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terça-feira, 11 de março de 2014

Diante das dificuldades: cenoura, ovo e café...

       Uma filha queixou-se à mãe que sua vida era difícil. Já não sabia o que fazer. Estava cansada de lutar contra as dificuldades.
       A mãe, em vez de lhe responder com palavras de ânimo, conviou a acompanhá-la à cozinha. Depois encheu três panelas com água e colocou-as ao fogão. Numa delas pôs cenouras; na outra, ovos, e na última, pó de café.
       Sem nada dizer, deixou que tudo fervesse.
       Cerca de vinte minutos depois, desligou o fogão. Retirou cuidadosamente o que estava dentro e colocou cada coisa na sua tigela.
       Em seguida, voltando-se para a filha, perguntou-lhe:
       - o que vês aqui?
       Ela disse:
       - Cenouras, ovos e café.
       A mãe pediu-lhe que pegasse nas cenouras. Ela notou que estavam macias.
       Pediu-lhe depois que descascasse um ovo. Ela verificou que ele endurecera com a fervura.
       Finalmente, pediu-lhe que bebesse um pouco de café. Ela gostou e sorriu. Depois perguntou:
       - Mãe, o que é que significa tudo isto?
       A mãe explicou que cada um desses produtos tinha enfrentando a mesma adversidade, mas cada um deles tinha reagido de maneira diferente.
       Perguntou-lhe então:
       - Qual deles és tu? És como a cenoura que, perante as dificuldades amolece? És como o voo, que se torna duro? Ou és como o café, que se torna saboroso?
       A filha não precisou de responder. Percebeu imediatamente que não devia ser como a cenoura ou como o ovo. O ideal sera ser como o café. A adversidade deve tornar-nos mais saborosos, mais compreensivos, mais perfeitos no amor.

in Revista JUVENIL, n.º 571. Março 2014

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

A vela teimosa

       Era uma vez uma vela vermelha e dourada que teimava em não se deixar acender. Uma atitude estranha, pois as velas foram feitas para estar acesas e para iluminar com a sua chama a cintilar na escuridão.
       Estava próximo o dia da grande festa familiar e todas as outras velas começavam a ficar felizes, só em pensar que iriam ser protagonistas com a sua luz que iam irradiar.
       A vela vermelha e dourada repetia obstinadamente:
       - Não quero ser queimada. Quando somos acesas queimamo-nos em pouco tempo. Quero permanecer assim como sou: elegante, bela e integral.
       Uma vela disse-lhe:
       - Se não te deixas acender, é como se estivesses morta. Tu foste feita para iluminar e é assim que serás feliz.
       A vela vermelha e dourada respondeu:
       - Não, obrigada. Admito que a escuridão e o frio são horríveis, mas é melhor sofrer por causa de uma chama que queima e faz doer.
       Uma outra vela disse-lhe:
       - Admite que é melhor a luz que a escuridão. Nós aceitamos ser consumidas, precisamente para sermos portadoras de luz. É assim que nos tornamos úteis.
       A vela vermelha e dourada insistia:
       - Mas assim perdemos a forma e a cor.
       - Sim, mas só assim podemos vencer a escuridão e iluminar o mundo.
       Foi então que a vela vermelha e dourada se deixou acender. A cera e o pavio consumiram-se lentamente. Brilhou na noite até desaparecer. Nos últimos instantes sentiu-se feliz porque tinha cumprido a sua missão. Ainda teve tempo de exclamar:
       - Fui feita para brilhar.

in Revista JUVENIL, n.º569, janeiro 2014.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

A minha casa celestial

       Era uma vez um homem muito rico que amava mais as riquezas que as pessoas. Não era mau, mas boas ações eram poucas.
       Um dia morreu e foi recebido por São Pedro à porta do Céu. Deus teve misericórdia dele e admitiu a sua entrada.
       Um anjo cicerone acompanhou-o na visita a esta nova cidade onde moram os santos. O rico, ao ver uma morada muito bela, perguntou ao anjo:
       - Quem mora ali?
       O anjo respondeu:
       - É o Ricardo, o seu motorista que morreu o ano passado.
       O rico ficou pasmado: "Ora o Ricardo com uma casa destas!"
       Mais adiante apareceu uma outra moradia ainda mais bela. Ele perguntou:
       - E quem mora aqui?
       O Anjo respondeu:
       - Aqui é a casa da Senhora Ana, que foi sua cozinheira.
       O rico pensou: "Se os meus empregados têm no Céu vivendas tão bonitas, a minha deve ser um palácio!"
       O Anjo, depois desta visita ao Céu, parou diante de uma barraca construída com tábuas e placas de zinco. O anjo disse-lhe:
       - Esta será a sua casa para sempre.
       O rico ficou indignado:
       - Como é possível que eles tenham tão belas moradias e a minha seja tão pobre?
       O anjo explicou:
       - Nós aqui no Céu construímos as casas com os materiais que as pessoas nos enviam da terra. O senhor só enviou isto! Para perceber melhor, explico-lhe que os materiais das casas do Céu são as boas obras. Cada atitude de bondade, de perdão, de ajuda, de consolação, de amizade, de paz, é como que um tijolo de primeira qualidade.

in Juvenil, novembro 2013.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

O Milagre... por um dólar e onze cêntimos!

       Um menino tinha um tumor no cérebro. Os pais eram pobres mas fizeram tudo por tudo para o salvar.
       Um dia, o pai disse à mãe em lágrimas:
       - Não há mais nada a fazer. Só um milagre o pode salvar.
       A irmãzinha, a um canto, escutava tudo. Sem nada dizer, correu imediatamente para a farmácia e esperou a sua vez para ser atendida. O farmacêutico perguntou-lhe:
       - Que desejas, menina?
       - Tenho um irmão que está muito doente e venho comprar um milagre.
       - Que dizes?
       - Chama-se André e tem uma coisa que lhe cresce na cabeça. Dizem que só um milagre o pode salvar. Tenho aqui todo o meu dinheiro para comprar um milagre.
       - Minha menina, aqui não vendemos milagres.
       Estava na farmácia um homem alto e elegante, que parecia interessado na conversa. Aproximou-se da menina e perguntou-lhe:
       - Por que choras?
       - Precisava de um milagre para o meu irmãozinho. Tenho aqui o dinheiro para o pagar.
       - Quanto tens?
       - Um dólar e onze cêntimos.
       - É precisamente o que custa o milagre para o teu irmãozinho. Leva-me a tua casa que eu quero vê-lo, e também aos teus pais.
       Esse homem era o professor doutor Carlton Armstrong, um dos grandes neurologistas mundiais. Levou o menino para o hospital, operou-o e, passado algum tempo, estava curado.
       A mãe disse:
       - Esta operação foi um verdadeiro milagre. Deve ter custado muito! Quanto custou, senhor doutor?
       - Já está paga!
       A menina sorriu sem nada dizer. Tinha custado um dólar e onze cêntimos e, naturalmente, a bondade desse grande neurologista.

in Revista Juvenil, n.º 546. Maio 2011.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

O Príncipe e os prisioneiros

       Depois de ter vencido a batalha, os conselheiros disseram ao princípe:
        - Todos os prisioneiros devem ser mortos, porque era assim que fazia o teu pai.
       O príncipe convocou os prisioneiros à sua presença. Chamou o primeiro e disse-lhe:
       - Amas alguém?
       Ele respondeu:
       - Sim, amo a minha esposa.
       O príncipe sentenciou:
       - Então estás salvo, pois o amor tem direito à vida.
       E assim foi interrogando, um a um, todos os prisioneiros, e todos amavam alguém. Tinham, por isso, direito a viver.
       Apareceu, contudo, um que não amava ninguém e odiava toda a gente. O princípe disse-lhe:
       - Tu também te podes ir embora, pois não existes! És como se estivesses morto. Só existe verdadeiramente quem sabe amar.

in Juvenil, n.º 537. Maio 2010.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

A jovem cerejeira

       Na colina da aldeia havia algumas cerejeiras. A primavera ainda estava longe, mas os habitantes esperavam ansiosamente por verem desabrochar as delicadas flores brancas, coloridas de rosa.
       Junto de uma velha cerejeira havia uma outra ainda muito nova. Mas ela tinha uma imensa pressa de crescer, para mostrar a beleza das suas flores.
       A jovem cerejeira perguntava muitas vezes à mais velha:
       - Quando posso florir? Falta muito tempo?
       Ela respondia-lhe sempre:
       - Tens de ter paciência, cara amiga. Na natureza há leis a cumprir. Espera pela tua hora. Verás que, quando terminar o inverno, florirás. Serás bela como uma noiva. Depois virão as primeiras cerejas. Por agora, tens de ter paciência.
       A jovem cerejeira, embora lhe custasse muito esperar, suspirava:
       - Está bem!
       Um certo dia de fevereiro amanheceu com um sol radioso. Parecia mesmo um dia de primavera.
       A jovem cerejeira, ao princípio da tarde, perguntou:
       - Já posso florir?
       A velha cerejeira, indisposta, disse:
       - Uff! Vós, as grandes, sois sempre assim! Só sabeis dizer que é preciso ter paciência. Estou farta de vos ouvir! Está um maravilhoso e, a partir de agora, serei eu a mandar em mim.
       E foi assim que dos botões da jovem cerejeira despontavam belíssimas flores. As pessoas passavam por ali e ficavam maravilhadas ao contemplar essas flores brancas coloridas de rosa.
       A jovem cerejeira sentia-se feliz, contemplando-se a si própria e admirando a sua beleza. Era na paisagem a única cerejeira florida.
       Infelizmente, esses dias de sol primaveril duraram pouco tempo. Veio de novo o frio e o gelo, queimando todas as suas flores. Tinha querido ser adulta antes do tempo e estragou a vida.

In revista Juvenil, n.º 552, fevereiro 2012.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Quando acaba a noite...

        Um Sábio fez um dia aos seus alunos a seguinte pergunta:
       - Como é que se pode reconhecer o momento exato em que acaba a noite e começa o dia.
       Um deles respondeu:
       - Talvez quando já não se consegue distinguir um cão de uma ovelha.
       - Não.
       Um outro disse:
       - Quando se distingue um figueira de uma oliveira.
       - Também não.
       Seguiram-se outras respostas e o velho Sábio ia respondendo que não. Foi então que eles pediram:
       - Diga-nos então quando é que se pode reconhecer o momento exato em que acaba a noite e começa o dia.
       Ele respondeu:
       - É quando tu, ao olhares para o rosto de uma pessoa qualquer, reconheces nela um irmão ou uma irmã. Antes de chegares a esse ponto, é ainda noite no teu coração.

In revista Juvenil, n.º 552, fevereiro 2012.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

A felicidade à mão de semear!

Há quem pergunte: por que é que alguns dos meus companheiros andam tão felizes e eu não? Não tenho também porventura o direito à felicidade?

Não há receitas para se ser feliz. Nem certamente alguém poderá dizer de verdade que é realmente feliz. Contudo, podemos ter atitudes que podem tornar os nossos dias mais alegres.
Damos 5 sugestões:

1. O LADO POSITIVO
       Em vez de vermos o lado negativo das coisas, é bom vê-las com outros olhos. É o caso do copo meio cheio. O optimista fica satisfeito porque está com líquido até meio. O pessimista vê a parte vazia e lamenta-se.

2 . TER UM PROJECTO DE VIDA
       Cada qual deve ter um projecto a realizar a curto, a médio e a longo prazo. Que seja um projecto belo, que ajude a ser mais humano e mais solidário. E empenhar-se activamente na sua realização. O trabalho dá alegria.

3. INTELIGÊNCIA E CORAÇÃO
       Cada qual deve exercitar a sua inteligência, sentindo alegria de fazer sempre novas descobertas. Mas deve também exercitar o coração, escutando as pessoas, conhecendo-as melhor e amando-as como a nós mesmos.

4. NÃO ESPERAR PELOS OUTROS
       Isto significa que será cada qual a assumir o seu destino, sem estar à espera que nos venham servir a felicidade numa bandeja. Ajudados por uns e estorvados por outros, somos nós os responsáveis da nossa vida.

5. FAZER NOVAS AMIZADES
       É bom ter o nosso grupo de amigos, em quem confiamos e com quem nos sentimos felizes. Mas é saudável encontrar outras pessoas, conquistar novas amizades, dedicando-lhes o nosso tempo, torná-las felizes.

in Revista Juvenil, Outubro 2010, n.º 539

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Perto da fogueira - estória para refletir...

       Era uma vez um grupo de jovens. Estavam sentados numa floresta, a conversar.
       Quando a noite os cobriu com o seu negro manto, fazia frio. Juntaram alguma lenha e com ela acenderam uma fogueira.
       Estavam sentado e bem juntos, enquanto o fogo os aquecia e a claridade da chama iluminava os seus rostos.
       Um deles, a um certo momento, não quis conviver mais tempo com os seus companheiros. Pegou num tição ardente da fogueira e foi para um lugar distante dos outros.
       O seu tição, no princípio, brilhava e aquecia. Mas não foi preciso muito tempo para se apagar.
       O jovem foi submergido pela escuridão e pelo frio da noite. Pensou uns momentos, pegou no seu tição apagado e foi juntar-se aos companheiros. Estes acolheram-no fraternalmente.
       Meteu o tição apagado na fogueira comum e este voltou a acender-se. A claridade da chama iluminava de novo o seu rosto. Passou da tristeza à alegria.

in Revista Juvenil, n.º 549, novembro 2011.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Qual dos seus filhos ama mais?

       Um dia perguntei a uma mãe:
       - Qual dos seus filhos ama mais?
       Ela respondei-me:
       "- Gosto daquele que partiu para longe, desejando que regresse o mais depressa a casa.
       - Gosto daquele que está doente no hospital, desejando que recupere o mais depressa a saúde.
       - Gosto daquele que anda aflito com um grande problema, não descansando enquanto não o resolver.
       - Gosto daquele que está na prisão, visitando-o e desejando que recupere depressa a liberdade.
       - Gosto daquele que se porta mal, rezando todos os dias para que se arrependa e mude de vida.
       - Gosto daquele que sofre por ser deficiente, a quem dou todo o meu amor de mãe para que se sinta feliz.
       - Gosto daquele que me faz derramar lágrimas de sofrimento, pois seu que necessita de mim".

in Revista Juvenil, n.º 546, Maio 2011.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

A "outra" poluição... bem mais destrutiva!

       O professor mandou redigir um texto acerca da poluição. De facto, é um assunto muito actual, sobretudo nas cidades. As pessoas continuam a poluir a atmosfera com o anidrido de carbono, a poluir a terra com os pesticidas, a poluir as águas com as descargas poluentes das fábricas.
       Os alunos foram à internet e apresentaram trabalhos sem originalidade. Apenas um deles viu a poluição de outra maneira. Escreveu ele:
       "Polui o egoísta que só pensa em si mesmo. Polui o preguiçoso que é um parasita. Polui o marido que trata a esposa como escrava. Polui quem faz mal em vez de fazer o bem. Polui quem anda na vida sempre envinagrado em vez de irradiar alegria. Polui o corrupto que enriquece à custa do povo. Polui o jornalista que divulga mentiras e difama as pessoas".
       O professor gostou deste texto, que serviu de motivação para toda a turma dialogar.

In Revista Juvenil, n.º 545, abril de 2011.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

A criança, o ateu e as laranjas!

(foto tirada da net: AQUI)

       Uma criança, enquanto ajudava os seus pais a cuidar do jardim, cantava canções religiosas.
       Passou por ali um ateu, isto é, alguém que não acreditava na existência de Deus. Impressionado por vê-la tão feliz, parou e perguntou-lhe:
       - Por que cantas assim com tanta alegria?
       A criança respondeu:
       - Porque acredito que Deus é meu amigo e gosta muito de mim. Estas conções falam de Deus. Gostas delas?
       O homem, que levava um saco de laranjas, disse-lhe:
       - Dou-te uma destas laranjas se me disseres onde está o teu Deus.
       A criança, com toda a simplicidade, respondeu:
       - Se eu as tivesse, dava-lhe não apenas um, mas duas ou mais, se me dissesse onde é que Deus não está.

Mesmo que haja quem diga que Deus não existe, não é por isso que Ele deixa de existir e de nos encvolver com o seu amor.

In Revista Juvenil, n.º 542, Janeiro de 2011.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

As duas rãs...

       Várias rãs decidiram ir passear. Andaram num bosque. A um certo momento, ouviu-se um grito: duas delas tinham caído num poço com água.
       As companheiras, ao olharem para dentro do poço, viram que era muito fundo. As duas rãs, lá dentro, lutavam com todas as forças para sair.
       As companheiras, à beira do poço, começaram a gritar-lhes:
       - Não vale a pena lutar! Aceitem morrer!
       Um delas ainda fez algumas tentativas, mas em pouco tempo morreu afogada.
       A outra, enquanto as de fora insistiam em dar conselhos, foi lutanto, lutando, até que, com um salto inesperado de atleta, conseguiu sair do poço.
       As companheiras, admiradas com tanta coragem, perguntaram-lhe:
       - Não ouvistes os nossos conselhos para desistires?!
       - Como sou um pouco surda, julguei que me estavam a animar!

in Revista Juvenil, Outubro 2010, n.º 539

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Tic-tac, sem fim à vista

       Era uma vez um relógio que precisava de conserto. Veio o relojoeiro.
       O relógio disse-lhe:
       - Por favor, senhor relojoeiro, não me conserte. Estou cansado de uma vida tão monótona. Imagine que tenho de estar dia e noite a repetir o mesmo movimento e a mesma música: tic-tac, tic-tac... Se me conserta, imagine os milhões de "tic-tac" que tenho de fazer. Uma monotonia insuportável!
       O relojoeiro disse-lhe:
       - Amigo relógio, é esse "tic-tac" que te mantém em vida e te faz útil aos outros, dando-lhes as horas, os minutos e os segundos. É como o bater do coração das pessoas! Por isso, aceita essa monotonia como fazendo parte do teu viver. Não queres viver?!
       Respondeu o relógio:
       - Sim, quero!
       O relojoeiro, como bom amigo, aconselhou-o:
       - Então faz do teu "tic-tac" uma bela música a alegrar os teus dias e a alegrar o mundo.

O nosso quotidiano, por vezes tão monótono, pode ser colorido com a música do amor.

in Revista Juvenil, Outurbo 2010, n.º 539.

domingo, 18 de abril de 2010

De uma à outra margem, que distância?!

       Era uma vez dois amigos que não resistiram ao convite de participar numa festa numa aldeia vizinha. Para tal tinham de atravessar um rio. A largura era curta e mansas as águas.
       Tomaram um barco e lá seguiram para a outra margem. A festa estava animada e os dois amigos lá foram, facando no final demasiado alegres e divertidos. É que o vinho era do melhor.
       Quando acharam que eram horas de regressar, tanto um como o outro tinham dificuldades em se orientar. Mesmo embriegados como estavam lá conseguiram chegar ao barco para a viagem de regresso. Foi só pegar nos remos e fazer-se ao largo para regressarem a casa. Rema que rema, aquela travessia parecia não ter fim. Às tantas diz um para o outro:
       - Não te parece que era já tempo de termos chegado à outra margem?
       O outro companheiro disse que sim. Mas a verdade é que da outra margem nem sinais, por mais que remassem. Até, quando chegou a manhã, viram com espanto que se encontravam ainda no ponto de partida.
Tinham-se esquecido de desamarrar a corda que prendia o barco ao cais.
in Juvenil, n.º 536. Abril de 2010.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Madeira que salva...

       Era uma vez um homem que em casa tinha pendurado em lugar de honra um estranho objecto. Era um pedaço de madeira, já velha, sem beleza. Um dia, o neto perguntou-lhe:
       - O que é qe isso que tem pendurado na parede?
       O avô explicou-lhe:
       - "O meu avô, uma vez, acompanhou-me ao parque. Era uma manhã fria de inverno. Ele, apesar de doente do coração, seguia-me e sorria. Eu quis caminhar sobre o gelo do lago e patinar.
       O meu avô estava preocupado, olhou-me e disse-me:
       - Tem cuidado!
       Porém, quando me avisou, já era demasiado tarde. A camada de gelo quebrou-se e eu caí na água. Gritei. E ele imediatamente pegou num pau que tinha à mão e estendeu-mo para eu me agarrar a ele. Puxou-me com todas as forças e salvou-me.
       Eu chorava e tremia de frio. Fez-me tomar um banho de água quente, mandou que me fosse deitar. Contudo, o acontecido tinha sido demasiado emocionante para o seu coração. Um violento ataque cardíaco, nessa noite, tirou-lhe a vida.
       A minha dor foi muito grande. Corri para o lago do parque e consegui recuperar esse pau que me salvou a vida.
       É esse pedaço de madeira que está pendurado na parede, a recordar todos os dias que o meu avô deu a vida por mim".

in Juvenil, n.º 536. Abril de 2010.

domingo, 7 de março de 2010

"Viveu 5 anos, 8 meses e 3 semanas"

       Um turista parou numa pequena aldeia. À entrada, estava um modesto cemitério cercado por ciprestes. Entrou e começou a andar lentamente pelo meio das lápides brancas.
       Começou a ler as inscrições. A primeira: «John Tareg, viveu 8 anos, 6 meses, 2 semanas e 3 dias». Uma criança tão nova sepultada naquele lugar…
       Curioso, leu a inscrição da lápide ao lado: «Denis Kalib viveu 5 anos, 8 meses e 3 semanas». Uma a uma, começou a ler as lápides e inscrições eram todas semelhantes. Ninguém tinha vivido mais de 11 anos. Comoveu-se e começou a chorar.
       Uma pessoa idosa, ao vê-lo chorar em silêncio, perguntou-lhe se era da família de algum dos defuntos. O turista respondeu:
       - Não, não sou daqui. Mas o que é que acontece nesta terra, que todos morrem tão novos?
Essa pessoa sorriu e disse-lhe:
      - Vou explicar-lhe. Quando um jovem completa 15 anos, os pais dão-lhe um caderno, como este que trago comigo. E é tradição que, todas as vezes que alguém vive intensamente alguma coisa, abre o caderno e toma nota do tempo que durou esse momento de intensa e profunda felicidade. Escrevem-se os meses, semanas e dias em que a pessoa sentiu que viveu verdadeiramente e foi feliz.
       E continuou:
       - Quando a pessoa morre, alguém pega nesse caderno e faz a soma de todo este tempo. E é precisamente esse tempo que fica gravado no seu túmulo.
       O turista perguntou:
       - Mas porque fazem isso? Nunca vi tal coisa.
       - Fazemos assim, porque queremos distinguir entre o que é simplesmente existir e o que é verdadeiramente viver.

in Juvenil, n.º 535, Março 2010

sábado, 6 de março de 2010

Compromisso quaresmal

       Vitorino, funcionário de um ministério, decidiu passar a Quaresma sem fumar. Pareceu-lhe que seria uma boa maneira de 'ganhar' o Céu. E foi cumprindo, dia após dia, embora com muito custo. A esposa, muito paciente, foi notando que ele se tornava cada vez mais insuportável.
       Quando chegou à noite da Segunda-feira Santa, já com a Quaresma prestes a terminar, deitou-se mais uma vez nervoso e de mau-humor. Exclamou:
       - Esta noite não vou conseguir dormir!
       A esposa, pacientemente, não o contradisse:
       - Não vamos dormir, nem tu nem eu!
       Ao longo da Quaresma, este homem, de facto, não fumou mas foi ficando cada vez mais azedo.
       Entretanto, a sua esposa ia tendo cada vez mais paciência para o aturar.
       Pouco tempo depois da Páscoa, o homem teve uma síncope cardíaca e foi bater à porta do Céu.
       Quando chegou, São Pedro levou-o para um modesto lugar junto da porta. O homem resmungou:
       - Então andei uma Quaresma inteira sem fumar e fico aqui num dos piores lugares?
       São Pedro voltou a consultar o ficheiro e disse:
       - Vitorino: Aqui está a tua ficha. Nela está escrito: «Tem uma esposa santa; aguentou o seu marido sem fumar a Quaresma inteira»".
in Juvenil, n.º 535, Março 2010.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Comunicar... com o corpo

Também comunicamos com o nosso corpo, nos gestos, na expressividade do olhar, do rosto, a colocação das mãos, a postura corporal....
ROSTO
O rosto faz transparecer as emoções, a inteligência, as frustrações, os desejos. O rosto mostra simpatia, irritação, nervosismo, alegria, serenidade, pressa...
OLHOS
O rosto já nos traz a alma, mas muito mais o olhar. Os olhos transparecem o que há de mais profundo em nós. Os olhos não enganam. É preciso saber olhar fundo apara ver a alma. Olhos nos olhos. Coração a coração. No olhar, descobrir a presença do outro. No olhar, acolher o OUTRO. Aprendamos a olhar com franqueza, com limpidez, com humanidade, pedindo e dando perdão.
LÁBIOS
Deles vemos sair as palavras que pronunciamos, mas há toda uma linguagem silenciosa que se capta através dos lábios, se estão comprimidos, ou semi-abertos, se denotam tensão ou descontracção. Sem palavras, os lábios também expressam emoções.
BRAÇOS
Braços abertos com um sorriso alegre que acolhem, que amam, que recebem, que dão, que abraçam. Braços que se fecham, que se encolhem, que se cruzam, e que podem significar apatia, indiferença, isolamento, reflexão, súplica...
MÃOS
As mãos são muito expressivas, quando em silêncio ou quando a falar. Acompanham a fala e acompanham os diversos sentimentos. Se estão nos bolsos, ficam na escuridão. Livres conseguem dizer muito: pedir, suplicar, acariciar, auxiliar, ferir, ou até matar...
Há gestos duros, quando as mãos se fecham, ou quando os dedos apontam e acusam, e também gestos ofensivos, obscenos. Há gestos que dizem a paz, a alegria, o carinho...
CORPO
Todo o nosso corpo é linguagem. Pode mostrar rigidez, empatia, nervosismo, o corpo ansioso, não pára, tranquilo, seguro. O corpo ajuda-nos a perceber os outros e ajuda-nos a ser percebidos pelos outros... O corpo separa-nos do mundo, mas identifica-nos, diferencia-nos, torna-nos únicos... é oportunidade de encontro, de descoberta, de completar com o mundo e com os outros o que nos falta...

Baseado: Revista Juvenil. Outubro 2009: n.º 530.

Quando o ZERO conta...

O zero sentia-se triste.
Olhava para aquela sua barriga e achava-se feio.
Gostava de ser esguio como o 1, elegante como o 4, belo como o 7 ou pelo menos poder esticar uma haste como o 6 ou o 9.
Mas o que mais o entristecia é que não valia nada.
Não passava de um zero. será que tinha sido feito por Deus?
Certamente que não, pois então teria valor.
Mas era sem dúvida obra dos homens
que por vezes fazem coisas sem valor algum.
E ele era um deles.
Contudo, o zero não se resignava à sua triste sorte. E como fazer?
Disse então para consigo:
"Já sei o que vou fazer.
Em vez de ir sempre ocupar o primeiro lugar
quando me junto aos meus 9 companheiros,
irei colocar-me em último".
E assim fez.
No primeiro encontro que teve com alguns companheiros,
ficou em último lugar
e descobriu que se colocado à direita valia muito.
Assim, em vez de 9 presentes a distribuir, eram 90.
A sua tristeza mudou-se em alegria.
Afinal, a sua grandeza estava em ser humilde.
Também ele era tão importante como os outros números.

In Juvenil, Outubro 2009, n.º 530.