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sábado, 13 de agosto de 2016

VL – Etty Hillesum - a oração enraíza-nos em Deus

       Parafraseando Ortega Y Gasset, a pessoa é com as suas circunstâncias. Certamente. Tudo o que nos rodeia nos influencia. Tempo. As pessoas. As situações luminosas ou obscuras. Até a forma de acordar, ou a roupa que se veste, o descanso ou a falta dele. Uma palavra, um sorriso, a presença de alguém que estimamos, podem alterar positiva ou negativamente o nosso dia.
       Porém, o essencial é a atitude com que encaro a vida, as pessoas, os acontecimentos do tempo presente. Mudamos conforme as circunstâncias ou procuramos que as circunstâncias, ainda que contem, não definam, em definitivo, a nossa personalidade?
       Hillesum sabe que, mais dia, menos dia, será levada para o campo de extermínio, como outros judeus, para ser morta. Desabafa confiante: “Estamos em casa. Estamos em casa sob céu. Estamos em casa em qualquer lugar, se trouxermos tudo dentro de nós. Muitas vezes me tenho sentido, e ainda sinto, como um navio que transporta a bordo uma carga preciosa: os cabos são cortados e agora o navio parte, livre para navegar por toda a parte. Temos de ser a nossa própria pátria”.
        E quando não restar mais nada?
        “Quando a borrasca for demasiado forte, e eu já não souber como escapar, restar-me-ão sempre duas mãos juntas e um joelho dobrado. É um gesto que a nós, judeus, não foi transmitido de geração em geração. Tive de aprendê-lo a custo… Como é estranha a minha história – a história de uma rapariga que não se sabia ajoelhar. Ou, com uma variante: da rapariga que aprendeu a rezar. É o meu gesto mais íntimo”.
       A oração é a casa de Etty Hillesum. Onde se encontra e onde encontra Deus. “De repente, compreendi como uma pessoa, com o rosto escondido atrás das mãos juntas, pode deixar-se cair violentamente de joelhos e depois ter paz… Devo tornar-me mais simples, deixar-me viver um pouco mais. Agora sei qual a minha cura: acocorar-me a um canto e escutar aquilo que tenho dentro de mim própria”.
       E se o mundo conhecido desaparecer?
       “Falarei contigo, meu Deus. Posso? Como as pessoas vão desaparecendo, não me resta outra coisa senão o desejo de falar contigo. Amo assim tanto os outros porque em cada um deles amo o pedacinho de Ti, meu Deus. Procuro-Te em todos os homens e, frequentemente, encontro neles alguma coisa de Ti. E procuro desenterrar-Te do seu coração, meu Deus”.

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4373, de 26 de julho de 2016

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

VL – Enraizados em Deus, para ver além do mal

       No dia 13 de fevereiro de 2013, Quarta-feira de Cinzas, dois dias depois de anunciar a renúncia ao pontificado, Bento XVI apresentava figuras cujas conversões são testemunho e interpelação. Uma dessas figuras proposta é “Etty Hillesum, uma jovem holandesa de origem judaica, que morrerá em Auschwitz. Inicialmente distante de Deus, descobre-o olhando em profundidade dentro de si mesma e escreve: «Dentro de mim existe um poço muito profundo. E naquele poço está Deus. Às vezes consigo alcançá-lo, mas na maioria das vezes está coberto por pedras e areia: então Deus está sepultado. É necessário que eu o volte a desenterrar» (Diário, 97). Na sua vida dispersa e inquieta, ela encontra Deus precisamente no meio da grande tragédia de Novecentos, o Shoah. Esta jovem frágil e insatisfeita, transfigurada pela fé, transforma-se numa mulher cheia de amor e de paz interior, capaz de afirmar: «Vivo constantemente em intimidade com Deus»”.
       Diante de tanto mal, poderia advir o desânimo. E se nos lembrarmos do extermínio de milhares de judeus, sob o império do mal perpetrado por Hitler e o nazismo, não será fácil sobreviver ao desencanto e a uma resignação destrutiva. Todavia, Etty Hillesum recorda que nenhum mal pode eliminar completamente o bem. O mal não tem futuro. O bem tem futuro. O mal, pela sua extensão, pode amedrontar-nos. Mas não é definitivo.
       Também o tempo atual parece sombrio: a crise económico-financeira, o Brexit, a crise dos refugiados, os atentados terroristas, a violência gratuita, xenófoba, racista, a falta de emprego e a insegurança quanto ao futuro, parecem destruir o sonho de um mundo seguro e onde todos se reconheçam como irmãos.
       Etty Hillesum desafia-nos a enraizar a vida em Deus, enfrentando assim a dor e o sofrimento. “É verdade que de vez em quando podemos estar tristes e abatidos por aquilo que nos fazem, é humano e compreensível. A vida é difícil, mas não é grave… Uma paz futura só o poderá ser verdadeiramente se antes tiver sido encontrada por cada um dentro de si próprio – se cada homem se tiver libertado do ódio contra o próximo de qualquer raça ou povo, se tiver superado esse ódio e o tiver transformado em algo diferente, talvez a longo prazo, em amor… É a única solução possível. Esse pedacinho de eternidade que trazemos dentro de nós… Meu Deus, ainda não se dão conta de que todas as coisas que existem são areias movediças, a não ser Tu”.
       Quanto mais em Deus, mais disponíveis para os outros.

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4370, de 5 de julho de 2016

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

VL – Enraizados em Deus, olhar o sofrimento de frente

       Etty Hillesum, a holandesa judia, morta em Auschwitz, surpreendeu-me pela serenidade com que enfrentou o sofrimento, as adversidades, procurando, através da oração, de joelhos, da meditação e da própria escrita, olhar de frente o mal, mas sem se dar por vencida e sem dar a primazia ao mal. Apesar de todo o mal infligido, o bem está a germinar por toda a parte e há de vencer. Por ora é tempo de lutar para que as pessoas não enterrem Deus nos seus corações.
       O mundo parece desmoronar-se e a violência gratuita (sobretudo) contra os judeus acentua-se, apesar disso, Etty Hillesum continua a esperar em Deus. Para sermos felizes não nos permitimos simplesmente virar as costas ao sofrimento. “Somos sobretudo nós próprios que nos roubamos. Acho a vida bela e sinto-me livre. Os céus estendem-se tanto dentro como acima de mim. Creio em Deus e nos homens e atrevo-me a dizê-lo sem falso pudor. A vida é difícil, ma isso não é grave… Meu Deus, dou-te graças por me teres criado tal como sou. Dou-te graças porque às vezes me permites estar tão cheia de vastidão, daquela vastidão que não é senão o meu ser transbordante de Ti”.
       O poder da violência é por agora invencível, mas não nos podem roubar a vida, não podem entrar no nosso íntimo, lugar onde encontramos Deus. “Dentro de mim há uma nascente muito profunda. E nessa nascente está Deus. Por vezes, consigo alcançá-lo, a maior parte das vezes, está coberta de pedras e de areia: nessas alturas, Deus está sepultado. Então há que voltar a desenterrá-lo. Imagino que certas pessoas rezam com os olhos fixos no céu: elas procuram Deus fora de si. Há outras que inclinam a cabeça, escondendo-a entre as mãos: creio que estas procuram Deus dentro de si”.
       E se Deus não me ajudar? Então serei eu a ajudar Deus…
       “Prometo-te uma coisa, meu Deus: tentarei ajudar-Te para que Tu não sejas destruído dentro de mim… A única coisa que podemos salvar destes tempos, e também a única coisa que conta de verdade, é um pedaço de Ti em nós mesmos, meu Deus. E talvez também possamos contribuir para te desenterrar dos corações devastados dos outros homens… Eu não ponho em questão a tua responsabilidade, mais tarde serás Tu a declarar-nos responsáveis a nós… Tu não nos podes ajudar, mas cabe-nos a nós ajudar-te a Ti, defender até ao fim a tua casa em nós... acredita, não te expulsarei do meu território”.

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4372, de 19 de julho de 2016

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

VL – Enraizados em Deus, para viver a própria vida

       Há situações que nos deixam sem chão, sem palavras e cuja esperança quase desaparece. Etty Hillesum, como se pode descobrir no seu diário, nas suas cartas ou em livros sobre ela, como judia holandesa, viveu uma das tragédias do século XX. Viria a morrer, com 29 anos, no campo de extermínio de Auschwitz, como outros milhares de judeus. Foi um período negro para a humanidade, mas de onde surgiram figuras que continuam a iluminar o nosso tempo, pela perseverança e resiliência. Foram mortas mas não se deixaram matar pela história. Sobreviveram aos carrascos pelo testemunho que nos legaram.
       Diz-nos acerca dela Frei Michaeldavide (Etty Hillesum. Humanidade enraizada em Deus): é uma "mulher, cuja vida está prestes a ser violentamente despedaçada, ainda consegue acreditar… é uma jovem mulher que soube transfigurar a própria vida, deixando-a amadurecer até à plenitude, aprendendo a rezar e a meditar... Mediante a oração aprendeu a meditar sobre as trevas humanas através da luz de Deus, sem as negar, mas também sem as tornar mais densas... vive e abraça até ao fundo o contexto terrível de uma das páginas mais sombrias da humanidade – talvez a mais tenebrosa, por ter sido concebida e dada à luz pela civilização europeia enraizada na tradição do cristianismo”. Com efeito, “Etty Hillesum é mestra de total lucidez: na capacidade de atribuir um nome preciso àquilo que se pode verificar de negativo, sem esquecer que, no preciso momento em que qualquer coisa de terrivelmente negativo está a acontecer, continua a crescer o bem, que existe desde sempre e que é o futuro, enquanto o mal não tem futuro, mesmo quando parece tão tremendo que atrai toda a nossa atenção”.
       A dimensão do mal pode levar à desistência, ao lamento, à resignação (passiva). Com facilidade soçobramos ao mal que nos é infligido, gastando-nos, incendiando-nos o coração com trevas. Etty Hillesum tinha tudo para reclamar pelo infortúnio, mas opta pela esperança enraizada em Deus. “Entre a vida que recebemos e a vida que devemos receber oscila a nossa vida, aquela que, de momento, vivemos ou não vivemos… Se toda a dor não alargar os nossos horizontes e não nos tornar mais humanos, libertando-nos das mesquinhices e das coisas supérfluas desta vida, terá sido inútil… O homem ocidental não aceita a dor como parte desta vida: por isso, nunca consegue extrair forças positivas… Fomos marcados para sempre pela dor. Contudo, a vida é maravilhosamente boa... basta que façamos com que Deus, apesar de tudo, esteja em segurança nas nossas mãos".

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4371, de 12 de julho de 2016

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Leituras: MICHELLE KNIGHT - DEPOIS DO INFERNO

MICHELLE KNIGHT, com Michelle Burford (2014). Depois do Inferno. Alfragide: Casa das Letras. 276 páginas.
       A realidade ultrapassa a ficção. A imaginação cria cenários de extraordinária beleza, recria e inventa histórias que ultrapassam qualquer situação do nosso dia a dia. Novelas, séries, filmes que nos envolvem, positiva e negativamente. Como nas notícias, assim também nos trabalhos ficcionados, cada vez é maior a violência, a degradação, os crimes, bem pensados e executados. A este propósito poderíamos concluir que a ficção evolui com a realidade. Preferível que a ficção fosse apenas ficção, para distrair e descomprimir. Porém, o que é ficcionado muitas vezes não chega ao sofrimento real e a situações que estaríamos longe de imaginar.
       Este é um livro, um relato real, que deixa transparecer a violência, a degradação e a depravação, a malvadez. Certamente que nunca conseguiremos entrar totalmente na mente ou no coração de Michelle Knight. Mas ficamos aterrados com a enormidade dos sofrimentos e dos maus tratos que lhe foram infligidos.
       Nunca teve uma vida feliz. Vivia numa carrinha, roubavam para comer. Depois morou numa casa em que de dia para dia apareciam mais familiares para com eles viverem. Durante anos foi violada por um familiar. Até que resolveu sair de casa, tornando-se sem.abrigo e traficante. Ficou grávida. Voltou a casa, depois do traficante de droga que mandava ter sido preso. Depois do nascimento do filho, os abusos continuaram. Um dia, o homem que a violava, agrediu com violência o seu filho Joey, pelo que a Segurança Social lhe retirou a guarda, apesar de não ser diretamente culpada. Tem de andar vários quilómetros para ir às audiências para tentar reaver o filho. Muda-se para casa de uma prima, Lisa. Começa a procurar emprego/trabalho, todos os dias.
       No dia 23 de agosto de 2003, é o dia agendado para a audiência nos serviços sociais. Recusa do transporte assegurado pela segurança social porque um familiar se disponibiliza para a levar, mas chegado o dia não está disponível. Procura todas as formas pro se dirigir para a audiência, mas não sabe onde fica, caminha por muito tempo, pergunta mas ninguém sabe onde fica o local. Regressa ao seu bairro, continua a perguntar, na Loja da Family Dollar, mas sem sucesso. Aparece então Ariel Castro - o animal - que lhe diz que a pode levar, pois sabe onde fica. Como é pai de Emily, amiga de Michelle, esta, ainda que renitente, aceita a boleia e acabará por entrar na casa do "animal", para só sair sair 11 anos depois.
       Entretanto, Ariel Castro rapta mais duas jovens. São tratadas como animais, escravas sexuais, recorrendo à violência, e com pouco alimento. Além das condições inundas, dos maus tratos, da violência, ainda a fome. Ao longo dos anos, sempre com uma réstia de esperança sob as ameaças constantes, vão sofrendo o que há de mais atroz. Michelle engravida, durante o rapto, 4 vezes. Os fetos são abortados pela violência exercida sobre ela. É a mais odiada e por isso a mais violentada. Gina, a jovem raptada algum tempo depois tornar-se-á uma amiga importante para a animar nos momentos mais negros. A fé é outro ingrediente que a alimenta. As duas são as mais sacrificadas, ainda que Gina tenha sido mais preservada. Amanda, por sua vez, é "favorecida" porque o "animal" a considera esposa. Engravida e como a considera esposa deixa que a filha nasça. Depois do nascimento, leva a filha a passear de carro.
       6 de maio de 2013, 11 anos depois, Ariel de Castro saiu de casa e Amanda aproveitou para pedir ajuda. Foram libertadas, Ariel castro viria a ser preso, tendo sido posteriormente condenado a prisão perpétua. Enforcou-se pouco tempo depois. Cada uma à sua maneira, as três vítimas de rapto tentam refazer a vida. Michelle mantém-se afastada da família e também do filho que foi adoptado aos 4 anos de idade, pelo que para preservar a vida do filho se tem mantido afastada.
       É um testemunho arrepiante, mas de algum modo terapêutico para a autora. Ao mesmo tempo uma chamada de atenção para um número considerável de raptos. Os EUA nesta matéria são muito flagelados. É um desafio para que as mães cujos filhos foram raptados não percam a esperança e não deixem de procurá-los e também para que as pessoas quando virem algo suspeito, por menor que sejam, contactem as autoridades de imediato.
"Só através do perdão poderei recuperar a minha vida. Se não o perdoar, será como ficar presa duas vezes: primeiro, enquanto ele me sequestrou na sua casa e, agora, mesmo depois de ele ter morrido. Estou a deixar que o meu ódio por ele se vá esfumando para que eu possa verdadeiramente ter a minha vida de volta".
Outra história semelhante, o rapto e a luta pela dignidade:

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Maria de Villota - Sem um olho, vejo melhor...

        A ex-piloto de testes de Fórmula 1 Maria de Villota, encontrada hoje sem vida num quarto de hotel em Sevilha, faleceu por causas naturais, de acordo com fontes da investigação citadas pela agência EFE. A autópsia realizada no Instituto Anatómico Forense de Sevilha confirmou que a antiga piloto, que em 2012 sofreu um grave acidente, no qual perdeu um olho, morreu por causas «absolutamente naturais». Maria de Villota, cujo corpo foi encontrado esta manhã no quarto de hotel em que estava hospedada para participar numa conferência na capital da Andaluzia, foi levada pelas 10h00 locais ao Instituto Anatómico, onde foi realizada a autópsia. De Villota, 33 anos, estava em Sevilha, onde hoje deveria participar num evento no centro de Congressos da cidade, dias antes da apresentação de um livro sobre a sua vida. Filha do ex-piloto de F1 Emilio De Villota, Maria de Villota sofreu um grave acidente em junho de 2012 durante testes realizados pela escuderia Marussia, perdendo o olho direito. Para a próxima segunda-feira estava previsto que apresentasse o livro sobre a sua vida: “La vida es um regalo” (A vida é um presente).
FONTE da notícia: AQUI.
Post publicado em 14 de outubro de 2012:

       María de Villota - 32 anos - era piloto de Fórmula 1. Apaixonada pela velocidade e pelos carros, conseguira atingir o seu sonho. Era a única mulher num mundo dominado por homens. Um dia teve um acidente grave e azarado: regressando dos testes na pista - sem que se perceba porquê - acelerou e embateu contra a traseira de um camião. Na altura pensou-se que teria a vida em risco. "María, te hemos salvado la vida... pero tenemos que decirte que has perdido el ojo" - disse-lhe o médico, depois da operação. "Usted es cirujano?" - respondeu María - "… y usted necesita dos manos para operar? pues yo soy piloto de Fórmula 1 y necesito dos ojos!…". Passados três meses de recuperação, em conferência de imprensa, partilha com todos a transformação interior que sofreu: "…te dás cuenta que ves más que antes… porque yo antes sólo veía la Fórmula 1, sólo me veía encima de un coche compitiendo, y no veía lo que era realmente importante en la vida; la claridad de decir "joder, estoy viva" y que en ese momento no estaba valorando lo más grande que es que esa persona que estaba allí me haya salvado"; "este ojo me ha devuelto el Norte; me ha devuelto lo importante"; "esta nueva oportunidad la voy a vivir al cien por cien"; "hoy cuando me miro al espejo estoy orgullosa porque realmente pienso que mi aspecto actual dice más de quién es María de Villota"; "llevo mi historia y la llevo con mucho cariño y orgullo". Mais nada.


[Fotografia de GrandPrixMotoriOnline]

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Maria José Nogueira Pinto: servi o melhor que soube e pude!

       A última crónica de Maria José Nogueira Pinto, no Diário de Notícias, com o título: NADA ME FALTARÁ. A fé no momento da despedida, quando já não havia esperança para este mundo, a esperança na eternidade de Deus.
       "Acho que descobri a política - como amor da cidade e do seu bem - em casa. Nasci numa família com convicções políticas, com sentido do amor e do serviço de Deus e da Pátria. O meu Avô, Eduardo Pinto da Cunha, adolescente, foi combatente monárquico e depois emigrado, com a família, por causa disso. O meu Pai, Luís, era um patriota que adorava a África portuguesa e aí passava as férias a visitar os filiados do LAG. A minha Mãe, Maria José, lia-nos a mim e às minhas irmãs a Mensagem de Pessoa, quando eu tinha sete anos. A minha Tia e madrinha, a Tia Mimi, quando a guerra de África começou, ofereceu-se para acompanhar pelos sítios mais recônditos de Angola, em teco-tecos, os jornalistas estrangeiros. Aprendi, desde cedo, o dever de não ignorar o que via, ouvia e lia.
       Aos dezassete anos, no primeiro ano da Faculdade, furei uma greve associativa. Fi-lo mais por rebeldia contra uma ordem imposta arbitrariamente (mesmo que alternativa) que por qualquer outra coisa. Foi por isso que conheci o Jaime e mudámos as nossas vidas, ficando sempre juntos. Fizemos desde então uma família, com os nossos filhos - o Eduardo, a Catarina, a Teresinha - e com os filhos deles. Há quase quarenta anos.
       Procurei, procurámos, sempre viver de acordo com os princípios que tinham a ver com valores ditos tradicionais - Deus e a Pátria -, mas também com a justiça e com a solidariedade em que sempre acreditei e acredito. Tenho tentado deles dar testemunho na vida política e no serviço público. Sem transigências, sem abdicações, sem meter no bolso ideias e convicções.
       Convicções que partem de uma fé profunda no amor de Cristo, que sempre nos diz - como repetiu João Paulo II - "não tenhais medo". Graças a Deus nunca tive medo. Nem das fugas, nem dos exílios, nem da perseguição, nem da incerteza. Nem da vida, nem na morte. Suportei as rodas baixas da fortuna, partilhei a humilhação da diáspora dos portugueses de África, conheci o exílio no Brasil e em Espanha. Aprendi a levar a pátria na sola dos sapatos.
       Como no salmo, o Senhor foi sempre o meu pastor e por isso nada me faltou - mesmo quando faltava tudo.
       Regressada a Portugal, concluí o meu curso e iniciei uma actividade profissional em que procurei sempre servir o Estado e a comunidade com lealdade e com coerência.
       Gostei de trabalhar no serviço público, quer em funções de aconselhamento ou assessoria quer como responsável de grandes organizações.  Procurei fazer o melhor pelas instituições e pelos que nelas trabalhavam, cuidando dos que por elas eram assistidos. Nunca critérios do sectarismo político moveram ou influenciaram os meus juízos na escolha de colaboradores ou na sua avaliação.
       Combatendo ideias e políticas que considerei erradas ou nocivas para o bem comum, sempre respeitei, como pessoas, os seus defensores por convicção, os meus adversários.
       A política activa, partidária, também foi importante para mim. Vivi-a com racionalidade, mas também com emoção e até com paixão. Tentei subordiná-la a valores e crenças superiores. E seguir regras éticas também nos meios. Fui deputada, líder parlamentar e vereadora por Lisboa pelo CDS-PP, e depois eleita por duas vezes deputada independente nas listas do PSD.
       Também aqui servi o melhor que soube e pude. Bati-me por causas cívicas, umas vitoriosas, outras derrotadas, desde a defesa da unidade do país contra regionalismos centrífugos, até à defesa da vida e dos mais fracos entre os fracos. Foi em nome deles e das causas em que acredito que, além do combate político directo na representação popular, intervim com regularidade na televisão, rádio, jornais, como aqui no DN.
        Nas fraquezas e limites da condição humana, tentei travar esse bom combate de que fala o apóstolo Paulo. E guardei a Fé.
       Tem sido bom viver estes tempos felizes e difíceis, porque uma vida boa não é uma boa vida. Estou agora num combate mais pessoal, contra um inimigo subtil, silencioso, traiçoeiro. Neste combate conto com a ciência dos homens e com a graça de Deus, Pai de nós todos, para não ter medo. E também com a família e com os amigos. Esperando o pior, mas confiando no melhor.
       Seja qual for o desfecho, como o Senhor é meu pastor, nada me faltará.

MARIA JOSÉ NOGUEIRA PINTO

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Como posso esquecer...

" Como posso esquecer os dias cinzentos... Se são eles que me trazem o sol! Como posso esquecer as derrotas...Se são elas que me proporcionam as vitórias! Como posso esquecer os erros...Se são eles que me dão lição de vida! Como posso esquecer os planos fracassados...Se só o fracasso, pode dar-me a ventura de sonhar! Como posso esquecer a solidão... se foi ela, que me trouxe os meus grandes amigos!"
Autor desconhecido

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

A tigela de madeira!

É a mais bela mensagem que li em toda minha vida.
Deus abençoe o escritor que faz com que, a quem ler a mesma, se sinta tocado por ela.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Uma lição de vida

Um homem juntou-se uma vez a Jesus, dizendo-lhe:

“Quero ir contigo e ser teu companheiro.”
Puseram-se a caminho e chegaram à margem de um rio, onde se sentaram a comer. Levavam com eles três pães. Comeram dois e o terceiro sobrou.
Jesus levantou-se e foi ao rio dessedentar-se. Quando voltou, não encontrou o terceiro pão, pelo que perguntou ao homem:
“Quem tirou o pão?”
“Não sei” – respondeu o outro.
Jesus e o homem continuaram a caminhada e viram uma corça com dois veadinhos. Jesus chamou um deles, que foi ao seu encontro. Jesus matou-o, assou uma parte e comeu com o seu companheiro.
Depois disse ao veadinho:
“Levanta-te, com a permissão de Deus.”
O animal levantou-se e partiu.
Jesus voltou-se então para o companheiro:
“Pergunto-te, em nome d’Aquele que te mostrou este milagre: quem tirou o pão?”
“Não sei” – respondeu o homem.
Chegaram a um grande lago num vale. Jesus tomou o homem pela mão e caminharam sobre a água. Depois de terem atravessado, disse Jesus:
“Em nome d’Aquele que te mostrou este milagre, pergunto-te: quem tirou o pão?”
“Não sei” – respondeu o homem.
Chegaram depois a um deserto árido e sentaram-se no chão.
Jesus juntou um montinho de terra e areia e disse-lhe:
“Transforma-te em ouro, com a permissão de Deus.”
E assim aconteceu.
Jesus dividiu o ouro em três partes e disse:
“Um terço para mim, um terço para ti e um terço para quem tirou o pão!”
Disse o homem:
“Fui eu que tirei o pão!”
Disse Jesus:
“O ouro é todo teu.”
Jesus seguiu caminho e o outro ficou com o ouro.
Dois homens encontraram-no no deserto com o ouro e queriam roubá-lo e matá-lo.
Ele disse-lhes:
“Vamos dividi-lo entre os três e um de vós vai à cidade comprar comida.”
Um deles partiu, dizendo consigo mesmo:
“Por que hei-de dividir o ouro com estes dois? Vou antes envenenar a comida e ficar com o ouro para mim!”
E foi o que fez.
Entretanto, os que tinham ficado disseram um para o outro:
“Por que havemos de dar-lhe um terço do ouro? Em vez disso, vamos é matá-lo quando regressar e dividimos o ouro entre os dois.”
Quando o terceiro regressou, os outros mataram-no, comeram a comida e morreram.
O ouro ficou no deserto com os três homens mortos.
Jesus passou pelo local, encontrou-os naquele estado e disse aos discípulos:

“Assim é o mundo. Tende cuidado com ele.”»

Autor desconhecido

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

CERTIDÃO DE NASCIMENTO: nascida durante aborto por envenenamento salino...

       Gianna Jessen, com 7 meses e meio, ainda no ventre materno, e sua mãe, que tinha 17 anos, juntamente com o seu pai biológico, decidiram que ela seria abortada, na maior rede de clínicas de aborto.
       Foi injectada na mãe uma solução salina, que queima o bebé por dentro e por fora e em 24 horas seria expulsa para fora... Mas eis o milagre, o aborto está vivo... deveria estar cega, queimada, morta... e ao longo do tempo vai sendo rejeitada... mas sobreviveu... mas ouçamo-la de viva voz:
       Pode continuar a ver e a ouvir a segunda parte deste testemunho, igualmente empolgante, aqui, Sobrevivente de Aborto, Parte 2: Giana nunca vai ser nada... "Eu sou mais fraca que a maioria de vós, mas é isso o meu sermão... oferecer esperança... conheci a minha mãe biológica... perdoei a minha mãe biológica. Sou cristã. É uma mulher com o coração muito destroçado... foi um dia difícil... eu não lhe pertenço, pertenço a Jesus Cristo..."

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Onde coloca o sal?

O velho Mestre pediu a um jovem triste, que colocasse uma mão cheia de sal em um copo de água e bebesse.
- Qual é o gosto? - perguntou o Mestre.
- Ruim - disse o aprendiz.
O Mestre sorriu e pediu ao jovem que pegasse, outra mão cheia de sal,e levasse a um lago.
Os dois caminharam em silêncio e o jovem jogou o sal no lago.
Então o velho disse:
- Beba um pouco dessa água.
Enquanto a água corria do queixo do jovem, o Mestre perguntou:
- Qual é o gosto?
- Bom! - Disse o rapaz.
- Você sente o gosto do sal? Perguntou o Mestre.
- Não - disse o jovem.
O Mestre então, sentou ao lado do jovem, pegou em suas mãos e disse:
- A dor na vida de uma pessoa não muda. Mas o sabor da dor depende de onde a colocamos. Quando você sentir dor, a única coisa que você deve fazer, é aumentar o sentido de tudo o que está a sua volta. É dar mais valor ao que você tem do que ao que você perdeu. Em outras palavras: É deixar de ser "copo",
para tornar-se um "lago".  Somos o que fazemos, mas somos principalmente, o que fazemos para mudar o que somos.

(autor desconhecido)

terça-feira, 31 de agosto de 2010

O Amor vai Além, (a Ponte e o Trem).

Você daria a vida de quem mais ama, pela vida de quem não conhece? Bom assista este vídeo talvez você mude de ideia. A capacidade de amar vai além do que podemos imaginar e nos faz ir além do que podemos...Um dos melhores vídeos que eu já vi, para ilustrar o amor de Deus. Assista e reflicta

Ninguém tem amor maior do que Aquele que dá a vida por aqueles que ama.


segunda-feira, 30 de agosto de 2010

A Mensageira da Providência

Em 1837, por volta das onze horas da manhã, José Cottolengo deixou a "Pequena casa", retornando meia hora depois, completamente pálido e abatido.

Irmã Gabriela, que cuidava da recepção, vendo-o chegar tão ansioso e arrasado, pergunta-lhe o que está acontecendo, se ele está sofrendo ou se necessita de alguma coisa.

"Não" - responde ele -. "Eu só estou precisando de repouso, sem que ninguém me incomode." Não obstante, a religiosa lhe oferece uma bebida, um chá de ervas, e volta ao seu posto.

Pouco depois, uma senhora desconhecida se apresenta, e pede para falar com Cottolengo. Com uma voz maravilhosamente suave, ela diz, com muita delicadeza, que, longe de contrariar o Padre, a sua visita lhe seria agradável, e pediu que Irmã Gabriela, a encarregada da portaria, passasse por cima da ordem recebida - a de não incomodá-lo -, e que o chamasse.

Espantada com as doces palavras pronunciadas, a irmã fixa os olhos na sua interlocutora e nota-lhe um porte tão majestoso, os olhos tão brilhantes que ela se sente tomada por um grande sentimento de admiração e respeito, a ponto de não mais ousar dirigir-lhe o olhar.

Irmã Gabriela corre, então, para avisar Cottolengo e lhe descreve o ar distinto e majestoso da Senhora que chegara.

Assim que Cottolengo chegou até onde estava a senhora, esta começou a consolá-lo de suas aflições e desgosto; encorajou-o, dizendo-lhe que devia confiar, sempre, na divina Providência. Em seguida, deu-lhe um anel com uma pedra preciosa, e disse: "Isto servirá para pagar uma parte de suas dívidas. O que restar dela será pago de outra forma." Ela o anima, novamente, e parte.

Irmã Gabriela que, durante este tempo, tentava adivinhar quem seria aquela senhora, desejava fixar seus olhos nela, antes que partisse; contudo, o respeito que lhe havia inspirado o seu primeiro olhar fora tão profundo, que ela não ousou levantar os olhos para contemplá-la.

Desejosa, entretanto, de saber alguma coisa de concreta, a irmã se dirigiu novamente para perto do padre e o encontrou repousado, rejuvenescido e bem feliz.

- Padre, disse-lhe toda contente, afinal, quem é esta senhora tão majestosa que eu não ousei olhar, não ousei fixar meus olhos em seus olhos?

- Esta senhora, respondeu-lhe o santo, não veio daqui debaixo, como a senhora possa, talvez, imaginar; e sim, do alto. Era a Santíssima Virgem.

Só então, contou-lhe o acidente que tivera, confessando-lhe que, se havia retornado à "Pequena Casa" tão transtornado, era porque um dos seus credores o havia ultrajado e maltratado na rua, de maneira brutal.

in Vida de São Joseph-Benoit Cottolengo de Monsenhor Constans, p.293

segunda-feira, 5 de julho de 2010

7 verdades do Bambu

       Depois de uma grande tempestade, o menino que estava passando férias na casa do seu avô, o chamou para a varanda e falou:
       - Vovô corre aqui! Me explica como essa figueira, árvore frondosa e imensa, que precisava de quatro homens para balançar seu tronco se quebrou, caiu com o vento e com a chuva e este bambu é tão fraco e continua de pé?
       - Filho, o bambu permanece em pé porque teve a humildade de se curvar na hora da tempestade. A figueira quis enfrentar o vento. O bambu nos ensina sete coisas. Se você tiver a grandeza e a humildade dele, vai experimentar o triunfo da paz em seu coração.
  • A primeira verdade que o bambu nos ensina, e a mais importante, é a humildade diante dos problemas, das dificuldades. Eu não me curvo diante do problema e da dificuldade, mas diante daquele, o único, o princípio da paz, aquele que me chama, que é o Senhor.
  • Segunda verdade: o bambu cria raízes profundas. É muito difícil arrancar um bambu, pois o que ele tem para cima ele tem para baixo também. Você precisa aprofundar a cada dia suas raízes em Deus na oração.
  • Terceira verdade: Você já viu um pé de bambu sozinho? Apenas quando é novo, mas antes de crescer ele permite que nasça outros a seu lado. Sabe que vai precisar deles. Eles estão sempre grudados uns nos outros, tanto que de longe parecem com uma árvore. Às vezes tentamos arrancar um bambu lá de dentro, cortamos e não conseguimos. Os animais mais frágeis vivem em bandos, para que desse modo se livrem dos predadores.
  • A quarta verdade que o bambu nos ensina é não criar galhos. Como tem a meta no alto e vive em moita – comunidade - o bambu não se permite criar galhos. Nós perdemos muito tempo na vida tentando proteger nossos galhos, coisas insignificantes que damos um valor inestimável. Para ganhar, é preciso perder tudo aquilo que nos impede de subirmos suavemente.
  • A quinta verdade é que o bambu é cheio de “nós” (e não de eu’s). Como ele é oco, sabe que se crescesse sem nós seria muito fraco. Os nós são os problemas e as dificuldades que superamos. Os nós são as pessoas que nos ajudam, aqueles que estão próximos e acabam sendo força nos momentos difíceis. Não devemos pedir a Deus que nos afaste dos problemas e dos sofrimentos. Eles são nossos melhores professores, se soubermos aprender com eles.
  • A sexta verdade é que o bambu é oco, vazio de si mesmo. Enquanto não nos esvaziarmos de tudo aquilo que nos preenche, que rouba nosso tempo, que tira nossa paz, não seremos felizes. Ser oco significa estar pronto para ser cheio do Espírito Santo.
  • Por fim, a sétima lição que o bambu nos dá é exactamente o título do livro: ele só cresce para o alto. Ele busca as coisas do Alto. Essa é a sua meta.
Padre Leo, Buscando coisas do alto, in 33catolico a serviço da Igreja.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Desejos finais de Alexandre Magno

  1. Que seu caixão fosse transportado pelas mãos dos médicos da época;
  2. Que fossem espalhados no caminho até seu túmulo os seus tesouros conquistados como prata, ouro e pedras preciosas;
  3. Que suas duas mãos fossem deixadas balançando no ar, fora do caixão, à vista de todos.
       Um dos seus generais, admirado com esses desejos insólitos, perguntou a ALEXANDRE quais as razões desses pedidos e ele explicou:
  1. Quero que os mais iminentes médicos carreguem meu caixão para mostrar que eles NÃO têm poder de cura perante a morte;
  2. Quero que o chão seja coberto pelos meus tesouros para que as pessoas possam ver que os bens materiais aqui conquistados, aqui permanecem;
  3. Quero que minhas mãos balancem ao vento para que as pessoas possam ver que de mãos vazias viemos e de mãos vazias partimos.

domingo, 9 de maio de 2010

O menino e o cachorrinho.

Um menino entra na lojinha de animais e pergunta o preço dos filhotes à venda.

- Entre 30 e 50 euros, respondeu o dono.

O menino puxou uns trocados do bolso e disse:

- Mas, eu só tenho 10 euros… Poderia ver os filhotes?

O dono da loja sorriu e chamou a mãe dos cachorrinhos, que veio correndo, seguida de cinco bolinhas de pêlo. Um dos cachorrinhos vinha mais atrás, com dificuldade, mancando de forma visível. O menino apontou aquele cachorrinho e perguntou:

- O que é que há com ele?

O dono da loja explicou que o veterinário o tinha examinado e descoberto que ele tinha um problema na junta do quadril e mancaria para sempre.

O menino animou-se e disse com enorme alegria no olhar:

- Esse é o cachorrinho que eu quero comprar!

O dono da loja respondeu:

- Não, você não vai comprar esse. Se quiser realmente ficar com ele, eu dou-lho de presente.

O menino emudeceu e, com os olhos marejados de lágrimas, olhou firme para o dono da loja e disse:

- Eu não quero que você mo dê. Aquele cachorrinho vale tanto quanto qualquer um dos outros e eu vou pagar tudo. Na verdade, eu dou 10 euros agora e 1 euro por mês, até completar o preço total.

Surpreso, o dono da loja contestou:

- Você não pode querer realmente comprar este cachorrinho. Ele nunca vai poder correr, pular e brincar com você e com os outros cachorrinhos.

O menino ficou muito sério e levantou lentamente a perna esquerda da calça, deixando à mostra a prótese que usava para andar… Olhou bem para o dono da loja e respondeu:

- Veja… eu também não corro muito bem e o cachorrinho vai precisar de alguém que entenda isso.

O dono da loja, assim como a gente, ficou mudo neste momento…

Chris Degaut