sexta-feira, 12 de julho de 2013

Bento XVI - com Jesus, a vida é uma festa

BENTO XVI. Com Jesus, a vida é uma festa. O Papa às crianças da Primeira Comunhão. Paulinas Editora. Prior Velho 2013, 32 páginas.
       É um pequeno livro, ilustrado, sobre a Primeira Comunhão, o Domingo, a Vida, o Amor, o Perdão, a Presença de Deus. De forma simples, o Papa alemão responde às crianças da Primeira Comunhão, no dia 15 de outubro de 2005. O texto pode ser lido na página do Vaticano (sublinhe-se que o livrinho das Paulinas está enriquecido com ilustrações, de Sandra Bersanetti, e com um breve comentário, ótimo presente para crianças): AQUI ou de seguida:

Andrea:
       "Caro Papa, que recordação tens do dia da tua Primeira Comunhão?".

BENTO XVI:
       Antes de tudo, gostaria de dizer obrigado por esta festa da fé que me ofereceis, pela vossa presença e alegria.
       Agradeço e saúdo o abraço que tive de um de vós, um abraço que simbolicamente vale para vós todos, naturalmente.
       Quanto à pergunta, recordo-me bem do dia da minha Primeira Comunhão. Era um lindo domingo de Março de 1936, portanto, há 69 anos.
       Era um dia de sol, a igreja muito bonita, a música, eram muitas coisas bonitas das quais me lembro. Éramos cerca de trinta crianças, meninos e meninas, da nossa pequena cidade com não mais de 500 habitantes.
        Mas, no centro das minhas recordações alegres e bonitas está o pensamento o mesmo já foi dito pelo vosso porta-voz que compreendi que Jesus tinha entrado no meu coração, tinha feito visita justamente a mim.
       E com Jesus, Deus mesmo está comigo. Isto é um dom de amor que realmente vale mais do que tudo que pode ser dado pela vida; e assim estava realmente cheio de uma grande alegria porque Jesus tinha vindo até mim.
        E entendi que então começava uma nova etapa da minha vida, tinha 9 anos, e que então era importante permanecer fiel a este encontro, a esta Comunhão.
       Prometi ao Senhor, por quanto podia: "Gostaria de estar sempre contigo" e pedi-lhe: "Mas, sobretudo permanece comigo". E assim fui em frente na minha vida.
        Graças a Deus, o Senhor tomou-me sempre pela mão, guiou-me também nas situações difíceis. E dessa forma, a alegria da Primeira Comunhão foi o início de um caminho realizado juntos.
       Espero que, também para todos vós, a Primeira Comunhão que recebestes neste Ano da Eucaristia seja o início de uma amizade com Jesus para toda a vida. Início de um caminho juntos, porque caminhando com Jesus vamos bem e a vida se torna melhor.
Livia:
       "Santo Padre, antes do dia da minha Primeira Comunhão confessei-me. Depois, confessei-me outras vezes. Mas, gostaria de te perguntar: devo confessar-me cada vez que recebo a Comunhão? Mesmo quando cometo os mesmos pecados? Porque eu sei que são sempre os mesmos".

BENTO XVI:
       Diria duas coisas: a primeira, naturalmente, é que não te deves confessar sempre antes da Comunhão, se não cometeste pecados graves que necessitam ser confessados.
        Portanto, não é preciso confessar-te antes de cada Comunhão eucarística. Este é o primeiro ponto. É necessário somente no caso em que cometes um pecado realmente grave, que ofendes profundamente Jesus, de forma que a amizade é destruída e deves começar novamente. Apenas neste caso, quando se está em pecado "mortal", isto é, grave, é necessário confessar-se antes da Comunhão. Este é o primeiro ponto.
       O segundo: embora, como disse, não é necessário confessar-se antes de cada Comunhão, é muito útil confessar-se com uma certa regularidade. É verdade, geralmente, os nossos pecados são sempre os mesmos, mas fazemos limpeza das nossas habitações, dos nossos quartos, pelo menos uma vez por semana, embora a sujidade é sempre a mesma. Para viver na limpeza, para recomeçar; se não, talvez a sujeira não possa ser vista, mas se acumula. O mesmo vale para a alma, por mim mesmo, se não me confesso a alma permanece descuidada e, no fim, fico satisfeito comigo mesmo e não compreendo que me devo esforçar para ser melhor, que devo ir em frente.
       E esta limpeza da alma, que Jesus nos dá no Sacramento da Confissão, ajuda-nos a ter uma consciência mais ágil, mais aberta e também de amadurecer espiritualmente e como pessoa humana. 
       Portanto, duas coisas: confessar é necessário somente em caso de pecado grave, mas é muito útil confessar regularmente para cultivar a pureza, a beleza da alma e ir aos poucos amadurecendo na vida.
Andrea:
       "A minha catequista, ao preparar-me para o dia da minha Primeira Comunhão, disse-me que Jesus está presente na Eucaristia. Mas como? Eu não o vejo!".

BENTO XVI:
       Sim, não o vemos, mas existem tantas coisas que não vemos e que existem e são essenciais.
       Por exemplo, não vemos a nossa razão, contudo temos a razão. Não vemos a nossa inteligência e temo-la. Não vemos, numa palavra, a nossa alma e todavia ela existe e vemos os seus efeitos, pois podemos falar, pensar, decidir, etc...
        Assim também não vemos, por exemplo, a corrente eléctrica, mas sabemos que existe, vemos este microfone como funciona; vemos as luzes.
       Numa palavra, precisamente, as coisas mais profundas, que sustentam realmente a vida e o mundo, não as vemos, mas podemos ver, sentir os efeitos. A electricidade, a corrente não as vemos, mas a luz sim. E assim por diante.
       Desse modo, também o Senhor ressuscitado não o vemos com os nossos olhos, mas vemos que onde está Jesus, os homens mudam, tornam-se melhores. Cria-se uma maior capacidade de paz, de reconciliação, etc...
       Portanto, não vemos o próprio Senhor, mas vemos os efeitos: assim podemos entender que Jesus está presente. Como disse, precisamente as coisas invisíveis são as mais profundas e importantes. 
       Vamos, então, ao encontro deste Senhor invisível, mas forte, que nos ajuda a viver bem.
Giulia:
       "Santidade, dizem-nos que é importante ir à Missa aos domingos. Nós iríamos com gosto mas, frequentemente, os nossos pais não nos acompanham porque aos domingos dormem, o pai e a mãe de um amigo meu trabalham numa loja e nós, geralmente, vamos fora da cidade visitar os avós. Podes dizer-lhes uma palavra para que entendam que é importante ir à Missa juntos, todos os domingos?". 

BENTO XVI:
       Claro que sim, naturalmente, com grande amor, com grande respeito pelos pais que, certamente, têm muitas coisas a fazer.
       Contudo, com o respeito e o amor de uma filha, pode-se dizer: querida mãe, querido pai, seria tão importante para todos nós, também para ti, encontrarmo-nos com Jesus. Isto enriquece-nos, traz um elemento importante para a nossa vida.
       Juntos encontramos um pouco de tempo, podemos encontrar uma possibilidade. Talvez até onde mora a avó há uma possibilidade.
       Numa palavra diria, com grande amor e respeito pelos pais, diria-lhes: "Entendei que isto não é importante só para mim, não o dizem somente os catequistas, é importante para todos nós; e será uma luz do domingo para toda a nossa família".
Alessandro:
       "Para que serve ir à Santa Missa e receber a Comunhão para a vida de todos os dias?".

BENTO XVI:
       Serve para encontrar o centro da vida. Nós vivemos entre tantas coisas.
       E as pessoas que não vão à igreja não sabem que lhes falta precisamente Jesus. Sentem, contudo, que falta algo na sua vida.
        Se Deus permanece ausente na minha vida, se Jesus não faz parte da minha vida, falta-me um guia, falta-me uma amizade essencial, falta-me também uma alegria que é importante para a vida. A força também de crescer como homem, de superar os meus vícios e de amadurecer humanamente. 
       Portanto, não vemos imediatamente o efeito de estar com Jesus quando vamos à Comunhão; vê-se com o tempo. Assim como, no decorrer das semanas, dos anos, se sente cada vez mais a ausência de Deus, a ausência de Jesus. É uma lacuna fundamental e destrutiva.
        Poderia falar agora facilmente dos países onde o ateísmo governou por anos; como as almas foram destruídas, e também a terra; e assim podemos ver que é importante, aliás, diria, fundamental, nutrir-se de Jesus na comunhão.
       É Ele que nos dá a luz, nos oferece a guia para a nossa vida, uma guia da qual temos necessidade.
 
Anna:
       "Caro Papa, poderias explicar-nos o que Jesus queria dizer quando disse ao povo que o seguia: "Eu sou o pão da vida"?".

BENTO XVI:
       Então deveríamos talvez, antes de tudo, esclarecer o que é o pão. Hoje nós temos uma cozinha requintada e rica de diversíssimos pratos, mas nas situações mais simples o pão é o fundamento da nutrição e se Jesus se chama o pão da vida, o pão é, digamos, a sigla, uma abreviação para todo o nutrimento.
       E como temos necessidade de nos nutrir corporalmente para viver, assim como o espírito, a alma em nós, a vontade, tem necessidade de se nutrir. Nós, como pessoas humanas, não temos somente um corpo, mas também uma alma; somos seres pensantes com uma vontade, uma inteligência, e devemos nutrir também o espírito, a alma, para que possa amadurecer, para que possa alcançar realmente a sua plenitude.
       E, por conseguinte, se Jesus diz eu sou o pão da vida, quer dizer que Jesus próprio é este nutrimento da nossa alma, do homem interior do qual temos necessidade, porque também a alma deve nutrir-se.
       E não bastam as coisas técnicas, embora sejam muito importantes. Temos necessidade precisamente desta amizade de Deus, que nos ajuda a tomar decisões justas. Temos necessidade de amadurecer humanamente.
       Por outras palavras, Jesus nutre-nos a fim de que nos tornemos realmente pessoas maduras e a nossa vida se torne boa.
Adriano:
       "Santo Padre, disseram-nos que hoje faremos a Adoração Eucarística. O que é? Como se faz? Poderias explicar-nos isto? Obrigado".

BENTO XVI:
        Então, o que é a adoração, como se faz, veremos imediamente, porque tudo está bem preparado: faremos algumas orações, cânticos, a genuflexão e estamos assim diante de Jesus.
       Mas, naturalmente, a tua pergunta exige uma resposta mais profunda: não só como fazer, mas o que é a adoração.
       Eu diria: adoração é reconhecer que Jesus é meu Senhor, que Jesus me mostra o caminho a tomar, me faz entender que vivo bem somente se conheço a estrada indicada por Ele, somente se sigo a via que Ele me mostra.
       Portanto, adorar é dizer: "Jesus, eu sou teu e sigo-te na minha vida, nunca gostaria de perder esta amizade, esta comunhão contigo".
       Poderia também dizer que a adoração na sua essência é um abraço com Jesus, no qual eu digo: "Eu sou teu e peço-te que estejas também tu sempre comigo".

PALAVRAS DO PAPA BENTO XVI NO FINAL DO ENCONTRO
       Caríssimos jovens e moças, irmãos e irmãs, no fim deste belo encontro, só mais uma palavra: obrigado. Obrigado por esta festa de fé. Obrigado por este encontro entre nós e com Jesus. E obrigado, é claro, a quantos fizeram com que esta festa fosse possível: os catequistas, os sacerdotes, as religiosas, a todos vós. Repito no final, as palavras do início de todas as liturgias e digo-vos: "A paz esteja convosco", isto é, o Senhor esteja convosco e, assim, a vida seja boa. Bom domingo, boa noite e até à próxima com o Senhor. Muito obrigado!

Outros diálogos de Bento XVI,

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Cure-se a si mesmo...

       "Segundo a psicóloga americana Louise L. Hay, todas as doenças que temos são criadas por nós. Afirma ela, que somos 100% responsáveis por tudo de ruim que acontece no nosso organismo. Todas as doenças tem origem num estado de não-perdão, diz a psicóloga americana Louise L. Hay.
       Sempre que estamos doentes, necessitamos descobrir a quem precisamos perdoar. Quando estamos empacados num certo ponto, significa que precisamos perdoar mais. Pesar, tristeza, raiva e vingança são sentimentos que vieram de um espaço onde não houve perdão. Perdoar dissolve o ressentimento. A seguir, você vai conhecer uma relação de algumas doenças e suas prováveis causas, elaboradas pela psicóloga Louise.

Doenças / Causas:
Amidalite: Emoções reprimidas, criatividade sufocada.
Anorexia: Ódio ao externo de si mesmo.
Apendicite: Medo da vida. Bloqueio do fluxo do que é bom.
Arteriosclerose: Resistência. Recusa em ver o bem.
Artrite: Crítica conservada por longo tempo.
Asma: Sentimento contido, choro reprimido.
Bronquite: Ambiente familiar inflamado. Gritos, discussões.
Cancro: Mágoa profunda, tristezas mantidas por muito tempo.
Colesterol: Medo de aceitar a alegria.
Derrame: Resistência. Rejeição à vida.
Diabetes: Tristeza profunda.
Diarreia: Medo, rejeição, fuga.
Dor de cabeça: Autocrítica, falta de auto-valorização.
Dor nos joelhos: medo de recomeçar, medo de seguir em frente
Enxaqueca: Raiva reprimida. Pessoa perfeccionista.
Fibromas: Alimentar mágoas causadas pelo parceiro (a).
Frigidez: Medo. Negação do prazer.
Gastrite: Incerteza profunda. Sensação de condenação.
Hemorróidas: Medo de prazos determinados. Raiva do passado.
Hepatite: Raiva, ódio. Resistência a mudanças.
Insónia: Medo, culpa.
Labirintite: Medo de não estar no controle.
Meningite: Tumulto interior. Falta de apoio.
Nódulos: Ressentimento, frustração. Ego ferido.
Pele (acne): Individualidade ameaçada. Não aceitar a si mesmo.
Pneumonia: Desespero. Cansaço da vida.
Pressão alta: Problema emocional duradouro não resolvido.
Pressão baixa: Falta de amor quando criança. Derrotismo.
Prisão de ventre: Preso ao passado. Medo de não ter dinheiro suficiente..
Pulmões: Medo de absorver a vida.
Quistos: Alimentar mágoa. Falsa evolução.
Resfriados: Confusão mental, desordem, mágoas.
Reumatismo: Sentir-se vitima. Falta de amor. Amargura.
Rinite alérgica: Congestão emocional. Culpa, crença em perseguição.
Rins: medo da crítica, do fracasso, desapontamento.
Sinusite: Irritação com pessoa próxima.
Tiróide: Humilhação.
Tumores: Alimentar mágoas. Acumular remorsos.
Úlceras: Medo. Crença de não ser bom o bastante.
Varizes: Desencorajamento. Sentir-se sobrecarregado".

Postado a partir de Pedacinhos de Luz.
       Não iríamos tão longe. Sabendo que a pessoa se caracteriza como um todo, num fenómeno chamado pela psicologia de psicossomático, pelo que podemos constatar: o que nos afecta fisicamente influencia directamente a nossa dimensão interior, psicológica, espiritual, mas também uma disposição interior pode levar a reacções físicas e provocar uma e outra doença.
       Nesta perspectiva, a importância de tratar dos nossos afectos e sentimentos e da atitude face à vida e aos outros. Nesta reflexão, e uma vez mais, recomendaríamos os livros do célebre psiquiatra brasileiro, Augusto Cury, que nos mostra até que ponto a nossa "sensibilidade" nos pode tornar saudáveis ou doentes.
       Mas e antes disso, a recomendação de Jesus Cristo. Jesus aposta também na atitude positiva, no perdão, na caridade, na partilha solidária. Ele é o autêntico médico. Aliás, Augusto Cury, aponta-O como paradigma, como grande pedagogo, como curador de almas.
       Deixámos outra sugestão: Servan-Schreiber, Curar, o stress, a ansiedade e a depressão sem medicamentos nem psicanálise, Dom Quixote, Lisboa 2004. Mais um incentivo a usarmos o para-simpático para equilibramos o nosso organismo.

Maria vai para a casa do sim dito a um homem

       Na prova, caem as máscaras, dissolvem-se as ilusões, emerge o essencial. Na prova, cada um vale quanto vale a sua fé, quanto valem os seus amores. Cada história de amor põe a nu, mais do que qualquer outro evento, este incansável buscador de amor, mas quase sempre esquecido de cada evento de amor é sempre decretado pelo céu... José, posto a nu na prova, descobre que ama aquela mulher, que a ama, mesmo sem querer possuí-la como coisa sua. Virgindade: amor sem posse.
       ... Amar, palavra do verbo morrer, palavra do verbo viver, que significa dar sem nunca tomar, que significa amar em primeiro lugar, amar em perda, amar sem contar que, como queria o justo José, significa sair do meio quando se arrisca comprometer a paz de uma casa, não respeitar o destino do outro...
       Maria deixa a casa do sim dito a Deus e vai para a casa do sim dito a um homem, vai como mulher apaixonada, ama o seu homem com coração de carne, em ternura e castidade. Maria é uma mulher do sim, mas o seu primeiro sim disse-o a José: o anjo encontra-a já noiva, já ligada e apaixonada.

ERMES RONCHI, As casas de Maria

quarta-feira, 10 de julho de 2013

FRANCISCO - o Papa de todos nós

       A eleição de Jorge Mario Bergoglio, no passado dia 13 de março, tem suscitado imensa curiosidade. Já aqui demos nota de livros sobre o Papa, como O Jesuíta, biografia do Cardeal de Buenos Aires, outras breves biografias, e agora sugerimos o que se segue:

A. TORNIELLI, Francisco, o Papa de todos nós. Esfera dos Livros. Lisboa 2013, 184 páginas.
       Andrea Tornielli é vaticanista, jornalista do diário La Stampa e do site Vatican Insider, e já escreveu sobre outros Papas, , Pio XII, João Paulo I, Bento XVI, ou sobre o Cardeal Carlo Maria Martini. Dá agora à estampa esta biografia do Papa, apresentando alguns dados já conhecidos, curiosidades como o livro "O Jesuíta" que revê enquanto se espera pela eleição do Papa, ou a entrevista a Bergoglio por ocasião do Consistório de fevereiro de 2012, em que são feitos novos cardeais, ou ainda as respostas que acentuam a preocupação do Ano da Fé convocado por Bento XVI.
        Têm aparecido muitos livros e muitos comentários. Para uma leitura séria é necessário ler sobre, quando é possível, e ler aquilo que o próprio disse ou escreveu. Este é um trabalho sobre a vida do atual Papa, mas recolhe textos e intervenções do então Bispo e Cardeal Jorge Bergoglio. Aparecem passagens de livros já aqui recomendados: O Jesuíta - Papa Francisco. Conversas com Jorge Bergoglio, ou JORGE BERGOGLIO e ABRAHAM SKORKA, Sobre o Céu e a Terra.
       No texto pode ver-se o contexto da renúncia de Bento XVI, os primeiros passos de Francisco, como Papa, palavras e gestos, a razão da escolha do nome, a misericórdia de Deus, a humildade, a fé, bem como desafios que se colocam à Igreja e ao seu primeiro servidor.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Papa FRANCISCO - Carta Encíclica LUMEN FIDEI

       Com a chancela do Vaticano, datada de 29 de junho de 2013, solenidade do martírio de São Pedro e São Paulo, a primeira Carta Encíclica, LUMEN FIDEI, do Sumo Pontífice FRANCISCO aos bispos, aos presbíteros e aos diáconos, às pessoas consagradas e a todos os fiéis leigos sobre a FÉ.
       Como reconhece o Papa, esta é uma encíclica muito forte sobre a fé, a luz da fé, que brota do amor de Deus, que implica escuta do chamamento de Deus e da Sua Palavra, que Se revela ao longo da história e assume um ROSTO humano, Jesus Cristo... foi escrita a 4 mãos:
"Estas considerações sobre a — em continuidade com tudo o que o magistério da Igreja pronunciou acerca desta virtude teologal — pretendem juntar-se a tudo aquilo que Bento XVI escreveu nas cartas encíclicas sobre a caridade e a esperança. Ele já tinha quase concluído um primeiro esboço desta carta encíclica sobre a fé. Estou-lhe profundamente agradecido e, na fraternidade de Cristo, assumo o seu precioso trabalho, limitando-me a acrescentar ao texto qualquer nova contribuição. De facto, o Sucessor de Pedro, ontem, hoje e amanhã, sempre está chamado a «confirmar os irmãos » no tesouro incomensurável da fé que Deus dá a cada homem como luz para o seu caminho" (LF 7).
       Esta é uma CARTA escrita com fé, com alma, de forma muito simples, acessível, procurando comunicar a FÉ em Cristo, vivida em Igreja, ao longo da história, com a memória que transmite a fé, mas que vem do futuro e que a todos nos atrai com a Sua luz, com o Seu amor.
       Curioso: se tentarmos ver que partes escreveu Bento XVI e o Papa Francisco, será muito difícil, ainda que possa haver algumas expressões características de um ou de outro, e que poderá ficar mais especialistas. É a primeira Encíclica do Papa Francisco, em que assume um esboço já muito avançado sobre a vivência da fé e da luz que esta irradia sobre a pessoa, sobre o mundo. Lendo, poderíamos dizer que Bento XVI a escreveu do início ao fim. Lendo-a, poderíamos dizer que é inteiramente de Francisco. Para quem lê ou escuta Bento XVI ou Francisco (também como Cardela Jorge Bergoglio), percebe-se, nos dois, uma grande força espiritual, uma linguagem muito simples, de fácil leitura, com exemplos que ajudam a perceber o que se quer transmitir, com poucas citações, a não ser as citações bíblicas, ainda assim com citações dos Padres da Igreja, mas também de intelectuais além da Igreja visível.
        Quatro partes - Acreditamos no amor (cf. Jo 4, 16); Se não acreditardes, não compreendeis (cf. Is 7, 9); Transmito-vos aquilo que recebi (cf 1 Cor 15, 3); Deus prepara para eles uma cidade (cf. Heb 11, 16). Nesta parte final, salienta-se o testemunho de fé de Nossa Senhora - Feliz daquela que acreditou (cf. Lc 1, 45).
"A fé não é luz que dissipa todas as nossas trevas, mas lâmpada que guia os nossos passos na noite, e isto basta para o caminho... o serviço da fé ao bem comum é sempre serviço de esperança que nos faz olhar em frente, sabendo que só a partir de Deus, do futuro que vem de Jesus ressuscitado, é que a nossa sociedade pode encontrar alicerces sólidos e duradouros. Neste sentido, a fé está unida à esperança, porque, embora a nossa morada aqui na terra se vá destruindo, há uma habitação eterna que Deus inaugurou em Cristo, no seu corpo (cf. 2 Cor 4, 16 - 5, 5). Assim o dinamismo de fé, esperança e caridade (cf. 1 Tes 1, 3; 1 Cor 13, 13) faz-nos abraçar as preocupações de todos os homens, no nosso caminho rumo àquela cidade, «cujo arquitecto é o próprio Deus» (Heb 11, 10), porque «a esperança não engana» (Rom 5, 5)".
       É um texto, para quem tem fé, para quem gosta de ler, para quem gosta de se enriquecer espiritualmente, um texto excelente. Como é possível que tamanha sabedoria se veja na maior das simplicidades? O grande faz-se pequeno. Deus Infinito assume a nossa finitude e fragilidade. Bento XVI e Francisco escrevem e falam como se estivessem olhos nos olhos diante de cada um de nós e com a clara preocupação de serem transparentes, compreensíveis, deixando que nas suas palavras muito humanas deixem que fale a Palavra de Deus.
       Já aqui trouxe muitas sugestões de livros ou textos. Eis uma CARTA que por nada perderia. Do princípio ao fim. No final bem que poderia ser assinada, não por Bento XVI ou Francisco, mas poderia ser assinada por Jesus, tanta é a luminosidade que transmite.

Para ler a Encíclica Lumen Fidei:
folheie AQUI ou leia AQUI ou entrando na página do Vaticano AQUI.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Papa Francisco - contra a indiferença à fome e à morte

       Excertos da homilia proferida hoje pelo papa Francisco na ilha italiana de Lampedusa, porto de abrigo para milhares de migrantes africanos e asiáticos que tentam chegar à Europa.
        «Imigrantes mortos no mar, naquelas barcas que em vez de serem uma rota de esperança se tornaram uma rota de morte. Quando há algumas semanas tomei conhecimento desta notícia, que infelizmente tantas vezes se repete, o meu pensamento tornou-se continuamente como um espinho no coração que traz sofrimento. E então senti que devia vir aqui hoje rezar, fazer um gesto de proximidade, mas também para despertar a nossa consciência, a fim de que o que aconteceu não se repita.»

       «Muitos de nós, incluindo também eu, estamos desorientados, deixámos de estar atentos ao mundo em que vivemos, não cuidamos, não protegemos o que Deus criou para todos, e também deixámos de ser capazes de nos protegermos uns aos outros. E quando esta desorientação assume as dimensões do mundo, chega-se à tragédia como a que assistimos.»
       «Estes nossos irmãos e irmãs procuravam sair de situações difíceis para encontrar um pouco de serenidade e de paz; procuravam um lugar melhor para si e para as suas famílias, mas encontraram a morte. Quantas vezes aqueles que procuram isto não encontram compreensão, acolhimento, solidariedade.»
        «Quem é o responsável por este sangue? (…) Todos nós respondemos: não sou eu. (…) Hoje ninguém se sente responsável por isto; perdemos o sentido da responsabilidade fraterna; caímos na atitude hipócrita do sacerdote e do servidor do altar, de quem fala Jesus na parábola do Bom Samaritano: olhamos o irmão meio morto na berma da estrada, talvez pensando “pobrezinho”, e continuamos pela nossa estrada, não é a nossa função. (…)»
       «A cultura do bem-estar, que nos leva a pensar em nós próprios, torna-nos insensíveis aos gritos dos outros, faz-nos viver em bolas de sabão, que são belas mas não são nada, são a ilusão do fútil, do provisório, que conduz à indiferença para com os outros, e assim conduz à globalização da indiferença.»
       «"Adão, onde estás?", "onde está o teu irmão?", são as duas perguntas que Deus coloca ao início da história da humanidade [livro do Génesis] e que dirige também a todos os homens do nosso tempo, também a nós. Mas eu desejo que nos coloquemos uma terceira pergunta: "Quem de nós chorou por estes factos e por factos como este?", pela morte destes irmãos e irmãs? Quem chorou por estas pessoas que estavam nas barcas? Pelas jovens mães que levavam as suas crianças? Por estes homens que desejavam alguma coisa para sustentar a própria família? Somos uma sociedade que esqueceu a experiência das lágrimas (...).»
       «"Quem chorou?" Senhor, nesta Liturgia, que é uma Liturgia de penitência, peçamos perdão pela indiferença para com tantos irmãos e irmãs; pedimos-te perdão por quem se acomodou, quem se fechou no próprio bem-estar que conduz à anestesia do coração; pedimos-te perdão por aqueles que com as suas decisões a nível mundial criaram situações que conduzem a estes dramas. "Adão, onde estás?", "onde está o sangue do teu irmão?". Ámen.»

Sacramento da Confirmação - 2013

       No passado sábado, 6 de julho, a celebração do Sacramento da Confirmação. Os dois últimos anos a terminarem o ciclo de 10 anos de catequese, num total de 17 jovens adolescentes, a que se juntou um jovem proposto por uma das paróquias vizinhas.
       Depois de 10 anos de catequese, e uma preparação mais intensiva nas últimas semanas, com um tempo de pregação, para os jovens e para a comunidade paroquial, eis chegado do dia da celebração. Numa tarde quente, não faltou o acolhimento caloroso ao Sr. Bispo D. António Couto, a comunhão alegre com os jovens crismandos, e agora crismados.
       Deixamos algumas das imagens desta celebração.
Outras fotos da Paróquia de Tabuaço, no FACEBOOK ou no GOOGLE +
ou

sábado, 6 de julho de 2013

Encontro de D. António com os Crismandos

       Na véspera da celebração do Sacramento da Confirmação, o Sr. Bispo, D. António, acompanhado pelo Sr. Vigário-Geral, Mons. Joaquim Dias Rebelo, encontrou-se com os 17 jovens adolescentes, suas catequistas, pároco, para um momento de reflexão/aproximação.
       Oportunidade para D. António conhecer os Crismandos, e para este se sentirem mais próximos e à vontade com o Pastor da Diocese de Lamego.
       Oração inicial, trocas das primeiras palavras, e a primeiro sugestão: leitura da unção de David - 1 Samuel 16. Deus envia Samuel a Jessé de Belém. Jessé tem vários filhos. Samuel manda que lhe apresentem um a um, os filhos, a começar pelo mais velho. Desfilam diante de Samuel os filhos de Jessé, mas nenhum, nem o mais velho, cuja belo aspeto impressiona, nem os outros são os escolhidos. 7 filhos e nenhum é o escolhido de Deus. Deus vai respondendo a Samuel - não te deixes impressionar pelo aspeto. "O homem vê as aparências, mas o SENHOR olha o coração". Samuel vendo que nenhum daqueles fora o escolhido por Deus pergunta a Jessé se tem mais filhos. Jessé lembra-se que ainda tem um garoto, David, a guardar o rebanho. É precisamente aquele, que quase não conta, que Deus escolhe para ungir como Rei,
       D. António centrou a sua reflexão nesta passagem da Bíblia, dizendo que Deus não olha à aparência. Se fosse hoje talvez não escolhesse os que têm as suas caras em cartazes mas talvez alguém que ninguém estivesse à espera. Deus olha ao coração.
       Sobre a unção, o gesto... que aponta para o coração. Naquele tempo, e no Oriente, a unção é abundante, sobre a pessoa, com a esperança que o óleo penetre até ao coração. Jesus é o Ungido/Cristo/Messias. Os 17 jovens são ser ungidos. São outros Cristo(s). Então, se são Cristo, têm que agir como Ele, com amor, atendendo aos mais frágeis.
       Outro dos aspetos sublinhados e relacionando com a Confirmação, a imposição das mãos, invocando o Espírito Santo. Mãos sobre a assembleia, sinal de bênção, como Deus. As mãos estendidas não tem nada, assim Deus, não tem nada, dá tudo. As mãos abertas e viradas para baixo, não sustentam nada. Também as de Jesus Cristo, estendido na Cruz, de mãos abertas, cravadas, tudo é dado.
       Quem recebe, tem as mãos estendidas, viradas para cima, abertas, recebem e distribuem. O pecado é quando alguém fecha as mãos, querendo apenas para si, como Eva no paraíso, agarra o fruto e reserva-o para si e para o homem. Usurpa o DOM.
       Na parte final, uma pequena estória. Deus criou a pomba. No primeiro dia, pouco depois de pousar no chã, veio um gato, mais forte, e deixou-a de rastos. Então a pomba foi ter com Deus e disse-lhe: como é que pode ser uma coisa destas, a mim deste-me duas patas, fininhas, frágeis e ao gato, mais forte, e com quatro belas patas, assim não pode ser, ele dá cabo de mim. Então Deus colocou-lhe duas asas. A pomba, satisfeita da vida, lá andava toda contente. Vem o gato e de novo a deixa em frangalhos. De novo a pomba vai ter com Deus e protesta: já não bastava duas pequenas patas, franzinas, e ainda que puseste mais peso em cima, assim não me posso quase mexer, o gato dá cabo de mim. Deus respondeu-lhe: estúpida pomba (ingénua), eu não te dei as asas para te pesarem mas para suportarem o teu peso. Nesta belíssima imagem, o convite de D. António aos jovens para se voem, alegres, com Jesus Cristo, ungidos pelo Espírito, no coração, não desistam de voar...

Preparação comunitária para a Confirmação

       A celebração do Sacramento da Confirmação, sacramento do compromisso cristão, da maturidade da fé, do Espírito Santo, é DOM e benefício para aqueles que o celebram, mas também Dom, benefício e compromisso para a comunidade paroquial, neste caso, da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, de Tabuaço.
       No tempo em que muitas pessoas já se encontram em férias, pelo calendário ou pela disposição distendida, dedicamos a semana para uma preparação mais comunitária, com a presença do reverendo Pe. Diamantino Alvaíde, para nos ajudar a refletir, na terça, quarta, quinta e sexta-feira.
       Nas suas intervenções, o Pe. Diamantino valorizou a escuta e proclamação da Palavra de Deus.
       No dia 2 de julho, terça-feira, seguindo o Evangelho (Mt 8, 23-27), no qual é relatado a presença dos apóstolos num barco, e cuja tempestade marítima os faz acordar Jesus, o pregador comparou o grupo dos crismandos e da comunidade paroquial de Tabuaço (como toda a Igreja), a um barco. Uns e outros vamos no barco. Uns mais à frente, a bombordo ou a estibordo, uns a espreguiçar outros ao leme, mas todos beneficiarão do que os outros fizerem. Se o barco oscila muito, todos oscilam, se vai calmo, todos vão serenos. Se quem o guia acelerar ou desacelerar, ou procurado viragens bruscas, ou se distrair e o deixar embater em alguma rocha, ou encalhar, todos serão afetados. Nesta mesma imagem, a possibilidade de sermos mar, agitado e que provoca a instabilidade do barco, ou generosidade para que o barco vá mais sereno. Importante saber que Jesus também vai no nosso barco.
       No dia 3 de julho, quarta-feira, festa do Apóstolo São Tomé, o padre pregador comparou a comunidade e a Igreja a uma casa de portas e janelas abertas, onde entra quem quer, e sai quem quer. Quem passa vê o que se passa no interior e quem está dentro vê o que se passa no exterior. A casa onde se encontravam os apóstolos, depois da morte de Jesus, está de trancas à porta. Janelas e portas estão fechadas. Não é possível entrar nesta casa. E, no entanto, Jesus Cristo entra em casa. Ele está no meio dos Seus discípulos, dentro de casa. Tomé está fora. Ele não está em casa com os outros. Quando entra em casa, ele continua fora, pois não acredita se não tiver mais provas. Como nós, podemos estar em casa e e continuarmos fora. E Tomé, dentro de casa, poderia ficar fora se não tivesse encontrado Jesus. Também assim connosco, é necessário encontrar Jesus.
       No dia 4, quinta-feira, o Pe. Diamantino, partindo do Evangelho (Mt 9, 1-8) - cura do paralítico, comparou a Igreja, a comunidade paroquial à enxerga, com a qual aquele homem foi conduzido até Jesus. Do mesmo modo, a comunidade crente nos há de levar a Jesus. Ela nos ajuda a ver Jesus, a encontrar Jesus, a deixarmo-nos curar por Jesus. Como a enxerga que serviu para levar aquele homem, como servia para transportar os cestos das uvas ou outros carregos, assim também nós como comunidade crente deveremos ajudar-nos mutuamente, para que a nossa vida tenha mais sentido, e a  nossa fé nos permita sentir-no mais próximos de Deus e dos irmãos. Abraão (primeira Leitura) confiou de tal maneira em Deus que Lhe confiou o Seu filho. Nós podemos confiar. Em comunidade encontraremos Jesus, encontraremos a cura. Todos somos importantes, cada um nas suas circunstâncias...
       No dia 5, sexta-feira, Vigília de Oração, o Pe. Diamantino colocou a todos a seguinte questão: na nossa vida o que é mais importante, o visível ou o invisível? O mais importante é o invisível, o amor, a alegria, a bondade, a amizade. O Espírito Santo é o Deus Invisível que age no mundo e na Igreja, e naqueles que vão ser confirmados na fé. As diversas imagens do Espírito - pomba, línguas de fogo, sopro, vento, óleo - aponta para uma realidade que não se descreve. É o Espírito que está na barca, que abre as portas da Igreja, qual enxerga que nos atrai para Deus. Outro fruto do Espírito a alegria que todos devemos comunicar...

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Lumen Fidei - encíclia papal a 4 mãos

7. Estas considerações sobre a — em continuidade com tudo o que o magistério da Igreja pronunciou acerca desta virtude teologal — pretendem juntar-se a tudo aquilo que Bento XVI escreveu nas cartas encíclicas sobre a caridade e a esperança. Ele já tinha quase concluído um primeiro esboço desta carta encíclica sobre a fé. Estou-lhe profundamente agradecido e, na fraternidade de Cristo, assumo o seu precioso trabalho, limitando-me a acrescentar ao texto qualquer nova contribuição. De facto, o Sucessor de Pedro, ontem, hoje e amanhã, sempre está chamado a «confirmar os irmãos » no tesouro incomensurável da fé que Deus dá a cada homem como luz para o seu caminho. Na fé, dom de Deus e virtude sobrenatural por Ele infundida, reconhecemos que um grande Amor nos foi oferecido, que uma Palavra estupenda nos foi dirigida: acolhendo esta Palavra que é Jesus Cristo — Palavra encarnada –, o Espírito Santo transforma-nos, ilumina o caminho do futuro e faz crescer em nós as asas da esperança para o percorrermos com alegria. Fé, esperança e caridade constituem, numa interligação admirável, o dinamismo da vida cristã rumo à plena comunhão com Deus. Mas, como é este caminho que a fé desvenda diante de nós? Donde provém a sua luz, tão poderosa que permite iluminar o caminho duma vida bem sucedida e fecunda, cheia de fruto?
Papa Francisco, Lumen Fidei.

Bergoglio/Papa Francisco - O verdadeiro poder é servir

Jorge Mario BERGOGLIO - Papa FRANCISCO. O verdadeiro poder é servir. Por uma Igreja mais humilde. Um novo compromisso de fé e de renovação social. Nascente. 3.º edição. Amadora 2013, 384 páginas.
       Um pouco mais de 100 dias depois de ter sido eleito Papa, escolhendo como patrono do seu magistério São Francisco de Assis, num ideário que sublinha o despojamento, a simplicidade, a pobreza, o serviço ecológico a toda a humanidade, numa atenção redobrada aos mais pobres, como aliás é apanágio de Igreja e das comunidades, se a referência primeira e última é Jesus Cristo. Bem na linha dos Seus Predecessores, João XXIII, João Paulo II ou Bento XVI, cuja sabedoria e santidade colocaram ao serviço da Igreja, da humanidade, sendo vozes sonoras na defesa e promoção da paz, da justiça social, da verdade, na procura de sanar feridas e conflitos, protegendo a vida, a mais frágil.
       Com  o avançar dos dias, vê-se cada vez melhor a espontaneidade dos gestos, a verdade dos mesmos, a autenticidade de um homem de Deus que os senhores Cardeais "fizeram" vestir de branco no passado dia 13 de março. Gestos, palavras, alegria, sorriso, proximidade, abertura, firmeza. O fito: anunciar Jesus Cristo, mostrá-l'O vivo, próximo, amigo, compreensivo.
       Os meios de comunicação, como o então Cardeal Bergoglio refere num dos textos colhidos nesta obra, podem aproximar ou afastar. E aproximar bem ou mal. E bem, têm sido favoráveis na divulgação das palavras e dos gestos do Papa Francisco, aproximando-o das pessoas, e ajudando a que mais pessoas se aproximem dele e de Deus. Esta aproximação é merecida e equilibrada.
       Para se conhecer alguém, que não vive perto de nós, ou ao qual não temos um acesso imediato, não há como ler sobre essa pessoa e, se possível, ler o que ela disse, escreveu, ou o que é que fez. Neste livros, os editores originais procuram recolher, para publicar na Argentina, os textos de José Mario Bergoglio, optando por publicar os que ainda o não tinham sido. Assim, neste livro coleccionam intervenções, homilias, mensagens do então Arcebispo e depois (2001) Cardeal Bergoglio, desde 1999 a 2007.
       A distribuição dos textos, segundo os próprio editores. Primeiro núcleo - textos catequéticos e dirigidos aos catequistas, textos sobre educação e sobre Maria; num segundo núcleo, as homilias de Natla, Quinta-feira Santa, Vigília Pascal e Corpo de Deus; no terceiro núcleo, textos dirigidos ao mundo da cultura, diálogo com o país, comprometimento social e político a favor dos mais frágeis.
       Muitas das expressões, contextos, gestos que o Papa Francisco comunica agora ao mundo, são-lhe naturais, como quando era Arcebispo de Buenos Aires, com alegria, simplicidade, apelando à beleza, à intervenção política dos cristãos, ao compromisso de todos no combate à pobreza, na abertura para Deus, na identidade como povo e como Pátria (a Argentina).
       É uma coletânia que vai valer a pena ler, meditar, refletir. Por aqui se vê que o Papa Francisco não caiu do Céu, é um trabalhador da vinha, empenhado, interventivo, simples, usando uma linguagem de proximidade, convidativa, desafiadora, simples, acessível. Há expressões que são muito próprias do Papa, e que eram muito características do Cardeal Bergoglio.
       Para conhecer melhor, para se deixar tocar pela Mensagem de Cristo e do Evangelho, para dialogar, para abrir a mente e o coração, não deixe de ler estes ou outros escritos do Papa Francisco. Pelo meio vai encontrar alegria, fé, testemunho de vida, comunhão com as pessoas mais simples, comunhão com a Argentina, diálogo com o poder, serviço aos mais frágeis, proximidade com João Paulo II, cumplicidade crente com Bento XVI, grande intimidade com o Sacrário.
       O prefácio à edição portuguesa é do Cónego António Rego.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

A vida dá-nos sempre outras oportunidades, a morte nunca

A morte é cruel. Degladia-se com intelectuais e torna-os meninos. Debate com ateus e transforma-os em tímidas crianças. Guerreia contra generais e torna-os frágeis combatentes. Batalha com milionários e sepulta-os na lama da miserabilidade. Peleja contra celebridades e fá-las beijar a lona da insignificância. A vida dá-nos sempre outras oportunidades, a morte nunca.

Augusto Cury, O Semeador de Ideias,

A humanidade não precisa de heróis nem de deuses

       - A humanidade não precisa de heróis nem de deuses, mas de seres humanos que reconheçam as suas tolices e assumam as suas limitações e imperfeições...
       - Todos os heróis veem a sua força esfacelar-se um dia, há sempre um momento em que ela diminui. Todos os pensadores se deparam, mais cedo ou mais tarde, com as suas loucuras. E todos os mestres, na sua caminhada, se tornam um menino diante do inexplorado.

       Augusto Cury, O Semeador de Ideias.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Não tropeçamos em grandes montanhas...

"Não tropeçamos em grandes montanhas, mas nas pequenas pedras. Os vírus matam-nos mais do que os grandes inimigos exteriores. Quais vírus? Os do humor depressivo, da autopunição, do medo, dos pensamentos perturbadores que se alojam em nós e ninguém vê"

Augusto Cury, O Semeador de Ideias.

A maior vingança contra um inimigo é perdoá-lo

"A maior vingança contra um inimigo é perdoá-lo. Perdoe-o, e ele morrerá dentro de si; odeie-o, e ele viverá no centro da sua história e aterrorizá-lo-á dia e noite...

Augusto Cury, O Semeador de Ideias

terça-feira, 2 de julho de 2013

Augusto Cury - O Semeador de Ideias

AUGUSTO CURY, O Semeador de Ideias. Planeta. Lisboa 2011.

       Mais um livro e mais uma sugestão de uma obra de Augusto Cury. Para quem conhece é fácil gostar das variadas propostas que o famoso psiquiatra brasileiro nos faz. Partindo dos princípios que originaram o seu esforço por cuidar da mente das pessoas, da sua saúde, da abertura ao transcendente, de diálogo entre pessoas, povos, culturas, raças, religiões, no respeito e integração das diferenças.
       Cada pessoa é um mundo, complexo, multicolor. Numa situação diferente pessoas diferentes reagem de maneira diferente. A mesma pessoa poderá reagir de formas variadas a situações semelhantes. A mente humana registas milhares de informações, palavras, imagens, de forma privilegiada situações muito positivas ou muito negativas. Não se apagam. Não somos computadores. A qualquer momento podemos explodir se a nossa mente estiver poluída com muitas situações dramáticas. Por vezes pensamos conhecer uma pessoa, e somos surpreendidos pela sua reação. Passa-nos ao lado.
       Usando como estilo o romance, torna-se mais vívido e de mais fácil compreensão os seus ensinamentos sobre a mente humana, a necessidade de criticar os pensamentos negativos, não deixando que sejam deuses que nos controlam. Assumindo as perdas, integrando-as na nossa história.
       Neste romance, na lógica do Vendedor de Sonhos - nos vários livros entrelaçam-se as personagens, umas provocam as outras, e fazem-nas mudar o rumo da sua vida - o Mestre é um empresário de sucesso que perdeu a família num acidente aéreo. Há de descobrir que o acidente foi encomendado, consequência da ganância. A sua vida nunca mais será a mesma. Tinha tudo. Tudo o que não não vale nada comparado com o que perdeu, a esposa e os dois filhos. Torna-se maltrapilho e vai surpreender os antigos colaboradores, e num meio globalizado pelos media corre veloz a notícia que um dos mais ricos homens da terra, enlouqueceu, morreu, reapareceu.
       Mais uma leitura empolgante, envolvente, escrita ao correr da pena (escorreita), leve, agradável, que nos prende. E, acima de tudo, pode ser uma excelente ferramenta para melhorar a qualidade da nossa vida, da nossa mente, da nossa saúde psíquica e consequentemente de todo o nosso ser.

Papa Francisco no imposição dos pálios a 34 Arcebispos


segunda-feira, 1 de julho de 2013

Augusto Cury - O Vendedor de Sonhos

        Para os leitores habituais de Augusto Cury - psiquiatra, psicoterapeuta, investigador na área da psicologia, escrito - recomendar uma leitura é muito fácil.
        São muitos os conceitos que o autor apresenta, diversas as teorias, os pensamentos, as convicções, de um homem que descobriu a fé como último estágio dos seus estudos, dúvidas e hesitações. Estudioso e como muitos outros, pensou que a ciência resolveria as suas dúvidas. Mas quanto mais estudou mais claro se tornou que só a abertura a Deus, ao espiritual, ao Infinito, seria possível dar sentido à vida atual, sem correr o risco de se fixar entre o nascimento e o drama da morte.
        Ler um livro de ciência, ainda que no campo da psiquiatria e/ou da psicologia, precisa de muita motivação. Por conseguinte, Augusto Cury facilita-nos a compreensão dos princípios que norteiam os seus estudos, e também a sua atividade como psicoterapeuta, ao romancear, com simplicidade e muito engenho, as suas "teorias"...

O VENDEDOR DE SONHOS - o chamamento, editado por Livros d'Hoje, Alfragide, 2008, 

é um romance repleto de dramas, histórias, descobertas, encontros, revoluções. Em jeito de romance, o autor mostra o caminho da libertação interior, provocando as pérolas que há em nós, criticando os pensamentos negativos, promovendo as ideias positivas. Todos somos capazes. Só quem se intitula como Deus não pode mudar, por é imutável. Uma pessoa doente é antes de mais uma pessoa que está doente. É passageiro. Há que eliminar da nossa mente, do nosso coração, todo o lixo que armazenamos nos afetos e emoções que nos fizeram prisioneiros da desgraça.

Na contracapa faz-se a seguinte apresentação:
        "Um homem desconhecido tenta salvar da morte um suicida. De seguida, espalha a mensagem que a sociedade moderna se tornou um manicómio global. O seu discurso fresco e irreverente conquista as pessoas, habituadas a frases feitas e ao «politicamente correto», ao mesmo tempo que as assusta. O que pensar de um estranho com ar de pedinte que fala da importância de vender sonhos ao ser humano? Uma ideia maravilhosa, mas invulgar... Numa época em que nos habituamos ao ritmo e às exigências desmesuradas de um relógio que não pára, libertarmo-nos das grilhetas da rotina e recuperarmos a consciência do que é, de facto, importante nesta vida pode ser assustador. Mas é fundamental"

Augusto Cury - A saga de um pensador

       Mais uma leitura de Augusto Cury, mais um romance cheio de vida, montra de muitas estórias e de muitos dramas, de convulsões e de curas, revolucionando a mente, criticando os sentimentos e as ideias killer, que nos destroem constantemente, para recomeçar cada dia uma vida nova, com confiança, anulando a ditadura do pessimismo, da desconfiança, das incapacidades.

SAGA DE UM PENSADOR. O Futuro da Humanidade, Editora Pergaminho, Lisboa 2011.

       Marco Polo herda o nome do célebre descobridor/aventureiro italiano, que partiu pelo mundo, de Veneza, com 17 anos, numa viagem que duraria 24 anos. Admirável e ousado aventureiro, destemido, enfrenta tormentas, incertezas, dificuldades, navegou mares e rios, caminhou pelos desertos e por montanha, descobrindo um mundo fascinante.
       Rodolfo, admirador confesso de Marco Polo, coloca o mesmo nome ao seu filho, para que também este se torne aventureiro e corajoso. E Marco Polo, o atual, faz jus ao nome. Torna-se um grande revolucionário, desbravando mundos nunca antes conhecidos, o mundo das ideias, da mente, dos afetos e dos sentimentos, ousando devolver às pessoas a história das suas vidas.
       O primeiro incidente que nos é relatado deixa antever os dramas futuros. Numa sala de anatomia, Marco Polo interroga o professor e os colegas dizendo que aqueles corpos não são anónimos, devem ter uma história para contar. Seria bom saber o nome e a história de cada um.
       Não satisfeito com o saber feito, Marco Polo vai investigar a vida do corpo que lhe coube em sorte. Nas ruas encontra Falcão, um célebre professor que não consegui ultrapassar o preconceito social, a maior das doenças, do sogro e com diversos episódios psicóticos, é internado sucessivamente, forçado a abandonar a universidade, onde era um filósofo de gabarito. Decide deixar tudo e ir para a rua. Perderam-lhe o rasto. Com o poeta, Marco Polo vai viver uma aventura intensa, descobrindo que o Poeta, cujo corpo há de ser dissecado pelos universitários, era afinal um dos mais notáveis estudiosos, naquela mesma universidade, a quem doara a corpo para investigações. Com a morte da mulher e do filho num acidente não sobrevive a tamanha dor. Abandona tudo e torna-se mendigo.
       A descoberta feita por Marco Polo há de operar uma reviravolta na universidade...
       No grande Hospital Atlântico, em estágio, na área da Psiquiatria, Marco Polo volta a fazer história, envolvendo e envolvendo-se com os pacientes, que afinal são pessoas que estão doentes e que é preciso ouvir, respeitar, devolver as rédeas da sua vida.
       Marco Polo tudo fará por resgatar da miséria afetiva e sentimental alunos, pacientes, professores, ricos e pobres, a partir da beleza e do amor...
       Mais um romance encantador. Pode mudar a sua/tua vida.

domingo, 30 de junho de 2013

Papa Francisco - Maria

       Porque Deus tinha uma carência para poder penetrar humanamente na nossa história: precisava de uma mãe, e a pediu a nós. Esta é a Mãe a quem olhamos hoje, a filha do nosso povo, a servidora, a pura, a só de Deus; a discreta que dá espaço para que o filho realize sua missão, a que sempre está possibilitando esta realidade, mas não como dona nem inclusive como protagonista, e sim como servidora; a estrela que sabe apagar para que o Sol se manifeste. Assim é a mediação de Maria à qual nos referimos hoje. Mediação de mulher que não nega sua maternidade, mas a assume desde o começo; maternidade com parto duplo, um em Belém e outro no Calvário; maternidade que contém e acompanha os amigos do seu Filho, que é a única referência até o final dos dias. E assim Maria continua entre nós, "situada no próprio centro dessa 'inimizade' do protoevangelho, daquela luta que acompanha a história da humanidade" (cf. Redemptoris Mater, 11). Mãe que possibilita espaços para que a Graça chegue. Essa Graça que revoluciona e transforma nossa existência e nossa identidade: o Espírito Santo que nos torna filhos adotivos, nos liberta de toda escravidão e, em uma possessão real e mística, nos entrega o dom da liberdade e clama, de dentro de nós, a invocação do nosso pertencimento: Pai!
em 7 de novembro de 2011.

Papa Francisco - rasgai os vossos corações...

       «Rasgai os vossos corações e não as vossas vestes, convertei-vos ao Senhor, vosso Deus, porque Ele é clemente e compassivo, paciente e rico em misericórdia» (Joel 2, 13)
       Pouco a pouco acostumámo-nos a ouvir e ver, através dos meios de comunicação, a crónica negra da sociedade contemporânea, apresentada quase com perverso regozijo, e também nos acostumámos a tocá-la e a senti-la em torno de nós e na nossa própria carne. O drama está na rua, no bairro, na nossa casa e, por que não, no nosso coração. Convivemos com a violência que mata, que destrói famílias, aviva guerras e conflitos em muitos países do mundo. Convivemos com a inveja, o ódio, a calúnia, o mundanismo no nosso coração. O sofrimento de inocentes e pacíficos não deixa de nos esbofetear; o desprezo pelos direitos das pessoas e dos povos frágeis não nos são tão distantes; o império do dinheiro com os seus efeitos demoníacos como a droga, a corrupção, o tráfico humano incluindo crianças – a par da miséria material e moral são moeda corrente. A destruição do trabalho digno, a emigrações dolorosas e a falta de futuro unem-se também a esta sinfonia. Os nossos erros e pecados como Igreja também não ficam fora deste panorama. Os egoísmos mais pessoais justificados, e não por causa disso menores, a falta de valores éticos dentro de uma sociedade que faz metástases nas famílias, na convivência dos bairros, vilas e cidades, falam-nos da nossa limitação, da nossa debilidade, e da nossa incapacidade de transformar esta lista inumerável de realidades destrutivas.

in Jorge Maria Bergoglio/Papa FRANCISCO, Só o amor nos salvará.

Papa Francisco - mediadores da caridade

       "Às vezes, confundimos o significado de «mediador» com o de «intermediário»; mas não são a mesma coisa. O mediador é aquele que, para unir as partes, paga do seus ordenado, paga com o que tem, consome-se a si próprio. O intermediário é um retalhista que faz descontos a ambas as partes para ter o seu merecido lucro. O amor coloca-nos no papel de mediadores e não de intermediários. O mediador sai sempre a perder, porque a lógica da caridade é chegar a perder tudo para que a unidade vença, para que o amor vença. Mas mais: a lei do cristão é a mesma do mediador. Para um cristão, progredir não é subir no emprego, ter uma boa reputação, ser considerado; para um cristão, progredir é «baixar-se» nesta tarefa de mediador.

in Jorge Maria Bergoglio/Papa FRANCISCO, Só o amor nos salvará.

Papa Francisco - o nosso Deus é próximo da nossa carne

       "O nosso Deus é um Deus próximo... É o Deus próximo, próximo da nossa carne. O Deus do encontro que sai ao encontro do seu povo. O Deus que põe o seu povo em situação de encontro... Jesus ensina-nos outro caminho: sair. Sair a dar testemunho, sair a saber do irmão, sair a partilhar, sair a perguntar. Encarnar-se.

in Jorge Maria Bergoglio/Papa FRANCISCO, Só o amor nos salvará.

Papa Francisco - Deus já vive na nossa cidade

       Deus já vive na nossa cidade e urge - enquanto refletimos - sair ao seu encontro, para O descobrir, para construir relações de proximidade, para O acompanhar no seu crescimento e encarnar o fermento da sua Palavra em obras concretas. O olhar de fé cresce sempre que pomos a Palavra em prática. A contemplação melhora no meio da ação. Agir como bons cidadãos - em qualquer cidade - melhora a fé...
        Poder-se-á dizer que o olhar de fé nos leva a sair todos os dias e cada vez mais ao encontro do próximo que habita a cidade. Leva-nos a sair ao encontro porque este olhar se alimenta na proximidade. Não tolera a distância, porque sente que ela esbate os contornos do que deseja ver; e a fé quer ver para servir e amar, não para constatar e dominar. Ao sair para a rua, a fé limita a avidez do olhar dominador e cada próximo concreto para que olha com desejos de servir ajuda-a a focar melhor o seu «objeto próprio e amado», que é Jesus Cristo feito homem. Quem diz que crê em Deus e «não vê» o seu irmão engana-se.

       ... a maior exclusão consiste em nem sequer «ver» o excluído - aquele que dorme na rua não é visto como pessoa, mas como parte do lixo e dos restos abandonados da paisagem urbana, da cultura descartável, do «camião do lixo» - a cidade humana cresce com o olhar que «vê» o outro como concidadão.
       O nosso Deus vive na cidade e Se mistura na sua vida quotidiana, não discrimina nem relativiza. A sua verdade é a do encontro que descobre rostos e casa rosto é único. Incluir pessoas com rosto e nome próprios não implica relativizar valores nem justificar antivalores... o olhar de amor não discrimina nem relativiza, porque é misericordioso e a misericórdia cria maior proximidade....

       Para concluir, podemos dizer que o olhar do crente sobre a cidade se resolve em três atitudes concretas:
  • Sair de si ao encontro do outro resolve-se em proximidade, em atitudes de proximidade. O nosso olhar tem de ser sempre um olhar que sai e que é próximo. Não autorreferencial, mas transcendente;
  • O fermento e a semente da fé resolvem-se no testemunho. Dimensão martirial da fé;
  • O acompanhamento resolve-se na paciência, na hypomonê, que acompanha processos sem maltratar os limites...
in Jorge Maria Bergoglio/Papa FRANCISCO, Só o amor nos salvará.