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quarta-feira, 13 de julho de 2011

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Estar enamorado

Estar enamorado,
Amigos, é encontrar o nome certo da vida.
É encontrar por fim a palavra
Para fazer frente à morte.
É recuperar a chave oculta
Que abre o cárcere em que a alma está cativa.
É levantar-se da terra
com uma força que chama de cima.
É contemplar do cume
A razão das feridas.
É notar nuns olhos
Um verdadeiro olhar que nos olha.
É escutar numa boca a própria voz
profundamente repetida.
É surpreender numas mãos
Esse calor da perfeita companhia.
É suspeitar, definitivamente
Que a solidão da nossa sombra está vencida.
Estar enamorado, amigos, é ouvir no deserto
a cristalina voz de um rio que nos chama.
É governar a luz do fogo
E ao mesmo tempo ser escravo da chama.
É entender o diálogo pensativo
Do coração e da distância.
Estar namorado, amigos,
É assenhorar-se das noites e dos dias.
É contemplar um comboio que corre pela montanha
Com as luzes acesas.
É compreender perfeitamente que não há fronteiras
Entre o sonho e a vigília.
Estar enamorado, amigos, é sofrer
Espaço e tempo com doçura.
É não saber se são nossas, ou não,
As longínquas amarguras.
É regressar à fonte das águas turvas
Da corrente da angústia.
É partilhar a luz do mundo
E ao mesmo tempo partilhar a sua noite escura.
É espantar-se e alegrar-se
Por a lua ser ainda lua.
É comprovar no corpo e na alma
Que a tarefa de ser homem é menos dura.
Estar enamorado é começar a dizer sempre,
E daí em diante não voltar a dizer nunca.
E é, além disso, meus amigos,
Ter a certeza de ter as mãos puras.

(autor Francisco Luis Bernárdez)

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Cultivar a verdadeira alegria

       "Cultivar a alegria não é tapar os olhos para não ver as coisas feias e os dissabores do mundo, não é cobrir a realidade com um véu cor-de-rosa para criar uma felicidade ilusória; pelo contrário, viver na alegria é viver na consciência extrema, testemunhando, na escuridão do mundo, que o nosso ser pertence a algo de diferente.
       A alegria não é uma linguagem de palavras, é uma linguagem de olhares, a alegria não convence, contagia.
       A alegria é poderosamente subversiva, porque é subversivo o amor sem distinções que ela transmite."

Susanna Tamaro, em «Querida Mathilda», in Abrigo dos Sábios.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Dá- me os teus olhos...



Senhor dá-me olhos novos. Capazes de ver o que se passa realmente no meu coração. Olhos que não se fiquem nas aparências. Olhos capazes de apreciar a verdadeira beleza. Olhos capazes de escolher a estrada certa. Olhos capazes de olhar a alegria e a força da Tua Luz!
Arménio Rodrigues em"Faz-te ao Largo"

quarta-feira, 2 de junho de 2010

O olhar... sobre os outros...

       O ancião descansava sentado num velho banco à sombra de uma árvore, quando foi abordado pelo motorista de um automóvel que estacionou a seu lado:
       - Bom dia!
       - Bom dia! Respondeu o ancião.
       - O senhor mora aqui?
       - Sim, há muitos anos...
       - Venho de mudança com a minha família e gostaria de saber como é o povo daqui. Como o senhor vive aqui há tanto tempo deve conhecê-lo muito bem.
       - É verdade, falou o ancião. Mas por favor, me fale antes da cidade de onde vem.
       - Ah! É óptima. Maravilhosa! Gente boa, fraterna... Eu e minha família fizemos lá muitos amigos. Só a deixei por imperativos da profissão.
       - Pois bem, meu filho. Esta cidade é exactamente igual. Vai gostar daqui.
       O forasteiro agradeceu e partiu.
       Minutos depois apareceu outro motorista e também se dirigiu ao ancião:
       - Estou chegando para morar com minha família aqui. O que me diz do lugar?
       O ancião lançou-lhe a mesma pergunta:
       - Como é a cidade de onde vem?
       - Horrível! Povo orgulhoso, cheio de preconceitos, arrogante! Não fiz um único amigo naquele lugar horroroso!
       - Sinto muito, meu filho, pois aqui você encontrará o mesmo ambiente...

       Todos vemos no mundo, nas pessoas e na família algo do que somos, do que pensamos, de nossa maneira de ser.
       Se somos nervosos, agressivos ou pessimistas, veremos tudo pela ótica de nossas tendências, imaginando conviver com gente assim.
       Em outras palavras, o mundo, a cidade, a família tem a cor que lhe damos através das nossas lentes.
       Se nossas lentes estão escurecidas pelo pessimismo, tudo à nossa volta nos parecerá escuro.
       Tudo, para nós, parecerá constantemente envolto em trevas.
       Se nossas lentes estão turvadas pelo desânimo, o universo que nos rodeia se apresenta desesperador.
       Mas, se ao contrário, nossas lentes estão clarificadas pelo otimismo, sentiremos que em todas as situações há aspectos positivos.
       Se o entusiasmo é o detergente das nossas lentes, perceberemos a vida em variados matizes de luzes e cores.
       A cor do mundo, da cidade e da família, portanto, depende da nossa ótica.
       O exterior estará sempre refletindo o que levamos no interior!
       Que possamos olhar na ótica de Deus e não do mundo!

domingo, 7 de fevereiro de 2010

A roupa da vizinha está suja!

A propósito da história anterior lembramo-nos de uma outra muito parecida. Aquela falava na surdez, esta fala na visão.

Um jovem casal mudou-se para a casa que alugaram. Viviam lado a lado com outros vizinhos de outros prédios. Quando acordavam logo abriam as portadas para ver o tempo que fazia. E durante alguns dias a mulher dizia para o marido:
- Amor, a nossa vizinha lavou a roupa mas deixou-a toda suja.
O jovem marido ia-lhe dizendo que não era nada com eles, que deixasse para lá.
Mais um dia e a bela mulher lhe dizia:
- Meu amor, já reparaste, a nossa vizinha continua a estender a roupa toda suja. Não achas que devia ajudá-la, ensinar-lhe como se deve lavar a a roupa?
- Deixa lá. Mudámo-nos há tão pouco tempo, temos é que fazer tudo para nos darmos bem com eles.
Um dia de manhã, a mulher veio de novo à janela, como sempre fazia, e ficou muito admirada:
- Amor, amor, finalmente, a nossa vizinha aprendeu a lavar a roupa, vem ver como desta vez está limpa! Se calhar alguém a chamou a atenção!
- Querida, fui eu que limpei os vidros da janela!!!

O mundo que vemos muitas vezes depende mais do nosso olhar, do que a realidade que julgamos ver. Os nossos juízos de valor levam sempre a nossa marca, as nossas vivências. Daí a necessidade de ponderarmos a nossa visão acerca dos outros e do mundo...