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segunda-feira, 29 de abril de 2019

Santa Catarina de Sena, Virgem e Doutora da Igreja

Nota biográfica:
       Nasceu em Sena no ano 1347, numa família muito numerosa. Com 16 anos de idade, impelida por uma visão de São Domingos e movida pelo desejo de perfeição, entrou na Ordem Terceira de São Domingos, no ramo feminino chamado Manteladas. Quando a fama de santidade se espalhou, foi protagonista de uma intensa atividade de conselho espiritual em relação a pessoas de todas as categorias sociais: nobres, artistas, políticos, pessoas do povo, pessoas consagradas. Inflamada no amor de Deus e do próximo, trabalhou incansavelmente pela paz e concórdia entre as cidades, defendeu com ardor os direitos e a liberdade do Romano Pontífice e promoveu a renovação da vida religiosa. Exortou energicamente o papa Gregória XI, que vivia em Avinhão, a regressar a Roma. Incentivou renovação na própria Igreja, para que esta contribuísse para a aproximação entre Estados. Escreveu importantes obras de espiritualidade, cheias de boa doutrina e de inspiração celeste.
       Morreu no ano 1380, em Roma.
      Foi canonizada em 1461.
       Em vida foi testada pela desconfiança de alguns, como muitos santos. Os seus ensinamentos, pela profundidade espiritual, são propostos a toda a Igreja. O Papa Paulo VI, em 1947 declarou-a Doutora da Igreja, título acrescentado ao de Co-Padroeira de Roma, por desejo do Beato Papa Pio IX, e Padroeira de Itália, segundo decisão do Venerável Papa Pio XII. João Paulo II, Beato, viria a declará-la Co-Padroeira da Europa, para que esta não esqueça as suas raízes cristãs.
       Diz dela Bento XVI: "Cristo é para ela como o esposo, com quem está em relação de intimidade, de comunhão e de fidelidade; é o bem-amado acima de qualquer outro bem". Continua Bento XVI, "de Santa Catarina nós aprendemos a ciência mais sublime: conhecer e amar Jesus Cristo e a sua Igreja. No Diálogo da Providência Divina ela, com uma imagem singular, descreve Cristo como uma ponte lançada entre o céu e a terra. Ela é formada por três grandes escadas, constituída pelos pés, pelo lado e pela boca de Jesus. Elevando-se através destas grandes escadas, a alma passa pelas três etapas de casa caminho de santificação: o afastamento do pecado, a prática da virtude e do amor, a união dócil e afetuosa com Deus".

Oração de coleta:
       Deus de misericórdia infinita, que inflamastes Santa Catarina de Sena no amor divino, chamando-a à contemplação da paixão do Senhor e ao serviço da Igreja, fazei que o vosso povo, associado ao mistério de Cristo, se alegre para sempre na manifestação da sua glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
Do «Diálogo da Divina Providência», de Santa Catarina de Sena, virgem

Saboreei e vi

Ó Divindade eterna, ó eterna Trindade, que, pela união com a natureza divina, tanto fizestes valer o Sangue de vosso Filho Unigénito! Vós, Trindade eterna, sois como um mar profundo, no qual quanto mais procuro mais encontro, e quanto mais encontro, mais cresce a sede de Vos procurar. Saciais a alma, mas dum modo insaciável, porque, saciando-se no vosso abismo, a alma permanece sempre faminta e sedenta de Vós, ó Trindade eterna, desejando ver-Vos com a luz da vossa luz.
Saboreei e vi com a luz da inteligência, ilustrada na vossa luz, o vosso abismo insondável, ó Trindade eterna, e a beleza da vossa criatura. Por isso, vendo-me em Vós, vi que sou imagem vossa por aquela inteligência que me é dada como participação do vosso poder, ó Pai eterno, e também da vossa sabedoria, que é apropriada ao vosso Filho Unigénito. E o Espírito Santo, que procede de Vós e do vosso Filho, me deu a vontade com que posso amar-Vos.
Porque Vós, Trindade eterna, sois criador e eu criatura; e conheci – porque Vós mo fizestes compreender quando me criastes de novo no Sangue do vosso Filho – conheci que estais enamorado da beleza da vossa criatura.
Oh abismo, oh Trindade eterna, oh Divindade, oh mar profundo! Que mais me podíeis dar do que dar-Vos a Vós mesmo? Sois um fogo que arde sempre e não se consome. Sois Vós que consumis com o vosso calor todo o amor profundo da alma. Sois um fogo que dissipa toda a frialdade e iluminais as mentes com a vossa luz, aquela luz com que me fizestes conhecer a vossa verdade.
Espelhando-me nesta luz, conheço-Vos como sumo bem, o bem que está acima de todo o bem, o bem feliz, o bem incompreensível, o bem inestimável, a beleza sobre toda a beleza, a sabedoria sobre toda a sabedoria: porque Vós sois a própria sabedoria, o alimento dos Anjos, que com o fogo da caridade Vos destes aos homens.
Sois a veste que cobre toda a minha nudez; e alimentais a nossa fome com a vossa doçura, porque sois doce sem qualquer amargor. Oh Trindade eterna!
BENTO XVI, Santas da Idade Média. Editorial Franciscana. Braga 2010.
Vd. também na Audiência Geral de 24 de novembro de 2010  

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

SANTA TERESA DE JESUS, virgem e doutora da Igreja

       Nasceu dentro da cidadela de Ávila, a 28 de março de 1515, sendo baptizada como Teresa de Ahumada... Lê a vida dos santos, depois livros de cavalaria, torna-se centro de atenções. Aos 17 anos entra nas Agostinhas de Grácia, como interna, onde brotará a vocação, entrando, alguns meses depois na Encarnação de Ávila. A 3 de novembro de 1536, faz a sua profissão religiosa.
       Será atacada de doenças várias: desequilíbrio nervoso, dores atrozes, doença do coração. Nessa altura terá os primeiros momentos de oração e de recolhimento.
       No convento da Encarnação leva uma vida folgada e tranquila, com pouca oração e se exercícios em comum com as outras irmãs. O seu lucatório é espaço onde se encontrava a alta sociedade de Ávila. Vive assim durante 20 anos.
       Um dia fixou-se, no seu lucatório, onde recebia as pessoas, numa imagem de Cristo atado à coluna. Caiu em si, vendo o que Jesus tinha feito pela humanidade e por ela também. Aos 40 anos faz a entrega definitiva a Deus. Aos 45 anos teve as primeiras visões e, um ano depois, funda o primeiro convento reformado, São José de Ávila. A ânsia de reforma espiritual, leva-a a percorrer a Espanha, fundando diversos conventos.
       Dá-se o encontro com o grande místico São João da Cruz e inicia, em novembro de 1568, a reforma entre os homens, com o convento de Duruelo.
       Faleceu no dia 4 de outubro de 1582 e enterrada ao outro dia.
       É considerada um dos maiores génios que a humanidade já produziu, possuía uma viva e arguta inteligência, num estilo vivo e atraente e com um profundo bom senso.
       Foi canonizada em 1622, com o Papa Gregório XV e em 1970, foi proclamada pelo Papa Paulo VI, com Santa Catarina de Sena, Doutora da Igreja, pelo Papa Paulo VI. As duas primeiras mulheres a receberem este título.

Oração de colecta:
       Senhor, que, por meio de Santa Teresa de Jesus, inspirada pelo Espírito Santo, manifestastes à vossa Igreja o caminho da perfeição, concedei-nos a graça de encontrar alimento na sua doutrina espiritual e de nos inflamarmos no desejo da verdadeira santidade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

Das Obras de Santa Teresa de Jesus, virgem
(Opusc. Libro de la Vida, cap. 22, 6-7.12.14) (Sec. XVI)
Lembremo-nos sempre do amor de Cristo
Estando presente tão bom amigo e tão generoso capitão, Jesus Cristo, tudo podemos suportar. Ele é ajuda e dá forças; nunca falta; é verdadeiro amigo. E eu vejo claramente que, para contentar a Deus e receber grandes mercês, Ele quer que seja pelas mãos desta humanidade sacratíssima, na qual a sua Majestade se deleita.
Muitas vezes o vi por experiência. O Senhor mo disse. Vi claramente que temos de entrar por esta porta se quisermos que a soberana Majestade nos mostre grandes segredos. Não se procure outro caminho, mesmo estando no mais alto grau da contemplação; é por aqui que se vai seguro. É por este Senhor nosso que nos vêm todos os bens; Ele o ensinará; olhando a sua vida, teremos o melhor exemplo.
Que mais desejamos de amigo tão bom ao nosso lado, que não nos deixará em dificuldades e tribulações, como fazem os do mundo? Ditoso aquele que O ama de verdade e O traz sempre junto de si. Consideremos o glorioso São Paulo que tinha sempre em sua boca o nome de Jesus, porque o tinha bem no coração. Depois de ter compreendido isto, reparei com cuidado em alguns Santos, grandes contemplativos, que não iam por outro caminho: São Francisco, Santo António de Pádua, São Bernardo, Santa Catarina de Sena. É com liberdade que devemos percorrer este caminho, abandonando nos nas mãos de Deus. Se sua Majestade nos quiser chamar para o segredo da sua antecâmara, devemos ir de boa vontade.
Sempre que pensarmos em Cristo, lembremo-nos do amor com que Ele nos concedeu tantas mercês e da caridade que Deus mostrou ao dar nos em penhor o próprio amor que tem por nós. O amor pede amor. Procuremos pois ir meditando nisto e despertando nos para amar. Na verdade, se o Senhor nos concede uma vez a graça de nos imprimir no coração este amor, tudo será fácil para nós e muito faremos em breve tempo e com pouco trabalho.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Descobrir HILDEGARDA DE BINGEN - Doutora da Igreja

CRISTINA SICCARDI (2013). Descobrir Hildegarda de Bingen. Mística, artista, mulher de ciência. Prior Velho: Paulinas Editora. 232 páginas.
       Doutora da Igreja proclamada pelo Papa Bento XVI, foi o reconhecimento de uma santa cuja a fama granjeou ainda em vida, tendo-se tornado verdadeira profetisa, pregadora, catequista, instruindo reis e imperadores, Papas e Bispos, sacerdotes e religiosas, leigos, comunidades conventuais ou paroquiais.
       Em 10 de maio de 2012, por vontade do papa Bento XVI, Hildegarda foi canonizada; a 7 de outubro de 2012, domingo dedicado à Rainha do Santo Rosário, festividade instituída por São Pio V para comemorar a vitória de Lepanto, em 1571, contra a frota turca, Bento XVI propôs Santa Hildegarda como Doutora da Igreja Universal. Na mesma ocasião, declarou também São João de Ávila como Doutor da Igreja.
       A autora faz referência a algumas das intervenções do Papa Bento XVI e que poderá ler nos seguintes links:
       «Luz do seu povo e do seu tempo», assim a definia João Paulo II, em 1979, por ocasião do 800º aniversário da morte da Mística alemã.
"2. Hildegarda nasceu em 1089 em Bermersheim, perto de Alzey, de pais de linhagem nobre e ricos proprietários de terras. Aos oito anos foi aceite como oblata na abadia beneditina de Disibodenberg, onde em 1115 emitiu a profissão religiosa. Com a morte de Jutta de Sponheim, por volta de 1136, Hildegarda foi chamada a suceder-lhe como magistra. De saúde física frágil, mas vigorosa no espírito, comprometeu-se profundamente por uma renovação adequada da vida religiosa. Fundamento da sua espiritualidade foi a regra beneditina, que indica o equilíbrio espiritual e a moderação ascética como caminhos para a santidade. Depois do aumento numérico das monjas, devido sobretudo à grande consideração pela sua pessoa, por volta de 1150 fundou um mosteiro na colina chamada Rupertsberg, nas proximidades de Bingen, para onde se transferiu juntamente com vinte irmãs de hábito. Em 1165 instituiu outro em Eibingen, na margem oposta do Reno. Foi abadessa de ambos" (Carta Apostólica de Bento XVI).
       A biografia apresenta-nos as diversas etapas da vida de Hildegarda, com as primeiras visões, os seus escritos, a fundação do mosteiro de Rupertsberg, os contactos com bispos, sacerdotes, com o Papa, com o imperador; as suas obras teológicas, mas também sobre as plantas medicinais, a genialidade desta santa, na música, na botânica, na oralidade.
       Viveu numa época de grande turbulência na Igreja, em que os Bispos e o Papado estava por demais vinculados a disputas de poderes e de lugares, tendo mesmo havido nesta ocasião dois Papas em simultâneo. São Bernardo de Claraval terá um papel importante na vida de Hildegarda, nomeadamente intercedendo por ela junto do Papa, para que colocasse por escrito as suas visões.
       Como profetisa, a Sibila do Reno é autorizada e convidada a pregar em público, diante de senhores e de servos. Frontal, denuncia aqueles que se servem da Igreja, os que são dúbios, os que procuram apenas os interesses pessoais. Remete sempre para a Santíssima Trindade. O desiderato é viver sob o auspício de Deus.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

João Paulo II sobre Santa Teresa de Jesus

       No dia 1 de Novembro de 1982, João Paulo II deslocou-se a Espanha, a Ávila, para homenagear Santa Teresa de Jesus a para apresentar, de novo, como modelo de cristã para toda a Igreja, no encerramento do 4.º centenário da morte de Santa Teresa.
       "Santa Teresa de Jesus está viva, a sua voz ressoa ainda hoje na Igreja...
       Teresa de Jesus, a primeira Doutora da Igreja Universal, fez-se palavra viva de Deus, convidou à amizade com Cristo.
        Entre as mulheres santas da história da Igreja, Teresa de Jesus é, sem dúvida, aquela que respondeu a Cristo com maior fervor do coração, na oração filial..."
Postado a partir de Sinais do Mundo.