sábado, 26 de julho de 2014

XVII Domingo do Tempo Comum - ano A - 27 de julho

       1 – O reino de Deus é o Amor Maior que podemos encontrar na nossa vida, como cristãos, como seguidores Jesus Cristo. É a pérola de maior valor. Há amores na nossa vida que alteram os nossos dias, as nossas palavras, o nosso semblante, trazem alegria ao nosso olhar e sabor ao nosso sorriso. Há amor pelos quais vale a pena morrer, melhor, há amores pelos quais vale a pena viver. O reino de Deus é mesmo o melhor que nos pode acontecer, nesta vida e na vida futura. O reino de Deus chega até nós, em lógica de serviço, de conciliação, em lógica de AMOR, é o próprio Jesus Cristo. Como mostra a história da Igreja, muitos homens e mulheres viveram o reino de Deus, deram a vida toda para viver ao jeito de Jesus, revolucionaram mentalidades, construíram impérios de serviço, de caridade, de cuidado para com os mais frágeis. Em Jesus, entregaram-se aos mais pobres entre os pobres, São Francisco de Assis, Madre Teresa de Calcutá, Pai Américo. Para eles, tudo pelo amor maior: Jesus Cristo, o Reino de Deus entre nós.
       Diz-nos Jesus: «O reino dos Céus é semelhante a um tesouro escondido num campo. O homem que o encontrou tornou a escondê-lo e ficou tão contente que foi vender tudo quanto possuía e comprou aquele campo. O reino dos Céus é semelhante a um negociante que procura pérolas preciosas. Ao encontrar uma de grande valor, foi vender tudo quanto possuía e comprou essa pérola. O reino dos Céus é semelhante a uma rede que, lançada ao mar, apanha toda a espécie de peixes. Logo que se enche, puxam-na para a praia e, sentando-se, escolhem os bons para os cestos e o que não presta deitam-no fora. Assim será no fim do mundo: os Anjos sairão a separar os maus do meio dos justos e a lançá-los na fornalha ardente. Aí haverá choro e ranger de dentes».
       Três parábolas que ilustram os ensinamentos de Jesus, que volta a referir-se o juízo final, não como ameaça que pesa sobre nós, mas como desafio para que a nossa rede esteja disponível para a apanha do peixe. Importa lançar as redes ao mar. Podemos errar. Podemos pescar bom peixe e mau peixe. Deus não desiste de nós. Lancemos as redes o melhor que soubermos e pudermos, Deus fará o resto. Relembramos a parábola do trigo e do joio: a divisão não se faz no início, na apanha, mas no final, dando tempo ao tempo, para que o bem possa revelar-se. Paciência misericordiosa de Deus.
       2 – Rodeados de notícias acerca de desgraças: guerras, conflitos armados, famílias destroçadas por desentendimentos mesquinhos, jovens delinquentes, violadores, abusos, trabalho infantil, exploração sexual, fome, toxicodependência, facadas, tiros, violência doméstica, homicídios, com variáveis, para roubar, para ajustar contas, para vingar, para exigir o que voluntariamente foi negado, por motivos de ganância ou por sentimentos não correspondidos. Tudo passa na televisão, na rádio, nos jornais e revistas e com a proliferação no ambiente digital. Tudo o que tenha cheiro a escândalo, a destruição, a agressividade, que apele às misérias e aos pecados, tem logo dezenas ou centenas de partilhas garantidas. Boas notícias são mais difíceis de suscitar adesão e partilha.
       E no entanto é a BOA NOTÍCIA que nos salva, nos aproxima, nos faz família, nos torna irmãos, nos liberta de egoísmo e das estruturas de pecado, de que falava o São João Paulo II. Só a BOA NOVA de Deus no meio de nós nos redime e nos retira da espiral de destruição e de negatividade. Enquanto a opção formos nós, apesar dos outros ou contra os outros, afirmando-nos na nossa individualidade em contraponto com os outros, nunca sairemos das crises que nos oprimem e sufocam. É urgente seguir Jesus Cristo. Em vez de Lhe passarmos à frente, pela nossa esperteza saloia, importa que nos coloquemos atrás, em atitude de imitação e seguimento. É também essa a reprimenda de Jesus a Pedro: "Afasta-te de Mim Satanás. Passa para trás. Segue-Me. Vê os meus passos. Deixa de preocupares só com o teu umbigo. Procura a vontade de Deus". Relembra-nos depois Bento XVI: Cristo nada nos tira, dá-nos TUDO, potencia todo o bem que há em nós.
       Perante a aparente falência da humanidade poderá advir o desencanto e a desconfiança sistémica. O lugar para a esperança no futuro, na humanidade, é vista por um canudo, quase impossível, irrealizável. O ideal de um mundo melhor, um mundo fraterno, de paz e desenvolvimento é constantemente ameaçado pela violência, pela vingança, pela guerra. Veja-se de novo o conflito em Israel e Palestina. Ainda há dias os seus líderes rezavam juntos nos jardins do Vaticano, e já estão a ver quem tem um maior poder de destruição. Ou o conflito entre Ucrânia e Rússia. Verdadeiramente desolador.
       3 – Mas a BOA NOTÍCIA está aí. Como cristãos não podemos baixar os braços. Não podemos deixar-nos vencer pelo desânimo e pelo proliferar de notícias violentas. Em ambiente digital, eu só partilho notícias e acontecimentos que promovam aproximação, ainda que existam situações negativas que mereçam espaço como alerta, como comunhão na dor, como desafio a não repetir, como convite à partilha solidária.
       Em Jesus Cristo, Deus faz-Se um de nós. Comunga da nossa dor, da nossa fragilidade e finitude, não para que tudo fique igual, mas para nos elevar, para que O imitemos procurando identificar-nos com o Seu amor, com a Sua compaixão, na proximidade e no serviço aos que se encontram em situação de maior fragilidade.
       Garante o Apóstolo: «Deus concorre em tudo para o bem daqueles que O amam, dos que são chamados, segundo o seu desígnio. Porque os que Ele de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que Ele seja o Primogénito de muitos irmãos».
       Amemos a Deus e Ele não nos faltará com a Sua bênção, com a Sua graça infinita. Ele concorre para o bem que possamos desenvolver em prol dos outros. Amemos a Deus, amando os irmãos, em verdade, em palavras ilustradas com obras, em gestos de carinho e de apoio, dando e dando-nos, gastando a nossa vida para que a vida dos outros seja abundante. É este o ministério de Jesus e dos seus seguidores, amar servindo, servir amando, viver amando e servindo. Quem não vive para servir, não serve para viver (Mahatma Gandhi).

       4 – A boa vontade de pessoas que encontramos pela vida fora dão-nos confiança no futuro da humanidade, apesar dos sinais contraditórios. A esse propósito, acercam-se pessoas com uma disponibilidade intensa: quero ajudar, diga-me como, diga-me onde, diga-me o que posso fazer. Quando a boa vontade se faz acompanhar da disponibilidade para procurar soluções, ajudas, conciliando esforços e talentos, aproximando pessoas, envolvendo-se em projetos que promovam a vida em abundância, fazendo o bem sem olhar a quem, abre-se um caminho infindo de possibilidades.
       Podemos ser reis e senhores, podemos ter o mundo a nossos pés, toda a riqueza que almejamos, mas se nos faltar a amizade, o amor, se nos faltar um ombro amigo, alguém com quem conversar a vida, seremos pessoas ressabiadas. Há, como lembra Augusto Cury, pessoas miseráveis a viver em palácios de ouro; há pessoas de ouro a viver em barracos.
       A sensibilidade para com os outros é-nos mostrada nas palavras e nos gestos de Jesus. É também essa a oração de Salomão. Pede a Deus, em primeiro lugar, não a riqueza, o poder, ou longa vida, mas pede a sabedoria para assumir o seu poder como serviço a todo o povo: «Dai, portanto, ao vosso servo um coração inteligente, para governar o vosso povo, para saber distinguir o bem do mal; pois, quem poderia governar este vosso povo tão numeroso?».
       A resposta de Deus: «Porque foi este o teu pedido, e já que não pediste longa vida, nem riqueza, nem a morte dos teus inimigos, mas sabedoria para praticar a justiça, vou satisfazer o teu desejo. Dou-te um coração sábio e esclarecido, como nunca houve antes de ti nem haverá depois de ti».
       Há que pedir a Deus o que Ele nos quer dar para nosso bem e para o bem da humanidade. Só assim a nossa oração faz sentido. Pedir a Deus que nos ajude a ser mais que os outros, ou a fazer-nos felizes mesmo que os outros vivam mal, é pedir a um Pai que renegue um dos seus filhos, o deserde, e nos favoreça. Ora o desejo do Pai é que cada filho tenha o melhor da vida e se um se encontra mais desfavorecido o compromisso dos outros para reabilitar, para ajudar. Só assim o coração de Deus sossega, só assim se realizará a vontade do Pai, a nossa verdadeira missão no mundo.

Pe. Manuel Gonçalves


Textos para a Eucaristia (ano A): 1 Reis 3, 5. 7-12; Sl 118 (119); Rom 8, 28-30; Mt 13, 44-52.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Laetare - Madalena

       A Agência Ecclesia, diz-nos que Laetare "é uma banda portuguesa constituída a partir das actividades de um grupo de catequese da paróquia da Reboleira, diocese de Lisboa. Começaram por ajudar na animação musical das eucaristias e depois surgiu o desafio de criar um tema original para participar no festival vicarial da canção cristã.
       A banda é constituída por 2 elementos: Clara Raimundo (Voz) e Pedro Marques (Guitarra, Voz)".
       No dia 17 de MAIO atuaram, em concerto de oração, na Igreja Paroquial de Tabuaço
       Editaram o seu primeiro CD com 11 composições, Ao Teu Sopro. Uma melodia agradável, que nos ajuda a elevar o espírito, com uma forte mensagem cristão. Vale mesmo a pena escutar, meditar, rezar, louvar a Deus. Neste dia em que celebramos a festa de Santa Maria Madalena, aqui fica um tema proposto por este grupo de música cristã.

sábado, 19 de julho de 2014

XVI Domingo do Tempo Comum - ano A - 20 de julho

       1 – Deus é lento para a ira e rico de misericórdia, "é um Deus clemente e compassivo, sem pressa para Se indignar e cheio de misericórdia e fidelidade" (Ex 34, 6). É isto que Jesus volta a dizer-nos de forma clara e inequívoca.
       Depois da parábola do Semeador que sai a semear e cuja semente encontra terrenos diversos, Jesus propõe-nos a parábola do trigo e do joio. «O reino dos Céus pode comparar-se a um homem que semeou boa semente no seu campo. Enquanto todos dormiam, veio o inimigo, semeou joio no meio do trigo e foi-se embora. Quando o trigo cresceu e começou a espigar, apareceu também o joio».
       Apercebendo-se do que está a acontecer logo os seus servos querem cortar o mal pela raiz. Então o senhor diz-lhes: "Não! Não suceda que, ao arrancardes o joio, arranqueis também o trigo". Quando chegar a altura da ceifa, amadurecendo o trigo e o joio, terão oportunidade de separar o trigo e o joio. Ao nascer e no crescer o trigo e o joio confundem-se facilmente. Mas com o tempo, o trigo cresce acima do joio…
       Já em casa, Jesus volta a explicar aos discípulos a parábola do trigo e do joio. «Aquele que semeia a boa semente é o Filho do homem e o campo é o mundo. A boa semente são os filhos do reino, o joio são os filhos do Maligno e o inimigo que o semeou é o Diabo. A ceifa é o fim do mundo e os ceifeiros são os Anjos. Como o joio é apanhado e queimado no fogo, assim será no fim do mundo».
       Em cada um de nós, cresce o trigo e o joio simultaneamente. Poderemos colocar os bons de um lado e os maus do outro lado. Nesse caso cortamos o joio antes da ceifeira. E de que lado nos situamos? Seremos os bons para excluir os maus? Ou seremos os maus que se querem perdidos na escuridão e no pecado?
       Amadureçamos a semente que Jesus lançou no nosso coração e na nossa vida, cuidemos da nossa terra, vamos mondando com cuidado para não destruir o que de bom vamos encontrando, criemos condições cada dia mais favoráveis para que o trigo seja mais forte e robusto e possa ir abafando o joio que há em nós.
        2 – Uma árvore ao cair faz muito mais barulho que todas as árvores da floresta a crescer.
       Uma notícia negativa gera uma maior atenção e tem direito a um tempo de antena alargado com todos os desenvolvimentos possíveis, os vários pontos de vistas, opiniões de quem viu e de quem não viu, emoções, sentimentos. Uma notícia positiva tem algumas dificuldades de afirmação, ainda que possa ser um bom sinal na medida em que o bem continua a ser expectável.
       A velha imagem que se adequa à parábola de Jesus, o risco de deitar fora a água suja e o bebé. Olhando para a vasilha só se vê a água turva, mas dentro está o bebé. É preciso cuidado e antes de deitar fora a água verificar que nada de bom e útil segue o mesmo destino.
       No recente Campeonato do Mundo de Futebol, 16 equipas, espalhadas pelos diferentes continentes conseguiram um feito meritório, entre muitas outras apuraram-se para a fase final. Luta, trabalho, sacrifício, para superar os adversários. Na fase final, algumas equipas obtiveram mais sucesso que outras. Até podem ter perdido jogos em que jogaram melhor futebol. Este tem uma dose elevada de sorte. Um primeiro golo pode derrubar por completo a confiança. Uma derrota ou a eliminação fez explodir, em relação a algumas seleções de futebol, como Portugal e Brasil, um rol infindável de críticas como se tudo tivesse corrido mal. Perante uma derrota é difícil ver o bem e avaliar de forma equilibrada, sem com isto desvalorizar a necessidade de se fazer uma avaliação sobre o correu bem e o que correu menos bem.
       O trigo e o joio, o bem e o mal, o branco e o preto, a vida e a morte, a luz e as trevas. As antíteses até podem ser atraentes, mas a vida não é assim, é multicolor e tem diversas matizes, uma definição não encaixa em todas as pessoas do mesmo modo.
       Temos pressa e queremos resultados imediatos. Bento XVI, no início do Seu pontificado, dizia de uma forma muito acessível que a nossa pressa destrói, precipita-nos. A paciência de Deus, que brota do amor, da compaixão, da Sua misericórdia infinita, constrói. Deus é paciente, espera por nós. Sempre.
       Num grupo eclesial, numa turma (escolar), num clube de futebol, num partido, numa empresa, um incidente, uma momento infeliz, pode destruir rapidamente tudo o que se construiu com carinho e dedicação. Caindo em rápidos juízos de valor, o sério risco de colocarmos tudo em causa, desanimarmos, fazermos com que os outros desanimem.
       Paga o justo pelo pecador. Algo correu mal. Aconteceu o que não era suposto acontecer. Alguém tem de pagar as favas, ou pagam todos. Um elemento saiu fora da linha, então desiste-se por completo do projeto em causa.
       3 – Deus age, por vezes silenciosamente, em nós e através de nós. Podemos ter vontade e desejo de transformar o mundo inteiro, mas nem a nossa vida transformaremos senão deixarmos que o Espírito Santo nos envolva e reaviva em nós a memória e a identidade de filhos adotivos de Deus.
       Com o tempo, tomamos consciência que o nosso esforço não obtém resultados imediatos nem tampouco os frutos que eram esperados diante do muito que fizemos. A reação pode levar-nos a desistir e a conformar-nos com as situações vigentes. Porém, tal como na parábola do trigo e do joio, contamos com a paciência e compaixão de Deus. Para que a semente dê fruto abundante e maduro é preciso cuidado, trato, mas sobretudo deixar que Deus opere na terra que somos, solo ávido da Palavra de Deus e da Sua presença amorosa.
       Jesus explicita o agir de Deus e a confiança que nos deve suscitar através de mais duas parábolas:
  • «O reino dos Céus pode comparar-se ao grão de mostarda que um homem tomou e semeou no seu campo. Sendo a menor de todas as sementes, depois de crescer, é a maior de todas as plantas da horta e torna-se árvore, de modo que as aves do céu vêm abrigar-se nos seus ramos».
  • «O reino dos Céus pode comparar-se ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado».
       Também por aqui se vê que Deus não age pelo exterior, pela força, pelo espetacular, mas pelo humilde e delicado, a partir do nosso interior. Deus age apenas e só através do amor com que nos cria e salva em Cristo Jesus, pela força do Espírito Santo. Por mais pequena que seja a semente, com Deus produzirá em abundância. O que fizermos só por nós pode ser muito, mas será sempre pouco. O que fizermos com Deus, ou deixarmos que Deus faça em nós e através de nós, ainda que seja pouco, será sempre muito, será sempre amor, e não correremos o risco de desanimar com a mesma facilidade de nos centrarmos apenas em nós. Sozinhos não existimos. Alguém duvida?

       4 – Na verdade, diz-nos o Apóstolo, "o Espírito Santo vem em auxílio da nossa fraqueza, porque não sabemos que pedir nas nossas orações; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis. E Aquele que vê no íntimo dos corações conhece as aspirações do Espírito, pois é em conformidade com Deus que o Espírito intercede pelos cristãos". Na oração encontramo-nos com o mesmo Deus, que dilata o nosso coração, envolvendo-nos na compaixão com o próximo.
       O Senhor Deus é o garante da nossa vida presente e futura, Ele que nos criou e em Cristo nos redimiu. Desde sempre, Deus cuida de nós, usando de misericórdia e paciência. "Vós, o Senhor da força, julgais com bondade e governais-nos com muita indulgência, porque sempre podeis usar da força quando quiserdes. Agindo deste modo, ensinastes ao vosso povo que o justo deve ser humano e aos vossos filhos destes a esperança feliz de que, após o pecado, dais lugar ao arrependimento".
       Como é belo saber que o nosso Pai – como os nossos pais terrenos – está sempre de coração disponível e de braços abertos para nos acolher em casa, mesmo quando fomos injustos, ingratos, rebeldes. Por mais que nos tenhamos afastado, o coração do Pai (e dos pais) está pronto para nós. Faz toda a diferença. Sabemos que ainda que tudo corra mal, temos um poiso, um lugar em Quem nos encontrarmos e para onde voltarmos. A nossa casa é onde estão os que nos querem bem.

Pe. Manuel Gonçalves


Textos para a Eucaristia (ano A): Sab 12, 13. 16-19; Sl 85 (86); Rom 8, 26-27; Mt 13, 24-43.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração...

       Jesus exclamou: «Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e a minha carga é leve» (Mt 11, 28-30).
        Jesus é o nosso conforto, o lugar em que nos descobrimos e nos encontramos como irmãos uns dos outros e como filhos bem amados de Deus. Qual o melhor conforto que nos pode ser dado senão a amizade, a compreensão, um significado envolvente para a vida, a promessa da imortalidade, a garantia que a nossa vida tem uma sentido que nos transcende e transcende o tempo presente e o mundo actual?!
       Jesus é esta promessa de definitividade. É a nossa esperança. Mais, é uma promessa que se cumpre com a Sua morte e ressurreição. As suas palavras, à luz da Ressurreição, adquirem um novo prisma, de promessa passam a cumprimento. Ele coloca as nossas esperanças na eternidade.
       A certeza de que Ele está connosco em todo o tempo e lugar, e por todo o sempre, descansa a nossa sede permanente de nos transcendermos, ou pelo menos, dá-lhe uma objectividade que nos atrai.
        O convite de Jesus confirma a preocupação de ser habitação de todos, especialmente daqueles que vivem em maiores dificuldades morais, afectivas, sociais, aqueles que cansaram da vida, das pessoas. O encontro com Jesus Cristo há-de ser de libertação, de descanso, de encontro consigo próprio, de realização do melhor que há em nós.
       Por outro lado, e como já refletimos por aqui (XIV do tempo Comum - A), Ele ensina-nos a mansidão e a humildade, que nos abrem para o futuro e que nos permitem a comunhão com os outros...

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Nem um copo de água ficará sem recompensa

       "Ainda que multipliqueis as vossas preces, não lhes darei atenção, porque as vossas mãos estão cheias de sangue. Lavai-vos, purificai-vos, afastai dos meus olhos a malícia das vossas acções, deixai de praticar o mal e aprendei a fazer o bem. Respeitai o direito, protegei o oprimido, fazei justiça ao órfão, defendei a causa da viúva" (Is Is 1, 10-17). 
       Disse Jesus aos seus apóstolos:
      "Disse Jesus aos seus apóstolos: «Não penseis que Eu vim trazer a paz à terra. Não vim trazer a paz, mas a espada. De facto, vim separar o filho de seu pai, a filha de sua mãe, a nora da sua sogra, de maneira que os inimigos do homem são os de sua casa. Quem ama o pai ou a mãe mais do que a Mim, não é digno de Mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a Mim, não é digno de Mim. Quem não toma a sua cruz para Me seguir, não é digno de Mim. Quem encontrar a sua vida há-de perdê-la; e quem perder a sua vida por minha causa, há-de encontrá-la. Quem vos recebe, a Mim recebe; e quem Me recebe, recebe Aquele que Me enviou. Quem recebe um profeta por ele ser profeta, receberá a recompensa de profeta; e quem recebe um justo por ele ser justo, receberá a recompensa de justo. E se alguém der de beber, nem que seja um copo de água fresca, a um destes pequeninos, por ele ser meu discípulo, em verdade vos digo: não perderá a sua recompensa». Depois de ter dado estas instruções aos seus doze discípulos, Jesus partiu dali, para ir ensinar e pregar nas cidades daquela gente" (Mt 10, 34 - 11, 1).
       Na primeira leitura da liturgia da palavra deste dia, do profeta Isaías, acentua-se que o essencial aos olhos de Deus não é o cumprimento de ritos, de leis, de tradições, mas a vivência solidária com os outros, a conversão de coração, a justiça, a solidariedade, o bem. Os ritos, como a religião, têm sentido quando nos ajudam a ajudar os outros.
       No Evangelho, por sua vez, Jesus alerta os seus discípulos para a inquietação que devem sentir na transformação do mundo, gastar a vida para a ganhar, viver na dedicação permanente ao próximo, não esperar tranquilidade na missão. A paz conquista-se pelo compromisso com os outros. Paulo VI lembrava que o desenvolvimento é outro nome para a paz, pois esta não é alcançável quando existe pobreza, guerra, dependência, corrupção, quando lei do mais forte impera, escravizando, controlando, retirando aos outros a liberdade e a capacidade de autodeterminação. A paz exige escolhas ativas a favor da transformação do mundo e das estruturas de pecado, para que a injustiça, as desigualdades sociais, o défice de acesso à saúde, à educação e à cultura, sejam minoradas em ordem à fraternidade.
       O caminho para Jesus é o serviço, a caridade, a atenção e cuidado sobretudo às pessoas que se encontram em situações de desfavor, num mundo paralelo, deficitário, de exclusão social, política e religiosa. Aos seus discípulos diz claramente qual é o caminho: serviço, caridade. Nem um copo de água dado em nome de Jesus ficará sem recompensa.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Tabuaço | Encerramento da Catequese | 2014 | Sabroso

       No passado sábado, o primeiro de julho, dia 5, o ENCERRAMENTO da CATEQUESE da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, de Tabuaço, no Santuário de Santa Maria do Sabroso, na Paróquia de Santa Maria de Barcos, da Zona Pastoral de Tabuaço. Algumas fotos desta tarde, com jogos e animação, com as Catequistas e o Grupo de Jovens (GJT), a celebração da Eucaristia, o lanche partilhado. Os pais foram convidados a estarem presente e alguns fizeram questão, bem assim como outras pessoas da nossa comunidade paroquial de Nossa Senhora da Conceição.
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quarta-feira, 2 de julho de 2014

Procurai o bem e não o mal

       Procurai o bem e não o mal, para que vivais. Assim, o Senhor, Deus do Universo, estará convosco, como vós dizeis. Detestai o mal e amai o bem, restabelecei a justiça no tribunal. Talvez o Senhor, Deus do Universo, tenha compaixão dos sobreviventes de José. Eu detesto e desprezo as vossa festas, desgostam-Me as vossas reuniões sagradas. Se Me ofereceis holocaustos e oblações, Eu não quero aceitá-los; e para os vossos sacrifícios de animais gordos, nem sequer Me digno olhar. Afastai de Mim o barulho dos vossos cânticos, que Eu não quero ouvir o som das vossas harpas. Mas fazei que o direito corra como as águas e a justiça como rio inesgotável (Am 5, 14-15.21-24).
       O profeta Amós, de forma clarividente, mostra a relação entre a fé e a vida, entre o amor a Deus, a religião, e o amor ao próximo, a fraternidade. As orações, os cânticos de louvor, as oblações, os ritos do templo, não têm qualquer significado se a justiça e o direito não forem restabelecidos. Como muitas vezes ouviremos no Novo Testamento, o amor a Deus e o amor ao próximo são concumitantes, interligam-se mutuamente, não existem separados.