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sexta-feira, 15 de junho de 2018

Não cometerás adultério...

        Disse Jesus aos seus discípulos: Ouvistes que foi dito aos antigos: ‘Não cometerás adultério’. Mas Eu digo-vos: Todo aquele que tiver olhado para uma mulher com maus desejos já cometeu adultério com ela em seu coração. Se o teu olho direito é para ti ocasião de pecado, arranca-o e lança-o para longe de ti, porque é melhor perder-se um só dos teus membros, do que todo o teu corpo ser lançado na geena. E se a tua mão direita é para ti ocasião de pecado, corta-a e lança-a para longe de ti, porque é melhor perder-se um só dos teus membros, do que todo o teu corpo ser lançado na geena. Também foi dito: ‘Quem repudiar a sua mulher dê-lhe um certificado de repúdio’. Mas Eu digo-vos: Todo aquele que repudiar a sua mulher, a não ser em caso de união ilegítima, expõe-na a cometer adultério. E aquele que se casar com uma repudiada comete adultério» (Mt 5, 27-32).
       Jesus, di-lo claramente no Evangelho que temos vindo a refletir, não vem para revogar a Lei ou os profetas, mas para levar a Lei à plenitude. E em que conste a plenitude da Lei. O próprio Jesus responde ao longo de todo o Evangelho, consiste em dar a vida, gastar a vida a favor dos outros, assumir gestos de ternura, de compreensão, de tolerância, de partilha e comunhão, procurar a conciliação, perdoar sempre, dar a outra face, agir colocando o outro em primeiro lugar, servir com alegria o próximo, potenciar os talentos pondo-os ao serviço dos outros.
       A lei de Moisés, inspirada por Deus mas encarnada no tempo, na história, na cultura, na especificidade do povo eleito, apresenta algumas "facilidades", ainda que a linha seja a dignificação da pessoa. O homem podia "dispensar" a mulher, mas tinha que lhe passar um certificado, garantindo a possibilidade de ela refazer a vida. Jesus aprofunda a Lei, na linha do amor, do respeito, da dignidade. As pessoas não podem ser descartáveis. Sujeitos a limitações, os discípulos de Cristo devem procurar a pureza de olhar - olhar para a outra pessoa reconhecendo-a como pessoa e não como objeto -, e de intenções, para que no relacionamento com os outros sobrevenha a caridade, a entreajuda, a comunhão.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

XXVII Domingo do Tempo Comum - ano B - 4.outubro

        1 – Fomos criados à imagem e semelhança de Deus. Deus é Pai e Filho e Espírito Santo. Santíssima Trindade. Comunidade de vida e de amor. Também nós somos família, fomos criados para vivermos como povo, como irmãos, solidariamente, ajudando-nos. Osso dos meus ossos, carne da minha carne. Somos uns em relação aos outros, ainda que se visualize de forma mais transparente na complementaridade do homem e da mulher, auxiliares um do outro. Extensível à humanidade inteira. Estamos enxertados uns nos outros, ainda que por vezes nos esqueçamos da nossa origem, da nossa identidade e do nosso ADN, cujas células se interligam muito além de toda a aparência e de todas as diferenças.
       Quando olhamos para nós e para o mundo em que vivemos, constatamos o quanto estamos distantes deste ideal de vida fraterna, sinal e expressão da vida de Deus. O autor do Génesis chegou à mesma conclusão: observou os conflitos, as guerras, a violência, o derramamento de sangue dentro das famílias, ódios e invejas. Concluiu que o projeto de Deus se transformou ao longo das gerações. O início não poderia ter sido assim, nem Deus projetaria a desgraça e as contendas entre pessoas e povos. O que terá então acontecido? O pecado. O egoísmo, a pressa em resolver tudo à sua maneira, a inveja pelos dons dos outros, a não-aceitação das diferenças. Por outras palavras: a disputa sobre quem é o maior e quem pode tornar-se protagonista além dos outros, por cima dos demais?!
       2 – A Palavra de Deus centra-nos, explicitamente nos domingos anteriores, no serviço ao outro como único caminho para seguir Jesus. Os primeiros, no reino de Deus, serão os que amam de todo o coração os irmãos e multiplicam em obras o que professam com os lábios.
       Os fariseus estão por perto e atentos. Formavam, na realidade, um grupo religioso muito zeloso pelo cumprimento da lei mosaica. O problema surge no radicalismo excludente, quando se coloca em causa a soberania de Deus e a universalidade da salvação, qual areia que se perde por entre os dedos da mão à medida que se aperta. Os fundamentalismos extremam os princípios e excluem cada vez mais pessoas, com a certeza que até os seus defensores acabarão por ficar de fora.
       Aproximam-se de Jesus e põem-n'O à prova: «Pode um homem repudiar a sua mulher?». Jesus fá-los procurar a resposta em Moisés: «Moisés permitiu que se passasse um certificado de divórcio, para se repudiar a mulher». Logo Jesus completa, dizendo-lhes da provisoriedade da lei mosaica: «Foi por causa da dureza do vosso coração que ele vos deixou essa lei. Mas, no princípio da criação, ‘Deus fê-los homem e mulher. Por isso, o homem deixará pai e mãe para se unir à sua esposa, e os dois serão uma só carne’. Deste modo, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, não separe o homem o que Deus uniu».
       Com efeito, no início, Deus criou o Homem e a Mulher para viverem harmoniosamente e se auxiliarem mutuamente: «Não é bom que o homem esteja só: vou dar-lhe uma auxiliar semelhante a ele». É certo que a terra estava povoada pela multiplicidade de seres vivos, animais, aves, peixes, criados por Deus. Mas o homem sozinho não pode sobreviver, precisa de alguém que seja igual, auxiliar, da sua estirpe, do seu sangue. É preciso encontrar um olhar que possa ser devolvido na mesma proporção, um sorriso que possa ser acolhido, devolvido, partilhado. Por vezes valoriza-se em demasia um animal doméstico porque falta alguém a quem amar e que possa retribuir amando, alguém que nos compreenda e a quem queiramos falar.
       Da costela do homem, Deus criou a Mulher. Ao ver a mulher, o homem exclamou: «Esta é realmente osso dos meus ossos e carne da minha carne. Chamar-se-á mulher, porque foi tirada do homem». O compromisso é espiritual mas também carnal. Iguais, semelhantes, da mesma carne. Auxílio um para o outro.
       3 – O casal, homem e mulher, são um modelo para a vivência em sociedade. Diferença e alteridade. Física e espiritualmente diferentes, mas que se complementam. Na criação não há outro ser que se equivalha, que possa estar frente a frente, que possa responder-me. Aquele que me responde é responsável por mim e eu por ele.
       Tal como nos casais, como nas famílias, também em outros grupos sociais e eclesiais, sobrevém com mais facilidade o que separa do aquilo que aproxima, complementa, auxilia.
       Em casa os discípulos procuram compreender melhor as palavras de Jesus. E a resposta de Jesus é taxativa: «Quem repudiar a sua mulher e casar com outra, comete adultério contra a primeira. E se a mulher repudiar o seu marido e casar com outro, comete adultério».
       É uma resposta que nos custa ouvir, sabendo da nossa fragilidade e da nossa pequenez e da dificuldade enorme que muitas vezes se coloca em prosseguir um matrimónio sonhado e realizado. Aproximamo-nos do Sínodo Ordinário dos Bispos que debaterá a problemática da Família, tal como aconteceu há um ano no Sínodo Extraordinário. Têm vindo ao de cima diversas achegas, reflexões, contributos, que acentuam a mensagem de Jesus sobre a indissolubilidade do matrimónio e, por outro, as situações reais e concretas em que não foi possível viver no compromisso assumido, estabelecendo compromissos posteriores. Terão que se encontrar formas ou instrumentos para não excluir ninguém com a escusa dos princípios, mas também sem mitigar a verdade do Evangelho, do matrimónio e da família. Há de prevalecer a misericórdia.
       4 – As crianças são um tesouro para a sociedade, de todos os tempos, também para os de hoje. Beneficiam de uma família que os acolha e os ame. Beneficiam a família e a sociedade que se enriquece com a sua vida, com a sua presença, e com o seu futuro. Uma sociedade que não trata bem nem os idosos nem as crianças, será uma sociedade a definhar, sem passado e sem futuro, como amiúde tem sublinhado o Papa Francisco.
       Enquanto Jesus responde aos discípulos, falando de família, do compromisso do casal, apresentam a Jesus umas crianças para que Ele lhes toque, abençoando-as. Os discípulos acham que a conversa é para adultos e que as crianças podem ser um estorvo. Jesus faz-lhes ver de novo que os pequeninos são os preferidos: «Deixai vir a Mim as criancinhas, não as estorveis: dos que são como elas é o reino de Deus. Em verdade vos digo: Quem não acolher o reino de Deus como uma criança, não entrará nele». E sublinha São Marcos que Jesus "abraçando-as, começou a abençoá-las, impondo as mãos sobre elas".
       As questões levantadas pelos fariseus e, depois, pelos discípulos são importantes, mas mais importante é acolher os outros e fazê-lo em atitude de bênção, de serviço, de amor. É válido para os casais, para as famílias, para a Igreja e para a sociedade. O reino de Deus implica que sejamos despretensiosos como as crianças, dóceis, vulneráveis, deixando-nos abençoar, e disponíveis para acolhermos com afabilidade e alegria os outros.
       Belíssima coincidência: celebra-se hoje a memória de São Francisco de Assis, expoente luminoso da Igreja como serviço, tendo-se tornado pobre para servir especialmente os mais pobres, para seguir Jesus, imitando-O na opção preferencial pelos mais frágeis.

       5 – A nossa origem é comum. O mesmo Deus que nos criou por amor, desafia-nos a amar-nos como irmãos, dando-nos o exemplo por Jesus Cristo, que, "por um pouco, foi inferior aos Anjos, vemo-l’O agora coroado de glória e de honra por causa da morte que sofreu, pois era necessário que, pela graça de Deus, experimentasse a morte em proveito de todos".
       Se a história nos traz o amor de Deus, também nos traz a história da queda e do pecado. A Encarnação de Deus, Jesus feito homem, Deus connosco, permite reensinar-nos a viver reconciliados com o Pai e uns com os outros. "Convinha, na verdade, que Deus, origem e fim de todas as coisas, querendo conduzir muitos filhos para a sua glória, levasse à glória perfeita, pelo sofrimento, o Autor da salvação. Pois Aquele que santifica e os que são santificados procedem todos de um só. Por isso não Se envergonha de lhes chamar irmãos".
       Em Jesus Cristo, glorificado à direita do Pai, todos nós, estamos imbricados na salvação.

Pe. Manuel Gonçalves


Textos para a Eucaristia (B): Gen 2, 18-24; Sl 127 (128); Hebr 2, 9-11; Mc 10, 2-16.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Papa Francisco em entrevista - capacidade de curar feridas

       «O Papa Bento teve um acto de santidade, de grandeza, de humildade. É um homem de Deus»...
       «Vejo com clareza — continua — que aquilo de que a Igreja mais precisa hoje é a capacidade de curar as feridas e de aquecer o coração dos fiéis, a proximidade. Vejo a Igreja como um hospital de campanha depois de uma batalha. É inútil perguntar a um ferido grave se tem o colesterol ou o açúcar altos. Devem curar-se as suas feridas. Depois podemos falar de tudo o resto. Curar as feridas, curar as feridas... E é necessário começar de baixo».
       A Igreja por vezes encerrou-se em pequenas coisas, em pequenos preceitos. O mais importante, no entanto, é o primeiro anúncio: “Jesus Cristo salvou-te”. E os ministros da Igreja devem ser, acima de tudo, ministros de misericórdia. O confessor, por exemplo, corre sempre o risco de ser ou demasiado rigorista ou demasiado laxista. Nenhum dos dois é misericordioso, porque nenhum dos dois toma verdadeiramente a seu cargo a pessoa. O rigorista lava as mãos porque remete-o para o mandamento. O laxista lava as mãos dizendo simplesmente “isto não é pecado” ou coisas semelhantes. As pessoas têm de ser acompanhadas, as feridas têm de ser curadas».
       «Como estamos a tratar o povo de Deus? Sonho com uma Igreja Mãe e Pastora. Os ministros da Igreja devem ser misericordiosos, tomar a seu cargo as pessoas, acompanhando-as como o bom samaritano que lava, limpa, levanta o seu próximo. Isto é Evangelho puro. Deus é maior que o pecado. As reformas organizativas e estruturais são secundárias, isto é, vêm depois. A primeira reforma deve ser a da atitude. Os ministros do Evangelho devem ser capazes de aquecer o coração das pessoas, de caminhar na noite com elas, de saber dialogar e mesmo de descer às suas noites, na sua escuridão, sem perder-se. O povo de Deus quer pastores e não funcionários ou clérigos de Estado. Os bispos, em particular, devem ser capazes de suportar com paciência os passos de Deus no seu povo, de tal modo que ninguém fique para trás, mas também para acompanhar o rebanho que tem o faro para encontrar novos caminhos».
        «Em vez de ser apenas uma Igreja que acolhe e recebe, tendo as portas abertas, procuramos mesmo ser uma Igreja que encontra novos caminhos, que é capaz de sair de si mesma e ir ao encontro de quem não a frequenta, de quem a abandonou ou lhe é indiferente. Quem a abandonou fê-lo, por vezes, por razões que, se forem bem compreendidas e avaliadas, podem levar a um regresso. Mas é necessário audácia, coragem».
       «Devemos anunciar o Evangelho em todos os caminhos, pregando a boa nova do Reino e curando, também com a nossa pregação, todo o tipo de doença e de ferida. Em Buenos Aires recebia cartas de pessoas homossexuais, que são “feridos sociais”, porque me dizem que sentem como a Igreja sempre os condenou. Mas a Igreja não quer fazer isto. Durante o voo de regresso do Rio de Janeiro disse que se uma pessoa homossexual é de boa vontade e está à procura de Deus, eu não sou ninguém para julgá-la. Dizendo isso, eu disse aquilo que diz o Catecismo. A religião tem o direito de exprimir a própria opinião para serviço das pessoas, mas Deus, na criação, tornou-nos livres: a ingerência espiritual na vida pessoal não é possível. Uma vez uma pessoa, de modo provocatório, perguntou-me se aprovava a homossexualidade. Eu, então, respondi-lhe com uma outra pergunta: “Diz-me: Deus, quando olha para uma pessoa homossexual, aprova a sua existência com afecto ou rejeita-a, condenando-a?” É necessário sempre considerar a pessoa. Aqui entramos no mistério do homem. Na vida, Deus acompanha as pessoas e nós devemos acompanhá-las a partir da sua condição. É preciso acompanhar com misericórdia. Quando isto acontece, o Espírito Santo inspira o sacerdote a dizer a coisa mais apropriada».
       «Esta é também a grandeza da confissão: o facto de avaliar caso a caso e de poder discernir qual é a melhor coisa a fazer por uma pessoa que procura Deus e a sua graça. O confessionário não é uma sala de tortura, mas lugar de misericórdia, no qual o Senhor nos estimula a fazer o melhor que pudermos. Penso também na situação de uma mulher que carregou consigo um matrimónio fracassado, no qual chegou a abortar. Depois esta mulher voltou a casar e agora está serena, com cinco filhos. O aborto pesa-lhe muito e está sinceramente arrependida. Gostaria de avançar na vida cristã. O que faz o confessor?»
       «Não podemos insistir somente sobre questões ligadas ao aborto, ao casamento homossexual e uso dos métodos contraceptivos. Isto não é possível. Eu não falei muito destas coisas e censuraram-me por isso. Mas quando se fala disto, é necessário falar num contexto. De resto, o parecer da Igreja é conhecido e eu sou filho da Igreja, mas não é necessário falar disso continuamente».
       «Os ensinamentos, tanto dogmáticos como morais, não são todos equivalentes. Uma pastoral missionária não está obcecada pela transmissão desarticulada de uma multiplicidade de doutrinas a impor insistentemente. O anúncio de carácter missionário concentra-se no essencial, no necessário, que é também aquilo que mais apaixona e atrai, aquilo que faz arder o coração, como aos discípulos de Emaús. Devemos, pois, encontrar um novo equilíbrio; de outro modo, mesmo o edifício moral da Igreja corre o risco de cair como um castelo de cartas, de perder a frescura e o perfume do Evangelho. A proposta evangélica deve ser mais simples, profunda, irradiante. É desta proposta que vêm depois as consequências morais».
       «Digo isto também pensando na pregação e nos conteúdos da nossa pregação. Uma bela homilia, uma verdadeira homilia, deve começar com o primeiro anúncio, com o anúncio da salvação. Não há nada de mais sólido, profundo e seguro do que este anúncio. Depois deve fazer-se uma catequese. Assim, pode tirar-se também uma consequência moral. Mas o anúncio do amor salvífico de Deus precede a obrigação moral e religiosa. Hoje, por vezes, parece que prevalece a ordem inversa. A homilia é a pedra de comparação para calibrar a proximidade e a capacidade de encontro de um pastor com o seu povo, porque quem prega deve reconhecer o coração da sua comunidade para procurar onde está vivo e ardente o desejo de Deus. A mensagem evangélica não pode limitar-se, portanto, apenas a alguns dos seus aspectos, que, mesmo importantes, sozinhos não manifestam o coração do ensinamento de Jesus.»
in BROTÉRIA.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Pe. Léo - Buscai as coisas do alto - comovente


       - Deus é fiel, Deus faz cumprir os nossos planos se temos os nossos propósitos colocados em Deus... Aqui para testemunhar a VITÓRIA de Deus... O cancro tira tudo, a dignidade, passei vergonha, é um TRAPO em CIMA de UMA CAMA, passei vergonha quando as enfermeiras iam trocar a minha fralda... você perde tudo, o auto-domínio, mas sobre a FÉ, essa ninguém tira... quem tem fé perde tudo mas não perdeu nada... a fé projeta-nos... passei momentos difíceis... tinha que vir aqui, para testemunhar a gratidão... tive muitas graças do cancro... três amigos que me carregaram, eles me pegaram no colo... tinha de vir gritar Hossana, vitória de Deus... na vida só é derrotado quem não tem amigos e quem não tem Jesus... estive morto, clinicamente estava à beira da morte... a morte daquele que não acha uma luz... já tivemos muitas dessas noites, escuras... eu não quero perder um minuto dessa doença... para que eu seja mais santo... agora você não se pertence mais... a sua vida tem de ser gasta até ao fim... levar as pessoas a Jesus, essa força que impulsiona para o alto... vosso vida está escondida com Cristo em Deus... Se quer achar a verdadeira vida tem de achar/encontrar Jesus... a dor faz a gente ficar irracional...

       COMOVENTE

       Jesus tem piedade de mim. Jesus, Jesus, Jesus... tenho tanto dó de quem não encontrou Jesus, é o mais miserável, não tem nada... Havemos perder tudo... quem não tem Jesus não tem nada, nada, nada... no dia em que nós nascemos nós ganhamos dois carimbos: um, o Céu (coisas do alto), outro: inferno... Que carimbo pode colocar quando Deus o chamar... Deus colocou em você o carimbo do batismo... um selo, uma marca que ninguém tira... é uma carimbo do Céu... então comporte-se como alguém do Céu... rompa com o pecado... meu Deus, fazia tanto tempo que te não procurava... sentia saudades tuas e acabei voltando aqui... vim fazer meu ninho em Tua casa e repousar...


Pe. Léo - superando as limitações

       David tinha mulher bonita... David peca por causa do seu ponto fraco... peca porque alimenta a visão de um modo errado... quem não tem o que fazer acha... quem não tem que fazer é um perigo para a sociedade... a pessoa fica à toa, quem mais reclama da vida é quem não tem que fazer... aliás, quando precisar de alguém para ajudar você procura a pessoa mais ocupada... quem tem tempo sobrando é preguiçosa, usa o tempo para reclamar da vida, está sempre atrasada para ir para lugar nenhum, ela precisa sempre chegar não sabe a onde nem fazer o quê, por isso ela para em qualquer lugar e enrosca em qualquer coisa. não produz, não lê um livro, não reza... não sabe para onde vai olha para todo o lado... quem sabe para onde vai fixa o olhar... quem fica olhando para todo o lado enxerga o que não deve... David está lá, olhando... o pecado tem o poder do zoom... da atração... o pecado de David é da irresponsabilidade, da indelicadeza...  da insensibilidade, do orgulho prepotente... dá uma de alcoviteiro... ele vai descendo... foi-se reduzindo como se fosse um moleque... usa e deita fora, usa o poder para tomar a mulher do próximo...


quarta-feira, 12 de junho de 2013

Padre Léo - mais uma palestra provocante

       Pode pintar o cabelo, arranjar as unhas, usar perfume, precaver o mau hálito,vestir uma roupa elegante... importante cuidar do corpo... da vida, da relação com o outro...
       As pessoas mais pobres que encontrei foi nos países mais ricos...
       Na lotaria, para um ganhar, um milhão de pessoas tem de perder. São muitos perdedores...
       Semeador de Céu... cultive o perdão... o amor que se faz com gestos pequenos...


terça-feira, 28 de maio de 2013

OSSOS - Vivência católica - Matrimónio - Compromisso

       Bones é uma série americana e que passa num dos canais por cabo ou satélite. Uma daquelas séries de investigação criminal.
       Num dos episódios da temporada 8, episódio 14, um dos protagonistas Seeley Booth (David Boreanaz), que vive com a Dra. Temperance "Bones" Brennan (Emily Deschanel), está envolto num pequeno mistério pessoal que vai sendo revelado.
       Primeiro, a companheira vai-lhe dizendo que o pode ajudar, no dia em que ele vai ao hospital e não pode ir buscar a filha de ambos.
       Os colegas apercebem-se que todas as sextas-feiras ele sai e não diz para onde.
       Um dos colegas interroga-o diretamente sobre aquelas saídas...:
       - Já sei, vais-te confessar...
       Booth é católico. Vem rápida a resposta, tranquila, sem ondas, direta, convicta:
       - Não me posso confessar. Não estou casado. Para se confessar é preciso fazer o propósito de não voltar ao mesmo, não voltar a pecar... eu não pretendo separar-me da minha companheira. Damo-nos bem, somos felizes.
        A visão é católica, de um crente e certamente de um católico praticante. Pois não acentua, como tanto se vê, mesmo em meios muito católicos, uma impossibilidade derivado ao estado conjugal, mas aceitação de um facto.
       Isso não impede de outros compromissos e que dimanam do ser pessoa, cidadão, católico. O mistério vai sendo revelado. Ele prepara uma feira para crianças doentes, cancerosas, com diversas atividades. Fá-lo discretamente, pois assim deve ser a caridade cristã.
       A mulher (companheira) revela então a outra colega, que faz um trabalho como voluntário, comprometido com a fé e a comunidade católica, com descrição, com grande generosidade. Não quis que ninguém o soubesse. (É citado um texto bíblico, da Carta de São Paulo aos Coríntios (1 Cor 12, 31 – 13, 13): a caridade é benigna, paciente, não se irrita, não é altiva nem orgulhosa... salientando que para ajudar os outros não é preciso badalar o sino...).
       Chamou-e a atenção este episódio. Não significa que esteja a recomendar a série, ou a considerá-la uma referência de moral e bons costumes. Mas sublinho o facto de tratarem de um tema sério, delicado, por vezes doloroso, com elevação, e respeito pela vivência e pela fé católica.
      O personagem sabe em que condições vive, maritalmente. Sabe o que envolve e que consequências traz para a prática religiosa, mas sabe também que isso não o impede de um compromisso ativo, sério, generoso.

       Como lembrou em diversas ocasiões o papa Francisco, a Igreja há de ser um espaço de fé, de testemunho, de acolhimento, de ternura. A questão, no entanto, diz o mesmo, não passa por facilitar ou relaxar as leis e os princípios, mas de encontrar formas (novas) para que ninguém se sinta menos amado, menos acolhido, menos protegido.
       Algumas mensagens rápidas do papa Francisco, lidas apressadamente, parecem mostrar que as leis da Igreja vão mudar, de uma hora para a outra. É curioso ver como o Papa Francisco cita Bento XVI para alertar para o relativismo das ideias e convicções como algo que mina a Igreja, e a mensagem do Evangelho, da verdade.
       Uma das últimas intervenções do Papa é extraordinária: a Igreja não pode ter fiscais da fé, mas deve ter as portas abertas para todos os que vêm, dando o exemplo de uma mãe solteira que se dirige à paróquia para pedir o batismo do filho, e que encontra um proibição, quanto deveria encontrar acolhimento.
       Dá outro exemplo, uma mulher depois da Missa dirige-se a um sacerdote para lhe pedir a bênção. O sacerdote responde que já recebeu a bênção na Missa. Vem outro sacerdote que lhe dá a bênção.
       No primeiro exemplo encontramos muitas opiniões. Em todo o caso o Papa não diz nada de novo, a este propósito. A prática nas comunidades cristãs vêm sendo alteradas nesse sentido: o batismo é concedido a todos para quem é solicitado, filhos de pessoas casadas, civil ou catolicamente, solteiras, juntas, recasadas, ainda que as práticas não sejam iguais em todas as paróquias, em algumas, na situação em que os pais da criança podem casar-se pela Igreja, aconselham a batizar por ocasião da Primeira Comunhão dos filhos, ponderando se o que pedem para os filhos não devem pedir também para si próprios, a graça do Sacramento?! Na maioria, no entanto, a opção de batizar sem adiamentos, mas esclarecendo sobre a posição da Igreja. A verdade também é uma forma de acolher.
       Voltando à série... Há circunstâncias da vida, e das nossas limitações humanas, que nos permite viver a caminho, apostando não no que nos é proibido, mas no muito que nos é permitido, olhando mais longe. Deus é sempre maior.

sábado, 19 de janeiro de 2013

II Domingo do Tempo Comum - ano C - 20 de janeiro

SOLENIDADE DE SÃO SEBASTIÃO,

PADROEIRO DA DIOCESE DE LAMEGO


       1 – Com o Batismo de Jesus, no último domingo, iniciámos o TEMPO COMUM, que será interrompido com a Quaresma e Tempo Pascal, e nos levará até o próximo ano litúrgico que sempre inicia com o Advento. É comum ou ordinário, mas não é um tempo vazio ou secundário, é uma oportunidade para o cristão “contemplar de perto, episódio após episódio, toda a vida histórica do seu Senhor, desde o Batismo no Jordão até à Cruz e à Glória da Ressurreição” (D. António Couto).
       Depois do Batismo, a liturgia da palavra apresenta-nos Jesus nas Bodas de Canaã, na vida comum, no quotidiano das pessoas e das famílias. Assim O veremos em momentos de festa, de alegria e nos momentos de tristeza e luto. Jesus não está acima ou à margem. Está no meio, no centro da vida humana. Vai às margens para trazer para a luz, para a vida, para a felicidade aqueles que se perderam ou estão em vias disso.
       Como membro da comunidade, e certamente da família, também vai à festa. Estão todos. Sua Mãe. Os discípulos. São José já teria morrido, por isso não está presente. Onde pulsa a vida, Jesus diz presente. E a Sua presença passa a ser notada, ainda que de forma discreta, mas eficiente.
       O quadro que nos é apresentado por São João é revelador. Vejamos o texto.
       2 – “A certa altura faltou o vinho. Então a Mãe de Jesus disse-Lhe: «Não têm vinho». Jesus respondeu-Lhe: «Mulher, que temos nós com isso? Ainda não chegou a minha hora». Sua Mãe disse aos serventes: «Fazei tudo o que Ele vos disser». Havia ali seis talhas de pedra, destinadas à purificação dos judeus, levando cada uma de duas a três medidas. Disse-lhes Jesus: «Enchei essas talhas de água». Eles encheram-nas até acima. Depois disse-lhes: «Tirai agora e levai ao chefe de mesa». E eles levaram. Quando o chefe de mesa provou a água transformada em vinho, – ele não sabia de onde viera, pois só os serventes, que tinham tirado a água, sabiam – chamou o noivo e disse-lhe: «Toda a gente serve primeiro o vinho bom e, depois de os convidados terem bebido bem, serve o inferior. Mas tu guardaste o vinho bom até agora».
       Antes de mais a delicadeza de Maria, Mãe de Jesus. Atenta. Discreta. Interventiva. Recorre a Quem deve recorrer. Confiante, cheia de graça e de fé. Intercede. E não duvida de Jesus, ainda que o Filho a chame a atenção. E dá uma ordem clara – fazei tudo o que Ele vos disser. Também é para nós esta recomendação, sabendo que se fizermos o que Ele nos disser, entramos no Seu caminho de salvação e vida nova.
       Jesus faz a Sua parte. Conta connosco. Mais uma experiência para a qual os discípulos estão convocados. O milagre acontece quando damos o melhor de nós mesmos, o que temos, mesmo que seja uma bilha de água. Deus opera a salvação em nós, transforma-nos no mais saboroso e suculento vinho para a festa. Criou-nos sem nós, como diz Santo Agostinho, mas não nos salva sem nós, sem a nossa resposta.
       O bom vinho chega com Jesus Cristo. Definitivamente está na nossa vida. Do nosso lado.
       3 – O profeta Isaías intui, de forma sublime, a vinda do Messias de Deus, que ora vemos concretizado em Jesus Cristo. Com Ele chegará o tempo de graça e salvação, será restabelecida toda a justiça.
“Os povos hão de ver a tua justiça e todos os reis a tua glória. Receberás um nome novo, que a boca do Senhor designará... Não mais te chamarão «Abandonada», nem à tua terra «Deserta», mas hão de chamar-te «Predileta» e à tua terra «Desposada», porque serás a predileta do Senhor e a tua terra terá um esposo. Tal como o jovem desposa uma virgem, o teu Construtor te desposará; e como a esposa é a alegria do marido, tu serás a alegria do teu Deus”.
       Os que são envolvidos por esta LUZ, nova e bela, tornar-se-ão anunciadores, testemunhas, gritando a salvação, transparecendo em Si mesmos a graça que acolhem de Deus, como se reza no salmo: “Anunciai dia a dia a sua salvação, publicai entre as nações a sua glória, em todos os povos as suas maravilhas”.
       4 – Cumpre-nos acolher a salvação de Deus, pela fé que professamos, pela esperança que anunciamos, pela caridade que nos aproxima dos outros para neles encontrar a PRESENÇA de Deus. Somos diferentes, é certo, na idade, no tempo, nas qualidades, e nas limitações, no temperamento, no lugar em que nos encontramos, mas o compromisso com Jesus é para todos. Batizados na mesma fé, no mesmo Espírito Santo, com a nossa vida havemos de levar Jesus mais longe, ao coração de cada pessoa que encontramos, nas mais diversas situações e circunstâncias.
       Belíssima mensagem do apóstolo, salientando como os dons são concedidos a uns mas a favor de todos:
“Há diversidade de dons espirituais, mas o Espírito é o mesmo. Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. Há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos. Em cada um se manifestam os dons do Espírito para o bem comum... é um só e o mesmo Espírito que faz tudo isto, distribuindo os dons a cada um conforme Lhe agrada”.
       5 – Celebrámos, na nossa Diocese de Lamego, a solenidade do Padroeiro principal, mártir São Sebastião, o bom soldado de Cristo. O patrono escolhido deverá ser uma referência que inspire a viver o Evangelho na identificação com Jesus Cristo, morto e ressuscitado.
       A vida de São Sebastião, naquilo que a tradição assimilou e transmitiu, é um exemplo como a fé ajuda a ultrapassar os obstáculos da vida e como o cristão se pode santificar nas mais diversas profissões e/ou ocupações. Mais forte que tudo, é o amor a Deus. Sebastião seria soldado romano, vinculado à guarda pretoriano do grande perseguidor da Igreja, Diocleciano, responsável por demasiados martírios de cristãos. De Milão, o jovem soldado deslocou-se para Roma, onde a perseguição era mais intensa e feroz, para testemunhar a fé e defender os cristãos.
       Primeiro cai nas graças do imperador, logo a defesa da fé cristã e a intercessão pelos cristãos perseguidos desencadeiam a sua morte, que seria com setas, estando preso a uma árvore. É deixado como morto. Entretanto uma jovem, de nome Irene (santa Irene?) passou e verificou que ainda estava vivo. Levou-o para casa e curou-lhe as feridas. Antes de estar completamente restabelecido voltou junto do imperador para defender os cristãos, condenando-lhe a impiedade e injustiça. Desta feita, foi morto através de vergastadas. É um segundo martírio. Sepultado nas catacumbas, na via Ápia, logo começou a ser venerado como santo.
       Testemunhou a fé, com coragem e alegria, a partir da sua vida, como jovem soldado, cristão. Daqui se conclui que a santidade é possível em qualquer trabalho, em qualquer vocação, em qualquer compromisso humano.


Textos para a Eucaristia (ano C): Is 62, 1-5; Sl 95 (96); 1 Cor 12, 4-11; Jo 2, 1-11.

sábado, 6 de outubro de 2012

XXVII Domingo do Tempo Comum - ano B - 7 de outubro

        1 – A leitura do livro do Génesis, que neste domingo nos é proposta, permite-nos refletir na dimensão social do ser humano, na necessidade que temos uns dos outros para sermos felizes – só nos encontramos e sabemos o que somos se nos confrontarmos com iguais –, e a vontade de Deus, neste como em outros textos, para o ser humano: a felicidade de todos.
Disse o Senhor Deus: «Não é bom que o homem esteja só: vou dar-lhe uma auxiliar semelhante a ele»... Da costela do homem o Senhor Deus formou a mulher e apresentou-a ao homem. Ao vê-la, o homem exclamou: «Esta é realmente osso dos meus ossos e carne da minha carne. Chamar-se-á mulher, porque foi tirada do homem».
       Deus criou-nos por amor, capacitados para amar e ser amados, partilhar o melhor de nós, viver em comunhão, desfrutando da presença uns dos outros.
       Ninguém é feliz sozinho. O primeiro pecado da humanidade é o egoísmo (individualismo), o querer viver sem o outro, achar que se pode colocar para os outros como deus, soberano, independente, autossuficiente, sem precisar de prestar contas a outro que seja da mesma carne.
       Lembra Ermes Ronchi, “Adão, senhor de todas as coisas, busca no Éden uma ajuda semelhante a ele. Busca a coisa mais importante da sua vida: o assombro da infinita abertura. Ao outro mundo, a si mesmo. Adão está triste: o paraíso não vale a ausência de Eva... Só quando te sentes amado, podes desabrochar em todos os teus aspetos; só quando te sentes escutado, dás o melhor de ti próprio... O amor, em todas as suas formas, desvenda o sonho de Deus de que está repassada toda a criação...”.
       Segundo este autor, a primeira expressão do mal é a solidão. É o próprio Deus a concluir: não é bom que o homem esteja só. E essa solidão original só pode ser colmada por outro semelhante. Precisamos de outro coração para amar, precisamos de outro coração a quem amar. Só no encontro de corações acontece a redenção. E por conseguinte, na belíssima imagem deste texto, a mulher é “criada” a partir da costela do homem, ou seja, formada do coração do homem, para amar e ser amada, para se situarem lado a lado.
       2 – Deus criou-nos por amor e criou-nos livres. Não somos marionetas. Criou-nos inteligentes, relacionáveis, criativos, com criadores, diferentes e com qualidades que podem interagir e complementar-se, o homem com a mulher, e as pessoas entre si.
        Contudo, a liberdade tem um preço. Somos livres, nós e os outros, e por vezes, na nossa fragilidade muito humano, colidimos com a liberdade dos outros. Usando uma linguagem quotidiana, diríamos que no geral a liberdade é um dom de inestimável riqueza, que deve ser defendido, protegido, salvaguardado por todos e para todos. Mas ao descermos ao concreto da vida, nem sempre é fácil respeitar e promover a liberdade de todos. Na diferença enriquecemo-nos mutuamente, mas a conciliação de vontades próprias nem sempre é exequível. O encontro de liberdades engrandece-nos, obrigando, porém, ao diálogo. Ou melhor, ao amor, purificado pelo perdão.
       Diante de situações reais, de casas destruídas, de corações traídos, de famílias expostas ao egoísmo e ao pecado, perguntam a Jesus: «Pode um homem repudiar a sua mulher?». Ao que Jesus replica: «Que vos ordenou Moisés?». Eles responderam: «Moisés permitiu que se passasse um certificado de divórcio, para se repudiar a mulher». Jesus responde com a nossa limitação e fragilidade: «Foi por causa da dureza do vosso coração que ele vos deixou essa lei. Mas, no princípio da criação, ‘Deus fê-los homem e mulher. Por isso, o homem deixará pai e mãe para se unir à sua esposa, e os dois serão uma só carne’. Deste modo, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, não separe o homem o que Deus uniu».
       O encontro de dois corações, duas vidas, duas casas, do homem e da mulher, que são imagem e semelhança de Deus na comunhão de amor, é o que existe de mais belo e extraordinário e criativo, é o que existe de mais sagrado. Dois corações que se prendem e se libertam mutuamente (do egoísmo, da solidão, da tristeza), é a força maior, a maior revolução. É nesse diálogo de vidas, interação de casas – a minha casa entra na casa alheia e aquela torna-se a minha casa e eu a sua casa – dá-se a salvação, descubro o melhor de mim no encontro com outro semelhante a mim, da mesma carne, há uma parte de mim que habita nela e que me atrai como um íman e me completa: o amor (e não a costela). E o que se refere para o gérmen da família, o encontro de homem e da mulher, é exemplo para que a humanidade se torne uma grande família, dos pais com os filhos, dos patrões com os trabalhadores. Em Cristo não há judeus nem gregos, homens ou mulheres, livres ou escravos, todos são filhos amados de Deus, irmãos.

       3 – Como nas semanas anteriores, o exemplo para uma convivência sadia e fraterna, em casa, na família, e nas comunidades, vem das crianças, da sua delicadeza e simplicidade, da espontaneidade com que se dão em sorriso transparente aos outros, até aos estranhos.
       Relembramos que as crianças, como as mulheres, como os escravos, como os pecadores públicos, como as pessoas com alguma deficiência, não contavam, não faziam número. Jesus conta com uns e com outros. Não são números, ontem como hoje, são pessoas, e o mais insignificante também vale, vale tudo, é rosto, é presença de Deus. Jesus trá-los para a luz, para o meio, para junto dos seus discípulos. É assim com as mulheres, que seguem anonimamente atrás de Jesus, discretamente, em serviço, prestáveis, e que não chamam a atenção e aparecem quando expostas por homens. Jesus altera a postura. Faz incidir sobre elas a luz, reconhecendo-as como iguais. Do mesmo modo em relação às pessoas excluídas, leprosos, enfermos, surdos e mudos, coxos, publicanos e pecadores. Jesus convive com eles. Come à mesma meda e do mesmo pão. Vai ao seu encontro, não se desvia, e repreende os discípulos sempre que afastam crianças, ou querem silenciar alguém que grita por Ele.
“Apresentaram a Jesus umas crianças para que Ele lhes tocasse, mas os discípulos afastavam-nas. Jesus, ao ver isto, indignou-Se e disse-lhes: «Deixai vir a Mim as criancinhas, não as estorveis: dos que são como elas é o reino de Deus. Em verdade vos digo: Quem não acolher o reino de Deus como uma criança, não entrará nele». E, abraçando-as, começou a abençoá-las, impondo as mãos sobre ela”.
       A receita de Jesus, para a família, e para a humanidade, é o amor, o perdão, a fraternidade, ir buscar os últimos, os que servem, os que não contam, trazê-los para a vida, para o centro, para a luz do dia. O maior no reino de Deus é o que serve, o que ama, o que acolhe, o que protege e dá as mãos. O pecado e a destruição da família e da sociedade resulta do egoísmo e da solidão, que exclui e marginaliza.

       4 – Neste nosso peregrinar, mais esclarecidos ou titubeantes, no confronto com uma realidade quotidiana inundada de mil cores, de muitas situações felizes e de muitas outras controversas e destrutivas, de momentos luminosos e de momentos obscurecidos pela tristeza, pela solidão, não estamos sós, Jesus é o nosso garante, o nosso fim, a nossa salvação.
       Na epístola aos Hebreus, Jesus é reconhecido e apresentado como o sumo-sacerdote. Vem de Deus, para nos elevar para Ele. Faz-Se história, encarna, entranha-se no sofrimento humano, “ensina-nos” a viver humanamente. Morre e introduz-nos na eternidade de Céu, onde Se encontra a interceder por nós, de onde nos atrai e desafia.
“Jesus, que, por um pouco, foi inferior aos Anjos, vemo-l’O agora coroado de glória e de honra por causa da morte que sofreu, pois era necessário que, pela graça de Deus, experimentasse a morte em proveito de todos. Convinha, na verdade, que Deus, origem e fim de todas as coisas, querendo conduzir muitos filhos para a sua glória, levasse à glória perfeita, pelo sofrimento, o Autor da salvação. Pois Aquele que santifica e os que são santificados procedem todos de um só. Por isso não Se envergonha de lhes chamar irmãos”.
       N'Ele tornamo-nos irmãos, e na abertura recíproca aos outros e a Deus, encontraremos a salvação. Não é bom estarmos sós. Só com semelhantes poderemos progredir e caminhar. Só tornando-nos como crianças, na disponibilidade de servir, de amar, de perdoar, de dar o que temos e o que nos dão, seremos verdadeiramente humanos.
Pe. Manuel Gonçalves


Textos para a Eucaristia (ano B): Gen 2, 18-24; Hebr 2, 9-11; Mc 10, 2-16.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

E se o seu matrimónio fosse um desporto?

       A Conferência Episcopal dos Estados Unidos lançou uma campanha publicitária sobre o matrimónio e a vivência salutar em família, como um desporto que se pratica... Qual seria o desporto escolhido, se o seu matrimónio fosse um desporto...

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Sede submissos uns aos outros, em Cristo!

       Sede submissos uns aos outros no temor de Cristo. As mulheres submetam-se aos maridos como ao Senhor, porque o marido é a cabeça da mulher, como Cristo é a cabeça da Igreja, seu Corpo, do qual é o Salvador. Ora, como a Igreja se submete a Cristo, assim também as mulheres se devem submeter em tudo aos maridos. Maridos, amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e Se entregou por ela. Ele quis santificá-la, purificando-a no baptismo da água pela palavra da vida, para a apresentar a Si mesmo como Igreja cheia de glória, sem mancha nem ruga, nem coisa alguma semelhante, mas santa e imaculada. Assim devem os maridos amar as suas mulheres, como os seus corpos. Quem ama a sua mulher ama-se a si mesmo. Ninguém, de facto, odiou jamais o seu corpo, antes o alimenta e lhe presta cuidados, como Cristo à Igreja; porque nós somos membros do seu Corpo. Por isso, o homem deixará pai e mãe, para se unir à sua mulher, e serão dois numa só carne. É grande este mistério, digo-o em relação a Cristo e à Igreja. Portanto, cada um de vós ame a sua mulher como a si mesmo e a mulher respeite o marido (Ef 5, 21-33).
       Este texto de São Paulo tem sido usado por feministas e por machistas, como se a Palavra de Deus pudesse ser arma de arremesso contra alguém.
       Em primeiro lugar, a Palavra de Deus é escrita em palavras humanas, levando a identidade do autor sagrado e o contexto em que foi escrita. Não se pode dissociar a palavra escrita do autor e do tempo histórico, cultural e social.
       Mas atendendo ao texto, ainda assim, não é possível dizer que São Paulo despreza as mulheres em "benefício" dos homens. A palavra "submissão", no ambiente da epístola tem uma significado que é visível com a leitura de todo o texto: a vivência da caridade em todos os aspectos e dimensões da vida. Escravo ou homem livre, mulher ou homem, judeu ou grego, mais velho ou mais novo, todos devem viver ao jeito de Jesus Cristo. Ele libertou-nos para vivermos como filhos de Deus, filhos da Luz, para vivermos no caminho do bem, na caridade.
       A força das palavras de Paulo em relação às mulheres está presente também nas palavras dirigidas aos maridos. Mulheres submetei-vos aos maridos, como a Igreja se submete a Cristo. Maridos, amai as vossas esposas como ao vosso próprio corpo, como Cristo amou a Igreja, dando a vida por ela.
       São palavras exigentes tanto para a mulher como para o marido, como para todos os cristãos, viver como quem se dispõe a dar a vida, como Jesus Cristo. Quem ama "submete-se", ou melhor, faz tudo o que está ao seu alcance para proporcionar bem-estar, comodidade e felicidade à pessoa amada. É este o desafio de São Paulo para os casais mas também para cada crente, amar como Jesus nos amou.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

10 Mandamentos do Casal

       1. Amai a Deus sobre todas as coisas. E em segundo lugar, amai o seu cônjuge. Amai-o mais que a vossos filhos. Amai-o até o ponto de dar sua própria vida por ele.

       2. Rezem juntos. A prece individual é excelente e imprescindível para todo cristão. Mas a prece conjunta, com o cônjuge, é excelente e imprescindível pra todo casal. É ótimo quando um ouve o que o outro está pedindo e agradecendo a Deus. Assim um conhece os anseios e aspirações do outro no sublime momento da oração, e isso facilita muito a comunhão. Sempre que possível, rezar juntos o Santo Rosário, ou o Terço.

       3. Seja a Santa Missa a vossa prioridade no Domingo, dia do Senhor. Ide primeiro à Santa Missa, depois às outras atividades. Ide à Santa Missa sempre juntos, como convém ao casal católico, e se tiverem filhos, que eles os acompanhem desde tenra idade, e cresçam em um lar onde se aprende desde cedo a importância da Santa Missa e do dia do Senhor.

       4. Não hesitem em exercer a vossa autoridade dentro do vosso lar. Não deixem que entre em vosso lar qualquer coisa que possa comprometer a busca da santidade na vossa família. Assim, vocês serão pais e mães dignos de serem honrados.

       5. Não desautorize, nem agrida, nem ofenda o seu cônjuge. Nunca. Muito menos na frente dos filhos.

       6. Vivam castamente o vosso casamento. O matrimônio não é, e nem nunca foi, uma “licença para a luxúria”. Não aceitem rebaixar a vossa união - que é um Sacramento - ao patamar das uniões ilícitas. Respeitem o vosso leito como se fosse um altar.

       7. Jamais durmam brigados. Se houver algum desentendimento, fiquem acordados até fazerem as pazes, mas jamais durmam brigados, como se isso fosse normal. Dormir separados então, nem pensar. Nada de um dos dois ir dormir na sala.

       8. Não minta nem esconda nada de seu cônjuge. Conquiste a sua confiança, e confie também nele. Vocês devem ser sempre um pelo outro acima de tudo. Esteja sempre pronto a se sacrificar pelo teu cônjuge. E aqui, com sacrifício, não falo exatamente de morrer literalmente, mas de morrer simbolicamente, abrindo mão de toda paixão ou vício que possa atrapalhar a vossa união.

       9. Estudem juntos a Fé Católica. É impossível amar aquilo que não se conhece. Por isso, estudem juntos a Fé Católica, o catecismo, os 10 mandamentos, as virtudes cardeais e teologais. E façam juntos obras de caridade e de misericórdia. Aprendam juntos para ensinarem bem a vossos filhos.

       10. Tenha em vossa casa um crucifixo em lugar bem exposto, a fim de que Cristo, modelo de noivo, esteja a todo momento a vos lembrar até que ponto vocês devem se amar. E também para que todos os que entrarem em vossa casa saibam de que tipo de seres humanos é composta a família que estais a construir.

Fonte: Igreja Domestica, 33catolico a serviço da Igreja

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Fraude (I) e outras espertezas...

A questão do casamento não é uma questão de direita ou de esquerda. É uma questão que, pela sua importância, no presente e no futuro, está colocada no centro da vida da maioria das pessoas, não só de hoje, mas como uma constante na história de todas as culturas e de todas as sociedades.
Nas últimas semanas, muitas pessoas, incluindo deputados e pessoas com responsabilidades de governação, discutiram a possibilidade de permitir que duas pessoas do mesmo sexo pudessem casar.
E essa é a primeira fraude: duas pessoas do mesmo sexo nunca casam, mesmo que a lei o permita, porque o matrimónio implica a união estável de duas pessoas com uma abertura natural à procriação. E esta definição do matrimónio nem sequer nasceu com o cristianismo, como pode constatar qualquer pessoa que tenha umas noções básicas de história.
Mesmo que a lei civil chame casamento à união entre duas pessoas do mesmo sexo, a designação não corresponde à realidade da união. O facto de aplicar um determinado nome a uma realidade que lhe corresponde, não altera a natureza dessa mesma realidade. E a experiência demonstra que a natureza ganha sempre quando lhe põem um nome que não lhe corresponde.

Postado a partir de "Ubi Caritas".

domingo, 29 de novembro de 2009

Bodas de Ouro Matrimoniais

Celebraram, dentro da Eucaristia Dominical, na Igreja Paroquial de Tabuaço, a suas Bodas de Ouro Matrimoniais:



Manuel António da Fonseca
e
Helena Figueira da Fonseca

Que o Senhor Deus continue a cumulá-los de bênçãos.

sábado, 21 de novembro de 2009

O que pensa a Igreja sobre o casamento homossexual?

A Igreja ensina que o respeito para com as pessoas homossexuais não pode levar, de modo nenhum, à aprovação do comportamento homossexual ou ao reconhecimento legal das uniões homossexuais. O bem comum exige que as leis reconheçam, favoreçam e protejam a união matrimonial como base da família, célula primária da sociedade. Reconhecer legalmente as uniões homossexuais ou equipará-las ao matrimónio, significaria, não só aprovar um comportamento errado, com a consequência de convertê-lo num modelo para a sociedade actual, mas também ofuscar valores fundamentais que fazem parte do património comum da humanidade. A Igreja não pode abdicar de defender tais valores, para o bem dos homens e de toda a sociedade.

Congregação para a Doutrina da Fé, Considerações sobre os projectos de reconhecimento legal das uniões entre pessoas homossexuais, n.º 11.

Vale a pena ler este Documento na íntegra. Apresenta uma exposição objectiva sobre o que a Igreja pensa sobre o tema da homossexualidade e da união entre pessoas do mesmo sexo.

Fonte: Ubi Caritas
Leia também um texto de Maria José Nogueira Pinto sobre o Casamento dos Homossexuais.

sábado, 24 de outubro de 2009

Dois baptismos | Um casamento

A vida paroquial enriquece-se com a celebração dos Sacramentos. Em primeiro lugar, a Eucaristia, o Sacramento da Unidade, para ela nos encaminhamos, dela partimos em missão. São 7 os sacramentos, sete de plenitude, de salvação de perfeição a que todos ansiamos. Sacramentos de Iniciação Cristã: Baptismo, Confirmação e Eucaristia; Sacramentos da Cura: Penitência e Santa Unção; Sacramentos da Comunhão: Matrimónio e Ordem.
Celebrámos, pelo final da manhã, o Matrimónio do:

Fábio Rafael Lopes Pessoa
e de
Ana Sofia Brazete Guerrinha Pessoa

Durante a mesma celebração o Baptismo da sua filha: Beatriz.

Um pouco antes, o baptizado da Laura,
filha de Álvaro José Coelho e de Adelaide Mesquita Monteiro

Foi o segundo casamento na paróquia de Tabuaço e o 17.º baptismo.

sábado, 29 de agosto de 2009

Primeiro Casamento, em Tabuaço

Realiza-se, hoje, o primeiro Casamento (religioso) do ano, na paróquia de Tabuaço.

Nubentes:
Pedro João Paiva Martins Oliveira, natural do Pereiro.
Paula Sofia Pereira dos Santos, natural de Tabuaço.

Votos de felicidade, no acolhimento da bênção de Deus.