Mostrar mensagens com a etiqueta Principezinho. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Principezinho. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

VL – E tudo de renova… ressuscitando! – 2

       «Vigiai, pois, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor. Ficai sabendo isto: Se o dono da casa soubesse a que horas da noite viria o ladrão, estaria vigilante e não deixaria arrombar a casa. Por isso, estai também preparados, porque o Filho do Homem virá na hora em que não pensais» (Mt 24, 42-44).
       O que se avizinha não tem de ser atemorizador! A salvação está ao nosso alcance, foi-nos colocada na palma da mão. Jesus viveu e morreu por nós, por mim e por ti. E, por mim e por ti, por nós, ressuscitou. Introduziu-nos na eternidade de Deus. Deixemos que nasça em nós, na nossa vida, que nasça e nos ressuscite, nos desperte para a vida abundante de graça e de misericórdia.
       Nada há a temer quando estamos preparados. Sabendo que Ele vem. Há 2.000 mil anos veio ao mundo. A Sua vinda conjuga-se agora no presente. Vem. E vem para ficar, para criar raízes. E para que n'Ele enraizemos a nossa vida. Lembremo-nos que os ramos crescem à medida que as raízes se fincam na terra. Ou, noutra imagem, a videira e a seiva que alimentam os ramos e as folhas. Quando a vida de Jesus Cristo circula em nós então a nossa vida está garantida, como promessa e como tarefa. Os sustos que apanhamos têm a ver com o facto de estarmos desprevenidos. Jesus previne-nos para estarmos preparados, para O reconhecermos e O acolhermos.
       No "Principezinho", a Raposa sublinha a alegria a crescer com o aproximar do encontro com o Principezinho quando sabe a hora do mesmo. "Teria sido preferível teres voltado à mesma hora. Se vieres, por exemplo, às quatro horas da tarde, eu, a partir das três, já começo a ser feliz. Quanto mais se aproximar a hora, mais feliz me sentirei. Às quatro em ponto já estarei agitada e inquieta; descobrirei o preço da felicidade! Mas se vieres a qualquer hora, ficarei sem saber a que horas hei de vestir o meu coração..."
       Ora, Jesus diz-nos que está a chegar. Revistamo-nos de alegria e de esperança. Preparemo-nos para que não nos surpreenda distraídos. Abramos os ouvidos, os olhos, o coração, a vida por inteiro. Ele está a chegar. Não aqui ou ali. Mas em nós. Em cada pessoa que se aproxima de nós, em cada pessoa de quem nos aproximamos. Em todo o tempo! A qualquer hora!

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4391, de 13 de dezembro de 2016

sábado, 26 de novembro de 2016

Domingo I do Advento - A - 27 de novembro de 2016

       1 – Iniciamos o Advento, tempo novo de graça e salvação, que nos envolve nos preparativos para celebrarmos o nascimento de Jesus. Parece que ainda ontem celebrámos o Natal anterior e já estamos de volta. O tempo urge, parece escapar-nos como a areia por entre os dedos das mãos, ainda que tentemos retê-lo. No final não adianta calcular as oportunidades desperdiçadas, importa mesmo apanhar o comboio da vida. É inevitável que prossigamos sem apagar o passado, mas também sem ficar prisioneiros, como que num labirinto sem saída.
       Há preocupações, sonhos e projetos que seguem connosco. As árvores precisam de se adentrar pela terra para suster o peso e o crescimento dos ramos. Quanto maior a árvore (por regra) maiores as raízes.
       O Advento não se desfaz de tudo o que está antes, mas dá-lhe o colorido da festa que se aproxima, comprometendo-nos mais, fazendo-nos recordar a razão da nossa esperança e do nosso compromisso com os outros. Preparamo-nos para celebrar o aniversário de Jesus. Não é algo que se repita. Nada se repete na nossa vida. Cada instante conta. Cada segundo. É a minha vida, a tua, é a nossa vida. Todos os momentos são importantes. Todos os minutos valem!
       Um ciclo finda, outro se inicia, entrelaçando-se no anterior e projetando-nos para o futuro. Jesus alerta-nos para estarmos vigilantes, preparados para a vinda do Filho do Homem. Jesus fala da Sua vinda futura. Veio viver connosco, como um de nós. Aos discípulos daqueles dias anuncia-lhes os tempos novos que se aproximam, em que virá o Filho do Homem. Historicamente, aproxima-se a Sua morte. Após a morte advirá a Sua ressurreição, inaugurando, em plenitude, um Reino novo, de paz e esperança, de perdão e compromisso, de justiça, de serviço e de amor. Como nos dias de Noé, a vida pode passar-nos ao lado. A chegada do Filho de Deus poderá passar despercebida. O mistério da Sua morte e da Sua ressurreição passou indiferente para muitos dos seus concidadãos e conterrâneos. Também nos pode passar ao lado. Não podemos deixar o tempo correr. É preciso que saboreemos a vida e nos comprometamos com os que peregrinam connosco na história.
       Ele continua a emergir na nossa vida e a ressuscitar connosco em todo o bem que praticamos. Por ora, preparamos a celebração da Sua primeira vinda, a Encarnação, Deus que Se faz Homem, Jesus, mas em dinâmica futura. Jesus volta. Não tardará. Como nos vai encontrar? Como O vamos receber?
       2 – "Vigiai, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor. Compreendei isto: se o dono da casa soubesse a que horas da noite viria o ladrão, estaria vigilante e não deixaria arrombar a sua casa. Por isso, estai vós também preparados, porque na hora em que menos pensais, virá o Filho do homem".
       O que se avizinha não tem de ser atemorizador! A salvação está ao nosso alcance, foi-nos colocada na palma da mão. Jesus viveu e morreu por nós, por mim e por ti. E, por mim e por ti, por nós, ressuscitou. Introduziu-nos na eternidade de Deus. Deixemos que nasça em nós, na nossa vida, que nasça e nos ressuscite, nos desperte para a vida abundante de graça e de misericórdia.
       Nada há a temer quando estamos preparados. Sabendo que Ele vem. Há 2.000 mil anos veio ao mundo. A Sua vinda conjuga-se agora no presente. Vem. E vem para ficar, para criar raízes. E para que n'Ele enraizemos a nossa vida. Lembremo-nos que os ramos crescem à medida que as raízes se fincam na terra. Ou, na imagem da videira e da seiva que alimenta os ramos e as folhas. Quando a vida de Jesus Cristo circula em nós então a nossa vida está garantida, como promessa e como tarefa. Os sustos que apanhamos têm a ver com o facto de estarmos desprevenidos. Jesus previne-nos para estarmos preparados, para O reconhecermos e O acolhermos.
       No "Principezinho", a Raposa sublinha a alegria a crescer com o aproximar do encontro com o Principezinho quando sabe a hora do mesmo. "Teria sido preferível teres voltado à mesma hora. Se vieres, por exemplo, às quatro horas da tarde, eu, a partir das três, já começo a ser feliz. Quanto mais se aproximar a hora, mais feliz me sentirei. Às quatro em ponto já estarei agitada e inquieta; descobrirei o preço da felicidade! Mas se vieres a qualquer hora, ficarei sem saber a que horas hei de vestir o meu coração..."
       Ora, Jesus diz-nos que está a chegar. Revistamo-nos de alegria e de esperança. Preparemo-nos para que não nos surpreenda distraídos. Abramos os ouvidos, os olhos, o coração, a vida por inteiro. Ele está a chegar. Não aqui ou ali. Mas em nós. Em cada pessoa que se aproxima de nós, em cada pessoa de quem nos aproximamos. Em todo o tempo! A qualquer hora!
       3 – Para o Apóstolo São Paulo não há tempo a perder. "Chegou a hora de nos levantarmos do sono, porque a salvação está agora mais perto de nós do que quando abraçámos a fé. A noite vai adiantada e o dia está próximo".
       Ao acordarmos vamos retardando a hora de levantar, até ao limite. É mais fácil erguermo-nos de uma vez. Espreguiçando corremos o risco de voltar a adormecer e acordar fora de horas. Para mais, agora no inverno, quando a cama está quentinha e lá fora faz um temporal. A imagem usada pelo Apóstolo é feliz. Quando o dia desponta e temos um dia de trabalho pela frente, há que levantar-nos com as energias que acumulamos durante o descanso.
       Se é dia, então não precisamos de outras luzes que não a Luz que nos vem do alto, que nos vem de Jesus. "Abandonemos as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz. Andemos dignamente, como em pleno dia, evitando comezainas e excessos de bebida, as devassidões e libertinagens, as discórdias e ciúmes... revesti-vos do Senhor Jesus Cristo".
       A fé, recordemo-lo, não nos afasta dos outros, nem do mundo nem da história. Pelo contrário, é neste mundo atual, aqui e agora, com os outros, que nos preparamos para alcançar a vida eterna. A salvação é dádiva de Deus. Acolher a salvação impele-nos a agregar os outros, amando-os, servindo-os. Não podemos chegar diante do Pai se deixarmos os irmãos pelo caminho, como aconteceu com os irmãos de José (do Egipto) que o venderam a mercadores, deixando o pai, Jacob, inconsolável!
       4 – No Evangelho, Jesus aponta a Sua vinda futura, para a qual devemos estar preparados, pelas obras de misericórdia. São Paulo fala-nos da salvação que se iniciou com a adesão a Jesus Cristo, quando abraçámos a fé, mas também da redenção que se aproxima, comprometendo-nos. Se Jesus está a chegar, há que revestir o nosso coração de alegria e de amor para O receber.
       O profeta Isaías, por sua vez, acalenta a esperança de um tempo de graça e de justiça, em que as trevas darão lugar à luz e em que as armas servirão para cuidar do mundo, transformando-o, e não para destruir os outros. Não mais as nações se levantarão umas contra as outras, viverão em paz.
       O DIA que está a chegar traz-nos a salvação de Deus. Ele próprio virá como Juiz. E lá diz o senso comum que, assim como assim, mais vale que seja Deus o juiz e não um de nós.

       5 – A oração de coleta faz a ponte entre o tempo presente e a vida eterna. "Despertai, Senhor, nos vossos fiéis a vontade firme de se prepararem, pela prática das boas obras, para ir ao encontro de Cristo, de modo que, chamados um dia à sua direita, mereçam alcançar o reino dos Céus".
       Com efeito, a oração dulcifica o nosso coração, tornando-o audaz, atento e decidido no cuidado aos outros, com os quais chegaremos ao Céu, experimentando-o já na nossa vida!

Pe. Manuel Gonçalves



Textos para a Eucaristia (A): Is 2, 1-5; Sl 121 (122); Rom 13, 11-14; Mt 24, 37-44.

sábado, 29 de outubro de 2016

XXXI Domingo do Tempo Comum - ano C - 30/10/2016

       1 – Um publicano a rezar no Templo, colocando-se diante de Deus, despido de qualquer presunção ou pretensão, certo da misericórdia de Deus. Apresenta-se transparente e disponível para deixar que Deus o transforme. É a atitude do discípulo de Cristo. O discípulo é aquele que se predispõe a amadurecer, a crescer como pessoa, aperfeiçoando as arestas que ainda magoam os outros, pela indiferença ou pelos gestos de maldade, injustiça, violência.
       Hoje o Evangelho mostra-nos outro modelo de discípulo. Zaqueu, o homem de vistas curtas, de estatura baixa, que não vê além do seu nariz, do seu umbigo. Mas chega um dia em que se sente impelido a ver e conhecer Jesus. Dois fatores o impedem de chegar perto de Jesus. O primeiro tem a ver sua pequena estatura. Já deu o primeiro passo: a decisão de ver Jesus. O outro obstáculo é a multidão. A multidão, na qual também nos encontramos, pode ajudar a encontrar Jesus, apontando para Ele, mas pode também impedir que alguém se aproxime de Jesus, mantendo-se compacta e barrando a passagem.
       Em que situações a multidão impede de ver Jesus?
       Em que situações a multidão ajuda a encontrar Jesus?
       São duas questões que devemos colocar-nos. Sabemos que a vivência da fé, a coerência de vida, o testemunho, o cuidado com os mais frágeis, pode levar outros a querer estar perto de Jesus e a desfrutar da mesma fé e do mesmo compromisso. O inverso manifesta-se quando a vida concreta contradiz abertamente a fé professada. O nosso intento será sempre, reconhecendo o nosso pecado, procurar o mais possível a identificação a Jesus Cristo.
       2 – Quando queremos alguma coisa, de verdade, vamos atrás. Insistimos, uma e outra vez. Não desistimos à primeira. Procuramos os meios, as pessoas, os instrumentos para obtermos o que desejamos. Zaqueu decidiu ver Jesus. Não apenas avistá-l'O à distância, mas vê-l'O de perto, deixar-se ver por Ele. Também aqui a multidão teve uma influência positiva. Zaqueu ouviu falar de Jesus. Terá ouvido muitas coisas acerca do Mestre da Docilidade. Como chefe de publicanos, cobradores de impostos odiados por toda a gente, foi ouvindo o que se dizia acerca de Jesus: um Profeta que anuncia um reino novo, um tempo novo, uma nova maneira das pessoas se relacionarem. As palavras e os prodígios, a mensagem e a Sua postura. A alternativa: um subversivo, um revolucionário, um lunático. Das informações recolhidas, um desejo forte de encontrar-se pessoalmente com Jesus, confirmando com os próprios olhos o que ouvira dizer. Não basta o que ouvimos dizer, é necessário o encontro com Jesus.
       "Então correu mais à frente e subiu a um sicómoro, para ver Jesus, que havia de passar por ali". Colocado num lugar estratégico, para ver sem ser visto. Mas antes de ver, já Jesus, chegado ao local, o vê e o chama: «Zaqueu, desce depressa, que Eu hoje devo ficar em tua casa». Atónito e surpreendido, logo desce e com alegria recebe Jesus em sua casa. Não há tempo para perguntas e para porquês. Agora é o tempo da conversão. A conversão iniciara-se com o desejo de ver Jesus e completa-se com o acolhimento alegre a Jesus.
       O discípulo torna-se missionário. «Senhor, vou dar aos pobres metade dos meus bens e, se causei qualquer prejuízo a alguém, restituirei quatro vezes mais». A alegria do encontro com Jesus provoca compromisso e mudança de vida. Zaqueu só precisou de um lampejo de luz para se abrir à misericórdia de Deus, que se manifesta e age em Jesus. Doravante a postura de Zaqueu não mais será a mesma.
       3 – Somos responsáveis uns pelos outros. A desresponsabilização pelo próximo é pecado que fere os outros e que brada aos Céus. Deus pergunta a Caim sobre o seu irmão e ele responde-Lhe – acaso sou guarda do meu irmão? Contradiz a fraternidade original e a vontade de Deus. No Evangelho Jesus reporá o mandamento: amai-vos uns aos outros como Eu vos amei. Não há maior amor do que aquele que dá a vida pelos amigos. Jesus não demonstra o amor, mostra-o ao entregar-Se por nós.
       Como relembra o Principezinho, somos responsáveis por aqueles que cativamos. E devemos cativar e cuidar de cada pessoa, de todas as pessoas, da pessoa que está à minha beira, pois foi-me enviada por Deus. É a presença de Deus no meio de nós. Quero encontrar Deus? Queres encontrar-te com Deus? O próximo é a resposta! Cuidar de quem precisa de mim e de ti, de quem precisa de nós. Fazermo-nos próximos para ajudar. Esta é a via para chegar a Deus.
       Não há outra forma. Deus deixa-Se ver, tocar, prender, abraçar em cada pessoa. Não podes, lembra São Tiago, fazer juras de amor a Deus, que não vês, se desprezas os outros que vês, em quem podes ver Deus. Deus não Se manteve e não Se mantém distante de nós. Em Jesus Cristo, Deus encarnou, assumiu a nossa natureza humana. A fragilidade e o pecado foram tocados e redimidos pela carne de Jesus Cristo. Encarnou. Viveu. Morreu. Ressuscitou. Ascendeu para Deus Pai. Mas não nos deixa órfãos, dá-nos o Espírito Santo, que acende em nós a chama do amor e nos ilumina tornando Cristo visível na Palavra proclamada, nos Sacramentos celebrados, nas pessoas encontráveis no nosso peregrinar.
       Aquela multidão que vê Jesus a entrar em casa de Zaqueu – o chefe de publicanos, odiado pela profissão que exerce, concluindo-se que pertencia àqueles que usam e abusam do cargo –, não fica convencida: «Foi hospedar-Se em casa dum pecador». Jesus não percebe. É ingénuo. Como vai logo hospedar-se em casa de uma pessoa assim?! A resposta de Jesus vem mais à frente: «Hoje entrou a salvação nesta casa, porque Zaqueu também é filho de Abraão. Com efeito, o Filho do homem veio procurar e salvar o que estava perdido». Também aqui se pode ver a intuição da parábola do Pai Misericordioso: "este teu irmão estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado".
       A vinda de Jesus ao mundo tem um propósito firme: que n'Ele todos descubram Deus e se deixem salvar pelo Seu amor. Por conseguinte, cabe-nos hoje mostrar Deus aos nossos contemporâneos, transparecendo-O nas palavras e nos gestos, com a voz e com a vida.

       4 – Maior que o nosso pecado é a misericórdia e a complacência de Deus. A humildade faz-nos mirar ao espelho, não para nos vermos, mas para vermos o quanto Deus nos ama. Víamos na semana passada que a oração do pobre sobe ao céu, a oração do fariseu traz-lhe a justificação de Deus. A prepotência e a soberba condenam-nos a girar em torno do nosso umbigo, acabando zonzos, acabando por cair no vazio e na solidão…
       "Diante de Vós, Senhor, o mundo inteiro é como um grão de areia na balança, como a gota de orvalho que de manhã cai sobre a terra. De todos Vos compadeceis e não olhais para os seus pecados... Vós amais tudo o que existe... A todos perdoais, porque tudo é vosso, Senhor, que amais a vida. O vosso espírito incorruptível está em todas as coisas. Por isso castigais brandamente aqueles que caem e advertis os que pecam, recordando-lhes os seus pecados, para que se afastem do mal e acreditem em Vós, Senhor".
       O livro da Sabedoria deixa vir ao de cima a misericórdia de Deus. Do mesmo jeito o Salmo nos ensina a compaixão e a bondade de Deus: "O Senhor é clemente e compassivo, paciente e cheio de bondade. O Senhor é bom para com todos e a sua misericórdia se estende a todas as criaturas. O Senhor é fiel à sua palavra e perfeito em todas as suas obras. O Senhor ampara os que vacilam e levanta todos os oprimidos".

       5 – E porque sabemos que Deus nos atende, suplicamos-Lhe que nos faça caminhar sem obstáculos para os bens por Ele prometidos, ou para aprendermos, com a sabedoria do coração, a fazer com que as dificuldades sejam oportunidades para fortalecer a nossa fé e a nossa confiança em Deus. Por outro lado, a oração previne-nos contra os falsos profetas, comprometendo-nos com o tempo presente, com o mundo atual, sabendo que Deus nos envia em missão, a missão de espalhar a fé e a esperança, através da prática do bem, do cuidado e do serviço a todos os que encontrarmos.
       Rezando, o Apóstolo adverte-nos contra o desespero, contra as trevas, contra aqueles que nos querem amedrontar com desgraças. "Oramos continuamente por vós, para que Deus vos considere dignos do seu chamamento e, pelo seu poder, se realizem todos os vossos bons propósitos e se confirme o trabalho da vossa fé. Assim o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo será glorificado em vós... Nós vos pedimos, irmãos, a propósito da vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo e do nosso encontro com Ele: Não vos deixeis abalar facilmente nem alarmar por qualquer manifestação profética, por palavras ou por cartas, que se digam vir de nós, pretendendo que o dia do Senhor está iminente".
       Hoje como ontem, são muitos os que anunciam o fim do mundo, com imensos sinais destrutivos, numa crescente cultura da morte. Porém, adverte-nos o apóstolo, cabe-nos irradiar a cultura da vida, perseverando, lutando pela justiça e pela verdade, na certeza que Deus vencerá.

Pe. Manuel Gonçalves

Textos para a Eucaristia (C): Sab 11, 22 – 12, 2; Sl 144 (145); 2 Tes 1, 11 – 2, 2; Lc 19, 1-10.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Encontros que (nos) salvam…

       Encontros. Nem todos têm a mesma profundidade. Cada encontro deveria ser único, provocando mudança. Quando nos encontramos, a nossa vida enriquece-se.
       Encontrar o outro não é tarefa fácil. O encontro implica-nos, compromete-nos, responsabiliza-nos. No Principezinho mostra-se essa clarividência: somos responsáveis pelas pessoas que cativamos. O outro, quando deixo que me encontre, quando o quero encontrar, torna-se especial, torna-se único, muda a minha vida para sempre e muda a qualidade do meu relacionamento com todos os outros.
       Fazemos esta experiência todos os dias: quando amuámos com alguém, a expressão do nosso rosto muda para todas as pessoas. Quando descobrimos a alegria e a paz com esta ou com aqueloutra pessoa, o nosso rosto adquire luz para todas as pessoas que encontrarmos durante o dia.
Quem se encontra com Jesus Cristo descobre um sentido novo para a sua vida:
A Samaritana (Jo 4, 1-42). Um diálogo de descoberta. Jesus interpela-a na sua vida pessoal mas também na sua maneira de se colocar diante de Deus. A Samaritana é desafiada a descobrir a verdade. Converte-se a Jesus e anuncia-O.
A mulher adúltera (Jo 8, 1-11). Vai e não voltes a pecar.
Zaqueu (Lc 19, 1-11). O cobrador de impostos, ao serviço do império romano, traidor para os judeus. Jesus encontra-O e Ele muda: compensa os que roubou e dá aos pobres, com generosidade.
A mulher que toca no manto de Jesus (Mt 9, 20-22). No meio de uma multidão, a mulher encontra-se. Basta-nos o olhar de Jesus e deixarmo-nos envolver pela luz que brota do Seu rosto.
Apóstolos. Jesus cruza-se com eles, no meio da multidão, nos seus postos de trabalho. Interpela-os. Vinde e vereis. Tornam-se discípulos missionários.
João Batista (Lc 1, 39-45). Ainda no seio materno encontra Jesus e rejubila!
Também o Jovem rico (Lc 18, 18-27) não fica indiferente à figura de Jesus, mas naquele momento não está preparado para O seguir.
       Ao longo da História da Igreja os exemplos multiplicam-se.
Paulo de Tarso (Atos 9,1-30), depara-se com a figura de Jesus (cai do cavalo) e a sua vida dá uma volta de 180 graus. De Perseguidor a Apóstolo.
Santo Agostinho. O encontro com Jesus transforma-o. A sua vida doravante é dedicada ao estudo, à oração, à reflexão, à pregação da Palavra de Deus.
Francisco de Assis. Da riqueza material à pobreza, à simplicidade, para que o Evangelho passe pela sua vida, em todos os seus gestos.
Inácio de Loyola, Francisco Xavier, Madre Teresa de Calcutá, João Paulo II, Padre Américo e tantos homens e mulheres.

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4360 , de 26 de abril de 2016