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quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Levanta-te e segue o teu caminho; a tua fé te salvou

       Indo Jesus a caminho de Jerusalém, passava entre a Samaria e a Galileia. Ao entrar numa povoação, vieram ao seu encontro dez leprosos. Conservando-se a distância, disseram em alta voz: «Jesus, Mestre, tem compaixão de nós». Ao vê-los, Jesus disse-lhes: «Ide mostrar-vos aos sacerdotes». E sucedeu que no caminho ficaram limpos da lepra. Um deles, ao ver-se curado, voltou atrás, glorificando a Deus em alta voz, e prostrou-se de rosto por terra aos pés de Jesus para Lhe agradecer. Era um samaritano. Jesus, tomando a palavra, disse: «Não foram dez os que ficaram curados? Onde estão os outros nove? Não se encontrou quem voltasse para dar glória a Deus senão este estrangeiro?». E disse ao homem: «Levanta-te e segue o teu caminho; a tua fé te salvou» (Lc 17, 11-19).
       Amiúde se verifica que Jesus interrompe o caminho para prestar atenção a quem Lhe suplica. Certamente que a fama de Jesus se tinha espalhado ao ponto de não passar despercebido nas diversas povoações, pessoas que chegavam e pessoas que partiam e que partilhavam informações sobre o que sucedia nas suas terras ou em outras povoações onde tinham passado.
       Se as pessoas se aproximam expondo-se e sujeitando-se à recriminação e até, neste caso, a serem apedrejadas, é porque as notícias que lhes tinham chegado sobre Jesus eram de esperança, sabendo que Ele não deixaria de ter uma palavra amiga ou um gesto curativo. É o que acontece com estes 10 leprosos.
       Sublinhe-se também a delicadeza de Jesus para com os sacerdotes do Templo, no respeito pela Lei de Moisés. Habitualmente os textos evangélicos mostram Jesus a contestar a Lei, ou melhor, as interpretações abusivas da Lei. Neste pormenor se vê como Jesus não põe em causa a Lei quando esta está ao serviço da pessoa.
       Outro aspeto bem vincado no Evangelho é a falta de gratidão. Jesus cura. Sem contrapartidas. Em todo o caso, o que se espera de quem é agraciado pelas bênçãos de Deus é que tenha uma atitude de louvor e de glória para com Deus... A verdadeira cura leva à mudança de vida...

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Não cometerás adultério...

        Disse Jesus aos seus discípulos: Ouvistes que foi dito aos antigos: ‘Não cometerás adultério’. Mas Eu digo-vos: Todo aquele que tiver olhado para uma mulher com maus desejos já cometeu adultério com ela em seu coração. Se o teu olho direito é para ti ocasião de pecado, arranca-o e lança-o para longe de ti, porque é melhor perder-se um só dos teus membros, do que todo o teu corpo ser lançado na geena. E se a tua mão direita é para ti ocasião de pecado, corta-a e lança-a para longe de ti, porque é melhor perder-se um só dos teus membros, do que todo o teu corpo ser lançado na geena. Também foi dito: ‘Quem repudiar a sua mulher dê-lhe um certificado de repúdio’. Mas Eu digo-vos: Todo aquele que repudiar a sua mulher, a não ser em caso de união ilegítima, expõe-na a cometer adultério. E aquele que se casar com uma repudiada comete adultério» (Mt 5, 27-32).
       Jesus, di-lo claramente no Evangelho que temos vindo a refletir, não vem para revogar a Lei ou os profetas, mas para levar a Lei à plenitude. E em que conste a plenitude da Lei. O próprio Jesus responde ao longo de todo o Evangelho, consiste em dar a vida, gastar a vida a favor dos outros, assumir gestos de ternura, de compreensão, de tolerância, de partilha e comunhão, procurar a conciliação, perdoar sempre, dar a outra face, agir colocando o outro em primeiro lugar, servir com alegria o próximo, potenciar os talentos pondo-os ao serviço dos outros.
       A lei de Moisés, inspirada por Deus mas encarnada no tempo, na história, na cultura, na especificidade do povo eleito, apresenta algumas "facilidades", ainda que a linha seja a dignificação da pessoa. O homem podia "dispensar" a mulher, mas tinha que lhe passar um certificado, garantindo a possibilidade de ela refazer a vida. Jesus aprofunda a Lei, na linha do amor, do respeito, da dignidade. As pessoas não podem ser descartáveis. Sujeitos a limitações, os discípulos de Cristo devem procurar a pureza de olhar - olhar para a outra pessoa reconhecendo-a como pessoa e não como objeto -, e de intenções, para que no relacionamento com os outros sobrevenha a caridade, a entreajuda, a comunhão.

quarta-feira, 7 de março de 2018

Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas

       Na liturgia da Palavra proposta para esta quarta-feira, no centro aparecem os Mandamentos, dados por Deus ao povo, através do grande líder de Israel, Moisés. Mandamentos que se torna LEI e, conforme as palavras de Moisés, uma lei que engrandece o povo de Israel, tal a justeza e o equilíbrio dos preceitos emanados por inspiração divina:
Moisés falou ao povo, dizendo: «Agora, Israel, escuta os preceitos que vos dou a conhecer e põe-nos em prática, para que vivais e entreis na posse da terra que vos dá o Senhor, Deus dos vossos pais. Ensinei-vos estas leis e preceitos, conforme o Senhor, meu Deus, me ordenara, a fim de os praticardes na terra de que ides tomar posse. Observai-os e ponde-os em prática, porque eles serão a vossa sabedoria e a vossa prudência aos olhos dos povos, que, ao ouvirem falar de todas estas leis, dirão: ‘Que povo tão sábio e prudente é esta grande nação!’. Qual é, na verdade, a grande nação que tem a divindade tão perto de si como está perto de nós o Senhor, nosso Deus, sempre que O invocamos? E qual é a grande nação que tem mandamentos e decretos tão justos como esta lei que hoje vos apresento? Mas tende cuidado; prestai atenção para não esquecer tudo quanto viram os vossos olhos, nem o deixeis fugir do pensamento em nenhum dia da vossa vida. Ensinai-o aos vossos filhos e aos filhos dos vossos filhos» (Deut 4, 1.5-9).
       No Evangelho, Jesus valida a LEI e os seus mandamentos, dizendo claramente que não veio para pôr em causa, mas para levar à plenitude. Como poderemos verificar, por todo o Evangelho (nas suas quatro versões e visões), a plenitude da Lei é a caridade, o amor sem limites, o amor levado ao limite de dar a vida.
Disse Jesus aos seus discípulos: «Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim revogar, mas completar. Em verdade vos digo: Antes que passem o céu e a terra, não passará da Lei a mais pequena letra ou o mais pequeno sinal, sem que tudo se cumpra. Portanto, se alguém transgredir um só destes mandamentos, por mais pequenos que sejam, e ensinar assim aos homens, será o menor no reino dos Céus. Mas aquele que os praticar e ensinar será grande no reino dos Céus» (Mt 5, 17-19).

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Vim completar a Lei...

       Disse Jesus aos seus discípulos: «Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim revogar, mas completar. Em verdade vos digo: Antes que passem o céu e a terra, não passará da Lei a mais pequena letra ou o mais pequeno sinal, sem que tudo se cumpra. Portanto, se alguém transgredir um só destes mandamentos, por mais pequenos que sejam, e ensinar assim aos homens, será o menor no reino dos Céus. Mas aquele que os praticar e ensinar será grande no reino dos Céus» (Mt 5, 17-19).
       E a plenitude da Lei proposta e vivida por Jesus Cristo é a CARIDADE.
        A grande revolução de Jesus não está em destruir o já realizado para introduzir tudo de novo, mas o levar à plenitude toda a criação, a grande revolução é interior, no coração de cada pessoa. No que concerne à Lei não se pense que Jesus destrói todo o edifício, mas leva a Lei à plenitude da caridade. O amor há-de ser a origem, a forma/conteúdo, e a finalidade de toda a Lei. Quem ama, faz o bem, projeta-se para Deus. São novos os Céus e a terra, é um tempo novo, porque o coração está, doravante, colocado no coração de Deus.
       A expressão de Santo Agostinho é expressiva: ama e faz o que quiseres. O amor leva-nos a cumprir toda a lei que nos aproxima dos outros e que aprofunda a nossa dignidade humana. Com efeito, a lei há-de estar ao serviço da pessoa. Ora, a caridade, o amor, é a realidade que melhor serve o nosso semelhante.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Haverá dias para fazer o bem?

       Jesus entrou de novo na sinagoga, onde estava um homem com uma das mãos atrofiada. Os fariseus observavam Jesus para verem se Ele ia curá-lo ao sábado e poderem assim acusá-l’O. Jesus disse ao homem que tinha a mão atrofiada: «Levanta-te e vem aqui para o meio». Depois perguntou-lhes: «Será permitido ao sábado fazer bem ou fazer mal, salvar a vida ou tirá-la?». Mas eles ficaram calados. Então, olhando-os com indignação e entristecido com a dureza dos seus corações, disse ao homem: «Estende a mão». Ele estendeu-a e a mão ficou curada. Os fariseus, porém, logo que saíram dali, reuniram-se com os herodianos para deliberarem como haviam de acabar com Ele (Mc 3, 1-6).
Para fazer o bem todos os dias são bons. Para fazer o mal nenhum dia deveria ser utilizado.
Esta é a mensagem de Jesus, ontem como hoje. Para os fariseus e outros que mais, o mais importante é garantir o cumprimento escrupuloso da lei. A lei, e neste concreto a Lei de Moisés, não pode ser usada para impedir o bem, para o não-compromisso. Antes da Lei e para lá da Lei estão as pessoas que Deus ama. Para Jesus, o fundamental é atender à pessoa, estar ao seu serviço e fazer o que está ao seu alcance para proporcionar bem-estar, paz, e saúde. Jesus testemunha a atenção de Deus às pessoas de carne e osso e neste gesto a certeza que Deus continua a agir no mundo. No sinal da cura, a certeza que Deus nos ama e nos quer bem.Assim com Jesus. Assim há de ser connosco.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Domingo VI do Tempo Comum - ano A - 16 de fevereiro

        1 – Quando gostamos genuinamente de alguém, procuramos que as nossas palavras e os nossos gestos digam o que sentimos e expressem alegria, gratidão, felicidade. A pessoa é mais, muito mais, do que aquilo que diz, mas também isto faz parte da pessoa. Vamos querer escutar com atenção, com disponibilidade, bebendo das suas palavras. «O que tu és fala tão alto que mal consigo ouvir o que tu dizes» (desconhecido). A pessoa não é o que veste, o que come, o que fala, o que faz. É tudo isso. É um ser mais complexo. Daí que nos seja sempre difícil e falível julgar as pessoas apenas por uma aspeto, uma impressão imediata.
        O cristianismo não é uma cartilha de preceitos e regras, de condenações e proibições. É, antes e sobretudo, a história de um encontro, de uma descoberta, o nosso encontro com Jesus, Crucificado e Ressuscitado. Um encontro pessoal que desemboca na comunidade. Se vários nos encontramos com Jesus, mais cedo ou mais tarde vamos querer falar d'Ele, partilhar com outros a nossa experiência, vamos querer enriquecer-nos com a experiência de outros. Por outro lado, Jesus desafia-nos à comunhão, a congregarmo-nos como irmãos. Não chama um discípulo, mas vários, para formarem grupo e, quando os envia, envia-os dois a dois ou em grupo.
        É inseridos em comunidade, como povo da Aliança, que acolhemos os Mandamentos e acolhemo-los não como uma exigência escravizante, mas como critério e orientação que nos liberta para fazermos o bem e nos relacionarmos cada vez melhor com os demais.
        Regras e sinais de trânsito. Alguém vai pensar que estes são para nos proibir e limitar os nossos movimentos? É possível, se acharmos que estamos sozinhos no mundo. O código da estrada tem o ensejo de proteger as pessoas (e também os bens). Protegem-nos e protegem os outros. Resultam do bom senso, da experiência, da reflexão, do estudo, da preocupação de criar as condições mais favoráveis e seguras para todos, na estrada, nos passeios, no meio de povoações, junto a escolas ou a ruas movimentadas.
        2 – Jesus começa por alertar os seus discípulos que a novidade do Evangelho não enquadra a destruição do património religioso anterior, as leis e os preceitos (positivos) propostos na Lei de Moisés e nas mensagens dos Profetas. Pelo contrário, Jesus não só não destrói como quer completar, levar à plenitude. Esta tem como conteúdo o amor: o amor que se predispõe a dar a vida. «Aquele que praticar e ensinar [os Mandamentos] será grande no reino dos Céus!». A mensagem de Jesus é inclusiva: assume o passado e as lições que podem ajudar no presente e no futuro.
       Mas não apenas isso. Jesus vai mais longe: «Se a vossa justiça não superar a dos escribas e fariseus, não entrareis no reino dos Céus». Revisitando a vida de Jesus verificaremos como este ir mais longe é humanizador, no convite à conversão, à partilha, à reconciliação entre pessoas, ao perdão em todas as circunstâncias, a uma tolerância reconhecedora dos laços de parentesco espiritual.
       O Mestre dos Mestres não entra em lógica de facilitismos, mas dá vida, carne, músculo, sentido, humanidade a toda a Lei. Esta há de estar ao serviço da dignidade do ser humano e do bem comum.
       Daí a contraposição: «ouvistes que foi dito aos antigos: ‘Não matarás; quem matar será submetido a julgamento’. Eu, porém, digo-vos: Todo aquele que se irar contra o seu irmão será submetido a julgamento. Quem chamar imbecil a seu irmão será submetido ao Sinédrio, e quem lhe chamar louco será submetido à geena de fogo. Reconcilia-te com o teu adversário, enquanto vais com ele a caminho... Digo-vos que não jureis em caso algum: nem pelo Céu, que é o trono de Deus; nem pela terra, que é o escabelo dos seus pés; nem por Jerusalém, que é a cidade do grande Rei. Também não jures pela tua cabeça, porque não podes fazer branco ou preto um só cabelo».
       O ensinamento de Jesus conduz à coerência de vida: devemos pôr em prática na nossa vida o que professamos e o que exigimos aos outros. É também nesta lógica que Jesus exige aos seus discípulos uma linguagem simples, direta, transparente, respeitadora do outro: «A vossa linguagem deve ser: ‘Sim, sim; não, não’. O que passa disto vem do Maligno».
       3 – Ben Sirá, que integra o conjunto de livros sapienciais, como um pai a um filho, como mestre aos discípulos, deixa-nos recomendações, conselhos, orientações. Como se pode ver, na primeira leitura, é uma proposta de vida, sem ameaças nem chantagens: Se quiseres, guardarás os mandamentos: ser fiel depende da tua vontade. Deus pôs diante de ti o fogo e a água: estenderás a mão para o que desejares. Diante do homem estão a vida e a morte: o que ele escolher, isso lhe será dado. Porque é grande a sabedoria do Senhor, Ele é forte e poderoso e vê todas as coisas. Seus olhos estão sobre aqueles que O temem, Ele conhece todas as coisas do homem. Não mandou a ninguém fazer o mal, nem deu licença a ninguém de cometer o pecado”.
       O cumprimento dos mandamentos baliza um caminho que nos garante bondade e sabedoria, felicidade e vida. As leis não são grilhões que nos aprisionem, mas indicações que nos permitem seguir mais seguros. Estão inscritas no coração. Era como se considerássemos que tudo o que vem dos nossos pais é para nos proibirem de sermos felizes. Evidentemente que a Lei terá que ser assumida, com as marcas, a carne, o sangue e a vivência de cada um. Antes, a graça santificante que atua em nós e nos transforma, tornando-nos novas criaturas para Deus. É necessário que a nossa alma se deixe plasmar pela ação do Espírito Santo.
       Podemos rezar com o salmista: “Felizes os que seguem o caminho perfeito e andam na lei do Senhor. Felizes os que observam as suas ordens e O procuram de todo o coração”, na certeza que as Suas leis, a Sua vontade, nos orientam para o bem, para a felicidade. Qual o desejo dos pais para os filhos senão que eles se deem bem e se sintam amados, respeitados, desenvolvendo as respetivas capacidades, ajudando-se mutuamente?
       4 – Na mesma linha dos sábios de Israel e dos profetas, o apóstolo Paulo anuncia a Boa Notícia da salvação que nos chega de Deus, através de Jesus Cristo:
«Falamos da sabedoria de Deus, misteriosa e oculta, que já antes dos séculos Deus tinha destinado para a nossa glória. Nenhum dos príncipes deste mundo a conheceu; porque se a tivessem conhecido, não teriam crucificado o Senhor da glória. Mas, como está escrito, «nem os olhos viram, nem os ouvidos escutaram, nem jamais passou pelo pensamento do homem o que Deus preparou para aqueles que O amam». Mas a nós Deus o revelou por meio do Espírito Santo, porque o Espírito Santo penetra todas as coisas, até o que há de mais profundo em Deus».
       Com a morte e ressurreição do Jesus, e com a força do Espírito Santo que Ele nos envia de junto do Pai, chegamos à plenitude da revelação. O que a Lei intuía, preparando-nos para vivermos fraternalmente de mãos dadas, é assumido com o mistério de Cristo, Deus connosco, a partir de dentro, do nosso coração. Jesus traz-nos Deus. Vive entre nós. Eleva-nos para a eternidade. A LEI tem a carne do AMOR, tem o ROSTO de Jesus, conta com o nosso empenho a favor dos outros.

Textos para a Eucaristia (ano A): Sir 15, 16-21; Sl 118 (119); 1 Cor 2, 6-10; Mt 5, 17-37.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Eu serei o vosso Deus e vós sereis o meu povo

       Jeremias é um dos Profetas maiores do judaísmo. Assim considerado também pelo tamanho dos seus escritos, a quem é também atribuído o Livro das Lamentações. É um dos profetas mais conhecidos, citado em outras partes da Escritura Sagrada, é profeta da interioridade, sublinhando a necessidade e a urgência da conversão interior, da adesão à vontade de Deus, da mudança de vida, de procurar atender às pessoas mais frágeis, de praticar a justiça e o bem, de viver honestamente, não cedendo aos interesses instalados. Dá-nos nota que as palavras que prega é a sua forma de viver. Na sua vida transparece a Palavra de Deus. Isso vai custar-lhe a perseguição constante. É um sinal de contradição. Expõe com a sua vida, com a sua postura, todos aqueles que se desviam do caminho do Senhor e se aproveitam das pessoas mais simples.
       Vejamos o texto que nos é proposto para este dia:
Assim fala o Senhor: «Foi isto que ordenei ao meu povo: ‘Escutai a minha voz, e Eu serei o vosso Deus e vós sereis o meu povo. Segui sempre o caminho que vou indicar-vos e sereis felizes’. Mas eles não ouviram nem prestaram atenção: seguiram as más inclinações do seu coração obstinado, voltaram-Me as costas, em vez de caminharem para Mim. Desde o dia em que os seus pais saíram da terra do Egipto até hoje, enviei-lhes todos os profetas, meus servos, dia após dia, incansavelmente. Mas eles não Me ouviram nem Me prestaram atenção: endureceram a sua cerviz, fizeram pior que seus pais. Se lhes disseres tudo isto, não te escutarão; se chamares por eles, não te responderão. Por isso lhes dirás: Esta é a nação que não ouviu a voz do Senhor seu Deus e não quis aceitar os seus ensinamentos. Perdeu-se a fidelidade, foi eliminada da sua boca» (Jer 7, 23-28).
       Jeremias, neste trecho, lamenta o desvio do povo e como Deus insiste em enviar mensageiros, profetas. Deus não desiste de nós. Porém, nem sempre estamos na disposição de acolher a Sua voz, a Sua palavra.
       Para Deus importa a nossa vida, a nossa felicidade. Seguir os seus preceitos não é uma imposição que nos castiga, mas uma proposta de libertação, de reconciliação e de comunhão, uns com os outros e como povo.

sábado, 29 de outubro de 2011

XXXI Domingo do tempo Comum (ano A) - 30 de outubro

       1 – "Na cadeira de Moisés sentaram-se os escribas e os fariseus".
       Com o decorrer dos anos, o carisma de Moisés e a beleza, simplicidade e grandeza dos Mandamentos desvanece-se com novos líderes e com a multiplicação de leis, de preceitos, com muitas excepções, exigências, derivações, pormenores cada vez mais picuinhas. A complexidade da Lei leva ao seu não cumprimento.
       Refira-se que a história do povo de Israel não foi fácil nem linear. Constitui-se a partir de 12 tribos, com peculiaridades próprias que servem para unir mas também para dividir. Funcionam com alguma harmonia e compreensão nas lideranças fortes de Moisés, David, Salomão. Os reis e os líderes religiosos sucedem-se. Fracas e indecisas lideranças geram conflitos, que por sua vez tornam a nação vulnerável. Se cada um puxa para si e/ou para a sua tribo, o povo deixa de ter defesas para os ataques que chegam do exterior. Se interiormente está dividido, não oferece segurança contra os inimigos.
       As lutas palacianas pelo poder, a corrupção, as influências das famílias mais poderosas e as negociatas entre os detentores da autoridade civil e militar conduzem a nação ao descalabro.
       Um alvo fácil das nações vizinhas, mais unidas, militarmente mais poderosas, com estratégias de invasão e de domínio, com um maior poderia económico, Israel é invadido, com os estrangeiros a imporem a sua presença e os casamentos mistos (forma de apaziguar ânimos, se se integram nas famílias judaicas, estas não se voltarão contra os seus familiares...). Por outro lado, os exílios a que estão sujeitos.
       É também nestas condições adversas à Palavra de Deus, que se multiplicam os preceitos para preservar a identidade, cultura e religião judaicas, aquando das invasões, do exílio, ou em momentos de grande instabilidade.
       2 – A multiplicação de leis e preceitos confunde as pessoas mais simples e não "obriga" os mais instruídos e poderosos que sempre arranjam subterfúgios para contornar os seus deveres sociais e religiosos.
       Jesus, como vimos no domingo anterior, repõe com clareza a simplicidade da Lei. Toda a Lei e os Profetas se resumem, nos seus ditames, a amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Se a cadeira (símbolo do ensino e da autoridade) de Moisés foi usurpada, agora é purificada por Jesus, com a autoridade do Mestre dos Mestres, que vive como ensina, e ensina o que transforma em obras de perdão e caridade.
       A clareza e simplicidade obriga a uma escolha, limitando as desculpas e justificações. Ou sim ou sopas. A compreensão fácil da Lei, neste caso, do duplo mandamento do amor, implica a sua aceitação ou a sua recusa.
       Jesus alerta para o desfasamento entre o conhecimento da lei e o consequente cumprimento: "Fazei e observai tudo quanto vos disserem, mas não imiteis as suas obras, porque eles dizem e não fazem. Atam fardos pesados e põem-nos aos ombros dos homens, mas eles nem com o dedo os querem mover. Tudo o que fazem é para serem vistos pelos homens... Aquele que for o maior entre vós será o vosso servo. Quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado".
       Malaquias, na primeira leitura, alertava para esta incongruência: "Vós desviastes-vos do caminho, fizestes tropeçar muitos na lei e destruístes a aliança de Levi, diz o Senhor do Universo. Por isso, como não seguis os meus caminhos e fazeis acepção de pessoas perante a lei, também Eu vos tornarei desprezíveis e abjectos aos olhos de todo o povo". Não cumprem. Exigem aos outros. São um contra-testemunho.
       Por conseguinte, as palavras de Jesus incentivando a cumprir a lei, com palavras e com obras, seguindo o caminho da humildade e do serviço ao próximo, como expressão e concretização do amor a Deus. Não faz sentido exigir aos outros o que não se faz menção de cumprir.

       3 – De novo, e como no domingo anterior, lembramos que a referência é Jesus Cristo, com as Suas palavras, com os Seus gestos e com a Sua vida, na oferenda constante a favor da humanidade, até à morte na Cruz.
       Foi com este fito que o Apóstolo procurou em tudo imitar Jesus Cristo, para que através do seu testemunho outros aderissem ao Evangelho. Diz-nos São Paulo: "Fizemo-nos pequenos no meio de vós. Como a mãe que acalenta os filhos que anda a criar, assim nós também, pela viva afeição que vos dedicamos, desejaríamos partilhar convosco, não só o Evangelho de Deus, mas ainda própria vida, tão caros vos tínheis tornado para nós".
       O Apóstolo assume uma postura que contraria a dos mestres de Israel que ensinam e exigem aos outros, mas não cumprem nem fazem o mais pequeno esforço para cumprir. O Apóstolo faz-se pequeno, para que Cristo cresça nas comunidades. O maior, para Jesus Cristo, e que é testemunhado por São Paulo, é aquele que se faz pequeno, aquele que serve os seus irmãos.

Textos para a Eucaristia (ano A): Mal 1,14b-2,2b.8-10; 1 Tes 2,7b-9.13; Mt 23,1-12.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Não passará a mais pequena letra

       Disse Jesus aos seus discípulos: «Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim revogar, mas completar. Em verdade vos digo: Antes que passem o céu e a terra, não passará da Lei a mais pequena letra ou o mais pequeno sinal, sem que tudo se cumpra. Portanto, se alguém transgredir um só destes mandamentos, por mais pequenos que sejam, e ensinar assim aos homens, será o menor no reino dos Céus. Mas aquele que os praticar e ensinar será grande no reino dos Céus» (Mt 5, 17-19).
       A grande revolução de Jesus não está em destruir o já realizado para introduzir tudo de novo, mas o levar à plenitude toda a criação, a grande revolução é interior, no coração de cada pessoa. No que concerne à Lei não se pense que Jesus destrói todo o edifício, mas leva a Lei à plenitude da caridade. O amor há-de ser a origem, a forma/conteúdo, e a finalidade de toda a Lei. Quem ama, faz o bem, projecta-se para Deus. São novos os Céus e a terra, é um tempo novo, porque o coração está, doravante, colocado no coração de Deus.