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quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Solenidade do Natal de Jesus Cristo - 2015

       1 – O Natal é luz, é paz, é esperança. O Natal é amor, solidariedade, é vida. O Natal é ternura, justiça, é alegria. O Natal é humanidade, compaixão e misericórdia. O Natal é encontro e transformação, o Natal é vida nova e tempo novo. O Natal é bênção e chegada. É vinda e salvação, inclusão e fraternidade. O Natal é partilha e verdade. O Natal é aconchego e denúncia, é transparência do bem e do mal, é desafio e provocação. O Natal é Jesus a nascer em nós. Deus a fazer-Se um connosco. O Natal é acolhimento e calor. Proximidade e reconciliação. O Natal é tempo da família, dos afetos, e da gratidão. O Natal é Casa de Oração e de Misericórdia. É tempo da memória agradecida. É a oportunidade para recomeçar, para partir, para descobrir, é o tempo para construir, para criar ou solidificar os laços. Todas as comemorações nos fazem parar, refletir, olhar para trás, fazer propósitos para caminhar, emendar a mão, ir ao encontro do irmão.
       À nossa volta não faltam sinais: luzes, enfeites, decorações, Pais-natais, árvores de Natal, Presépios, estrelas, anjos, renas... doces, bolos, convites, prendas... campanhas de solidariedade (algumas das quais servem para as marcas venderem mais). É um tempo muito especial, muito sensível. Sentimentos à flor de pele. As lembranças da infância e do tempo perdido; os sonhos e as vidas que se desfizeram; a família e os que já ficaram para trás. Tudo lembra. Muito mais nestas alturas em que a família se reúne. A alegria mistura-se com a nostalgia. A festa traz-nos de volta os familiares e amigos que estão longe, fisicamente ou pelos meios tecnológicos de comunicação; mas traz-nos também os que já morreram.
       Aos desertos exteriores – pobreza, guerra, toxicodependência, corrupção, fosso entre ricos e pobres, desemprego, fome – acrescem os milhentos desertos interiores – a solidão, falta de sentido para a vida, o vazio da alma. Nestas palavras emprestadas por Bento XVI, e que novamente retomo, um diagnóstico que se torna um desafio a levarmos Luz a todos os recantos, a levar Luz às trevas, ao pecado, aos momentos de desencanto.
       2 – O Natal é Luz que vem do Céu, da eternidade para o tempo, do Infinito para a história. O Deus que nos criou por amor, por amor nos quer salvar.
       O profeta do Advento e que nos introduz no Natal, Isaías, proclama: «O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam nas sombras da morte uma luz começou a brilhar. Multiplicastes a sua alegria, aumentastes o seu contentamento. Rejubilam na vossa presença, como os que se alegram no tempo da colheita, como exultam os que repartem despojos».
       Ao longo de gerações, Deus não deixou de Se manifestar, de nos enviar os Seus mensageiros, de nos falar, como Pai e Mãe, perscrutando o nosso coração e o nosso olhar, chamando-nos a Si, procurando-nos nos nossos caminhos, muitas vezes incertos e perdidos. «Nestes dias, que são os últimos, falou-nos por seu Filho, a quem fez herdeiro de todas as coisas e pelo qual também criou o universo».
       Desde sempre pendeu sobre nós a Misericórdia do Deus altíssimo. Chegado o tempo, Deus quebrou o jugo que pesava sobre todo o povo, para restabelecer a paz e a justiça. «Porque um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado. Tem o poder sobre os ombros e será chamado "Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz". O seu poder será engrandecido numa paz sem fim, sobre o trono de David e sobre o seu reino, para o estabelecer e consolidar por meio do direito e da justiça, agora e para sempre. Assim o fará o Senhor do Universo».
       Por conseguinte, podemos dizer e alegrar-nos com o Profeta: «Como são belos sobre os montes os pés do mensageiro que anuncia a paz, que traz a boa nova, que proclama a salvação... Eis o grito das tuas sentinelas que levantam a voz. Todas juntas soltam brados de alegria, porque veem com os próprios olhos o Senhor que volta para Sião. Rompei todas em brados de alegria, ruínas de Jerusalém, porque o Senhor consola o seu povo, resgata Jerusalém. O Senhor descobre o seu santo braço à vista de todas as nações e todos os confins da terra verão a salvação do nosso Deus».
       Deus nos dará a paz em abundância. E com a abundância da paz que nos desafia a ser irmãos, a alegria do coração, que nos faz atravessar por vales e montanhas, por mares revoltos e por todas as tempestades que nos atrasam e nos desviam do caminho que nos leva a Jesus.
       3 – Há Natal e há mais luz, Luz que vem de Deus para nos guiar. Haverá Natal quando o homem quiser, quando o homem sonhar, quando cada um de nós dos outros cuidar, e então haverá Natal porque Deus quer, porque Deus vem, porque Deus nos ama e nos envolve em ternura e misericórdia, porque Deus nos redime e salva, porque Deus nos quer bem e nos assume como filhos no Filho que é nosso irmão, para que n'Ele, Jesus Cristo, dando as nossas mãos e o coração, possamos voltar a ser como no paraíso, como no início, como irmãos, família que caminha, apoiando-se nos momentos bons e nos enfadonhos, nos sonhos e nos agravos. Nunca escravos, sempre irmãos.
       Naqueles dias, saiu um decreto de César Augusto, para que todos se recenseassem na sua terra natal. Maria e José tiveram que partir, da cidade de Nazaré para a cidade de David, chamada Belém. «Enquanto ali se encontravam, chegou o dia de ela dar à luz e teve o seu Filho primogénito. Envolveu-O em panos e deitou-O numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria».
       Logo o Anjo do Senhor se aproxima dos pastores que andavam por ali e os cerca de luz, dizendo-lhes: «Não temais, porque vos anuncio uma grande alegria para todo o povo: nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador, que é Cristo Senhor. Isto vos servirá de sinal: encontrareis um Menino recém-nascido, envolto em panos e deitado numa manjedoura».
       Quando alguém chega, quando alguém nasce, é tempo para cantar, agradecer, louvar. É a bênção de Deus que chega até nós. Juntemo-nos aos Anjos e aos Pastores e cantemos: «Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados».
       4 – «Manifestou-se a graça de Deus, fonte de salvação para todos os homens». Um Menino nos foi dado. Deus no meio de nós. Deus connosco. Tal é o Seu amor que nos assumiu inteiramente, abaixando-Se, colocando-Se ao mesmo nível que nós, para nos elevar com Ele às alturas do Céu, donde veio, de onde nos atrai, para onde nos encaminha, de onde nos acompanha.
       «No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. No princípio, Ele estava com Deus. N’Ele estava a vida e a vida era a luz dos homens. A luz brilha nas trevas e as trevas não a receberam. O Verbo era a luz verdadeira, que, vindo ao mundo, ilumina todo o homem. Àqueles que O receberam e acreditaram no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus. Estes não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. E o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós. Nós vimos a sua glória, glória que Lhe vem do Pai como Filho Unigénito, cheio de graça e de verdade».
        Acreditando no Filho de Deus, recebemos o poder e a graça de nos tornarmos também nós filhos de Deus e instrumento de salvação para os outros, fazendo com que a Luz que nos salva, incidindo em nós, reflita para os outros.

Pe. Manuel Gonçalves


Textos para a Eucaristia:
Missa da Noite - Is 9, 1-6; Sl 95 (96); Tito 2, 11-14; Lc 2, 1-14;
Missa do Dia - Is 52, 7-10; Sl 97 (98); Hebr 1, 1-6; Jo 1, 1-18.

sábado, 3 de janeiro de 2015

Epifania do Senhor - 4 de janeiro de 2015

       1 – Iniciámos um novo ano civil e a liturgia da Igreja remete-nos para o início deste projeto novo que nos é trazido por Jesus Cristo. Nova criação. Novos céus e nova terra. Novas oportunidades. Tempo novo de graça e de salvação. Deus não fica no seu recanto, indiferente e distante, num qualquer pedestal para adoração majestática do Seu poder, como um Rei-Juiz que comande de longe os seus exércitos e súbditos. A realeza de Deus faz-se de amor, de abaixamento, de serviço. Em Cristo, Deus assume a nossa frágil e humana condição. Este é o Natal do Deus que Se faz homem, por amor, para nossa salvação.
       Na Epifania do Senhor, reconhecemos a Sua realeza, passível de adoração, não pelo esplendor, pelo medo ou pelo poder, mas pela inocência, pela luz, pela fragilidade de uma criança, que não se impõe mas Se deixa encontrar, atraindo-nos, dando-nos sinais para O seguirmos até Belém, até Nazaré, até Jerusalém e muito mais além, até cada pessoa que mora em minha casa, na minha rua, na minha aldeia.
       Os Magos levam a sabedoria humilde até ao Presépio. É a vez do mundo inteiro se prostrar diante d'Aquele Rei Maior, Menino-Deus. Os pastores encontram Maria e José e o Menino deitado numa manjedoura. É nessa pobreza que também os Magos encontram a Sagrada Família.
       «Onde está – perguntaram eles – o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O». Vieram de longe, mas querem estar perto do Messias. Andam em busca. No Céu uma estrela brilhante aponta-lhes um caminho, uma estrada, um sentido novo para as suas buscas. Perguntam. Informam-se. Acreditam que outros possam ter informações mais precisas.
       Em definitivo é a Estrela que os conduz até Jesus, até Belém. As luzes da cidade, as confusões da vida, podem distrair-nos do essencial; outras vozes, outras luzes, podem fazer-nos perder o fio à meada. Mas enquanto estamos vivos estamos sempre a tempo de recuperar a direção, retomar o caminho do bem e da felicidade. Saem da cidade e deixam-se de novo guiar pela Estrela que Deus lhe tinha enviado.
       2 – E quando e onde não pensávamos, é quando e onde encontramos Deus, naquele lugar pobre, naquela criança bela, vestida de luz e de amor, sem adornos, nem nada que afaste ou reprima ou meta medo. As portas não têm ferrolhos nem as janelas têm cortinas, não se encontram adereços que façam desviar os olhos.
       Está o essencial, Maria e José e o Menino: «E eis que a estrela que tinham visto no Oriente parou sobre o lugar onde estava o Menino. Ao ver a estrela, sentiram grande alegria. Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra». Naquele Menino, a realeza, a unção, a verdadeira humanidade.
       E é tamanha a luz que irradia do Menino que é impossível não nos ajoelharmos em adoração. É uma luz que entra bem fundo do nosso peito que quase ficamos sem jeito.
       O profeta Isaías convoca a cidade e, na cidade, os seus habitante, e hoje, é a nós que Ele invita:
"Levanta-te e resplandece, Jerusalém, porque chegou a tua luz... Sobre ti levanta-Se o Senhor e a sua glória te ilumina. Olha ao redor e vê: todos se reúnem e vêm ao teu encontro... Quando o vires ficarás radiante, palpitará e dilatar-se-á o teu coração, pois a ti afluirão os tesouros do mar, a ti virão ter as riquezas das nações. Invadir-te-á uma multidão de camelos, de dromedários de Madiã e Efá. Virão todos os de Sabá, trazendo ouro e incenso e proclamando as glórias do Senhor".
       O salmo sintoniza-se com o Profeta: «Florescerá a justiça nos seus dias / e uma grande paz até ao fim dos tempos. / Ele dominará de um ao outro mar,/ do grande rio até aos confins da terra. / Socorrerá o pobre que pede auxílio / e o miserável que não tem amparo. / Terá compaixão dos fracos e dos pobres / e defenderá a vida dos oprimidos».
       Os magos fazem-nos confluir para o Presépio, para nos encontrarmos com Jesus e Lhe confiarmos os nossos presentes. E que presentes poderemos hoje oferecer-Lhe? Ouro? Incenso? Mirra? Vejamos: os magos oferecem o melhor que possuem. Se entregarmos o melhor de nós, entregar-nos-emos a nós mesmos, já que Deus também nos deu o melhor de Si: o Seu Filho Unigénito.
       3 – Chegamos aqui, junto ao Presépio, e agora? Que fazer? Reparemos nos Magos. Prostram-se diante de Jesus, cheios de ALEGRIA, oferecem-Lhe os seus presentes. Mas hão de voltar. Meditam, escutam o sussurro de Deus, rezam, e em sonhos Deus revela-lhes que voltarão mas por outro caminho.
       Encontrámos Jesus. Pela água e pelo Espírito Santo, tornamo-nos herdeiros da graça de Deus, novas criaturas, concidadãos do Céu. Os Magos sabem que não podem, não devem, não adianta, voltar pelo mesmo caminho, à mesma vida. O encontro com Jesus altera os seus e os nossos esquemas, despoja-nos das nossas certezas. A vida pode alterar-se. Podemos seguir outro caminho. Podemos emendar a mão. Experimentemos a alegria do encontro. Enchamo-nos da Sua presença, da Sua luz. Partamos ao encontro de outros que precisem desta luz. Vamos a outros lugares, a outros caminhos.
       Na segunda leitura deste dia, São Paulo relembra-nos o tesouro que Deus nos confiou e não podemos esconder, ou esquecer, ou desbaratar: "Certamente já ouvistes falar da graça que Deus me confiou a vosso favor: por uma revelação, foi-me dado a conhecer o mistério de Cristo. Nas gerações passadas, ele não foi dado a conhecer aos filhos dos homens como agora foi revelado pelo Espírito Santo aos seus santos apóstolos e profetas: os gentios recebem a mesma herança que os judeus, pertencem ao mesmo corpo e participam da mesma promessa, em Cristo Jesus, por meio do Evangelho".
       São Paulo é uma referência para todo o cristão. Andava distante de Jesus. Ou talvez estivesse tão perto que sentisse necessidade de agir. Jesus encontra-o. São Paulo parte para O conhecer, permitindo que lhe abram os olhos para o Evangelho da verdade e da vida. Inundado pela Luz seguirá por outros caminhos. Muitos caminhos. Novos caminhos para levar Jesus e o Seu Evangelho ao mundo inteiro.
       4 – Num olhar rápido sobre o Evangelho, algumas notas soltas:
a) Procurar sempre, sem desfalecer. Por cada descoberta, novos desafios. Buscar Deus em toda a parte, na terra, nas pessoas, no céu.
b) Atentos e vigilantes. Nunca nos darmos por satisfeitos. Despertos para perceber os sinais de Deus que surgem no horizonte.
c) Levantar o olhar, o coração e a vida. Há mais mundo e mais vida para lá do nosso umbigo. Levantar o olhar para o horizonte, para o Céu, para Deus, donde nos virá a luz. Se olharmos apenas para baixo, para os pés, acabaremos por tropeçar e de nos perdermos dos outros que seguem connosco.
d) Confiar. Não ter medo de sair, de ir ao encontro de Deus.
e) Pôr-se a caminho. Não basta um exercício intelectual sobre a busca. É necessário descruzar os braços e mover as pernas, sair do seu espaço de conforto, fazer-se à estrada que se faz tarde.
f) Vigilância. Pelo caminho surgirão outras luzes. A confusão da cidade. Os apelos do mundo, da moda, do tempo. Algumas luzes serão brilhantes e ofuscarão a Luz que vem das alturas, podem levar-nos a errar, podem baralhar-nos na nossa busca.
g) Não desistir. Se estamos baralhados. Se há muitas luzes, muitos caminhos, procuremos o que nos leva mais longe, o que nos leva a Belém, o que nos leva a Jesus. Ainda que tenhamos que abandonar a cidade e ir ao deserto, aos nossos desertos. Não desista. Procure. Há de encontrar.
h) É sempre possível retomar o caminho (enquanto estamos vivos).
i) Ir até à fonte. Beber nos afluentes pode ajudar-nos a prosseguir viagem, mas a sede só se saciará verdadeiramente quando chegarmos à fonte, ao Presépio, quando chegarmos junto do Deus Menino.
j) Ajoelhemos. A leveza dos passarinhos, que os faz voar, é precisamente a agilidade em dobrar as pernas. Prostremo-nos em adoração diante d'Aquele que Se abaixou à nossa dimensão.
k) Demos o melhor que temos. Demos o nosso coração, a nossa vida por inteiro. Os magos deram as suas riquezas. A nossa riqueza é a nossa vida, a nossa fragilidade, a nossa pobreza e o nosso pecado.
l) Façamos a experiência da Alegria no encontro com Jesus. Há momentos da nossa vida em que tudo parece estar contra nós. Deus está a nosso favor. Encontramo-nos com Ele e ainda não experimentámos uma alegria profunda? Talvez ainda não O tenhamos encontrado. A luz da Fé abre-nos para a alegria do encontro com Jesus.
m) Não voltemos ao mesmo lugar, mesmo que aí já tenhamos sido feliz, como nos diz a canção. Se encontrámos Jesus, a nossa vida não mais será a mesma. Regressámos à nossa vida, mas por outros caminhos, com outro sentido e outra luz. Doravante temos um MOTIVO maior que preenche todos os nossos dias e os nossos afazeres e nos compromete com os irmãos. Há que buscar e prosseguir por novos caminhos. Mas sobretudo deixar que Jesus Se faça CAMINHO connosco.
Pe. Manuel Gonçalves


Textos para a Eucaristia (ano B): Is 60,1-6; Sl 71 (72); Ef 3,2-3a.5-6; Mt 2,1-12.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Papa Fransciso - a luz que brilhou nas trevas

       "... o nascimento do Salvador: como luz que envolve e penetra toda a obscuridade. É presença do Senhor no meio do Seu povo, presença que destrói o peso da derrota e da tristeza da escravidão, e semeia alegria.
       ...  E aquele Deus que tinha semeado os Seus sonhos na carne do homem, feito à Sua imagem e semelhança, continuava a esperar. Os sonhos de Deus! Tinham motivos para desaparecer. Porém, Ele podia: estava 'escravizado', por assim dizer, à Sua fidelidade, não podia negar-Se a Si mesmo o Deus fiel... A paciência de Deus frente à corrupção de povos e homens!
       ... Deus tem coração de Pai e não renega os Seus sonhos para com os Seus filhos. O nosso Deus não Se dececiona, nem Se permite isso. Não conhece a desilusão e a impaciência; simplesmente espera, espera sempre como o pai da parábola (Lc 15,20) porque cada momento sobe o terraço da história para vislumbrar de longe o regresso dos filhos.
       ... O reino da aparência, da autossuficiência e da fugacidade, o reino do pecado e da corrupção; as guerras e o ódio dos séculos e de hoje estilhaçam-se na mansidão da noite silenciosa, na ternura de um Menino que concentra em Si todo o amor, toda a paciência de deus e não Se outorga a Si mesmo o direito de Se dececionar. E, juntamente com o Menino, cobiçando os sonhos de Deus, está a Mãe; a Sua Mãe e nossa Mãe que, entre carícias e sorrisos, nos continua a dizer ao longo da história: «Fazei tudo o que Ele vos disser» (Jo 2,5).
       ... O nosso Deus, o mesmo que semeou os sonhos em nós, o mesmo que não se concede deceções pela Sua obra, é a nossa esperança. Como os anjos aos pastores, gostaria hoje de te dizer: «Não tenhas». Não tenhas mendo de nada. Deixem que venham as chuvas, os terramotos, os ventos, a corrupção, as perseguições a este 'resto' de justos... (cf. Mt 7,24-25). Não tenhas medo, porque a nossa casa está alicerçada sobre a rocha desta convicação: o Pai aguarda, tem paciência, ama-nos enviou-nos o Seu Filho para caminhar connosco; não tenhas medo, desde que estejamos alicerçados sobre a convicção de que o nosso Deus não Se dececiona e nos espera.
       Esta é a luz que brilha nesta noite. Com estes sentimentos, quero desejar-vos um feliz Natal.
in Papa Francisco, Espírito de Natal. 24 de dezembro de 2005.

Papa Francisco - a ternura de Deus

       O Sinal é que, esta noite, Deus Se enamorou da nossa pequenez e Se fez ternura; ternura para toda a fragilidade, para todo o sofrimento, para toda a angústia, para toda a busca, para todo o limite; o sinal é a ternura de Deus e a mensagem que buscavam todos os que pediam sinais a Jesus, a mensagem que buscavam todos os desorientados, os que eram inimigos de Jesus e O buscavam no profundo da alma era este: buscavam a ternura de Deus, Deus feito ternura, Deus a acariciar a nossa miséria, Deus enamorado da nossa pequenez...
       O mais importante é que te deixes procurar por Ele, pela Sua carícia na ternura.

in Papa Francisco, Espírito de Natal. 24 de dezembro de 2004.

Papa FRANCISCO - Espírito de Natal

Papa FRANCISCO. Espírito de Natal. Paulus Editora. Apelação 2013. 88 páginas.
       A Paulus Editora brinda-nos com este pequeno livro, com mensagens do Papa Francisco para o Natal, homilias na noite de Natal, mensagens à Diocese de Buenos Aires, reflexões sobre esta quadra.
       Diríamos desde logo que os textos apresentados são do papa Francisco e não são do Papa Francisco, pois referem-se a um período anterior, como Arcebispo de Buenos Aires, o então D. Jorge Maria Bergoglio. São do Papa Francisco pois a linguagem acessível, simples, familiar, transparecendo proximidade de fé é a mesma que atualmente utiliza como Bispo de Roma, como Papa. Assim também os temas estão na base do discurso, das mensagens e das homilias de Francisco. A este propósito se vê claramente uma continuidade. A pessoa é a mesma, como Arcebispo e Cardeal e como Papa, as coordenadas são semelhantes: fé em Cristo, alegria, proximidade sobretudo com os mais próximos, diálogo, cultura do encontro e da proximidade.
       Obviamente que a esta altura do campeonato há muito livros escritos sobre o Papa Francisco, muitos livros com as suas intervenções na Argentina, e agora como Papa. A Paulus faz-nos o favor de agregar textos para esta quadra, desafiando-nos a colocar Jesus Cristo no centro do Natal, com Maria e José, com as pessoas simples, como os pastores, em contágio com o mundo inteiro, como os magos do Oriente.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Paróquia de Pinheiros - solenidade de Natal 2013

       Durante os quatro domingos do Advento, a comunidade paroquial de Pinheiros foi sendo introduzida, com a coordenação dos acólitos, na dinâmica do Advento como preparação para a celebração festiva do Natal, com o acender das 4 velas e preparação do presépio. No dia de Natal, no início da Eucaristia, a colocação da imagem do Menino Jesus no presépio e jogral sublinhando algumas expressões: celebrar, fraternidade, Deus connosco, Jesus Luz Verdadeira, Família. No pai-nosso, união das mãos e das pessoas, com as crianças frente ao altar. Durante o beijar do Menino um pequeno postal de felicitações para as famílias. Algumas imagens ilustrativas:
Para outras fotos visitar a página da Paróquia de Pinheiros no facebook
ou no nosso GOOGLE +

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Cardeal Martini - no teu presépio há alguém que te fale?

Preocupa-te em ouvires bem.
No teu presépio há apenas silêncio.
Não há necessidade de palavras: tens a Virgem Maria, que é mãe; um filho; e São José.
Nenhum deles fala. Algo aconteceu que dispensa quaisquer palavras.
Reparaste nisso? Todos falamos demasiado: em casa, com os amigos, a ver televisão...
No presépio ninguém fala. Tudo se desenrola no silêncio. Até mesmo os pastores que vêm encontrar-se com Nossa Senhora, com São José e com o Menino chegam e calam-se.
Antes de chegarem, convidaram-se uns aos outros, dizendo: «Vamos ver a palavra».
No silêncio do presépio, a única palavra é o Jesus-Menino.
No silêncio fala somente Deus e a sua palavra que é uma criancinha.
Uma criancinha como foste tu também.

Carlo Maria MARTINI. Quem é Jesus?

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

O nosso Cartão Natal

O nosso cartão de Natal é virtual, identificando as paróquias nas respetivas páginas do facebook:
 (Paróquia de Tabuaço,: foto de um painel do teto - imagem utilizada na folha dominical e distribuída no dia de Natal - tendo como pano de fundo a vila de Tabuaço).
 (Paróquia de Carrazedo: Imagem do Menino Jesus, que integra o Presépio de Carrazedo, e com uma vela da paz acesa)
 (Paróquia de Távora: imagem do Presépio)
(Paróquia de Pinheiros: imagem parcial do Presépio. A mesma imagem foi distribuída às pessoas durante a Missa de Natal)

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

O Boi e o jumento... no presépio!

       «Na singular conexão entre Isaías 1,3; Habacuc 3,2; Êxodo 25,18-20 e a manjedoura, aparecem os dois animais como representação da humanidade, por si mesma desprovida de compreensão, que, diante do Menino, diante da aparição humilde de Deus no estábulo, chega ao conhecimento e, na pobreza de tal nascimento, recebe a epifania que agora a todos ensina a ver. Bem depressa a iconografia cristã individuou este motivo. Nenhuma representação do presépio prescindirá do boi e do jumento» – Joseph Ratzinger/Bento XVI, Jesus de Nazaré: a infância de Jesus, Cascais, Principia, p.62.
       Foi com alguma perplexidade e razoável estupefação que ouvi e, posteriorrmente, li a reação a estas palavras do último livro do Papa. Nota-se pelas declarações que a maioria não leu o que Bento XVI escreveu, limitando-se a reproduzir frases feitas, servindo-se de preconceitos mais ou menos ideológicos – senão na forma pelo menos no conteúdo – de quem está contra... mesmo que não saiba qual a razão!
       Desde logo surgiram-me questões simples que parecem ter mais a ver com uma certa religiosidade cristã: será que a presença da ‘vaca e do burro’ são tão essenciais para a crença de certas pessoas? Tirar estes adereços mexe assim tanto com a valorização do presépio? Onde terão lido estes defensores da ‘vaca e do burro’ a sua presença nos textos bíblicos? Como podem fazê-los tão imprescindíveis se eles nem estão presentes na narrativa canónica? A quem interessa este ruído sobre questões de lana caprina?
       Reparemos no texto do Papa citado e reportemo-nos também à narrativa lucana (Lc 2, 1-20) onde poderão incluir-se os ditos ‘boi e jumento’, traduzindo ainda por ‘vaca e burro’. 
       ‘Presépio’ significa: curral, estábulo... daí podermos incluir alguns animais nesse contexto. Qual a razão de vermos o boi ou a vaca nesse estábulo? Talvez seja mais uma projeção do tempo em que surgiu o difusão do presépio na cultura ocidental europeia com São Francisco de Assis, na Idade Média, ou ainda com a ruralidade em que se quis colocar ou se pode ver o contexto do nascimento de Jesus entre animais... possivelmente mais ovelhas do que outro gado.
       Talvez o burro/jumento tenha sido o meio de locomoção de José e de Maria entre Nazaré e Belém, a cidade onde se foram recensear. Com efeito, as distâncias eram grandes e os recursos materiais e humanos não seriam mais do que esses de terem um burro para poderem viajar. Daí colocá-lo no contexto do presépio poderá ser tão natural quão difícil de harmonizar animais de diferente estirpe e razoável teimosia... Só quem não os conhece é que se admirará desta alusão à proximidade simples de antagónicos!
       Não deixa ainda de ser significativo que o Papa diga no texto supra citado que aqueles animais – o boi e o jumento ou a vaca e o burro – são ‘representação da humanidade’. Será, então, que a nossa – humana, racional, psicológica e espiritual – simbologia está caraterizada por aqueles dois espécimes? Ou será que, recorrendo aos textos referidos na citação, se pretende fazer uma conjugação dos diferentes humanos, pois se até os animais se entendem e se relacionam em harmonia junto do Deus-Menino, quem somos nós, afinal, para não nós entendermos?
       Bastará parar um pouco diante do presépio para vermos como são fúteis as nossas jactâncias de orgulho: ali está um Deus que Se humilhou e que teve por companhia animais amansados pela pobreza dum Menino que Se fez próximo desde dentro da nossa condição humana e em projeção humanizada.
       Bastará perceber a força de despojamento de um Deus que nasce e é acolhido entre animais porque não havia lugar para Ele na estalagem das ocupações humanas... tais eram (e são) as pretensões de sermos importantes à custa dos direitos dos outros.
       O boi/vaca e o jumento/burro continuarão a ter espaço e oportunidade nos nossos presépios, enquanto andarmos atarefados com inutilidades que nos fazem perder o sentido da vida e a qualidade da existência?
       Que o burro e que a vaca exalem um hálito de ternura sobre este mundo, que rejeita Deus e esquece Jesus! 

Pe. António Sílvio Couto, in AQUI e AGORA,
publicado também no Jornal Voz de Lamego.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Solenidade da Epifania do Senhor - 8 de janeiro

       1 – A luz que surge numa gruta, acessível a Nossa Senhora, a São José, e aos pastores, que são avisados pelos anjos, torna-se cada vez mais visível. Tal é a intensidade desta LUZ, que vem do Céu à terra, que não cabe em nenhuma gruta, ilumina todas as grutas, toda a escuridão.
       A luz é visível à distância, ainda que seja necessário os nossos olhos estarem abertos para contemplar a Luz que brilha nas alturas. No Oriente, em toda a parte, os Magos – de todos os tempos, cuja sabedoria os desperta para perscrutarem tudo o que os rodeia, as pessoas, a terra, o céu, os sinais, a presença do Invisível – vigilantes, deparam-se com uma Estrela mais brilhante e deixam-se conduzir por ela.
       O primeiro desafio para hoje é a abertura aos outros, ao mundo circundante. Se estivermos debruçados sobre nós mesmos, nada se passará à nossa volta, nada nos fará mudar do registo melancólico, da pena que acabaremos por sentir e que queremos que os outros sintam por nós. É preciso levantar o olhar para ver mais longe, para ver além, é necessário olhar até às alturas. É o primeiro passo, estar atentos ao mundo, aos outros, a Deus, às oportunidades com que nos deparamos todos os dias, todo o dia.
        2 – "Levanta-te e resplandece, Jerusalém, porque chegou a tua luz e brilha sobre ti a glória do Senhor. Vê como a noite cobre a terra e a escuridão os povos. Mas sobre ti levanta-Se o Senhor e a sua glória te ilumina. As nações caminharão à tua luz e os reis ao esplendor da tua aurora".
       Não basta comprazermo-nos na contemplação do mistério, do que de novo surge ao nosso olhar. É um primeiro passo, mas que desafia a outros. É necessário levantar-nos e pormo-nos a caminho.
       É o convite do profeta Isaías, a todo o povo, e que se cumpre nos Magos (vindos do Oriente, vindos de toda a parte). O caminho faz-se caminhando. Os Magos não se põem a fazer cálculos, não convocam uma comissão para avaliar os sinais do Céu e da terra, partem, seguem a Estrela. Logo se verá. Confiam.
       "Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O". É desta forma que se apresentam diante de Maria, José e o Menino. A Luz que se avista no Oriente (em toda a parte) leva-os, trá-los, a Belém. A LUZ que irradia do presépio também nos há de fazer levantar, ir ao encontro de Jesus, ir ao encontro do Homem e de Deus. Os magos saem do seu espaço de conforto. E nós estamos prontos para sair do nosso mundo, do nosso conforto, do nosso comodismo para nos deixarmos surpreender por Deus?
       Quem já não se deixa surpreender pela vida, quem vive cinicamente, nunca apreciará convenientemente a alegria de viver, o prazer de estar, de se sentir vivo.
       Como não lembrar aqui o episódio da visitação de Nossa Senhora à Sua prima Isabel. Atenta aos sinais, não precisa que lhe digam o que fazer, Maria sabe que Isabel precisa dos seus cuidados, vai apressadamente em seu auxílio. Sem calculismos, sem medos, saindo de sua casa, do seu conforto. Assim também nas bodas de Canaã. Podia ficar remetida ao silêncio, à indiferença, mas atenta aos outros, intercede por eles.
       É este o segundo desafio para hoje: sair do nosso espaço de conforto para ir ao encontro dos outros.
        3 – "Ao ver a estrela, sentiram grande alegria. Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra".
       O que nos há de impulsionar é o encontro com Jesus, com a fonte de toda a LUZ. Os Magos seguem a intensidade da Luz, não se limitam a aceitar que é um fenómeno interessante, maravilhoso. Põem-se a caminho. Nada os detém, nada os faz desistir, ou relaxar. Mesmo encontrando os obstáculos da cidade - aqui podia entender-se tudo o que pode distrair-nos do essencial; na cidade perdem o rasto da LUZ, da estrela. Quantas vezes perdemos o norte, o rasto da luz? Quantas vezes desistimos, ou desanimamos, ou tememos continuar? Quantas vezes, já cansados, nos resignamos à vida que levamos, ao nosso comodismo?
       Este é outro desafio: não desistamos de procurar. Quem procura, encontra, a quem pede dar-se-á, como um dia dirá Jesus aos seus discípulos. Não esgotemos a procura. Encontramos a luz, pusemo-nos a caminho, e agora, ficamos a meio do caminho? Olhamos para trás, esquecemos o que poderemos vir a encontrar? Quantas coisas nos impedem de ver, de olhar em frente? Que situações nos fazem perder a Luz que nos vem do alto?

       4 – "Virão adorar-Vos, Senhor, todos os povos da terra" (resposta ao Salmo). "Agora foi revelado pelo Espírito Santo aos seus santos apóstolos e profetas: os gentios recebem a mesma herança que os judeus, pertencem ao mesmo corpo e participam da mesma promessa, em Cristo Jesus, por meio do Evangelho".
       No presépio de Belém, com Jesus, Maria e José, encontramo-nos com a Salvação, com o Salvador do mundo, com a fonte de toda a luz, de toda a graça, de todo o amor. É LUZ para se revelar a todas as nações e não apenas a Israel, Seu povo eleito. N'Ele, o Emanuel, assentará a nova e eterna Aliança, com os todos povos. Une-se o Céu à terra e tudo é ligado pela LUZ de Deus.
       Os Magos entenderam os sinais vindos do Céu, porque estavam vigilantes, disponíveis, prontos para caminhar, envolvidos pela luz que os precede, avançam destemidos, ainda que tenham que enfrentar dificuldades, e até se tenham desorientado. Não desistem, voltam a procurar a luz, a estrela, seguem até Belém.
       Mas não acaba aqui.
       "E, avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho". Encontram a LUZ e esse encontro será verdadeiramente transformador. Quem se encontra com Jesus não pode regressar pelo mesmo caminho, tem de transformar a sua vida, tem de regressar fortalecido, rejuvenescido, por outro caminho.
       A luz mata as trevas, destrói a escuridão, guia-nos para outra vida (ou uma vida nova). É este outro desafio: encontrar-nos com Jesus, e deixarmo-nos transformar pela Sua luz, deixarmo-nos converter. O encontro com o Deus que Se faz Homem coloca-nos na senda da conversão.

Textos para a Eucaristia (ano B): Is 60,1-6; Sl 71 (72); Ef 3,2-3a.5-6; Mt 2,1-12.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Solenidade de N A T A L

       1 - É Natal.
       Deus entre nós. Deus um connosco. Deus encarna, faz-Se homem. Em Jesus Cristo, a divindade assumiu a fragilidade e a finitude humana e, num projecto de dádiva permanente, dá-nos a vida em abundância, para que o sentido da nossa existência se abra até ao infinito, até à eternidade.
       "E o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós. Nós vimos a sua glória, glória que Lhe vem do Pai como Filho Unigénito, cheio de graça e de verdade" (Evangelho do dia). Cada ser humano pode ser morada do Senhor. Ele veio habitar em nós e entre nós, e trazermos a graça e a verdade, para nos tornamos irmãos uns dos outros.
       Deixemos que a luz que nos é dada por Deus que Se faz menino, expondo-se no mais simples e humilde, nos guie na verdade, nos impele para a vivência do perdão e da caridade. Não cruzemos os braços, não baixemos a esperança, pois tudo pode aquele que confia em Deus, não desistamos de viver no bem, com honestidade e justiça, fazendo com que o NATAL, nascimento de Jesus, revolucione efectivamente o nosso coração, o nosso olhar sobre o mundo e sobretudo sobre as pessoas, num compromisso com o novo céu e a nova terra que Jesus nos dá com a Sua vida, mensagem, morte e ressurreição.

       2 - Mas escutemos as palavras sagradas que nos falam do nascimento do Messias de Deus, o Salvador do Mundo:
       "Muitas vezes e de muitos modos falou Deus antigamente aos nossos pais, pelos Profetas. Nestes dias, que são os últimos, falou-nos por seu Filho, a quem fez herdeiro de todas as coisas e pelo qual também criou o universo" (Hebr 1,1-6).
       "Enquanto ali se encontravam, chegou o dia de ela dar à luz e teve o seu Filho primogénito... Disse-lhes o Anjo: «Não temais, porque vos anuncio uma grande alegria para todo o povo: nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador, que é Cristo Senhor»" (Lc 2,1-14).
       "O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam nas sombras da morte uma luz começou a brilhar" (Is 9,1-6).
       O nascimento de Jesus, para nós, crentes cristãos, responde às promessas feitas por Deus ao povo eleito, e que os profetas anunciam permanentemente. Com o Seu nascimento, a expectativa em relação ao futuro torna-se certeza do passado e do presente, Deus veio em Jesus Cristo, o Céu desceu à terra, a Eternidade entrou no tempo, entrou na história da humanidade.
       Não mais haverá trevas, porque uma grande luz nos é dada em Jesus Cristo, nasceu-nos o Salvador, chegamos à plenitude dos tempos.

       3 - As palavras que configuram a certeza da presença de Deus em nós e entre nós, mobilizam o nosso coração, mas igualmente o nosso compromisso com os outros, com o mundo, com a transformação das realidades que ainda não viram a luz da salvação.
       Também nós, como outrora os profetas, e como o Messias de Deus, devemos ser mensageiros de Deus, mensageiros do bem e do amor, mensageiros da paz e da vida. "Como são belos sobre os montes os pés do mensageiro que anuncia a paz" (Is 52,7-10).
       Ao espreitarmos o Presépio, acolhamos a alegria e o amor que irradia de Jesus, de Maria e de José. Com o coração a transbordar da paz que Ele nos dá, testemunhemo-lo aos outros, com palavras e obras, testemunhemo-lo ao mundo inteiro.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

FELIZ E SANTO NATAL

"Não temais, pois anuncio-vos uma grande alegria, que o será para todo o povo: Hoje, na cidade de David, nasceu-vos um Salvador, que é o Messias Senhor. Isto vos servirá de sinal: encontrareis um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura." (Lc 2,10-12)

Eu queria um Deus resplandecente e forte,
que se impusesse aos poderosos
e que mudasse radicalmente o mundo,
e ele apareceu na fragilidade de um bebé,
dependente e indefeso,
nascido numa gruta de pastores
e deitado numa manjedoira de animais;

Eu queria um Deus que miraculosamente acabasse
com a injustiça e a hipocrisia,
que fizesse chover do céu a ordem,

o bem estar, a segurança
e ele apareceu na figura de uma criança
que os grandes rejeitaram
e que só os pobres, os simples,
os marginalizados acolheram;

Eu queria um Deus cujo poder atingisse
cada canto da terra,
que se impusesse aos projectos maquiavélicos
dos senhores do mundo,
que transformasse a história humana
com a força do seu braço
e ele nasceu numa pequena cidade sem história,
no seio de um povo pequeno e insignificante,
cuja voz nunca foi escutada
nos grandes areópagos
onde se discute o destino do mundo;

Eu queria um Deus exigente,
que não deixasse cada um fazer o que quisesse
e encontrei um Pai universal, paciente e bondoso,
com coração e com sentimentos,
capaz de compreender e desculpar
as falhas e as debilidades dos homens,
que nem castiga nem se vinga, mas perdoa sempre;

Eu queria um Deus que se impusesse,
que não nos deixasse fazer asneiras
nem conduzir o mundo
por caminhos de egoísmo e de sofrimento
e encontrei um Pai que sabe respeitar
as decisões de cada homem ou mulher,
que promove até ao fim a liberdade humana
e a respectiva responsabilidade;

Eu queria um Deus
que fosse solução eficiente e rápida
para todos os problemas e dúvidas
que inquietam o meu coração
e encontrei um Deus que não me dá respostas feitas,
mas me ensina a procurar,
no diálogo com os meus irmãos,
o caminho a percorrer;

Eu queria um Deus racional,
que eu entendesse à luz da minha lógica
e encontrei um Deus desconcertante,
com uma lógica estranha,
que parece privilegiar certos valores
que os homens desprezam
e desprezar certos valores que os homens amam;

Foi esse Deus, frágil, discreto,
desconcertante, cheio de amor
que, há cerca de dois mil anos, nasceu em Belém
e que hoje continua a querer nascer
no coração de cada homem ou mulher.

(in "Instituto Nun'Alvres")

O estandarte de JESUS

Demorou até chegar, mas já se encontra exposto na fachada do Centro Paroquial.



Construção do Presépio

O Presépio da Paróquia de Tabuaço foi construído em duas etapas sucessivas: no Sábado, dia 12 de Dezembro, iniciámo-lo com as figuras de Nossa Senhora e de São José, e no Domingo, 20 de Dezembro, com a figura do Menino Jesus. Aqui fica duas imagens do Presépio:


domingo, 20 de dezembro de 2009

Presépios de areia...




Uma das tradições de Natal, são os presépios.No ano de 2007, em Palma, em Espanha, o russo Pavel Zadanyuk, fez um gigante em areia, onde as pessoas podiam interagir com as esculturas dos personagens.
Extraordinário!
(Retirado de Uol)

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Natal Up-To-Date (actual)

natal_up_to_date-copy.gif


Em vez da consoada há um baile de máscaras
Na filial do Banco erigiu-se um Presépio
Todos estes pastores são jovens tecnocratas
que usarão dominó já na próxima década


Chega o rei do petróleo a fingir de Rei Mago
Chega o rei do barulho e conserva-se mudo
enquanto se não sabe ao certo o resultado
dos que vêm sondar a reacção do público

Nas palhas do curral ocultam-se microfones
O lajedo em redor é de pedras da lua
Rainhas de beleza hão-de vir de helicóptero
e é provável até que se apresentem nuas

Eis que surge do céu a estrela prometida
Mas é para apontar mais um supermercado
onde se vende pão já transformado em cinza
para que o ritual seja muito mais rápido

Assim a noite passa e passa tão depressa
que a meia-noite em vós nem se demora um pouco
Só Jesus no entanto é que não comparece
Só Jesus afinal não quer nada convosco
David Mourão-Ferreira
Cancioneiro de Natal, 1969