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sexta-feira, 13 de julho de 2018

Prudentes como as serpentes, simples como as pombas

       Disse Jesus aos seus Apóstolos: "Envio-vos como ovelhas para o meio de lobos. Portanto, sede prudentes como as serpentes e simples como as pombas. Tende cuidado com os homens: hão-de entregar-vos aos tribunais e açoitar-vos nas sinagogas. Por minha causa, sereis levados à presença de governadores e reis, para dar testemunho diante deles e das nações. Quando vos entregarem, não vos preocupeis em saber como falar nem com o que dizer, porque nessa altura vos será sugerido o que deveis dizer; porque não sereis vós a falar, mas é o Espírito do vosso Pai que falará em vós" (Mt 10, 16-23).
        Jesus confronta os Seus apóstolos com as respetivas escolhas futuras. Ele chama-os e envia-os, mas não esconde que o seguimento não trará, humanamente falando, apenas alegria, factos extraordinários, prodígios realizados ou a realizar, trará também a perseguição, a calúnia, a prisão.
       A advertência de Jesus em relação à reação das pessoas é de prevenção e de confiança, para que os discípulos saibam o que vão encontrar e não se iludem nem positiva nem negativamente. E por isso Ele lhes diz para serem prudentes e simples, não embarcando em euforias mas não desanimando em nenhum situação. O Espírito de Deus estará com eles em todos os momentos. Deus estará com eles e o Espírito Santo os iluminará na hora de se apresentarem diante de governadores e réis, para darem testemunhos de Jesus Cristo e do Seu Evangelho de paz, de amor e de bem.

sábado, 7 de julho de 2018

Ninguém põe remendo de pano novo em vestido velho

        Os discípulos de João Baptista foram ter com Jesus e perguntaram-Lhe: «Por que motivo nós e os fariseus jejuamos e os teus discípulos não jejuam?». Jesus respondeu-lhes: «Podem os companheiros do esposo ficar de luto, enquanto o esposo estiver com eles? Dias virão em que o esposo lhes será tirado: nesses dias jejuarão. Ninguém põe remendo de pano novo em vestido velho, porque o remendo repuxa o vestido e o rasgão fica maior. Nem se deita vinho novo em odres velhos; aliás, os odres rebentam, derrama-se o vinho e perdem-se os odres. Mas deita-se o vinho novo em odres novos e assim ambas as coisas se conservam» (Mt 9, 14-17).
        São novos os tempos, novos devem ser os comportamentos, as atitudes.
       Não se põe panos novo em vestido velho, pois este seria repuxado por aquele. Nem vinho novo em odres velhos. Este é o tempo novo da graça e da salvação, é tempo de Jesus Cristo que vive na Igreja e no mundo pelo Espírito Santo e pelo compromisso dos cristãos, dos crentes. Não bastam pequenos remendos, é necessário um vestido novo, uma nova linguagem, uma nova postura.
       Os discípulos de João que vão ter com Jesus veem-n'O como mais um entre outros, que vem para cimentar o que já existe e para confirmar o que outros já deram a conhecer. Na resposta de Jesus, a certeza que Ele vem não apenas para renovar o existente, para para trazer a novidade de Deus. Deus no meio de nós.
       É-nos dado um tempo de graça, não o desperdicemos com tradições ou costumes que nos fechem à novidade de Deus.

sábado, 2 de junho de 2018

Arrancai os outros do fogo

       Recordai o que vos foi predito pelos Apóstolos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Construí o vosso edifício espiritual sobre o fundamento da vossa fé santíssima. Orai em união com o Espírito Santo e conservai-vos no amor de Deus, esperando na misericórdia de Nosso Senhor Jesus Cristo para a vida eterna. Procurai convencer os que hesitam e salvai-os, arrancando-os do fogo; dos outros, compadecei-vos, mas com prudência, detestando até a túnica contaminada pela sua carne. Àquele que vos pode preservar da queda e apresentar-vos diante da sua glória, na alegria duma consciência sem mancha, ao único Deus, nosso Salvador, por Nosso Senhor Jesus Cristo, a glória e a majestade, a força e o poder, antes de todos os séculos, agora e para sempre. Ámen. (Judas 17.20b-25).
Jesus e os discípulos foram de novo a Jerusalém. Quando Ele andava no templo, aproximaram-se os príncipes dos sacerdotes, os escribas e os anciãos, que Lhe perguntaram: «Com que autoridade fazes isto? Quem Te deu autoridade para o fazeres?». Jesus respondeu: «Vou fazer-vos só uma pergunta. Respondei-Me e Eu vos direi com que autoridade faço isto. O baptismo de João era do Céu ou dos homens? Respondei-Me». Eles começaram a discorrer, dizendo entre si: «Se dissermos: ‘É do Céu’, Ele dirá: ‘Então porque não acreditastes nele?’ Vamos dizer-Lhe que é dos homens?». Mas eles temiam a multidão, pois todos pensavam que João era realmente um profeta. Então responderam: «Não sabemos». Disse-lhes Jesus: «Também Eu não vos digo com que autoridade faço isto» (Mc 11, 27-33).
        Na Epístola de São Judas surge na mesma lógica da de São Pedro que durante esta semana escutámos como Primeira Leitura. São Judas convida a construirmos o nosso edifício espiritual fundamentado em Jesus Cristo, filho do Deus Altíssimo. Deveremos conservarmo-nos no amor de Deus, procurando que também os outros experimentem a salvação em Jesus Cristo. Confimemo-nos à misericórdia de Deus.
       No evangelho, o confronto entre Jesus e alguns doutores da lei, escribas, anciãos. A fama de Jesus tinha-se espalhado, sendo muitos os seguidores, de todos os estratos sociais mas prevalentemente as pessoas mais simples, pessoas do campo, doentes, publicanos, pecadores, galileus. A atração por Jesus provoca inveja junto das autoridades do templo, com medo de perder "clientela". Por outro lado, veem-se ameaçados por um estilo de vida mais aberto, simples, mais inclusivo, colocando em causa aqueles que se servem da religião e do seu posto para explorar as pessoas mais humildes. Como em outros embates, a resposta de Jesus é provocadora, desafiando a refletir. Não dá uma resposta como receita, mas incentiva a interrogação, para encontrar uma resposta.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Mestre, que fazer para alcançar a vida eterna?

       Ia Jesus pôr-Se a caminho, quando um homem se aproximou correndo, ajoelhou diante d’Ele e Lhe perguntou: «Bom Mestre, que hei-de fazer para alcançar a vida eterna?». Jesus respondeu: «Porque Me chamas bom? Ninguém é bom senão Deus. Tu sabes os mandamentos: ‘Não mates; não cometas adultério; não roubes; não levantes falso testemunho; não cometas fraudes; honra pai e mãe’». O homem disse a Jesus: «Mestre, tudo isso tenho eu cumprido desde a juventude». Jesus olhou para ele com simpatia e respondeu: «Falta-te uma coisa: vai vender o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no Céu. Depois, vem e segue-Me». Ao ouvir estas palavras, o homem ficou abatido e retirou-se pesaroso, porque era muito rico. Então Jesus, olhando à sua volta, disse aos discípulos: «Como será difícil para os que têm riquezas entrar no reino de Deus!». Os discípulos ficaram admirados com estas palavras. Mas Jesus afirmou-lhes de novo: «Meus filhos, como é difícil entrar no reino de Deus! É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus». Eles admiraram-se ainda mais e diziam uns aos outros: «Quem pode então salvar-se?». Fitando neles os olhos, Jesus respondeu: «Aos homens é impossível, mas não a Deus, porque a Deus tudo é possível» ( Mc 10, 17-27)

       Jesus encontra-se com o jovem rico, um homem bom, com um coração a precisar de encontrar um sentido novo para a vida, com o anseio de voar mais alto. Cumpre o que social e religiosamente lhe é exigido, mas ainda assim sente-se inquieto, insatisfeito. Jesus faz-lhe uma proposta mais radical: vai vende o que tens, dá aos pobres e depois vem e segue-me. O joevem, contudo, ainda não está preparado para o que o coração lhe pede e afasta-se entrestecido, como triste fica Jesus por tal decisão. É neste contexto que Jesus diz aos seus discípulos que a salvação é, inevitavelmente, obra de Deus. A nós cabe-nos acolhê-la com a legria e generosidade.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Permanece firme no que aprendeste!

       Caríssimo: Tu seguiste-me fielmente no ensino, no modo de vida, nos projectos, na fé, na paciência, na caridade, na constância, nas perseguições e nos sofrimentos que suportei em Antioquia, em Icónio e em Listra. Que perseguições eu não tive de sofrer! Mas de todas me livrou o Senhor. Todos os que desejam viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos. Os homens maus, porém, e os fraudulentos irão de mal a pior, enganando os outros e enganando-se a si mesmos. Mas tu, permanece firme no que aprendeste e aceitaste como certo, sabendo de quem o aprendeste. Desde a infância conheces as Sagradas Escrituras; elas podem dar-te a sabedoria que leva à salvação, pela fé em Cristo Jesus. Toda a Escritura, inspirada por Deus, é útil para ensinar, persuadir, corrigir e formar segundo a justiça. Assim o homem de Deus será perfeito, bem preparado para todas as boas obras (2 Tim 3, 10-17).
       Paulo, nesta segunda epístola a Timóteo, exorta de novo o discípulo e agora responsável de comunidades a manter-se firme na fidelidade à palavra de Deus, lembrando que a Bíblia, palavra inspirada por Deus é útil para ensinar, persuadir, corrigir, formar segundo a justiça...

terça-feira, 29 de maio de 2012

Sede santos, porque EU sou santo

       É essa mensagem que agora vos anunciam aqueles que, movidos pelo Espírito Santo enviado do Céu, vos pregam o Evangelho, o qual os próprios Anjos desejam contemplar. Por isso, tende o vosso espírito alerta e sede vigilantes; ponde toda a vossa esperança na graça que vos será concedida, quando Jesus Cristo Se manifestar. Como filhos obedientes, não vos conformeis com os desejos de outrora, quando vivíeis na ignorância. Mas, à semelhança do Deus santo que vos chamou, sede santos, vós também, em todas as vossas acções, como está escrito: «Sede santos, porque Eu sou santo». (1 Pedro 1, 10-16).
       O caminho da perfeição é uma constante na nossa vida. Ou deve sê-lo. A referência é o próprio Deus. Não devemos desistir, conformarmo-nos ao tempo presente, seguindo o rasto da moda, da corrente, do que é mais fácil e conveniente, mas em tudo deveremos, como seguidores/imitadores de Jesus Cristo, viver na peugada do Evangelho da caridade. A santidade, como nos relembra o Concílio Vaticano II, é uma vocação universal, isto é, todo o cristão é chamado a identificar-se na santidade com Jesus Cristo.
       O alerta é uma constante, estar vigilantes, pondo toda a nossa esperança em Jesus Cristo, para que em todas as situações e circunstâncias O vejamos e O sigamos...

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Renascemos pela ressurreição de Jesus Cristo

       Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, na sua grande misericórdia, nos fez renascer, pela ressurreição de Jesus Cristo de entre os mortos, para uma esperança viva, para uma herança que não se corrompe, nem se mancha, nem desaparece. Esta herança está reservada nos Céus para vós, que pelo poder de Deus sois guardados, mediante a fé, para a salvação que se vai revelar nos últimos tempos. Isto vos enche de alegria, embora vos seja preciso ainda, por pouco tempo, passar por diversas provações, para que a prova a que é submetida a vossa fé – muito mais preciosa que o ouro perecível, que se prova pelo fogo – seja digna de louvor, glória e honra, quando Jesus Cristo Se manifestar. Sem O terdes visto, vós O amais; sem O ver ainda, acreditais n’Ele. E isto é para vós fonte de uma alegria inefável e gloriosa, porque conseguis o fim da vossa fé: a salvação das vossas almas (1 Pedro 1, 3-9).
       Jesus olhou para ele com simpatia e respondeu: «Falta-te uma coisa: vai vender o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no Céu. Depois, vem e segue-Me». Ao ouvir estas palavras, o homem ficou abatido e retirou-se pesaroso, porque era muito rico. Então Jesus, olhando à sua volta, disse aos discípulos: «Como será difícil para os que têm riquezas entrar no reino de Deus!». Os discípulos ficaram admirados com estas palavras. Mas Jesus afirmou-lhes de novo: «Meus filhos, como é difícil entrar no reino de Deus! É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus». Eles admiraram-se ainda mais e diziam uns aos outros: «Quem pode então salvar-se?». Fitando neles os olhos, Jesus respondeu: «Aos homens é impossível, mas não a Deus, porque a Deus tudo é possível» (Mc 10, 17-27).
 
       Retomamos o TEMPO COMUM, depois do tempo pascal.
       Dois textos muito significativos para hoje, segunda-feira da VIII Semana do Tempo Comum. Na primeira Leitura, tirada da Epístola de São Pedro, fala-se da Salvação que Cristo adquiriu para nós. Renascemos na Sua ressurreição. No entanto, as provações do tempo presente são inivitáveis, mas não uma fatalidade, é um processo de maturação.
       No Evangelho, encontramos o encontro e o diálogo entre Jesus e o jovem rico, que embora bem intencionado ainda não está preparado para um seguimento mais radical. Os muitos bens materiais que possui não o deixam arriscar uma vida nova.

sábado, 31 de julho de 2010

XVIII Domingo do Tempo Comum - 1 de Agosto

       1 - "Vede bem, guardai-vos de toda a avareza: a vida de uma pessoa não depende da abundância dos seus bens". Jesus é peremptório neste alerta. Depois de alguém Lhe dizer para ser intermediário na partilha de bens, Jesus diz aos presentes que as suas vidas não dependem da abundância dos seus bens.
       De seguida Jesus conta uma parábola sobre um homem que produziu uma colheita excelente, mandou construir um celeiro maior onde guardar toda a colheita e os seus bens, para no final poder dizer a si mesmo: "Descansa, come, bebe, regala-te". Mas nessa noite, Deus chama-o para dar contas. Então para quem serão todos os seus bens?
       Jesus conclui a parábola desta forma: "Assim acontece a quem acumula para si, em vez de se tornar rico aos olhos de Deus".
       Em muitas ocasiões Jesus mostra a prioridade do reino de Deus. Obviamente, também Ele come e bebe e participa em festas familiares e/ou comunitárias. Por aqui conclui-se que não menospreza os bens deste mundo que nos permitem viver com dignidade. Nesse sentido, o desafio à partilha, à caridade, à concretização prática da fé professada na relação com o semelhante, prestando-lhe cuidados, como o bom samaritano, perdoando, reconciliando os desavindos.
       Mas já nesta perspectiva, acentua os bens espirituais, aquilo que nos liga aos outros, que nos torna solidários, família, nos torna irmãos, ajudando os outros e ajudando-nos a ser felizes.

       2 - O que é certo, se a abundância dos bens fosse a garantia de felicidade e disso dependesse a nossa vida, então todas as pessoas com muitos bens materiais seriam felizes, Já, pelo contrário, as pessoas com escassez de bens materiais, seriam pobres das duas maneiras, nos bens e na (in)felicidade.
       A experiência diz-nos, com efeito, que há muitas pessoas que não têm grandes riquezas materiais e são felizes, generosas, simpáticas, de bem com a vida. Ao invés, há pessoas a quem não falta nada, materialmente falando mas que estão sempre mal com a vida e com os outros. Pelo meio, há ricos, cuja generosidade e desprendimento, que se permitem ser felizes, de bem com a vida. E há pobres que tudo fariam para destruir os que têm mais, não para partilhar, mas para ocupar os seus lugares, para viverem na opulência.
       Por outro lado, a experiência mostra-nos que muitas pessoas gastam o tempo todo em trabalho e preocupações, esquecendo-se de apreciar a vida, valorizar os momentos em família, o contacto com amigos, a usufruir positivamente dos investimentos. No final, quantas pessoas que acumularam uma riqueza considerável, mas agora que têm dinheiro e bens ou não têm saúde ou não têm ninguém, por vezes até os filhos debandaram!

       3 - Neste concreto, as leituras deste domingo são demasiado claras e provocadoras. Na primeira leitura, ouvimos o desabafo em jeito de desafio: "Vaidade das vaidades – diz Coelet – vaidade das vaidades: tudo é vaidade. Quem trabalhou com sabedoria, ciência e êxito, tem de deixar tudo a outro que nada fez. Também isto é vaidade e grande desgraça. Mas então, que aproveita ao homem todo o seu trabalho e a ânsia com que se afadigou debaixo do sol?"
       O autor parece desiludido perante a vida, todos têm a mesma sorte, tenham ou não trabalhado com justiça e sabedoria. Mas no final, o autor há-de concluir que tudo é vaidade se for feito e vivido à margem de Deus. Tudo pode ter sentido, se nos orientar para o bem, para Deus.
       É também essa a dinâmica expressa por São Paulo, nesta interpelação: "Se ressuscitastes com Cristo, aspirai às coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. Afeiçoai-vos às coisas do alto e não às da terra. Porque vós morrestes e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus... fazei morrer o que em vós é terreno".
       A prioridade há-de ser os valores do reino: a justiça, a verdade, o perdão, a caridade, a partilha solidária, o bem, a atenção aos mais necessitados, a reabilitação dos marginalizados.
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Textos para a Eucaristia (ano C): Co (Ecle) 1,2; 2,21-23; Col 3,1-5.9-11; Lc 12,13-21

domingo, 18 de julho de 2010

Livro da Verdade 6: a Sagrada Escritura

Actos dos Apóstolos

Os actos dos Apóstolos são a 2ª parte do Evangelho de São Lucas. Ambos formam o caminho da salvação: O Evangelho apresenta o caminho de Jesus; o livro dos actos apresenta o caminho da Igreja.
O relato que une as duas obras é a Ascensão, que coroa a vida de Jesus (Lc 24, 51) e funda a missão universal da Igreja (Act 1, 8). A evangelização é vista como uma caminhada e a vida cristã recebe o nome de caminho (9,2;19,9.23;24,22).

Cartas ou Epístolas
As cartas ou Epístolas são escritos dirigidos às 1ªs comunidades cristãs. Elas dão-nos, não só uma ideia dos problemas dessas comunidades, mas também nos ajudam a ver e a orientar nos problemas das nossas comunidades actuais.

Epístolas Paulinas
Paulo é uma das figuras mais importantes do Novo Testamento. Começou a perseguir os cristãos (Fl 3,6) até que se encontrou com o Senhor na estrada de Damasco (Act 9,1-19) e mudou completamente a sua vida.
Paulo tem consciência de ter sido destinado a levar a Palavra de Deus aos pagãos. A esse projecto Paulo dá o nome de mistério.
Pelo facto de não ter vivido com Jesus como os demais Apóstolos, enfrentou sérias dificuldades. Alguns afirmavam “ Ele não é Apóstolo, pois não viu o Senhor”. Paulo defendia-se contando a sua experiência com Cristo (Gl1,12;2 cor 12,1-4). Outros diziam “só quem andou com Jesus é que pode fundar comunidades”. Paulo responde, por exemplo, em (1 cor 9,2-3).
Paulo escreveu em grego, mas o seu modo de pensar é, na maioria das vezes, o de um mestre judeu.

Epístolas paulinas: Romanos; 1 e 2coríntios; Gálatas; Efésios; Filipenses; Colossenses; 1 e 2 Tessalonicenses; 1 e 2 Timóteo; Tito; Filémon.
Hebreus - anónima, tradicionalmente atribuída a Paulo.

Outras epístolas: Tiago; 1 e 2 Pedro; 1,2 e 3 João; Judas.

Clara Castro, publicado no Boletim Voz Jovem, Julho 2010.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Como quem pega um menino ao colo

       Eis o que diz o Senhor: «Quando Israel era ainda criança, já Eu o amava; e, para o fazer sair do Egipto, chamei o meu filho. Mas quanto mais Eu os chamava, mais eles se afastavam de Mim. Ofereciam sacrifícios a Baal e queimavam incenso aos ídolos. Contudo, Eu ensinava Efraim a andar e trazia-o nos braços; mas não compreenderam que era Eu quem cuidava deles. Atraía-os com laços humanos, com vínculos de amor. Tratava-os como quem pega um menino ao colo, inclinava-Me para lhes dar de comer. O meu coração agita-se dentro de Mim, estremece de compaixão. Não cederei ao ardor da minha ira, nem voltarei a destruir Efraim. Porque Eu sou Deus e não homem, sou o Santo no meio de ti e não venho para destruir» (Os 11, 1-4.8c-9).

       Disse Jesus aos seus Apóstolos: «Ide e proclamai que está próximo o reino dos Céus. Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, sarai os leprosos, expulsai os demónios. Recebestes de graça; dai de graça (Mt 10, 7-15).
 
       O profeta Oseias mostra como o AMOR de Deus pelo Seu povo é infinito. Deus ama como uma mãe ama um filho, desde o ventre materno, mesmo antes de nascer. Deus cuida de Israel, dá-lhe de comer, ensina-o, protege-o contra os inimigos e ainda assim vê que o Povo se transvia. Porém, Deus é fiel e não vindicativo.
       O Evangelho é a expressão plena de que Deus em Jesus Cristo entra na humanidade, habita no meio de nós, mais, habita em nós. Os discípulos, ao serem enviados, levam esta boa nova de que o Reino de Deus chegou até nós.

sábado, 3 de julho de 2010

XIV Domingo do Tempo Comum

Primeira Leitura: 
       "Como a mãe que anima o seu filho, também Eu vos confortarei: em Jerusalém sereis consolados. Quando o virdes, alegrar-se-á o vosso coração e, como a verdura, retomarão vigor os vossos membros. A mão do Senhor manifestar-se-á aos seus servos" (Is 66,10-14c).

Segunda Leitura: 
       "Longe de mim gloriar-me, a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo" (Gal 6,14-18).

Evangelho: 
       Disse-lhes Jesus: "a seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao dono da seara que mande trabalhadores para a sua seara. Ide: Eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos. Não leveis bolsa nem alforge nem sandálias, nem vos demoreis a saudar alguém pelo caminho...
       ... Não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem; alegrai-vos antes porque os vossos nomes estão escritos nos Céus" (Lc 10,1-12.17-20).

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Os teus pecados estão perdoados

       Mas Jesus, conhecendo os seus pensamentos, disse: «Porque pensais mal em vossos corações? Na verdade, que é mais fácil: dizer: ‘Os teus pecados estão perdoados’, ou dizer: ‘Levanta-te e anda’? Pois bem. Para saberdes que o Filho do homem tem na terra o poder de perdoar os pecados, ‘Levanta-te – disse Ele ao paralítico – toma a tua enxerga e vai para casa’. O homem levantou-se e foi para casa. Ao ver isto, a multidão ficou cheia de temor e glorificava a Deus por ter dado tal poder aos homens (Mt 9, 1-8).
       Só Deus pode perdoar os pecados. É uma verdade para o mundo judaico, mas também para o mundo cristão. Jesus perdoa os pecados. Conclusão: Jesus é Deus. Ou, na observação dos judeus que O ouviam, faz-Se passar por Deus e isso é blasfémia.
       A multidão dos simples, daqueles e daquelas que abrem o coração ao futuro de Deus, rejubila com as maravilhas operadas através de Jesus Cristo. Hoje, Jesus continua a agir na Igreja e no mundo, através de nós.

domingo, 27 de junho de 2010

Senhor, porção da minha herança

       1 – O seguimento de Jesus pode e deverá realizar-se em diferentes estados de vida e em opções diversas, mas a radicalidade desse seguimento há-de fazer-nos voltar toda a nossa vida para Cristo e para o Seu Evangelho de caridade.
       Não podemos contemporizar com as injustiças, com as guerras, com a corrupção, com a exploração dos mais pobres, com a indiferença diante do atropelo dos direitos humanos.
       Recorda o Apóstolo, "pela caridade, colocai-vos ao serviço uns dos outros, porque toda a Lei se resume nesta palavra: Amarás o teu próximo como a ti mesmo». Se vós, porém, vos mordeis e devorais mutuamente, tende cuidado, que acabareis por destruir-vos uns aos outros".

       2 – Se o Senhor Deus é a porção da nossa herança, então acertaremos o nosso passo pela palavra de Deus. O salmo que nos é proposto para hoje é extremamente significativo. Refere-se à vocação sacerdotal da tribo de Levi, que não tinha terras nem bens materiais, mas dependia inteiramente do templo e das ofertas feitas pelas outras tribos de Israel.
       Mas se é a realidade da tribo sacerdotal é também um desafio a cada um de nós, para que Deus ocupe o primeiro lugar da nossa vida. Não O coloquemos em estantes do esquecimento até que precisemos d'Ele, mas seja a primeira opção, a principal escolha e veremos que ao entregarmo-nos de coração ao Senhor nada perdemos, pelo contrário aprenderemos a saborear a vida de uma forma mais positiva.

Leia a Reflexão Dominical na página da Paróquia de Tabuaço, aqui!

sábado, 26 de junho de 2010

XIII Domingo do Tempo Comum

Primeira Leitura:
       "Então Eliseu abandonou os bois, correu atrás de Elias e disse-lhe: «Deixa-me ir abraçar meu pai e minha mãe; depois irei contigo». Elias respondeu: «Vai e volta, porque eu já fiz o que devia». ...Depois, Eliseu, levantou-se e seguiu Elias, ficando ao seu serviço" (1 Re 19,16b.19-21).

Salmo Responsorial - Sl 15 (16): O Senhor é minha herança
Defendei-me, Senhor: Vós sois o meu refúgio.
Diga ao Senhor: «Vós sois o meu Deus».
Senhor, porção da minha herança e do meu cálice,
está nas vossas mãos o meu destino.
Bendigo o Senhor por me ter aconselhado,
até de noite me inspira interiormente.
O Senhor está sempre na minha presença,
com Ele a meu lado não vacilarei.

Por isso o meu coração se alegra e a minha alma exulta
e até o meu corpo descansa tranquilo.
Vós não abandonareis a minha alma na mansão dos mortos,
nem deixareis o vosso fiel sofrer a corrupção.
Dar-me-eis a conhecer os caminhos da vida,
alegria plena na vossa presença,
delícias eternas à vossa direita.

Segunda Leitura:
       "Pela caridade, colocai-vos ao serviço uns dos outros, porque toda a Lei se resume nesta palavra: Amarás o teu próximo como a ti mesmo». Se vós, porém, vos mordeis e devorais mutuamente, tende cuidado, que acabareis por destruir-vos uns aos outros" (Gal 5,1.13-18).

Evangelho:
       Jesus respondeu-lhe: "Quem tiver lançado as mãos ao arado e olhar para trás não serve para o reino de Deus" (Lc 9,51-62).

Leia a Reflexão Dominical na página da Paróquia de Tabuaço, aqui!

domingo, 20 de junho de 2010

A CRUZ é lugar de encontro e de salvação

       1 – A CRUZ é um lugar de encontro, de partilha, de desafio, é um lugar de salvação.
       Paira sobre o cristão não como "machado" de sacrifício, sofrimento e morte, mas como ceptro de alegria, de paz, de esperança e de amor. Jesus Cristo salva-nos a partir da Cruz que é, sempre e antes de mais, expressão do amor de Deus. Ao primeiro olhar a dúvida e a incerteza: quererá Deus que os seguidores de Cristo sofram como Ele?
       Ao deixarmo-nos olhar por Ele, vemos claramente que se trata de amor, de paixão pela humanidade. O seu suplício é voluntarioso, vicarial, substitui-nos. É Ele que decide dar a vida. Tendo poder para Se livrar de todo o sofrimento, assume por amor, elevando à radicalidade a Sua entrega. Poderia ser de outra maneira, mas foi assim. Podia fugir. Optou por viver na verdade, na caridade e na oblação, realizando a vontade de Deus Pai. Diga-se que a vontade de Deus não é a morte de Jesus, mas a entrega, o amor, a vida.
       A crucifixão é o epílogo na vida de Jesus: amando, fazendo o bem, pregando a verdade, acolhendo os mais débeis, escolhendo o perdão e a partilha solidária. Ele não vira as costas nem às pessoas, nem à verdade. Procura sempre viver do amor de Deus para nos conduzir ao amor de Deus.
       2 – Quando contemplamos a CRUZ, na verdade de nossas vidas, envolvemo-nos com Jesus, comprometemo-nos com o seu projecto de salvação. Acolhemos o Seu amor, para vivermos na Sua paz, para progredirmos na Sua santidade, para amarmos sem medida, caminhando para a eternidade.
       É certo que na Cruz também estão as nossas lágrimas. Também nós O levamos, com o nosso pecado e com a nossa treva, até ao lenho da cruz. "Ao olhar para Mim, a quem trespassaram, lamentar-se-ão como se lamenta um filho único, chorarão como se chora o primogénito". No entanto, Deus dá-nos novas oportunidades: "Sobre a casa de David e os habitantes de Jerusalém derramarei um espírito de piedade e de súplica. Naquele dia, jorrará uma nascente para a casa de David e para os habitantes de Jerusalém, a fim de lavar o pecado e a impureza" (1.ª leitura).
       A identidade do cristão passa pela CRUZ. Primeiro Ele, nós como seguidores. Não para sofrer, mas para nos perdermos no Seu AMOR: "Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz todos os dias e siga-Me. Pois quem quiser salvar a sua vida, há-de perdê-la; mas quem perder a sua vida por minha causa, salvá-la-á" (Evangelho).

       3 – A morte e a ressurreição de Jesus é o conteúdo central e essencial da fé cristã. Em cada Eucaristia, na qual o pão e o vinho, por acção do Espírito Santo, se convertem em Corpo e Sangue de Jesus, anunciamos, actualizamos, tornamos presente este grande mistério da nossa fé. Mas também em cada celebração cristã, na palavra proclamada, nos gestos, nas orações, em tudo anunciamos e vivemos na morte e ressurreição de Jesus.
       Com efeito, "Todos vós sois filhos de Deus pela fé em Jesus Cristo, porque todos vós, que fostes baptizados em Cristo, fostes revestidos de Cristo" (2.ª leitura). Fomos/somos baptizados na morte e ressurreição de Jesus. E se todos somos baptizados em Cristo, todos somos filhos. É n'Ele que nos comprometemos com os outros, com o mundo, com a história.
       Não basta saber o que é o cristianismo, ou quem é Jesus Cristo. É inevitável, como discípulos seus, respondermos por nós, deixarmo-nos interpelar por Ele: "E vós, quem dizeis que Eu sou?" (Evangelho). Cabe-nos responder com a vida.

sábado, 19 de junho de 2010

XII Domingo do Tempo Comum

Primeira Leitura:
       "Ao olhar para Mim, a quem trespassaram, lamentar-se-ão como se lamenta um filho único, chorarão como se chora o primogénito... Sobre a casa de David e os habitantes de Jerusalém derramarei um espírito de piedade e de súplica. Naquele dia, jorrará uma nascente para a casa de David e para os habitantes de Jerusalém, a fim de lavar o pecado e a impureza" (Zac 12,10-11;13,1).

Segunda Leitura:
       "Todos vós sois filhos de Deus pela fé em Jesus Cristo, porque todos vós, que fostes baptizados em Cristo, fostes revestidos de Cristo" (Gal 3,26-29).
Evangelho:
       "Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz todos os dias e siga-Me. Pois quem quiser salvar a sua vida, há-de perdê-la; mas quem perder a sua vida por minha causa, salvá-la-á" (Lc 9,18-24).

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Orai assim: Pai-nosso, que estais nos Céus

       "Orai assim: ‘Pai nosso, que estais nos Céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino; seja feita a vossa vontade assim na terra como no Céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal’. Porque se perdoardes aos homens as suas faltas, também o vosso Pai celeste vos perdoará. Mas se não perdoardes aos homens, também o vosso Pai não vos perdoará as vossas faltas" (Mt 6, 7-15).
       A oração mais conhecida e mais sublime dos cristãos é, sem dúvida, a oração do PAI-NOSSO. É também a única oração que Jesus ensina aos seus discípulos. Jesus começa por dizer que para rezar a Deus não é preciso o uso de muitas palavras e sobretudo se estas não brotarem do coração mas apenas nos lábios. Deus bem sabe o que precisamos.
       A oração do Pai-nosso, rezada com verdade, conduz-nos ao essencial da mensagem de Jesus Cristo. Deus é Pai. É Pai de todos. Todos somos irmãos. Temos o mesmo Pai, o mesmo Deus. Se o reino de Deus se realizar em nós, será um reino de justiça, de paz, solidário, na partilha e na comunhão, onde cada pessoa será rosto de Deus. Assimilar que Deus é Pai de todos leva-nos a um compromisso sincero com o nosso semelhante, procurando o bem, como expressão da caridade divina.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

O Livro da Verdade 5: a Sagrada Escritura

Evangelho segundo São Marcos
- Marcos, seguidor de Pedro e também de Paulo. São Marcos escreveu o seu Evangelho com a finalidade de responder à pergunta:
“Quem é Jesus”? Porém, o Evangelista não responde, ele apenas relata a actividade de Jesus, deixando que o leitor chegue por si mesmo á conclusão de que Jesus é o Messias, o Filho de Deus (1,1;8;29;14;61;15;39).
O livro de São Marcos é apenas o começo da Boa Noticia (1,1).

Evangelho segundo São Lucas
– Lucas, seguidor de Paulo. São Lucas apresenta o caminho de Jesus como caminho que inicia o processo de libertação na história, e por isso realiza uma nova história: a história dos pobres e oprimidos que buscam um mundo mais justo e mais humano.
O ápice do terceiro Evangelho está nas palavras de Jesus na cruz “Pai, nas Tuas mãos entrego o Meu espírito” (23,46).
A morte de Jesus é a consequência da sua vida e actividade voltada para os pobres e oprimidos, provocando toda a violência do sistema baseado na riqueza e no poder.
Mas a morte é também a libertação, e Jesus faz da Sua vida e morte um acto de humilde entrega a Deus.

Evangelho segundo São João
– João, pescador e Apóstolo.
O evangelho de São João é uma espécie de meditação que visa despertar e alimentar a Fé em Jesus Cristo, o Filho de Deus, a fim de que os homens tenham vida (20,30-31).
Deus ama os homens e quer dar-lhes vida. Jesus revela esse amor e realiza a vontade do Pai, dando a Sua vida em favor dos homens.
São João procura mostrá-lo através dos sete sinais que apresenta na 1ª parte do Evangelho, salientando a importância do compromisso da Fé. Na 2ª parte salienta a importância do Amor e narra o supremo sinal: O regresso de Jesus ao Pai, através da morte e ressurreição… (continua)

Clara Castro, 4º Ano da catequese, no Boletim Voz Jovem, Junho 2010.

domingo, 13 de junho de 2010

O Perdão é a marca do cristão

       O perdão é a marca do cristão. Não se compreende a mensagem de Jesus Cristo e, consequentemente, dos seus discípulos, sem o perdão, como expressão da caridade, como desafio permanente à humildade diante de Deus e à compreensão na relação com o semelhante.
       Ao longo de toda a vida pública, Jesus mostra como o perdão, enquanto expressão do amor, é essencial para construir uma comunidade justa e fraterna. A experiência de perdão passa pelas suas palavras e sobretudo pelos seus gestos de acolhimento. Para Ele não há pessoas boas ou pessoas más, mas todos são filhos de Deus e dignos de serem reconhecidos como tal, dignos de perdão e de amor.
       Vemos como muitas pessoas são afastadas da convivência social, política, religiosa. Mas vemos também como Jesus as acolhe. Diante de alguns murmúrios, Jesus aproveita a oportunidade para nos lembrar que todos somos igualmente limitados, falíveis e pecadores.

Perdoar para ter saúde

       O perdão não é apenas uma atitude de benevolência para o agressor, mas é uma forma de equilíbrio e de saúde. Quando alguém insiste na vitimização e se concentra no "agressor" pode passar a viver em função do seu inimigo, acordar, adormecer e sentar-se à mesa com o inimigo. Perdoar liberta a pessoa que perdoa do rancor, da melancolia, da tristeza e do desgaste que tal concentração provoca.
       Quando Jesus fala do perdão sabe que nem sempre é fácil. Por vezes a ofensa é de tal ordem que é muito difícil perdoar. Mas é a única atitude do crente. Faz-nos bem à saúde. E se há humildade no pedir perdão, há igualmente humildade e generosidade em quem perdoa. Perdoar é aceitar a limitação própria e a limitação alheia, aceitar-se pecador e aceitar que o outro é meu irmão e que também pode errar.
       Obviamente o perdão não apaga a necessidade da justiça e de repor a verdade.
       Perdoar também não significa esquecer. Esquecer tem a ver com a memória. Perdoar tem a ver com a vontade.
       Perdoar não é converter o mal em bem. O mal não passa a ser bem porque perdoo, continua a ser mal. Perdoar é aceitar (não o mal mas) a pessoa pecadora e querer que ela viva e seja feliz, apesar do mal que me fez.
       Perdoar não exige iniciativa do outro, que ele venha pedir perdão, mas parte da pessoa que perdoa, é uma decisão que está para lá da decisão do agressor, perdoa independentemente de o outro pedir ou não pedir perdão. De contrário, a pessoa ofendida dependia da vontade do ofensor.

Leia a Reflexão Dominical na página da Paróquia de Tabuaço, aqui!