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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Ser feliz ou ter razão?

       Acompanhamos entre outros blogues o do Reverendo Pároco de Tarouca, Pe. Carlos Lopes. Naturalmente com muitas perguntas pertinentes e com muitos textos que nos fazem pensar. Um desses textos é o que se segue: "Ser feliz ou ter razão?" (e que repomos hoje no neste espaço de partilha). Por vezes não é fácil abdicar de opiniões para garantir a paz e alegria. Outras vezes nem se pode nem se deve, quando estão em causa questões de verdade e identidade. Mas pelo meio existem tantas situações em que ter razão nada adianta a uma relação, por vezes é preferível escolher a felicidade. Mas vejamos o texto:

       «Oito da noite, numa avenida movimentada.O casal já está atrasado para jantar na casa de uns amigos. O endereço é novo, bem como o caminho que ela consultou no mapa antes de sair. Ele conduz o carro. Ela orienta e pede para que vire, na próxima rua, à esquerda. Ele tem a certeza de que é à direita... Discutem.
Percebendo que além de atrasados, poderão ficar mal-humorados, ela deixa que ele decida. Ele vira à direita e percebe, então, que estava errado. Embora com dificuldade, admite que insistiu no caminho errado, enquanto faz retorno. Ela sorri e diz que não há nenhum problema, se chegarem alguns minutos atrasados.
       Ele questiona:
       - Se tinhas tanta certeza de que eu estava indo pelo caminho errado, por que não insististe um pouco mais?
       Ela diz:
       - Entre ter razão e ser feliz, prefiro ser feliz!!! Estávamos à beira de uma discussão. Se eu insistisse mais, teríamos estragado a noite!»

MORAL DA HISTÓRIA:
       Esta pequena história foi contada por uma empresária, durante uma palestra sobre simplicidade no mundo do trabalho. Ela usou a cena para ilustrar quanta energia nós gastamos apenas para demonstrar que temos razão, independentemente, de tê-la ou não.
       Desde que ouvi esta história, tenho-me perguntado com mais frequência: 'Quero ser feliz ou ter razão?'

       Outro pensamento parecido, diz o seguinte:
       'Nunca se justifique. Os amigos não precisam e os inimigos não acreditam'.»

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Enquadramento das mudanças de Párocos

       Tendo como pano de fundo a mudança do Pároco de Fafe, na Arquidiocese de Braga e depois de todo o alarido através dos meios de comunicação social, vejamos a reflexão do Pe. Carlos Lopes, no blogue "Asas da Montanha". As suas interpelações podem ajudar-nos a compreender melhor a tomada de posição do Sr. Acebispo de Braga (actual Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa), ainda que compreendendo também a estreita ligação da população ao seu pároco e o que é de louvar e enaltecer:

       "O que sei é pela comunicação social. Não estou por dentro do assunto nem nada tenho que me meter. Contudo esta situação sugere-me alguns reflexões breves de ordem eclesial e pastoral.
       1. Nenhum padre se ordena para determinada paróquia, mas para o serviço da Igreja.
       2. Todo o padre, no acto da sua ordenação, promete obediência ao seu Bispo.
       3. Em muitas paróquias portugueses vive-se um certo "quintalismo". Só Paróquia é uma célula viva do corpo que é a Igreja Local (Diocese) a que preside o Bispo.
       4. O Bispo tem muitas vezes motivos para a mudança de um pároco que não pode dar a conhecer por caridade e até por confidencialidade.
       5. Porque responsável por toda a Igreja Local, o Bispo tem uma visão abrangente das necessidades pastorais que os paroquianos certamente não possuem.
       6. Nenhum Bispo, penso eu, nas actuais circunstâncias, age por mania ou despotismo. Cada situação é pormonorizadamente analisada, conversada, rezada.O Bispo houve muita gente, a começar, naturalmente, pelos seus conselheiros mais próximos.
       7. Claro que os leigos têm o direito de manifestar o que pensam. São Igreja. Só que muitas vezes perdem a razão pelo modo como se manifestam. Quando há o insulto suez, quando a manifestação cheira a sindicalismo, quando há violência de palavras e actos, os paroquianos perdem toda a razão.
       8. Dá a impressão que o "deus" de muitos é aquele padre. Não são cristãos por causa de Cristo, há até quem diga que "ia à Missa por causa daquele sacerdote". E isto é o pior testemunho da passagem de um pároco por uma paróquia, uma vez que, em vez de ajudar as pessoas a caminhar para Cristo, as fixou nele mesmo...
       É fantasticamente cristão quando as pessoas sentem saudades de quem parte, até vertem uma lágrima, manifestam sentimentos de amizade e gratidão, mas sabem abrir portas de esperança a quem parte e a quem chega. "Seja bem-vindo" quem vem em nome do Senhor."
       9. Alguns párocos também não ajudam nada. Agarrados ao lugar, tem palavras e atitudes que espicaçam as paixões de momento. É preciso saber entrar, mas é igualmente precisa a disponibilidade para partir. Em Igreja, ninguém se anuncia a si mesmo, todos anunciamos Cristo.
       10. Ao Bispo cabe naturalmente saber ouvir, estar atento ao modo de proceder, ser capaz de vir até às comunidades, auscultar seus anseios, sentimentos e razões, explicar-se. As decisões tomadas só nas paredes do gabinete, por mais pensadas que sejam, não são o caminho actual. Também aqui é preciso tornar a Igreja "Casa de Comunhão". Os leigos também são Igreja.
       11. Claro que uma decisão, uma vez tomada, é para manter, mesmo que isso acarrete para quem a toma desertos de sofrimento. Recuar por causa da cruz é indigno de cristãos. Há assim que decidir bem, ver aquilo que "o Espírito diz às Igrejas".
       12. É minha opinião que nenhum sacerdote se deveria fixar na mesma paróquia ou serviço diocesano por tempos indeterminados. Pode haver razões válidas para um prolongar do exercício sacerdotal num determinado serviço, mas eternizá-lo não me parece sadio. O povo tem razão quando afirma: "Quem se muda, Deus ajuda."
 
Pe. Carlos Lopes, Asas da Montanha.