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quinta-feira, 12 de abril de 2018

Aquele que vem do alto está acima de todos...

       A Páscoa de Jesus reabilita e reúne os discípulos. O medo dá lugar à alegria, a dúvida cede à fé, o temor é assumido pela esperança. As portas e janelas antes fechadas abrem-se para o mundo e os discípulos apregoam Jesus vivo e o Seu Evangelho de compaixão em todos os lugares, ocasiões e oportunidades.
       O livro dos Atos dos Apóstolos, que nos acompanha em todo o tempo de Páscoa, mostra-nos como as primeiras comunidades assumem e testemunham o Evangelho e como os Apóstolos vão alargando o espaço e os mundos a que se dirigem para pregar.
       No Sinédrio, diante do tribunal judeu, no Templo ou na Sinagoga, os Apóstolos garantem que Jesus vive e só a Ele deverão obedecer, ainda que respeitem as autoridades dos judeus, dos gregos ou do romanos, por quem rezem.
       O Querigma, o primeiro anúncio, está bem sintetizado nas Palavras de Pedro e dos Apóstolos, como se pode ver na primeira leitura:
O comandante do templo e os guardas trouxeram os Apóstolos e fizeram-nos comparecer diante do Sinédrio. O sumo sacerdote interpelou-os, dizendo: «Já vos proibimos formalmente de ensinar em nome de Jesus; e vós encheis Jerusalém com a vossa doutrina e quereis fazer recair sobre nós o sangue desse homem». Pedro e os Apóstolos responderam: «Deve obedecer-se antes a Deus que aos homens. O Deus dos nossos pais ressuscitou Jesus, a quem vós destes a morte, suspendendo-O no madeiro. Deus exaltou-O pelo seu poder, como Chefe e Salvador, a fim de conceder a Israel o arrependimento e o perdão dos pecados. E nós somos testemunhas destes factos, nós e o Espírito Santo que Deus tem concedido àqueles que Lhe obedecem». Exasperados com esta resposta, decidiram dar-lhes a morte (Atos 5, 27-33).
       O Evangelho continua a trazer-nos o diálogo de Jesus com Nicodemos. A noite do encontro vai dando lugar à luz da fé, do esclarecimento, do testemunho.
       Disse Jesus a Nicodemos: «Aquele que vem do alto está acima de todos; quem é da terra, à terra pertence e da terra fala. Aquele que vem do Céu dá testemunho do que viu e ouviu; mas ninguém recebe o seu testemunho. Quem recebe o seu testemunho confirma que Deus é verdadeiro. De facto, Aquele que Deus enviou diz palavras de Deus, porque Deus dá o Espírito sem medida. O Pai ama o Filho e entregou tudo nas suas mãos. Quem acredita no Filho tem a vida eterna. Quem se recusa a acreditar no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus permanece sobre ele» (Jo 3, 31-36).
       Ouvíamos ontem no Evangelho Jesus dizer-nos claramente: "Deus não enviou o Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele". Hoje acentua-se a Mensagem de Jesus: Deus ama-nos, com amor eterno, criou-nos por amor, por amor nos dá o Seu Filho, Jesus Cristo, enviado ao mundo para que a humanidade seja salvo por Seu intermédio. A salvação é dom de Deus. Ele oferece-a de bom grado, gratuitamente. Aliás, dá-nos o melhor de Si mesmo, o Seu Filho Unigénito, que permanece no mundo através do Espírito Santo.
       Cabe-nos acreditar em Jesus, acolher a Sua mensagem de amor e de perdão, viver na/da Sua vida.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

...para que o mundo seja salvo por Ele

       Disse Jesus a Nicodemos: «Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus não enviou o Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele. Quem acredita n’Ele não é condenado, mas quem não acredita já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho Unigénito de Deus. E a causa da condenação é esta: a luz veio ao mundo e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque eram más as suas obras. Todo aquele que pratica más acções odeia a luz e não se aproxima dela, para que as suas obras não sejam denunciadas. Mas quem pratica a verdade aproxima-se da luz, para que as suas obras sejam manifestas, pois são feitas em Deus» (Jo 3, 16-21).
       Em tempo pascal, Jesus explica a Nicodemos a Encarnação, a entrega do Filho do Homem à humanidade: o amor infinito e pleno ao ser humano, a toda a pessoa. Diz-nos claramente que vem para salvar-nos. E, se nos deixarmos iluminar pela Sua luz, entramos no reino de eternidade.
       Nicodemos era um dos chefes dos fariseus, sensível para escutar a Palavra vinda de Jesus. Jesus acentua a bondade de Deus para com a Humanidade. Deus criou-nos por amor e não desiste de nós, quer a nossa salvação.
       A vinda de Jesus ao mundo tem como fito principal a salvação da humanidade. Quem n'Ele acredita tem a vida eterna. Quem O recusa, e à Sua Palavra, exclui-se da salvação. Destarte, a condenação não é uma acção positiva de Deus, mas uma acção dependente da vontade e da liberdade da pessoa, que Deus respeita, mesmo que fira o Seu amor de Pai.

terça-feira, 10 de abril de 2018

Damos testemunho do que vimos...

       A Ressurreição é um desafio e um compromisso dos seguidores de Jesus Cristo em mostrá-l'O vivo nas palavras e nos gestos, na organização das comunidades crentes. Jesus coloca-se no MEIO deles e eles perdem o medo, pois Ele sempre estará.
       Na primeira leitura, que atravessa este tempo de Páscoa, do livro dos Atos dos Apóstolos, vamos acolhendo a chama com que os discípulos dão a conhecer o Evangelho de Jesus Cristo, morto e ressuscitado, suscitando entusiasmo mas também ódios e perseguição. O texto de hoje caracteriza a a comunidade, a forma como procurou encarnar o Evangelho:

A multidão dos haviam abraçado a fé tinha um só coração e uma só alma; ninguém considerava seu o que lhe lhe pertencia, mas tudo entre eles era comum. Os Apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus com grande poder e gozavam todos de muita simpatia. Não havia entre eles qualquer necessitado, porque todos os que possuíam terras ou casas vendiam-nas e traziam o produto das vendas, que depunham aos pés dos Apóstolos, e distribuía-se então a cada um conforme a sua necessidade. José, um levita natural de Chipre, a quem os Apóstolos chamaram Barnabé – que quer dizer «Filho da Consolação» – possuía um campo. Vendeu-o e trouxe o dinheiro, que depositou aos pés dos Apóstolos (Atos 4, 32-37)
No Evangelho, Jesus continua em diálogo com Nicodemos:
Disse Jesus a Nicodemos: «Não te admires por Eu te haver dito que todos devem nascer de novo. O vento sopra onde quer: ouves a sua voz, mas não sabes donde vem nem para onde vai. Assim acontece com todo aquele que nasceu do Espírito». Nicodemos perguntou: «Como pode ser isso?» Jesus respondeu-lhe: «Tu és mestre em Israel e não sabes estas coisas? Em verdade, em verdade te digo: Nós falamos do que sabemos e damos testemunho do que vimos, mas vós não aceitais o nosso testemunho. Se vos disse coisas da terra e não acreditais, como haveis de acreditar, se vos disser coisas do Céu? Ninguém subiu ao Céu, senão Aquele que desceu do Céu: o Filho do homem. Assim como Moisés elevou a serpente no deserto, também o Filho do homem será elevado, para que todo aquele que acredita tenha n’Ele a vida eterna» (Jo 3, 7b-15).
       São João coloca-nos junto de Jesus e de Nicodemos, doutor da Lei. Jesus diz claramente a Nicodemos que tem de nascer de novo, uma nova vida, que não virá apenas da conversão, mas também da redenção operado por Jesus Cristo. Por outro lado, Jesus coloca a transcendência de Deus em destaque, não O podemos encerrar na nossas concepções muito nossas. A força do Espírito manifesta-se onde quer, é como o vento que não sabemos de onde vem ou para onde vai.
       Por outro lado ainda, Jesus anuncia a elevação do Filho do homem, para que todos O vejam e acreditando tenham a vida eterna. A elevação do filho enquadra a crucifixão de Jesus, a Sua morte redentora, mas também o NOME que é colocado acima de todos os todos e ao qual todos os joelhos se deve dobrar, não como penitência, mas para que a contemplação de Deus os leve ao serviço dos irmãos.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Todos ficaram cheios do Espírito Santo

       A liturgia da Palavra em tempo de Páscoa vai mostrando como a comunidade dos primeiros discípulos fazem a experiência de Jesus ressuscitado e como dão testemunho da Sua presença, ainda que de forma gloriosa. Através deles, o Espírito de Cristo vai agindo na história. A condição para sermos discípulos é acolher o que vem de Deus, a predisposição para seguir Jesus nos caminhos atuais, com as suas dificuldades e com as suas potencialidades. Ele superará a nossa imperfeição, agirá também através de nós com as nossa fragilidades. Vejamos como Pedro e João agem em nome de Jesus:
Pedro e João, tendo sido postos em liberdade, voltaram para junto dos seus e contaram-lhes tudo o que os príncipes dos sacerdotes e os anciãos lhes tinham dito. Depois de os ouvirem, invocaram a Deus numa só alma, dizendo: «Senhor, Vós fizestes o céu, a terra, o mar e tudo o que neles se encontra; Vós dissestes, mediante o Espírito Santo, pela boca do nosso pai David, vosso servo: ‘Porque se agitaram em tumulto as nações e os povos intentaram vãos projectos? Revoltaram-se os reis da terra e os príncipes conspiraram juntos contra o Senhor e contra o seu Ungido’. Na verdade, Herodes e Pôncio Pilatos uniram-se nesta cidade com as nações pagãs e os povos de Israel contra o vosso santo servo Jesus, a quem ungistes. Assim cumpriram tudo o que o vosso poder e sabedoria tinham de antemão determinado. E agora, Senhor, vede como nos amea¬çam e concedei aos vossos servos que possam anunciar com toda a confiança a vossa palavra. Estendei a vossa mão, para que se realizem curas, milagres e prodígios, em nome do vosso santo servo Jesus». Depois de terem rezado, tremeu o lugar onde estavam reunidos: todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a anunciar com firmeza a palavra de Deus. (Actos 4, 23-31).
       No Evangelho, proposto para este dia, o encontro luminoso entre Jesus e Nicodemos:
Havia um fariseu chamado Nicodemos, que era um dos principais entre os judeus. Foi ter com Jesus de noite e disse-Lhe: «Rabi, nós sabemos que vens da parte de Deus como mestre, pois ninguém pode realizar os milagres que Tu fazes se Deus não está com ele». Jesus respondeu-lhe: «Em verdade, em verdade te digo: Quem não nascer de novo não pode ver o reino de Deus». Disse-Lhe Nicodemos: «Como pode um homem nascer, sendo já velho? Pode entrar segunda vez no seio materno e voltar a nascer?» Jesus respondeu: «Em verdade, em verdade te digo: Quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus. O que nasceu da carne é carne e o que nasceu do Espírito é espírito. Não te admires por Eu te haver dito que todos devem nascer de novo. O vento sopra onde quer: ouves a sua voz, mas não sabes donde vem nem para onde vai. Assim acontece com todo aquele que nasceu do Espírito». (Jo 3, 1-8).
       Jesus diz a Nicodemos que é necessário nascer de novo, com a força do Espírito Santo que nos renova e transforma. É sob a inspiração e a fortaleza do Espírito Santo que os Apóstolos, sem temor, anunciam Jesus Cristo Ressuscitado. Há de ser com esta força que Nicodemos, e cada um de nós, se tornará discípulo de Jesus. É Ele que nos atrai, nos desafia e no envia. Cabe-nos permitir que o nosso coração se predisponha a esvaziar-se de nós, a morrer para o nosso egoísmo, para nos enchermos de Deus, para ressuscitarmos em Jesus Cristo.

sexta-feira, 17 de março de 2017

«Nunca ninguém falou como esse homem»

       Ao longo da história da Salvação, de Aliança de Deus com o Seu povo, muitos foram os mensageiros divinos, juízes, réis e profetas. Aqueles que perseveraram fiéis à Lei, aos mandamentos à Aliança tiveram, por demasiadas vezes, de se sujeitar à maledicência, à perseguição, ao exílio forçado, e à própria morte. Jeremias é disso exemplo. A sua vontade férrea em se manter do lado da Lei de Deus, provoca a ira daqueles que se afastaram e procuram justificar-se. E se é possível contornar a Lei ou arranjar justificações, ou excepções, é muito difícil contradizer o testemunho de uma vida em concreto.
       Mas vejamos o texto de Jeremias:
Quando o Senhor me avisou, eu compreendi; vi então as maquinações dos meus inimigos. Eu era como manso cordeiro levado ao matadouro e ignorava a conjura que tramavam contra mim, dizendo: «Destruamos a árvore no seu vigor, arranquemo-la da terra dos vivos, para não mais se falar no seu nome». Senhor do Universo, que julgais com justiça e sondais os sentimentos e o coração, seja eu testemunha do castigo que haveis de aplicar- lhes, pois a Vós confio a minha causa. (Jer 11, 18-20)
       Jeremias confia em Deus e segue na fidelidade à Palavra de Deus.
       No Evangelho, também Jesus é sujeito das maquinações dos líderes religiosos, de um punhado de judeus, fariseus, doutores da Lei, que se veem ameaçados pela pregação de Jesus e sobretudo pela adesão do povo às palavras de Jesus. Qual a solução para aqueles que ameaçam o nosso lugar? A morte? A injúria? A difamação?
       Alguns parece deveras convencidos. Mas é mais forte a suspeita!
Alguns que tinham ouvido as palavras de Jesus diziam no meio da multidão: «Ele é realmente o Profeta». Outros afirmavam: «É o Messias». Outros, porém, diziam: «Poderá o Messias vir da Galileia? Não diz a Escritura que o Messias será da linhagem de David e virá de Belém, a cidade de David?» Houve assim desacordo entre a multidão a respeito de Jesus. Alguns deles queriam prendê-l’O, mas ninguém Lhe deitou as mãos. Então os guardas do templo foram ter com os príncipes dos sacerdotes e com os fariseus e estes perguntaram-lhes: «Porque não O trouxestes?». Os guardas responderam: «Nunca ninguém falou como esse homem». Os fariseus replicaram: «Também vos deixastes seduzir? Porventura acreditou n’Ele algum dos chefes ou dos fariseus? Mas essa gente, que não conhece a Lei, está maldita». Disse-lhes Nicodemos, aquele que anteriormente tinha ido ter com Jesus e era um deles: «Acaso a nossa Lei julga um homem sem antes o ter ouvido e saber o que ele faz?» Responderam-lhe: «Também tu és galileu? Investiga e verás que da Galileia nunca saiu nenhum profeta». E cada um voltou para sua casa (Jo 7, 40-53).
       A vida de Jesus desliza para a plenitude, mas também para um desfecho esperado: a morte. Não como auto flagelação, mas como inevitabilidade da Sua postura diante do povo, das autoridades, diante das tradições, diante das pessoas mais fragilizadas. A opção preferencial pelos excluídos, leva os instalados a sentirem-se postos em causa... 

sábado, 18 de junho de 2011

Solenidade da Santíssima Trindade - 19 de junho

       1 – A solenidade da Santíssima Trindade é, desde logo, um desafio e um compromisso para o cristão. Em cada oração, em cada celebração litúrgica, em cada encontro entre cristãos, a invocação é trinitária, reunimo-nos em NOME do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Encontramo-nos no coração do mistério divino que vem até nós em Jesus Cristo, pelo Espírito Santo e que nos revela a vontade de Deus Pai para cada um de nós e para a humanidade inteira.
        Jesus, na Sua Mensagem e na Sua Vida, revela-nos o ROSTO de DEUS, em três PESSOAS. Deus, a origem de tudo, fonte de todo o amor e de toda a criação, é Seu Pai e nosso Pai. Jesus reconhece-Se como o Enviado por Deus Pai, Ungido desde toda a criação, como Filho Unigénito, para que n'Ele e através d'Ele todos cheguem ao conhecimento da verdade e se salvem. Por Ele foram criadas todas as coisas. Mas ouçamo-l'O, na resposta a Nicodemos: «Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele. Quem acredita n’Ele não é condenado, mas quem não acredita n'Ele já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho Unigénito de Deus»
       Jesus é o Salvador, que vem de Deus. Morre por amor, ressuscita e coloca-nos à direita de Deus Pai. Envia-nos o Espírito Santo, que nos revela toda a verdade. O Espírito dá-nos a vida nova. Revela-nos o caminho para em Jesus termos a vida eterna.

       2 – Mas como dizíamos, a celebração da Trindade é um desafio, pois como MISTÉRIO "obriga-nos" a reflectir, para compreender, mais, para acolher a Sua vida e a Sua vontade. Facilmente compreendemos que Deus só existe UM, mas como desvendar o mistério da Trindade. Admitamos que é fácil falar de Deus como Pai, ainda que nos tivesse sido revelado por Jesus Cristo.
       De Jesus Cristo, como Filho, para um cristão, ainda é fácil falar e aceitar. Conhecemos as Suas palavras e parte essencial da Sua vida entre nós. Mas falar do Espírito Santo já se torna mais difícil, embora Jesus nos fale d'Ele muitas vezes, é "como vento" que sopra onde quer, é o Paráclito, o Defensor junto do Pai, é o Espírito que assegura a permanência de Jesus na terra, entre os Seus, é Ele que nos revela a verdade que nos chega de Deus, para que acolhendo a Cristo tenhamos n'Ele a vida em abundância. Aliás, se não fosse o Espírito Santo nem sequer tínhamos a capacidade para reconhecer Cristo como Senhor.
       E falar de Deus como Pai, Filho e Espírito Santo, Trindade em Três Pessoas, distintas, Unidade da natureza. Perfeita comunhão, sem confusão. Entra na esfera do Mistério, que se desvela cada vez mais e simultaneamente se adensa, se esconde, porque é Msitério. O que se diz do Pai, diz-se do Filho e do Espírito Santo. O que se diz do Filho, diz-se igualmente do Pai e do Espírito. O que se refere ao Espírito Santo, refere-se, do mesmo modo, ao Pai e ao Filho. Em teologia, a este mistério, dá-se o nome de pericorese (divina). Intercâmbio completo e sintonizado entre as Três Pessoas…
       Em todo o caso, o mais importante - revelado por Jesus Cristo - é que Deus nos ama e tanto nos ama que se dispõe a tudo para nos acolher de volta quando chegar a hora, e nos quer felizes pelo tempo em que somos enviados ao mundo.

       3 – A origem da Igreja, como dos Seus membros, é a Santíssima Trindade. O fim da Igreja, a Sua meta, é a Santíssima Trindade. Deus é perfeita comunhão de vida e de amor. N'Ele não existe divisão, nem confusão. O Mesmo Deus, em Três Pessoas.
       Também aqui se torna desafio e compromisso, para a Igreja e para o mundo. Somos diferentes, mas podemos comungar do que é essencial, vivendo de acordo com a nossa origem e com a nossa finalidade: DEUS.
       Como escutámos no domingo passado, somos como um corpo com vários membros, todos importantes, todos necessários, ainda que com tarefas diferentes. É esta a lógica do amor, é a lógica de Deus.
       Moisés invoca a presença de Deus entre o povo, para que todos possam sentir-se abençoados e avançar para o bem, seguros que serão a herança do Senhor: «O Senhor, o Senhor é um Deus clemente e compassivo, sem pressa para Se indignar e cheio de misericórdia e fidelidade... Vós perdoareis os nossos pecados e iniquidades e fareis de nós a vossa herança».
       A nossa missão: deixarmo-nos conduzir por Deus e pelo Seu amor, para vivermos como povo, como família de Deus.

       4 - Um desafio que se converte em compromisso com os outros e com o mundo actual em que vivemos. Sabemos que temos a mesma origem. Mesmo que não fôssemos crentes, ainda assim a certeza da origem comum. Chamemos-lhe, destarte, Big Bang. O fim também é idêntico. Hoje ninguém duvida que aquilo que fazemos (individualmente), hic et nunc (aqui e agora), terá influência, positiva ou negativa, nos outros e na vida das gerações futuras. Veja-se por exemplo as dificuldades da crise económica em famílias e empresas que até há bem pouco tempo viviam "à grande e à francesa" como se nada pudesse alterar o seu status.
       É certo, diga-se em abono da verdade, que os pobres são os primeiros a pagar os erros e a ganância dos decisores políticos e económicos, mas pouco a pouco, se não houver correcções de fundo, todos acabam por pagar. Infelizmente é uma constatação que deveríamos ter prevenido, combatido e evitado. Não faltaram avisos e sinais.
       O nosso compromisso pode fazer-se seguindo o desafio de São Paulo: "Sede alegres, trabalhai pela vossa perfeição, animai-vos uns aos outros, tende os mesmos sentimentos, vivei em paz. E o Deus do amor e da paz estará convosco. Saudai-vos uns aos outros com o ósculo santo. Todos os santos vos saúdam. A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco".
       As diferenças são uma oportunidade de diálogo e de encontro. A Santíssima Trindade, Três Pessoas distintas, na plena Comunhão de Vontades e de Vida. Um só Deus. Sigamos nesta peugada, até à vida eterna.

Textos para a Eucaristia (ano A): Ex 34, 4b-6.8-9; 2 Cor 13, 11-13; Jo 3, 16-18.

sábado, 9 de abril de 2011

Como manso cordeiro levado ao matadouro...

       Eu era como manso cordeiro levado ao matadouro e ignorava a conjura que tramavam contra mim, dizendo: «Destruamos a árvore no seu vigor, arranquemo-la da terra dos vivos, para não mais se falar no seu nome». Senhor do Universo, que julgais com justiça e sondais os sentimentos e o coração, seja eu testemunha do castigo que haveis de aplicar- lhes, pois a Vós confio a minha causa (Jer 11, 18-20)
        Disse-lhes Nicodemos, aquele que anteriormente tinha ido ter com Jesus e era um deles: «Acaso a nossa Lei julga um homem sem antes o ter ouvido e saber o que ele faz?» Responderam-lhe: «Também tu és galileu? Investiga e verás que da Galileia nunca saiu nenhum profeta». E cada um voltou para sua casa (Jo 7, 40-53).
       As palavras do profeta Jeremias assentam bem em Jesus.
       Jeremias é denunciado, exposto, perseguido, vítima de maledicência, por praticar o bem, defender a justiça dos pobres, anunciar a palavra de Deus e os Seus mandamentos, por querer que Israel volte o olhar para o Seu Deus. Os fraudulentos apontam para ele o dedo da acusação, desviando assim a atenção do seu mau proceder. Jeremias, mesmo ameaçado de morte, confia em Deus, Seu Salvador.
       Jesus Cristo vê apertar-se o círculo à Sua volta. Cresce o número daqueles que O seguem para toda a parte, mas também os ódios das classes dirigentes, vendo ameaçado o seu domínio sobre a população. Nestas duas frases que escolhemos do Evangelho, vemos como Nicodemos põe a descoberta a injustiça com que Jesus está a ser acusado, sem ser sequer ouvido.
       Por outro lado, denota-se aqui uma perspectiva aprofundada por Joseph Ratzinger/Bento XVI, no segundo volume de "Jesus de Nazaré", não é o povo que condena Jesus, mas a classe dirigente e mesmo entre esta há pessoas que procuram ser justas e não se deixam levar pelo julgamento geral. Ainda nesta perspectiva, Bento XVI refere que não é a mesma população que aclama Jesus no domingo de Ramos e a que pede a Sua condenação diante de Pilatos. Na entrada triunfal em Jerusalém, acompanham Jesus os Seus discípulos e muitas pessoas vindas da Galileia para a festa da Páscoa. Diante de Pilatos, estão os sacerdotes, levitas, doutores da Lei, alguns fariseus, e os seguidores de Barrabás, para fazerem lóbi na hora de Pilatos anunciar o indulto a um preso...

sábado, 20 de março de 2010

Ele é realmente o Profeta

       "Eu era como manso cordeiro levado ao matadouro e ignorava a conjura que tramavam contra mim, dizendo: «Destruamos a árvore no seu vigor, arranquemo-la da terra dos vivos, para não mais se falar no seu nome»" (Jer 11, 18-20).
       "Alguns que tinham ouvido as palavras de Jesus diziam no meio da multidão: «Ele é realmente o Profeta». Outros afirmavam: «É o Messias». Outros, porém, diziam: «Poderá o Messias vir da Galileia? Não diz a Escritura que o Messias será da linhagem de David e virá de Belém, a cidade de David?» Houve assim desacordo entre a multidão a respeito de Jesus. Alguns deles queriam prendê-l’O, mas ninguém Lhe deitou as mãos... Disse-lhes Nicodemos, aquele que anteriormente tinha ido ter com Jesus e era um deles: «Acaso a nossa Lei julga um homem sem antes o ter ouvido e saber o que ele faz?» Responderam-lhe: «Também tu és galileu? Investiga e verás que da Galileia nunca saiu nenhum profeta». E cada um voltou para sua casa" (Jo 7, 40-53).

       Um e outro texto apresentados para este Sábado, preanunciam o desfecho do justo, do profeta.
       Em Jeremias é-nos mostrado como um homem justo e bom pode ser odiado, perseguido e sofrer ameaças de morte. Assim também o Evangelho nos mostra a disputa entre alguns judeus. Muitos consideram-n'O profeta, Messias. Mas, outros dentre eles, apenas escarnecem acentuando uma clara oposição ao seu missianismo, num preconceito crescente. Já não se avaliam as palavras e os gestos, mas a sua origem.
       Nicodemos convida-nos a ouvir e avaliar as obras, antes de qualquer julgamento, para que não se julgue pela aparência, pelo que se ouviu dizer ou pela simpatia que se tem ou não por esta ou aquela pessoa.