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sexta-feira, 31 de outubro de 2014

GISELDA ADORNATO: PAULO VI - BIOGRAFIA

GISELDA ADORNATO (2014). Paulo VI. Biografia. A história, a herança, a santidade. Lisboa: Paulus Editora. 296 páginas.
       Surpreendente. Um retrato muito completo de um Papa que trouxe a Igreja para a atualidade, no meio de grandes provações, na procura de a manter fiel ao Evangelho da Verdade e da Caridade, tornando-a próxima do nosso tempo, da cultura e da ciência, apostando na evangelização, no compromisso missionário, aberta ao mundo, promovendo o ecumenismo e o diálogo com outras religiões e outras sensibilidades.
       A recente beatificação de Paulo VI, no passado dia 19 de outubro, no encerramento da III Assembelia Extraordinária do Sínodo dos Bispos (instituído por Paulo VI no prosseguimento do Vaticano II) e dedicada à família, tema amplamente refletido por ele que lhe trouxe muitos dissabores nomeadamente com a publicação da Exortação Apostólica Humanae Vitae, que suscitou as mais variadas reações, algumas de violento ataque ao papado e à Igreja, e que mesmo dentro da Igreja suscitou oposição e rutura.
       O pontificado de Paulo VI transformou a Igreja, ainda que tenha ficado marcado por vários episódios de tormento e provação. Depois da morte do bom Papa João XXIII, o Cardeal Montini, depois de um tempo de fervor pastoral na maior Diocese do mundo, Milão, regressa a uma casa que conhece bem, no serviço aos seus antecessores, nomeadamente Pio XII. Regressa como Papa, escolhendo o nome de Paulo, sublinhando desde logo a missionaridade da Igreja. 1963, o concílio está a meio e com a morte do Papa saltam as dúvidas se continuará e terá um desfecho. Logo Paulo VI retomará as sessões do Concílio, com uma intervenção muito interventiva, procurando pontes, não cedendo a pressões, com visões muitas vezes antagónicas entre os chamados conservadores e os progressistas. Paulo VI procura que uns e outros dialoguem, e se aproximem da verdade que é Jesus Cristo.
       Com Paulo VI iniciam-se as Viagens Apostólicas do Papa a diversos países do mundo: Israel, EUA, Portugal, Índia, Colómbia, Uganda... e um intenso trabalho apostólico de diálogo com os Ortodoxos, com as diversas confissões cristãs, mas também o diálogo interreligioso, com judeus e muçulmanos, mas também com outras culturas religiosas, encontro com o Dalai Lama.
(Paulo VI com João Paulo II, Dom Hélder da Câmara, com Madre Teresa de Calcutá, com João XXIII)

       Para quem viveu e cresceu com a figura de João Paulo II, de depois Bento XVI, e agora Francisco, os Papas anteriores são uma memória longínqua que nos é recordada de tempos a tempos. No entanto, com o reconhecimento da heroicidade das virtudes de Paulo VI, em 20 de dezembro de 2012, pela mão de Bento XVI e agora a beatificação, pelas mãos de Francisco, tornou-se urgente redescobrir esta figura iminente da Igreja.
       Tantas foram as vicissitudes que atravessaram a Igreja no século XX. Num tempo de grande transformação, a Igreja contou, no Papado, com figuras extraordinárias, pela inteligência, pela cultura, pela bondade, pela fé. Alguns dos Papas foram entretanto canonizados: Pio X, João XXIII, João Paulo II, e beatificado Paulo VI, mas decorre também o processo de beatificação de Pio XII aberto ainda por Paulo VI.
(Paulo VI com a Irmã Lúcia, com João Paulo I, com Bento XVI, com João Paulo II)

       Curiosa, nesta biografia, a grande proximidade de Paulo VI com os Predecessores mas também com os Sucessores. Trabalhou diretamente, na Cúria Romana, com Pio XI, Bento XV, Pio XII.

       João XXIII criou-o Cardeal, em 15 de dezembro de 1958. Por sua vez, Paulo VI cria Cardeal dois dos seus Sucessores, o futuro João Paulo II e Bento XVI.
       As intervenções de Paulo VI encontram eco alargado, pela clareza, pela insistência, pela frontalidade, pela humildade. Alguns temas são problemáticos e geram tensões. Ficará conhecido sobretudo pela Humanae Vitae, mas o seu magistério é muito mais abrangente, com a reforma litúrgica, a implantação do Concílio, a intervenção e compromisso social, o diálogo com a cultura e com a ciência, a aproximação aos jovens, a colegialidade dos Bispos em comunhão com o Papa, o ecumenismo, o diálogo interreligioso, as conferências episcopais, o dia Mundial da Paz, as viagens apostólicas, a intervenção na ONU, peregrino de Fátima, a internacionalização da Cúria Romana, e a reforma da mesma, o Ano da Fé (1968) e o Ano Santo (1975), acentuando precisamente a fé, a reconciliação, a centralidade de Jesus Cristo. As dissensões com os Bispos Holandeses, com Lefebrve, o beijar da terra em Milão, o beijar o pés a Melitone, metripolita de Calcedónia, estreitando os laços com a Igreja Luterana. A abertura da Igreja às mulheres e aos leigos. A Ação Católica.

       Nasceu a 26 de setembro de 1987, em Bréscia, e faleceu a 6  de agosto de 1978, em Castel Gandolfo. Formado em Filosofia, Direito Canónico e em Direito Civil. Durante a Segunda Guerra Mundial é o chefe do Serviço de Informações do Vaticano e repsonsável por procurar soldados e civis presioneiros ou dispersos. A 1 de novembro de 1954, é eleito por Pio XII para Arcebispo de Milão, é ordenado a 12 de dezembro do mesmo ano, no Vaticano. A 15 de dezembro de 1958, é feito Cardeal. É eleito Papa a 21 de junho de 1963. A 8 de dezembro de 1965 encerra o Concílio Ecuménico Vaticano II.
       Em 21 de novembro de 1964, Consagra Nossa Senhora com o Título de Mãe da Igreja, isto é, Mãe de todo o Povo de Deus.
       Em 24 de dezembro de 1964, proclama São Bento como Padroeiro principal da Europa.
       Em 1971, atribui o prémio da Paz João XXIII a Madre Teresa de Calcutá.
       Morre "velho e cansado", mas com esperança na Igreja, conduzida por Cristo, o verdadeiro timoneiro. Alguns meses passa por mais uma grande provação: o rapto (16 de março de 1978) e morte do estadista democrata cristão Aldo Moro, cujo funeral se realiza na Basílica de São João de Latrão, a 13 de maio. Depois a aprovação da Lei do Divórcio, em Itália, no seu último ano de vida assiste ainda à entrada em vigor da Lei do Aborto. Morre às 21h40 de 6 de agosto de 1978.

       O futuro Papa João XXIII sobre Montini quando este vai para Arcebispo de Milão: "E agora, onde poderemos encontrar alguém que saiba redigir uma carta, um documento como ele sabia?"

       João XXIII, em Carta ao Arcebispo de Milão: "Deveria escrever a todos: bispos, arcebispos e cardeais do mundo [...]. Mas para pensar em todos contento-me de escrever ao arcebispo de Milão, porque nele levo-os a todos no coração, tal como diante de mim ele a todos representa".

       Montini-Paulo VI sobre João XXIII: "Que Ele fosse bom, sim, que fosse indiferente, não. Como ele se atinha à doutrina, como temia os perigos, etc. [...] Não foi um transigente, não foi um atraído por opiniões erradas. [...] O seu diálogo não foi bondade renunciatória e pacífica..."

       Em 27 de junho de 1977, nomeia Cardeal Joseph Ratzinger, arcebispo de Mónaco e Frisinga. Sobre o futuro Bento XVI:
"Damos atestado desta fidelidade também a V. Eminência, cardeal Ratzinger, cujo alto magistério teológico em prestigiosas cátedras universitárias da Sua Alemanha e em numerosas e válidas publicações fez ver como a investigação teológica - na via maestra da fides quarens intellectum - não possa e não deva nunca andar separada da profunda, livre a criadora adesão ao Magistério que autenticamente interpreta e proclama a Palavra de Deus...".
       Sobre JOÃO PAULO II... Paulo VI nomeia-o Arcebispo de Cracóvia em 1964 e Cardeal em 1967. Recebeu-o pessoalmente 20 vezes e outras quatro com o Cardeal Wyszynski ou outros bispos polacos. Pedir-lhe-á para orientar os exercícios Quaresmais de 1976. 
       João Paulo II sobre Paulo VI: "Paulo VI trazia no seu coração a luz do Tabor, e com essa luz caminhou até ao fim, levando com alegria evangélica a sua cruz".

       Os os Bispos da América Latina que tomaram a iniciativa de promover o processo de Paulo VI para ser elevado aos altares. Por aqui se pode tirar um fio de ligação ao Papa Francisco...

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Pe. Tolentino Mendonça - O Hipopótamo de Deus

José TOLENTINO MENDONÇA. O Hipopótamo de Deus. Quando as perguntas que trazemos valem mais o que as respostas provisórias que encontramos. Paulinas Editora, 320 páginas.
       Mais um extraordinário livro que agrega várias reflexões de Tolentino de Mendonça, com a idiossincrasia bem portuguesa, madeirense, cristão, poeta. Em cada texto um olhar de esperança, de desassossêgo, de provocação, de desafio, numa prosa bem poética como nos tem habituado nas suas publicações e/ou intervenções. Uma linguagem simples, familiar, tocando realidades distintas, cultura, religião, fé e fado, raízes madeirenses, e raízes do poeta, família, vida e morte e sofrimento, pintura, literatura e religião, música, economia, imperfeição, Fátima, e o silêncio de Deus, Advento, Natal e Páscoa, Outono e Inverno, Verão e Primavera e as diferentes idades do ser humano, a vocação, ser padre e ser poeta, a cruz e a bondade, filosofia e filósofos...
       Desde logo a justificação do título deste conjunto de escritos, que acompanha a publicitação do livro:
"Um dos passos mais belos da Bíblia tem a ver com um hipopótamo. E não é propriamente um divertimento teológico, pois surge numa obra que explora muito seriamente a experiência do Mal. Falo do Livro de Job, claro. O que primeiro nos surge ali é o protesto de Job contra o Mal que se abate inexplicavelmente sobre a sua história, protesto que se estende até Deus. Mas depois vem o momento em que Deus se propõe interrogá-lo. E, nesse diálogo, desenvolve-se um raciocínio que não pode ser mais desconcertante. Job só consegue pensar nas suas dores e nos porquês com os quais, inutilmente, esgrime. Deus, porém, desafia-o a olhar de frente para… um hipopótamo. O método de Deus neste singular encontro com Job é abrir a medida do seu olhar, rasgá-lo imensamente a tudo o que é grande, a tudo o que não tem resposta, mostrando-lhe que se o Mal é um enigma que nos cala, o Bem é um mistério ainda maior".
       Muitas reflexões oportunas. Lido em diferentes ocasiões podem haver um texto que chame mais atenção. Curioso o título e o texto: Onde é a nossa casa?
       "Acho que foi Alberto Camus que disse que a questão mais premente do nosso tempo é cada homem descobrir onde é a sua casa... Dia a dia há uma rota que voltamos a trilhar sem especiais hesitações, entre a fadiga e a esperança, cruzando as paredes do tempo: esse é o caminho para a nossa casa. Cada um cumpre, mesmo sem especial reflexão, trajetórias e rituais que são seus: a estrada que escolhe para regressar (sempre a mesma, sempre a mudar...); a forma familiar que tem diariamente de rodar a chave; o modo (mais lento, mais repentino) de abrir para o que ali habita; aquela fração de segundo, absolutamente impressiva, antes da primeira palavra, em que a casa inteira parece que vem ao nosso encontro, ofegante ou em puro repouso...
       ... cada pessoa tem o irrecusável dever de descobrir-se, vivendo com paixão e sabedoria a construção de si, esse processo que, por definição, está em aberto e que ao longo da existência se vai efetivando. NÓS SOMOS A NOSSA CASA. E poder dizer isso, com simplicidade e verdade, equivale a perpetuar aquilo que Albert Camus também escreveu: «no meio de um inverno, finalmente aprendi que havia dentro de mim um verão invencível» (pp 141-142).

Dois lugares para visitar acerca deste livro:

(que publicou alguns dos textos agora coligidos,
por exemplo o que partilhamos aqui: "Onde é a nossa casa?".

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Faltam +/- 350 dias para viver 2014!

       A obra-prima de Eça de Queirós, Os Maias, de 1888, é um romance que enquadra a situação histórico-social de Portugal daquele tempo. O final, um misto de esperança e de resignação.
       “– Lá vem um «americano», ainda o apanhamos.
       – Ainda o apanhamos!
       Os dois amigos lançaram o passo… Outro esforço:
       – Ainda o apanhamos!
       – Ainda o apanhamos!”.
       Cada ano traz consigo propósitos e projetos novos. Há pessoas que alteram mesmo a sua atitude face à vida. Um certo jeito de sermos portugueses e por vezes vamos adiando, à espera que outros façam ou que o tempo componha. E depois é demasiado tarde. Poderíamos ter feito alguma coisa?
       Faltam mais ou menos 350 dias para o ano terminar. Fechamos os olhos e quando voltarmos a abri-los estaremos no fim de 2014. Antes do último fôlego há que viver, aqui e agora, já, como se estivéssemos no fim.
       Ao correr da pena…
       Olha para os problemas que tens pela frente. Faz uma lista do que não convém adiar. Pede ajuda a quem sabes que te vai ajudar. Vê o que é verdadeiramente importante para ti, na relação com os outros, e no teu trabalho, vê o que tem futuro e no qual valerá a pena investir. Não permitas que algo secundário atrapalhe ou destrua uma amizade verdadeira. Vou chamar alguém a atenção? Primeiro penso se é importante o reparo, e só então o farei.
       Valoriza as tuas capacidades. Acolhe os bem que vem dos outros. Alegra-te pelas pequenas coisas da vida. Não esperes pelo ideal.
       Dos problemas, o que é mais urgente resolver? O que posso resolver só por mim? O que é que me aflige? Se é um problema e posso resolver, deixa de o ser logo que o resolvo. Se não o posso resolver, pois não depende de mim, para quê preocupar-me? O que não tem remédio, remediado está. Nenhum medo destrua a nossa esperança.
       Enquadra as dificuldades, não transformes uma dificuldade num obstáculo. “Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo…” (Fernando Pessoa). Se a visão é limitada pela árvore que tenho à frente, distancio-me para ver que há outra paisagem. Não queiras que tudo seja terra firme. Caminha. Lembras-te quando os apóstolos estão no alto mar, e do medo que os atemoriza? (cf. Mt 14, 22-33). Jesus vem em auxílio. Não tenhamos medo de caminhar sobre a água, Se Ele vai connosco. Não esperemos as condições mais favoráveis. Muitos projetos ficam por concretizar à espera das condições ideais.
       Cada dia que passa é menos um dia que temos para viver ou é mais um dia que vivemos bem?
 
Texto publicado no Jornal Diocesano, Voz de Lamego, n.º 4247, de 14 de janeiro de 2014

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Haruki Murakami: as pessoas estão sempre a morrer

       "...a vida do ser humano é breve, e muito mais frágil do que se imagina. As pessoas estão sempre e a morrer. Por isso, devemos tratar os outros de forma a não dar azo a grandes arrependimentos. De maneira justa e, se possível, com a máxima sinceridade. Eu, pessoalmente, não aprecio aqueles que não se esforçam quando têm oportunidade para isso e depois ficam a chorar baba e ranho e a torcer as mãos pelos cantos, cheios de remorsos, quando morre alguém".

Haruki Murakami, Dança, Dança, Dança. Casa das Letras, Cruz Quebrada: 2008.

domingo, 23 de junho de 2013

Papa Francisco - experiência da oração

Experiência de orar...

       "...uma experiência de claudicação, de entrega, onde todo o nosso ser entre na presença de Deus. É aí que se dará o diálogo, a escuta, a transformação. Olhar para Deus, mas sobretudo sentir-se olhado por Ele. Por vezes, a experiência religiosa acontece na oração, no meu caso, quando rezo oralmente o terço ou os salmos. Ou quando vivo mais a experiência religiosa é no momento em que me ponho, com tempo indefinido, diante do sacrário. Às vezes, adormeço sentado, deixando-me olhar. Sinto como se estivesse nas mãos de outro, como se Deus me estivesse a pegar na mão. Acho que há que chegar à alteridade transcendente do Senhor, que é o Senhor de tudo, mas que respeita sempre a nossa liberdade".

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Papa Francisco - dor e ressentimento

       "...a dor, que é também outra chaga, é em campo aberto. O ressentimento é como uma casa ocupada, onde vive muita gente amontoada que não tem céu. Ao passo que a dor é como uma casa de campo, onde também há muita gente amontoada, mas onde se vê o céu. Por outras palavras, a dor está aberta à oração, à ternura, à companhia de um amigo, a mil coisas que nos dignificam. Isto é, a dor é uma situação mais saudável. Assim mo dita a experiência...

       "Perdoar faz sempre bem...
       "O amor é o que mais me aproxima de Deus. O perdão aproxima-nos, na medida em que é um ato de amor".

Papa Francisco - o perdão e justiça

       "... é necessário bendizermos o passado com o arrependimento, o perdão e a reparação. O perdão tem de estar unido às outras duas atitudes. Se alguém me faz alguma coisa, tenho de perdoar-lhe, mas o perdão chega ao outro quando ele se arrepende e repara. Uma pessoa não pode dizer: «Perdoo-te e é como se nada tivesse ocorrido». O que teria acontecido no julgamento de Nuremberga, se se tivesse adotado esta atitude com os chefes nazis?...
       Tenho de estar disposto a conceder o perdão, e este só se torna efetivo quando o destinarário o pode receber. E pode recebê-lo quando está arrependido e quer reparar o que fez. Caso contrário, o perdoado ficaria - usando termos futebolísticos - fora de jogo. Uma coisa é dar o perdão e outra, ter a capacidade de o receber".

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Papa Francisco - prática do diálogo e do amor

       "Um verdadeiro crescimento na consciência da humanidade não pode basear-se noutra coisa senão na prática do diálogo e do amor. Diálogo e amor pressupõem o reconhecimento do outro como outro, a aceitação da diversidade. Só assim se pode fundar o valor da comunidade: não pretendendo que o outro se subordine aos meus critérios e prioridades, não «absorvendo» o outro, mas sim reconhecendo como valioso o que o outro é, e celebrando essa diversidade que nos enriquece a todos. O contrário é simples narcisismo, imperialismo, pura estupidez.
       Isto também pode ser lido na direção inversa: como posso dialogar como posso amar, como posso construir algo comum, se deixo diluir-se, perder-se, desaparecer o que seria o meu contributo?"

Papa Francisco - a cultura do encontro

Cultura do encontro humano...
       "Uma cultura que pressupõe, como ponto central, que o outro tem muito para me dar. Que tenho de ir ao seu encontro numa atitude de abertura e escuta, sem preconceitos, isto é, sem pensar que pelo facto de ele ter ideias contrárias às minhas, ou ser ateu, não me pode trazer nada. Não é assim. Toda a pessoa pode dar-nos alguma coisa e toda a pessoa pode receber alguma coisa de nós. O preconceito é como um muro que impede que nos encontremos..."

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Papa Francisco - o católico paga impostos

"... eu declaro-me católico, mas não pago os impostos. Ou engano o meu cônjuge. Ou não presto a devida atenção aos meus filhos. Ou tenho o meu pai ou a minha mãe «pendurados» num lar, como um sobretudo num roupeiro durante o verão, com a bolsinha de neftalina, e nunca os visito. Ou faço fraude: «arranjo» uma balança ou um taxímetro para que marque mais. Convivo, enfim,  com a burla não só ao Estado ou à minha família, como a mim próprio...

In SERGIO RUBIN e FRANCESCA AMBROGETTI, Papa Francisco. Conversas com Jorge Bergoglio.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Papa Francisco - uma Igreja acidentada ou doente

       "É fundamental que os católicos – tanto os clérigos como os leigos – saiamos ao encontro das pessoas. Uma vez dizia-me um sacerdote muito sábio que estamos diante de uma situação totalmente oposta à da parábola do pastor, que tinha noventa e nova ovelhas no curral e foi procurar a ovelha perdida; nós temos uma no curral e noventa e nove que não vamos buscar...

       Creio sinceramente que a opção básica da Igreja, na atualidade, não é diminuir ou retirar prescrições ou tornar mais fácil isto ou aquilo, mas é sair para a rua a conhecer as pessoas, conhecê-las pelo seu nome. E não só porque esta é a sua missão, sair a anunciar o Evangelho, como também porque o não o fazer se torna nocivo.
       A uma Igreja que se limita a administrar o trabalho paroquial, que vive encerrada na sua comunidade, acontece-lhe o mesmo que a uma pessoa fechada: atrofia-se física e mentalmente. Ou se deteriora-se como um quarto fechado, onde o mofo e a humidade se expandem. A uma Igreja auto-referencial acontece-lhe o mesmo que a uma pessoa auto-referencial: fica paranóicas, autista. É verdade que, se uma pessoa sair para a rua, lhe pode acontecer o mesmo que a qualquer pessoa: ter um acidente. Mas prefiro mil vezes uma Igreja acidentada a uma Igreja doente. Por outras palavras, acho que uma Igreja que se reduz ao administrativo, a conservar o seu pequeno rebanho, é uma Igreja que, a longo prazo, adoece. O pastor que se encerra não é um autêntico pastor de ovelhas, mas um «penteador» de ovelhas, que passa o tempo a fazer-lhes caracolinhos, em vez de ir procurar as outras...
       Um pastor é alguém que sai ao encontro das pessoas"

In SERGIO RUBIN e FRANCESCA AMBROGETTI,
Papa Francisco. Conversas com Jorge Bergoglio.

domingo, 16 de junho de 2013

Papa Francisco - não é bom católico procurar o negativo

       Não é de bom católico estar à procura só do negativo, do que nos separa. Não é isso o que Jesus quer. Isso não só espanta e mutila a mensagem, como implica não assumir as coisas, e Cristo assumiu tudo. E só é redimido o que se assume. Se não assumirmos que na sociedade há pessoas com critérios diferentes e até contrários aos que nós temos, e não os respeitarmos, não rezarmos por eles, nunca iremos redimi-los no nosso coração. Não devemos permitir que as ideologias sejam donas a moral.

In SERGIO RUBIN e FRANCESCA AMBROGETTI, Papa Francisco. Conversas com Jorge Bergoglio.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Papa Francisco - o perdão do coração

       "A atitude que Deus nos pede: o perdão do coração. O perdão significa que não cobro aquilo que me fizeste, que já passou para o balanço de perdas e ganhos. Talvez não me vá esquecer, mas não vou cobrar. Isto é, não alimento o rancor...
       Passar uma esponja, não. Mais uma vez não é possível esquecer. De qualquer modo, vou acalmando o meu coração e pedindo a Deus que perdoe quem me ofendeu. Ora bem: é muito difícil perdoar sem a referência a Deus, porque só se tem capacidade de perdoar quando contamos com a experiência de ter sido perdoados. E, geralmente, essa experiência temo-la com Deus. Mas só quem teve de pedir perdão, pelo menos uma vez, é que é capaz de dar. Para mim há três palavras que definem as pessoas e constituem um compêndio de virtudes e que são: com licença, obrigado e perdão. A pessoa que não sabe pedir licença atropela, vai em frente com a sua, sem se importar com os outros, como se os outros não existissem. Em contrapartida, quem pede licença é mais humilde, mais social, mais integrador...
       ... há pessoas que acham que não têm de pedir perdão por nada. Estas são vítimas do pior dos pecados: a soberba. E insisto: só quem teve a necessidade de pedir perdão e teve a experiência do perdão é que consegue perdoar. Por isso, aos que não dizem estas três palavras falta-lhes algo na sua existência. Foram podados antes do tempo, ou mal podados pela vida...

In SERGIO RUBIN e FRANCESCA AMBROGETTI, Papa Francisco. Conversas com Jorge Bergoglio.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Papa Francisco - a cultura do naufrágio e educação

"... Para educar é preciso ter em conta duas realidades: o quadro de segurança e a zona de risco. Não se pode educar apenas com base em quadros de segurança, nem apenas com base em zonas de risco; tem de haver uma proporção, não digo equilíbrio. Uma pessoa começa a caminhar quando nota o que lhe falta, porque se não lhe faltar qualquer coisa não caminha...
CULTURA do NAUFRÁGIO
"... porque o náufrago enfrenta o desafio de sobreviver com criatividade. Ou espera que o venham resgatar ou ele dá início ao seu próprio resgate. Na ilha onde chega, tem de começar a construir uma palhota, para a qual pode utilizar as tábuas do barco afundado e, também elementos novos que encontra no lugar. O desafio de assumir o passado, ainda que já não flutue, e de utilizar as ferramentas que o presente oferece, tendo em vista o futuro.

In SERGIO RUBIN e FRANCESCA AMBROGETTI, Papa Francisco. Conversas com Jorge Bergoglio.

domingo, 12 de maio de 2013

Papa Francisco - CREDO de Bergoglio

«Quero crer em Deus Pai, que me ama como filho, e em Jesus, o Senhor, que me infundiu o seu Espírito na minha vida, para me fazer sorrir e levar-me assim ao reino eterno da vida.
Creio na minha história que foi trespassada pelo olhar amoroso de Deus e, num dia de Primavera, 21 de Setembro, saiu ao meu encontro para me convidar a segui-lo.
Creio na minha dor, infecunda pelo egoísmo, onde me refúgio.
Creio na mesquinhez da minha alma, que procura engolir sem dar… sem dar.
Creio em que os outros são bons, e que devo amá-los sem temor, e sem trai-los nunca à procura de segurança para mim.
Creio na vida religiosa.
Creio que quero amar muito.
Creio na morte quotidiana, ardente, de que fujo, mas que me sorri convidando-me a aceitá-la.
Creio na paciência de Deus, acolhedora, boa como uma noite de Verão.
Creio que o meu papá está no Céu junto do Senhor.
Creio que o padre Duarte também lá está intercedendo pelo meu sacerdócio.
Creio em Maria, a minha mãe, que me ama e nunca me deixará só.
E espero a surpresa de cada dia na qual se manifestará o amor, a força, a traição e o pecado, que me acompanharão até ao encontro definitivo com esse rosto maravilhoso que não sei como é, de que me desvio continuamente, mas que quero conhecer e amar.
Ámen.»

In S. RUBIN e F. AMBROGETTI, Papa Francisco. Conversas com Jorge Bergoglio.

Conversas com Jorge Bergoglio - Papa Francisco

SERGIO RUBIN e FRANCESCA AMBROGETTI, Papa Francisco. Conversas com Jorge Bergoglio, Paulinas Editora. Prior Velho 2013, 216 páginas.
 
       A eleição de Jorge Mario Bergoglio foi uma surpresa e uma bênção. Embora tivesse sido um dos nomes mais votados no conclave que elegeu Bento XVI, a comunicação social, sobretudo esta, apontava noutro sentido, ainda que o seu nome também fosse referenciado. Uma bênção pelos gestos, pelas palavras e também pela surpresa. A escolha ponderada e amadurecida dos Cardeais contrasta com o imediatismo com que uma eleição papal é discutida.
       Com um papel preponderante na América Latina, e como Bispo de Buenos Aires, na Argentina, o então Cardeal Jorge Bergoglio era quase desconhecido por estas bandas, a não ser em ambientes mais eclesiásticos e mais centrais.
       Havia, por isso, de buscar toda a informação possível sobre o novo Papa, o que disse, o que escreveu, o que fez.
       O livro que agora sugerimos mostra, desde logo, que um Papa não cai do Céu, em para-quedas, o que vem de cima corresponde à essência do pensamento e do ministério de Bergoglio. Este livro é disso exemplo, as grandes intuições estão na entrevista concedida aos dois jornalistas, Rubin, argentino, e Ambrogetti, italiana.
       O título original - O Jesuíta. Tinha em conta precisamente a sua pertença à Companhia de Jesus. A entrevista faz lembrar a dos Seus predecessores: "Atravessar o Limiar da Esperança", a João Paulo II, e "O Sal da Terra", ao então Cardeal Ratzinger, procurando que através de múltiplas perguntas venha ao de cima o pensamento e o sentir dos entrevistados, sobre as grandes questões da humanidade, da fé, do tempo presente.
       Ao ler-se o livro fica-se com a clara sensação que não saímos defraudados com a respostas diretas, simples, eivadas de fé e de esperança, com desafios concretos ao compromisso de todos na construção do mundo, e em concreto, pois essa era a realidade do seu compromisso pastoral, a construção da Argentina, como pátria e não apenas como país ou nação, pátria que acolhe dos pais melhorando, com o contributo de todos e cada um, para legar às gerações futuras, um mundo mais fraterno, mais solidário.
       São variados os temas - o trabalho, a oração, a fé, as convulsões sociais da argentina e do mundo, a resposta à crise, crise económica e crise de valores, o celibato dos padres, os abusos sexuais, a dor e o sofrimento, o combate à pobreza e o compromisso com os mais frágeis, os idosos, as crianças, os doentes, a coerência de vida.
       Cada dia que passa somos confrontados com a profundidade e autenticidade das palavras e dos gestos do Papa Francisco. Não são de agora, são de um compromisso diário ao longo de anos. Lendo o livro, com mente aberta, facilmente verificamos que não surpreende assim tanto a sua maneira de estar na vida e na missão. Não se chega a Papa de qualquer maneira. É um longo caminho, parte do qual nos é revelado nesta obra/entrevista ao então Cardeal Jorge Bergoglio.
       Há sempre um ponto de contacto importante entre os grandes sábios e os santos. Lembro agora Bento XVI. Numa comparação imediata com João Paulo II levou tempo para as pessoas perceberem a sua humildade profunda, que espelhava uma vida inteira dedicada à Palavra de Deus e de fidelidade a Jesus Cristo e à Igreja. Por outro lado, sobrevém, nos sábios e nos santos, e é comum a Bento XVI e a Francisco, uma enorme clareza de pensamento, em linguagem muito acessível, simples, sem rodeios, diretos, com o recurso frequente a imagens, comparações, histórias de vida, experiências variadas. Neste aspeto, são muito mais parecidos do que se pode pensar ou se faz crer, respeitando, no entanto, a identidade de cada um, o percurso, o carisma.

Para ler algumas passagens desta entrevista
pode consultar o nosso blogue: AQUI ou em outros locais:  AQUI.
Veja-se também a resenha apresentada pela Livraria Fundamentos: AQUI.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Papa Francisco - Transitar em paciência

TRANSITAR EM PACIÊNCIA:

       "É um tema do qual me fui apercebendo, durante anos, ao ler um livro de um autor italiano, com um título muito sugestivo: Teologia del fallimento, ou seja, teologia do fracasso, onde se expõe como Jesus entrou em paciência. Na experiência do limite, no diálogo com o limite, forja-se a paciência. Às vezes, a vida leva-nos não a «fazer», mas sim a «padecer», suportando, sustentando as nossas limitações e as dos outros. Transitar a paciência é apercebermo-nos de que o que amadurece é o tempo. Transitar em paciência é deixar que o tempo paute e amasse as nossas vidas".
       "Transitar em paciência implica aceitar que a vida é isso: uma aprendizagem contínua. Quando uma pessoa é nova, julga que pode mudar o mundo; e isso está certo, tem de ser assim. Mas, depois, quando procura, descobre a lógica da paciência na própria vida e na dos outros. Transitar em paciência é assumir o tempo e deixar que os outros façam a sua vida. Um bom pai, tal como uma boa mãe, é aquele que vai intervindo na vida do filho o suficiente para lhe marcar as pautas de crescimento, para o ajudar, mas que depois sabe ser espetador dos fracassos próprios e alheios, e os supera".

       "... segurar o papagaio [de papel] assemelha-se à atitude que é preciso ter perante o crescimento da pessoa: em dado momento, é preciso dar-lhe corda, porque «rabeia». Dito de outra maneira: é preciso dar-lhe tempo. Temos de saber pôr o limite no momento justo. Mas, outras vezes, temos de saber olhar para o outro lado e fazer como o pai da parábola, que deixa que o filho se vá embora e desperdice a sua fortuna, para que faça a sua própria experiência"

       "Quantas vezes, na vida, é preciso travar, não querer atingir tudo de repente! Transitar na paciência pressupõe todas essas coisas: é claudicar da pretensão de querer solucionar tudo. É preciso fazer um esforço, mas entendendo que uma pessoa não pode tudo. Há que relativizar um pouco a mística da eficácia".

In SERGIO RUBIN e FRANCESCA AMBROGETTI, Papa Francisco. Conversas com Jorge Bergoglio.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Papa Francisco - sobre a DOR

       "A dor não é uma virtude em si mesma, mas o modo como é assumida pode ser virtuoso. A nossa vocação é a plenitude e a felicidade, e, nessa busca, a dor é um limite. Por isso, o sentido da dor só é entendido plenamente através da dor de Deus feito Cristo...
       Por isso, a solução passa por entender a Cruz como semente de ressurreição. Toda a tentativa de suportar a dor obterá resultados parciais, se não for fundamentada na transcendência. É uma dádiva entender e viver a dor em plenitude. Mais ainda: viver em plenitude é uma dádiva...
       Tanto a dor física como a espiritual puxam para dentro, onde ninguém pode entrar; implicam uma dose de solidão. Do que a pessoa precisa é de saber que alguém a acompanha, que gosta dela, que respeita o seu silêncio e reza para que Deus entre nesse espaço que é pura solidão".

       "A dor é algo que está ligado à fecundidade. Atenção! Não é uma atitude masoquista, mas sim aceitar que a vida nos marca limites".

In SERGIO RUBIN e FRANCESCA AMBROGETTI, Papa Francisco. Conversas com Jorge Bergoglio, Paulinas Editora. Prior Velho 2013

terça-feira, 7 de maio de 2013

Papa Francisco - o trabalho e o desemprego

- Certamente, a longo da sua vida sacerdotal, muita gente desempregada o deve ter procurado. Qual a sua experiência?
       É gente que não se sente pessoa. É que, por mais que as suas famílias e os seus amigos os ajudem, querem trabalhar, querem ganhar o pão com o suor do seu rosto. É que, em última instância, o trabalho unge a dignidade a pessoa. A unção de dignidade não é dada pelos antepassados, nem pela formação familiar, nem pela educação. A dignidade, enquanto tal, só vem pelo trabalho. Comemos o que ganhamos, mantemos a nossa família com o que ganhamos. Não interessa se é muito ou pouco. Se é mais, melhor. Podemos ter uma fortuna, mas se não trabalharmos, a dignidade vai-se abaixo.

- A pior parte fica com os que querem trabalhar e não podem.

       O que acontece é que o desempregado, nas suas horas de solidão, sente-se infeliz, porque «não ganha a vida». Por isso, é muito importante que os governos dos diferentes países, através dos ministérios competentes, fomentem uma cultura do trabalho, e não da dádiva. É verdade que em momentos de crise há que recorrer à dádiva para sair da emergência (...). Mas depois é preciso ir fomentando fontes de trabalho porque, e não me canso de o repetir, o trabalho outorga dignidade.

- Na outra ponta está o problema do excesso de trabalho... Será necessário recuperar o sentido do ócio?

       O seu sentido mais recto. O ócio tem duas aceções: como desocupação e como gratificação. Dizendo de outra maneira: uma pessoa que trabalha deve ter tempo para descansar, para estar em família, para ter prazer, ler, ouvir música, praticar um desporto. Mas isto está a ser destruído, em boa medida, com a supressão do descanso dominical. Há cada vez mais pessoas a trabalhar aos domingos, consequência da competitividade introduzida pela sociedade de consumo. Nesses casos vamos para outro extremo: o trabalho acaba por desumanizar. Quando o trabalho não dá lugar ao ócio saudável, ao repouso reparador, então escraviza, porque uma pessoa já não trabalha pela dignidade, mas sim pela competitividade. Está viciada a intenção pela qual estou a trabalhar...
       A Igreja sempre disse que a chave da questão social é o trabalho. O homem trabalhador é o centro. Hoje, em muitos casos, isto não é assim. Facilmente se é despedido, se não render como previsto. Passa a ser uma coisa, não é tido em conta como pessoa... Não nos esqueçamos que uma das principais causas do suicídio é o fracasso laboral no âmbito de uma competitividade feroz. Por isso, não se pode olhar para o trabalho apenas pelo lado funcional. O centro não é o lucro, nem o capital. O homem não é para o trabalho, mas sim o trabalho para o homem.

In SERGIO RUBIN e FRANCESCA AMBROGETTI, Papa Francisco. Conversas com Jorge Bergoglio, Paulinas Editora. Prior Velho 2013

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

D. ANTÓNIO COUTO - Estação de Natal

D. ANTÓNIO COUTO, Estação de Natal. Paulus Editora, Apelação 2012.

       Quando se aproxima o tempo do Advento, para preparar a celebração do Natal, a Paulus Editora dá à estampa “Estação de Natal”, apresentando pequenos textos, “pedaços de poesia e prosa poética” sobre o Natal, enquadrando a história, as figuras principais, Jesus, Nossa Senhora, São José, São João Batista.
       Vejamos a apresentação da obra:

“Neste Natal vai até Belém / Vence o mal com o bem / Na tua história / Entrará o Rei da glória / Não deixes ir embora / O único rei que não reina desde fora.

       Integram este livrinho três partes: a primeira, intitulada «Natal», tem naturalmente sabor natalício direto. São Pedaços de poesia e prosa poética, tudo embrulhado em papel Bíblia; a segunda, intitulada «Tempo do Advento», traz-nos luzes bíblicas que preparam o lume vivo e cristalino do Natal; a terceira, intitulada «Maria, Natal, Família, Paz, Epifania», acende luzes, também bíblicas, litúrgicas e celebrativas, indispensáveis à iluminação interior da maravilhosa estação do Natal.
       Algumas notas históricas, culturais e arqueológicas, disseminadas ao longo destas páginas, trazem-nos o sabor do céu, sem termos de tirar os pés da terra”.

       D. António Couto, nas suas reflexões tem-nos habituado a um leitura fácil dos acontecimentos da Bíblia e da vida. Este livrinho é mais um exemplo concreto, como é possível dizer bem de forma acessível para todos. Com as reflexões aqui propostas poder-se-á fazer uma preparação mais consciente dos domingos do Advento, Natal e até à Epifania, Imaculada Conceição, Sagrada Família, Santa Maria, Mãe de Deus.