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sábado, 19 de março de 2016

Domingo de Ramos na Paixão do Senhor - 20.03.2016

       1 – A vida vale, mais que pelo número de anos, pela intensidade com que se vive. Uma fração de segundo, um acontecimento, uma pessoa, podem valer por uma vida inteira. As horas que se aproximam, distribuídas na Semana Maior da nossa fé, valem a vida de Jesus e a salvação da humanidade. Valem tudo. São horas dramáticas e decisivas. Diríamos, a nosso favor, que são horas felizes porque Jesus nos mostra em definitivo que o amor de Deus por nós é infinito.
       Suor e lágrimas, cansaço, dor física, traição e fuga dos amigos, violência, injúrias, crucifixão e morte. Naquelas horas, Jesus há de ter vivido na maior das ansiedades. Caminha inexoravelmente para a morte. Sobe a Jerusalém pela Festa da Páscoa. Há um vislumbre de paz e de festa, de reconhecimento e de amizade. Com Jesus, os seus amigos, discípulos, alguns familiares, conterrâneos. Segundo Joseph Ratzinger / Bento XVI, a multidão que aclama Jesus na entrada triunfal em Jerusalém é constituída por galileus, pobres, agricultores e artesãos, pedintes, discípulos, mulheres, pessoas que Ele curou e reabilitou.
       Alguns judeus juntam-se ao molhe, por curiosidade, por amizade, em processo de conversão. Jesus tinha amigos nas redondezas, em Betânia, a família de Lázaro, Marta e Maria, e em Jerusalém, o amigo que lhe empresta a casa para comer a Páscoa. Sendo poucos, mostram que Jesus não é propriedade exclusiva de um grupo. É reconhecido como filho de David, da descendência real da qual se esperava um novo Messias que, como David, libertasse e congregasse todo o povo de Israel.
       2 – Há de voltar mais tarde. Diz a canção (de Rui Veloso) para se não voltar ao lugar onde se foi feliz por que só se encontrará cinza e erva rasa. Jesus voltará a entrar na cidade de Jerusalém, num processo que O levará à Cruz. Então formar-se-á outra multidão, instigada pelas autoridades dos judeus, os líderes do Templo e as elites sociais. Por um lado, a alegria da multidão vinda da Galileia, cujas pessoas trajam as melhores roupas, pobres mas limpas, cheias de fé, vêm adorar Deus no Templo por ocasião da Páscoa, exploradas mas acreditando na proteção divina. Por outro, estoutra multidão formada por judeus cuja animosidade vem ao de cima. Também aqui há pessoas simples e ingénuas e que se deixam convencer pelos líderes religiosos, políticos e sociais, e outros tantos que sem opinião formada seguem qualquer voz que se eleve com promessas fáceis.
        Durante a Ceia (a Última que é também a Primeira. A última do tempo histórico que Jesus. A Primeira de um tempo Novo que está a irromper, seguindo a reflexão de D. António Couto), Jesus faz-nos passar do sossego à apreensão. A refeição é um momento de repouso, de alegria, de festa, satisfaz uma necessidade e coloca em comunhão íntima os convivas. Situemo-nos junto de Jesus, como discípulos, como Judas e como Pedro, como João e Tiago ou Tomé, como Maria, Sua Mãe, Maria Madalena ou Maria de Cléofas, como crianças, que não contam, e como pobres que se sentam como amigos. Estamos todos? Festejemos enquanto há tempo.
       Jesus fala-lhes do desejo ardente e da alegria de comer esta refeição mas também de lhes possibilitar uma Páscoa sem fim na eternidade. A Paixão aproxima-Se. Não falta muito. Há que dizer as últimas palavras. O Filho do Homem vai ser entregue, vai ser condenado e morto. «Ora Eu estou no meio de vós como aquele que serve... Eu preparo para vós um reino, como meu Pai o preparou para Mim: comereis e bebereis à minha mesa, no meu reino, e sentar-vos-eis em tronos, a julgar as doze tribos de Israel. Simão, Simão, Satanás vos reclamou para vos agitar na joeira como trigo. Mas Eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça. E tu, uma vez convertido, fortalece os teus irmãos».
       O reino de Deus que Jesus inaugura é exigente, pois reclama a verdade e o serviço. É para julgar, servindo. Não é o julgamento de um juiz sobre os outros, é o serviço a todos.
       3 – Depois da refeição, Jesus retira-Se para o Jardim das Oliveiras, para rezar. O ambiente é pesado, pois as notícias deixam antever um desfecho pouco favorável. Jesus tinha sido claro, deixando antever que o tempo era escasso e que tudo se iria precipitar. Os discípulos acompanham-n'O, mas cedo vacilam. Apodera-se deles o sono. Segundo Augusto Cury, isso dever-se-á a uma carga emocional muito grande, em que a pessoa, por medo e ansiedade, se deixa dormir.
       São horas de agonia. A intensidade da oração de Jesus revela a carga emocional que O envolve. Vai morrer. Já não há volta a dar. Tem que enfrentar ou que fugir. «Pai, se quiseres, afasta de Mim este cálice. Todavia, não se faça a minha vontade, mas a tua». Prevalece a vontade do Pai. Jesus há de assumir a Cruz como expressão do amor pela humanidade, da compaixão que sempre viveu na relação com todos os que com Ele se cruzaram. Nem o sofrimento nem a morte, nem a espada nem as potestades nos separam do amor de Deus. O Mestre da Vida leva até ao fim a opção pelo bem, pela verdade, a opção pela justiça, pela fraternidade.
       Na hora mais dramática, os discípulos adormecem. Quando mais precisava do conforto e do apoio dos amigos, mais eles se distanciaram. É a história da nossa vida. Quando precisamos dos amigos é quando não podemos contar com eles! Será oportunidade de conhecermos os amigos que temos! «Porque estais a dormir? Levantai-vos e orai, para não entrardes em tentação».
       Ainda estava a falar quando uma multidão se aproximou. Judas encabeça este grupo. Um dos amigos mais fiéis e mais bem formado, não resistiu a entregar Jesus! Porquê? Não há uma resposta definitiva. Também a não temos quando os que nos são mais caros nos desiludem. Porquê, se sempre nos demos tão bem? Por não acreditar em Jesus e no Seu projeto de amor? Ou como sugerem alguns, por acreditar tanto mas não ter paciência para esperar por Deus?
       A oração de Jesus, a Sua intimidade com o Pai, ajudam a enfrentar esta hora. Não reage com violência, mas com compreensão, com perdão. «Basta! Deixai-os». A violência não resolve. É arrastado, escarnecido, os discípulos não O acompanham. Judas trai. E todos O traem. Pedro nega-O. Todos os apóstolos se mantêm à distância. Fogem. Parece que quando se amontoam as dificuldades, mais pessoas se apresentam a acusar, injuriar, a blasfemar.
       4 – O profeta Isaías ajuda a perceber a postura e a missão de Jesus: «Apresentei as costas àqueles que me batiam e a face aos que me arrancavam a barba; não desviei o meu rosto dos que me insultavam e cuspiam. Mas o Senhor Deus veio em meu auxílio, e, por isso, não fiquei envergonhado; tornei o meu rosto duro como pedra, e sei que não ficarei desiludido».
       Diante do Sumo-Sacerdote ou de Pilatos, Jesus mantém a mesma docilidade. Acusado injustamente, não responde com injúrias. Caminha resolutamente. A Sua vida tem um propósito definido: entrega, oblação, dádiva, a favor da humanidade.
       Ele "que era de condição divina, não Se valeu da sua igualdade com Deus, mas aniquilou-Se a Si próprio. Assumindo a condição de servo, tornou-Se semelhante aos homens. Aparecendo como homem, humilhou-Se ainda mais, obedecendo até à morte e morte de cruz".
        A humilhação de Jesus é simultaneamente glorificação da vontade de Deus Pai, para que prevaleça a verdade e o bem, a compaixão e a fraternidade. Nenhum osso e nenhum laço será quebrado, pelo menos da parte de Deus. Até o pobre Barrabás é beneficiário da morte de Jesus Cristo, como o bom ladrão que com Ele foi crucificado. Barrabás é solto, apesar de assassino. Jesus é crucificado, apesar de inocente. O bom Ladrão rouba a melhor parte, o Paraíso e toma parte com Jesus no Reino de Deus. Não ontem, mas hoje. Revejamo-nos num e noutro, também nós podemos beneficiar da morte de Jesus. Pela Santa Cruz, Jesus redime o mundo, redime-nos e sintoniza-nos com a eternidade misericordiosa do Pai.
        5 – Caminhamos todos para o Calvário, mas prosseguiremos além da Cruz e da morte. Somos parte da multidão. Vamos com diferentes motivações: curiosidade, coscuvilhice, em busca de um sentido para a nossa vida. Mais próximos ou mais distantes. Ajudamos Jesus a levar a Sua Cruz. Ou como pais e mães choramos por medo do que possa suceder aos nossos filhos. Aquelas mulheres de Jerusalém associam o seu choro ao da Virgem Mãe. Judeus e soldados romanos. Autoridades judaicas e executores materiais de decisões e juízos convenientes.
       No final, o dia escurece mas não desaparece nem a delicadeza nem a esperança. Primeiro o centurião, que glorifica a Deus por toda a dor, todo o amor, de Jesus na Cruz: «Realmente este homem era justo». Depois, José de Arimateia a mostrar que é sempre possível a compaixão. Uma das últimas obras de misericórdia corporal: enterrar os mortos. E nem um copo de água ficará sem recompensa!
        Ecoam até ao túmulo as últimas palavras de Jesus: «Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito». No meio daquele torpor guardamos a certeza da entrega confiante de Jesus nas mãos do Pai. Entrega-Se e entrega-nos, confia-nos, a Deus, Pai de Misericórdia.

Pe. Manuel Gonçalves


Textos para a Eucaristia (ano C): Lc 19, 28-40. L1 Is 50, 4-7; Sl 21 (22); Filip 2, 6-11; Lc 22, 14 – 23, 56.

segunda-feira, 14 de março de 2016

Paróquia de Tabuaço - Semana Santa 2016

A Igreja aproxima-se do tempo litúrgico mais importante, a celebração anual festiva da Páscoa da Ressurreição de Jesus. O tempo que a prepara e o tempo subsequente são também oportunidades para recentrar a liturgia, a reflexão, a vivência no essencial da fé cristã, o mistério pascal que nos redime, nos assume, nos eleva, nos ressuscita, abrindo-nos, em definitivo, as portas da eternidade de Deus, de onde Jesus, à direita do Pai nos atrai e nos protege e nos desafia a vivermos como Ele viveu entre nós. Com a Ressurreição, Jesus voltou à vida, e vive entre nós quando nos reunimos em Seu nome e procuramos viver como Ele nos ensinou, como Ele viveu.

Estamos às portas da Semana Santa, a Maior da nossa fé. As comunidades vivem intensamente, com as celebrações próprias destes dias. Assim também na comunidade Paroquial de Nossa Senhora da Conceição de Tabuaço. O Cartaz ajuda a divulgar, para que outros possam envolver-se vivendo as pegadas de Jesus.


Nas vésperas da Semana Santa, uma das festas da Catequese, no sábado, 19 de março, Solenidade de São José:

Para iniciarmos a Semana, a Bênção de Ramos, na Capela de Santa Bárbara, prosseguindo a procissão até à Igreja para aí celebrarmos a Eucaristia, com a leitura da Paixão do Senhor. Caindo a noite, e como habitualmente nos últimos anos, a Via-Sacra Paroquial com a encenação das 14 estações que a compõem:
Na quarta-feira da SEMANA SANTA, o dia tradicional das Confissões para a comunidade. Tal como no ano passado, o dia será preenchido com a Adoração do Santíssimo Sacramento, DIA DO PERDÃO E DA MISERICÓRDIA envolvendo e comprometendo os diferentes grupos eclesiais-paroquiais:
Revisitando, vivendo, os acontecimentos mais importantes da vida de Jesus, para viver renovando a fé e os compromissos batismais e assim nos configuramos mais e mais e mais a Jesus Cristo e, com Ele, aprendermos a dar largos à misericórdia para com todos.

sábado, 2 de maio de 2015

Paróquia de Pinheiros | Páscoa 2015 | Fotos

       A Páscoa é a festa litúrgica mais importante para os cristãos. A partir da Páscoa de Jesus, o nascimento da Igreja e dos cristãos. Um pouco por todas as comunidades se valorizam estes dias de celebração, festa, encontro e oração.
       É todo um tempo que se inicia com a Quaresma e se prolonga por 50 dias de Páscoa, até à solenidade de Pentecostes.
       O vídeo-diaporama que se segue, apresenta imagens deste ano na Paróquia de Santa Eufémia de Pinheiros, abrangendo a Quaresma, que incluiu a caminhada quaresmal, e a Semana Santa, para culminar na Páscoa, com a Visita Pascal.
       Como música de fundo, o grupo SIMPLUS, com o tema: "A Promessa".

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Paróquia de Tabuaço | Semana Santa 2015

       Vivemos mais um momento de extraordinária beleza e que nos centra no mistério pascal de Jesus, paixão e morte redentora e ressurreição de entre os mortos.


       A Semana Santa teve diversos momentos de celebrações. Iniciou com a bênção de Ramos na Capela de Santa Bárbara, prosseguindo com a Eucaristia, com a leitura do Evangelho da Paixão segundo São Marcos. Ao fim do dia a celebração da Via-sacra Paroquial, com a encenação das diversas Estações, com crianças, jovens e adultos, envolvendo diversos grupos paroquiais.
       Na quarta-feira, 1 de abril, o DIA DO PERDÃO com a exposição e adoração do Santíssimo Sacramento, a partir das 8h00 até às 18h30, sob a orientação dos diversos grupos eclesiais. A partir das 17h00, tempo de Confissões e pelas 18h30, a celebração da Santa Missa.
       A quinta-feira santa, depois da preparação do espaço, pelas 20h30, a celebração da Ceia do Senhor, fazendo memória da Instituição da Eucaristia e com o Lava-pés. No final a trasladação do Santíssimo para a Capela de Santa Bárbara.
       Durante a sexta-feira santa, visita ao Santíssimo Sacramento, no sacrário da Capela de Santa Bárbara. Pelas 20h30, a Adoração da Santa Cruz, com os três momentos litúrgicos: liturgia da Palavra; adoração da Santa Cruz; comunhão. No final, procissão do Senhor morto para a Capela de Santa Bárbara, onde permaneceu durante do dia de sábado.
       Chegou a noite de Sábado Santo, com a Vigília Pascal a iniciar pelas 21h00, com a bênção do Lume Novo, e do Círio Pascal, prosseguindo com a Liturgia da Palavra (leituras, salmos, orações), com a Liturgia batismal e com a liturgia eucarística.
       Manhã cedo de DOMINGO DE PÁSCOA, Visita Pascal, anúncio da Ressurreição de casa em casa, culminando, ao MEIO-DIA com a solene Eucaristia da Ressurreição de Jesus.
       A Páscoa é sempre um desafio renovado a deixar-nos encontrar por Jesus crucificado-ressuscitado.
       Algumas FOTOS no vídeo-diaporama, com três belíssimas músicas de fundo: Hino da JMJ de Roma, "Emanuel"; "Paz", Grupo Coral de São João Bosco; "Eu Te bendigo Senhor", Grupo Infinitus:

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Quinta-feira santa: Instituição da Eucaristia e Lava-pés

       A Semana Santa é vivia com diversas celebrações. Nas paróquias de Pinheiros, Távora e Tabuaço, em Quinta-feira Santa (2 de abril de 2015) a celebração da Eucaristia, com a comemoração da Instituição da Eucaristia e do Sacerdócio e com a cerimónia do Lava-pés.
(Paróquia de Pinheiros)
(Paróquia de Távora)
(Paróquia de Tabuaço)

Depois da celebração da Eucaristia, e do Lava-pés, a traladação do Santíssimo para um altar lateral (Pinheiros e Távora) e para a Capela de Santa Bárbara, em Tabuaço.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Também vós deveis lavar os pés uns aos outros

       ... Depois, deitou água numa bacia e começou a lavar os pés aos discípulos e a enxugá-los com a toalha que pusera à cintura. Quando chegou a Simão Pedro, este disse-Lhe: «Senhor, Tu vais lavar-me os pés?». Jesus respondeu: «O que estou a fazer, não o podes entender agora, mas compreendê-lo-ás mais tarde». Pedro insistiu: «Nunca consentirei que me laves os pés». Jesus respondeu-lhe: «Se não tos lavar, não terás parte comigo». Simão Pedro replicou: «Senhor, então não somente os pés, mas também as mãos e a cabeça». Jesus respondeu-lhe: «Aquele que já tomou banho está limpo e não precisa de lavar senão os pés. Vós estais limpos, mas não todos»... Depois de lhes lavar os pés, Jesus tomou o manto e pôs-Se de novo à mesa. Então disse-lhes: «Compreendeis o que vos fiz? Vós chamais-Me Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque o sou. Se Eu, que sou Mestre e Senhor, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. Dei-vos o exemplo, para que, assim como Eu fiz, vós façais também» ( Jo 13, 1-15).
       Entrámos no Tríduo Pascal.
       Pela tarde a celebração da Santa Missa da Ceia do Senhor, em que se comemora a Instituição da Eucaristia, como antecipação da morte e ressurreição de Jesus, em que Ele se entrega, no pão e no vinho, que se transformam em Seu Corpo e Sangue e que ficarão como memorial da Paixão redentora e da Ressurreição até à vida eterna. Sabe que vai morrer. Mas não nos deixa só, ficará pelos Sacramentos, em especial o da Eucaristia.
       Em simultâneo, a cerimónia do Lava-pés. No mesmo contexto da Última Ceia, Jesus ajoelha diante dos Seus Apóstolos, que nos representam a todos, e lava-lhes os pés, em atitude de serviço, de despojamento, de caridade. É um gesto simbólico e provocador. Os pés estão limpos, mas assim como Ele faz, serve, assim devemos fazer nós, os Seus discípulos para este tempo, servir na caridade.

sábado, 28 de março de 2015

Domingo de Ramos na Paixão do Senhor (B) - 29.março

       1 – A vida não é a preto e branco. Afirmação já muito batida. Melhor, que a vida não seja cinzenta! São diferentes as cores e as matizes dos nossos dias. Como o tempo, também na nossa vida, há dias de sol e dias nublosos, dias de chuva e dias preguiçosos.
       A celebração do Domingo de Ramos apresenta um quadro completo, fazendo-nos visualizar, através de momentos e de intervenientes variados, diversas faces da nossa existência.
       Há uma multidão de gente pobre e humilde, trabalhadora e cheia de fé, que acompanha Jesus, da Galileia para Jerusalém, do mundo para a cidade santa. A multidão gera alvoroço. Há um murmúrio que se eleva, aclamando e reconhecendo Jesus como o Messias, o Filho de David, o Rei de Israel, o Bendito que vem em Nome do Senhor.
       À Sua passagem depõem capas e ramos, para que o chão de Jesus seja macio e, sobretudo, como reconhecimento da Sua realeza. É um Rei sem coroa e sem exército, sem pompa nem circunstância. Não vem armado nem ostenta riqueza. Não vem no alto de um cavalo de combate, mas quase com os pés no chão, num jumentinho, filho de uma jumenta (cf. Mc 11, 1-10).
       A voz sobe de tom e o entusiasmo à volta de Jesus faz-nos olhar na Sua direção.
       Os discípulos estão misturados entre aquela multidão. Passam despercebidos. Seguem no mesmo passo ligeiro, empolgados com tão grande manifestação de afeto para com o Seu Mestre e Senhor. Jesus já os tinha precavido dos tempos que lá vinham. Mas, por alguns momentos, eles esquecem o anúncio da paixão e os sinais que evidenciam o perigo iminente.
       2 – Algumas horas depois, o empolgamento dará lugar ao desencanto, a festa cederá à tristeza, a confiança será substituída pela desilusão.
       Belíssimo o hino que Paulo recolhe na Epístola aos Filipenses e que resume, de forma sublime, todo o mistério da salvação, o abaixamento de Cristo por amor, a Sua filiação e identidade divina, a Sua identificação com a fragilidade e finitude humanas, a glorificação que se realiza através do mistério da entrega na Cruz, o Nome que é elevado acima de todos os nomes, sentando-Se à direita do Pai, de onde nos atrai com a Sua luz, com o Seu olhar: «Cristo Jesus, que era de condição divina, não Se valeu da sua igualdade com Deus, mas aniquilou-Se a Si próprio... tornou-Se semelhante aos homens... humilhou-Se ainda mais, obedecendo até à morte e morte de cruz. Por isso Deus O exaltou e Lhe deu um nome que está acima de todos os nomes, para que ao nome de Jesus todos se ajoelhem no céu, na terra e nos abismos, e toda a língua proclame que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai».
       3 – «Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?». Início do salmo que hoje cantamos e que encontramos nos lábios de Jesus, e no Seu coração, dirigindo o Seu clamor e a Sua confiança para Deus Pai. A oração continua: «Todos os que me vêem escarnecem de mim, / estendem os meus lábios e meneiam a cabeça: / Confiou no Senhor, Ele que o livre, / Ele que o salve, se é meu amigo. / Matilhas de cães me rodearam, / cercou-me um bando de malfeitores. / Trespassaram as minhas mãos e os meus pés, / posso contar todos os meus ossos. / Repartiram entre si as minhas vestes / e deitaram sortes sobre a minha túnica. / Mas Vós, Senhor, não Vos afasteis de mim, / sois a minha força, apressai-Vos a socorrer-me».
       «Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?». O final da vida de Jesus ou o início de um tempo novo? As palavras que soam mais alto são as que sugerem revolta, protesto, acusação! Quantas situações na nossa vida em que nos apetece gritar bem alto: Meu Deus, meu Deus, porquê, porquê a mim? Porquê logo neste momento da minha vida?
       O salmo inicia com uma pergunta que pouco a pouco dá lugar a uma súplica confiante: nestes momentos difíceis da minha vida, Senhor, não me abandoneis, pois sois a minha força. É a súplica de um filho a um pai ou a uma mãe. Mais que protesto é um pedido. O fim que se aproxima, aproxima-nos uns dos outros, aproxima-nos de Jesus. «Na verdade, este homem era Filho de Deus». Diz o centurião, mesmo que à procura do significado das palavras que acabou por dizer. No último suspiro, Jesus entrega-Se por nós, entrega-nos ao Pai.
       4 – Umas horas antes, os discípulos tomam consciência que o desenlace da vida de Jesus não vai ser como esperavam. Apercebem-se pela gravidade com que Jesus os olha e pela solenidade com que lhes fala. Há que deixar tudo em pratos limpos, que nada (de importante) fique por dizer, mesmo que só mais tarde, à luz da ressurreição, seja compreensível.
       Como judeus, Jesus e os discípulos vão celebrar a Páscoa, recordando a libertação da escravidão para a liberdade da terra prometida. O ambiente começa a agitar-se. Em Betânia, à mesa, nova oportunidade para Jesus assentar o estômago aos seus discípulos. "Veio uma mulher que trazia um vaso de alabastro com perfume de nardo puro de alto preço". Os discípulos percebem o desperdício mas não a abundância do arrependimento e do amor. Também não percebem, mas Jesus lembra-lhes, que aquela unção antecipa a unção de um corpo que daqui a algumas horas estará no sepulcro.
       Novo golpe. Ao cair da tarde, quando as trevas se adensam, diz-lhes Jesus: «Um de vós, que está comigo à mesa, há de entregar-Me». Como é possível num grupo de amigos, que se consideram irmãos, alguém possa sequer pensar em trair Jesus!
       Logo depois, Jesus antecipa a Sua morte e a Sua ressurreição. «Tomai: isto é o meu Corpo... Este é o meu Sangue, o Sangue da nova aliança, derramado pela multidão dos homens... Não voltarei a beber do fruto da videira, até ao dia em que beberei do vinho novo no reino de Deus».
       Mas antes desse DIA NOVO, a noite prolonga-se no abandono, na traição, na negação. «Todos vós Me abandonareis». Já no horto das Oliveiras, a oração intensa de Jesus. Os discípulos que dormem de cansaço e de medo. A prisão. O discípulo de confiança, Judas, que entrega o Mestre com um beijo. Os açoites, as injúrias e agressões, acusações e falsas testemunhas. Parece que vale tudo para condenar um homem. A negação de Pedro, a passagem de um a outro tribunal, uma outra multidão, cheia de si ou iludida por vãs promessas e por vis mentiras. No Sinédrio, e diante de Pilatos, que se deixa vencer pelo medo e pela ameaça, pois não se vê a perder o seu posto! O julgamento apressado e a fácil condenação à morte. A cruz pesada demais para um homem só, de tal que requisitam Simão de Cirene para ajudar. No alto da Cruz, Jesus olha para nós e puxa o nosso olhar para o Céu. Está rodeado de dois salteadores, como se fora um deles! E mesmo crucificado, a morrer, é insultado.
       Já desfalecido, solta forte grito e morre. A afirmação do Centurião mostra a estupefação diante da valentia com que aquele homem frágil enfrentou todos os que escarneciam d'Ele e a violência com que o faziam. O Seu corpo morto está uma lástima, está irreconhecível.
       Mas ainda há lugar para a generosidade. «José comprou um lençol, desceu o corpo de Jesus e envolveu-O no lençol; e rolou uma pedra para a entrada do sepulcro. Entretanto, Maria Madalena e Maria, mãe de José, observavam onde Jesus tinha sido depositado». Um último gesto de cuidado.
       5 – Isaías, o profeta do Advento e da Quaresma, dá-nos a chave de leitura para percebermos melhor a vida e a missão do Messias que vem de Deus, como o Emanuel, Deus connosco, Príncipe da Paz, para instaurar um reino de conciliação, de justiça e de paz.
       «O Senhor deu-me a graça de falar como um discípulo, para que eu saiba dizer uma palavra de alento aos que andam abatidos. Todas as manhãs Ele desperta os meus ouvidos, para eu escutar, como escutam os discípulos. Apresentei as costas àqueles que me batiam e a face aos que me arrancavam a barba; não desviei o meu rosto dos que me insultavam e cuspiam».
       O Messias, qual Servo sofredor, cordeiro inocente levado ao matadouro, vem para trazer uma palavra de alento, não respondendo à violência com violência, mas com serviço e perdão. Aí está o retrato de Jesus, o retrato do Ungido (=Messias) de Deus.

Pe. Manuel Gonçalves


Textos para a Eucaristia (B): Is 50, 4-7; Sl 21 (22); Filip 2, 6-11;Mc 14, 1 - 15,47.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Tríduo Pascal 2014 | Vigília Pascal

       Uma das celebrações mais significativas, em todo o ano litúrgico, é a Vigília Pascal, enriquecida, nas paróquias onde é possível, com batizados. Não foi o caso da paróquia de Tabuaço. Em todo o caso a celebração da Vigília Pascal, em Sábado Santo, é expressão da liturgia da Igreja, com diversos momentos: bênção do lume novo e do Círio Pascal - Jesus é a Luz do Mundo -, liturgia da palavra, com algumas leituras do Antigo Testamento, ajudando a compreender por inteiro a história da salvação presente na história do povo eleito. Desemboca na Ressurreição de Cristo. Outro momento luminoso é a bênção da água batismal, que será usada nos batismo durante o tempo pascal. O terceiro momento traz-nos sacramentalmente Cristo Ressuscitado, que na Eucaristia nos oferece a Deus Pai, cuja comunhão fortalece a nossa vida e nos compromete com os outros.
       Algumas imagens desta celebração:
 Para mais fotos visitar a página da Paróquia de Tabuaço no facebook.

sábado, 19 de abril de 2014

Sexta-feira Santa | Adoração da Santa Cruz

       Sexta-feira Santa, Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. As celebrações repetem-se um pouco por todo lado. Em algumas comunidades é neste dia que se realiza a Via-sacra (neste espaço pastoral, na Paróquia de Carrazedo e na Paróquia de Pinheiros), em outras comunidades segue-se o proposto para o dia da Paixão do Senhor, com os três momentos: Liturgia da Palavra, com a leitura do Evangelho da Paixão, segundo São João; Adoração da Santa Cruz, e Comunhão Eucarística - neste espaço nas paróquias de Távora e de Tabuaço.
       Na paróquia de Tabuaço, continua a ser um dia muito significativo, com a presença luminosa de crianças e jovens e adultos, várias gerações de cristãos que participam nestes dias de Páscoa. Aí estão algumas imagens que retrato os vários momentos da celebração: Liturgia da Palavra - Adoração da Santa Cruz - Comunhão - Procissão do Senhor morto para a Capela de Santa Bárbara:
Para outras fotos visitar a página da Paróquia de Tabuaço no facebook.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Quinta-feira Santa | Missa da Ceia do Senhor | Lava-pés

       A quinta-feira, 17 de abril de 2014, santa faz-nos rever um dos gestos mais luminosos na vida de Jesus, durante a última Ceia, Jesus lava os pés aos seus discípulos, assinalando dessa forma qual o caminho do seguimento: servir como Ele, amar como Ele, dar a vida como Ele, a favor dos irmãos.
       Neste espaço pastoral, a celebração em Pinheiros (fotos), em Távora e em Tabuaço (fotos).
       Deixamos algumas imagens que exemplificam este momento de fé, devoção, de vivência da Semana Santa:
Para mais fotos visitar a página de Paróquia de Pinheiros no facebook

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Oração conclusiva da Via-sacra 2014

       Neste espaço pastoral, Tabuaço, Távora, Pinheiros e Carrazedo, seguimos a Via-sacra proposta por João Paulo II, partindo de textos do Evangelho (Mateus, Marcos, Lucas, João). No final de cada estação, uma oração que se contextualiza com o Evangelho e com as pessoas deste tempo. No final, uma ORAÇÃO que assume as várias estações da Via-sacra, tendo em conta também o Lema Pastoral da Diocese de Lamego - Ide e fazei discípulos.

A Oração para este ano:
       Senhor Jesus, nosso guia e irmão, que nesta e em outras noites da nossa vida, nos sintamos confortados com o Teu olhar, fortalecidos com o Teu amor, envolvidos com a Tua compaixão e como Tu, nosso Mestre e Senhor, procuremos – nada mais nada menos – fazer a vontade de Deus, Teu e nosso Pai.
       Com a Tua Palavra e com o Teu jeito de Te fazeres próximo, amigo, irmão, Senhor Jesus, confiaste-nos a Tua vida, a Tua história, quiseste ser caminho, verdade e vida, para que através de Ti pudéssemos saborear a presença amável de Deus. Trouxeste-nos o Céu: a bondade e a misericórdia, a humildade e o perdão, a paz, para iniciarmos já a construção do Teu reino de amor.
       Teremos sido – e talvez o voltemos a ser mais vezes – Judas que Te traiu, Pedro que te negou, discípulos que Te abandonaram com medo, multidão acusadora, Pilatos a lavar as mãos, pessoas religiosas que se julgam únicos destinatários do Teu amor.
       Com a Tua ajuda, com o Teu Espírito de Amor, aprendamos a ser como Maria, sempre perto de Ti, sendo Tua morada no mundo; como o discípulo amado, de olhar fixo na Cruz, pronto a seguir o que Tu mandares, como Simão Cireneu, ajudando a levar a cruz uns dos outros, em momentos de dor, de doença, de dificuldades na família, no trabalho, no sustento.
       Atraídos por Ti, imitemos as santas mulheres, sempre disponíveis para curar as Tuas feridas nos irmãos com quem andamos de candeias às avessas, nos vizinhos que vivem sozinhos, nos membros da nossa família com quem não falamos. E quando não nos restar mais tempo, que ainda tenhamos oportunidade para sermos Bom Ladrão do Paraíso, confiando no Teu olhar, ou Centurião para Te reconhecermos como Filho de Deus, ou José de Arimateia, tendo a grandeza de Te reconhecer também na morte.
       Mas a história não acaba aqui. Logo pela manhã das nossas vidas, Tu voltarás, com toda a luz, com toda a Vida. Despertos, com os olhos e os ouvidos bem abertos, com o coração pronto para amar, sabendo que nos encontras no nosso peregrinar, em cada pessoa a cruzar o nosso olhar, nos predisponhamos a seguir-Te, não esquecendo o teu desafio: Ide e fazei discípulos. Por aldeias e cidades, a cada irmão, levemos a tua a paz, o Teu amor…
       Vós que sois Deus com o Pai na Unidade do Espírito Santo.

Oração conclusiva da Via-sacra 2013

       Senhor, Jesus, Deus que por amor Te fizeste igual a nós, para que aprendêssemos CONTIGO a viver humanamente, a viver ao teu jeito, a amar como Tu, perdoar, ajudar, abençoar, curar, fazer pontes para Deus.
       Em via-sacra revimos a Tua entrega, sentimos a tua dor, escutamos o teu sofrimento, recebemos o Teu olhar compassivo e doce. A tua é também a nossa história, com momentos felizes, abençoados, compensadores, e com momentos de sacrifício, de cansaço e de desencontro.
       Contigo aprendemos uma vida nova. Tu és a nossa vida nova. Água viva que sacia a nossa busca, a nossa ânsia, este jeito de querermos ser amados, acolhidos e reconhecidos, este jeito de sermos alguém, diante de Ti e diante do nosso próximo.
       Juntos, como irmãos, queremos caminhar Contigo, viver de Ti, alimentarmo-nos da Tua Palavra e da Tua presença amiga. Vamos juntos, hoje, amanhã, sempre, construir a Casa da Fé e do Evangelho, com Maria, com os Santos, com todos os que colocas à nossa beira. Juntos dando as mãos e o coração, vamos partilhar o sonho, transformar o mundo, comungar a vida, sermos a Casa uns dos outros. Sabendo-nos Simão Pedro e Judas, queiramos tornar-nos discípulos amados, parentes teus, junto à Cruz e depois na Luz da Tua ressurreição.
       Que em nossa CASA haja perdão e paz, pão e vida, da Tua alegria pintemos os nossos dias, com muita cor, com muito amor, para sermos família Tua. Até um dia, depois da Cruz, à Tua luz nos guia.
       Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.

Paróquia de Tabuaço: início da Semana Santa 2014

       Em comunhão com toda a Igreja e com as diversas comunidades eclesiais espalhada pelo mundo, também a Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, Tabuaço, deu início à SEMANA SANTA, a MAIOR da nossa fé. Pela manhã, o encontro na Capela de Santa Bárbara para a bênção de Ramos, com a proclamação do Evangelho da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém.
       Pela tarde noite, e como habitual nesta paróquia, a realização da Via-sacra, coordenada/preparada pelo Grupo de Jovens (GJT) e com a prestimosa colaboração da Catequese e Catequistas, Grupo Coral, e Conselho Económico. Este ano voltámos a um lugar de referência para a Via-sacra, à Capela de Santa Bárbara e ao Calvário, jardim pegado à Capela. Por facilidade, de som, de comodidade para as pessoas mais idosas, e para facilitar a vida do grupo coral, tem-se realizado na Igreja, ou em frente à mesma. Em 2014, alterou-se, mudando de cenário, mas não de empenho e dedicação. Algumas fotos da preparação e da Via-sacra:

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