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quarta-feira, 5 de setembro de 2018

SANTA TERESA DE CALCUTÁ, Religiosa

       Madre Teresa de Calcutá nasceu a 26 de agosto de 1910, em Skopje, na Albânia, no seio de uma família muito crente. O nome de batismo é Gonxhe Agnes (Inês) Bojaxhiu.
       Com 18 anos foi para a Irlanda, tornando-se irmã de Nossa Senhora do Loreto, em Dublin, escolhendo então o nome religioso como homenagem a Santa Teresa de Lisieux.
       Em 1928 foi para a Índia, a fim de ensinar (geografia e religião) no colégio de St. Mary, em Entally, Calcutá, tornando-se Diretora.
       Em 1946, sente a "vocação dentro da vocação", para sair ao encontro dos mais pobres dos pobres, daqueles que ninguém quer. Pouco depois solicita ao Vaticano autorização para fundar uma nova Congregação, as Missionárias da Caridade (1951). Seguem-na antigas alunas. Começa a usar um simples sari de algodão branco com um bordado azul e muda-se para um subúrbio de barracas de Calcutá para ensinar e prestar cuidados básicos.
       Em 1952, a descoberta de uma mulher em agonia numa estrada leva-a a pressionar as autoridades da cidade para conseguir um velho edifício para acolher e tratar com dignidade os moribundos, quando os hospitais já não os querem. Seguem-se as casas para os órfãos, leprosos, doentes mentais, mães solteiras, doentes de sida.
       Em 1979, recebe o Prémio Nobel da Paz. No seu discurso de aceitação, a irmã religiosa de 1,54 metros de altura choca o seu auditório ao denunciar o aborto como “a maior força de destruição da paz hoje (…), uma morte direta pela própria mãe”.
       Madre Teresa morreu a 5 de Setembro de 1997, na casa-mãe da sua congregação em Calcutá, onde repousa num túmulo que as irmãs decoram todos os dias com uma palavra escrita com pétalas de flores. Até à sua morte entregar-se-á inteiramente a Jesus Cristo no cuidado dos mais desfavorecidos. 
       Foi beatificada por João Paulo II em 19 de outubro de 2003.
      Foi canonizada por Francisco em 4 de setembro de 2016.

       Algumas expressões sintomáticas de Santa Teresa de Calcutá:
"Pela minha missão, pertenço a todo o mundo, mas o meu coração pertence a Jesus Cristo... Quando olhamos para a cruz, compreendemos a grandeza do Seu amor. Quando olhamos para a manjedoira compreendemos a ternura do Seu amor por ti e por mim, pela tua família e por cada família... Nunca estejais tristes. Sorri, pelo menos, cinco vezes por dia. Basta um sorriso, um bom-dia, um gesto de amizade. Fazei pequenas coisas com grande amor... Muitos de vós, antes de partir, vão pedir-me autógrafos. Seria melhor que vos aproximasses de um pobre e, através dele, pudésseis encontrar o autógrafo de Cristo"
«Reza como se tudo dependesse de Deus e age como se tudo dependesse de ti... A verdadeira santidade consiste em fazer a vontade de Deus com um sorriso... É fácil sorrir às pessoas que estão fora da nossa casa. É fácil cuidar das pessoas que não se conhecem bem. É difícil ser sempre solícito e delicado e sorridente e cheio de amor em casa, com os familiares, dia após dia, especialmente quando estamos cansados e irritados. Todos nós temos momentos como estes e é precisamente então que Cristo vem ter connosco vestido de sofrimento»
«Eu sou um lápis nas mãos de Deus. Ele usa-me para escrever o que quer... Demo-nos conta que o que fazemos é apenas uma gota no oceano. Mas sem essa gota, faltaria alguma coisa no oceano. Sejamos capazes de amar uma só pessoa de cada vez, de servir uma pessoa de cada vez... Jesus é o meu tudo. A minha plenitude».
“Para mim, as nações que legalizaram o aborto são as nações mais pobres, têm medo de uma criança não nascida e a criança tem que morrer”. 
“Em todo mundo se comprova uma angústia terrível, uma espantosa fome de amor. Levemos, portanto, a oração para as nossas famílias, levemos a oração para as nossas crianças, ensinemos-lhes a rezar. Pois uma criança que ora, é uma criança feliz. Família que reza é uma família unida”
“Amai-vos uns aos outros, como Jesus ama a cada um de vós. Não tenho nada que acrescentar à mensagem que Jesus nos transmitiu. Para poder amar, é preciso ter um coração puro e é preciso rezar. O fruto da oração é o aprofundamento da fé. O fruto da fé é o amor. E o fruto do amor é o serviço ao próximo. Isso nos conduz à paz”.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

VL – Santa Mãe dos Pobres

       Madre Teresa de Calcutá nasceu a 26 de agosto de 1910, em Skopje, na Albânia. O nome de batismo é Agnes (Inês). Com 18 anos foi para a Irlanda, tornando-se irmã de Loreto. Em 1928 foi para a Índia, a fim de ensinar (geografia e religião) no colégio de St. Mary, em Entally, Calcutá. Em 1946, sente a "vocação dentro da vocação", para sair ao encontro dos mais pobres dos pobres, daqueles que ninguém quer. Pouco depois solicita ao Vaticano autorização para fundar uma nova Congregação, as Irmãs da Caridade. Até à sua morte entregar-se-á inteiramente a Jesus Cristo no cuidado dos mais desfavorecidos.
       Beatificada por João Paulo II em 19 de outubro de 2003.
       Canonizada por Francisco em 4 de setembro de 2016.
       Partindo de Cristo… "Pela minha missão, pertenço a todo o mundo, mas o meu coração pertence a Jesus Cristo... Quando olhamos para a cruz, compreendemos a grandeza do Seu amor. Quando olhamos para a manjedoira compreendemos a ternura do Seu amor por ti e por mim, pela tua família e por cada família... Nunca estejais tristes. Sorri, pelo menos, cinco vezes por dia. Basta um sorriso, um bom-dia, um gesto de amizade. Fazei pequenas coisas com grande amor... Muitos de vós, antes de partir, vão pedir-me autógrafos. Seria melhor que vos aproximasses de um pobre e, através dele, pudésseis encontrar o autógrafo de Cristo".
       Na oração e na intimidade com Deus, a ousadia para servir os enjeitados deste mundo. «Reza como se tudo dependesse de Deus e age como se tudo dependesse de ti... A verdadeira santidade consiste em fazer a vontade de Deus com um sorriso... É fácil sorrir às pessoas que estão fora da nossa casa. É fácil cuidar das pessoas que não se conhecem bem. É difícil ser sempre solícito e delicado e sorridente e cheio de amor em casa, com os familiares, dia após dia, especialmente quando estamos cansados e irritados. Todos nós temos momentos como estes e é precisamente então que Cristo vem ter connosco vestido de sofrimento».
       O mundo precisa de Deus. E precisa de nós para levarmos Deus aos mais pobres. «Eu sou um lápis nas mãos de Deus. Ele usa-me para escrever o que quer... Demo-nos conta que o que fazemos é apenas uma gota no oceano. Mas sem essa gota, faltaria alguma coisa no oceano. Sejamos capazes de amar uma só pessoa de cada vez, de servir uma pessoa de cada vez... Jesus é o meu tudo. A minha plenitude».

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4377, de 6 de setembro de 2016

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Maria Teresa Gonzalez - Um Lápis chamado Teresa

MARIA TERESA MAIA GONZALEZ (2016). Um lápis chamado Teresa. Prior Velho: Paulinas Editora. 72 páginas.
       Há livros pequenos em tamanho que são enormes pelo conteúdo e pelas marcas que podem deixar impressas, pelos desafios que nos lançam.
       É conhecida a afirmação da Santa Teresa de Calcutá sobre o trabalho a favor dos mais pobres dos pobres: Sou um lápis nas mãos de Deus. A Madre Teresa de Calcutá não se deixava engrandecer, mas remetia o louvor para Deus, pois é Ele que chama, que envia, dá força, compromete. Cuidar das feridas de alguém maltratado, abandonado, excluído, é cuidar das feridas de Jesus. O que fizerdes ao mais pequeno dos meus irmãos é a Mim que o fazeis.
       A autora torna fácil a biografia de Madre Teresa de Calcutá. Sentando-se como aluna nas cadeiras da escola, no quarto ano de escolaridade, quando a professora Maria do Carmo nos pediu para fazer um trabalho «se eu fosse...» A narradora relata que escreveu "Se eu fosse um lápis". O diálogo com a tia vai permitir-lhe conhecer a frase de Madre Teresa de Calcutá - Sou um lápis nas mãos de Deus. Três anos depois, na época em que está a escrever, a autora faz outro trabalho, agora específico sobre a Mãe dos Pobres.
       O professor de Português pediu uma mini-biografia sobre uma personagem importante e, de preferência, que tivesse o mesmo nome ou de um familiar. Como Teresa será sobre Teresa de Calcutá que a narradora fará o seu trabalho, surpreendo os outros, mas surpreendendo-se, pois no final, verifica que talvez os santos não estejam muito na moda... o mais importante talvez não seja a nota do trabalho, mas identificar-se com a biografada.
       A linguagem do livro é própria de um adolescente, mas cuidada, para ressalvar o realmente importante. No final do livro algumas frases conhecidas de Madre Teresa de Calcutá:
"Precisamos de dizer aos pobres que são alguém para nós. Que também eles foram criados pela mão de Deus, para amarem e serem amados"
"Todas as nossas palavras serão inúteis se não brotarem do fundo do coração. As palavras que não dão luz aumentam a escuridão"
"Façam algo de belo para Jesus (...) Desprendam-se dos vossos bens e do vosso tempo. Deem até doer"
"Não estamos no mundo apenas para existir. Não estamos só de passagem. A cada um de nós foi dada a capacidade de fazer algo maravilhoso!"
"Trabalhai por Jesus e Jesus trabalhará convosco".
"Jesus espera-nos sempre em silêncio. Escuta-nos em silêncio e no silêncio fala às nossas almas. No silêncio é-nos dado poder escutar a sua voz"
A vida é uma oportunidade, agarra-a.
A vida é beleza, admira-a.
A vida é felicidade, saboreia-a.
A vida é um sonho, faz dele uma realidade.
A vida é um desafio, enfrenta-o.
A vida é um dever, cumpre-o.
A vida é um jogo, joga-o.
A vida é preciosa, cuida dela.
A vida é uma riqueza, conserva-a.
A vida é amor, aprecia-o.
A vida é um mistério, penetra-o.
A vida é promessa, cumpre-a.
A vida é tristeza, vence-a.
A vida é um hino, canta-o.
A vida é um combate, aceita-o.
A vida é aventura, arrisca-a.
A vida é alegria, merece-a.
A vida é vida, defende-a.

domingo, 4 de setembro de 2016

Homilia de Francisco na Canonização de Madre Teresa

Praça de São Pedro - 4 de setembro de 2016
JUBILEU DOS OPERADORES E DOS VOLUNTÁRIOS DA MISERICÓRDIA


«Qual o homem que conhece os desígnios de Deus?» (Sab 9,13). Esta interrogação do Livro da Sabedoria, que escutamos na primeira leitura, apresenta-nos a nossa vida como um mistério, cuja chave de interpretação não está em nossa posse. Os protagonistas da história são sempre dois: Deus de um lado e os homens do outro. A nossa missão é perceber a chamada de Deus e aceitar a sua vontade. Mas para aceitá-la sem hesitar, perguntemo-nos: qual é a vontade de Deus na minha vida?

No mesmo trecho do texto sapiencial encontramos a resposta: «Os homens foram instruídos no que é do Vosso agrado» (v 18). Para verificar a chamada de Deus, devemos perguntar-nos e entender o que Lhe agrada. Muitas vezes, os profetas anunciam o que é agradável ao Senhor. A sua mensagem encontra uma síntese maravilhosa na expressão: «Misericórdia quero, e não sacrifício» (Os 6,6; Mt 9,13). Para Deus todas as obras de misericórdia são agradáveis, porque no irmão que ajudamos, reconhecemos o rosto de Deus que ninguém pode ver (cf. Jo 1,18). E todas as vezes em que nos inclinamos às necessidades dos irmãos, dêmos de comer e beber a Jesus; vestimos, apoiamos e visitamos o Filho de Deus (cf. Mt 25,40). Em definitiva, tocamos a carne de Cristo.

Estamos chamados a por em prática o que pedimos na oração e professamos na fé. Não existe alternativa para a caridade: quem se põe ao serviço dos irmãos, embora não o saibamos, são aqueles que amam a Deus (cf. 1 Jo 3,16-18; Tg 2,14-18). A vida cristã, no entanto, não é uma simples ajuda oferecida nos momentos de necessidade. Se assim fosse, certamente seria um belo sentimento de solidariedade humana, que provoca um benefício imediato, mas seria estéril, porque careceria de raízes. O compromisso que o Senhor pede, pelo contrário, é o de uma vocação para a caridade com que cada discípulo de Cristo põe ao seu serviço a própria vida, para crescer no amor todos os dias.
Escutamos no Evangelho que «seguiam com Jesus grandes multidões» (Lc 14,25). Hoje, a “grande multidão” é representada pelo vasto mundo do voluntariado, aqui reunido por ocasião do Jubileu da Misericórdia. Sois aquela multidão que segue o Mestre, e que torna visível o seu amor concreto por cada pessoa. Repito-vos as palavras do apóstolo Paulo: «Tive grande alegria e consolação por causa do teu amor fraterno, pois reconfortaste os corações dos santos» (Flm 7). Quantos corações os voluntários confortam! Quantas mãos apoiam; quantas lágrimas enxugam; quanto amor é derramado no serviço escondido, humilde e desinteressado! Este serviço louvável dá voz à fé – dá voz a fé! - e manifesta a misericórdia do Pai que se faz próximo daqueles que passam por necessidade.

Seguir Jesus é um compromisso sério e ao mesmo tempo alegre; exige radicalidade e coragem para reconhecer o divino Mestre no mais pobre e descartado da vida e colocar-se ao seu serviço. Para isso, os voluntários que servem os últimos e necessitados por amor de Jesus não esperam nenhum agradecimento ou gratificação, mas renunciam tudo isso porque encontraram o amor verdadeiro. E cada um pode dizer: “Como o Senhor veio até mim e se inclinou sobre mim na hora da necessidade, assim vou ao seu encontro e me inclino sobre aqueles que perderam a fé ou vivem como se Deus não existisse, sobre os jovens sem valores e ideais, sobre as famílias em crise, sobre os enfermos e os prisioneiros, sobre os refugiados e imigrantes, sobre os fracos e desamparados no corpo e no espírito, sobre os menores abandonados à própria sorte, bem como sobre os idosos deixados sozinhos. Onde quer que haja uma mão estendida pedindo ajuda para levantar-se, ali deve estar a nossa presença e a presença da Igreja, que apoia e dá esperança”. E fazê-lo com a memória viva da mão do Senhor estendida sobre mim quando eu estava por terra.
Madre Teresa, ao longo de toda a sua existência, foi uma dispensadora generosa da misericórdia divina, fazendo-se disponível a todos, através do acolhimento e da defesa da vida humana, dos nascituros e daqueles abandonados e descartados. Comprometeu-se na defesa da vida, proclamando incessantemente que «quem ainda não nasceu é o mais fraco, o menor, o mais miserável». Inclinou-se sobre as pessoas indefesas, deixadas moribundas à beira da estrada, reconhecendo a dignidade que Deus lhes dera; fez ouvir a sua voz aos poderosos da terra, para que reconhecessem a sua culpa diante dos crimes - diante dos crimes!- da pobreza criada por eles mesmos. A misericórdia foi para ela o “sal”, que dava sabor a todas as suas obras, e a luz que iluminava a escuridão de todos aqueles que nem sequer tinham mais lágrimas para chorar pela sua pobreza e sofrimento.

A sua missão nas periferias das cidades e nas periferias existenciais permanece nos nossos dias como um testemunho eloquente da proximidade de Deus junto dos mais pobres entre os pobres. Hoje entrego a todo o mundo do voluntariado esta figura emblemática de mulher e de consagrada: que ela seja o vosso modelo de santidade! Parece-me que, talvez, teremos um pouco de dificuldade de chamá-la de Santa Teresa: a sua santidade é tão próxima de nós, tão tenra e fecunda, que espontaneamente continuaremos a chamá-la de “Madre Teresa”. Que esta incansável agente de misericórdia nos ajude a entender mais e mais que o nosso único critério de ação é o amor gratuito, livre de qualquer ideologia e de qualquer vínculo e que é derramado sobre todos sem distinção de língua, cultura, raça ou religião. Madre Teresa gostava de dizer: «Talvez não fale a língua deles, mas posso sorrir». Levemos no coração o seu sorriso e o ofereçamos a quem encontremos no nosso caminho, especialmente àqueles que sofrem. Assim abriremos horizontes de alegria e de esperança numa humanidade tão desesperançada e necessitada de compreensão e ternura.

sábado, 3 de setembro de 2016

XXIII Domingo do Tempo Comum - ano C - 4/09/2016

       1 – Preferência e seguimento, humildade e despojamento. A vocação primeira do cristão é seguir Jesus. Segui-l'O amando-O antes e acima de tudo. Quanto mais próximos de Deus mais disponíveis para amarmos e servirmos os irmãos. Quanto menos tempo tivermos para Deus menor a disponibilidade para cuidarmos dos outros, com alegria e prontidão.
       A atualidade deixa-nos ansiosos e preocupados, como Marta, amiga de Jesus. Tantas são as tarefas e tão urgentes que deixamos de ter tempo para o essencial: a vida, os amigos, a família, a qualidade na relação com os outros. Para que os laços se fortaleçam precisamos de convívio, de paciência, de persistência, de tempo. Podemos sempre dizer que mais importante que a duração do tempo é a qualidade do mesmo. De certa maneira. Se temos uma agenda muito preenchida que, pelo menos, estejamos totalmente naqueles instantes que dispomos com os outros. Mas que não seja uma desculpa ou justificação para nos distrairmos da família, dos amigos ou da vida.
       A vivência do domingo, tradicionalmente dia de descanso, era uma belíssima oportunidade para promover o encontro social, cultural, religioso, familiar. O trabalho é muito importante, como realização pessoal-profissional, como ganha-pão, como transformação da sociedade e do mundo, como supressão de carências. Mas o trabalho não é tudo. É um drama para quem não tem acesso a um trabalho digno e uma condigna remuneração. Mas também é dramático quando o trabalho justifica as chatices com a família, o afastamento crónico dos filhos, a indisponibilidade para os amigos. O trabalho é para nos aproximar e nos ajudar a crescer, não é um passatempo para nos distrair das dificuldades ou dos problemas.
       2 – Quando precisares de ajuda, pede a quem está ocupado, porque arranjará sempre tempo. Não peças colaboração a quem não tem nada que fazer (por opção), pois não estará disponível. Neste sentido, também a prioridade dada a Deus não nos indisponibiliza para os outros.
       Há uma grande multidão que segue Jesus. A motivação de cada pessoa poderá ser diferente: curiosidade, à procura de um sentido para a vida, para ver um milagre, por arrastamento... Alguns regressarão a casa transformados, prontos a mudar a vida pessoal, familiar, profissional e a maneira de se relacionarem com Deus – um Amigo e não um Ser Terrível – e com os outros, em quem se pode encontrar Deus.
       O Evangelho é para todos. Se, por vezes, Jesus se dirige especificamente a uma pessoa ou a um grupo, é para que todos ouçamos. Jesus volta-se, também nós, e diz: «Se alguém vem ter comigo, e não Me preferir ao pai, à mãe, à esposa, aos filhos, aos irmãos, às irmãs e até à própria vida, não pode ser meu discípulo. Quem não toma a sua cruz para Me seguir, não pode ser meu discípulo... quem de entre vós não renunciar a todos os seus bens, não pode ser meu discípulo».
       Optar não é excluir, mas dar preferência ao que realmente importa. Em todo o caso, a vida é feita de escolhas que, por sua vez, implicam renúncias, sacrifícios, gastando prevalentemente as energias e a vida na opção que fizemos. Quando não se escolhe, também se escolhe não escolher ou deixar que outros escolham ou que a vida se encarregue de nos arrastar. Assim sendo, é melhor sermos atores da nossa história que meros espectadores à espera que os outros realizem a vida por nós.
       Se decidimos ser cristãos, ajamos como cristãos, procurando agrafar a nossa vida à vida de Jesus e, como Ele, transparecer a misericórdia do Pai em tudo o que dissermos e fizermos. Não há cristãos a meio tempo ou quando dá jeito. Há cristãos por inteiro, mesmo que por vezes sobrevenha em nós a fragilidade, a limitação e o pecado. Mas maior que o nosso pecado é a misericórdia de Deus.
       3 – Neste domingo, 9 anos depois da sua morte (5 de setembro de 1997), é canonizada a Madre Teresa de Calcutá, cujo testemunho de vida transparece a entrega total a Jesus Cristo, que se refletiu no serviço aos mais pobres dos pobres. A mulher franzina, com uma coragem intrépida na luta pelos desvalidos da sociedade. Nasceu a 26 de agosto de 1910, em Skopje, na Albânia. O nome de batismo é Agnes (Inês) Ganxhe Bojaxhui. Com 18 anos vai para a Irlanda, onde se torna irmã de Loreto, cuja Ordem envia missionárias sobretudo para a Índia. Em 1928 vai finalmente para a Índia, com a missão, como as companheiras, de ensinar (geografia e religião) no colégio de St. Mary, em Entally, Calcutá, de que se tornará Diretora. Em 1946, sente a "vocação dentro da vocação", para sair ao encontro dos mais pobres dos pobres, daqueles que ninguém quer. Cerca de 2 anos depois solicita ao Vaticano a autorização para deixar a Ordem de Loreto e fundar uma nova Congregação, as Irmãs da Caridade. Até à sua morte não cessará de se entregar a Jesus Cristo no cuidado das pessoas mais desfavorecidas. Em 19 de outubro de 2003 foi beatificada por João Paulo II. Já em vida é considerada santa…
       Madre Teresa sintoniza-nos com o Evangelho: "Pela minha missão, pertenço a todo o mundo, mas o meu coração pertence a Jesus Cristo... Quando olhamos para a cruz, compreendemos a grandeza do Seu amor. Quando olhamos para a manjedoira compreendemos a ternura do Seu amor por ti e por mim, pela tua família e por cada família... Nunca estejais tristes. Sorri, pelo menos, cinco vezes por dia. Basta um sorriso, um bom-dia, um gesto de amizade. Fazei pequenas coisas com grande amor... Muitos de vós, antes de partir, vão pedir-me autógrafos. Seria melhor que vos aproximasses de um pobre e, através dele, pudésseis encontrar o autógrafo de Cristo".
       A sua entrega foi total. Não olhou nunca para trás, ainda que com dificuldades e trevas. Na oração e na intimidade com Deus forjou a coragem e a ousadia para servir os enjeitados deste mundo e destes reinos, procurando justiça, aliviando-os nos seus sofrimentos, devolvendo-os à vida, reconhecendo-os como filhos amados de Deus, fazendo-os sentir-se únicos!
       «Reza como se tudo dependesse de Deus e age como se tudo dependesse de ti... A verdadeira santidade consiste em fazer a vontade de Deus com um sorriso... É fácil sorrir às pessoas que estão fora da nossa casa. É fácil cuidar das pessoas que não se conhecem bem. É difícil ser sempre solícito e delicado e sorridente e cheio de amor em casa, com os familiares, dia após dia, especialmente quando estamos cansados e irritados. Todos nós temos momentos como estes e é precisamente então que Cristo vem ter connosco vestido de sofrimento».
       O mundo precisa de Deus. E precisa de nós para levarmos o Deus que nos habita a todos que não O conhecem ou vivem afastados d’Ele. «Eu sou um lápis nas mãos de Deus. Ele usa-me para escrever o que quer... Demo-nos conta que o que fazemos é apenas uma gota no oceano. Mas sem essa gota, faltaria alguma coisa no oceano. Não devemos pensar na quantidade, nos números. Sejamos capazes de amar uma só pessoa de cada vez, de servir uma pessoa de cada vez... Jesus é o meu tudo. A minha plenitude». O mundo inteiro para cuidar é a pessoa que precisa de mim, agora. 
       4 – Seguir e amar Jesus não nos distrai nem da vida nem dos outros, mas dá-lhe um sentido de plenitude, a certeza que a vida não se perde e que os outros são a nossa oportunidade de nos redimirmos e neles encontrarmos o próprio Deus que conta com o nosso sorriso e com a nossa ajuda. Em Cristo, Deus deixa-Se tocar, embalar, amar, perseguir, deixa-Se matar, mas nunca, nunca, nunca deixa que o Seu amor e a Sua misericórdia vacilem. O Seu poder é a Sua misericórdia infinita. A Sua grandeza está em fazer-Se pequeno, ficando do nosso tamanho, escondendo-Se entre nós. Ele vive. Podemos novamente e sempre encontra-l’O, segui-l’O, amá-l’O em cada ser humano.
       Peçamos ao Senhor que nos conceda a sabedoria para discernirmos sobre as escolhas que nos fazem escolhê-l'O, a humildade para acolhermos os Seus desígnios e a fortaleza para os cumprir. "Ensinai-nos a contar os nossos dias, para chegarmos à sabedoria do coração. Voltai, Senhor! Até quando... Tende piedade dos vossos servos. Saciai-nos desde a manhã com a vossa bondade, para nos alegrarmos e exultarmos todos os dias. Desça sobre nós a graça do Senhor nosso Deus. Confirmai, Senhor, a obra das nossas mãos".
       O Reino novo está a emergir, desde Cristo. Cabe-nos hoje a nós prosseguir com o Seu projeto de amor e de vida nova, levando a todos a esperança, fazendo com que todos se sintam parte deste sonho, para, entre avanços e recuos, nos tornarmos a Sua família.

       5 – São Paulo encontrou Jesus a caminho de Damasco. Já O perseguia sem saber, perseguindo os cristãos. "Sou Jesus, a Quem tu persegues". Finalmente os seus olhos abrem-se. Deixa tudo. A sua sabedoria, as suas certezas, a sua terra, para seguir Jesus, anunciando-O em toda a parte, em todas as situações e circunstâncias.
       Está prisioneiro por amor de Cristo Jesus, a interceder por um escravo, que quer que seja como um irmão muito querido. Ao dirigir-se e Filémon, Paulo agradece-lhe o cuidado e a atenção, "devolvendo" Onésimo, pedindo-lhe que o trate como se se tratasse do próprio Apóstolo. Em Cristo não há livres ou escravos, homens ou mulheres, mas todos são irmãos e assim devem ser tratados.


Pe. Manuel Gonçalves



Textos para a Eucaristia (C): Sab 9, 13-19; Sl 89 (90); Flm 9b-10. 12-17; Lc 14, 25-33.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Poder curativo de Jesus

       Quando saíram do barco, as pessoas reconheceram logo Jesus; então percorreram toda aquela região e começaram a trazer os doentes nos catres, para onde ouviam dizer que Ele estava. Nas aldeias, cidades ou casais onde Jesus entrasse, colocavam os enfermos nas praças públicas e pediam que os deixasse tocar-Lhe ao menos na orla do manto. E todos os que O tocavam ficavam curados (Mc 6, 53-56).
       A multidão segue Jesus, à procura de cura. Levam-Lhe todos os doentes. Pedem que ao menos lhes deixe tocar na orla do manto.
       Também nós não deveremos ter medo de ir ao encontro, à procura de Jesus, e pedir-lhe que nos cure.
       Também nós devemos apostar no nosso poder curativo, com as nossas palavras, com os nossos gestos, criar em nós as condições, como dizia Madre Teresa de Calcutá, para que as pessoas quando saírem da nossa presença vão mais felizes do que quando chegaram.

sábado, 7 de novembro de 2015

XXXII Domingo do Tempo Comum - ano B - 8.11.2015

       1 – Quando o pouco é tudo e quando o muito é insignificante!
       A vida não é quantificável pela quantidade, mas qualificável pela qualidade, pela intensidade, pelos momentos que fazem a história de uma pessoa, de uma família, de uma comunidade. Há vidas cronologicamente longas que se resumem a muito pouco, sem marcas relevantes na história; há vidas cronologicamente curtas em que são precisas muitas páginas e muitas vidas para absorver tudo o que foi vivido e cuja herança humana perdura para lá do tempo presente.
       Do mesmo jeito a generosidade. Não é comensurável em cálculos matemáticos, mas visualizável no envolvimento da pessoa naquilo que dá: está totalmente comprometida com o que dá e a quem dá? Ou é apenas um descargo de consciência? Ou um gesto mecânico de tradição?
       Jesus – segundo São Marcos – colocou-se em frente da arca do tesouro e observa que muito ricos deitam com ostentação avultadas quantias. Aproxima-se uma viúva (pobre) e deita duas pequenas moedas. Antes Jesus alertava-nos: «Acautelai-vos dos escribas, que gostam de exibir longas vestes, de receber cumprimentos nas praças, de ocupar os primeiros assentos nas sinagogas e os primeiros lugares nos banquetes. Devoram as casas das viúvas, com pretexto de fazerem longas rezas».
       Aqueles que tinham a obrigação moral de zelar por todos e sobretudo pelos mais pobres, entre os quais se contavam viúvas e os órfãos, ocupam os lugares para se servirem e usarem de diversas artimanhas para explorar as pessoas mais simples.
       Atento ao gesto daquela viúva pobre, Jesus diz aos seus discípulos: «Em verdade vos digo: Esta pobre viúva deitou na caixa mais do que todos os outros. Eles deitaram do que lhes sobrava, mas ela, na sua pobreza, ofereceu tudo o que tinha, tudo o que possuía para viver».
       O próprio Jesus explica por que é que aquela mulher dando tão pouco deu tanto, deu muito mais que outros. Dizia a Madre Teresa de Calcutá, que "o amor, para ser verdadeiro, tem de doer. Não basta dar o supérfluo a quem necessita, é preciso dar até que isso nos machuque... o importante não é o que se dá, mas o amor com que se dá”. De forma semelhante relembrava o Papa Francisco: "Não esqueçamos que a verdadeira pobreza dói: não seria válido um despojamento sem esta dimensão penitencial. Desconfio da esmola que não custa nem dói" (Mensagem para a Quaresma, 2014).
       2 – Elias, um dos profetas mais ilustres do povo eleito, experimenta a generosidade e a grande fé de um pobre viúva, que na míngua de bens, se prepara, juntamente com o filho, para se entregar à morte.
       Seguindo a Palavra de Deus, Elias afasta-se de Israel, povo ao qual pertence e que se encontra sujeito a um tempo de provação e purificação por se ter afastado de Deus. Elias refugia-se em Sarepta, cidade da Fenícia, onde será acolhido por uma viúva, que sobrevive à custa das esmolas, cada vez mais escassas em tempo de fome, pelo que lhe soa estranho o pedido de Elias: «Por favor, traz-me uma bilha de água para eu beber... Por favor, traz-me também um pedaço de pão».
       Começa a desenhar-se um tempo novo em que a confiança em Deus prevalece além das dificuldades atuais. Responde-lhe a mulher: «Tão certo como estar vivo o Senhor, teu Deus, eu não tenho pão cozido, mas somente um punhado de farinha na panela e um pouco de azeite na almotolia. Vim apanhar dois cavacos de lenha, a fim de preparar esse resto para mim e meu filho. Depois comeremos e esperaremos a morte».
       Certo da promessa de Deus, Elias replica: «Não temas; volta e faz como disseste. Mas primeiro coze um pãozinho e traz-mo aqui. Depois prepararás o resto para ti e teu filho. Porque assim fala o Senhor, Deus de Israel: ‘Não se esgotará a panela da farinha, nem se esvaziará a almotolia do azeite, até ao dia em que o Senhor mandar chuva sobre a face da terra’».
       Genericamente sabemos que contamos sobretudo com a generosidade daqueles e daquelas que passaram ou passam privações, pois sabem melhor o que custa a vida. Refira-se, obviamente, que a pobreza (espiritual) autêntica é, antes de mais, a abertura a Deus e a disponibilidade para cuidar do outro, usando a vida, os dons e os bens, como instrumento beneficente de todos.
       3 – A Deus não escapa o mais pequeno gesto de amor. Nem um copo de água dado em Seu nome ficará sem recompensa (cf. Mt 10, 42).
       Aquela viúva fez conforme Elias lhe pediu. Sentaram-se juntos para comer a mãe e o filho e o profeta. O profeta comprova a promessa de Deus através daquela família que o acolhe, o guarda, protege e o alimenta. E por sua vez, a viúva de Sarepta, com o seu filho, pode comprovar a fidelidade de Deus que não lhe faltará em tempos de carestia. Desde que Elias chegou que não se esgotou nem a farinha nem o azeite.
       Deus não falta àqueles que n'Ele põem a sua confiança.
       A vida, porém, coloca-nos diante de tantas encruzilhadas que em alguns momentos não percebemos de que forma Deus nos manifesta o Seu amor. Na dúvida, prossigamos com o nosso compromisso com os outros. Reconhecendo a nossa pobreza (espiritual), abramo-nos à graça de Deus, deixemos que através de nós Deus chegue a todos e especialmente aos mais frágeis.
       O Salmo com que respondemos à Palavra de Deus fala-nos da atenção que merecem os mais desfavorecidos. O proceder de Deus há de conduzir-nos a agir do mesmo jeito, com o mesmo amor, a mesma delicadeza, a mesma misericórdia. «O Senhor faz justiça aos oprimidos, dá pão aos que têm fome e a liberdade aos cativos. O Senhor ilumina os olhos do cego, levanta os abatidos, ama os justos. O Senhor protege os peregrinos, ampara o órfão e a viúva e entrava o caminho aos pecadores».
       "Eu bem vi a opressão do meu povo... e ouvi o seu clamor... conheço os seus sofrimentos" (Ex 3, 7). "Quando um pobre invoca o Senhor, Ele atende-o e liberta-o das suas angústias" (Sl 34, 7). Deus desce ao Egipto para libertar o povo da opressão e fá-lo por intermédio de Moisés. Deus age na história atual e faz-Se presente aos mais pobres contando connosco: o que fizerdes ao mais pequeno dos meus irmão a Mim o fareis (cf. Mt 25, 40).

       4 – Jesus Cristo, sendo rico, fez-Se pobre para nos enriquecer com a Sua pobreza (cf. 2 Cor 8,9). Aquela viúva, que na sua penúria, deu tudo quanto tinha, para que o Templo continuasse a ser lugar de encontro com Deus. A viuvez feminina era habitualmente acompanhada com a pobreza, a não ser que tivesse filhos homens, um segundo casamento, ou a família fosse generosa e a acolhesse. Uma e outra viúva confiam em Deus. Pobres, dão o que têm. A viúva depende das esmolas e ainda assim dá do que recebe. E quem dá do que lhe dão é amigo de coração.
       Ora Deus dá-nos o melhor que tem para nos dar, o Seu próprio filho.
       Em Cristo, Deus faz-Se um de nós e oferece-Se por nós. Vem do Céu, vem de Deus, «Cristo não entrou num santuário feito por mãos humanas, figura do verdadeiro, mas no próprio Céu, para Se apresentar agora na presença de Deus em nosso favor».
       Como Sumo-sacerdote, Jesus oferece-Se de uma vez para sempre. Chegada a plenitude dos tempos, destrói o pecado, sacrificando-Se a Si mesmo. Não oferece sacrifícios, oferece-Se, tomando sobre Si os pecados da multidão para a todos nos salvar. Esta é a fonte de toda a caridade e de todo o bem. Como seus seguidores, iluminados pela viúva de Sarepta e pela viúva do Evangelho, a certeza que não basta darmos, será sempre inevitável darmo-nos, entregarmo-nos, colocarmos o melhor de nós mesmos na atenção e no cuidado aos outros.

Pe. Manuel Gonçalves


Textos para a Eucaristia (B): 1 Reis 17, 10-16; Sl 145 (146); Hebr 9, 24-28; Mc 12, 38-44.

domingo, 16 de agosto de 2015

Pensamentos de Madre Teresa de Calcutá

"Para mim evangelizar significa ter Jesus no coração e levá-lo aos corações dos outros»

Fórmulas mágicas:
"- Nunca estejais tristes. Sorri, pelo menos, cinco vezes por dia. Basta um sorriso, um bom-dia, um gesto de amizade.
- Fazei pequenas coisas com grande amor. Contando pelos cinco dedos da mão, pronunciai as palavras de Jesus: Foi a mim que fizeste.
- Fazei pequenas coisas que ninguém, teve tempo de fazer.
- Muitos de vós, antes de partir, vão pedir-me autógrafos. Seria melhor que vos aproximasses de um pobre e, através dele, pudésseis encontrar o autógrafo de Cristo"

«Reza como se tudo dependesse de Deus e age como se tudo dependesse de ti»

"A Igreja somos nós. Não devemos julgar os outros, mas a nós mesmos. Nós seremos julgados por aquilo que tivermos feito a Jesus sofredor e abandonado"

"Temos o Corpo de Cristo. Ele dá-nos força. Jesus vem a nós em forma de pão mostrar-nos o seu amor, e tão faminto que possamos dar-lhe de comer"

"O meu segredo é a oração que se transforma em ação. O que fazemos é amor de Deus em ação"
«A oração é uma linha direta de comunicação com deus».
«No Pai-nosso há tudo. Deus, próximo, eu própria. Se perdoar aos outros posso orar. Não há complicações e, todavia, nós complicamos tanto a vida com tantas coisas supérfluas»

«Caros jovens, o maior mal de hoje é a falta de amor e de caridade, a terrível indiferença com os irmãos e as irmãs, filhos de Deus nosso Pai, que vivem marginalizados, presas da exploração, da corrupção, da pobreza e da doença... A vida é um dom maravilhoso de Deus e todos foram criados para amar e ser amados. Não é um dever ajudar os pobres material e espiritualmente: é um privilégio, porque Jesus, Deus feito Homem, assegurou-nos que "tudo o que fizerdes ao último dos meus irmãs a Mim o fareis"... só no Céu é que veremos quanto somos devedores aos pobres, por nos terem ajudado a amar melhor o Senhor».

«Vós no Ocidente tendes que fazer com que aqueles que são espiritualmente os mais pobres dos pobres, mais do que com pessoas pobres no sentido material. É muito mais simples dar um prato de arroz a um esfomeado, encontrar um leito para quem o não tem... mas consolar ou eliminar um certo tipo de amargura, remover aquela raiva, aquela solidão, requer um empenhamento muito maior».
«No Ocidente, não se morre de fome, mas vós tendes outro tipo de pobreza, muito pior. É a pobreza de quem não ora, de quem não se preocupa com os outros, de quem não sabe sofrer e de quem se desespera. Esta pobreza do coração é mais difícil socorrer»

«O fruto do silêncio é a oração.
O furto da oração é a fé.
O fruto da fé e o amor.
O fruto do amor é o serviço.
O fruto do serviço é a PAZ»

"A verdadeira santidade consiste em fazer a vontade de Deus com um sorriso"
"A alegria é oração, a alegria é força, a alegria é uma rede de amor. Quem dá com alegria dá muito mais. O melhor modo de mostrar gratidão a Deus e aos homens é aceitar tudo com alegria".
"A alegria é oração. A alegria é força. A alegria é amor. A alegria é uma rede de amor para conquistar as almas. Deus ama quem dá com alegria"
"Nada deve provocar-te tanta dor que te faça esquecer a alegria de Cristo ressuscitado".
"Quem dá com alegria é grande. A alegria é a marca de uma pessoa generosa, humilde que se esquece de tudo, até de si mesma, e procura agradar a Deus em tudo o que faz. Frequentemente, a alegria esconde uma vida de sacrifício, uma contínua união com Deus".
"Fazei com que todo aquele que for ter convosco saia da vossa beira sentindo-se melhor. Todos devem ver a bondade no vosso rosto, nos vossos olhos, no vosso sorriso. a Alegria transparece pelos olhos, manifesta-se quando falamos e caminhamos. Não pode. permanecer encerrada dentro de nós. A alegria é contagiosa».

«É fácil sorrir às pessoas que estão fora da nossa casa. É fácil cuidar das pessoas que não se conhecem bem. É difícil ser sempre solícito e delicado e sorridente e cheio de amo em casa, com os familiares, dia após dia, especialmente quando estamos cansados e irritados. Todos nós temos momentos como estes e é precisamente então que Cristo vem ter connosco vestido de sofrimento».
«O amor começa na própria casa e continua na própria casa, onde nunca faltam ocasiões de o demonstrar. A casa é o primeiro lugar onde é necessário praticar o amor e o espírito de serviço. Não há necessidade de ir a Jericó, o nosso trabalho mais importante deve desenvolver-se em Jerusalém [onde estava a falar], onde está o templo do verdadeiro Deus. Conheceis realmente os vossos familiares, os vossos vizinhos, as pessoas que frequentais? Preocupais-vos com a sua felicidade? Procurai, antes de tudo,  fazer isto e, depois, podereis pensar também nos pobres da Índia ou de outros países»
«As almas de oração são almas de grande silêncio. Nãos e pode encontrar Deus no barulho e na agitação. Deus é amigo do silêncio. Observai a natureza: as árvores, as flores, a erva crescem no silêncio; as estrelas, o Sol, a Lua movem-se no silêncio. Quanto mais recebemos na oração silenciosa mais podemos dar na vida ativa. Temos necessidade de silêncio para poder tocar as almas. Todas as nossas palavras serão inúteis se não vierem do nosso coração. As palavras que não têm a luz de Cristo aumentarão a escuridão. O silêncio dá-nos um modo novo de olhar as coisas»

«Deus criou-nos para amar e para ser amados. É este o início da oração: saber que Ele me ama, saber que fui criada para coisas maiores».

«Jesus teria morrido por uma única pessoa»
«Muitos falam dos pobres, mas poucos falam com os pobres»
«Os pobres não precisam da nossa comiseração. Os pobres precisam da nossa ajuda. O que eles nos dão é muito mais do que o que nós lhes damos».

"Demo-nos conta que o que fazemos é apenas uma gota no oceano. Mas sem essa gota, faltaria alguma coisa no oceano. Não devemos pensar na quantidade, nos números. Sejamos capazes de amar uma só pessoa de cada vez, de servir uma pessoa de cada vez».

"Para mim, cada um é Cristo e, assim, como existe um só Jesus, aquele que encontro é, naquele momento, o único no mundo".

«Nunca pensei mudar o mundo. Só procurei ser uma gota de água limpa em que o amor de Deus pudesse brilhar. Esforce-se também por ser uma gota de água limpa e já seremos dois. É casado?... Então diga à sua esposa e, assim, já seremos três! Tem filhos? (três filhos)... Diga-lhes também a eles e já seremos seis!»

«Eu sou um lápis nas mãos de Deus. Ele usa-me para escrever o que quer. O lápis não tem nada a ver com tudo isto. O lápis só deve ser usado»

«O amor é um fruto de todas as estações e ao alcance de todos».
"Todos têm o direito de vir ao mundo, desejado ou não. As crianças são o mais belo dom de Deus. O aborto é um crime realizado no ventre da mãe. Ninguém pode decidir sobre a vida alheia. O primeiro direito é nascer. Todos os outros vêm depois".
«Nós combatemos o aborto com a adoção. salvamos milhares de vidas. fazemos circular este aviso nos hospitais e nas clínicas e nas esquadras de polícia: "por favor, não mateis a criança antes de nascer; confiai-no-la". Assim, cada hora do dia e da noite, há sempre alguma (sabei, entre nós há muitas mais solteiras) a quem dizer: "Vem, tomaremos conta de ti, ficaremos com a criança que nascer de ti e dar-te-emos uma família". É uma bênção do Senhor para nós».

«Sente muitas vezes durante o dia a necessidade da oração e preocupa-te em orar. A oração alarga o coração até quando ele é capaz de conter o dom que Deus faz de Si mesmo. Pede e procura e o teu coração será suficientemente grande para recebê-lo e para conservá-lo absolutamente teu».
"Jesus é a palavra que temos de falar
Jesus é a verdade que temos de gritar.
Jesus é o caminho que temos de percorrer.
Jesus é a luz que temos de acender.
Jesus é a vida que temos de viver.
Jesus é o amor que temos de amar.
Jesus é a alegria que temos de partilhar.
Jesus é o sacrifício que temos de oferecer.
Jesus é é a paz que temos de levar.
Jesus é o faminto a quem temos de matar a fome.
Jesus é o sedento a quem temos de matar a sede.
Jesus é o nu que temos de vestir.
Jesus é o sem-teto que temos de abrigar.
Jesus é o doente que temos de tratar.
Jesus é o abandonado que temos de amar.
Jesus é o o não querido que temos de querer...»


Recolha a partir:
FRANCA ZAMBONINI (2005). Madre Teresa. A mística dos últimos.
Prior Velho: Paulinas Editora.

sábado, 15 de agosto de 2015

XX Domingo do Tempo Comum - ano B - 16.08.2015

       1 – Acreditar em Jesus implica-nos por inteiro, alma, corpo e espírito, sem reservas nem subterfúgios, mesmo que o nosso pecado nos afaste deste compromisso. A nossa primordial vocação é à santidade, comum a todos os batizados. À medida que o tempo avança a nossa identificação a Cristo há de revelar-se cada vez mais efetiva. Cada um de nós – no seu corpo, isto é, na sua vida por inteiro – deve como que fundir-se no único Corpo de Cristo. "Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim" (Gál 2, 20). Jesus Cristo há de ser tudo em todos, como caminho na história e como plenitude na eternidade, mas que inicia connosco, aqui e agora, no tempo presente. Comer a Sua carne, beber o Seu sangue, comungar Cristo é entrar em comunhão com a Sua vida, para sermos assimilados por Ele. Palavras duras pois bem sabemos das nossas insuficiências. Mas Ele não nos faltará. E ainda bem que sabemos dos nossos limites, o que nos permite reconhecer a necessidade dos outros e do Outro.
       Se cada um de nós "comunga", come, saboreia o Corpo de Cristo (poderíamos com propriedade falar da comunhão sacramental e da comunhão de desejo, propósito e de vida. A comunhão sacramental deve corresponder à comunhão de vida com Jesus, mas ainda que aquela não se efetue, o cristão pode e deve alimentar-se da Palavra de Deus, procurando viver o mais possível de acordo com o Evangelho), então caminhamos ao encontro uns dos outros, pois todos nos encontramos em Cristo e assim formamos – todos – o Seu Corpo.
       Por vezes separamos a pessoa das suas palavras e dos seus atos. Sim. A pessoa traz em si impressa a imagem de Deus, com o consequente mandamento "não matarás", em absoluto, nada farás de mal ao outro, pois ofenderás a Deus. Com efeito, podemos confiar numa pessoa e ter dúvidas na sua palavra. A pessoa é mais do que os seus pecados! Em Cristo, porém, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, tudo está implicado. Confiar n'Ele compromete-nos com a Sua Palavra, com os seus ensinamentos visíveis no seu modo de proceder. A dureza das Suas palavras passa por aqui: imitá-l'O em todas as situações da vida, sem descanso nem desistências nem atalhos.
       2 – «Eu sou o pão vivo que desceu do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que Eu hei de dar é minha carne, que Eu darei pela vida do mundo... Se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós... A minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em Mim e Eu nele... aquele que Me come viverá por Mim. Este é o pão que desceu do Céu; não é como o dos vossos pais, que o comeram e morreram: quem comer deste pão viverá eternamente».
       As palavras de Jesus são delicadas e provocam, naqueles dias como ao longo da história da Igreja, ruturas. Os judeus interpretam o que nos vai na alma: «Como pode Ele dar-nos a sua carne a comer?». Não pensemos que é uma questão superficial e resultante de má vontade. Não. Algum de nós entenderia as palavras de Jesus? Como é possível comer a carne de Jesus? Alguns dos discípulos vão seguir outro caminho, como veremos no próximo domingo. Mais tarde, justificando a perseguição à Igreja, dir-se-á que os cristãos são canibalistas, sacrificam, matam, comem pessoas nas suas orações.
       Questionado, Jesus não retira o que disse nem emenda o conteúdo das suas palavras. Como temos visto, Jesus esclarece, insiste, mas sem se desviar: quem come o Meu Corpo e bebe o Meu sangue terá a vida eterna, terá parte Comigo, viverá por Mim. Eu sou o Pão da vida e o pão que Eu hei de dar é a minha carne.
       Como cristãos católicos professamos a fé na presença real de Cristo nas espécies do pão e do vinho, que pela consagração, por ação do Espírito Santo, se transubstanciam no Corpo e no Sangue de Cristo e que nos alimentam na vida presente, antecipando o banquete na eternidade de Deus. O próprio Jesus o afirma durante a última Ceia, tomando o pão e o cálice com vinho: "tomai e comei, isto é o Meu corpo; tomai e bebei, isto é o Meu sangue derramado por todos". Jesus prepara os seus discípulos para a Sua morte e ressurreição, dizendo-lhes que pela Ressurreição estará presente de maneira nova, gloriosa e real, através do mistério da Eucaristia.
       Alguns dos nossos irmãos protestantes continuam a ter dificuldade em aceitar que o pão e o vinho se transformem em Cristo, quando muito são uma presença simbólica de Jesus. Discussões à parte, a Eucaristia traz-nos a certeza da presença real de Jesus, Ele está verdadeiramente vivo e no meio de nós. Deu-nos o Espírito Santo. O Espírito Santo dá-nos Jesus Cristo, vivo e real.
       3 – A sabedoria convida-nos para o festim de Deus: «Vinde comer do meu pão e beber do vinho que vos preparei. Deixai a insensatez e vivereis; segui o caminho da prudência».
       Os Padres da Igreja hão de identificar a Sabedoria com a segunda pessoa da Santíssima Trindade, isto é, com Jesus Cristo, Filho de Deus. Ele é a Sabedoria, a Palavra do Pai, o Pão que desce do Céu, o Corpo entregue por amor para gerar vida e vida em abundância.

       4 – Comungar Cristo, ou seja, estar e colocar-se em comunhão com Cristo, implica seguir os Seus ensinamentos, mesmo que em alguns momentos os não compreendamos tão bem, expressos na sua postura de vida e disseminados na Sagrada Escritura, numa lógica constante de edificar o mundo pelo bem, pela paixão, pelo amor: "Guarda do mal a tua língua e da mentira os teus lábios. Evita o mal e faz o bem, procura a paz e segue os seus passos" (Salmo).
       São Paulo, na Carta aos Efésios, que continuamos a escutar, é bem claro sobre as implicações de acreditar/seguir Cristo, como discípulos: "Não vivais como insensatos, mas como pessoas inteligentes. Aproveitai bem o tempo... procurai compreender qual é a vontade do Senhor. Não vos embriagueis com o vinho, que é causa de luxúria, mas enchei-vos do Espírito Santo, recitando entre vós salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando e salmodiando em vossos corações, dando graças, por tudo e em todo o tempo, a Deus Pai, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo".
       A ação brota da oração, da contemplação. Para irradiarmos a alegria, a beleza e a misericórdia de Deus no mundo temos que primeiramente O acolher no nosso coração e na nossa vida. Como disse Madre Teresa de Calcutá, a "oração é uma linha direta de comunicação com Deus" que nos conduz aos outros a começar pelos de minha casa.

       5 – Celebramos hoje a Jornada do Migrante e do Refugiado, num convite cada vez mais premente por acolhermos os que chegam com a sua miséria e com o seu apelo.
       Na mensagem para este dia, o Papa Francisco, propondo o tema "Igreja sem fronteiras, mãe de todos", começa por referir que "a Igreja, peregrina sobre a terra e mãe de todos, tem por missão amar Jesus Cristo, adorá-Lo e amá-Lo, particularmente nos mais pobres e abandonados; e entre eles contam-se, sem dúvida, os migrantes e os refugiados, que procuram deixar para trás duras condições de vida e perigos de toda a espécie". Prossegue, recordando o juízo final: «Tive fome e destes-Me de comer, tive sede e destes-Me de beber, era peregrino e recolhestes-Me, estava nu e destes-Me que vestir, adoeci e visitastes-Me, estive na prisão e fostes ter comigo» (Mt 25, 35-36).
       A Igreja em Portugal transformou o tema proposto pelo Papa, sintonizando-se com o Evangelho deste dia: "Igreja Sem Fronteiras. Somos um só Corpo".
       Na Peregrinação Nacional dos Migrantes a Fátima (12 e 13 de agosto), ficou clara esta urgência, mormente nas palavras de D. António Marto, na disponibilidade da Igreja acolher mais refugiados e imigrantes que vêm desembarcar na Europa, em condições desumanas. É uma proposta concreta para um problema real e concreto.

Pe. Manuel Gonçalves


Textos para a Eucaristia (B): Prov 9, 1-6; Sl 33 (34); Ef 5, 15-20; Jo 6, 51-58.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

F. Zambonini: MADRE TERESA, a mística dos últimos

FRANCA ZAMBONINI (2005). Madre Teresa. A mística dos últimos. Prior Velho: Paulinas Editora. 176 páginas.

       Há muita bibliografia sobre a Madre Teresa de Calcutá, a Mãe dos pobres, a pequena freira que se dedicou aos mais pobres dos pobres. Neste biografia, de Zambonini, ressalva-se o essencial da vocação, da vida, da obra de Madre Teresa, bem assim como das Missionárias da Caridade que ela fundou e que estão espalhadas um pouco por todo o mundo. A escolha pelas mais pobres, pois em cada um deles está impresso o rosto de Jesus Cristo.
       Tocar as feridas de um leproso, recolher um moribundo, acolher uma criança abandonada, adotar uma criança que estava para ser descartada antes de nascer, ir pelas ruas pedir esmola para alimentar os famintos, instruir as crianças, apoiar os mas desfavorecidos... como refere muitas vezes a Madre Teresa, é tocar as feridas de Cristo, acolhê-l'O, cuidar d'Ele, "Isto Me fizeste a Mim" (expressão adaptada do inglês para português: cada palavra corresponde a um dedo da mão). É a expressão do juízo final, o que fizeste ao mais pequeno dos meus irmãos a Mim o fizeste. Tem a ver com as obras de misericórdia. Sublinhe-se, como se pode ver no livro, que as Missionárias da Caridade têm casas abertas em muitos países ocidentais, onde a maior pobreza e mais difícil de atender é mesmo a pobreza da solidão, da perda de sentido de Deus, de abertura aos outros e à vida.
       Madre Teresa nasceu a 26 de agosto de 1910 - embora ela refira o dia 27, dia do seu batismo, como o dia do seu nascimento - em Skopje, na Albânia. O nome de batismo é Agnes (Inês) Ganxhe Bojaxhui. Com 18 anos vai para a Irlanda, onde se torna irmã de Loreto, cuja Ordem envia missionárias sobretudo para a Índia. Em 1928 vai finalmente para a Índia, com a missão, como as companheiras, de ensinar (geografia e religião) no colégio de St. Mary, em Entally, Calcutá, de que se tornará Diretora.

       Em 1946, sente a "vocação dentro da vocação", para sair ao encontro dos mais pobres dos pobres daqueles que ninguém quer. Cerca de 2 anos depois solicita ao Vaticano a autorização para deixar a Ordem de Loreto e fundar uma nova Congregação. A partir daqui nunca mais descansará no serviço diário de ajuda aos mais pobres. Pouco a pouco engrossa o números das irmãs que se querem dedicar como ela aos mais pequeninos. vai abrindo casas, primeiro na Índia mas logo em outros países. É um trabalho árduo. Pelo menos 12 horas dedicadas a serviço dos outros, percorrendo as ruas de Calcutá, batendo a muitas portas, autoridades, hospitais, recolhendo as pessoas encontradas abandonadas para morrer. Mais 2 horas de oração, indispensável ao trabalho prático. As Missionárias da Caridade têm também um ramo contemplativo. A Irmã Nirmala, que viria a ser a Sucessora de Madre Teresa à frente da Congregação, ficou responsável por abrir a casa das Missionárias da Caridade, no ramo da Contemplação, em Nova Iorque, invertendo as horas, 12 horas para a oração, duas horas para o serviço aos outros, indicando desta forma que a contemplação leva ao serviço, o serviço leva à oração.
       Pelo caminho a Madre Teresa é reconhecida pelo seu trabalho, nomeadamente sendo-lhe atribuído o Prémio Nobel da Paz e, na Índia, tendo direito a funeral de Estado. Morreu a 5 de setembro de 1997. Continua a inspirar cristãos e não cristãos em todo o mundo. Marcou a Índia, o mundo e a Igreja, com a sua vontade férrea de chegar aos mais desfavorecidos.
       Como a própria referia, não se podem resolver todos os problemas do mundo, comecemos por resolver o que está à nossa frente. Mesmo que sejamos como uma gota de água, mas ainda ainda o oceano ficará incompleto sem essa gota. Começar por nós, amar os de nossa casa. É sempre mais fácil amar e cuidar daqueles que não conhecemos. É imperativo que amemos os que estão perto de nós.
       Este livro é uma biografia, mas é sobretudo um testemunho de vida. A autora conviveu em diferentes ocasiões com Madre Teresa, entrevistando-a e acompanhando-a em viagens, e beneficiando de gestos concretos que demonstram a postura de Madre Teresa de Calcutá.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Domingo VI do Tempo Comum - ano B - 15.fev.2015

       1 – «Se quiseres, podes curar-me». O primeiro passo para a cura é o desejo de ser curado. A doença é, certamente, uma experiência de fragilidade, de impotência e, muitas vezes, de desencanto. Na presença de pessoas doentes, vem ao de cima, muitas vezes, o protesto contra a vida e contra Deus. Nunca é fácil lidar com a doença dos nossos familiares e amigos e sobretudo quando é prolongada e já não existem possibilidades de cura. Havendo esperança de melhoras, de estabilização ou de cura, então é possível aceitar as dores, os incómodos, os tratamentos. Não havendo, tudo se torna mais difícil, para o próprio e para quem está à volta.
       Outra das consequências da doença, crónica ou prolongada, além do desgaste físico e emocional, é o isolamento e a solidão. Os amigos vão desaparecendo progressivamente. Por esquecimento. Por cansaço. Por não quererem ver ou já não terem paciência para escutar os lamentos. Ou simplesmente por medo, porque se reveem em situações semelhantes.
       Uma pessoa (e a sua família) surpreendida por uma doença incurável poderá sentir-se revoltada e transparecer azedume para com aqueles que estão mais próximos. À doença acrescenta-se a solidão. A pessoa doente não faz vida social, deixa de conviver, pela (in)disposição, ou, em alguns casos, porque a própria doença desaconselha os ajuntamentos. E a falta de vontade; não quer ouvir ninguém; não quer ouvir as mesmas perguntas de sempre nem os olhares compadecidos!
       2 – Imaginemos agora uma doença infectocontagiosa!
       A Bíblia preserva o medo de contágio e as prescrições para evitar qualquer tipo de contacto com um leproso, dando à lei um carácter divino. «Quando um homem tiver na sua pele algum tumor, impigem ou mancha esbranquiçada, que possa transformar-se em chaga de lepra, devem levá-lo ao sacerdote Aarão ou a algum dos sacerdotes, seus filhos. O leproso com a doença declarada usará vestuário andrajoso e o cabelo em desalinho, cobrirá o rosto até ao bigode e gritará: ‘Impuro, impuro!’. Todo o tempo que lhe durar a lepra, deve considerar-se impuro e, sendo impuro, deverá morar à parte, fora do acampamento».
       A lei defende os sãos, mas condena ao isolamento e à exclusão os leprosos.
       Há pouco mais de 50 anos, existiam leprosarias e aldeias isoladas e situações em que os animais tinham um melhor tratamento. Lembremos a parábola de Lázaro, contada por Jesus.
       A propósito seria interessante ler a biografia do Padre Damião, o Santo de Molokai, ou algum dos filmes que se fizeram sobre ele; o galardoado filme Ben-Hur (adaptação do livro com o mesmo nome), e que mostra o tratamento dado aos leprosos, votados ao completo esquecimento, ou o romance de Victoria Hislop, “A Ilha” (Spinalónga), recordando como os leprosos eram obrigados a viver em ilhas, isolados da civilização, com acessos difíceis.
       3 – Se um leproso vem ter com Jesus é porque já ouviu falar d'Ele, já alguém lhe anunciou Jesus. Novamente a dinâmica da evangelização e da intercessão. Sorrateiramente, este homem aproxima-se. Confia no que lhe disseram, mas também no que o seu íntimo lhe diz. Arrisca muito, arrisca tudo, sujeita-se a ser escorraçado, apedrejado e morto.
       «Se quiseres, podes curar-me». O leproso faz a sua profissão de fé de forma simples, humilde e direta. São Marcos deixa-nos ver de perto a postura de Jesus. Há oito dias, víamos que Ele pega na mão da sogra de Simão Pedro e levanta-a. Esta semana, a mesma delicadeza, proximidade, sem meias nem peias, simplesmente, compadecido, Jesus estende a mão, toca-lhe e diz: «Quero: fica limpo». E como no momento da criação, também aqui a palavra de Deus tem efeito: aquele homem fica limpo da lepra.
       Quantas pessoas precisam apenas de um toque, um aperto de mão, um abraço, uma afaço, um beijo, um sorriso, para se sentirem humanas e se sentirem salvas! Ao vermos fístulas numa pessoa, a nosso instinto é, quase sempre, de defesa, desviamos o olhar e mantemo-nos com uma distância de segurança. Jesus arrisca tudo, como aquele homem arriscou tudo.
       4 – Aquele que é abençoado por Deus, quem se encontrou com Jesus, transborda em testemunho a alegria e a bênção desse encontro. A sogra de Pedro, uma vez curada, levanta-se e serve-os, a Jesus e aos discípulos. Hoje, este homem que fica curado, e apesar da recomendação de Jesus – «Não digas nada a ninguém, mas vai mostrar-te ao sacerdote e oferece pela tua cura o que Moisés ordenou, para lhes servir de testemunho» – logo apregoa o que lhe aconteceu. E desta forma a fama de Jesus se espalha, com o risco de O procurarem para ver milagres (o espetáculo) e não para serem curados (conversão, fé, mudança de vida).

       5 – Jesus não se deixa amedrontar pela doença e muito menos por uma tradição que exclui pessoas. Para Jesus, doentes ou sãos, santos ou pecadores, homens ou mulheres, adultos ou crianças, todos são filhos de Deus. Prioridades? Os mais frágeis.
       A lepra foi um flagelo até há bem pouco tempo. Atualmente a cura é possível e está acessível. A vida do Pe. Damião de Malokai traz muitas histórias que falam de abandono, exclusão, famílias desfeitas, em que algum dos seus membros é forçado a embarcar para fora da pátria. Leprosarias, sanatórios, ilhas. Condições desumanas, degradantes.
       O proceder de Jesus não é fácil para nós, que nos queremos proteger. Por um lado, a vida merece que nós cuidemos dela. Por outro, na maioria das vezes as pessoas não têm culpa da doença, ou do flagelo. Bem basta a doença quanto mais a solidão. E um dia destes somos nós!
       Jesus atua de forma diferente. Aquele que se dispõe a dar a vida até à última gota de sangue não recua perante as dificuldades. Se Jesus agiu deste modo, os seus discípulos seguirão no Seu encalço, procedendo do mesmo modo. Como nos recorda São Paulo: "Quer comais, quer bebais, ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para glória de Deus. Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à Igreja de Deus. Fazei como eu, que em tudo procuro agradar a toda a gente, não buscando o próprio interesse, mas o de todos, para que possam salvar-se. Sede meus imitadores, como eu o sou de Cristo".

       6 – Se o apóstolo é um exemplo vivo para àquelas comunidades, hoje encontramos outros. Como víamos antes, Damião de Malokai, que vai viver no meio dos leprosos, leva o amor de Jesus Cristo, a fé, a Palavra de Deus e luta para que haja condições, como habitações condignas, escola, hospitais, medicamentos e assistência médica, cuidados de higiene, aliviando o sofrimento, devolvendo a dignidade humana, integrando, quanto possível, as pessoas com lepra, fazendo-as sentir-se úteis uns para os outros. Acabará por morrer de lepra, mas com a certeza de ter cumprido o mandato de Cristo. Foi beatificado por João Paulo II a 3 de junho de 1995 e canonizado por Bento XVI a 11 de outubro de 2009.
       E, como não falar da dedicação de Raoul Follereau a favor dos leprosos? E da Associação por ele criada – Amigos de Raoul Follereau – para sensibilizar e ajudar as vítimas desta doença?
       Em Portugal, o Padre Américo é expressão da entrega e dedicação de Jesus, junto dos mais pobres, de crianças abandonadas, meninos de rua, sem pai nem mãe nem casa. A Obra da Rua, ou do Gaiato, continua a acolher crianças carenciadas, a educá-las e a integrá-las na sociedade.
       Madre Teresa de Calcutá que dedicou grande parte da sua vida a cuidar dos mais pobres dos pobres, na Índia; recolhia as pessoas que encontrava na berma da estrada, abandonadas para morrer, algumas com doenças infeciosas, tratava delas como se estivesse a cuidar de Jesus. Foi beatificada por João Paulo II no dia 19 de outubro de 2003.
       E quantas pessoas encontramos nas nossas comunidades paroquiais que são autênticos anjos junto dos doentes, nas palavras que encontram para consolar, nos silêncios que respeitam a dor, na serenidade com que acariciam?!

Pe. Manuel Gonçalves


Textos para a Eucaristia (ano B): Lev 13, 1-2. 44-46; Sl 31 (32); 1 Cor 10, 31– 11, 1; Mc 1, 40-45.

sábado, 1 de março de 2014

Domingo VIII do Tempo Comum - ano A - 2 de março

       1 – «Não vos inquieteis com o dia de amanhã, porque o dia de amanhã tratará das suas inquietações. A cada dia basta o seu cuidado».
       Por mais esforços que façamos, não é possível dispensarmos o que somos ou o futuro que almejamos. Todavia, o passado não pode ser empecilho para vivermos e nos comprometermos com a atualidade, no trabalho, na família, na Igreja. Más experiências podem tirar-nos confiança e deixar-nos com pouca vontade para insistirmos... O futuro pode assustar-nos. Perante o mundo que nos envolve, cujo pessimismo é justificado por milhentas situações destrutivas, também o amanhã poderá surgir sombrio.
       E, no entanto, a palavra de Deus desafia-nos à temperança, caldeada na esperança e na fé, colocando o nosso olhar e a nossa vida em Deus. Só Ele garante que o chão não nos foge debaixo dos pés, mesmo quando experimentamos a instabilidade do mar alto, com o nevoeiro das nossas limitações, com as tempestades dos nossos fracassos. Ele está no nosso barco, ainda que pareça que vai a dormir. Ele está. Quantas situações nos apetece gritar por Ele, que Ele nos dê um sinal, uma prova, uma evidência?
       Aos seus discípulos, e hoje somos nós, Jesus mostra um CAMINHO claro de salvação e vida: «Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro».
       Aí está mais uma chave de leitura, uma escolha a fazer, uma prioridade a assumir. Se o fim da nossa vida é colocado nos outros ou nos bens materiais, vamos pouco a pouco perdendo o pé e sairemos desiludidos. E por quê? Quanto às pessoas, por mais queridas que sejam, são seres humanos, limitados, finitos, e por mais perfeitas que sejam há aspetos em que nos desiludem, ou pelo menos não plenizam o que esperávamos. Por outro lado, temporalmente não nos acompanharão sempre, alguém deixará esta vida mais cedo.
       Quanto aos bens materiais, ao dinheiro, sabendo que são necessários para vivermos com dignidade, não os podemos assumir como fim da nossa vida, pois seria de uma pobreza estéril. No no final o que precisaremos é da companhia, da presença de alguém que nos compreenda, e nos apoie, que goste de nós e a quem possamos confiar os nossos segredos mais íntimos. Se o dinheiro for o nosso deus maior, então nunca estaremos satisfeitos, mesmo que tenhamos o justo para viver bem quereremos sempre mais, mais não seja para termos mais que os outros. E também isto nos tira o sono e a tranquilidade. Também isto nos traz fadiga e desilusão, nos traz doença e traz a morte ao humano que existe em nós.
        2 – «Não vos inquieteis com o dia de amanhã, porque o dia de amanhã tratará das suas inquietações. A cada dia basta o seu cuidado». O convite de Jesus é verdadeiramente libertador. A ambição, com conta peso e medida, ambição solidária, que procura melhorar o mundo e não apenas a própria vida à custa dos outros, sabendo que estamos no mesmo barco, para o bem e para o mal. O que se descarta é a ganância, pura e simples, pela qual os fins justificam todos os meios, e até as pessoas são usadas enquanto geram lucro. Isto é algo destrutivo, desumano.
       Precisamos de pouco para viver bem: saúde, amor, amigos, companhia, saber que ALGUÉM nos sustem para lá da instabilidade e para lá do tempo.
       Vale a pena ler/escutar o texto do Evangelho:
«Não vos preocupeis, quanto à vossa vida, com o que haveis de comer, nem, quanto ao vosso corpo, com o que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento e o corpo mais do que o vestuário? Olhai para as aves do céu: não semeiam nem ceifam nem recolhem em celeiros; o vosso Pai celeste as sustenta. Não valeis vós muito mais do que elas? Quem de entre vós, por mais que se preocupe, pode acrescentar um só côvado à sua estatura? ... Bem sabe o vosso Pai celeste que precisais de tudo isso. Procurai primeiro o reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais vos será dado por acréscimo».
       A nossa humildade passa por aqui, tomarmos consciência que o essencial da nossa vida está dentro de nós, na atitude que assumimos perante os outros, na postura face à vida, com as suas dificuldades e com as suas potencialidades. Há muitas coisas que não dependem de nós. Estas podem paralisar-nos, se queremos controlar todas as coordenadas, ou podem libertar-nos se, reconhecendo as nossas limitações, nos apoiamos na bondade de Deus sem temermos arriscar a própria vida. As coordenadas são-nos interiores: Deus, bem, amor, verdade, perdão, comunhão. E estão ao nosso alcance.

       3 – «Não vos inquieteis com o dia de amanhã, porque o dia de amanhã tratará das suas inquietações. A cada dia basta o seu cuidado». O futuro por vezes serve de desculpa para hoje não nos comprometermos. Duas razões: por medo, pois não sabemos o que trará o dia de amanhã, assusta-nos, e também face à nossa história de vida que não nos permite agir com confiança. E para quê sofrermos por antecipação? Por outro lado, adiamos, logo se vê, amanhã as coisas podem estar melhor, quando tivermos tempo, quando tivermos mais dinheiro, quando as condições forem mais favoráveis. Mas as circunstâncias nunca serão ideais, e o que deixarmos de fazer hoje, amanhã poderá escapar-nos ou não teremos mais tempo, como aquele filho que foi adiando o encontro com o pai para lhe pedir perdão pela distância, pela arrelia, pela rebeldia; quando se resolveu já não chegou a tempo, o pai tinha falecido na semana anterior. E agora? Muitas vezes está macambúzio pelo tempo que perdeu longe da ternura do Pai lamentando-se pelas vezes que esteve quase a telefonar e a visitá-lo.
       "O amor começa hoje. Hoje alguém sofre. Hoje alguém está na rua. Hoje alguém tem fome. Hoje temos de começar. Ontem já passou. Amanhã ainda não chegou. Somente hoje podemos anunciar Deus, amando, servindo, alimentando os que têm fome, vestindo os que estão nus, dando aos pobres um teto sobre as suas cabeças. Não espereis até amanhã. Amanhã eles estarão mortos, se nada lhes dermos hoje" (Madre Teresa de Calcutá).
       A vida não é preto e branco, é multicolor. Nem todos conseguem exercitar-se de tal forma que nem o passado nem o futuro paralisem as suas vidas, mas é pelo menos um desafio, deverá ser um compromisso, para nos tornarmos mais saudáveis, para não nos arrependermos depois, para potenciarmos os nossos talentos, para ajudarmos o mundo a ser uma casa para todos.

       4 – «Não vos inquieteis com o dia de amanhã, porque o dia de amanhã tratará das suas inquietações. A cada dia basta o seu cuidado». Quantas preocupações me afetam agora? Pode acontecer que não saiba para onde me virar e em quem poderei confiar.
       Em Isaías vêm ao de cima do lamento de Sião: «O Senhor abandonou-me, o Senhor esqueceu-Se de mim». Mas logo a resposta pronta do Senhor: «Poderá a mulher esquecer a criança que amamenta e não ter compaixão do filho das suas entranhas? Mas ainda que ela se esquecesse, Eu não te esquecerei».
        É nesta certeza que rezamos: "Só em Deus descansa a minha alma, d’Ele me vem a salvação. D’Ele vem a minha esperança. Ele é meu refúgio e salvação, minha fortaleza: jamais serei abalado". Ainda que os meus pés vacilem, nada temerei porque o Senhor está comigo.
       À semelhança do salmista, também o Apóstolo São Paulo confia no Senhor e na Sua misericórdia, pelo que não receia o juízo rápido e impaciente dos homens: «De nada me acusa a consciência, mas não é por isso que estou justificado: quem me julga é o Senhor. Portanto, não façais qualquer juízo antes do tempo, até que venha o Senhor, que há de iluminar o que está oculto nas trevas e manifestar os desígnios dos corações. E então cada um receberá da parte de Deus o louvor que merece».
        Saber que só Deus em definitivo me julgará e que posso contar com a Sua misericórdia infinita, alarga as possibilidades de hoje me comprometer sabendo que o futuro está assegurado por Ele, e não será em vão todo o bem que possa fazer pelos que me acompanham nesta viagem pelo tempo e pela história.

Textos para a Eucaristia (ano A): Is 49, 14-15; Sl 62 (63); 1 Cor 4, 1-5; Mt 6, 24-34.