Mostrar mensagens com a etiqueta Política. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Política. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 20 de março de 2018

VL – Os cristãos e a política como serviço aos últimos

Os discípulos de Jesus vivem durante muito tempo na dinâmica do grupo: o nosso grupo, os nossos, os que andam connosco. O Messias de Deus é nosso, pertence-nos, temos o exclusivo. Os milagres que fizer hão de beneficiar os nossos, os do nosso povo. As palavras que Ele disser são-nos dirigidas, a não ser que sejam para maldizer os outros, os estrangeiros, os que estão para lá do nosso grupo.
Como não lembrar o episódio em que os discípulos dizem a Jesus que tinham proibido um homem de fazer milagres e anunciar em Seu nome pelo simples facto de não fazer parte do grupo? (cf. Mc 9, 38). Ou a estranheza quando veem Jesus a falar com a Samaritana? Já era demais estar a falar com aquela mulher em público, mais escandaloso é o facto de ser samaritana, inimiga dos judeus (Cf. Jo 4, 1-41). Ou quando querem deitar fogo do céu contra os samaritanos que não os acolhem, pois iam em sentido contrário? (Lc 9, 51-56).
Num outro episódio, proposto num dos últimos domingos, no encontro com uma mulher cananeia (Mt 15, 21-28), Jesus assume a sensibilidade dos judeus ciosos do seu Deus e da sua religião. Jesus mantém-se em silêncio (exterior) diante da investida da mulher estrangeira: «Senhor, Filho de David, tem compaixão de mim. Minha filha está cruelmente atormentada por um demónio».
É Mãe. Está tudo dito. Tudo fará para reaver o filho, para o reconquistar para a vida. Sujeita-se ao ridículo, à humilhação pública. Mas que lhe importa? O importante é a saúde e a vida do filho!
Porém, os discípulos ao apelarem a Jesus para que intervenha parecem incomodar-se sobretudo com a gritaria da mulher e não tanto pelo seu sofrimento!
Na resposta, Jesus diz-lhes que não foi enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel. Tinha sido essa a recomendação que Ele lhes dera quando os enviou dois a dois: «Não sigais pelo caminho dos gentios, nem entreis em cidade de samaritanos. Ide, primeiramente, às ovelhas perdidas da casa de Israel» (Mt 10, 5-6).
Convertamos em pergunta a resposta dada por Jesus àquela Mulher: "Será justo tomar o pão dos filhos para o lançar aos cachorrinhos?". Entramos na pedagogia de Jesus! A Mulher cananeia ajuda-nos a responder ao questionamento de Jesus: «É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa de seus donos».
Partindo da postura de Jesus, o compromisso dos cristãos na vida social, política (e partidária), na economia: ao serviço de quem mais precisa!

VL – Depois das eleições, o trabalho a favor de todos


Terminadas as eleições as autárquicas, é tempo de deitar mãos à obra e trabalhar nos projetos e ideias colocadas a escrutínio! Talvez! Temos a consciência que as escolhas que se fazem têm motivos muito diversos, ainda que todos aceitemos que é importante votar e escolher aqueles que em consciência são mais fiáveis para gerir o que é de todos. Ficar em casa será renunciar a fazer uma escolha, ficando-se sem razões para “protestar” ou para “aplaudir”, pois não fomos nós a escolher. Há pessoas, contudo, e temos de respeitar, que não votam conscientemente porque não se reveem na forma de fazer política, nos projetos apresentados, nas pessoas que encabeçam ou preenchem as listas. É um direito que lhes assiste, mas talvez seja preferível votar no “mal menor” quando não há listas ou projetos que preencham os requisitos necessários.
Depois das eleições é expectável (pelo menos em teoria) que todos congreguem esforços para melhorar a vida das pessoas e se unam à volta de ideias e projetos que concretizem a vontade de quem votou. Mas como disse antes, ao votarmos não o fazemos de forma fria, só pelo programa, votamos pelas pessoas, pela inclinação partidária, pelas ideias, pelos projetos ou pela situação pessoal e/ou familiar. Nas eleições locais há uma maior variação, ainda que possa haver (positiva e negativamente) influência do que se passa ao nível da governação central. Mas há localidades que surpreendem e nas quais não é possível, de todo, fazer leituras mais gerais.
O tempo da governação local é de quatro anos, pelo que a campanha eleitoral faz um interregno prolongado! Talvez. É possível que no dia seguinte ao das eleições se inicie de imediato a campanha eleitoral do próximo escrutínio. E não será mal se isso significar empenho, escuta das pessoas, trabalho na vereação ou na oposição para apresentar, discutir, aprovar, rejeitar propostas, em ordem a maior justiça, verdade, transparência, em prol do desenvolvimento local, da integração de todos, privilegiando os que se encontram em situação mais frágil. É bom que todos os eleitos se lembrem dessa condição: foram eleitos não (apenas) para tirar dividendos pessoais, mas (sobretudo) para representar os eleitores. E assim se enriquece a democracia.
Para os cristãos envolvidos ma vida político-partidária é válido o que atrás se disse, com a obrigação acrescida da promoção da vida e da dignidade humana de todas as pessoas, seguindo o Mestre na opção preferencial pelos mais pobres e a dinâmica de serviço e cuidado. Também na vida pública, o serviço aos outros deve ser prioridade. 

VL – Antes e depois das eleições. Ou nós ou o caos.

Os governantes autárquicos são os primeiros a responder às necessidades e carências das pessoas, num envolvimento não apenas burocrático mas humano, afetivo, sentimental. Uns e outros conhecem-se, interagem, são amigos, encontram-se para tomar café, para jogar às cartas, eventualmente frequentam a mesma Igreja.
A proximidade tem vantagens: é possível responder rapidamente sem estar à espera de estudos e conhecer atempadamente as dificuldades. Alguns riscos: o conhecimento e a convivência facilitam o desrespeito, o abuso e exigências absurdas. Na hora das eleições tudo conta. Com efeito, o voto tem variadas motivações, muitas vezes pouco racionais: um pedido atendido ou a demora em atendê-lo, uma discussão por causa de uma partilha, um emprego que se conseguiu para um familiar ou uma promessa (pessoal) adiada.
Também as cores partidárias têm o seu peso e ajudam alguns a vencer e/ou a perder, mas têm-se visto enormes surpresas, pois em muitas freguesias e concelhos as pessoas contam mais que o partido, ou potenciam-no.
No dia de avaliar os ganhos e as perdas, um líder partidário foi lapidar: quem perdeu não fomos nós, as populações é que perderam ao não votar em nós. É de todos conhecido o provérbio: presunção e água benta cada um toma a que quer.
Em todos os partidos há pessoas honestas, competentes, preocupadas, com ideias e projetos saudáveis e benevolentes. A democracia, diria Winston Churchill, é o pior regime à exceção de todos os outros, o que permite substituir, dentro de prazos razoáveis, quem não é competente ou quem não agrada, ainda que, em sentido inverso, o horizonte eleitoral possa levar os autarcas a decidir não em conformidade com o bem de todos ou o bem maior, mas perspetivando os ganhos eleitorais, evitando decisões que possam custar nova eleição.
Nas campanhas eleitorais sobrevaloriza-se a própria competência, as ideias e os projetos que se apresentam para votos: sou o melhor para governar, o meu programa é o mais amigo das populações, venho para servir, para ajudar as pessoas, não estou cá por nenhum interesse pessoal ou partidário, a minha lista tem as pessoas mais capazes! Quanto aos outros? Eles não percebem nada, estão apenas a defender os seus interesses pessoais, os seus familiares e amigos, em nada vão melhorar a vida das pessoas!
Passadas as eleições, o expectável é agradecer a quem votou em nós, mesmo que tenhamos perdido, e seguir em frente, procurando contribuir, nos órgãos próprios, para o bem de todos. Ficar refém de possíveis ingratidões ou da ingenuidade de quem votou, não leva a nada!

sábado, 19 de agosto de 2017

Domingo XX do tempo Comum - ano A - 20 de agosto

       1 – A Palavra de Deus deve iluminar a realidade presente e concreta, apontando caminhos, comprometendo os cristãos que a escutam. A reflexão da Palavra não pode e não deve ser abstrata, genérica, mas partir da experiência humana. Hoje, escutando o Evangelho e a forma como Jesus lida com "os outros" que não pertencem ao povo judeu, sugere-me que partamos do momento que já se respira na sociedade portuguesa: a campanha eleitoral com vista às eleições autárquicas.
       Vale a pena repescar as palavras do Papa Francisco: «Envolver-se na política é uma obrigação para um cristão... os cristãos não podem fazer de Pilatos, lavar as mãos... Devemos implicar-nos na política, porque a política é uma das formas mais elevadas da caridade, visto que procura o bem comum... Os leigos cristãos devem trabalhar na política. Dir-me-ão: não é fácil... A política é demasiado suja, mas é suja porque os cristãos não se implicaram com o espírito evangélico. É fácil atirar culpas... mas eu, que faço? Trabalhar para o bem comum é dever de cristão».
       A política é coisa boa. É o cuidado da polis (= cidade), o serviço aos cidadãos. É um elevado serviço de caridade quando procura o bem comum (não o bem individual, particular, privado, ainda que se exprima no serviço a pessoas concretas), o bem de todos, discutindo ideias, projetos, lançando propostas para melhorar a vida das pessoas.
       Os cristãos (leigos), em todos os cenários – também na vida política e partidária, pois é esse o sistema em vigor na república (res publica = coisa pública) –, devem testemunhar o amor a Deus através do serviço e dedicação ao próximo. Como sublinha o Papa, também à vida política, os cristãos devem emprestar os ideais do Evangelho, devem "acrescentar", promover, congregar, lutar por mais justiça, maior transparência, comprometendo-se com os mais frágeis e desfavorecidos. Os católicos tem de estar na política como na vida, procurando imitar Jesus Cristo, em tudo, com as suas fragilidades e qualidades, mas nunca desistindo de procurar a verdade e o bem comum, a fidelidade aos princípios da vida e da dignidade da pessoa. Respeito, elevação, honestidade, diálogo. Sem renunciar aos seus princípios, debatendo, apresentando propostas, sugerindo projetos, implicando-se com tudo o que possa melhorar a vida de todos.
       Infelizmente, muitas vezes vemos discutir pessoas e não projetos. "Nós fizemos", "Nós prometemos", "Eles não cumpriram", "Nós vamos cumprir"... O nosso grupo tem todas as qualidades... os outros são falsos, mentirosos, maus... O que partir de nós é bom... o que partir dos outros só pode ser mau... E, no final, o que importa é favorecer os que nos ajudaram na eleição, os outros que aguardem mais quatro anos ou então que nos tivessem apoiado!
       2 – Os discípulos de Jesus vivem (ainda) nesta dinâmica: o nosso grupo, os nossos, os que andam connosco. O Messias de Deus é nosso, pertence-nos, temos o exclusivo. Os milagres que fizer hão de beneficiar os nossos, os do nosso povo. As palavras que Ele disser são-nos dirigidas, a não ser que sejam para maldizer os outros, os estrangeiros, os que estão para lá do nosso grupo.
       Como não lembrar o episódio em que os discípulos dizem a Jesus que tinham proibido um homem de fazer milagres e anunciar em Seu nome pelo simples facto de não fazer parte do grupo? (cf. Mc 9, 38). Ou a estranheza quando veem Jesus a falar com a Samaritana? Já era demais estar a falar com aquela mulher em público, mais escandaloso é o facto de ser samaritana, inimiga dos judeus (Cf. Jo 4, 1-41). Ou quando querem deitar fogo do céu contra os samaritanos que não os acolhem, pois iam em sentido contrário? (Lc 9, 51-56).
       A pedagogia de Jesus é sublime. No diálogo com a mulher cananeia, Jesus assume a postura dos discípulos, a sensibilidade dos judeus ciosos do Seu Deus e da sua religião. Contrariamente ao que seria expectável, Jesus mantém-se em silêncio (exterior) diante da investida da mulher estrangeira: «Senhor, Filho de David, tem compaixão de mim. Minha filha está cruelmente atormentada por um demónio».
       Os discípulos estranham a posição do Mestre e colocam-se ao lado da mulher. Por certo que os discípulos perceberam que não era normal Jesus não responder favoravelmente, pois essa não é a Sua forma de agir. Talvez sintam compaixão por aquela Mãe em sofrimento. Já não basta o sofrimento, quanto mais a exposição em que se coloca?! É Mãe. Está tudo dito. Tudo fará para reaver o filho, para o reconquistar para a vida. Sujeita-se ao ridículo, a ser olhada de esguelha, sujeita-se a uma humilhação pública. Mas que lhe importa? O importante é a saúde e a vida do filho. Até pode morrer, mas que o filho seja salvo! Contudo, os discípulos parecem incomodar-se sobretudo com a gritaria da mulher e não tanto pelo seu sofrimento!
       3 – Na resposta aos discípulos, Jesus diz-lhes que não foi enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel. Tinha sido essa a recomendação que Ele lhes dera quando os enviou dois a dois: «Não sigais pelo caminho dos gentios, nem entreis em cidade de samaritanos. Ide, primeiramente, às ovelhas perdidas da casa de Israel» (Mt 10, 5-6).
       Porém, esta Mãe não desiste e insiste, prostrando-se aos pés de Jesus: «Socorre-me, Senhor». Será que Pedro percebeu que é um pedido semelhante ao seu, quando está a caminhar sobre as águas ao encontro de Jesus, como escutávamos no domingo passado? Parece que Jesus não se comove! O que contraria o que está contido nos Evangelhos: a Sua delicadeza e a docilidade, a proximidade às pessoas mais frágeis, aos pobres, aos doentes, às mulheres, às crianças, aos publicanos e pecadores! Então que se passa com a reação de Jesus? Assume a nossa postura para que nós nos ponhamos do lado de quem sofre e assumamos a Sua postura: pobreza e amor ao serviço dos mais desfavorecidos.
       Convertamos em pergunta a resposta dada por Jesus àquela Mulher: "Será justo tomar o pão dos filhos para o lançar aos cachorrinhos?". Entramos na pedagogia de Jesus que nos desafia. A Mulher cananeia ajuda-nos a responder ao questionamento de Jesus: «É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa de seus donos».
       A conclusão de Jesus abre o horizonte da salvação, mostrando que a salvação que nos traz não se destina a um grupo ou a um povo, mas destina-se a todos. A fé é a única exigência para a cura, para a redenção. Fé que se torna humildade diante de Deus e predisposição para acolher o Seu amor, o Seu perdão e a Sua cura. É na fé amadurecida desta mulher que Jesus opera a cura da sua filha.

       4 – Habitualmente contrapõe-se o Antigo e o Novo Testamento, sublinhando que o Deus do Antigo Testamento é sobretudo um Deus omnipotente, juiz, um Deus cioso do Seu poder e dos Seus desígnios, pronto para castigar aqueles que se transviam e alheio aos problemas da humanidade e, a acrescentar, um Deus nacional. No Novo Testamento, a novidade é assumida por Jesus: Deus é Pai, misericordioso e compassivo que Se imiscui na nossa vida, para nos elevar, sendo um Deus "universal".
       Porém, como se pode ver em Isaías, e em outros textos veterotestamentários, a vivência da fé e da religião leva a um compromisso concreto e real, como respeitar o direito e praticar a justiça. Deus escuta o clamor do pobre e revolve-se-Lhe o coração com as injustiças. E também os estrangeiros têm aceitação no Templo de Deus, «casa de oração para todos os povos».
       A condição para chegar ao coração de Deus está na (boa-) fé, na verdade que procura o bem, na humildade de se fazer caminho, na oração e louvor que brotam do coração, na persecução da justiça.
       Com efeito, já em Abraão Deus revelava que n'Ele abençoaria todos os povos da terra (cf. Gn 12, 3). Ele faz chover sobre bons e maus. Os Seus desígnios de amor abarcam a humanidade inteira e a própria eleição do Seu povo visa chegar a todos.

       5 – Como segunda leitura tem-nos sido servida a Carta de São Paulo aos Romanos. No domingo passado, o Apóstolo testemunhava como tudo fez para ganhar os seus compatriotas, os judeus, para Jesus Cristo. Cedo, contudo, percebeu que a mensagem de Jesus não era exclusiva para um povo e que a morte e ressurreição de Jesus não tinha sido particular, mas universal, por todos, para a todos salvar. São Paulo, na verdade, é o Apóstolo por excelência, é o primeiro a compreender a extensão do mistério pascal de Jesus e o primeiro que assumidamente se torna missionário junto dos gentios, também resultado da animosidade que encontra entre os judeus.
       O facto de agora se dirigir aos gentios, conforme confessa, não significa que desistiu dos seus conterrâneos. Se for exímio no ministério evangelizador junto dos pagãos, pode acontecer que provoque ciúmes nos da sua raça e assim atraia alguns para Cristo. Com efeito, Jesus morreu por todos, para a todos reconciliar para Deus. «Efetivamente, Deus encerrou a todos na desobediência, para usar de misericórdia para com todos».

Pe. Manuel Gonçalves


Textos para a Eucaristia (ano A): Is 56, 1. 6-7; Sl 66 (67); Rom 11, 13-15. 29-32; Mt 15, 21-28.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Maria José Nogueira Pinto: servi o melhor que soube e pude!

       A última crónica de Maria José Nogueira Pinto, no Diário de Notícias, com o título: NADA ME FALTARÁ. A fé no momento da despedida, quando já não havia esperança para este mundo, a esperança na eternidade de Deus.
       "Acho que descobri a política - como amor da cidade e do seu bem - em casa. Nasci numa família com convicções políticas, com sentido do amor e do serviço de Deus e da Pátria. O meu Avô, Eduardo Pinto da Cunha, adolescente, foi combatente monárquico e depois emigrado, com a família, por causa disso. O meu Pai, Luís, era um patriota que adorava a África portuguesa e aí passava as férias a visitar os filiados do LAG. A minha Mãe, Maria José, lia-nos a mim e às minhas irmãs a Mensagem de Pessoa, quando eu tinha sete anos. A minha Tia e madrinha, a Tia Mimi, quando a guerra de África começou, ofereceu-se para acompanhar pelos sítios mais recônditos de Angola, em teco-tecos, os jornalistas estrangeiros. Aprendi, desde cedo, o dever de não ignorar o que via, ouvia e lia.
       Aos dezassete anos, no primeiro ano da Faculdade, furei uma greve associativa. Fi-lo mais por rebeldia contra uma ordem imposta arbitrariamente (mesmo que alternativa) que por qualquer outra coisa. Foi por isso que conheci o Jaime e mudámos as nossas vidas, ficando sempre juntos. Fizemos desde então uma família, com os nossos filhos - o Eduardo, a Catarina, a Teresinha - e com os filhos deles. Há quase quarenta anos.
       Procurei, procurámos, sempre viver de acordo com os princípios que tinham a ver com valores ditos tradicionais - Deus e a Pátria -, mas também com a justiça e com a solidariedade em que sempre acreditei e acredito. Tenho tentado deles dar testemunho na vida política e no serviço público. Sem transigências, sem abdicações, sem meter no bolso ideias e convicções.
       Convicções que partem de uma fé profunda no amor de Cristo, que sempre nos diz - como repetiu João Paulo II - "não tenhais medo". Graças a Deus nunca tive medo. Nem das fugas, nem dos exílios, nem da perseguição, nem da incerteza. Nem da vida, nem na morte. Suportei as rodas baixas da fortuna, partilhei a humilhação da diáspora dos portugueses de África, conheci o exílio no Brasil e em Espanha. Aprendi a levar a pátria na sola dos sapatos.
       Como no salmo, o Senhor foi sempre o meu pastor e por isso nada me faltou - mesmo quando faltava tudo.
       Regressada a Portugal, concluí o meu curso e iniciei uma actividade profissional em que procurei sempre servir o Estado e a comunidade com lealdade e com coerência.
       Gostei de trabalhar no serviço público, quer em funções de aconselhamento ou assessoria quer como responsável de grandes organizações.  Procurei fazer o melhor pelas instituições e pelos que nelas trabalhavam, cuidando dos que por elas eram assistidos. Nunca critérios do sectarismo político moveram ou influenciaram os meus juízos na escolha de colaboradores ou na sua avaliação.
       Combatendo ideias e políticas que considerei erradas ou nocivas para o bem comum, sempre respeitei, como pessoas, os seus defensores por convicção, os meus adversários.
       A política activa, partidária, também foi importante para mim. Vivi-a com racionalidade, mas também com emoção e até com paixão. Tentei subordiná-la a valores e crenças superiores. E seguir regras éticas também nos meios. Fui deputada, líder parlamentar e vereadora por Lisboa pelo CDS-PP, e depois eleita por duas vezes deputada independente nas listas do PSD.
       Também aqui servi o melhor que soube e pude. Bati-me por causas cívicas, umas vitoriosas, outras derrotadas, desde a defesa da unidade do país contra regionalismos centrífugos, até à defesa da vida e dos mais fracos entre os fracos. Foi em nome deles e das causas em que acredito que, além do combate político directo na representação popular, intervim com regularidade na televisão, rádio, jornais, como aqui no DN.
        Nas fraquezas e limites da condição humana, tentei travar esse bom combate de que fala o apóstolo Paulo. E guardei a Fé.
       Tem sido bom viver estes tempos felizes e difíceis, porque uma vida boa não é uma boa vida. Estou agora num combate mais pessoal, contra um inimigo subtil, silencioso, traiçoeiro. Neste combate conto com a ciência dos homens e com a graça de Deus, Pai de nós todos, para não ter medo. E também com a família e com os amigos. Esperando o pior, mas confiando no melhor.
       Seja qual for o desfecho, como o Senhor é meu pastor, nada me faltará.

MARIA JOSÉ NOGUEIRA PINTO

quarta-feira, 6 de julho de 2011

MARIA JOSÉ NOGUEIRA PINTO

       Maria José Nogueira Pinto, deputada do PSD, morreu hoje aos 59 anos, vítima de cancro no pâncreas.
       Jurista de formação, licenciou-se pela faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Entrou na política em 1992, para o Governo de Cavaco Silva, como sub-secretária de Estado da Cultura. Um ano depois, abandonou o cargo em ruptura com Santana Lopes, que tutelava a pasta.
       Três anos depois, em 1995, entra na Assembleia da República como deputada independente eleita pelo CDS, partido do qual se torna militante um ano depois. Disputa a liderança do partido com Paulo Portas, foi líder parlamentar do partido e candidata à Câmara de Lisboa em 2005.
       Dois anos depois entra em conflito com Paulo Portas e abandona o CDS. Há dois anos, a convite de Manuela Ferreira Leite integrou as listas do PSD à Assembleia da República, cargo para o qual foi novamente eleita nas legislativas de Junho.
       Antes da vida política activa, Maria José Nogueira Pinto ocupou vários cargos em instituições públicas e privadas, foi vice-presidente do instituto português do cinema, directora da maternidade Alfredo da Costa e provedora da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.
       Desde a década de 90 que Maria José Nogueira Pinto era presença habitual na antena da Renascença como comentadora. Ultimamente integrou o painel do programa “Espaço Aberto”.


       E dizemos nós:
       Fervorosa defensora da vida, uma cristã que na vida política defendeu os valores da vida, da verdade, da justiça, da igualdade, do bem, da solidariedade. Por vezes a política altera a personailidade da pessoa. Aqui, a pessoa, Maria José Nogueira Pinto, levou os valores morais, cristãos, humanos, para humanizar a política, colocando esta ao serviço da pessoa, das pessoas.
        Felizmente, em todos os quadrantes políticos há valores que promovem a pessoa e a qulidade de vida. Em todos os quadrantes políticos há cristãos empenhados, comprometidos, não se deixando corromper, mas levando mais valia à vida político-partidária, do governo á oposição, da Assembleia a vários organismos governamentais

       O Presidente do Tribunal de Contas, Guilherme d'Oliveira Martins, falou nela à Rádio Renascença, como cidadã e cristã empenhada :

       Guilherme d'Oliveira Martins, que foi colega de faculdade de Maria José Nogueira Pinto, destaca a personalidade da deputada do PSD, que faleceu hoje aos 59 anos.
       Maria José Nogueira Pinto foi “uma cidadã e cristã empenhada”
       “Foi minha colega na faculdade e desde sempre devo reconhecer que ela se afirmou com uma personalidade muito forte, uma personalidade muito generosa, uma pessoa com qualidades extraordinárias, qualidades de cidadã, de uma cristã empenhada que foi sempre toda a vida", diz o actual presidente do Tribunal de Contas.
       "Perco uma grande amiga, que me suscita já uma grande saudade, mas sobretudo que cita o seu exemplo de alguém que deu sempre tudo ao serviço público e tudo aquilo que ela entendia ser o bem comum”, diz ainda Guilherme d'Oliveira Martins.

»» Veja também o que disse Ribeiro e Castro.
»» Não deixe de ler o Editorial da Rádio Renascença.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Si es Democracia no entiendo por qué es la mayoría quien pierde

       Como é possível que numa Democracia moderna seja a maioria a perder? Como é possível manifestar-se sem violência? Por que é que em tempo de crise, as classes dirigentes continuem a ter todo o tipo de privilégios, havendo cada vez mais famílias com hipotecas, sem emprego, com filhos para criar?
       O grito mudo:
       Veja, escute e reflicta: jovens espanhóis (e também portugueses) na Praça do Sol AQUI. Postado a partir de Padres Inquietos: Espanha, revolução moral

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Socialistas Católicos pedem novo referendo ao aborto

       No quarto aniversário do referendo e na véspera do Fórum Novas Fronteiras, que tem início a 12 de Fevereiro, os socialistas católicos lançam uma campanha para nova ida às urnas.
Armado com dez mil folhetos e autocolantes e dois mil cartazes, o Movimento Socialistas Católicos tentará sensibilizar a opinião pública para a convocação de um nova consulta popular sobre o aborto, marcando o quarto aniversário da despenalização.
       Cláudio Anaia, líder do grupo de 70 militantes do PS diz que «há novos argumentos para pedir um novo referendo». Numa altura em que «se corta nos abonos de família», a lei isenta de taxas moderadoras as mulheres que abortam e concede-lhes licenças até 30 dias.
       Este grupo pró-vida sublinha ainda que o número de interrupções legais da gravidez tem continuado a subir, quando «já devia ter começado a decrescer». Mas, desde 2007, todos os anos o número de abortos nos hospitais tem subido, notam.
       Os Socialistas Católicos defendem o referendo com a expectativa de que «o aborto deixe de ser um negócio e que o Estado deixe de o financiar». O financiamento deve ser canalizado «para associações pró-vida».
       Cláudio Anaia gostaria de estar representado «com uma moção» no congresso do PS que vai realizar-se em Abril, mas não alimenta muitas esperanças. «As intervenções são controladas, os congressos são feiras de vaidades», diz ao SOL.
       Daí a intervenção em paralelo que ocorre em Lisboa, Porto, Coimbra e Setúbal, no mesmo fim-de-semana em que José Sócrates realiza a convenção Novas Fronteiras.

Fonte: SOL, via Asas da Montanha.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Somos um povo com coração

       Frei Fernando Ventura, em entrevista ao Jornal das 9, na SIC Notícias, traça um retrato preocupante do país, dos políticos, com líderes peneirentos, à esquerda e à direita, como país somos "uma barraca de um bairro de lata com um submarino à porta, somos o pessoal das barracas com a antena parabólica no tecto... temos um país a cair de podre mas com um submarino lindo para as visitas verem", ...não temos dinheiro para folclore... Somos um povo que tem coração, tem fibra para lutar. Não se pode pensar em TGV com pessoas a comer nos contentores do lixo.
       Ouça, veja com atenção, reflicta, tire a suas conclusões...
Postado a partir de Paróquia de Tarouca.