flor de jasmim.

No deserto da vida
e na escuridão,
é paz renascida,
é luz oferecida
em comunhão.

No silêncio do mundo,
é firme expressão.
Não busca vaidades
mas busca a verdade
e a rectidão.

Poesia é dom,
infância encantada,
alegria sentida
na senda perdida
e reencontrada.

Nascem as palavras,
sementes de amor,
que voam nos ares
e vogam nos mares
em ondas de cor.

São pobres os homens
que gritam rancor
e vivem na ânsia,
na cega ganância,
semeando dor.

Ignoram os homens
que a simplicidade
os abre à beleza,
à grande riqueza
da fraternidade.

Poesia é sonho,
é pássaro, luz,
arco-íris de sons.
Mensagem de paz
e voz que nos traz,
do fundo das cinzas,
a esperança perdida
na vida e seus dons.

(autor desconhecido)

sábado, 1 de janeiro de 2011

É HORA DE PAZ


E fez-se então, a hora da paz

Os povos calaram-se
simultaneamente
E ouviram a voz das águas
Das montanhas, da natureza
Dos animais, e nada mais
O ar soprou forte
Fazendo folhas rodopiarem
Ninguém agiu nem falou
Ninguém se moveu
E então,
A humanidade entrou
Na imensidão do silêncio
E vivenciou
A mais perfeita paz
Naquela hora
Nenhuma arma foi accionada
Nenhuma máquina foi ligada
Nenhuma agressão foi cometida
Nenhuma sirene soou
Nenhum alarme disparou
Apenas funcionava
O que da vida cuidava
E, pela primeira vez
A humanidade conheceu a paz
Minutos antes de terminar
Todos estavam armados
Com uma pequena semente
Que ao soar o sinal programado
Foram lançadas à terra
Em todo o mundo
A paz foi semeada
Na Terra
E no coração
De cada um
O sábio que profetizou
A hora da paz
Proclamou à humanidade:
E uma nova linguagem há de vir
Há de vir para ficar
Que traduz união
Justiça, igualdade
É a linguagem da paz
Somos todos irmãos
Somos todos iguais
Somos filhos da Terra
do Sol, da Água, do Ar
Somos todos peregrinos
Por esta Terra a viajar
Entrando para o novo milénio
Com a mais intensa missão
A missão de promover a paz
Uma nova linguagem
Há de vir
Há de vir para pacificar
Que traduz a Fé
A esperança, o amor
É a linguagem da paz
Que será falada, sentida, cantada
De norte a sul, de leste a oeste
Em todo planeta terrestre
Ecoará pelos confins da alma
E se expandirá pelo imenso universo
É a linguagem da paz
Que todos conhecerão
Que virá de dentro de cada ser
Para promover a união
Até que um só povo
Um povo multicor
De mãos dadas dançará
Entoando a mais bela canção
Todos a uma só voz
Unidos
Em nome da PAZ!

Retirado do blogue "Revista Cotovia"

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Temos de subir à árvore!

Por entre as folhas castanhas
Os frutos redondos luzem
Como bolas de Natal,
Lindos abrunhos seduzem.

Mas são tantos em cachinhos
Que os ramos caem pesados.
Nem o vento os faz mover
Quando sopra alvoroçado.

Pra avermelhar os mais verdes
Chegou o calor amigo,
Em breve ficam maduros
Para comê-los contigo.

São decerto os passarinhos
Os primeiros a prová-los,
Só depois se eles gostarem
Nós vamos saboreá-los.

Temos de subir à árvore
Sem que a nossa avó nos veja!
Vive a suplicar ao céu
Que haja um Deus que nos proteja!

Se o Senhor assim nos deu
Lindos frutos saborosos,
Vai desejar com certeza
Que apreciemos, gulosos!

Por entre as folhas castanhas
Os frutos redondos luzem
Como bolas de Natal,
Lindos abrunhos seduzem.

Mas são tantos em cachinhos
Que os ramos caem pesados.
Nem o vento os faz mover
Quando sopra alvoroçado.

Pra avermelhar os mais verdes
Chegou o calor amigo,
Em breve ficam maduros
Para comê-los contigo.

São decerto os passarinhos
Os primeiros a prová-los,
Só depois se eles gostarem
Nós vamos saboreá-los.

Temos de subir à árvore
Sem que a nossa avó nos veja!
Vive a suplicar ao céu
Que haja um Deus que nos proteja!

Se o Senhor assim nos deu
Lindos frutos saborosos,
Vai desejar com certeza
Que apreciemos, gulosos!

(ilustração de Ilona Bastos, poesia Maria da Fonseca)

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Fé, Esperança e Caridade

SALMO 54

A caridade dá os pés à esperança para caminhar até à meta da fé
Creio em ti como rei,
espero em ti como pastor,
amo-te como pai.

Creio em ti como fonte,
espero em ti como rio,
amo-te como água viva.

Creio em ti como Senhor,
espero em ti como Mestre,
amo-te como amigo.

Creio em ti como sol,
espero em ti como chuva,
amo-te como pão.

Creio em ti como Deus,
espero em ti como Salvador,
amor-te como irmão.

Creio em ti neste silêncio,
espero em ti nesta cruz,
amo-te nesta Igreja.

Creio em ti porque és,
espero em ti porque vens,
amo-te porque estás.
Frei Manuel Rito Dias, in Revista Bíblica, Nov-Dez 2010, n.º 331.

sábado, 9 de outubro de 2010

NEGRA


Gentes estranhas com seus olhos cheios doutros mundos
quiseram cantar teus encantos
para elas só de mistérios profundos,
de delírios e feitiçarias...
Teus encantos profundos de África.

Mas não puderam.
Em seus formais e rendilhados cantos,
ausentes de emoção e sinceridade,
quedas-te longínqua, intangível
virgem de contactos mais fundos.
E te mascararam de esfinge de ébano, amante sensual,
jarra etrusca, exotismo tropical,
demência, atracção, crueldade,
animalidade, magia...
e não sabemos quantas outras palavras vistosas e vazias.
Em seus formais cantos rendilhados
foste tu, negra...
menos tu.

E ainda bem.
Ainda bem que nos deixaram a nós,
do mesmo sangue, mesmos nervos, carne, alma,
sofrimento,
a glória única e sentida de te cantar
com emoção verdadeira e radical,
a glória comovida de te cantar, toda amassada,
moldada, vazada nesta sílaba imensa e luminosa: MÃE.

NOÉMIA DE SOUSA
(Moçambique)

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Que não se vá a força luzente...

Que não se calem os silêncios que me falam
Em palavras sonantes que não digo
Onde as minhas mãos predestinadas, embalam
Traindo os segredos que trago comigo.


Que não se vá esta força luzente
Que me despe das vestes onde me escondo
E pondo a nu, o que não olho de frente
Me expõe a verdade sobre a qual, tombo.


Que não se extinga a penumbra da noite
Nem a lua, as estrelas, no céu gravadas.
Nem o deslizar das nuvens que num açoite
Enchem a minha noite de cores ensolaradas.


Que não se perca em mim por mais que doa
O saber abraçar tudo o que magoa
Ou a capacidade de verter uma lágrima contida.


Que não se perca em mim a vontade de sorrir
De olhar o sol, de amar, ou apenar ir
À luta, em todas as curvas da vida.
Dulce Gomes, in Degrau de Silêncio.

sábado, 29 de maio de 2010

Aos sem abrigo

Aos sem abrigo de todo o Mundo

Nas noites frias de Inverno

Com muita chuva e a nevar

E os tristes sem abrigo

Sem ter com que se agasalhar

Pelas ruas com fome e frio

Assim vive muita gente

Dormem em cima de jornais

Não sabem o que é cama quente

Não é só pelo Natal

Que merecem ter carinho

Deviam olhar mais por eles

E arranjarem-lhe um cantinho

Onde eles dormissem melhor

E dar-lhe carinho e amor

Somos filhos do mesmo Pai

Que é Deus Nosso Senhor

Quem tiver muito dinheiro

Ajudem quem o não tem

No Céu têm a recompensa

De Jesus e da Virgem Mãe.

Maria Eugénia A. Pires 03/02/03 - Palheira- Castanheira de Pera (Minha terra natal)

domingo, 2 de maio de 2010

Hoje é Dia da Mãe

Hoje é dia da mãe.
A minha mãe é linda, por dentro e por fora.
Ela que toda a vida foi e é minha amiga, irmã, companheira.
Ela que toda a vida me protegeu e protege com as suas grandes asas.
Ela que me coloca sempre à frente de tudo e de todos.
Que me entende.
Que me acolhe.
Que me faz rir.
Que me ama.
Para ti, mãe, um dia muito feliz.
Saudades...

Dia da Mãe



Nostalgia, saudades...

Tanto caminho percorrido

olho para trás

vejo-me mãe de todos os dias

correndo, lidando, nunca parando

sem tempo para mim

criando minha progenitura

hoje olho para elas

e é só admiração!

Cresceram tão depressa,

nem tive tempo de as ver crescer

tanto lidava e corria e nunca parava.

Hoje a casa está meio vazia,

de casa elas voaram, das suas asas

hoje é só nostalgia e saudades,

daquele tempo

em que corria, lidava e nunca parava

e sem tempo para mim.

)

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Se eu morrer de amanhã...

Consolação
Se eu morrer de manhã
abre a janela devagar
e olha com rigor o dia que não tenho.

Não me lamentes. Eu não me entristeço:
ter tido a morte é mais do que mereço
se nem conheço a noite de que venho.

Deixa entrar pela casa um pouco de ar
e um pedaço de céu
- o único que sei.

Talvez um pássaro me estenda a asa
que não saber voar
foi sempre a minha lei.

Não busques o meu hálito no espelho.
Não chames o meu nome que eu não venho
e do mistério nada te direi.

Diz que não estou se alguém bater à porta.
Deixa que eu faça o meu papel de morta
pois não estar é da morte quanto sei.

ROSA LOBATO DE FARIA
(Este poema foi distribuído a todos os presentes na Igreja de Santa Isabel, na missa fúnebre de Rosa Lobato de Faria)

sábado, 3 de abril de 2010

A Alegria que desponta no horizonte


Tenho-a visto passar, cantando, à minha porta,
E às vezes, bruscamente, invadir o meu lar,
Sentar-se à minha mesa, e a sorrir, meia morta,
Deitar-se no meu leito e o meu sono embalar.
Tumultuosa, nos seus caprichos desenvoltos,
Quase meiga, apesar do seu riso constante,
De olhos a arder, lábios em flor, cabelos soltos,
A um tempo é cortesã, deusa ingénua ou bacante...
Quando ela passa, a luz dos seus olhos deslumbra;
Tem como o Sol de Inverno um brilho encantador;
Mas o brilho é fugaz, — cintila na penumbra,
Sem que dele irradie um facho criador.
Quando menos se espera, irrompe de improviso;
Mas foge-nos também com uma presteza igual;
E dela apenas fica um pálido sorriso
Traduzindo o desdém duma ilusão banal.
Onda mansa que só à superfície corre,
Toda a alegria é vã; só a Dor é fecunda!
A Dor é a Inspiração, louro que nunca morre,
Se em nós crava a raiz exaustiva e profunda!
No entanto, eu te saúdo e louvo, hora dourada,
Em que a Alegria vem extinguir, de surpresa,
Como chuva a cair numa planta abrasada,
A fornalha em que a Dor se transmuta em Beleza!
Pensar, é certo, eleva o espírito mais alto;
Sofrer torna melhor o coração; depura
Como um crisol: a chispa irrompe do basalto,
Sai o oiro em fusão da escória mais impura.
A Alegria é falaz; só quem sofre não erra,
Se a Dor o eleva a Deus, na palavra que O louve;
A Alma, na oração, desprende-se da terra;
Jamais o homem é vão diante de Deus que o ouve!
E contudo, — ilusão! — basta que ela sorria,
Basta vê-la de longe, um momento, a acenar,
Vamos logo em tropel, no capricho do dia,
Como ébrios, evoé! atrás dela a cantar!
Mas se ela, de repente, ao nosso olhar se furta,
Todo o seu brilho é pó que anda no sol disperso;
A Alegria perfeita é uma aurora tão curta,
Que mal chega a doirar as cortinas do berço.
Às vezes, essa luz, de tão frágil encanto,
Vem ainda banhar certas horas da Vida,
Como um íris de paz numa névoa de pranto,
Crepitação, fulgor duma estrela perdida.
Então, no resplendor dessa aurora bendita,
Toma corpo a ilusão, e sem ânsias, sem penas,
O espírito remoça, o coração palpita
Seja a nossa alma embora uma saudade apenas!
Mas efémera ou vã, a Alegria... que importa?
Deusa ingénua ou bacante, o seu riso clemente,
Quando, mesmo de longe, ecoa à nossa porta,
Deixa em louco alvoroço o coração da gente!
Momentânea ou falaz, é sempre um dom divino,
Sol que um instante vem a nossa alma aquecer...
Pudesse eu celebrar teu louvor no meu Hino!
Momentâneo, falaz encanto de viver!
O teu sorriso enxuga o pranto que choramos,
E eu não sei traduzir a ventura que exprimes!
Nesta sentimental língua que nós falamos,
Só a Dor e a Paixão têm acordes sublimes!

 António Feijó, in 'Sol de Inverno', postado a partir de "O Banquete da Palavra".

sexta-feira, 19 de março de 2010

TER UM PAI!...

Ter um Pai! É ter na vida
Uma luz por entre escolhos;
É ter dois olhos no mundo
Que vêem pelos nossos olhos!


Ter um Pai! Um coração
Que apenas amor encerra,
É ver Deus, no mundo vil,
É ter os céus cá na terra!


Ter um Pai! Nunca se perde
Aquela santa afeição,
Sempre a mesma, quer o filho
Seja um santo ou um ladrão;


Talvez maior, sendo infame
O filho que é desprezado
Pelo mundo; pois um Pai
Perdoa ao mais desgraçado!


Ter um Pai! Um santo orgulho
Pró coração que lhe quer
Um orgulho que não cabe
Num coração de mulher!


Embora ele seja imenso
Vogando pelo ideal,
O coração que me deste
Ó Pai bondoso é leal !


Ter um Pai ! Doce poema
Dum sonho bendito e santo
Nestas letras pequeninas,
Astros dum céu todo encanto!


Ter um Pai! Os órfãozinhos
Não conhecem este amor!
Por mo fazer conhecer,
Bendito seja o Senhor!


FLORBELA ESPANCA

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Viver em Quaresma!

       Quaresma.
       Ouvir Deus dizer: “Estou à porta e bato”.
       Quaresma.
       Inaugurar caminhos no conhecido e no comum. Escutar o Reino a crescer. Dividir a vida, porque só assim ela se multiplica.
       Quaresma.
       Confiar. Unir. 70X7. Aceitar. Cruz e Ressurreição. Olhar para longe. Ir ao encontro dos últimos. Escrever: “nenhum coração é uma ilha”.
       Quaresma.
       Escutar mais uma vez. Ter tempo para o outro. Apagar solidões e medos. Fixar-se no extraordinário convite para partilhar o Pão e o Vinho. Começar a conversa difícil com um sorriso.
       Quaresma.
       Perdoar. Repartir. Respeitar o ponto de vista do outro. Contar urna história. Enxugar uma lágrima. Encorajar.
       Quaresma.
       Celebrar tudo num gesto. Descobrir: a Páscoa é também um modo de ser. De viver. Recordar. Esquecer. Construir. Viver cada dia, este dia como se a vida inteira o tivéssemos esperado.
       Quaresma.
       E a Páscoa tão perto!

De José Tolentino Mendonça, in Banquete da Palavra.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Poema...

Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.

Eugénio de Andrade
in As Mãos e os Frutos