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sábado, 25 de março de 2017

Domingo IV da Quaresma - ano A - 26.março.2017

       1 – Domingo da Alegria e da luz, da unção e da vida nova trespassada de graça e salvação, presença de Deus na minha e na tua vida. Deserto e tentações, pão e palavra de Deus. Montanha e altura, Jesus e apóstolos, vislumbre da eternidade, luz vinda do Céu. Sede e água, Samaritana e Água Viva que é Jesus e um alimento maior que toda a fome. A verdade e o espírito, a adoração de Deus e o amor aos irmãos.
       Mais forte que toda a cegueira, a Luz de Cristo, que nos eleva para Deus e nos faz reconhecer os outros como irmãos. É conhecida a estória do sábio que pergunta aos seus discípulos qual o momento exato em que a noite dá lugar ao dia. Respostas: quando conseguimos ver o chão que pisamos, quando distinguimos a sombras e sabemos se são pessoas ou são árvores, quando surge o primeiro raio de sol no horizonte! Passa a ser dia, conclui o sábio, no momento em que olhamos para os outros e os reconhecemos como irmãos. É esta a luz que salva, que nos irmana, que nos faz viver e sentir como família de Deus.
       2 – Jesus encontrou um cego de nascença. É Jesus que nos encontra. Será importante que nos predisponhamos a deixar-nos encontrar por Ele. Neste encontro a proximidade de Jesus e a distância dos seus discípulos. O preconceito, a dúvida, o questionamento. Se ele está cego, alguma coisa fez de errado. Ou ele ou os pais. Infelizmente, ainda na atualidade, o obscurantismo da fé é gigante, manifestando falsa resignação: foi Deus que quis, paciência! Como se Deus quisesse o nosso mal, como se um Pai tivesse gosto em ver os filhos a sofrer.
       Jesus não se interroga nem explica esta fragilidade. Faz o que está ao Seu alcance para resolver ou minorar a situação. Em vez das palavras e da reflexão filosófica e/ou moral e religiosa, Jesus intervém para curar, para salvar, para sanar todo o mal, não apenas o mal físico mas tudo o que anoitece a vida humana. «É preciso trabalhar, enquanto é dia, nas obras d’Aquele que Me enviou. Vai chegar a noite, em que ninguém pode trabalhar. Enquanto Eu estou no mundo, sou a luz do mundo».
       Ele vem como Luz, para iluminar todos os recantos da vida humana. As trevas fazem-nos tropeçar e atropelar os outros. É dia quando e sempre que eu reconheço o outro como irmão.
       Para os judeus, e para muitos de nós, a cegueira é sinal de maldição de Deus. Este homem é desprezado e excluído. Não bastava a falta de vista quanto mais a exclusão social e religiosa. Jesus inclui-o. Não de forma mágica, mas com o poder de Deus e a unção da terra e da vida (terra e saliva), e com a água que lava e purifica. Novamente este elemento. Precisaria Jesus de utilizar estes elementos da natureza? Talvez não, mas uma vez mais Jesus nos remete para a terra, para os dons da natureza, para o esforço, pouco ou muito, mas que se exige a quem quer ser curado por Ele.
       3 – Diante do assombro, o medo ou a conversão, a maledicência ou o silêncio, a indiferença ou o testemunho, a negação e o cinismo ou a abertura ao mistério. Mais cego é aquele que não quer ver.
       O cego de nascença foi curado. Os vizinhos e os que o tinham visto a mendigar interrogam-se e interrogam-no, incrédulos, atónitos. Este homem dá testemunho do que nele se operou pelas mãos e pelas palavras de Jesus.
       Entram em cena os fariseus e o legalismo, o preconceito. Diante do milagre reconhecido, a suspeição e a insinuação. Por todas as formas tentam desacreditar o milagre, mas como são muitas as pessoas que conheciam o cego de nascença e testemunham a cura, arranjam outra desculpa para não aceitarem Jesus. Afinal, Ele curou o cego, mas em dia de sábado! O mal passa a ser o dia da cura, como se Jesus não viesse de Deus por fazer tais coisas ao sábado. Não querem ver e portanto há que arranjar desculpas como aqueles que não vão à Missa e justificam-se dizendo que os que lá vão são piores! É uma desculpa infantil.
       O interrogatório vai-se fazendo com uma ameaça prévia: quem professar que Jesus é o Messias será expulso da Sinagoga. Perante a insistência, aquele que era cego lança-lhes o repto: estais tão interessados em saber, será que quereis tornar-vos discípulos? A resposta dos fariseus, embora negando Jesus, é também um profissão de fé: «nós somos discípulos de Moisés. Nós sabemos que Deus falou a Moisés; mas Este, nem sabemos de onde é». Vale a pena deter-nos na resposta do homem curado: «Isto é realmente estranho: não sabeis de onde Ele é, mas a verdade é que Ele me deu a vista. Ora, nós sabemos que Deus não escuta os pecadores, mas escuta aqueles que O adoram e fazem a sua vontade. Nunca se ouviu dizer que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença. Se Ele não viesse de Deus, nada podia fazer».
       Perante tal testemunho e convicção, os fariseus e os doutores da Lei expulsam-no da Sinagoga, reafirmando que a cegueira é consequência do pecado: «Tu nasceste inteiramente em pecado...».
       4 – A cura é um primeiro passo, a conversão vem a seguir é mais demorada, leva uma vida inteira. Na maioria das vezes Jesus exige a fé (prévia) para intervir curando. No relato desta cura não se faz qualquer referência à fé deste homem. Sinal e expressão que Deus age além de nós, toma a iniciativa e a Sua misericórdia não está inteiramente dependente da nossa vontade. Cabe-nos acolher ou recusar a bondade e as maravilhas do Senhor. Mas Deus não atua na condicional.
       No Evangelho não sabemos como prosseguiu a vida de alguns dos que foram curados por Jesus. Uns passaram a segui-l'O; a outros, Jesus recomendou que regressassem às suas famílias e dessem testemunho das maravilhas de Deus neles realizadas. Alguns são curados e não mais se lembram de quem os curou, como no caso dos 10 leprosos em que só um vem agradecer, louvando e dando glória a Deus.
       Tendo conhecimento do que os fariseus e doutores da Lei fizeram a este homem, Jesus veio ao seu encontro e, então sim, desafia-o à fé: «Tu acreditas no Filho do homem?». A fé é muito mais que um conjunto de ideias, ainda que credíveis, a fé é um encontro. Deus vem ao nosso encontro e em Jesus Cristo encontra-nos no nosso peregrinar, no nosso caminho. A fé decide-se diante Jesus: «Eu vim a este mundo para exercer um juízo: os que não veem ficarão a ver; os que vêem ficarão cegos».
       Poderíamos recordar um dos pontos da mensagem do papa Francisco para esta Quaresma: o pecado cega-nos. Palavras semelhantes com que Jesus termina o diálogo com os fariseus e doutores da Lei: «Se fôsseis cegos, não teríeis pecado. Mas como agora dizeis: ‘Nós vemos’, o vosso pecado permanece». Um trocadilho sugestivo, a cegueira, isto é, a inocência, a pureza, livra do pecado; a presunção e o auto endeusamento geram pecado, tornam-nos cegos.
       A verdadeira cura, o milagre mais difícil é a conversão do coração e a persistência no bem.
       5 – Para nós, que fomos batizados na água e no Espírito Santo, a luz deve guiar-nos pelo caminho do bem, pelo caminho de Jesus. «Outrora vós éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor».
       Se fomos libertados das trevas, como nos lembra o apóstolo, ajamos como tal, como filhos da luz. Procuremos em tudo o que mais agrada ao Senhor, afastando-nos do mal, das obras das trevas: a injustiça, a mentira, a hipocrisia, a corrupção. «Desperta, tu que dormes; levanta-te do meio dos mortos e Cristo brilhará sobre ti». A autenticidade da nossa fé é verificável pelos frutos da luz: a bondade, a justiça e a verdade. O bem e o cuidado pelos outros devolve-nos a visão que nos conduz até à eternidade; o pecado da indiferença, do egoísmo, da prepotência cega-nos, não nos deixa reconhecer que o irmão é dom, não nos deixa entrever a eternidade de Deus.

       6 – O pecado faz parte da nossa condição mortal, finita, limitada. Mas não estamos sós. O mal maior não está no pecado, está em não nos reconhecermos pecadores. O mal não são os pecadores que se predispõem a acolher a misericórdia do Senhor, o mal são os corruptos, os hipócritas, que persistem no mal e não se abrem ao bem de Deus. O Papa Francisco tem repetido amiúde: pecadores sim, não corruptos. Não há nada que Deus não possa perdoar, redimir, menos os idólatras, ou seja, aqueles que se colocam no lugar de Deus, excluindo-O, e maltratando os irmãos.
       Não estamos sós. Frágeis, somos fortalecidos pela graça do Senhor. Ele é o Bom pastor que nos guia e nos conforta. Ele nos leva a descansar em verdes prados e nos conduz às águas refrescantes, para sempre habitaremos na casa do Senhor.

       7 – Na primeira leitura, Samuel é enviado por Deus para ungir um novo Rei. A perceção de Samuel é semelhante à nossa, fixa-se nas aparências, com o risco da cegueira, incapaz de ver o verdadeiro bem, os sinais da presença de Deus. Samuel deslumbra-se com os irmãos de David pelo porte, pela beleza. Diz-nos o Senhor, «Deus não vê como o homem; o homem olha às aparências, o Senhor vê o coração».
       Os sete filhos passam diante de Samuel e todos parecem reunir qualidades para se tornarem reis. No final, Deus escolhe aquele que não conta, jovem e pastor. Tornar-se-á um grande Rei, com pecados, mas temente a Deus, sempre, em todo o tempo. O Papa Francisco invoca-o como São David, pois, apesar das falhas graves, profundas, na sua conduta pessoal, está sempre pronto para assumir o seu pecado diante de Deus, intercedendo pelo povo, arcando com as consequências do seu mau proceder.

       8 – «Deus de misericórdia, que, pelo vosso Filho, realizais admiravelmente a reconciliação do género humano, concedei ao povo cristão fé viva e espírito generoso, a fim de caminhar alegremente para as próximas solenidades pascais» (Oração de coleta).

Pe. Manuel Gonçalves


Textos para a Eucaristia (A): 1 Sam 16, 1b. 6-7. 10-13a; Sl 22 (23); Ef 5, 8-14; Jo 9, 1-41.

sábado, 18 de março de 2017

Domingo III da Quaresma - 19 de março de 2017

       1 – O ser humano adulto é constituído por cerca de 75% de água. Curioso, pois o que se vê é solidez, carne, ossos, pele, músculo. Nas crianças a percentagem aumenta para cerca de 85%, maior elasticidade, e nos idosos baixa para cerca de 50%, daí a necessidade de beberem mais líquidos para equilibrar o organismo. E por falar em corpo, a água é um dos elementos fundamentais para a saúde da pessoa. Os médicos sempre recomendam: beber muita água e fazer desporto e alimentar-se com comida saudável.
       Em muitas regiões da terra, a água é um bem escasso, provocando lutas, violência e guerra. Nas guerras tradicionais uma das formas de ganhar vantagem era controlar o acesso à água potável, vigiando as fontes, impedindo que a água chegasse às populações inimigas. Na guerra da Jugoslávia as pessoas arriscavam serem mortas ao irem buscar água, gastando horas a caminhar para os locais onde havia água, esperando horas na fila. É um pouco como a eletricidade, vemos a sua importância quando falha. Vivemos num paraíso, bastam uns segundos, abrir a torneira, ou uns minutos para a ir buscar!
       A escassez de água é um drama do nosso tempo. Já existe o Dia Mundial da Água, incentivando a sua racionalização, a preservação dos solos e aquíferos, sensibilizando a distribuição/partilha da água e para que, sendo um direito, não leve à corrupção e à exploração das populações que não têm fácil acesso a água potável. É o petróleo do século XXI. Em muitos lugares, já á mais cara que o gasóleo.
       A terra é constituída por cerca de 70% de água, mas só 3% dessa água é doce e menos de 1% está acessível. A pescaria, a pecuária, a agricultura, a indústria... tudo depende da água... para beber, para lavar, para regar, para cozinhar... Em algumas partes do planeta não há água, pelo que a solução é comprá-la, noutros lugares, a água é tão cara que não há condições de pagar! É um direito por cumprir!
       2 – «Dá-Me de beber». Junto ao poço de Sicar, Jesus encontra uma Mulher, samaritana, logo inimiga dos judeus, que há muito não se davam. Jesus não deixa que a nacionalidade seja um impedimento para lhe pedir água, ainda que ela se admire por tal atrevimento. Jesus prossegue: «Se conhecesses o dom de Deus e quem é Aquele que te diz: ‘Dá-Me de beber’, tu é que Lhe pedirias e Ele te daria água viva».
       Mas como é possível tirar água de um poço fundo sem um balde? Dá que pensar! Será que está bom da cabeça? Será Ele maior que Jacob? Porém, Jesus não despega e reafirma o DOM: «Todo aquele que bebe desta água voltará a ter sede. Mas aquele que beber da água que Eu lhe der nunca mais terá sede: a água que Eu lhe der tornar-se-á nele uma nascente que jorra para a vida eterna».
       Como um de nós, a Samaritana entrevê uma oportunidade: «Senhor, dá-me dessa água, para que eu não sinta mais sede e não tenha de vir aqui buscá-la». Depreendemos das suas palavras o tempo gasto e o cansaço em ir buscar água à fonte. A Samaritana está fixa numa necessidade básica, urgente e fundamental, mas biológica. Jesus deu um passo em frente, está a falar de SEDE de Deus, de sentido, de uma saciedade que nos humaniza, nos apazigua e, simultaneamente, nos compromete com os outros. A água recebida, como todo o dom, é água partilhável. Assim a vida. Recebeste de graça, dai de graça!
       3 – O diálogo continua e apercebemo-nos que Jesus entra na nossa vida sem invadir a nossa liberdade. Propõe-nos um caminho de felicidade, vida abundante, abertura aos outros, compromisso e "obediência" (= escuta) a Deus, por forma a garantir que os outros são DOM e não são dispensáveis.
       A Samaritana é uma mulher insaciável. Que fazer quando estamos insatisfeitos com a nossa vida? Comemos, enfartamo-nos ou vamos às compras, compramos até o que não precisamos, mas pelo menos preenchemos tempo e talvez alguns vazios que nos esgotam. Esta mulher não está bem com a vida que leva. Nada a satisfaz. A sua sede fá-la perder-se com as pessoas. Como não lembrar também aquele jovem que vai ter com Jesus e lhe pergunta o que fazer para entrar na vida eterna, isto é, o que fazer para se sentir útil e ser feliz. A resposta de Jesus respeita o ritmo de cada um. Vai, vende, dá, vem e segue-Me!
       Jesus não assume uma atitude invasiva. Não há n'Ele palavras recriminatórias, tão-somente uma constatação que resulta da escuta, da atenção, do Seu cuidado para com esta mulher e que a faz sentir amada, a faz sentir pessoa. Jesus não lhe pergunta pelos pecados, pergunta-lhe pela vida e pelo sentido da vida. Para Jesus, o caminho da felicidade passa pela adoração, em espírito e verdade, a adoração de Deus que é Pai. Não há fronteiras, há opções. Não há privilegiados, há pessoas que abrem o seu coração a Deus!
       4 – O verdadeiro encontro com Jesus realiza a conversão, a mudança de vida. A mulher sai transformada da presença de Jesus. Disponível para dar testemunho. Com efeito, parte e vai à cidade anunciar o Messias: «Ele disse-me tudo o que eu fiz». A conversão faz-se a partir do anúncio e do testemunho recebido, mas só se torna decisivo no encontro com Jesus. Muitos vierem ao Seu encontro, com sede própria e pediram-Lhe que ficasse algum tempo. Jesus não Se faz rogado e fica com eles durante dois dias. No final o testemunho deste encontro transformador: «Já não é por causa das tuas palavras que acreditamos. Nós próprios ouvimos e sabemos que Ele é realmente o Salvador do mundo».
       E nós? Que transformações se operam na nossa vida no encontro com Jesus? Há diferenças na minha, na tua, na nossa vida por sermos cristãos? Experimentamos a alegria de pertencermos a Cristo? Anunciamos Jesus aos outros, pelas palavras e pelos gestos, ou guardamos a fé só para nós?
       Quem se aproxima de Jesus é iluminado pelo Seu olhar, pelo Seu amor. E quando alguém se aproxima de nós, pressente a presença de Deus, a Sua luz e o Seu amor? Ou somos velas já sem chama?
       5 – Os discípulos ficam surpreendidos quando voltam para junto de Jesus. Tinham ido à cidade buscar alimento. Espantam-se com o facto de Jesus estar (sozinho) em amena caveira com uma mulher. E como se isso não bastasse, é samaritana! O certo é que para Jesus não há exceções. Todos contam. Homens e mulheres. Nativos e estrangeiros. Santos e pecadores. Eu conto. Tu contas. Contamos todos.
       A vida de Jesus e dos Seus discípulos não é fácil. Andar por aldeias e cidades, sem poiso certo, gera cansaço e desgaste. Trazem pouca coisa. Os recursos são escassos. Contam com a boa vontade de algumas mulheres convertidas e de seus maridos que simpatizam com Ele! Contam com as dádivas de algumas famílias que os acolhem e de outras que se tornam amigas. Se eles estavam esfomeados, também Jesus deveria estar. Insistem para que coma! A não ser que já o tenha feito! A resposta de Jesus é taxativa: «O meu alimento é fazer a vontade d’Aquele que Me enviou e realizar a sua obra».
        Como não lembrar as palavras de Jesus no deserto: nem só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus. Claro que o alimento biológico é imprescindível e não cai do céu como que por magia, mas é fruto do trabalho honesto e dedicado de cada um de nós. Contudo, o homem é mais do que o alimento e do que vestuário. Na verdade, há pessoas miseráveis a viver em palácios e pessoas bem aventuradas a viver em bairros de lata. Isso não significa a defesa da miséria material, mas sublinha que a felicidade exige mais de nós. O que temos pode ajudar-nos a viver mais confortavelmente. O que somos, a família e os amigos, o que damos e o quanto nos damos, em tempo e gastando a vida, define o que nos faz felizes e nos realiza como pessoas.
       6 – Deus não nos deixa sem resposta. Ele escuta as nossas preces. «O Senhor está ou não no meio de nós?». A provocação de Moisés vem depois da sua conversa com Deus. Nem sempre a oração é fácil, nem sempre Deus nos responde da forma como esperávamos, mas não deixa de velar, de cuidar, de nos abençoar. Deus sacia a sede daquele povo e através de Moisés manda-o avançar, pôr-se a caminho. A sede também é saciada pelo esforço em caminhar, pela ação do nosso bastão, dos nossos braços. Toda a criação é dom de Deus. Mas o dom é partilhável ou deixa de ser dom. Cabe-nos tornar acessíveis os bens da criação para toda a humanidade, com o nosso trabalho e com a nossa partilha solidária.

       7 – São Paulo é um pouco como a Samaritana, um pouco como nós, busca água em fontes que saciam momentaneamente a sede. O problema não é a sede, as fontes é que não têm a água que a nossa vida precisa.
       O Apóstolo perseguiu Jesus até ao dia em que se deixou encontrar e surpreender por Ele. A sua sede encontra uma fonte que sacia a sua busca. Aos Romanos, revela que está em paz, apoiado na graça de Deus, na esperança que não engana, «porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. Quando ainda éramos fracos, Cristo morreu pelos ímpios… Dificilmente alguém morre por um justo; por um homem bom, talvez alguém tivesse a coragem de morrer. Mas Deus prova assim o seu amor para connosco: Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores».
       Vale a pena aqui evocar a figura de Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein) que, como Paulo, como a Samaritana, chegou um dia e disse: "é esta a verdade". Tendo passado a noite a ler a autobiografia de Santa Teresa de Ávila, encontra Jesus e o cristianismo. Logo pedirá o batismo. Tanto que buscou que encontrou. Mas a chegada não é o fim, é o início de um novo caminho que a levará ao martírio!

Pe. Manuel Gonçalves


Textos para a Eucaristia (A): Ex 17, 3-7; Sl 94 (95); Rom 5, 1-2. 5-8; Jo 4, 5-42.

sábado, 4 de março de 2017

Domingo I da Quaresma - ano A - 1 de março de 2017

       1 – Desde sempre, Jesus está cheio do Espírito de Deus. Como Maria, Sua Mãe santíssima, a Cheia de Graça, concebida sem pecado, Imaculada Conceição, em Seu seio virginal concebeu, pelo Espírito Santo, o Filho Jesus. Assim o Filho do Altíssimo, cheio de Graça e de Bênção. Para onde quer que vá. De onde quer que venha. Onde quer que esteja. É o Espírito que O ilumina, O guia, O preenche e O sustenta.
       É conduzido ao deserto pelo Espírito de Deus. Não vai sozinho. Leva Deus no coração. A Sua vida está agrafada à de Deus Pai. O propósito do deserto não é a tentação. Não é o demónio que O impele para o exterior. É o próprio Deus. O deserto é deserto, não tem adornos, ruído, não tem que ver, que comer, que cheirar. É areia, horizonte sem fim, é demasiado frio à noite, calor exagerado durante o dia. Chegada a idade da missão, João Batista vai da cidade para o deserto. Chegada a idade da missão, Jesus retira-Se para o deserto, para que a força da oração O acompanhe e a certeza da presença de Deus Lhe dê alento nos momentos difíceis que advirão. Logo reentrará na Terra prometida. João leva-nos ao deserto, aponta para Jesus. Jesus faz-nos caminhar para a Terra Prometida. Ele é a nossa Terra Prometida.
       No deserto Jesus mostra-nos o valor da oração e a necessidade do crente viver próximo, íntimo, em situação dialogante com Deus. Só dessa forma as tentações serão vencidas, não tanto pelos nossos méritos mas pela Graça santificante do Senhor.
       O jejum e a penitência, quarenta dias e quarenta noites, o tempo necessário e preciso para Se preparar para o que lá vem, não valem por si mesmo, valem por sublinharem que Deus é a prioridade essencial, só Ele verdadeiramente conta e nem o alimento, nem o frio, nem o calor, nem a indigência O poderão separar do Amor do Pai. A primeira fome não é de pão. A primeira fome há de ser de Deus, dos afetos e das pessoas, da companhia e do olhar que nos vê, nos descobre e nos reconhece como pessoas. E o primeiro olhar que nos salva é o olhar de Deus. Jesus sabe de antemão quanto vai precisar da presença e do olhar de Deus ao longo da vida pública que vai iniciar. Com o Batismo recebe a confirmação do Céu, do Seu e nosso Pai, que é bem-amado e que nunca será abandonado. Assim, na certeza do Espírito Santo que O preenche, vai ao deserto preparando-Se para mudar o mundo e vida da humanidade.

       2 – A fome de Jesus, num primeiro momento, é uma opção. Se andamos empanturrados da vida, precisamos da calmaria do deserto, do refúgio, da meditação, esvaziando-nos do que nos empanturra para nos enchermos e preenchermos da alegria, da esperança e do amor que Deus nos dá. A fome de Jesus liberta-nos da prepotência, da arrogância e da soberba, do egoísmo, da inveja e da avareza. Há quem não tenha fome e viva miseravelmente. Há pessoas tão pobres, tão pobres, que só têm dinheiro. O jejum relembra-nos as prioridades da nossa vida: Deus. E, se Deus é prioridade, as pessoas estarão em primeiro lugar, as pessoas com as suas ânsias e sofrimentos, já que Deus sempre nos remete para o nosso semelhante.
       No deserto Jesus continua a fazer-Se pobre, despojado, para nos enriquecer com a Sua pobreza, com o Seu amor e docilidade. Ele, sem mais, sem máscaras, sem falsas imagens ou esperanças, de mãos vazias e abertas, com o coração em Deus. Ele, com a Sua fragilidade muito humana e com o Seu amor muito divino. Solidariza-Se com os pobres, tornando-os visíveis. Aqueles que, por vergonha e por medo se escondem, Jesus trá-los para a luz do dia, pobres, pecadores, aleijados, surdos, mudos, doentes, leprosos, publicanos, mulheres, crianças, excluídos social, politica e religiosamente, não podem ser esquecidos e relegados para o esquecimento. A partir do deserto, Jesus denuncia todos os que se fecham e se esquecem das pessoas mais frágeis. Os ricos, na sua penúria humana, espiritual, fecham os olhos, tapam os ouvidos, bloqueiam o coração ao grito dos indigentes. Os "ricos" são todos aqueles que vivem apenas para si mesmos, insolidários; enriquecem à custa dos outros e os outros servem apenas para servir os seus interesses. "Pobres" são aqueles que põem a sua confiança no Senhor e se abrem à Sua misericórdia, cuidando de trabalhar honestamente para transformar positivamente o mundo, procurando "adicionar", sem "subtrair" os outros. Reconhecem-se responsáveis pelos outros, sobretudo pelos mais frágeis, lutando contra toda a espécie de injustiças.
       Esta é a pobreza comprometida que Jesus nos ensina, vivendo-a. Em Jesus reencontrar-nos-emos com rios de água viva, renovando as fontes que nos irmanam. Nas palavras de Bento XVI (24 de abril de 2015, quando assumia o pontificado), multiplicam-se os desertos exteriores (fome, guerra, violência…) e os desertos interiores (solidão, vazio, desencanto, do amor destruído…), aos quais é necessário responder com Deus, com a vida nova que se enxerta em Jesus Cristo, na Sua oferenda de Amor.

       3 – Pobres que confiam na doçura do Senhor. Por conseguinte rezamos pedindo: "compadecei-Vos de mim, ó Deus, pela vossa bondade, pela vossa grande misericórdia, apagai os meus pecados. Lavai-me de toda a iniquidade e purificai-me de todas as faltas. Porque eu reconheço os meus pecados... Pequei contra Vós, só contra Vós, e fiz o mal diante dos vossos olhos. Criai em mim, ó Deus, um coração puro e fazei nascer dentro de mim um espírito firme" (salmo).
       Na família de Nazaré, Jesus aprendeu a confiar em Deus, a confiar a Deus toda a Sua vida, nas dificuldades e nas possibilidades. Com Maria e com José e com a comunidade nazarena, reza salmos como este que hoje nos é proposto. No deserto é essa confiança e intimidade que O capacitam para vencer as tentações do poder, da facilidade, do espetáculo, do milagre em benefício próprio pois "nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus".
       É o Filho de Deus, mas também é Filho do Homem, portanto é como Homem que caminhará connosco, trabalhando pelo pão de cada dia, não usando Deus para os seus interesses, como tantas vezes temos visto ao longo da história. Quantas vezes com Deus se justifica a violência, a injustiça, os fratricídios e a imposição de ideologias? Como verdadeiro Deus, Jesus abrir-nos-á, com a Sua morte e sobretudo com a Sua ressurreição, o Coração de Deus Pai, escancarando-nos as portas da eternidade.
       Por um só homem, diz-nos São Paulo, o pecado entrou no mundo. O pecado do egoísmo, da inveja, do ódio, da violência, o pecado da prepotência, do desejo em subjugar os outros e o próprio Deus aos seus interesses. Só Deus é Deus. E quando Deus é Deus, não há mais lugar para que uns sejam escravos e outros sejam filhos, uns vivam injustiçados e outros à custa das injustiças praticadas. Por um só Homem, Jesus, vem a salvação, a certeza que cada um de nós vale muito. Para Deus cada um de nós vale tudo e, por isso, nos dá o Seu Filho. Por isso, o Seu Filho Se entrega por cada um de nós, pela humanidade inteira, para que tenhamos vida e vida em abundância (cf. Jo 10, 10). Pela escuta e pela obediência à vontade paterna, Jesus encaminha-nos para o Pai, vencendo as tentações de tudo controlar e decidir!

       4 – No livro do Génesis, que hoje nos é servido como 1.ª leitura, a criação. Deus cria o Homem como Sua obra-prima, coloca-o no Jardim, onde não lhe falta nada: árvores, flores, aves, peixes, animais. Pode viver harmoniosamente com toda a criação, em segurança, sob o olhar bendito de Deus, revendo-se no olhar humano do/a companheiro/a. Homem e mulher, Deus os criou, criou-os à Sua imagem e semelhança, para se auxiliarem mutuamente, sentindo-se o mundo um do outro.
       Tudo corria bem. Deus criou-nos livres, seres dotados de inteligência e de vontade. Deus não força, não obriga, não Se impõe. Cabe-nos prosseguir a criação. Como víamos no Evangelho, quanto maior a proximidade a Deus maior a possibilidade de vencer e ultrapassar as tentações. No momento, por menor que seja, em que nos esquecemos de Deus, dando ouvidos aos nossos impulsos, querendo tudo e rapidamente e ao nosso jeito, sem ouvir, sem dialogar, pensando apenas em nós mesmos, mais perto estamos de nos deixarmos levar pela tentação do egoísmo, do controlo, do poder.
       O pecado, seguindo a visão do nosso Bispo, D. António Couto, não está no comer do fruto da árvore, frutos que Deus nos dá gratuitamente, mas no facto de querermos açambarcar o fruto apenas para nós, impedindo que outros acedam à árvore, onde há frutos para todos. Mutatis mutantis, há riqueza e bens suficientes para que as pessoas do mundo inteiro vivam com dignidade, contudo a riqueza está concentrada nas mãos de mundos, enquanto muitos lázaros, sintonizando com a Mensagem do Papa Francisco para esta Quaresma, estão à margem, fora dos portões, soçobrando por terra, sem acesso aos bens da criação. Ou como lembrava o papa Bento XVI, no início do Seu pontificado, “os tesouros da terra já não estão ao serviço da edificação do jardim de Deus, no qual todos podem viver, mas tornaram-se escravos dos poderes da exploração e da destruição”.
       Por vezes somos tentados a desistir, a percorrer o caminho mais fácil, o que nos facilita a vida, ainda que prejudiquemos os outros. Por vezes quereríamos que o mundo inteiro se ajoelhasse aos nossos pés e seguisse as nossas ideias. Quereríamos ter magia para resolver todos os problemas com que nos deparamos ao longo da vida. Quereríamos ter o controlo sobre todas as variáveis da nossa vida! Quereríamos ser Deus! Então Deus faz-Se homem, um de nós, para caminhar connosco e nos mostrar a dignidade, a grandeza e a beleza de sermos humanos, capazes de refazer o caminho, recomeçar, com esforço, com dedicação, com paixão. Jesus responde com persistência, percorrendo o caminho do serviço e do amor, mesmo que isso Lhe venha a custar a vida. E nós, que caminhos queremos seguir?


Pe. Manuel Gonçalves


Textos para a Eucaristia (A): Gen 2, 7-9 – 3, 1-7; Sl 50 (51); Rom 5, 12-19; Mt 4, 1-11.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Mensagem de D. António Couto para a Quaresma 2017

1. «O outro é um dom», «o pecado cega-nos», «a Palavra é um dom», são, por esta ordem, os subtítulos ou fios condutores com que o Papa Francisco costurou a sua mensagem para esta Quaresma de 2017 que agora se inicia. Entre «dom» e «dom», o pecado, que é uma espécie de nó cego no coração, bloqueia-nos num mundo de portas fechadas a cadeado, tornando-nos imunes, isto é, vacinados, indiferentes, insensíveis, face aos outros e face à Palavra, aquela que vem de Deus, Palavra criadora e carinhosa, e aquela que vem dos outros, da ternura dos outros, mas também das suas dores, sofrimentos e gritos.

2. Sim, o dom é primeiro. A Palavra criadora de Deus está antes das coisas, da história e de mim. Ou não seria Palavra criadora! E ainda antes de mim estão outras mãos que me acolhem com carinho. É suficientemente claro que não fui eu o primeiro a chegar aqui. Diz Deus para Baruc e para mim: «Tu procuras para ti coisas grandes! Não procures! Porque eis que Eu farei vir a desgraça sobre toda a carne, oráculo do Senhor. Mas darei a ti a tua vida como despojo em todos os lugares para onde fores» (Jeremias 45,5). E João, o Batista, aponta a cada um de nós a fonte da vida e do dom, afirmando: «Um homem nada pode receber, a não ser que lhe tenha sido dado do céu» (João 3,27). E São Paulo deixa a retinir nos nossos ouvidos a pergunta essencial: «Que tens tu que não tenhas recebido?» (1 Coríntios 4,7).

3. No Tratado Pirqê ’Abôt (2,9), da Mishna judaica, Yohanan ben Zakai pergunta aos seus discípulos: «Qual é o caminho mau de que o homem se deve afastar?». E Rabi Simeão respondeu: «Pedir emprestado e não restituir». Mas acrescenta logo que «é a mesma coisa receber emprestado de um homem ou de Deus». E o grande filósofo hebreu Abraham Joshua Heschel comenta de forma certeira e incisiva: «Talvez esteja aqui o núcleo da miséria humana: quando nos esquecemos de que a vida é um dom e também um empréstimo».

4. Em boa verdade, quando dou por mim, já tenho coisas atrás, já estou sempre depois do meu nascimento, já tenho um pai e uma mãe, já sou filho. E reconhecer-me filho é descobrir-me como receção originária da vida, proveniente de um amor que me precede. Verdadeiramente, quando começamos a dar por nós, o espanto primeiro que nos invade não é o mundo, mas alguém que começamos a ver diante de nós. Alguém: o dom de outras mãos que amorosamente se estendem para nós. «A primeira experiência da pessoa, diz bem Emmanuel Mounier, é a experiência da 2.ª pessoa: o tu, e, portanto, o nós, vem antes do eu». O «bom dia» precede o «cogito». Nós não somos incestuosa e tautologicamente filhos de nós mesmos, como requer o célebre «cogito ergo sum» [= «eu penso, logo existo»] cartesiano ou o faraónico «ego feci memetipsum» [= «eu fiz-me a mim mesmo»] (Ezequiel 29,3). Eu não sou a origem, o senhor e o centro do mundo. «Eu» dou por mim como «eis-me-aqui», como tantas vezes na Bíblia se vê e ouve.

5. Um dom imenso nos precede. Mas o dom é sempre frágil. É como um vaso cheio de afeto, que se quebra logo que o recebedor o comece a considerar como seu. Na verdade, não se possui senão para se perder, e só não se perde o que se dá. Aproveitemos então, caríssimos irmãos e irmãs, este tempo santo da Quaresma para fazer a experiência de tudo receber de Deus e tudo partilhar com alegria com os nossos irmãos, na certeza de que «Deus ama quem dá com alegria» (2 Coríntios 9,7; cf. Atos 20,35; Tobias 4,16).

6. Façamos pois, amados irmãos e irmãs, do tempo da Quaresma um tempo de diferença, e não de indiferença. Dilatemos as cordas do nosso coração até às periferias do mundo, e que o nosso olhar seja de Misericórdia para os nossos irmãos de perto e de longe. Façamos um exercício de verdade. Despojemo-nos, não apenas do que nos sobra, mas também do que nos faz falta. Dar o que sobra não tem a marca de Deus. Jesus não nos deu coisas, algumas coisas para o efeito retiradas da algibeira, mas deu por nós a sua vida inteira. Dar-nos uns aos outros e dar com alegria deve ser, para os discípulos de Jesus, a forma, não excecional, mas normal, quotidiana, de viver. Como em anos anteriores, peço aos meus irmãos e irmãs das 223 paróquias da nossa Diocese de Lamego para abrirmos o nosso coração a todos os que sofrem aqui perto e lá longe.

7. Neste sentido, vamos destinar uma parte da esmola da nossa Caridade quaresmal para o Fundo Solidário Diocesano, para aliviar as dores dos nossos irmãos e irmãs de perto que precisam da nossa ajuda, e são cada vez mais. Olhando para os nossos irmãos e irmãs de longe, vamos destinar outra parte do esforço da nossa Caridade para levar um pequeno gesto de carinho aos nossos irmãos e irmãs da África e da América Latina, mais concretamente de Moçambique e da Bolívia, países em que os Missionários Espiritanos têm missões que necessitam do nosso apoio. O motivo de este ano canalizarmos a esmola da nossa Caridade através dos Missionários Espiritanos reside no facto de a Província Portuguesa dos Missionários Espiritanos estar este ano de 2017 a celebrar 150 de presença em Portugal. Este caminho da nossa Caridade Quaresmal será anunciado, como de costume, em todas as Igrejas da nossa Diocese no Domingo I da Quaresma, realizando-se a Coleta no Domingo de Ramos na Paixão do Senhor.

8. Com a ternura de Jesus Cristo, saúdo, no início desta caminhada quaresmal de 2017, Ano do Centenário das Aparições de Nossa Senhora em Fátima, todas as crianças, jovens, adultos e idosos, catequistas, acólitos, leitores, salmistas, membros dos grupos corais, ministros da comunhão, membros dos conselhos económicos e pastorais, membros de todas as associações e movimentos, departamentos e serviços, todos os nossos seminaristas, todos os consagrados, todos os diáconos e sacerdotes que habitam e servem a nossa Diocese de Lamego ou estão ao serviço de outras Igrejas. Saúdo com particular afeto todos os doentes, carenciados e desempregados, e as famílias que atravessam dificuldades. Uma saudação de particular carinho a todos aqueles que tiveram de sair da sua e da nossa terra, vivendo a dura condição de emigrantes.

9. Que o Deus da Paz nos conceda uma abundante chuva de Graça e de Ternura, e que Maria, nossa Mãe, Senhora do Rosário de Fátima, seja nossa carinhosa Medianeira.

Lamego, 01 de março de 2017, Quarta-feira de Cinzas
Na certeza da minha oração e comunhão convosco, a todos vos abraça o vosso bispo e irmão,
+ António.