A terceira Carta Encíclica de Bento XVI empresta o título a este blogue. A Caridade na Verdade. Agora permanecem a fé, a esperança e a caridade, mas só esta entra na eternidade com Deus. Espaço pastoral de Tabuaço, Távora, Pinheiros e Carrazedo, de portas abertas para a Igreja e para o mundo...
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sexta-feira, 19 de julho de 2019
terça-feira, 9 de outubro de 2018
Marta, Marta, andas inquieta com tanta coisa
Naquele tempo, Jesus entrou em certa povoação e uma mulher chamada Marta recebeu-O em sua casa. Ela tinha uma irmã chamada Maria, que, sentada aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra. Entretanto, Marta atarefava-se com muito serviço. Interveio então e disse: «Senhor, não Te importas que minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe que venha ajudar-me». O Senhor respondeu-lhe: «Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas, quando uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada» (Lc 10, 38-42).

Cansado da jornada, Jesus tem na casa de Lázaro, de Maria e de Marta um porto de abrigo. Ao passar sabe que pode descansar e retemperar as forças. Marta atarefa-se para cuidar do bem-estar de Jesus. Maria acolhe-O na escuta atenta. Duas formas de acolhimento que Jesus aprecia.
O reparo de Marta a Jesus, merece d’Ele um outro reparo. O que Maria faz é tão ou mais importante. Não basta alimentar o corpo, mas também o espírito. Ela escuta-O, conforta-O do cansaço da missão.
A Igreja é Marta e Maria. Mas se for demasiado Marta pode esquecer-se da sua origem e do seu fim último. Tudo começa em Deus, na oração, na meditação e na contemplação que leve à Sua adoração. O compromisso com os outros e com o mundo, para o crente, há-de partir daqui, para que não haja instrumentalização de pessoas nem falte a alegria no serviço solidário.
Reflexão mais ampla no XVI Domingo do Tempo Comum
segunda-feira, 26 de março de 2018
Seis dias antes da Páscoa, Jesus em Betânia
"Eis o meu servo, a quem Eu protejo, o meu eleito, enlevo da minha alma. Sobre ele fiz repousar o meu espírito, para que leve a justiça às nações. Não gritará, nem levantará a voz, nem se fará ouvir nas praças; não quebrará a cana fendida, nem apagará a torcida que ainda fumega: mas proclamará fielmente a justiça. Não desfalecerá nem desistirá, enquanto não estabelecer a justiça na terra, a doutrina que as ilhas longínquas esperam" (Is 42, 1-7).

Seis dias antes da Páscoa, Jesus foi a Betânia, onde vivia Lázaro, que Ele tinha ressuscitado dos mortos. Ofereceram-Lhe lá um jantar: Marta andava a servir e Lázaro era um dos que estavam à mesa com Jesus. Então Maria tomou uma libra de perfume de nardo puro, de alto preço, ungiu os pés de Jesus e enxugou-Lhos com os cabelos; e a casa encheu-se com o perfume do bálsamo... (Jo 12, 1-11).
Iniciámos a Semana Santa, com o Domingo de Ramos e com a Entrada Triunfal de Jesus em Jerusalém. Nesta segunda-feira as leituras ajudam-nos a reflectir o mistério pascal de Jesus, nosso Salvador. Isaías fala-nos do Servor sofredor, que identificamos com Jesus, o Messias esperado/prometido. É como o Cordeiro inocente, sem mancha, levado ao matadouro, não gritará, não levantará a voz. N'Ele está o espírito de Deus.
No Evangelho, encontrámos Jesus em Betânia, em casa de Maria, Marta e Lázaro. Maria unge Jesus, como antecipação da unção pós-morte. Nas palavras do próprio Jesus, vemos que Maria tinha preparado aquele perfume para o dia da Sua sepultura... Encaminhamo-nos rapidamente para o desenlace final...
sábado, 29 de julho de 2017
Santa Marta, irmã de Maria e Lázaro
Nota biográfica:
Evangelho para este dia:
Era irmã de Maria e de Lázaro. Quando recebia o Senhor em sua casa de Betânia, servia-O com grande diligência, e com suas orações obteve a ressurreição de seu irmão.
Oração (de colecta):
Deus omnipotente e eterno, cujo Filho aceitou a hospitalidade que Santa Marta Lhe oferecia em sua casa, concedei-nos, por sua intercessão, que, servindo a Cristo em cada um dos nossos irmãos, sejamos por Vós recebidos nas moradas eternas. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
Marta disse a Jesus: «Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido. Mas sei que, mesmo agora, tudo o que pedires a Deus, Deus To concederá». Disse-lhe Jesus: «Teu irmão ressuscitará». Marta respondeu: «Eu sei que há-de ressuscitar na ressurreição do último dia». Disse-lhe Jesus: «Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido, viverá; e todo aquele que vive e acredita em Mim, nunca morrerá. Acreditas nisto?». Disse-Lhe Marta: «Acredito, Senhor, que Tu és o Messias, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo» (Jo 11, 19-27).
Dos Sermões de Santo Agostinho, bispoBem-aventurados os que mereceram receber o Senhor
em sua própria casa
As palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo que acabamos de ler no Evangelho advertem-nos que, no meio da multiplicidade das ocupações deste mundo, há um bem único para o qual devemos tender. Tendemos porque ainda estamos a caminho e não em morada permanente; em viagem e não na pátria definitiva; em tempo de desejo e não da posse perfeita. Mas devemos tender sem preguiça e sem parar, a fim de podermos um dia chegar ao fim.
Marta e Maria eram duas irmãs, ambas irmãs não só de sangue, mas também pelos sentimentos religiosos. Ambas estavam unidas ao Senhor; ambas, em perfeita harmonia, serviam o Senhor corporalmente presente.
Marta recebeu-O como costumam ser recebidos os peregrinos; e no entanto, era uma serva que recebia o seu Senhor, uma doente que acolhia o Salvador, uma criatura que hospedava o Criador. Recebeu o Senhor para Lhe dar o alimento corporal, ela que precisava do alimento espiritual. Com efeito, o Senhor quis tomar a forma de servo e nesta condição de servo quis ser alimentado pelos servos, por condescendência e não por necessidade. De facto, também foi por condescendência que Se apresentou para ser alimentado, porque tinha assumido um corpo sujeito à fome e à sede.
E assim pôde ser hospedado o Senhor, Aquele que veio para o que era seu e os seus não O receberam; mas a quantos O receberam deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus. Adoptou os servos e fê-los irmãos; remiu os cativos e fê-los co-herdeiros. Mas ninguém de entre vós ouse dizer: «Oh bem-aventurados os que mereceram receber a Cristo na sua própria casa!». Não tenhas pena, não te lamentes por teres nascido num tempo em que já não podes ver o Senhor na sua carne. Ele não te privou dessa honra, porque Ele mesmo disse: O que fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes.
Além disso tu, Marta, – com tua licença o direi, e bendita sejas pelos teus bons serviços – buscas o descanso como recompensa do teu trabalho. Agora estás ocupada com muitos serviços, queres alimentar os corpos que são mortais, embora de pessoas santas. Porventura, quando chegares à outra pátria, poderás encontrar um peregrino a quem hospedar, um faminto com quem repartir o pão, um sequioso a quem dar de beber, um doente a quem visitar, algum litigante a quem reconciliar, algum morto a quem sepultar?
Lá, não haverá nada disto. Que haverá então? O que Maria escolheu: lá, seremos alimentados e não daremos alimento. Lá, há-de cumprir-se em plenitude aquilo que Maria aqui escolheu: daquela mesa opulenta, ela recolhia as migalhas da palavra do Senhor. Quereis saber o que haverá lá? O próprio Senhor o diz a respeito dos seus servos: Em verdade vos digo, que Ele os mandará sentar à mesa e, passando no meio deles, os servirá.
sábado, 16 de julho de 2016
Domingo XVI do Tempo Comum - ano C - 17 de julho
1 – Seguir Jesus é a vocação primeira do cristão. Não de qualquer jeito, mas segui-l'O imitando-O. Por conseguinte, para seguirmos Jesus precisamos de estar muito perto d'Ele, escutando-O, sentindo o bater do Seu coração, cruzando o nosso com o Seu olhar, fazendo com que o Seu sorrir passe para o nosso rosto, que as Suas palavras saiam dos nossos lábios, para multiplicarmos os Seus gestos de ternura e de compaixão, de perdão e de amor, de proximidade e delicadeza, de misericórdia e de serviço.
A oração, a escuta da Palavra de Deus e a meditação da mesma, a envolvência nos sacramentos, a vivência das obras de misericórdia, são essenciais para O seguir a Ele e não a qualquer imitação. Porém, poderemos deixar-nos contagiar por aqueles que ao longo do tempo foram seus imitadores, pelo testemunho de vida, pelo compromisso social, pela identificação com os mais pobres, mostrando-nos como Jesus continua vivo no presente. Não é um Homem do passado, mas Deus a encarnar em cada um de nós. Para isso precisamos de nos tornar transparentes como São Francisco, Madre Teresa de Calcutá, como Santa Teresa de Jesus e Santa Teresinha do Menino Jesus, como São João da Cruz ou Padre Américo.
2 – Jesus entrou em certa povoação e uma mulher chamada Marta recebeu-O em sua casa. Ela tinha uma irmã chamada Maria, que, sentada aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra. Entretanto, Marta atarefava-se com muito serviço. Interveio então e disse: «Senhor, não Te importas que minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe que venha ajudar-me». O Senhor respondeu-lhe: «Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas, quando uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada».
3 – Nos domingos anteriores, o evangelho familiarizou-nos com a vocação, o seguimento, o envio e as condições ou exigências para sermos autênticos discípulos de Jesus. Vamos amadurecendo, é certo. O tempo dirá da nossa maturidade e persistência, da nossa fidelidade e propósito, da nossa conversão permanente e adesão a Cristo e ao Seu Evangelho de amor. Como o ouro no crisol, também nos vamos moldando para fazermos emergir em nós a imagem e a presença de Cristo Jesus.
No evangelho de hoje, se dúvidas houvesse, Jesus deixa claro a prioridade do discípulo: a proximidade e a escuta. É necessário não perder Jesus de vista, por nenhum instante. Segui-l'O, deixando que Ele nos guie e não o contrário. Para O anunciarmos não nos podemos colocar à frente, como quereria Pedro, sob risco de provocarmos um eclipse. Somos mais lua do que sol, mas é o sol que havemos de refletir. Somos discípulos e não mestres. A luz não é a nossa. É Cristo. A palavra não é a nossa. É Cristo. A projeto não é nosso. É o reino de Deus, visualizado na pessoa de Jesus Cristo. A vontade a realizar não é a nossa, mas a de Cristo, a de Deus.
D'Ele aprendemos a afabilidade, o cuidado e a atenção a cada pessoa. Ele desafia-nos a viver no melhor de nós, dando-nos, cuidando uns dos outros, auxiliando os mais frágeis. A única lei do cristão é o amor. Amor a Deus que se traduz no serviço ao nosso semelhante. É a lei que nos liberta de nós e dos nossos egoísmos. É a caridade que nos irmana. É a misericórdia que nos filia em Deus. Como Ele faz, façamos nós também. “Eu que Sou Mestre e Senhor, lavei-vos os pés... como Eu vos fiz fazei vós também”. “Dai-lhes vós de comer”. Não passeis adiante pu ao largo. Há alguém caído, ferido... dai-lhe alento, tratai-o, curai-o, ressuscitai-o. Restituiu-o à vida.
4 – “Faz isso e viverás”. “Vai e faz o mesmo”. São respostas de Jesus ao doutor da Lei. O mandato é para agir em conformidade com o que se sabe, com o que se diz.
Marta anda atarefada. E bem. Para acolher bem Jesus. Para Lhe agradar e aos seus discípulos, fazendo com que se sintam em casa. Maria faz o mesmo, fica sentada a ouvir Jesus. Oração e trabalho (ora et labora – a máxima de São Bento, Padroeiro da Europa e que celebramos a 12 de julho). Completam-se. A oração implica-nos com seriedade no trabalho. O trabalho pode tornar-se uma forma de oração, quando nos aproxima dos outros e nos faz transformar positivamente o mundo.
Se agimos sem a ligação a Jesus Cristo corremos o risco de instrumentalizar os outros e de desanimar diante das dificuldades.
Há tantas situações na vida em que não precisamos senão de um abraço, um sorriso, um olhar. Há momentos em que não precisamos que nos respondam mas tão-somente que nos escutem e nos sosseguem com o seu olhar. Não precisamos de mais. Jesus certamente precisava de se alimentar e de descansar. Mas precisava muito de se sentir em casa e não ser mais uma peça de mobília. Há tanta coisa que nos dispersa. Por vezes nem temos tempo de cumprimentar com tempo e disponibilidade, de olhos nos olhos, acolhendo. Alguém chega e a azáfama continua. E quem chega sente que está a dar trabalho como convidado ou até estranho e não como membro da casa e da família.
Tantos afazeres. Parece que se não fizermos fica por fazer. Parece que o mundo vai acabar e temos que nos desembaraçar. Os outros vieram acelerar-nos. Devemos dar o melhor de nós mesmos, mas lembrando-nos da prioridade. A prioridade é a pessoa que nos visita ou que visitamos. O tempo pára, porque nos é dado gratuitamente por Deus. A não ser em situações específicas, é ali que temos de estar, com aquela pessoa. Fazermos o que temos a fazer com dedicação.
Marta anda de um lado para o outro, como uma barata tonta. Não está concentrada nem no trabalho nem em Jesus. Está incomodada com o que os outros não fazem. Quer a atenção só para ela e para o que está a fazer. O centro é Cristo, que chegou e que importa acolher e amar. Mais que se empenhar em fazer bem o que está a fazer, Marta incomoda-se por ver que sua irmã não ajuda. Maria está embebecida a escutar Jesus. A casa é de Marta. Quer despachar tudo para que os convidados possam ter tudo o que precisam. Certamente que Jesus aprecia o trabalho e a dedicação de Marta. Também nós reagimos como Jesus quando vemos que alguém faz o trabalho a contragosto. Nem rende. Percebemos que nos tornamos um estorvo, ainda que a pessoa não o faça por mal.
Maria faz-se casa para Jesus. Mais importante que o espaço é o tempo que se dedica e a qualidade do mesmo. Há lugar para Marta e para Maria em nós, na Igreja e na sociedade. Como cristãos sabemos a primazia para vivermos e darmos Jesus Cristo: primeiro há que O acolher, pela oração, pela escuta e meditação da Palavra de Deus. Não podemos dar o que não temos. A luz que há em nós é Jesus. Se nos distanciamos d'Ele, escurecemos e Ele fica esbatido em nós e para os outros.
5 – Na primeira leitura, Abraão ensina-nos a acolher os estranhos como visitas de Deus. Sara e os criados tratam de cozinhar o pão e um vitelo tenro, de trazer água para os peregrinos lavarem os pés e se refrescarem. Vislumbra-se um certo paralelismo com o Evangelho. Sara e os criados correspondem a Marta. Abraão, tal como Maria, irmã de Marta, fica junto dos visitantes, ainda que se perceba que é ele quem coordena os trabalhos. No final a hospitalidade de Abraão com os visitantes não ficará sem recompensa.
6 – São Paulo, na segunda leitura, testemunha a confiança em Deus que nos salva em Cristo. Como Ele também nós experimentamos a finitude e a fragilidade, o sofrimento e a morte. Em absoluto. Mas também na especificidade do seguimento. Seguirmos Jesus implica que nos predisponhamos a abraçar a Cruz, não pelo gosto de sofrer, mas na opção pelo bem, pela verdade, pelo amor.
Quando os pais se esforçam pelos filhos, sacrificando-se por eles, não ficam a reclamar da vida. Estão comprometidos com a felicidade dos filhos que amam mais que tudo. Quando sofremos por amor de Cristo, se estivermos convictos da nossa salvação, certos de agirmos em conformidade com o Evangelho, sofremos confiantes na misericórdia de Deus, sabendo que a provisoriedade do sofrimento será vencida pela esperança definitiva da salvação em Deus.
"Agora alegro-me com os sofrimentos que suporto por vós e completo na minha carne o que falta à paixão de Cristo, em benefício do seu corpo que é a Igreja... Cristo no meio de vós, esperança da glória. E nós O anunciamos, advertindo todos os homens e instruindo-os em toda a sabedoria, a fim de os apresentarmos todos perfeitos em Cristo".
Como seres humanos, estamos em processo de maturação. Sempre. Vamos lapidando a nossa vida, comprometidos em comunidade, para nos identificarmos cada vez mais com Jesus Cristo.
Pe. Manuel Gonçalves
sábado, 20 de julho de 2013
XVI Domingo do Tempo Comum - ano C - 21 de julho 2013
1 – “Jesus entrou em certa povoação e uma mulher chamada Marta recebeu-O em sua casa. Ela tinha uma irmã chamada Maria, que, sentada aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra”.
Primeira lição: o amor tem concretização. Não se vive genericamente. Amamos o mundo inteiro, mas precisamos de nos sentir acarinhados por alguém, um familiar, um amigo, uma pessoa que nos espera... Jesus vive a maior parte da sua vida com os pais. Vem para a humanidade inteira. Porém, nasce em Belém; seus pais são Maria e José; vive em Nazaré, e situa a Sua vida pública na Judeia e na Galileia, com algumas passagens pontuais pela Samaria. Tem muitos amigos, os discípulos. Um grupo mais restrito de 12 apóstolos, entre os quais se salientam três ou quatro mais próximos. Vai a casa de fariseus, de publicanos, vai onde é convidado ou para onde Se faz convidado – «Zaqueu, desce depressa, pois hoje tenho de ficar em tua casa» (Lc 19, 5) – mas tem depois uma ou outra família onde Se hospeda e onde regressa, como é a casa dos seus amigos Lázaro, Maria e Marta.
Segunda lição: Jesus não é o super-homem. Verdadeiramente Deus. Verdadeiramente homem. Não é uma personagem esquisita, heroica, ao jeito das figuras televisivas ou cinematográficas. É um homem de carne e osso, concreto, que vive num tempo e num espaço determinados. Mesmo que frugalmente, como naquela época, tem necessidade de comer, de descansar, de sentir a presença dos amigos. Vê-se neste evangelho mas também em muitas outras passagens, como quando reclama a vigilância e proximidade dos discípulos. Em contraponto com João Batista, que vive no deserto e se alimenta de gafanhotos e mel silvestre, Jesus come como os seus discípulos, vai a festas para as quais é convidado, e come as refeições que a Mãe lhe prepara. Passando naquela povoação, Jesus e os discípulos não deixam de visitar os amigos, aproveitando para repousar e recuperar energias.
2 – «Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas, quando uma só é necessária».
Depois de mais uma jornada, Jesus, com os seus discípulos, entra em determinada povoação e Marta recebe-O em sua casa. Aprendamos com ela a receber Jesus em nossa casa. Mas depois de O acolhermos, é necessário darmos-Lhe atenção. Marta atarefa-se para receber bem. Entretanto vê que a sua irmã está sentada aos pés de Jesus a escutá-l'O. Forma sublime de acolher, com o ouvido, melhor, com o coração!
«Senhor, não Te importas que minha irmã me deixe sozinha a servir?»
Marta aproxima-se de Jesus e dá-lhe uma leve repreensão. Ele tinha obrigação de compreender. Sua irmã está ali “sem fazer nada”, quando poderia estar a ajudá-la.
Jesus não recrimina Marta pelo carinho e generosidade com que O trata e como cuida da casa. No entanto alerta para algo mais importante. Se cada um faz o que lhe compete…
Quando se recebe alguém em casa é necessário preparar tudo. À última hora adensam-se os preparativos. Quantos mais a ajudar, melhor. No entanto, se temos um convidado, um amigo, não o deixamos sozinho na sala, a não ser que não haja outra possibilidade.
Jesus aponta para a escuta da Palavra, para a prioridade da oração, da contemplação, do estar junto d'Ele, aos seus pés. Há todo outro trabalho útil e meritório, mas este não pode anular aquele. De que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro se vier a perder a sua alma, a sua vida?
3 – «Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas...».
Como não revermo-nos neste alerta de Jesus?
Vivemos numa luta permanente. Atarefados, em grandes correrias, com a agenda cheia, não há tempo para nada. Falta depois o tempo para o essencial, para estar com a família, para os pais brincarem com os filhos, para os filhos passarem tardes com os pais e os avós, ou participarem num programa comum, na Eucaristia, numa festa, um almoço ou jantar. Os filhos têm os seus compromissos, os horários dos pais são incompatíveis com o dos filhos.
Queremos fazer muitas coisas, estar em todo o lado, e acabamos por nem fazer uma coisa nem outra, nem estar num sítio nem no outro, ou pelo menos com a qualidade e envolvimento devidos. Matamo-nos a trabalhar e quando nos apercebemos, em vão, cansamo-nos para nada, ou porque não aproveitamos, ou porque já não temos saúde para gozar os frutos, ou não tivemos tempo para solidificar amizades ou dedicar tempo e afeto à família, ou porque aqueles para quem trabalhamos não agradecem e esbanjam rapidamente o que nos custou tanto a conseguir.
Temos esta consciência? Corremos, corremos, e parece que não saímos do mesmo lugar, e quanto mais corremos mais nos atrasamos? Já alguém se sentiu assim? Com a vida a escapar-se-lhes como a areia entre os dedos das mãos? Tantas preocupações e trabalhos e no final parece que ficamos de mãos vazias! Quem é que já experimentou situações assim? Lutas e cansaços, e para quê?
4 – «…uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte».
Justo equilíbrio, sem perder o norte, o ponto de partida, o chão que nos liga, a meta para onde nos dirigimos. Cada um de nós há de apostar em ser Marta – que acolhe, trabalha, labuta –, e Maria – que escuta, acolhe, contempla, bebe as palavras do Senhor.
E assim a Igreja! A melhor parte, o ponto de partida: estar aos pés do Senhor. Perto de Jesus. Escutá-l'O. Primeiro, discípulos, e depois apóstolos, enviados. De novo a fé e as obras. Uma coisa leva à outra. Não estão desligadas. Se corremos muito mas sem Deus, sem oração, sem ligação a um sentido maior, corremos o risco de nos perdermos. Por outro lado, a fé há de ser encarnada. Fé com carne, com vida, com obras.
São Bento, Padroeiro da Europa, cuja festa celebramos a 11 de julho, tem uma regra muito simples: ora et labora – reza e trabalha. É possível que o trabalho, honesto, dedicado, seja oração. Mas há tempos específicos para a oração, para que aquele não seja um fardo. É preciso trabalhar e descansar. Trabalhar e beneficiar dos frutos do trabalho. Trabalhar e partilhar o que se produz. Também isso é oração. Esta desperta-nos para os outros.
Espaço e tempo para a contemplação, a beleza, o encontro com os amigos e com a família, para o descanso, para participar em atividades lúdicas e culturais, para apreciar a natureza, para rezar, para louvar e agradecer, para descobrir a harmonia do que nos rodeia e o engenho de homens e mulheres que vivem perto ou longe de nós e que ajudam a embelezar esta nossa terra.
5 – «Se agradei aos vossos olhos, não passeis adiante sem parar em casa do vosso servo».
Na primeira leitura, vemos a delicadeza de Abraão, um homem de Deus, justo, trabalhador, que, pela hora de mais calor, está a descansar. Vê passar três homens, e não precisa de grandes cálculos, entende este encontro como sinal da presença de Deus, sinal de bênção.
Também aqui, a fé é concretizável em gestos de generosidade e aproximação. Abraão faz uma leitura muito rápida. Quem passa pela minha casa, à frente da minha porta, vem da parte de Deus, então é necessário tratá-lo como enviado de Deus.
Abraão convida ao descanso e rapidamente prepara uma bela refeição, para que aqueles homens possam restaurar as forças da viagem. Que bela lição esta que Abraão nos dá. É necessário que aqueles que passam por nós deixem um pouco de si e levam um pouco de nós, como evoca Antoine de Saint-Exupéry, no Principezinho. O que fizerdes ao meu irmão, a Mim o fazeis…
Abraão não se engana. Aquelas personagens deixarão a sua bênção transformadora: «Passarei novamente pela tua casa daqui a um ano e então Sara tua esposa terá um filho».
6 – “Cristo no meio de vós, esperança da glória. E nós O anunciamos…”
Deus passa em nossa casa, mas não vai adiante sem antes bater à nossa porta, permitindo-nos a hospitalidade. Podemos abrir-lhe a porta e deixá-l’O entrar, mais e mais na nossa vida.
O mistério desta vinda e deste encontro revela-Se em plenitude em Jesus Cristo. Assume a condição de filho, para nos assumir como irmãos. Primeiro, a descoberta, o encontro e a conversão, como em Paulo, e depois o anúncio. Não podemos dar o que não temos. Damos Aquele que nos habita.
Reflexão dominical na página da Paróquia de Tabuaço.
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segunda-feira, 18 de abril de 2011
Unção da Betânia, a unção para a sepultura!
Seis dias antes da Páscoa, Jesus foi a Betânia, onde vivia Lázaro, que Ele tinha ressuscitado dos mortos. Ofereceram-Lhe lá um jantar: Marta andava a servir e Lázaro era um dos que estavam à mesa com Jesus. Então Maria tomou uma libra de perfume de nardo puro, de alto preço, ungiu os pés de Jesus e enxugou-Lhos com os cabelos; e a casa encheu-se com o perfume do bálsamo... (Jo 12, 1-11).
O evangelista São João revela um momento significativo da vida de Jesus precisamente seis dias antes da Páscoa judaica, mostrando eminente a Sua glorificação pela Cruz. Jesus vai a casa de Maria, Marta e Lázaro. Aliás, diz mais à frente que muita gente acorreu para ver Jesus mas também para ver Lázaro que tinha sido ressuscitado.
Uma vez mais surge Marta a cuidar do jantar e a servir os convidados que acompanham Jesus. Maria, por sua vez está perto de Jesus, a ouvi-lo. É nesse contexto que Maria unge os pés de Jesus, enxugando-lhos com os cabelos. É uma imagem que de algum modo antecipa a unção post mortem, os defuntos são ungidos antes de serem sepultados. A unção de Betânia não deixa dúvidas quanto ao desfecho da vida e missão de Jesus.
De seguida, nas palavras de Judas, mas certamente dos demais apóstolos, a contestação, dizendo que o elevado preço do perfume deveria ser para distribuir pelos pobres. Jesus responde que uma situação não invalida a outras: pobres e oportunidade de partilhar com eles a vida será uma constante para os discípulos e para a Igreja. Mas importa não perder de vista que mais importante é a presença d'Ele, de Jesus. Só assim terá sentido a prática da caridade.
domingo, 10 de abril de 2011
RESSURREIÇÃO: promessa, garantia e certeza
A liturgia da Palavra proposta para este V Domingo da Quaresma pode ler-se a partir destes três itens, um para cada leitura: 1.º leitura: promessa; Evangelho: garantia; 2.º leitura: certeza.
PROMESSA:
«Vou abrir os vossos túmulos e deles vos farei ressuscitar, ó meu povo, para vos reconduzir à terra de Israel. Haveis de reconhecer que Eu sou o Senhor, quando abrir os vossos túmulos e deles vos fizer ressuscitar, ó meu povo. Infundirei em vós o meu espírito e revivereis. Hei-de fixar-vos na vossa terra e reconhecereis que Eu, o Senhor, o disse e o executarei» (Ez 37,12-14).
O profeta Ezequiel apresenta-nos claramente a ressurreição como promessa de Deus. Diga-se, que esta ressurreição pode ser entendida em dois sentidos: Deus ressuscitar-nos-á para a eternidade, e, também, a ressurreição do povo de Israel, enquanto restauração do povo e do seu território.
O profeta Ezequiel apresenta-nos claramente a ressurreição como promessa de Deus. Diga-se, que esta ressurreição pode ser entendida em dois sentidos: Deus ressuscitar-nos-á para a eternidade, e, também, a ressurreição do povo de Israel, enquanto restauração do povo e do seu território.
GARANTIA:
"Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido, viverá; e todo aquele que vive e acredita em Mim, nunca morrerá" (Jo 11,1-45).
Jesus garante-nos a vida futuro. Quem acredita no Filho do Homem não morrerá, irá à presença de Deus. É uma garantia que Se faz certeza na Sua ressurreição. Porquanto, ressuscitamos, pelo Baptismo, para a vida nova de filhos, para vivermos em espírito e verdade.
Também a ressurreição de Lázaro é uma garantia, do poder de Deus, do Seu amor por nós, e do poder que é mais forte que a morte. Lázaro é "reanimado" para a vida temporal, mas também um dia morrerá e então há-de ressuscitar para a eternidade de Deus.
CERTEZA:
"Vós não estais sob o domínio da carne, mas do Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós... E, se o Espírito d’Aquele que ressuscitou Jesus de entre os mortos habita em vós, Ele, que ressuscitou Cristo Jesus de entre os mortos, também dará vida aos vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que habita em vós" (Rom 8,8-11).
A ressurreição de Jesus é a certeza de que Aquele que O ressuscitou também nos ressuscitará. A nossa vida e a nossa fé são sustentadas e enformadas pela Ressurreição de Jesus. Primeiro Ele, depois nós.
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Deus criou-nos para a ressurreição e para a vida
Na Sua Mensagem para esta QUARESMA 2011, Bento XVI diz o seguinte sobre este V Domingo de Quaresma:
Quando, no quinto domingo, nos é proclamada a ressurreição de Lázaro, somos postos diante do último mistério da nossa existência: «Eu sou a ressurreição e a vida... Crês tu isto?» (Jo 11, 25-26). Para a comunidade cristã é o momento de depor com sinceridade, juntamente com Marta, toda a esperança em Jesus de Nazaré: «Sim, Senhor, creio que Tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo» (v. 27). A comunhão com Cristo nesta vida prepara-nos para superar o limite da morte, para viver sem fim n’Ele. A fé na ressurreição dos mortos e a esperança da vida eterna abrem o nosso olhar para o sentido derradeiro da nossa existência: Deus criou o homem para a ressurreição e para a vida, e esta verdade doa a dimensão autêntica e definitiva à história dos homens, à sua existência pessoal e ao seu viver social, à cultura, à política, à economia. Privado da luz da fé todo o universo acaba por se fechar num sepulcro sem futuro, sem esperança.
sábado, 9 de abril de 2011
Domingo V da Quaresma - 10 de abril
1 – "Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido, viverá; e todo aquele que vive e acredita em Mim, nunca morrerá". A afirmação de Jesus é inaudita e surpreendente, e incontornável. A pergunta/desafio a Marta vai muito para além de uma concepção de vida apenas terrena e material, transcendendo-nos nas nossas limitações humanas.
A fé é essencial para que a vida ressurja constantemente. O desafio à confissão de fé de Marta, para que não se deixe afoguear pela dor e pelo luto, mas, ela e nós, se abra à confiança plena em Deus, na certeza de que, para os crentes, como nos recordará São Paulo, a vida não acaba apenas se transforma e desfeita a morada deste exílio terrestre, entraremos na morada eterna, já não feita por mãos humana, mas dádiva de Deus e que n’Ele perdurará para sempre.
A ressurreição, para nós, crentes cristãos, é crucial, é o ponto de partida da nossa vida espiritual e a nossa meta. Está presente em todo o tempo. Radicámos toda a nossa vida de fé a partir da ressurreição de Jesus Cristo, como antecipação da nossa ressurreição para a eternidade de Deus. Aliás, em cada Eucaristia, em cada Domingo e, como solenidade, anualmente, a liturgia da Igreja centra-se na Páscoa de Jesus.
2 – Quando Marta se aproxima de Jesus, quando Maria O interpela, uma e outra confiam no Seu poder e sabem que Deus está com Ele. Marta acredita em Jesus. Maria diz mesmo que a presença de Jesus evitaria a morte do seu irmão. Ambas sabem que a vida e a ressurreição acompanham Jesus, na Sua pregação, nos seus gestos e na promessa de nos preparar uma morada eterna. Compreendem que a vida não se esgota agora, no tempo presente, crêem na ressurreição, ainda que a separação de Lázaro lhes traga sofrimento e tristeza. Não é o fim. Esta certeza, contudo, não anula a dor, mas enquadra-a na garantia da eternidade.
"Jesus, levantando os olhos ao Céu, disse: «Pai, dou-Te graças por Me teres ouvido. Eu bem sei que sempre Me ouves, mas falei assim por causa da multidão que nos cerca, para acreditarem que Tu Me enviaste». Dito isto, bradou com voz forte: «Lázaro, sai para fora». O morto saiu, de mãos e pés enfaixados com ligaduras e o rosto envolvido num sudário".
A ressurreição de Lázaro é antecipação da ressurreição de Jesus. É sinal e expressão, tal como outros prodígios realizados por Jesus, que o poder de Deus está no meio de nós, pela fé e simultaneamente que o mal, o sofrimento, a doença e a morte devem ser combatidos até onde for humanamente possível, com a ajuda de Deus. Mas, contrariamente à ressurreição de Jesus, a de Lázaro é sobretudo uma reanimação, para a vida terrena. Biologicamente, na nossa finitude e fragilidade humanas, a morte chegará um dia. Também a de Lázaro. Mas não como fatalismo. Na ressurreição do Seu amigo, Jesus mostra-nos que o poder de Deus vence a morte, como mais claramente se verá na Sua própria ressurreição. A separação dos entes queridos é passageira, logo nos encontraremos na comunhão gloriosa dos santos.
3 – Enquanto caminhamos neste "vale de lágrimas", onde nos deparamos com o sofrimento, com a doença e com o mal, com a solidão e com a morte, somos enlevados pela esperança que Se funda nas promessas de Deus a Israel: "Assim fala o Senhor Deus: «Vou abrir os vossos túmulos e deles vos farei ressuscitar, ó meu povo, para vos reconduzir à terra de Israel. Haveis de reconhecer que Eu sou o Senhor, quando abrir os vossos túmulos e deles vos fizer ressuscitar, ó meu povo. Infundirei em vós o meu espírito e revivereis. Hei-de fixar-vos na vossa terra e reconhecereis que Eu, o Senhor, o disse e o executarei». Aqui de novo se pode entender a fé na ressurreição em dois sentidos: os que morrem ressuscitarão para a vida eterna; o povo enquanto tal não morrerá mas será reconduzido para a terra prometida, renovando-se.
Um e outro sentido, são garantia que Deus continuará a agir na história e no tempo a favor da humanidade.
Mas não apenas isso. A nossa esperança agora tem um rosto, real e concreto, Jesus Cristo, que vem de junto de Deus para nos mostrar o Seu amor, e regressa, pela Sua morte e ressurreição, para nos introduzir no Reino eterno de Seu e nosso Pai.
"Vós não estais sob o domínio da carne, mas do Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós... E, se o Espírito d’Aquele que ressuscitou Jesus de entre os mortos habita em vós, Ele, que ressuscitou Cristo Jesus de entre os mortos, também dará vida aos vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que habita em vós".
A fé em Jesus Cristo, Filho de Deus, morto e ressuscitado, dá-nos a certeza de que a nossa identidade humana não se perderá com a morte natural, mas prosseguirá na eternidade, na comunhão dos santos, com a ressurreição da carne.
___________________________Textos para a Eucaristia (ano A): Ez 37,12-14; Rom 8,8-11; Jo 11,1-45.
Reflexão Dominical na página da Paróquia de Tabuaço.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Santa Marta, irmã de Maria e Lázaro
Nota biográfica:
Evangelho para este dia:
Era irmã de Maria e de Lázaro. Quando recebia o Senhor em sua casa de Betânia, servia-O com grande diligência, e com suas orações obteve a ressurreição de seu irmão.
Oração (de colecta):
Deus omnipotente e eterno, cujo Filho aceitou a hospitalidade que Santa Marta Lhe oferecia em sua casa, concedei-nos, por sua intercessão, que, servindo a Cristo em cada um dos nossos irmãos, sejamos por Vós recebidos nas moradas eternas. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

Marta disse a Jesus: «Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido. Mas sei que, mesmo agora, tudo o que pedires a Deus, Deus To concederá». Disse-lhe Jesus: «Teu irmão ressuscitará». Marta respondeu: «Eu sei que há-de ressuscitar na ressurreição do último dia». Disse-lhe Jesus: «Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido, viverá; e todo aquele que vive e acredita em Mim, nunca morrerá. Acreditas nisto?». Disse-Lhe Marta: «Acredito, Senhor, que Tu és o Messias, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo» (Jo 11, 19-27).
sábado, 17 de julho de 2010
XVI Domingo do Tempo Comum (ano C) - 18 de Julho
1 – O cristianismo não é abstracto, mas vivência concreta do Evangelho no meio do mundo, na relação concreta e quotidiana com pessoas de carne e osso, procurando a verdade, a partilha solidária, o compromisso pela justiça, o empenho pela paz, a construção de um ambiente saudável e fraterno, em casa, com a família, com os vizinhos, no local de trabalho, no lazer, proporcionando aos outros bem-estar e alegria.
A Primeira Leitura intui a delicadeza de um homem de fé. Abraão, pela hora do calor, resguarda-se à entrada da tenda, na sombra e no descanso. Passam três homens (de Deus) e imediatamente o grande patriarca os retém para que parem, descansem, retemperem forças. Para ele, em todo o caso, são presença Deus. Com efeito, em todas as pessoas poderemos acolher o rosto de Deus. São muitas as oportunidades que se nos apresentam para fazermos o bem. ainda que seja um copo de água.
Também no Evangelho deste domingo vemos a vivência do carinho para com Jesus, vivido em gestos concretos de acolhimento, ternura e conforto. Cansado da jornada, Jesus tem na casa de Lázaro, de Maria e de Marta um porto de abrigo. Ao passar sabe que pode descansar e retemperar as forças. Marta atarefa-se para cuidar do bem-estar de Jesus. Maria acolhe-O na escuta atenta. Duas formas de acolhimento que Jesus aprecia.

2 – Em tempos de agitação, de crise, de dificuldades, o nosso porto seguro é Jesus Cristo. Ouvimos as Suas palavras, "vinde a Mim todos os que andais cansados e oprimidos e Eu vos aliviarei". Para nós, Ele é a tenda de Abraão, a casa de Lázaro, de Maria e de Marta. É Ele que nos trata das feridas, o Bom Samaritano, que nos acolhe, nos escuta, nos dá novas forças para o caminhar. É d'Ele que nos alimentamos, na Sua palavra e nos Seus sacramentos, em especial da Eucaristia, o alimento espiritual até à vida eterna.
Paulo, na Segunda Leitura, mostra a sua alegria por contribuir para disseminar a palavra de Jesus Cristo, por deixar transparecer o Seu amor por nós, manifesto sobretudo na Sua paixão redentora. Cada um de nós, seguindo a interpelação de São Paulo, deve testemunhar a paixão de Jesus Cristo com alegria, pela voz e com a vida.
3 – A dinâmica da fé permite que todos nós possamos contribuir com os nossos talentos, com a nossa forma de ser, com as nossas qualidades, procurando dar o melhor de nós mesmos, com a tal alegria de que nos fala São Paulo. Por vezes perdemos tempo a discutir os dons que não temos, ou os dons que os outros têm.
Ora, Deus é o mesmo. É o mesmo Pai. Os dons são tão variados quanto as pessoas, e cada um tem algo importante e essencial a dar aos outros e ao mundo.
Quando Jesus chama a atenção de Marta: "Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas, quando uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada", diz-lhe precisamente isso. Marta acolhe Jesus com trabalho, arranjando a casa, preparando o repouso e a refeição, mas deverá fazê-lo com alegria, com generosidade e não em esforço. O reparo de Marta a Jesus, merece d’Ele um outro reparo. O que Maria faz é tão ou mais importante. Não basta alimentar o corpo, mas também o espírito. Ela escuta-O, conforta-O do cansaço da missão.
A Igreja é Marta e Maria. Mas se for demasiado Marta pode esquecer-se da sua origem e do seu fim último. Tudo começa em Deus, na oração, na meditação e na contemplação que leve à Sua adoração. O compromisso com os outros e com o mundo, para o crente, há-de partir daqui, para que não haja instrumentalização de pessoas nem falte a alegria no serviço solidário.
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Textos para a Eucaristia (ano C): Gen 18,1-10a; Col 1,24-28; Lc 10,38-42.
Reflexão Dominical na página da Paróquia de Tabuaço
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terça-feira, 6 de outubro de 2009
Marta e Maria
Jesus entrou numa aldeia. E uma mulher, de nome Marta, recebeu-o em sua casa. Tinha ela uma irmã, chamada Maria, que, sentada aos pés do Senhor, escutava a sua palavra. Marta, porém, andava atarefada com muitos serviços; e, aproximando-se, disse: «Senhor, não te preocupa que a minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe, pois, que me venha ajudar.»Senhor respondeu-lhe: «Marta, Marta, andas inquieta e perturbada com muitas coisas; mas uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada» (Lc 10, 38-42)
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___________________________ Maria e Marta não se opõe. Jesus precisa de uma e de outra. Depois da missão, certamente, extenuante, Jesus precisa do repouso e do alimento, bem assim como os seus discípulos. Mas tem necessidade de que alguém próximo, amigo, também O escute. São duas formas diferentes de acolher. A repreensão a Marta serve para dizer que importa cada um fazer o melhor que sabe e pode. Por outro lado, a primazia há-de ser para a escuta da palavra, para a oração, para a contemplação, passando à acção, ao compromisso. Uma dimensão não secundariza a outra, uma vez que uma oração autêntica, um diálogo verdadeiro com Deus, nos leva inelutavelmente ao próximo.
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