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quarta-feira, 21 de março de 2018

Eu não vim de Mim próprio; foi Ele que Me enviou

       Dizia Jesus aos judeus que tinham acreditado n’Ele: «Se permanecerdes na minha palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos, conhecereis a verdade e a verdade vos libertará». Eles responderam-Lhe: «Nós somos descendentes de Abraão e nunca fomos escravos de ninguém. Como é que Tu dizes: ‘Ficareis livres’?» Respondeu Jesus: «Em verdade, em verdade vos digo: Todo aquele que comete o pecado é escravo. Ora o escravo não fica para sempre em casa ; o filho é que fica para sempre. Mas se o Filho vos libertar, sereis realmente homens livres. Bem sei que sois descendentes de Abraão; mas procurais matar-Me, porque a minha palavra não entra em vós. Eu digo o que vi junto de meu Pai e vós fazeis o que ouvistes ao vosso pai». Eles disseram: «O nosso pai é Abraão». Respondeu-lhes Jesus: «Se fôsseis filhos de Abraão, faríeis as obras de Abraão. Mas procurais matar-Me, a Mim que vos disse a verdade que ouvi de Deus. Abraão não procedeu assim. Vós fazeis as obras do vosso pai». Disseram-Lhe eles: «Nós não somos filhos ilegítimos; só temos um pai, que é Deus». Respondeu-lhes Jesus: «Se Deus fosse o vosso Pai, amar-Me-íeis, porque saí de Deus e d’Ele venho. Eu não vim de Mim próprio; foi Ele que Me enviou» (Jo 8, 31-42).
       Jesus diz claramente que a exigência para sermos Seus discípulos, naquele e neste tempo: cumprir a Sua palavra, procurando viver de acordo com o essencial, do perdão à caridade. A palavra de Jesus libertar-nos-á porque nos conduzirá à Verdade que vem de Deus, que está presente em Jesus Cristo.
       Quando os judeus contestam dizendo que só têm um Pai, isto é, Abraão, Jesus diz-lhes de novo que Abraão, os Patriarcas, os Profetas prepararam o tempo messiânico e alegram-se agora pela pela do Messias na terra. Quem é descendente de Abraão, pela fé, então escuta a Palavra de Jesus Cristo.
       A missão de Jesus sustenta-se na intimidade com Deus Pai. Ele vem não em Seu próprio nome, mas em NOME de Deus, Pai, Filho e Espírito Santo. Jesus não age isoladamente. Também os Seus seguidores deverão agir não em próprio nome e solitariamente, mas em intimidade com Deus, permanecendo na Palavra de Deus. Essa será a garantia da vida nova em Cristo Jesus.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Devagar se vai ao longe… com a persistência do amor!

       Depressa e bem não há quem. Diz o povo num dos seus ditados. Ou nestoutro, devagar se vai ao longe. Séneca põe-nos de sobreaviso: todos os ventos são desfavoráveis para quem não sabe para onde vai.
       Na aprendizagem, nos relacionamentos, na vida das pessoas e das comunidades, a paciência é essencial para percorrer o caminho, por entre as dificuldades e os obstáculos. Por vezes, a forma inesperada e violenta como a vida nos surpreende pode levar-nos à desistência ou à resiliência. Desistir por certo não é uma opção para quem quer viver, para quem se quer feliz, para quem sonha e procura realizar-se como pessoa. Nem sempre é fácil. E facilmente dizemos aos outros que desistir é o caminho mais fácil. Mas se não os podemos substituir nas suas dificuldades podemos animá-los, pela presença, por uma palavra, um sorriso. E se é válido para os outros também é para nós. Resistir, insistir, recomeçar, com paciência, com amor, persistir no bem, na ligação aos outros. O “não” está certo, vamos procurar e lutar pelo sim, pela felicidade, apostando os trunfos não desistindo nem dos outros nem da vida.
       O Papa Francisco utiliza uma belíssima imagem sobre a paciência e o amor que devemos ter com os outros. “Segurar o papagaio [de papel] assemelha-se à atitude que é preciso ter perante o crescimento da pessoa: em dado momento, é preciso dar-lhe corda, porque «rabeia». Dito de outra maneira: é preciso dar-lhe tempo. Temos de saber pôr o limite no momento justo. Mas, outras vezes, temos de saber olhar para o outro lado e fazer como o pai da parábola, que deixa que o filho se vá embora e desperdice a sua fortuna, para que faça a sua própria experiência”.
       O cuidado com as pessoas, a tolerância baseada no amor e na ternura, a criatividade para deixar que o outro cresça e manifeste as suas qualidades. Dos pais para os filhos, dos educadores para os educandos, suficientemente perto para ajudar, humildes quanto baste para deixar que os próprios vão tomando a vida nas suas mãos.
       Noutra passagem o Papa Francisco utiliza outro termo curioso: “Quantas vezes, na vida, é preciso travar, não querer atingir tudo de repente! Transitar na paciência pressupõe todas essas coisas: é claudicar da pretensão de querer solucionar tudo. É preciso fazer um esforço, mas entendendo que uma pessoa não pode tudo. Há que relativizar um pouco a mística da eficácia”.
       A caridade é paciente, tudo espera, tudo suporta…

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4384, de 25 de outubro de 2016

terça-feira, 2 de setembro de 2014

EVA SCHOLOSS - A Rapariga de AUSCHWITZ

EVA SCHOLOSS, com Karen Bartlett (2014). A Rapariga de Auschwitz. Barcarena: Marcador Editora. 282 páginas.
       Meia-irmã póstuma de Anne Frank, a autora desta história de vida, Eva Schloss, conta, a partir da sua experiência pessoal e da sua família, a experiência terrível dos campos de concentração, os antecedentes e como a vida, com as marcas do sofrimento e da perda de familiares e amigos, se foi refazendo aos poucos. Os acontecimentos marcantes da infância e da juventude e a militância por uma causa, para que no presente e no futuro, a descriminação por motivos de pele, de nacionalidade, de religião, de opção de vida, não se torne no tormento que foi a guerra liderada por Hitler e pelo regime nazi, cuja Solução Final era eliminar os judeus da face da terra. Pouco a pouco os campos de concentração levaram à morte milhares de pessoas inocentes, mulheres, homens e crianças, escolhidos (quase) aleatoriamente para morrerem primeiro, ou por que eram muito novos ou muito doentes para trabalhar, ou por que levantaram a cabeça ou ousaram perguntar alguma coisa. O motivo principal e único: ser judeu.
       Eva Schloss (que viria a casar com Zvi Schloss, de quem adoptou o apelido), encontrou-se com Anne Frank em Amesterdão, na Holanda, depois de ter saído da Áustria, sua terra natal, com a família, já sob a perseguição e ameaça nazi. Viviam perto da família de Anne Frank. Não eram amigas especiais, mas encontraram-se com idades muito próximas, 15 anos, sendo a Anne um mês mais velha, embora esta, reconhece a autora, parecesse mais senhora do seu nariz. Tinham amigos comuns. As famílias viviam com a mesma esperança de viverem num jardim que os protegeria das investidas nazis. Mas a Holanda não aguentou a invasão. Escondendo-se em casa de amigos, mas uma e outra família foram traídas e entregues às autoridades.
       Anne Frank viria a morrer em Auscwitz-Birkenau, juntamente com a irmã, poucos dias antes da libertação. A mãe de Anne Frank morreu um pouco antes. Sobreviveu-lhes o pai, Otto Frank. Da parte da família de Eva, o pai e o irmão morreram, também pouco antes da libertação.
       Entretanto chega a hora a libertação, Eva cruza-se com Otto Frank, muito reservado e abatido pela morte das suas filhas. No regresso a Amesterdão voltam a encontrar-se e pouco a pouco Otto passa a ser uma visita habitual da casa. O pai de Anne Frank e a mãe de Eva compreendem-se, reconfortam-se na dor e na perda dos seus familiares. Mutti - a mãe de Eva - vai estar muito envolvida na publicação e divulgação do Diário de Anne Frank, colaborando com Otto, com quem se casa pouco depois da filha Eva se casar.
       Como apontamento da capa deste livro, a Rapariga de Austchwitz começa onde o Diário de Anne Frank termina, pois aqui a história e as vidas continuam. A autora herda a máquina fotográfica Leica com a qual Otto tirava fotos às filhas. Por um momento da sua vida dedicar-se-á à fotografia, depois às antiguidades, e finalmente, o que mudou a sua vida, dedica-se à causa de Anne Frank, contando a sua própria experiência, não tanto para desenterrar o passado mas para deste ajudar no presente e no futuro a eliminar a intolerância, as injustiças, a descriminação.
       É uma leitura envolvente desde logo por nos colocar dentro dos acontecimentos que feriram os judeus, diretamente, mas toda a civilização ocidental.
(Anne Frank; Eva Geiringer; Eva ao colo da mãe e com o irmão)
«Filhos, prometo-vos isto», disse o meu pai: «Tudo o que fazem deixa algo para trás; nada se perde. Todo o bem que praticarem continuará nas vidas das pessoas que tocaram. Fará a diferença para alguém, em algum lugar, algum dia, e os vossos atos serão continuados. Tudo está ligado como uma corrente que não pode ser quebrada» (p 13)
"Há sempre esperança... as circunstâncias da vida mudarão sempre - às vezes para melhor, outras para pior. Nada se mantém na mesma..." (p 163)
"Viver a vida num mundo ao qual todos podem «pertencer» não é um ideal altruísta aos meus olhos - tem sido sempre uma das maiores e mais perturbadoras questões da minha vida...
Comecei a minha vida na Áustria, tornei-me uma refugiada apátria, e depois vi-me reduzida a um número, dolorosamente tatuado no antebraço. Depois da guerra, os Aliados decidiram que os judeus não deveriam ser tratados como um grupo separado e que deveriam ser de novo designados como «austríacos» (curiosamente, fomos agrupados com os mesmos nazis que nos tinham perseguido e considerados «inimigos estrangeiros»). Nunca obtive a cidadania holandesa e, alguns anos mais tarde, acabei por morar em Inglaterra, onde jamais imaginei que me casaria e teria uma família...
Este livro contou-vos algumas das minhas memórias dessa época, mas as recordações deveriam ocupar um lugar menor no mundo, pois o importante é mudar as coisas para melhor" (p. 276)

domingo, 19 de janeiro de 2014

Bento XVI - a Lei natural: faz o bem, evita o mal

Venerados Irmãos no Episcopado e no Sacerdócio
Estimados Professores
Ilustres Senhoras e Senhores


       É com particular prazer que vos recebo no início dos trabalhos congressuais, que nos próximos dias vos verão comprometidos no debate sobre um tema de importância relevante para o actual momento histórico, o da lei moral natural. Agradeço a D. Rino Fisichella, Magnífico Reitor da Pontifícia Universidade Lateranense, os sentimentos expressos no discurso com que desejou introduzir este encontro.
       Não há dúvida de que nós estamos a viver um momento de desenvolvimento extraordinário na capacidade humana de decifrar as regras e as estruturas da matéria e no consequente domínio do homem sobre a natureza. Todos nós vemos as grandes vantagens deste progresso, e vemos cada vez mais também as ameaças de uma destruição da natureza pela força da nossa acção. Existe outro perigo menos visível, mas não menos preocupante: o método que nos permite conhecer cada vez mais profundamente as estruturas racionais da matéria torna-nos cada vez menos capazes de ver a fonte desta racionalidade, a Razão criadora. A capacidade de ver as leis do ser material torna-nos incapazes de ver a mensagem ética contida no ser, mensagem que a tradição denomina lex naturalis, lei moral natural. Trata-se de uma palavra que hoje para muitos é incompreensível, por causa de um conceito de natureza já não metafísico, mas somente empírico. O facto de que a natureza, o próprio ser, já não é transparente para uma mensagem moral, gera um sentido de desorientação que torna precárias e incertas as opções na vida de todos os dias. Naturalmente, a confusão atinge de modo particular as gerações mais jovens, que neste contexto devem encontrar as opções fundamentais para a sua vida.

       É precisamente à luz destas verificações que se manifesta em toda a sua urgência a necessidade de reflectir sobre o tema da lei natural e de reencontrar a sua verdade, comum a todos os homens. Tal lei, à qual se refere também o Apóstolo Paulo (cf. Rm 2, 14-15), está inscrita no coração do homem e, por conseguinte, também hoje não é simplesmente inacessível. Esta lei tem como seu princípio primordial e generalíssimo o de "fazer o bem e evitar o mal". Trata-se de uma verdade cuja evidência se impõe imediatamente a cada um. Dela brotam os outros princípios mais particulares, que regulam o juízo ético sobre os direitos e os deveres de cada um. Trata-se do princípio do respeito pela vida humana, desde a sua concepção até ao seu termo natural, pois este bem da vida não é uma propriedade do homem, mas um dom gratuito de Deus. Trata-se também do dever de buscar a verdade, pressuposto necessário de toda o verdadeiro amadurecimento da pessoa.
       Outra exigência fundamental do sujeito é a liberdade. Todavia, tendo em consideração o facto de que a liberdade humana é sempre uma liberdade compartilhada com os outros, é claro que a harmonia das liberdades só pode ser encontrada naquilo que é comum a todos: a verdade do ser humano, a mensagem fundamental do próprio ser, precisamente a lex naturalis. E como deixar de mencionar, por um lado, a exigência da justiça, que se manifesta em dar unicuique suum e, por outro, a expectativa da solidariedade, que alimenta em cada um, especialmente se estiver em dificuldade, a esperança de uma ajuda por parte daquele que teve uma sorte melhor? Nestes valores expressam-se normas inderrogáveis e inadiáveis, que não dependem da vontade do legislador e nem sequer do consenso que os Estados lhes podem conferir. Com efeito, trata-se de normas que precedem qualquer lei humana: como tais, não admitem intervenções em derrogação por parte de ninguém.

       A lei natural é a nascente de onde brotam, juntamente com os direitos fundamentais, também imperativos éticos que é necessário respeitar. Na actual ética e filosofia do Direito são amplamente difundidos os postulados do positivismo jurídico. A consequência é que a legislação se torna com frequência somente um compromisso entre diversos interesses: procura-se transformar em direitos, interesses particulares ou desejos que contrastam com os deveres derivantes da responsabilidade social. Nesta situação, é oportuno recordar que cada ordenamento jurídico, tanto a nível interno como internacional, haure em última análise a sua legitimidade da radicação na lei natural, na mensagem ética inscrita no próprio ser humano. Em definitivo, a lei natural é o único baluarte válido contra o arbítrio do poder ou os enganos da manipulação ideológica. O conhecimento desta lei inscrita no coração do homem aumenta com o progredir da consciência moral. Portanto, a primeira preocupação para todos, e particularmente para quem tem responsabilidades públicas, deveria consistir em promover o amadurecimento da consciência moral. Este é o progresso fundamental, sem o qual todos os outros progressos terminam por ser não autênticos. A lei inscrita na nossa natureza é a verdadeira garantia oferecida a cada um, para poder viver livres e ser respeitado na própria dignidade.
       O que dissemos até agora tem implicações muito concretas, se se faz referência à família, ou seja, àquela "íntima comunidade conjugal de vida e de amor... fundada e dotada de leis próprias pelo Criador" (Constituição pastoral Gaudium et spes, 48). A este propósito, o Concílio Vaticano II reiterou oportunamente que a instituição do matrimónio recebe a sua "estabilidade do ordenamento divino" e, por isso, "este vínculo sagrado, por causa do bem tanto dos esposos e da prole, como da sociedade, está fora do arbítrio humano" (Ibidem). Portanto, nenhuma lei feita pelos homens pode subverter a norma escrita pelo Criador, sem que a sociedade seja dramaticamente ferida naquilo que constitui o seu próprio fundamento basilar. Esquecê-lo significaria debilitar a família, penalizar os filhos e também tornar precário o futuro da sociedade.

       Enfim, sinto o dever de afirmar mais uma vez que nem tudo o que é cientificamente realizável é também lícito sob o ponto de vista ético. Quando reduz o ser humano a um objecto de ensaio, a técnica termina por abandonar o sujeito frágil ao arbítrio do mais forte. Confiar cegamente na técnica como a única garantia de progresso, sem oferecer ao mesmo tempo um código ético que mergulhe as suas raízes na mesma realidade que é estudada e desenvolvida, equivaleria a causar violência à natureza humana, com consequências devastadoras para todos.

       A contribuição dos homens de ciência é de importância primária. Juntamente com o progresso das nossas capacidades de domínio sobre a natureza, os cientistas devem contribuir também para nos ajudar a compreender profundamente a nossa responsabilidade pelo homem e pela natureza que lhe é confiada. Tendo isto como base, é possível desenvolver um diálogo fecundo entre crentes e não-crentes; entre filósofos, juristas e homens de ciência, que podem oferecer também ao legislador um material precioso para a vida pessoal e social. Por isso, faço votos a fim de que estes dias de estudo possam impelir não apenas a uma maior sensibilidade dos estudiosos em relação à lei natural, mas levem também a criar as condições para que, no que diz respeito a esta temática, se chegue a ter uma consciência cada vez mais plena do valor inalienável que a lex naturalis possui, para um progresso real e coerente da vida pessoal e da ordem social.

       Com estes bons votos, asseguro a minha lembrança na oração por vós e pelo vosso compromisso académico de investigação e de reflexão, enquanto concedo a todos vós a minha afectuosa Bênção Apostólica.
 
12 de fevereiro de 2007.

terça-feira, 26 de março de 2013

Busco Tus huellas Señor Jesus


A nossa tradução/adaptação:
De Ti, nasce a luz; de Ti, toda a verdade
em Ti, posso encontrar a liberdade!

Busco Teus passos Senhor Jesus
Busco palavras de eternidade
Quero encontrar essa luz sem fim
Quero encontrar a verdade.

O meu desejo é viver em Ti
Quero fazer a Tua vontade
Que mais, Senhor, posso eu querer
Se és Tu, minha liberdade.

Diz-me, Senhor, que hei-de eu fazer
P’ra iluminar toda a escuridão
Diz-me, Senhor, como conseguir
Ser uma luz de verdade.

Estou convencido que sem Teu amor
Tudo se encerra na solidão
Somos escravos de uma ilusão,
Se connosco não estás.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Verdade, liberdade, caridade

       A luz que Jesus irradia é esplendor da verdade.
       Qualquer outra verdade é apenas um fragmento da Verdade que Ele é que volta para Ele.
       Jesus é a Estrela Polar da liberdade humana: sem Ele perde a orientação, porque sem o conhecimento da verdade a liberdade perverte-se isola-se e reduz-se a estéril arbítrio. Com Ele, a liberdade reencontra-se, reconhece a sua vocação para o bem e exprime-se em ações e comportamentos caridosos.

Bento XVI (in Família Paroquial de Rio Tinto: 25/12/2011)

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Vendia o sonho da liberdade...

       "Jesus discorria sobre a liberdade poética. A liberdade de escolha, de construir caminhos, de seguir a própria consciência. Discursava sobre a gestão de pensamentos, a administração da emoção, o exercício da humildade, a capacidade de perdoar, a sabedoria de expor e não impor ideias, a experiência plena do amor pelo ser humano e por Deus.
       O Mestre da vida vivia o que dizia. Não impedia as pessoas de o abandonar, de o trair e nem mesmo de o negar. Nunca houve alguém tão desprendido e que exercitasse de tal forma a liberdade".

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Milagre da Esperança - vida de Van Thuan

LEITURAS:
André Nguyen van Chau, O milagre da esperança. Prisioneiro político, profeta da paz. Vida de Francisco Xavier Nguyen Van Thuan. Paulinas. Prior Velho 2006.
       A vida do Cardeal Van Thuan é uma história que se cruza com o sofrimento da sua família e da sua pátria. Natural do Vietname, a sua família vivia nas orlas do poder, mas rápido passou a ser perseguida. Um dos tios, Diem, é desafiado por diversas vezes para assumir o poder, como primeiro-ministro, que exerce como um serviço à sua pátria. Mas logo será morto, como outros familiares de Van Thuan.
       Viveu 13 anos em cativeiro. Bispo, mas impedido de exercer. Nomeado para Bispo Coadjutor de Saigão, com direito à sucessão, é impedido de assumir, até ao fim da vida. Prisioneiro, primeiro, e depois exilado, ainda que com a nuance que podia voltar ao Vietname. O regime comunista tudo fez para o silenciar, para o esquecer, para que as pessoas o esquecessem. Mesmo depois de o libertarem aconselham-no a tirar férias no Vaticano, a trabalhar na Santa Sé, de modo a não assumir nenhum cargo na hierarquia da Igreja vietnamita.
       Por onde passou deixou um raio de esperança, de fé, de confiança em Deus. Esta obra, em jeito de biografia, narra a sua vida, a história que o levaria ao sacerdócio e ao episcopado, os sofrimentos a que esteve sujeito no cativeiro, até se tornar Presidente do Concelho Pontifício para Justiça e Paz, e depois feito Cardeal por Papa João Paulo II.
       Nasceu em 17 de abril de 1928 e viria a falecer em 16 de setembro de 2002. Partilhamos as palavras de João Paulo II no seu funeral:
"Nos últimos dias, quando já não conseguia falar, fixava o olhar no crucifixo que tinha diante de si. Rezava em silêncio, enquanto consumava o seu último sacrifício, coroando uma vida marcada pela heróica configuração com Cristo na cruz.
Agora que o Senhor o pôs à prova, como «ouro no cadinho», e o aceitou como «oferta queimada em sacrifício» podemos afirmar com toda a verdade que «a sua esperança estava cheia de imortalidade» (cf. Sb 3, 4-5). estava cheia de Cristo, vida e ressurreição de todos os que confiam nele.
Tal como a sua vida, a morte do Cardeal Van Thuan também foi, de facto, um verdadeiro testemunho de esperança. Possa o seu legado espiritual, como a sua esperança, ser «cheio de imortalidade».
Ele deixa-nos, mas o seu exemplo permanece. A fé garante-nos que ele não morreu: apenas entrouu no dia eterno, aquele dia que não conhece ocaso".
Veja a recomendação do livro: Cinco pães e dois peixes, obra prima do Cardeal Van Thuan, AQUI.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Memória e consciência!

       É a consciência que define quem somos, como estamos, onde estamos, qual o nosso papel e quais as nossas responsabilidades e habilidades sociais. Representa o centro consciente da personalidade, representa a motivação consciente do homem actuar no mundo e de ser um agente modificador da sua história. Portanto, por ser identidade consciente do homem, o eu nunca se destrói, apenas se transforma. A única coisa que pode levar o eu à destruição é a morte ou a lesão da memória...

A memória não é livre, é automática...

       "Podemos ser livres para ir aonde quisermos, mas não somos livres para decidir o que queremos registar na nossa memória. Se viveu experiências más, elas irão depositar-se nos recantos inconscientes da memória. Se hoje passou por uma angústia, uma situação de medo, uma crise de agressividade, tenha a certeza de que tudo isso está registado na sua memória.
       Cuidar da qualidade daquilo que é registado na nossa memória é mais importante do que cuidar das nossas contas bancárias. Nestas, depositamos dinheiro; naquelas, fazemos os depósitos que financiarão a nossa riqueza emocional".
        "... As crianças têm de ter infância, têm de registar uma história de prazer, criatividade e interacção. Uma criança alegre gerará um adulto com um grande prazer de viver. Uma criança rígida gerará um adulto bloqueado, tímido, inseguro....
       "A memória de uma criança é como uma folha em branco, pronta para ser escrita, embora aos sete anos de idade uma criança já tenha milhões de experiências arquivadas...
       "A memória não pode ser apagada, extinta e nem sequer eliminada, mas sim reeditada".
     

terça-feira, 17 de abril de 2012

Van THUAN - Cinco pães e dois peixes

Francisco Xavier Nguyen Va Thuan, Cinco pães e dois peixes. Do sofrimento do cárcere, um alegre testemunho de fé. Prior Velho. Paulinas 2009.
O AUTOR:
        "Chamo-me Francisco Nguyen Van Thuan e sou vietnamita. Durante oito anos fui bispo de Nhatrang, no Centro do Vietname. Depois, Paulo VI nomeou-me arcebispo-coadjutor de Saigão. Quando os comunistas chegaram a Saigão, disseram-me que a minha nomeação era fruto de um complô e, três meses depois, prenderam-me. Foi a 15 de agosto de 1975, solenidade da Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria".

O LIVRO:
       "Liberto, após treze anos de cativeiro, quero compartilhar convosco as minhas experiências: como encontrei Jesus em cada momento da minha experiência quotidiana, no discernimento entre Deus e as suas obras, na oração, na Eucaristia, nos meus irmãos e irmãs, na Virgem Maria, oferecendo-vos deste modo, também eu, e à maneira de Jesus, cinco pães e dois peixes".

       O autor parte do Evangelho de São João (6, 5-11), do episódio em que Jesus, os discípulos e a multidão se encontram juntos, numa hora mais adiantada, aproximando-se a hora de uma refeição para se aguentarem. Diante das questões, André diz a Jesus que há um miúdo com 5 pães e 2 peixes... Jesus pega nos pães e nos peixes, reza, abençoa e distribui-os pela multidão e todos ficam saciados.
Também Van Thuan compartilha 5 pães e 2 peixes:

1.º PÃO - Viver o momento presente.
       "Se passo o meu tempo a esperar, talvez as coisas que espero não aconteçam nunca. A única coisa que certamente acontecerá é a morte". Preso a 15 de agosto de 1975, pouco depois lembra-se de fazer como São Paulo, escrever àqueles que lhe tinham confiado. Em mês e meio, escreve 1001 mensagens, em pequenos blocos de calendário que uma criança de 7 anos traz e leva para copiar. O livro - CAMINHO DE ESPERANÇA - está publicado em várias línguas: italiano, português, francês, inglês, alemão, espanhol, coreano, chinês...
       "Penso que devo viver cada dia como o último da minha vida. Deixar tudo o que é acessório, concentrar-me no essencial. Cada palavra, cada gesto, cada telefonema, cada decisão é a coisa mais bela de minha vida. Reservo a todos o meu amor, o meu sorriso; tenho medo de perder um segundo, vivendo sem sentido..."

2.º PÃO - Discernir entre Deus e as obras de Deus.
       Deus e só Deus. As obras de Deus, que fazia enquanto sacerdote e bispo, livre, podem ser confiadas a outros, por ora importa viver e alimentar do amor a Deus. Só Deus basta.

3.º PÃO - Um ponto firme, a Oração.
       "Não é assim tão simples como podeis pensar... Ali houve dias em que, reduzido ao maior cansaço, à doença, não consegui rezar uma única oração!"

4.º PÃO - Minha única força, a Eucaristia.
       "Nunca poderei exprimir a minha grande alegria: todos os dias, com três gotas de vinho e uma gota de água na palma da mão, celebro a minha Missa... Fabricávamos saquinhos com o papel dos maços de cigarros, para conservar o Santíssimo Sacramento. Jesus eucarístico estava sempre comigo no bolso da camisa... Até budistas e outros não cristãos se converteram. A força do amor de Jesus é irresistível. A obscuridade do cárcere ilumina-se, a semente germinou da terra durante a tempestade... celebro missa todos os dias às três horas da tarde: a hora de Jesus agonizante na cruz... são as mais belas missas da minha vida... À noite, entre as 21 e 22 horas, faço uma hora de adoração, canto..."

5.º PÃO - Amar até à unidade, o Testamento de Jesus.
       "... só o amor cristão pode mudar os corações, nem as armas, nem as ameaças, nem os media.
       ...O maior erro é não reparar que os outros são também Cristo. Há pessoas que só vão descobrir isso no último dia... A caridade não tem fronteiras. Se há fronteiras não existe mais caridade".

Primeiro PEIXE - Maria Imaculada, meu primeiro amor.
       Preso a 15 de agosto, solenidade da Assunção de Nossa Senhora. A estudar em Roma, desloca-se a França e na gruta de Nossa Senhora de Lurdes, ressoam nos seus ouvidos as palavras de Nossa Senhora a santa Bernardette: "não te prometo alegrias e consolações nesta terra, mas provações e sofrimentos"... Até ao dia em que foi preso, experimentou alegrias e consolações, as provações e sofrimentos vieram com a prisão e com o isolamento.
       "Mãe, se vês que já não poderei ser útil à Igreja, concede-me a graça de terminar a minha vida na prisão. Mas se tu, ao invés, sabes que poderei ainda ser útil à tua Igreja, concede-me sair da prisão no dia de uma festa tua". Foi libertado no dia 21 de novembro de 1988, mais de treze anos depois de ter sido feito prisioneiro. Era a Festa da Apresentação de Nossa Senhora. "Para mim, Maria é como um Evangelho vivo, maneiro, de grande difusão, mais acessível que a vida dos santos".

Segundo PEIXE - Escolhi Jesus.
       "Se vivermos vinte e quatro horas radicalmente por Jesus, seremos santos. São vinte e quatro estrelas que iluminam o teu caminho...:
  1. Queres fazer uma renovação: renovar o mundo... dia após dia, prepara um novo Pentecostes no lugar onde vives.
  2. Empenha-te numa campanha que tem por objetivo: tornar todos felizes.
  3. Mantém-te fiel ao ideal do apóstolo: dar a vida pelos irmãos.
  4. Grita um único slogan: «Todos um». Unidade.
  5. Tu acreditas numa única força: a Eucaristia.
  6. Veste um único uniforme e fala uma única língua: a caridade. A caridade é sinal de que tu és discípulo do Senhor.
  7. Atém-te firmemente a um único princípio orientador: a oração.
  8. Observa uma única regra: o Evangelho.
  9. Segue lealmente um único chefe: Jesus Cristo e os seus representantes: o Santo Padre, os bispos, sucessores dos Apóstolos.
  10. Cultiva um amor especial por Maria.
  11. A tua única sabedoria será a ciência da cruz. Olha para a cruz e encontrarás a solução para todos os problemas que te assaltam. Se a cruz é o critério sobre o qual baseias as tuas escolhas e as tuas decisões, a tua alma estará em paz. Na prisão fez uma tosca cruz e madeira e com um fio elétrico, que solicitou a um guarda, fez pequenos aros, para formar um fio, onde colocou a CRUZ, que passou a ser a sua cruz peitoral, mesmo depois de sair do cativeiro, foi-lhe acrescentado o revestimento em metal...
  12. Conserva um único ideal: estar voltado para Deus pai, um Pai que é todo amor.
  13. Há um único mal que tu deves temer: o pecado.
  14. Cultiva um único desejo: «Venha o Teu Reino. Seja feita a Tua vontade assim na terra como no Céu» (Mt 6,10).
  15. Falta-te uma única coisa: «Vai, vende o que tens, e dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no Céu; depois, vem e segue-Me» (Mc 10,21).
  16. No teu apostolado, usa o único método eficaz: o contacto pessoal. Com ele, entra na vida dos outros, aprendendo a compreendê-los a amá-los.. coração a coração!
  17. Há uma única coisa verdadeiramente importante: «Maria escolheu a melhor parte», quando se sentou aos pés do Senhor (cf. Lc 10, 41-42).
  18. O teu único alimento: «A vontade do pai» (Jo 4, 34). É com ela que deves viver e crescer, fazendo as tuas ações proceder da vontade de Deus. Ela é como um alimento que te faz viver, tornando-te mais forte e mais feliz. Se vives afastado da vontade de Deus, morrerás.
  19. Para ti, o momento mais belo é o momento presente (cf. Mt 6, 34; Tg 4, 13-15). Vive-o plenamente no amor a Deus.
  20. Tens uma «magna carta»: as bem-aventuranças (Mt 5, 3-12).
  21. Há um único objetivo importante: o teu dever. Não importa se é pequeno ou grande, porque tu colaboras na obra do Pai celeste.
  22. Há uma única maneira de nos tornarmos santos: pela graça de Deus e pela tua vontade (cf. 1Cor 15, 10). Deus nunca deixará que te falte a Sua graça: mas a tua vontade é bastante forte?
  23. Uma só recompensa: o próprio DEUS.
  24. Tu tens uma Pátria. Ajuda a tua pátria com toda a tua alma. Sê fiel a ela. Defende-a com o teu corpo e com o teu sangue. Constrói-a com o teu coração e a tua mente. Partilha a alegria dos teus irmãos e a tristeza do teu povo.
       Este livrinho, pequeno mas intenso, integram uma coleção das Paulinas, horizontes de Luz, da qual recomendamos também outras leituras já realizadas em dias anteriores:
  • Enzo Bianchi, Jesus de Nazaré. Paixão, morte e ressurreição. Prior Velho 2011.
  • Raniero Cantalamessa, Páscoa. Uma passagem para aquilo que não passa. Prior Velho 2006.
  • Bruno Forte, As quatro noites da salvação. Prior Velho 2009.
       Acrescente-se ainda que D. Van Thuan morreu, em Roma, em 16 de setembro de 2002. Passados  5 anos da sua morte, foi iniciado o processo de beatificação, para o reconhecimento público e oficial da Igreja acerca das suas virtudes heróicas.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Do sucesso e da vida...

"O sucesso não é ser-se continuamente feliz, mas construir a felicidade com as coisas simples da vida. O Mestre dos Mestres da escola da vida, Jesus, apesar de ser Alguém poderoso e famoso, ainda arranjava tempo para contemplar atenta e embevecidamente os lírios do campo".

Todos somos aprendizes da vida!

       "Não há gigantes no território da emoção. Todos somos aprendizes na escola da vida, quer sejamos psiquiatras quer sejamos pacientes. Se o eu aprender a intervir com lucidez, crítica e determinação nos pensamentos e emoções tensas e negativas, ele pode geri-los, controlá-los e, consequentemente, reescrevê-los".

terça-feira, 3 de abril de 2012

Limpar a sujidade da alma...

       "Se ficarmos a gravitar em torno dos nossos fracassos, continuaremos a ser fracassados. Se gravitarmos em torno das nossas frustrações, derrotas e faltas, continuaremos frustrados, angustiados, insatisfeitos e, o que é pior, não mudaremos os pilares das nossas vidas...
       Limpamos a sujidade do mundo físico, mas não a sujidade da alma. se quisermos ser pessoas doentes, o melhor caminho é não intervir nos pensamentos negativos e nas angústias que produzimos no íntimo de nossos seres. Contudo, se desejamos ser livres, precisamos de aprender a trabalhar os nossos pensamentos, a superar as nossas dores e proteger as nossas emoções perante as turbulências da vida..."

sexta-feira, 30 de março de 2012

... perder o prazer de viver...

       A espécie humana é a única que mata pelo prazer de matar sem qualquer necessidade; que se aprisiona, embora ame desesperadamente a liberdade; que se droga, embora deteste a prisão da emoção. É a única espécie cujos membros podem perder o prazer de viver e desistir da sua própria vida.

quinta-feira, 15 de março de 2012

O destino do homem é PENSAR!

       "Quem consegue interromper a construção de pensamentos? Só aquele que está morto. É impossível interrompê-la. A própria tentativa de interrupção já é pensamento. Pensamos nos sonhos, enquanto dormimos, pensamos acordados, quando estamos a trabalhar, a andar, a conduzir o carro.
       Pensar é o destino do homem. Às vezes, pensamos tanto que fazemos grandes viagens sem sair do lugar. Em algumas situações, ficamos aborrecidos connosco próprios, pois não ouvimos nada do que as pessoas nos disseram. Por vezes temos de fazer uma «ginástica mental» para elas não perceberem que estávamos a viajar no mundo das ideias...
       Como é que passa a maior parte do seu tempo? A pensar. Grande parte das nossas angústias, distracções, sonhos, dúvidas, expectativas, não é motivada directamente pelos estímulos externos, mas pelo conjunto de pensamentos que diariamente produzimos.
       O mundo das ideias (...) é a maior fonte de prazer natural ou a maior fonte de terror humano. Se as ideias que produzimos nos estimulam a ter sonhos, metas, ideais, projectos, certamente nos induzirão ao prazer, mas se forem negativas, derrotistas e ligadas a doenças, morte, acidentes, então levar-nos-ão à angústia e ao humor deprimido".

sexta-feira, 9 de março de 2012

Destruir a memória seria destruir a consciência

       "Os arquivos da memória contêm o tecido das nossas experiências conscientes e inconscientes. Tais arquivos nunca podem ser destruídos, a não ser involuntariamente, por meio de um temor cerebral, um traumatismo craniano ou uma degeneração das células nervosas, como na doença de Alzheimer. destruir estes arquivos significa destruir a nossa consciência, eliminar a nossa identidade...
       Isso produziria a morte da identidade. Deixaríamos de saber quem somos, como estamos e onde estamos. Tornar-nos-íamos animais irracionais, pois não teríamos mais consciência da existência... seria conspirar contra a própria liberdade, pois sem a memória não poderíamos produzir pensamentos e tomar decisões. Portanto, Ele protegeu a memória contra ataques do eu, contra possíveis crises que o homem atravessa. Apagar a memória é impossível, só é possível reeditá-la.