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quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Todos Te procuram, Senhor! Também eu...

        Jesus saiu da sinagoga e foi, com Tiago e João, a casa de Simão e André. A sogra de Simão estava de cama com febre e logo Lhe falaram dela. Jesus aproximou-Se, tomou-a pela mão e levantou-a. A febre deixou-a e ela começou a servi-los. Ao cair da tarde, já depois do sol-posto, trouxeram-Lhe todos os doentes e possessos e a cidade inteira ficou reunida diante da porta. Jesus curou muitas pessoas, que eram atormentadas por várias doenças, e expulsou muitos demónios. Mas não deixava que os demónios falassem, porque sabiam quem Ele era. De manhã, muito cedo, levantou-Se e saiu. Retirou-Se para um sítio ermo e aí começou a orar. Simão e os companheiros foram à procura d’Ele e, quando O encontraram, disseram-Lhe: «Todos Te procuram». Ele respondeu-lhes: «Vamos a outros lugares, às povoações vizinhas, a fim de pregar aí também, porque foi para isso que Eu vim» (Mc 1, 29-39).
       A missão de Jesus é um contínuo. Inicia a vida pública e passa de uma a outra terra, procurando chegar a todas as pessoas. Permanece o tempo suficiente para deixar marcas. Mas avança, para que cada um, tocado pela Sua presença, pela Sua graça, possa decidir livremente. Há os que O seguem, há os que O acolhem em suas vidas.
       Prega. Cura. Expulsa dos demónios. Esta é a certeza de que vem da parte de Deus.
       Embora a Sua vida seja uma oração constante a Deus - o seu verdadeiro alimento é Deus, é fazer a vontade de Seu Pai -, Jesus retira-se, afasta-se da multidão, para rezar. É um convite para nós: fazermos da nossa vida oração, mas reservarmos tempo para a intimidade com Deus, para o diálogo, para a oração.
       Todos de Te procuram Senhor! Alguns não sabem quem Tu és. Outros procuram-Te, mas estão longe de Ti, correm para Ti às apalpadelas, aos tropeções. Procuram-te onde Tu não estás. Procuram-Te substituindo-Te por ídolos, por deuses mais fáceis, criados à sua imagem e semelhança, conforme a disposição e o interesse. Procuram-Te!
       Também eu Te procuro. Também eu Te quero procurar.
       Também eu quero que me encontres. Também eu quero deixar que Tu me encontres.
       Também quero ser curado por Ti. Também quero seguir-Te.

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Sei quem Tu és: o Santo de Deus

       Jesus chegou a Cafarnaum e quando, no sábado seguinte, entrou na sinagoga e começou a ensinar, todos se maravilhavam com a sua doutrina, porque os ensinava com autoridade e não como os escribas. Encontrava-se na sinagoga um homem com um espírito impuro, que começou a gritar: «Que tens Tu a ver connosco, Jesus Nazareno? Vieste para nos perder? Sei quem Tu és: o Santo de Deus». Jesus repreendeu-o, dizendo: «Cala-te e sai desse homem». O espírito impuro, agitando-o violentamente, soltou um forte grito e saiu dele. Ficaram todos tão admirados, que perguntavam uns aos outros: «Que vem a ser isto? Uma nova doutrina, com tal autoridade, que até manda nos espíritos impuros e eles obedecem-Lhe!». E logo a fama de Jesus se divulgou por toda a parte, em toda a região da Galileia. (Mc 1, 21-28).
       A vida de Jesus não tem interregnos. Depois do Seu batismo, Jesus vai percorrer cidades, aldeias, passando de uma região a outra. Os evangelhos dão-nos conta do movimento constante de Jesus. Quase não se encontra no mesmo sítio. Está como que estado de permanente peregrinação. Sabe que todo o tempo de que dispõe é escasso para anunciar o reino de Deus, curar os enfermos, sensibilizar os corações para se abrirem à graça de Deus. Todo o tempo é pouco para fazer o bem. Refira-se, em todo o caso, que não é um fugitivo. As pessoas sabem onde Ele se encontra. Por vezes permanece um, dois, três dias, para ter oportunidade de chegar a todos, para cimentar a Palavra.
       Em Cafarnaum, Jesus entra na Sinagoga onde encontra um homem possesso. Ao libertá-lo do espírito impuro, Jesus mostra como o poder do bem é maior, o poder de Deus tudo vence. Também aí deverá repousar a nossa confiança. Por mais pessimistas que possamos ser, o AMOR de Deus vencerá.
       Por outro lado, sublinha-se que Jesus ensinava com autoridade e não como os escribas. Muitas vezes o Evangelho fala desta autoridade de Jesus. Vem-Lhe de Deus Pai, vem do conteúdo da Mensagem, mas sobretudo, o que é observável pelos conterrâneos e contemporâneos, a palavra corresponde à vivência. A autoridade significa aqui coerência de vida.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos Céus

       Naquele tempo, quando Jesus ouviu dizer que João Batista fora preso, retirou-Se para a Galileia. Deixou Nazaré e foi habitar em Cafarnaum, terra à beira-mar, no território de Zabulão e Neftali. Assim se cumpria o que o profeta Isaías anunciara, ao dizer: «Terra de Zabulão e terra de Neftali, estrada do mar, além do Jordão, Galileia dos gentios: o povo que vivia nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam na sombria região da morte uma luz se levantou». Desde então, Jesus começou a pregar: «Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos Céus». Depois percorria toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, proclamando o Evangelho do reino e curando todas as doenças e enfermidades entre o povo. A sua fama propagou-se por toda a Síria: traziam-Lhe todos os que estavam doentes, atingidos de diversos males e sofrimentos, possessos, epilépticos e paralíticos, e Jesus curava-os. Seguiram-n’O grandes multidões, que tinham vindo da Galileia e da Decápole, de Jerusalém, da Judeia e de Além-Jordão (Mt 4, 12-17.23-25).
       Jesus é a LUZ que vem erradicar toda a treva. É a grande luz que nos traz a salvação, a paz, a vida nova. Com a prisão do João Batista, diz-nos o Evangelho, Jesus alarga e aprofunda a Sua missão. De algum modo se percebe a delicadeza de Jesus para com João, respeitando a sua missão e o espaço. A missão de um e outro entrelaçam-se, não se confundem, nem se sobrepõem. João prepara o caminho. Jesus é o Caminho. João fala da luz que há de surgir. Jesus é a Luz.
       De imediato e sem rodeios Jesus diz ao que vem: "Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos Céus". E age em conformidade. Prega, age: cura enfermidades e doenças. Como discípulos a missão é similar: anunciar a proximidade do Reino de Deus, que para nós é o próprio Jesus Cristo, e fazer com que Ele seja próximo de todos.

terça-feira, 19 de junho de 2018

Pe. TOLENTINO MENDONÇA - ELOGIO DA SEDE

TOLENTINO MENDONÇA, José (2018). Elogio da Sede. Lisboa: Quetzal. 178 páginas.
O Pe. José Tolentino Mendonça foi convidado, na última Quaresma (2018) para orientar os Exercícios Espirituais do Papa Francisco e da Cúria Romana. Este Livro recolhe as suas reflexões que tem como ponto de ancoragem o encontro de Jesus com a Samaritana. Ao abeirar-se do poço de Jacob, Jesus pede à mulher samaritana: dá-me de beber. Em Jesus, Deus faz-Se sedento da humanidade. A nossa sede de sentido tem correspondência à sede de Deus por nós. No final, é Jesus a Água viva que sacia a nossa sede, a da Samaritana, a minha sede e a tua sede.

       O Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura publicou os textos, as intervenções do Pe. Tolentino Mendonça, dirigidas ao Papa e à Cúria Romana, mas que é útil também para nós. Siga a hiperligação: 

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Quem Me ama guardará a minha palavra...

       A liturgia da Palavra, proposta para esta segunda-feira da 5.º Semana da Páscoa, mostra-nos, como temos vindo a acompanhar, a evolução das primeiras comunidades cristãs. Jerusalém, como ponto de irradiação e logo as comunidades que vão nascendo na Diáspora dos judeus. Por um lado, os judeus que se deslocam a Jerusalém, nas festividades, e que quando regressam a suas casas e às terras onde vivem, levam as novidades, entre as quais a dinâmica do cristianismo. Por outro lado, a perseguição à Igreja que obriga os crentes cristãos a fugir, a refugiar-se, a deslocar-se para outras terras, levando consigo a fé em Jesus Cristo e dando testemunho, as razões porque foram expulsos e porque aderiram à mensagem de Cristo.
       Na segunda parte dos Atos dos Apóstolos acompanhamos sobretudo São Paulo. A sua conversão a Jesus começa a dar bom fruto na pregação, mas também a perseguição:
Surgiu em Icónio um movimento, da parte dos pagãos e dos judeus, com os seus chefes, para maltratar e apedrejar Barnabé e Paulo. Conscientes da situação, estes refugiaram-se nas cidades da Licaónia, Listra, Derbe e seus arredores, onde começaram a anunciar a boa nova. Havia em Listra um homem inválido dos pés, coxo de nascença, que nunca tinha podido andar. Um dia em que escutava as palavras de Paulo, este fixou nele os olhos e, vendo que tinha fé para ser curado, disse-lhe com voz forte: «Levanta-te e põe-te direito sobre os pés». Ele levantou-se e começou a andar. Ao ver o que Paulo tinha feito, a multidão exclamou em licaónico: «Os deuses tomaram forma humana e desceram até nós». A Barnabé chamavam Zeus e a Paulo Hermes, porque era este que falava. Então o sacerdote do templo de Zeus, que estava à entrada da cidade, trouxe touros e grinaldas para as portas do templo e, juntamente com a multidão, pretendia oferecer-lhes um sacrifício. Quando souberam isto, os apóstolos Barnabé e Paulo rasgaram as túnicas e precipitaram-se para a multidão, clamando: «Amigos, que fazeis? Nós somos homens como vós e vimos anunciar-vos que deveis abandonar estes ídolos e voltar-vos para o Deus vivo, que fez o céu, a terra e o mar e tudo o que neles existe. Nas gerações passadas, permitiu que todas as nações seguissem os seus caminhos. Mas nem por isso deixou de dar testemunho da sua generosidade, concedendo-vos do céu as chuvas e estações férteis, para saciar de alimento e felicidade os vossos corações». Com estas palavras, a custo impediram a multidão de lhes oferecer um sacrifício (Atos 14, 5-18).
       Neste relato vemos como a fé precisa de amadurecer: Paulo e Barnabé são instrumentos ao serviço do Evangelho. Não são deuses. Permanecem firmes a Jesus Cristo.
       No Evangelho, Jesus desafia a permanecermos fiéis ao Seu mandato de amor. Amar Jesus Cristo equivale a guardar os Seus mandamentos. Guardar os Seus mandamentos, conduz-nos aos outros e ao compromisso com o mundo que é o nosso.
Disse Jesus aos seus discípulos: «Se alguém aceita os meus mandamentos e os cumpre, esse realmente Me ama. E quem Me ama será amado por meu Pai e Eu amá-lo-ei e manifestar-Me-ei a ele». Disse-Lhe Judas, não o Iscariotes: «Senhor, como é que Te vais manifestar a nós e não ao mundo?» Jesus respondeu-lhe: «Quem Me ama guardará a minha palavra e meu Pai o amará; Nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada. Quem Me não ama não guarda a minha palavra. Ora a palavra que ouvis não é minha, mas do Pai que Me enviou. Disse- vos estas coisas, enquanto estava convosco. Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos recordará tudo o que Eu vos disse» (Jo 14, 21-26).

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Novena da Imaculada Conceição 2017 - Nono Dia

       O Senhor é a nossa fortaleza, a nossa muralha (cf. Is 26, 1-6). A muralha é para nossa defesa, para nossa proteção. Então, dizer que Deus é a nossa muralha, é dizer que Ele nos quer bem, que quer proteger-nos. Tudo passa, mas Ele permanece. É um Deus forte em Quem podemos confiar a nossa vida.
       O salmo deste dia (117) mantém o mesmo registo. Deus é o nosso refúgio. Sabemos o que é um refúgio e quando precisamos dele. Por exemplo, para nos protegermos da chuva: o refúgio pode ser um guarda-chuva, uma varanda, uma paragem de autocarro. Deus é o nosso refúgio, n'Ele nos refugiamos quando advém as dificuldades, as intempéries, os problemas na nossa vida. Então recorramos a Ele, Ele é verdadeiramente o refúgio.
       No Evangelho (Mt 7, 21.24-27), Jesus fala no homem sensato e no homem insensato. O homem sensato é aquele que constrói sobre rocha firme. Temos estas duas possibilidades, construir sobre a areia, que agora está, mas logo desaparece, com o vento ou com a chuva. Também assim a nossa vida quando a construímos sobre coisas passageiras, que passam. Ou construímos sobre rocha firme, que não desmorona. A rocha firme, a muralha, o nosso refúgio é Deus. "Todo aquele que ouve as minhas palavras e as põe em prática é como o homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, vieram as torrentes e sopraram os ventos contra aquela casa; mas ela não caiu, porque estava fundada sobre a rocha".
       Nossa Senhora constrói a sua casa sobre a rocha firme. Um dia fazem saber a Jesus: Tua Mãe e Teus irmãos estão lá fora... Jesus responde: quem é Minha Mãe e Meus irmãos? Quem escuta a Palavra de Deus e a põe em prática, esse é Minha Mãe, Meu irmão, Minha irmã.
       O desafio para hoje, proposto pelo Pe. Luís Rafael é então confiar no Senhor, a nossa muralha e o nosso refúgio, construir a nossa vida sobre a rocha firme da Sua palavra procurando pô-la em prática, imitando Maria, próxima de Jesus porque é a Sua Mãe, mas também por escutar a Palavra de Deus, concretizando-a na sua vida.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Novena da Imaculada Conceição 2017 - Oitavo Dia

       Temos um Deus que gosta de nós. Um Deus que está próximo e nos ama. Ama e cuida de nós.  Que enxugará as nossas lágrimas (Is 25, 6-10a). Prepara-nos a mesa. Uma refeição. Não um sandes, mas um banquete. Quando vimos à Igreja, tomamos parte neste banquete, temos mesa, temos pão e vinho. Venhamos com alegria.
       No Evangelho (Mt 15, 29-37 ), o cuidado e atenção nos gestos e na postura de Jesus. Não é indiferente. Age. Cura os coxos, os aleijados, dá vista aos cegos, devolve a voz aos mudos. Talvez precisemos que Jesus nos devolva a visão para vermos a realidade, nos dê a voz para denunciarmos as injustiças, nos redime do nosso coxear, do nosso pecado. Este é como uma pedra no sapato, faz-nos andar torcidos...
       O cuidado de Jesus, este Deus que nos quer bem, continua. Aquela multidão está faminta, pois há três dias que O acompanham sem comer. O nosso Deus é um Deus atento. Jesus faz saber aos seus discípulos que é necessário fazer algo por aqueles homens e mulheres. Os apóstolos hesitam, argumentam sobre a falta de meios. Jesus pede-lhes o que têm. Jesus atende-nos e faz-nos milagres, mas contando connosco.
       Maria é bem diferente dos apóstolos, estes só reparam depois de Jesus os chamar a atenção. Maria está atenta, como nas Bodas de Caná, e intervém quando é preciso. Assim devemos ser nós, atentos, observadores, prontos para fazer o que está ao nosso alcance para ajudarmos quem mais precisa.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Novena da Imaculada Conceição 2017 - Sétimo Dia

       Se no dia anterior a alegria esteve no centro da reflexão, foi a alegria o ponto de partida para a pregação deste sétimo dia de novena. As palavras do Evangelho (Lc 10, 21-24) dizem-nos que Jesus exultou de alegria. E qual a motivação desta alegria? A verdade e a salvação que veio revelar à humanidade inteira, mas desvendada, percebida e acolhida pelos mais pequeninos. Com efeito, é a pequenez que nos faz perceber a grandeza de Deus. Por vezes não são aqueles que estudam muitas coisas acerca de Deus que sabem mais de Deus. Pessoas mais simples, muitas vezes, percebem e acolhem mais facilmente os mistérios de Deus. «Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e aos inteligentes e as revelaste aos pequeninos».
       A simplicidade, a pobreza, a pequenez que deixam ver Jesus. Jesus faz-Se tão pequeno que é um de nós. Ele vem para servir, não para ser servido ou para dominar. Ser pequenino é ser parecido com Jesus. Foi assim com Maria. No Magnificat, Maria alegra-se porque na Sua humildade Deus pode ser encontrado, pode ser visto e pode ser louvado. «Ninguém sabe o que é o Filho senão o Pai, nem o que é o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar». No rosto de Jesus podemos encontrar o rosto do Pai. Também nós somos provocados a sermos parecidos com Jesus, a sermos cara chapada do mesmo Deus. Se Ele é Pai de todos, todos nós somos filhos, então todos devemos ser parecidos, para que quem nos veja possa ver o Pai.
       Os desafios para este dia: fazer-se pequeno ao jeito de Jesus, contrapondo à tendência do mundo, para o qual os pequeninos são excluídos; procurar ser parecido com Jesus, tal como Ele o é em relação ao Pai, também nós em relação a Jesus, porque irmãos, filhos do mesmo Pai, então todos parecidos com o Pai; então ajamos em atitude de serviço para com os outros imitando Jesus, imitando Nossa Senhora.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Novena da Imaculada Conceição 2017 - Sexto Dia

(Seminário de Resende, 5 de junho de 2010)

       Uma senhora muito devota, ia a Missa e levava o neto. Sempre que se aproximava da comunhão assumia uma expressão muito séria e carregada. O neto que a acompanhava muitas vezes olhava para ela, assimilando a postura e as expressões. Ao comungar esta senhora suspirava profundamente, com uns "ais" bem sonoros. O neto, entretanto, aproximava-se da celebração da Primeira Comunhão e um dia perguntou à avó: Vovó, comungar dói muito?
        Uma pequena estória proposta pelo pregador, o Pe. Luís Rafael, para sublinhar a alegria que a fé, a vivência em comunidade, a participação na Eucaristia, na Novena, nas "coisas" da Igreja deve suscitar, ao ponto de outros perguntarem, não se dói, se custa muito, mas como é que é, o que é que vos deixa tão satisfeitos, tão alegres?
       O Evangelho, ponto de partida para a pregação, apresentava-nos o Centurião que vai ter com Jesus para que Ele socorra o seu criado (Mt 8, 5-11). Sublinhe-se que era um estrangeiro, não era judeu, e a acrescentar ainda o facto de estar ao serviço de uma potência estrangeira. Como estrangeiro, não teria direito à intervenção de Deus, à salvação, reservado precisamente aos judeus. Contudo, o Evangelho mostra que Jesus vem para todos e a salvação está acessível a todos, tem mais a ver com a predisposição do coração. O centurião vai até Jesus, acredita e confia em Jesus. E Jesus responde de imediato: irei curá-lo. Vem então a consciência do centurião: «Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa; mas diz uma só palavra e o meu servo ficará curado». A consciência humilde do seu pecado perante a grandeza de Jesus, mas não deixa de se dirigir a Ele. Esta é a humildade com que devemos aproximar-nos de Jesus, conscientes da nossa fragilidade e do nosso pecado, mas certos de que Ele nos cura, nos salva, nos redime.
       E depois a alegria com que vivemos o nosso encontro e a nossa fé. A alegria do centurião ao regressar a casa. A alegria de Nossa Senhora, por exemplo, quando vai apressadamente ao encontro da Sua prima santa Isabel. Vai feliz da vida, sem lamentos nem protestos, simplesmente vai, levando também a alegria no Seu seio, ao encontro de uma grávida, estando grávida do Salvador. Seja essa também a nossa alegria de sermos e vivermos como cristãos.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Novena da Imaculada Conceição 2017 - Quinto Dia

       O 5.º dia da Novena coincidiu com o 1.º Domingo de Advento, tempo de preparação para a celebração do Natal, o nascimento de Jesus. Por ser domingo a dinâmica da Novena alterou-se um pouco, uma vez que a Eucaristia foi celebrada da parte da manhã. Sendo assim, a Eucaristia foi exposta em adoração e diante do Santíssimo Sacramento rezamos com Maria a Jesus, para que no Filho, pelo Espírito Santo sejamos acolhidos pelo Pai.
       Depois da recitação do Rosário, a proclamação do Evangelho deste domingo, em que Jesus nos desafia a estarmos preparados, vigilantes, pois o "dono da casa" virá a horas imprevistas e tendo-nos confiado a casa o expectável é que nos encontre acordados para o receber e com a casa bem arrumada.
       O Pe. Luís Rafael centrou a pregação na necessidade de prepararmos bem a vinda de uma Pessoa importante, de uma Pessoa muito especial, Jesus. Tal como fazemos quando vem uma personalidade importante à nossa terra, por exemplo, o Presidente da República, em que limpamos estradas e caminhos, tapamos buracos, arrancamos as ervas, as urtigas, as silvas, assim também, ao prepararmos a vinda de Jesus, arranquemos as urtigas que existem em nós, sabendo que picam, que picam quem se aproxima de nós. Se recebemos uma visita em casa, arrumamos melhor a casa, mesmo que esteja habitualmente arrumada, fazemos uma comida especial e ansiosamente esperamos, vamos espreitando pela janela a ver se a pessoa está a chegar. Então também com Jesus, vivamos nesta ansiedade pela Sua chegada, preparemo-nos bem para O acolhermos bem.
       Afinal, Ele quer estar connosco, tanto que Se fez um de nós. Tanto que não apenas Se fez um de nós mas Se transformou em Pão. Mais simples e mais acessível. Está ao nosso lado, está na Eucaristia, está exposto como Santíssimo Sacramento. Agora é a nossa vez de O acolhermos, de O acolhermos bem.
       Quando uma mulher está grávida, e muitas mulheres que estão na assembleia já estiverem grávidas, preparam tudo com antecedência para acolher o filho que vai nascer e sabendo quando darão à luz, preparam tudo para levar para o hospital, pijama, roupinha do bebé. Ela preparou-se durante 9 meses. Nós temos um pouco menos de 4 semanas para prepararmos bem, exterior e interiormente a vinda de Jesus. Em vésperas da Solenidade da Imaculada Conceição temos o Sacramento da Reconciliação para dessa forma nos prepararmos interiormente para a celebração festiva do nascimento de Jesus.

sábado, 2 de dezembro de 2017

Novena da Imaculada Conceição 2017 - Terceiro Dia

       A liturgia da Palavra ofereceu-nos como 1.ª Leitura um texto apocalíptico de Daniel, com imagens de animais, fortes, ferozes. Correspondem a 4 reinos cuja grandeza, riqueza e poder dominam e metem medo, mas não perdurarão, tem os dias contados. Num segundo momento, surge «alguém semelhante a um Filho do homem. Dirigiu-Se para o Ancião venerável e conduziram-no à sua presença. Foi-lhe entregue o poder, a honra e a realeza, e todos os povos, nações e línguas O serviram. O seu poder é eterno, não passará jamais, e o seu reino jamais será destruído» (Dan 7, 2-14).
       No Evangelho, Jesus fala na proximidade do reino, garantindo, que «não passará esta geração sem que tudo aconteça. Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão» (Lc 21, 29-33).
O Pe. Luís Rafael sublinhou que tudo passa, só não passa a Palavra de Deus, o reino de Deus permanece. E não apenas passa, a Palavra de Deus trespassa. Jesus é trespassado com um lança. Assim a Palavra de Deus deve trespassar-nos, deixar marcas em nós, para que possamos também transparecer essa Palavra que nos atravessa.
       Não é uma Palavra qualquer. É uma Palavra que marca. Beijamos o Evangelho, porque é importante. Não se beija um papel, a não ser alguma fotografia de quem gostamos, a quem amamos. Amamos a Palavra de Deus.
       Nossa Senhora deixou-se trespassar pela Palavra de Deus, acolhendo-A no Seu coração e no Seu ventre, na Sua vida. n'Ela podemos ler a Palavra de Deus. É uma Bíblia aberta. Trespassada pela Palavra de Deus, dá-no-l'A. Assim nos cabe a nós fazer o mesmo: amar a Palavra de Deus. Beijar a Palavra, deixarmo-nos trespassar pela Palavra de Deus e sermos uma Bíblia aberta para os outros, que eles descubram em nós a Palavra e a presença de Deus.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Novena da Imaculada Conceição 2017 - Segundo Dia

       Ao segundo dia de NOVENA, a Festa do Apóstolo Santo André. O Pe. Luís Rafael, tendo como referência Santo André, mas partindo sempre da liturgia da Palavra, começou por lembrar a importância da pregação para a fé. "Se confessares com a tua boca que Jesus é o Senhor e se acreditares em teu coração que Deus O ressuscitou dos mortos, serás salvo. Pois com o coração se acredita para obter a justiça e com a boca se professa a fé para alcançar a salvação".
       É a pregação que conduz à conversão, à fé, à adesão a Jesus Cristo (cf. Rom 10, 9-18). Não fales com estranhos, não fales com desconhecidos. é a recomendação dos nossos pais. Ora se Deus é desconhecido como podemos acreditar com o coração e professá-l'O com a boca? Se ninguém nos falar de Deus, Ele será então um desconhecido. Nós temos fé porque alguém O tornou conhecido para nós, os nossos pais e avós, as nossas catequistas, outras pessoas mais velhas que nos ensinaram a conhecer melhor Jesus, os nossos párocos. E assim foi com os Apóstolos, conhecendo Jesus Cristo puderam dá-l'O a conhecer a outros através da pregação, do testemunho.
       O Evangelho deste dia (Mt 4, 18-22) mostra como Jesus Se deu a conhecer aos Apóstolos, os chamou para O seguirem, O acompanharem e posteriormente darem d'Ele testemunho para que para outros Jesus Se tornasse conhecido. A pregação, esta Novena visa precisamente conhecer cada vez melhor Jesus, para nos tornamos Seus discípulos, nos tornarmos pescadores de homens e de mulheres. O contexto do chamamento apostólico é um mar. Para nós, sublinhou o Pregador, o mar é sinónimo de férias, relaxamento, de descanso. Para os apóstolos o mar é sinónimo de trabalho, de fadiga, de sofrimento e de morte. É a esse mar que Jesus os vai chamar. É para isso que Jesus dá a Sua vida. É o mistério da Sua morte e sobretudo da Sua ressurreição. Pescar homens e mulheres para os libertar do sofrimento e da morte. Com a Sua ressurreição, Jesus pescou-nos ao mar da morte, primeiro da Sua e depois da nossa. Depois chamou os apóstolos e chamou-nos também a nós, para sermos pescadores e pescarmos homens e mulheres ao mar do sofrimento, dos flagelos e da morte.
       Maria tem tudo a ver com isto. Ela dá-nos a conhecer Jesus, para que Ele não seja um desconhecido para nós e assim possamos acreditar n'Ele com o coração e professá-l'O com a boca. Foi ela que nos pescou a todos, nos tirou do mar das nossas casas, onde por vezes vivemos a dor, o sofrimento, e nos trouxe para melhor conhecermos Jesus, melhor O testemunharmos.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Novena da Imaculada Conceição 2017 - Primeiro Dia

      A Paróquia de Tabuaço, como certamente outras comunidades paroquiais, vive um tempo de graça, com a NOVENA de preparação e em honra de Nossa Senhora da Conceição, nossa Padroeira. Este ano o Pregador da Novena e da Festa é o Pe. Luís Rafael, natural de Vila da Ponte, Pároco de Almacave e responsável pelo Departamento Diocesano da Pastoral dos Jovens, tendo sido ordenado sacerdote a 2 de julho do corrente ano de 2017.
       Situando-nos à volta da Liturgia da Palavra, o Pe. Luís Rafael fez-nos revisitar o banquete de Nabucodunosor (Dan 5, 1ss), rei da Babilónia, um dos impérios que subjugou os judeus. Num banquete onde prevaleceu a maldade até que uma mão escreve na parede, vem o temor pelo mal feito e o pedido a Daniel para interpretar as palavras escritas por aquela mão, revelando-se a fragilidade daquele reino.
       Fazer as coisas corretas, ser cristão, seguir Jesus Cristo nem sempre é fácil, como referiu Jesus aos seus discípulos (Lc 21, 12-19). Uma das palavras vincadas no Evangelho é precisamente a que é dita também a Nossa Senhora pelo Anjo aquando da Anunciação: não temas!
      O mal pode levar-nos a tremer como varas verdes, mas deve levar-nos sobretudo à confiança em Deus, acolhendo-nos à Sua misericórdia. Preparamo-nos para a Festa da Senhora da Conceição, mas também para irmos até Jesus, reconhecendo o nosso pecado e recebendo o Seu perdão para prosseguirmos. Segui-l'O nem sempre é fácil, mas é decisivo, faz-nos bem, é bonito. Tal como Maria não temamos dar testemunho d'Ele, como Ela. Se ela tivesse optado pelo medo, não nos teria dado Jesus.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Permanecei no meu amor


       A expansão do Evangelho encontra, aqui e além, externa e internamente, algumas dificuldades. Paulo e Barnabé sobem a Jerusalém para se encontrarem com a comunidade original, com o grupo dos Apóstolos e com os Anciãos. A polémica incide sobre se os cristãos vindos do paganismo têm de cumprir as prescrições judaicas, se têm de manter as tradições próprias da Lei mosaica. Segundo os cristãos vindos do judaísmo, os cristãos vindos do paganismo têm de ser circuncidados e cumprir com outros requisitos judaicos. Depois de refletirem em comunidade, inspirados pelo Espírito Santo, os Apóstolos, em comunidade, respondem.
       Por aqui se vê como a comunidade é também um espaço de reflexão, de diálogo, de oração, de compreensão. Vê-se também a estrutura hierárquica. Tiago, o Bispo de Jerusalém, tem a última palavra sobre o assunto.
       O essencial não são as tradições mas a fidelidade a Jesus Cristo. Em todo o caso há algumas recomendações para que não haja confusão com a idolatria e para apaziguar a relação entre todos os cristãos.
Pedro: «Irmãos, vós sabeis que, desde os primeiros dias, Deus me escolheu do meio de vós, para que os gentios ouvissem da minha boca a palavra do Evangelho e abraçassem a fé. Deus, que conhece os corações, deu testemunho a favor deles, ao conceder-lhes o Espírito Santo como a nós; não fez qualquer distinção entre nós e eles, porque purificou os seus corações pela fé... toda a assembleia ficou em silêncio e começou a ouvir Barnabé e Paulo descrever os milagres e prodígios que Deus realizara por seu intermédio entre os gentios. Quando eles acabaram de falar, Tiago tomou a palavra e disse: «Irmãos, escutai-me. Simão contou como Deus, ao princípio, Se dignou intervir, para formar de entre os gentios um povo consagrado ao seu nome. Isto concorda com as palavras dos Profetas, como está escrito: ‘Depois disto, virei para reconstruir a tenda de David, que estava caída; reconstruirei as suas ruínas e erguê-las-ei de novo, para que o resto dos homens procurem o Senhor, com todas as nações consagradas ao meu nome. Assim fala o Senhor, que desde sempre dá a conhecer estas coisas’. Por isso, sou de opinião de que não se devem importunar os gentios convertidos a Deus. Digam-lhes apenas que se abstenham de tudo o que foi contaminado pela idolatria, das relações imorais, das carnes sufocadas e do sangue. Desde os tempos antigos, Moisés tem em cada cidade os seus pregadores e é lido todos os sábados nas sinagogas» (Atos 15, 7-21).
       No Evangelho encontramos a resposta dada pela comunidade de Jerusalém. Jesus diz o que é essencial para os Seus seguidores: amar como Ele nos amou. Deus é fonte de todo o amor. Deus ama o Filho. O Filho, Jesus Cristo, ama-nos com o mesmo amor que recebeu do Pai. O cristão, seguidor de Cristo, deverá amar do mesmo jeito. Dessa forma saberemos que permanecemos em Deus. Amar como Jesus, leva-nos a cumprir as Suas palavras. A finalidade: para que a Sua alegria esteja em nós.

«Assim como o Pai Me amou, também Eu vos amei. Permanecei no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como Eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e permaneço no seu amor. Disse-vos estas coisas, para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja completa» (Jo 15, 9-11).

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Paróquia de Tabuaço: Festa da Imaculada Conceição

       A Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, de Tabuaço, mais uma vez viveu a festa em honra da Sua Padroeira. A comunidade compareceu em força, como é habitual. Sendo a Madrinha dos Bombeiros Voluntários de Tabuaço, também uma presença sempre significativa dos membros desta Corporação, no transporte e guarda de honra ao Andor, e este ano com o regresso da Fanfarra, tornando ainda mais majestosa a celebração festiva.


       A Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Maria preenche a igreja, mas sobretudo o coração dos seus fiéis. Referência para Tabuaço, referência para o País, pois Ela é a Rainha e Padroeira de Portugal. Também a Santa Casa da Misericórdia de Tabuaço A tem como Padroeira.
       A Celebração da Eucaristia coroou esta festa, com a contribuição generosa do Grupo Coral de de quantas pessoas quiseram participar ativamente, pessoas e grupos paroquiais, que ajudam na celebração, preparam o espaço, zelam para que tudo esteja acolhedor para quem vem. Seguiu-se a Procissão, por algumas das ruas da Vila e Paróquia de Tabuaço, com a participação habitual da Banda de Música de Sendim. Na ordenação do trânsito e prestando guarda de honra a Guarda Nacional Republicana de Tabuaço, a quem agradecemos na pessoa do seu Comandante, a disponibilidade neste e em tantos dias ao longo de todo o ano.
        A pregação esteve a cargo do Pe. Joaquim Proença Dionísio, Reitor do Seminário Maior de Lamego e Diretor da Voz de Lamego, Jornal Diocesano, sublinhando, na homilia, o COLO de Maria, que da parte de Deus, nos acolhe, nos protege e nos aproxima de Deus.
        Ao longo de nove dias - NOVENA -, o Pe. Joaquim fez-nos caminhar com Nossa Senhora, como testemunha de fé, como exemplo do seguimento de Jesus e da vontade do Pai, como discípula e missionária, mostrando a Misericórdia de Deus, sintonizando-nos na confiança a Deus.
       Pode encontrar os resumos de cada dia nas seguintes hiperligações:

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Novena da Imaculada Conceição 2016 - nono dia

       Ao nono dia, o Pe. Joaquim Dionísio, Pregador da Novena e da Festa de Nossa Senhora da Conceição fixou-se na nossa condição de discípulos missionários.
       A Palavra de Deus revela-nos Deus, mas também nos revela a nós. Quem melhor nos fala de Deus é Jesus Cristo, pelas palavras e pelos gestos, pela sua postura. Para os judeus Deus era juiz, distante, pronto para castigar. Jesus revela um Deus bom, um Deus que é Pai. Se é Pai, ama-nos. Sempre. Não desiste de nós. Para os judeus, Deus deve ser tratado com respeito, com distância, com frieza, pode-Se zangar. Para Jesus, Deus é tão próximo que espera por nós. Sublinha-se sobretudo o amor, a misericórdia, a proximidade de Deus. Se é Pai, ama. Ama todos os filhos. Todos somos filhos. Diante de Deus somos todos iguais. Todos contamos.
       As palavras de Jesus são revolucionárias ao mostrar-nos que Deus confia em nós e também nós devemos confiar. Se confiamos, anunciámo-lo. A missão de Jesus é revelar-nos o Amor do Pai. Como Seus seguidores a nossa missão é segui-l'O e deixarmos transparecer, testemunhar, viver esse amor de Deus. Somos discípulos missionários. É essa a temática para este nono dia de novena.
       O Papa Francisco utiliza a expressão sem o "e" que ligava os discípulos e missionários, podendo entender-se que poderíamos ser uma coisa sem a outra. A expressão discípulos missionários sublinha de imediato que uma dimensão exige a outra. Não podemos ser discípulos sem nos tornarmos missionários. A Igreja é por natureza missionária, é a sua identidade, como sublinha um dos documentos do Vaticano II (1962-1965). O cristão, todo o batizado, parafraseando o concílio, é por natureza missionário. Ninguém está dispensado.
       Santa Teresa do Menino Jesus, que entrou para o Carmelo com 15 anos e morreu com 24 anos de idade, é a Padroeira das Missões, sem ter saído do convento, mas pelo seu grande amor à missão, pela preocupação de testemunhar Jesus em todos os ambientes. Também nós podemos ser missionários, em nossa casa, no trabalho, onde quer que nos encontremos. Como batizados somos discípulos do Senhor. Todos somos chamados. Não apenas os que são perfeitos. Se a Igreja fosse constituída apenas por pessoas perfeitas, então a igreja estaria vazio porque nenhum de nós estaria cá. Olhemos para os discípulos de Jesus: Judas que O vende por 30 moedas. Pedro que o nega por três vezes - não O conheço - quando tinha comido com Ele várias vezes. Tomé que só acredita se vir as Suas chagas.
       Também nós somos chamados, não por sermos bons, mas porque somos filhos e Ele nos ama como filhos.
       Somos discípulos missionários na oração, colocando-nos confiantes nas mãos de Deus. Não apenas fé, mas confiança. Por vezes acreditamos mas temos dificuldade em acreditar.
       Uma pequena história. Um malabarista chegou a uma aldeia, na praça onde as pessoas se juntaram, atou a ponta de uma corda a um poste, num dos lados da praça, e a outra ponta da corda noutro poste do outro lado da praça. Perguntou: quem acredita que eu passo de uma lado para o outro sem cair. Se caísse corria o sério risco de morrer, tal era a altura a que estava colocada a corda. Todos responderem que acreditavam. E passou para o outro lado. Voltou a perguntar se acreditariam se regressaria em segurança ao ponto inicial. Todos responderam que acreditavam. Depois pegou numa vara, e à mesma pergunta responderam que acreditavam, e também no regresso ao ponto inicial. Pegou numa carreta, colocando-a sobre a corda e perguntou quem acreditava que ele passasse de um para outro lado. Todos disseram que sim. E ele mais uma vez passou em segurança. Quando chegou ao outro lado, perguntou quem queria colocar-se na carreta para ir para o outro lado. Ninguém se ofereceu. A não ser o filho. Acreditavam nele e nos seus feitos, mas não confiaram. Por vezes temos de confiar. Confiar em Deus. Assumir a fé e ter confiança em Deus que é Pai e nos ama.
        Peçamos a Maria, a Virgem Imaculada que nos mostre o caminho do seguimento, do discipulado. Fazei o que Ele nos disser. Se A queremos honrar é fazendo o que Ela nos manda. E Ela remete-nos para Jesus. Ela mostra-nos o caminho a seguir, ajuda-nos nas dificuldades, mostra-nos a misericórdia de Deus em Quem podemos confiar.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Novena da Imaculada Conceição 2016 - oitavo dia

       Deus revela-Se numa imagem tão simples e de fácil perceção. É jesus que nos mostra o Pai. É em Jesus que Deus melhor Se revela. A imagem do Bom Pastor. Tem 100 ovelhas, mas uma delas saiu do aprisco (cf. Mt 18, 12-14). Então o bom Pastor deixa as 99 nove ovelhas e vai em busca da que anda perdida. Para Deus todos contam, mas nenhum se perde no conjunto. Todos têm lugar. Cada pessoa.  
     Deus conhece-nos, ama-nos como filhos. Não desiste de nós. Lembremos a parábola do Filho Pródigo que evidencia a misericórdia daquele Pai, a misericórdia de Deus que é Pai. O filho apronta uma justificação. O Pai mal avista o filho à distância corre para o abraçar e nem o deixa terminar com as justificações.
       É aqui que podemos falar do Sacramento da Reconciliação, em vésperas da sua celebração dentro da Novena da Imaculada Conceição. Vamos então falar do Sacramento da Penitência. Foi desta forma que o Pe. Joaquim contextualizou a sua reflexão.
       Os Sacramentos são 7 e abarcam a vida da pessoa, desde o nascimento ao fim da sua vida histórica. Três deles só se celebram uma vez na vida, pois marcam a pessoa para sempre: o batismo, a confirmação e a ordem. O Sacramento da Reconciliação pode celebrar-se as vezes necessárias.
       Em primeiro lugar, sublinhar que os Sacramentos são um encontro festivo com o Senhor. Não recebo os sacramentos por superstição (vou receber um sacramento, porque me pode acontecer algo se não o receber). Os sacramentos não são mágicos. A graça de Deus atua em nós mas não anula da nossa natureza, a nossa vontade. Os sacramentos não são individualistas. Não é para mim, ou é o meu sacramento, mas da Igreja, de Cristo, configuram-nos a Cristo e inserem-nos na comunidade. Sublinha-se a dinâmica de encontro com o Senhor.
       Por outro lado, o Sacramento da Penitência, muitas vezes visto mais como um tribunal de penitência, do que um encontro libertador. Culpa da Igreja que acentuou uma dimensão mais acusatória. Na recente Carta Apostólica, Misericordia et Misera, o Papa relembra que os sacerdotes confessores não são juízes, não devem estar preocupados em saber coisas, curiosidades sobre os penitentes, devem acolher, escutar, aconselhar, comunicar a graça de Deus. É Deus quem perdoa.
       O Sacramento da Reconciliação e a dúvida acerca da misericórdia de Deus. Ora, relembrando novamente a parábola do Pai Misericordioso, o filho prepara uma desculpa que o justifique nos seus devaneios, o Pai faz festa pelo regresso do filho, faz festa por aquele que volta, como no caso da ovelha perdida.
       Outra dúvida: acerca de nós. Vou confessar-me mas vou voltar a fazer o mesmo. Devo confiar mais na graça de Deus. Deus não desiste de nós. Não desistamos nós também. Com a ajuda de Deus, com a Sua graça em mim vou conseguir corrigir este e aquele aspeto, pode não ser logo de uma vez, mas vou conseguir.
       Outro aspeto: não tenho pecados, não mato nem roubo... tenho a consciência limpa... se está limpa é porque não a uso. Todos somos pecadores. Posso não matar com uma faca ou pistola, mas posso matar os sonhos a uma pessoa, ou matar a sua honra quando digo mal dela. No sacramento da Penitência devo olhar mais para mim, fazer exame de consciência. Não vou confessar os pecados dos outros. Pequena história: o pai queixou-se ao filho que a mãe estava cada vez mais surda, não ouvia quase nada. O filho sugeriu ao pai uma experiência para verificar a que distância a mãe não ouvia. De longe o pai começou a perguntar à esposa, que estava na cozinha a preparar o jantar: Maria, o que vamos jantar hoje? E como não ouvisse a resposta foi-se aproximando, à entrada da cozinha, a dois metros, por detrás da esposa e finalmente tocou-lhe e perguntou de novo: Maria, o que temos para o jantar? Ó António já te respondi uma meia dúzia de vezes que eram batatas com frango! Às vezes só vemos o pecado nos outros.
       Que a Imaculada Conceição nos ilumine no desejo de nos aproximarmos do Senhor, com humildade e confiança, certos a benevolência de Deus.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Novena da Imaculada Conceição 2016 - sétimo dia

       Que bom é ter bons amigos. Como é bom ter amigos como este homem do evangelho (Lc 5, 17-26). Este homem está doente. Quatro (ou mais) amigos que não apenas estão ao pé dele, mas tudo fazem para que a sua situação possa melhorar. Pegam nele e levam-no a Jesus. Fazem-no descer pelo telhado. É uma questão de fé e de esperança. Fé e esperança andam ligadas. A fé colocada em Deus. Assim também a oração. Rezamos por que confiamos. Esperamos ser ouvidos. Claro que rezar não é só falar com Deus. Temos dois ouvidos e só uma boca. Então devemos escutar o dobro do que falamos. Levam-no à presença de Jesus que o cura.
       Como podemos levar os outros até Jesus? Em primeiro lugar pela oração. Oração que assenta na fé e na esperança. É o tema para este dia. Não podemos rezar se não tivermos fé. Rezamos porque acreditamos em Deus e acreditamos que Ele pode fazer o que Lhe pedimos. Senão não rezávamos. Intercedemos por alguém a Deus, porque acreditamos que Deus pode intervir. A vida sem fé, sem esperança, está arruinada. A esperança faz-nos caminhar. Tomamos um medicamento com a promessa que vamos melhorar...
       A oração ainda que por intercessão pelos outros, faz-nos bem a nós, pois dessa forma tomamos consciência que Deus está diante de nós, como Alguém que nos ama e em Quem podemos colocar a nossa confiança. A oração faz-nos escutar Deus. Como víamos, rezar não é apenas proferir palavras, recitar oração. É também escutar a nossa consciência, onde Deus nos fala.
       Oração e silêncio. Estar calado também é oração. Por vezes é mais importante fazer silêncio para ouvir Deus. Como Maria. Muitas vezes se diz que Maria guardava todas aquelas coisas no coração. Mais que falar a Deus, deixava que Deus Lhe falasse e guardava tudo no coração.
       Oração e humildade. Lembremos a parábola que Jesus contou sobre o fariseu e o publicano que subiram ao templo para rezar. O fariseu rezava - obrigado por não ser como aquele... Estava centrado em si mesmo, falando dos seus méritos, dispensando Deus. A soberba fecha-nos a Deus e aos outros. O publicano nem ousava olhar para o alto, para Deus, e com humildade dirigia o seu coração para a misericórdia de Deus e bem sabemos como atua a misericórdia de Deus. Por maior que seja o nosso pecado, maior é a misericórdia de Deus.
       Oração e ação. A oração não nos afasta dos outros. A oração compromete-nos. Próximos de Deus, próximos uns dos outros. Como aquele homem que rezava, rezava a Deus que lhe saísse a lotaria. Um dia Deus respondeu-lhe: pelo menos compra a cautela. Faz pela vida. Ou como o estudante que reza, mas não estuda. A oração não premeia a preguiça. Deus ajuda-nos quando nós fazemos por isso. Recebemos tantos dons! A oração faz-nos também tomar consciênca dos dons recebidos e da necessidade de os partilhar. Quando acordamos de manhã isso é um dom. É um verdadeiro milagre.
       Oração e santificação. A oração predispõe-nos à conversão. Aquele publicano saiu justificado, isto é, perdoado dos seus pecados. Não há santos sem passado, nem pecador sem futuro. Ou seja, os santos também caíram, mas souberam levantar-se e ir até ao fim, confiando na misericórdia de Deus. Os pecadores têm futuro porque estão a tempo de se converter e beneficiarem do perdão de Deus.
       Os santos são para nós um exemplo de caminho, de fé, de oração. O melhor exemplo é Maria. Confiou em Deus e entregou-Se totalmente à Sua vontade.
       O pregador, Pe. Joaquim Dionísio, terminou a sua reflexão convidado-nos a que sejamos estes bons amigos do Evangelho, prontos para levarmos outros a Jesus e a deixarmos que outros nos levem a Jesus.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Novena da Imaculada Conceição 2016 - sexto dia

       No sexto dia da Novena, caindo em Domingo, a Novena incluiu a recitação do Terço, a Exposição, Adoração e Bênção do Santíssimo. A pregação do Pe. Joaquim partiu de um texto de São João (5, 1-9), em que Jesus cura um paralíptico que estava à beira da piscina de Betzatá.
       Depois da proclamação deste texto, o Pregador relembrou o texto do Evangelho proclamado neste segundo Domingo de Advento e que fala de João Batista. Três notas acerca do Evangelho deste dia em relação a João Batista: um anúncio, um convite, uma ameça. Anúncio: O reino de Deus está a chegar. É uma Boa Notícia. É Evangelho.Um convite/desafio: Convertei-vos. A conversão é caminho que nos leva a Jesus.
       Um aviso, uma ameaça: a machado está posto à raiz, toda a árvore que não dá fruto é cortada e deitada ao lume. Daí a necessidade da conversão, a adesão ao anúncio, fazendo com que este anúncio nos leve ao compromisso com os outros.
       Por outro lado, a figura de Santa Faustina, que é a confidente de Jesus para a misericórdia e que estará em evidência na paróquia durante o mês de dezembro (Um santo Missionário por mês - iniciativa arciprestal). Ao longo do ano pastoral anterior, a vivência do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, convocado pelo Papa Francisco. E para quê um ano dedicado à misericórdia?
A ponte entre João Batista e Santa Faustina. Anúncio do Reino de Deus que está a chegar e desafio à conversão. Misericórdia divina em abundância, esbanjada a favor de todos. Era necessário um Jubileu da Misericórdia para que todos tivessem (e soubessem) acesso á misericórdia de Deus. Naquela piscina só podia entrar um doente de cada vez. Quando a água começa agitar-se, quem pode entra na piscina. Só se pode salvar um de cada vez. Solidários na doença, mas junto à piscina tornam-se adversários, há rivalidade a ver quem entra primeiro e se salva. Ora o Jubileu da Misericórdia lembra-nos que todos podemos ser salvos. Não importa se se chega antes ou no fim. Todos podem aceder à salvação, que é dom gratuito de Deus a todos.
       Sobre a Misericórdia três notas fundamentais. A misericórdia é dom de Deus. Deus é a Misericórdia que nos procede. Agimos com misericórdia porque antes Deus agiu desse modo connosco. A misericórdia é dom mas torna-se dever (1). Se recebemos de graça, de graça havemos de dar. Os dons só se preservam se forem gastos a favor dos outros. A misericórdia exige proximidade (2). Proximidade física, espiritual ou afetiva, mas proximidade. Lembremos a parábola do Bom Samaritano. O levita e o sacerdote cumprem a Lei, pensam em si mesmos... O que nos acontece se nos aproximarmos? Afastam-se, mantém-se à distância. Po sua vez, o samaritano pensa, não sem si, mas no que acontecerá se não se aproximar daquele homem? Aproxima-se. É válido também para nós, a distância afasta-nos dos outros, a proximidade redime, cura, salva-nos. 
       A misericórdia traduz-se, concretiza-se, pela compaixão (3). Não é ter pena do outro. Isso é diminuir o outro. Se temos pena, não o reconhecemos como igual, com a mesma dignidade. Podemos e devemos sentir compaixão. Esse é proceder de Deus para connosco, compadeceu-Se de nós, do nosso pecado, vindo ao nosso encontro.
       O Jubileu da Misericórdia foi/é importante para nos lembrar que esta piscina é para todos, venham antes ou depois, peçam perdão muitas vezes ou uma vez apenas, venham muitas vezes à Missa ou só no fim da vida. A Pedro, depois da negação, Jesus há de perguntar pelo amor: Pedro, Tu amas-Me? Não pergunta quantas línguas conhece, que capacidades tem, pergunta pelo amor. Amar é quanto basta. No dizer de Santo Agostinho, ama e faz o que quiseres. Amar é bom. Lembremos o amor das mães pelos filhos e quanto fazem para o bem dos filhos. "No entardecer da vida seremos julgados pelo amor" (São João da Cruz). Como nos lembra São Mateus no capítulo 25: tive fome e deste-me de comer, tive sede e deste-me de beber... a pergunta é pelo amor ou pela falta de amor, de compaixão. Conta-se a história de um rabino que interrogou os seus discípulos acerca do momento em que a noite dava lugar ao dia. As respostas são variadas e também as podemos dar: quando distinguimos formas, ou vemos os degraus, ou conseguimos ler um texto. Então o rabino responde-lhes: é dia quando encontras o outro e o reconheces como irmão.
       Com São João Batista, escutemos o anúncio, deixemos-nos desafiar à conversão e arrependimento e procuremos dar fruto, para sermos árvores que perduram para a vida eterna.
       Com Santa Faustina, abramo-nos à misericórdia de Deus, recebendo-a possamos partilhá-la com os outros.
       Nossa Senhora saibamos gastar-nos a favor dos outros como Ela Se gastou e continua a gastar a favor da humanidade. Os muitos dons que recebeu de Deus fê-los frutificar no serviço e cuidado da humanidade.

Novena da Imaculada Conceição 2016 - quinto dia

       O nosso pregador, o Pe. Joaquim Dionísio, tendo em contra a presença das crianças da catequese, utilizou uma metodologia mais dialógica, começando por perguntar o que ia surgir em frente ao altar. Relembramos que a Paróquia de Tabuaço está a participar na Caminhada do Advento-Natal para o Arciprestado de que faz parte. O projeto é ir construindo o Presépio, tendo como pano de funda a liturgia da palavra e a ligação ao Plano Pastoral da Diocese. O espaço escolhido foi em frente ao altar. A resposta não se fez esperar: vai ali aparecer Jesus, o Presépio. Mas ainda não está o Menino Jesus, sóno dia de Natal. Então que fazer? Esperamos. E Durante a espera? Comemos, dormimos, brincamos... E que mais podemos fazer enquanto esperamos?
       O Pe. Joaquim propôs então uma pequena história. Se temos que ir de viagem... o autocarro sairá pelas 9h00. Mas chego à paragem pelas oito horas? O que faço? Espero. E enquanto espero o que posso fazer. Podemos. Um menino chegou assim cedo, pegou na consola e pôs-se a jogar. Chegou outro e aproveitou para ler. Um outro ia olhando à sua volta. Viu então uma senhora de muita idade a atravessar a estrada, levantou.-se e foi ajudá-la.
       Enquanto esperamos podemos fazer várias coisas. Deveríamos fazer coisas positivas. É uma espera ativa. Como Maria. Enquanto Jesus não nasce, sabendo que a sua prima se encontra grávida vai ajudá-la. Podia ficar de braços cruzados, mas optou por sair e ir ao encontro.
       O Evangelho hoje falava de uma figura. Quem? João. João Batista? E o que ele fazia? Batizava. Por isso se chama João, o Batista. Ele anuncia e prepara a vinda de Jesus. Diz-nos o que fazer enquanto esperamos. É um homem esquisito, come gafanhotos e mel silvestre. Mas é um homem sério, coerente. Diz ao que vem. Diz o que tem a fazer. Mais vale ser antipático e ser verdadeiro, do que muito simpático e mentiroso. João prega a verdade, procura a verdade, denuncia as injustiças e a corrupção. Outro dos aspetos é a sua humildade. Ele poderia ter a fama que quisesse, mas prefere manter-se pequenino, aponta para o Messias.
       João prepara a vinda de Jesus. É a sua missão. Os pais e as catequistas hão de ser como João Batista, optando pela verdade, pela coerência, pela humildade. São os primeiros educadores dos filhos. Têm a missão de comunicar os valores e as referências, também a pertença e a inserção na comunidade crente. A fé aproxima-nos da comunidade, faz-nos participar da vida comunitária. A fé não isola, pelo contrário leva-me ao encontro do outro para atender às suas necessidades.
       Podemos esperar por Jesus de braços cruzados, a jogar ou a brincar, ou distraídos da vida. Ou podemos esperar ativamente, como Nossa Senhora, que soube que a sua prima Isabel estava grávida e não ficou em casa à espera que Jesus nascesse, foi ter com ela para a ajudar. Podemos muitas coisas enquanto esperamos, façamos coisas positivas.