A terceira Carta Encíclica de Bento XVI empresta o título a este blogue. A Caridade na Verdade. Agora permanecem a fé, a esperança e a caridade, mas só esta entra na eternidade com Deus. Espaço pastoral de Tabuaço, Távora, Pinheiros e Carrazedo, de portas abertas para a Igreja e para o mundo...
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sábado, 2 de agosto de 2025
sexta-feira, 19 de janeiro de 2024
III Domingo do Tempo Comum (ano B) - 21.janeiro.2024
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quinta-feira, 11 de janeiro de 2024
sexta-feira, 18 de agosto de 2017
Por causa da dureza do vosso coração
Aproximaram-se de Jesus alguns fariseus para O porem à prova e
disseram-Lhe: «É permitido ao homem repudiar a sua esposa por qualquer
motivo?». Jesus respondeu: «Não lestes que o Criador, no princípio, os fez homem e mulher e disse: ‘Por isso o homem deixará pai e mãe para se unir à sua esposa e serão os dois uma só carne?’. Deste modo, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, não separe o homem o que Deus uniu». Eles objectaram: «Porque ordenou então Moisés que se desse um certificado de divórcio para se repudiar a mulher?». Jesus respondeu-lhes: «Foi por causa da dureza do vosso coração que Moisés vos permitiu repudiar as vossas mulheres. Mas no princípio não foi assim»(Mt 19, 3-12).
Um tema recorrente na atualidade, mas presente ao longo da história da humanidade é o da relação entre o homem e a mulher e a vivência na exclusividade. Muitas culturas assumem-se poligâmicas. O judaísmo contemplava a relação poligâmica. Veja-se por exemplo o caso do Rei David, que poderia ter mais que uma mulher. Ainda assim com o dever de protecção/pertença. David, no plano moral, tem uma atitude que se lhe condena, o facto de desejar a mulher do próximo, sabendo que não podia desposar tal mulher por esta já ser mulher de Urias. A solução foi arranjar forma de matar Urias para depois tomar a sua mulher.
No entanto, o judaísmo vai, pouco a pouco, refletindo sobre a relação monogâmica, como correspondendo ao amor exclusivo de Deus para com o seu Povo. Mas numa e noutra situação, a separação, o repúdio (neste caso do homem em relação à mulher), só em casos muito excepcionais. E ainda assim, ao repudiar a mulher, Moisés exigia que os maridos lhes dessem certificados de divórcio para que a mulher pudesse refazer a vida, sem correr o risco de ser apedrejada.
Na reflexão do Evangelho, Jesus acentua uma vivência anterior em que prevalecia o amor e a união. A dureza do coração é que levou as pessoas à ruptura. Deus criou-nos para vivermos em família, não apenas a união de um homem e de uma mulher, mas também de toda a humanidade. A nossa fragilidade impede-nos de ver mais longe, e para além das limitações alheias, mas o caminho que nos salva é o caminho do amor, do perdão, da unidade.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2017
A oferenda do justo enriquece o altar
"Cumprir a lei equivale a muitas oferendas, ser fiel aos mandamentos é um
sacrifício de salvação. Dar graças é uma oblação de flor de farinha e a
esmola é um sacrifício de louvor. O que mais agrada ao Senhor é
desviar-se do mal, afastar-se da injustiça é um sacrificio de expiação.
Não te apresentes diante do Senhor de mãos vazias, todos estes
sacrifícios se oferecem porque são mandados por Deus. A oferenda do
justo enriquece o altar e o seu agradável perfume sobe à presença do
Altíssimo. O sacrifício do justo é agradável ao Senhor e o seu memorial
não será esquecido. Dá glória ao Senhor com generosidade e não sejas
mesquinho nas primícias que ofereces. Em todas as tuas oferendas mostra
um rosto alegre e consagra o dízimo de boa vontade. Dá ao Altíssimo
conforme Ele te deu, com generosidade, segundo as tuas posses. Porque o
Senhor sabe retribuir e te dará sete vezes mais. Não tentes suborná-l’O
com presentes, porque não os aceitará. Nem confies num sacrifício
injusto, porque o Senhor é juiz e não faz acepção de pessoas" (Sir 35, 1-15).
Pedro começou a dizer a Jesus: «Vê como nós deixámos tudo para Te seguir». Jesus respondeu: «Em verdade vos digo: Todo aquele que tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos ou terras, por minha causa e por causa do Evangelho, receberá cem vezes mais, já neste mundo, em casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e terras, juntamente com perseguições, e, no mundo futuro, a vida eterna. Muitos dos primeiros serão os últimos e muitos dos últimos serão os primeiros» (Mc 10, 28-31).
Pedro começou a dizer a Jesus: «Vê como nós deixámos tudo para Te seguir». Jesus respondeu: «Em verdade vos digo: Todo aquele que tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos ou terras, por minha causa e por causa do Evangelho, receberá cem vezes mais, já neste mundo, em casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e terras, juntamente com perseguições, e, no mundo futuro, a vida eterna. Muitos dos primeiros serão os últimos e muitos dos últimos serão os primeiros» (Mc 10, 28-31).
Os profetas, os sábios religiosos, os justos, tiveram, muitas vezes, de alertar para a purificação do culto e das devoções, para que estas levasse as pessoas a aproximar-se entre si e não fossem apenas ritos descontextualizados do dia a dia.
Por um lado, o autor sagrada fala das oferendas e dos sacrifícios devidos a Deus. No entanto, que tais sacrifícios resultem da generosidade e da bondade de cada oferente. Por outro, o acento tónico recai sobre o cumprimento dos mandamentos. Dar graças vale mais que qualquer sacrifício...
As práticas rituais são importantes, pois ligam-nos a uma comunidade e a uma história, mas o que conta (mais) é a adesão alegre ao Senhor, nosso Deus e a consequente prática do bem.
No evangelho, as palavras de Jesus apontam para o mesmo. Os primeiros, no Seu ver e agir, são os que servem.
No evangelho, as palavras de Jesus apontam para o mesmo. Os primeiros, no Seu ver e agir, são os que servem.
sábado, 30 de maio de 2015
Sabedoria: a alegria do meu coração!
Eu Vos louvarei e darei graças, meu Deus, bendizendo o nome do Senhor. Na minha juventude, antes de andar errante, busquei abertamente a sabedoria na minha oração. Pedi-a diante do santuário e procurá-la-ei até ao fim da vida. Quando florescia como uva temporã, ela era a alegria do meu coração. Os meus pés andaram por caminho recto e segui na sua esteira desde a juventude. Mal lhe prestei ouvidos, logo a recebi e encontrei para mim abundante instrução. Graças a ela, fiz grandes progressos: darei glória Àquele que me deu a sabedoria. Porque eu decidi pô-la em prática, procurei zelosamente o bem e não serei confundido. A minha alma combateu corajosamente por ela e fui muito diligente na observância da Lei. Levantei as minhas mãos para o alto e compreendi os seus mistérios. Dirigi para ela a minha alma e encontrei-a na pureza de vida. Com ela, desde o princípio, adquiri inteligência; por isso não serei abandonado (Sir 51, 17-27).
Oração e sabedoria.
Melhor, a oração que conduz à sabedoria. Ben Sirá dá testemunho do que foi e do que tem sido a sua vida de oração. Desde a juventude, na oração, pediu a sabedoria a Deus, procurando orientar-se, em todas as fases da sua vida, por essa mesma sabedoria dada por Deus.
Agora é tempo de dar graças a Deus por lhe ter aberto a mente e o coração para acolher a sabedoria e a disponibilidade para viver diante de Deus, observando diligentemente a Sua Lei.
Deixemo-nos também nós guiar por esta sabedoria que nos vem de Deus e não cessemos de a pedir na nossa oração.
segunda-feira, 25 de maio de 2015
Enquanto tens vida e saúde, louva o Senhor
O Senhor permite que voltem para Ele os que se arrependem e reconforta aqueles que tinham perdido a esperança. Converte-te ao Senhor e abandona o pecado, ora na sua presença e atenua assim a tua ofensa. Volta-te para o Altíssimo e afasta-te da injustiça e detesta profundamente a iniquidade. Conhece a justiça e os juízos de Deus e permanece constante na oferenda e na oração ao Deus Altíssimo...
Louva o Senhor enquanto viveres, louva-O enquanto tens vida e saúde, louva a Deus e glorifica-O pela sua misericórdia. Como é grande a misericórdia do Senhor e o seu perdão para os que a Ele se convertem! (Sir 17, 20-28).

Jesus afirmou-lhes de novo: «Meus filhos, como é difícil entrar no reino de Deus! É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus». Eles admiraram-se ainda mais e diziam uns aos outros: «Quem pode então salvar-se?». Fitando neles os olhos, Jesus respondeu: «Aos homens é impossível, mas não a Deus, porque a Deus tudo é possível» (Mc 10, 17-27).
Jesus encontra-se com o jovem rico, um homem bom, com um coração a precisar de encontrar um sentido novo para a vida, com o anseio de voar mais alto. Cumpre o que social e religiosamente lhe é exigido, mas ainda assim sente-se inquieto, insatisfeito. Jesus faz-lhe uma proposta mais radical: vai vende o que tens, dá aos pobres e depois vem e segue-Me. O jovem, contudo, ainda não está preparado para o que o coração lhe pede e afasta-se entristecido, como triste fica Jesus por tal decisão. É neste contexto que Jesus diz aos seus discípulos que a salvação é, inevitavelmente, obra de Deus. A nós cabe-nos acolhê-la com alegria e generosidade.
No texto de Ben Sirá, a recomendação para em vida nos convertermos ao Senhor, enquanto temos vida e saúde, na certeza que Deus está sempre pronto a perdoar e a acolher-nos, na certeza que nos compensará, Ele nunca nos falta.
Dois textos que vale a pena ler com muita atenção, meditar sobre eles e sobretudo para nos deixarmos guiar por tão sábias palavras.
quarta-feira, 2 de julho de 2014
Procurai o bem e não o mal
Procurai o bem e não o mal, para que vivais. Assim, o Senhor, Deus do Universo, estará convosco, como vós dizeis. Detestai o mal e amai o bem, restabelecei a justiça no tribunal. Talvez o Senhor, Deus do Universo, tenha compaixão dos sobreviventes de José. Eu detesto e desprezo as vossa festas, desgostam-Me as vossas reuniões sagradas. Se Me ofereceis holocaustos e oblações, Eu não quero aceitá-los; e para os vossos sacrifícios de animais gordos, nem sequer Me digno olhar. Afastai de Mim o barulho dos vossos cânticos, que Eu não quero ouvir o som das vossas harpas. Mas fazei que o direito corra como as águas e a justiça como rio inesgotável (Am 5, 14-15.21-24).

O profeta Amós, de forma clarividente, mostra a relação entre a fé e a vida, entre o amor a Deus, a religião, e o amor ao próximo, a fraternidade. As orações, os cânticos de louvor, as oblações, os ritos do templo, não têm qualquer significado se a justiça e o direito não forem restabelecidos. Como muitas vezes ouviremos no Novo Testamento, o amor a Deus e o amor ao próximo são concumitantes, interligam-se mutuamente, não existem separados.
segunda-feira, 9 de julho de 2012
Desposar-te-ei com fidelidade
Eis o que diz o Senhor: «Hei-de atrair ao meu amor a casa de Israel, hei-de conduzi-la ao deserto e falar-lhe ao coração. Ali corresponderá como nos dias da sua juventude, quando saiu da terra do Egipto. Nesse dia, diz o Senhor, chamar-Me-ás ‘meu marido’ e não ‘meu baal’. Farei de ti minha esposa para sempre, desposar-te-ei segundo a justiça e o direito, com amor e misericórdia. Desposar-te-ei com fidelidade e tu conhecerás o Senhor» (Os 2, 16.17b-18.21-22).

A imagem utilizada pelo profeta Oseias é significativa, comparando o amor de Deus por Israel, pelo povo, com o amor do marido pela esposa. No contexto mais basto do texto, o marido ama de tal forma a esposa, que mesmo depois da traição, paga por ela, como prostituta e acolhe-a novamente em seu leito. Tal é o amor. Assim também Deus para connosco. Na infedilidade, nos desvios, Deus continua a ser fel e a chamar-nos ao Seu amor.
terça-feira, 29 de novembro de 2011
Não julgará segundo as aparências...
A leitura proposta para este dia, do Profeta Isaías, é muito expressiva, vale a pena ler e reler com muita atenção:
"Sairá um ramo do tronco de Jessé e um rebento brotará das suas raízes.
Sobre ele repousará o espírito do Senhor: espírito de sabedoria e de
inteligência, espírito de conselho e de fortaleza, espírito de
conhecimento e de temor de Deus. Animado assim do temor de Deus, não
julgará segundo as aparências, nem decidirá pelo que ouvir dizer.
Julgará os infelizes com justiça e com sentenças rectas os humildes do
povo. Com o chicote da sua palavra atingirá o violento e com o sopro dos
seus lábios exterminará o ímpio. A justiça será a faixa dos seus rins e
a lealdade a cintura dos seus flancos. O lobo viverá com o cordeiro e a
pantera dormirá com o cabrito; o bezerro e o leãozinho andarão juntos e
um menino os poderá conduzir. A vitela e a ursa pastarão juntamente,
suas crias dormirão lado a lado; e o leão comerá feno como o boi. A
criança de leite brincará junto ao ninho da cobra e o menino meterá a
mão na toca da víbora. Não mais praticarão o mal nem a destruição em
todo o meu santo monte: o conhecimento do Senhor encherá o país, como as
águas enchem o leito do mar. Nesse dia, a raiz de Jessé surgirá como
bandeira dos povos; as nações virão procurá-la e a sua morada será
gloriosa" (Is 11, 1-10).
O Profeta (do Advento) anuncia breve a chegada do Messias, da parte de Deus, saído do tronco de Jessé, sobre Ele repousará o espírito do Senhor, com Ele o espírito de sabedoria, de inteligência, de conselho, de fortaleza, de conhecimento e de temor a Deus. Com Ele um tempo novo, um reino em que a soberania será da conciliação e da paz, em que a harmonia entre pessoas e povos se estenderá à harmonia com todo o universo, com a própria natureza.
Ele não julgará pelas aparência, pois conhecerá o nosso íntimo. É também este um desafio importante para nós, não julgarmos pelas aparências, mas aguardamos com optimismo as surpresas que nos chegam dos outros, dando-lhes tempo e oportunidade para mostrarem o melhor de si mesmas.
segunda-feira, 30 de maio de 2011
Abrão, Isaac e opção pela Vida - Gn 21,8-21
Algum tempo depois, Deus colocou à prova a fé de Abraão. “Pega no teu filho Isaac” – disse Deus, “o filho que tanto amas. Vai até ao cimo de uma montanha na terra de Moriá. Aí, deves sacrificá-lo em meu nome”.
Abraão não questionou aquilo que escutara. A prática de sacrificar crianças não era estranha entre alguns dos povos vizinhos. Na manhã seguinte, cortou lenha para a fogueira, albardou o jumento e partiu para a montanha com Isaac e dois servos. Ele tinha-os informado que iria fazer um sacrifício, não havia explicado mais nada.
À medida que se aproximavam da montanha, Abraão pediu aos servos para esperar com o jumento, enquanto ele e Isaac iriam prosseguir com a cerimónia.
Isaac transportou a lenha. Abraão levava uma faca e um pote com brasas para acender a fogueira.
“Oh, sabeis do que nos esquecemos?” – perguntou Isaac. – “Não temos o cordeiro para o sacrifício!”
“Deus tratará de arranjar um” – respondeu Abraão, lacónico.
Os dois continuaram a subir. No cimo da montanha, Abraão construiu um altar em pedra e deitou sobre este a lenha. Subitamente, agarrou Isaac com violência, amarrou-o e deitou-o em cima do altar. Levantou a sua faca. “Abraão” – chamou Deus.
“Aqui me tendes” – respondeu Abraão. “Não magoes o teu filho” – disse Deus. “Tudo isto Me provou que estás disposto a obedecer-me”. Abraão baixou a faca. Olhou à sua volta. Atrás de si encontrava-se um carneiro selvagem, preso num silvado. Abraão desamarrou o seu filho e sacrificou o carneiro. O seu amado filho estava salvo. “A partir de agora” – disse Deus, “podeis estar certo de que abençoarei o teu filho e os filhos do teu filho por todas as gerações vindouras”.
À medida que se aproximavam da montanha, Abraão pediu aos servos para esperar com o jumento, enquanto ele e Isaac iriam prosseguir com a cerimónia.
Isaac transportou a lenha. Abraão levava uma faca e um pote com brasas para acender a fogueira.
“Oh, sabeis do que nos esquecemos?” – perguntou Isaac. – “Não temos o cordeiro para o sacrifício!”
“Deus tratará de arranjar um” – respondeu Abraão, lacónico.
Os dois continuaram a subir. No cimo da montanha, Abraão construiu um altar em pedra e deitou sobre este a lenha. Subitamente, agarrou Isaac com violência, amarrou-o e deitou-o em cima do altar. Levantou a sua faca. “Abraão” – chamou Deus.
“Aqui me tendes” – respondeu Abraão. “Não magoes o teu filho” – disse Deus. “Tudo isto Me provou que estás disposto a obedecer-me”. Abraão baixou a faca. Olhou à sua volta. Atrás de si encontrava-se um carneiro selvagem, preso num silvado. Abraão desamarrou o seu filho e sacrificou o carneiro. O seu amado filho estava salvo. “A partir de agora” – disse Deus, “podeis estar certo de que abençoarei o teu filho e os filhos do teu filho por todas as gerações vindouras”.
quarta-feira, 16 de março de 2011
Nínive será destruída...
Jonas entrou na cidade e caminhou durante um dia, apregoando: «Daqui a quarenta dias, Nínive será destruída». Os habitantes de Nínive acreditaram em Deus, proclamaram um jejum e revestiram-se de sacos, desde o maior ao mais pequeno. Logo que a notícia chegou ao rei de Nínive, ele ergueu-se do trono e tirou o manto, cobriu-se de saco e sentou-se sobre a cinza. Depois foi proclamado em Nínive um decreto do rei e dos seus ministros, que dizia: «Os homens e os animais, os bois e as ovelhas, não provem alimento, não pastem nem bebam água. Os homens e os animais revistam-se de sacos e clamem a Deus com vigor; afaste-se cada um do seu mau caminho e das violências que tenha praticado. Quem sabe? Talvez Deus reconsidere e desista, acalmando o ardor da sua ira, de modo que não pereçamos». Quando Deus viu as suas obras e como se convertiam do seu mau caminho, desistiu do castigo com que os ameaçara e não o executou (Jonas 3, 1-10).
A misericórdia de Deus é infinita.
Ele não desiste de nós, mesmo que nós nos afastemos dos Seus mandamentos e do Seu caminho.
Deus não cessa de vir ao nosso encontro e nos desafiar a uma vida nova.
Neste texto de Jonas, como a reflexão que hoje Jesus deixa no Evangelho, aludindo a este episódio de conversão, Deus não quer a condenação nem do justo nem do pecador mas que todos se convertam e convertendo-se se salvem, neste tempo e na eternidade futura.
O povo de Nínive soube responder claramente às palavras de Deus, arrependeu-se do seu mau caminho, penitenciando-se com gestos concretos, na perspectiva de mudarem os seus hábitos, para entrarem no caminho do Senhor.
segunda-feira, 14 de março de 2011
Amarás o teu próximo como a ti mesmo
«‘Sede santos, porque Eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo. Não furtareis, não direis mentiras, nem cometereis fraudes uns com os outros. Não prestarás juramento falso, invocando o meu nome, pois profanarias o nome do teu Deus. Eu sou o Senhor. Não oprimirás nem expropriarás o teu próximo. Não ficará contigo até ao dia seguinte o salário do jornaleiro. Não insultarás um surdo nem colocarás tropeços diante de um cego, mas temerás o teu Deus. Eu sou o Senhor. Não cometerás injustiças nos teus julgamentos: não favorecerás indevidamente um pobre, nem darás preferência ao poderoso; julgarás o teu próximo segundo a justiça. Não caluniarás os teus parentes, nem conspirarás contra a vida do teu próximo. Eu sou o Senhor. Não odiarás do íntimo do coração os teus irmãos, mas corrigirás o teu próximo, para não incorreres em falta por causa dele. Não te vingarás, nem guardarás rancor contra os filhos do teu povo. Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor’» ( Lev 19, 1-2.11-18).
Os mandamentos dados por Deus ao Povo eleito, através de Moisés, revelam uma grande avanço na convivência entres as pessoas e entre as nações. Com efeito, a Lei é um instrumento ao serviço da paz, da justiça, da dignidade das pessoas, de protecção e promoção da vida, de respeito pela propriedade privada, e igualdade no tratamento das pessoas, respeitando-as por seres pessoas e não por serem mais pobres ou mais ricas.
Sublinha-se também e antes de mais, a adoração prestada a Deus como referência para os comportamentos e atitudes. Numa palavra, como nos diz o texto sagrado, a fé em Deus levará certamente a amar o próximo como a nós mesmos.
sábado, 12 de março de 2011
Tira do meio de ti toda a opressão
Eis o que diz o Senhor: «Se tirares do meio de ti toda a opressão, os gestos de ameaça e as palavras ofensivas, se deres do teu pão ao faminto e matares a fome ao indigente, brilhará na escuridão a tua luz e a tua noite será como o meio-dia. O Senhor será sempre o teu guia e saciará a tua alma nos lugares desertos...» (Is 58, 9b-14).
Na Quaresma vêm ao de cima práticas ancestrais de penitência, de sacrifício, de reparação. O povo da Antiga Aliança era pródiga no cumprimento destas práticas penitenciais. Mas logo os profetas vêm lembrar que os ritos exteriores de nada valem se não levarem a pessoa à mudança de vida, à prática da caridade, a viver no bem e na verdade.
Hoje, uma vez mais, o profeta Isaías aponta-nos o caminho da luz: afastar a opressão, as palavras ofensivas, partilhar o pão... Este é o autêntico jejum, seguir os caminhos do Senhor.
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
O riso de Sara(i)

Abrão tem agora noventa e nove anos de idade.
“Tereis de continuar a confiar em mim” – disse Deus, – “o teu nome deixará de ser Abrão e passará a ser Abraão: o Pai de muitas nações. O nome da tua esposa deixará de ser Sarai e passará a ser Sara: princesa. Ela será a mãe de muitas nações.
Abraão abanou a cabeça. “Somos ambos velhos” – argumentou, – “porque não deixar Ismael ser meu herdeiro?”
“A promessa que te fiz há tanto tempo irá concretizar-se através do filho de Sara” – respondeu Deus, –“irás chamá-lo de Isaac”.
Abraão aceitou a promessa de Deus. Não demorou muito até à chegada de três visitantes.
Abraão apressou-se a saudá-los. “por favor, bebam alguma água” – disse ele, “e tomem uma refeição para vos fortalecer”. Correu até Sara e pediu-lhe que começasse a cozinhar. Abraão ofereceu aos homens comida, enquanto Sara permanecia na tenda.
“Onde está a vossa esposa?” – perguntaram eles e Abraão explicou-lhes. Eles pediram-lhe para que se aproximasse.
“Daqui a nove meses ela será mãe, e vós sereis pai de um menino!” – sussurraram.
Sara não pôde deixar de escutar. “Com a minha idade!” – pensou, – “aqueles homens não sabem o que dizem!” Ao pensar na tolice destes deu uma valente gargalhada.
Deus falou a Abraão: “Porque se riu Sara? Ela não acredita que posso dar-vos um filho?”
Quando Sara se apercebeu que Abraão sabia da sua reacção de desdenho, teve medo. “Eu não me ri!” “Sim, riste” foi a resposta. Era a voz de Deus que falava.
“Querido Deus, obrigado, pois tudo o que prometeis pode concretizar-se”
Mónica Aleixo, in Boletim Voz Jovem, Dezembro 2010.
sábado, 23 de outubro de 2010
XXX Domingo Tempo Comum - 24/Outubro
1 – "O Senhor é um juiz que não faz acepção de pessoas. Não favorece ninguém em prejuízo do pobre e atende a prece do oprimido. Não despreza a súplica do órfão nem os gemidos da viúva. Quem adora a Deus será bem acolhido e a sua prece sobe até às nuvens. A oração do humilde atravessa as nuvens e não descansa enquanto não chega ao seu destino. Não desiste, até que o Altíssimo o atenda, para estabelecer o direito dos justos e fazer justiça" (Primeira Leitura).
Deus, oração e humildade. A oração feita em humildade leva-nos ao coração de Deus. Ele não deixa de atender a todo aquele que se Lhe dirige com sinceridade. E atende sobretudo o pobre, não para discriminar, mas para a todos incluir.
Deus olha ao coração e não às aparências. Não faz acepção de pessoas. Não atende o que é mais rico ou mais poderoso. Escuta todos, sobretudo o que tem o coração disponível para rezar, para acolher, para agradecer, para se transformar, para se converter.
2 – Só a humildade nos liga aos outros e a Deus. A arrogância e a prepotência afastam-nos do diálogo, da entreajuda, do convívio, da comunhão, da caridade, da partilha solidária. Se eu não preciso de ninguém e também não preciso de nada, também perco a vontade de me envolver em projectos de caridade, de vivência em grupo. Se cheguei aqui, que os outros façam por isso que também hão-de chegar. Eu sou bom, sou melhor que todos, estou acima de todos, só o que eu faço é que conta.
Jesus conta uma parábola "para alguns que se consideravam justos e desprezavam os outros". Dois homens que sobem ao templo para rezar, um publicano e um fariseu. Este, na sua oração, coloca-se acima do outro, é melhor, tem tudo o que é preciso aos olhos de Deus e dos homens. O outro é um pecador e a sua oração é de conversão, não se atrevendo a levantar os olhos, reconhecendo a sua pequenez diante de Deus. Este, porém, diz-nos Jesus, é o que sai justificado diante de Deus, "porque todo aquele que se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado" (Evangelho).
2 – Só a humildade nos liga aos outros e a Deus. A arrogância e a prepotência afastam-nos do diálogo, da entreajuda, do convívio, da comunhão, da caridade, da partilha solidária. Se eu não preciso de ninguém e também não preciso de nada, também perco a vontade de me envolver em projectos de caridade, de vivência em grupo. Se cheguei aqui, que os outros façam por isso que também hão-de chegar. Eu sou bom, sou melhor que todos, estou acima de todos, só o que eu faço é que conta.

3 – A psicologia mostra-nos que na realidade todos precisamos de reconhecimento e da aprovação dos outros. Jesus sabe isso muito bem! Quando nos ignoram, reagimos. Uns pela maledicência, procurando destruir aqueles que eventualmente têm uma aceitação maior. Outros, caem na depressão, ou num humor doentio, cruzam os braços, deixam-se dominar pelo pessimismo. Outros, vão à luta, pela positiva ou pela negativa. Estes, criam situações em que apostam tudo na imagem, mesmo que não haja verdade, conteúdo, mesmo que aquilo que façam só lhes sirva a eles pessoalmente. Aqueles, procurando com perseverança fazer o bem, praticar a justiça, viver em atitude de caridade, sabendo que o próprio facto de estarem a agir correctamente já é compensação.
Na escola ou numa turma, há alunos que chamam à atenção pela sua inteligência, pela sua criatividade, pela grande humanidade na relação com os outros. Há alunos que são reconhecidos pelo seu trabalho, pela humildade, pela dedicação em tudo o que fazem, pela disponibilidade em aprender e em serem ajudados. E há alunos que seguem o caminho mais fácil. Têm talentos que poderiam ser uma oportunidade de crescerem, de ajudarem os outros e de se evidenciarem, exigiria, porém, um pouco mais de trabalho, de dedicação e de esforço. Vêm os comportamentos e atitudes de conflitualidade, de agressão, de provocação, procurando estar no centro de todas as atenções. É assim também em outros palcos da existência humana.
Com efeito, há sempre escolhas e caminhos que nos levam aos outros e nos abrem o coração para Deus.
4 – Diante dos outros até podemos fabricar uma imagem, mas não diante de Deus – Ele tudo vê, perscruta a nossa alma, o nosso íntimo. Sabendo que Ele nos ama infinitamente como somos, e não como poderemos aparentar, procuremos viver na verdade, colocando-nos inteiramente disponíveis para O acolher, para O escutar, para deixar que Ele nos transforme interiormente. Que a nossa oração seja a do pecador, cuja alma é enorme para se abrir ao Outro, para se abrir ao semelhante.
É nesta humildade orante que somos enviados a testemunhar ao mundo o AMOR que Ele nos dá. A pregação do Evangelho nasce da conversão, da atitude orante, deixando que seja Deus a guiar-nos para o bem e para a verdade. Diz-nos São Paulo, na segunda leitura, "o Senhor esteve a meu lado e deu-me força, para que, por meu intermédio, a mensagem do Evangelho fosse plenamente proclamada e todas as nações a ouvissem".
Não precisamos de dizer muitas coisas a Deus, precisamos que seja o nosso coração a falar-Lhe. Não precisamos de dizer muitas palavras para falar de Deus, precisamos de viver ao jeito de Jesus Cristo, fazendo que os nossos gestos e atitudes sejam expressão do Deus que nos habita.
____________________________É nesta humildade orante que somos enviados a testemunhar ao mundo o AMOR que Ele nos dá. A pregação do Evangelho nasce da conversão, da atitude orante, deixando que seja Deus a guiar-nos para o bem e para a verdade. Diz-nos São Paulo, na segunda leitura, "o Senhor esteve a meu lado e deu-me força, para que, por meu intermédio, a mensagem do Evangelho fosse plenamente proclamada e todas as nações a ouvissem".
Não precisamos de dizer muitas coisas a Deus, precisamos que seja o nosso coração a falar-Lhe. Não precisamos de dizer muitas palavras para falar de Deus, precisamos de viver ao jeito de Jesus Cristo, fazendo que os nossos gestos e atitudes sejam expressão do Deus que nos habita.
Textos para a Eucaristia (ano C): Sir 35, 15b-17.20-22a; 2 Tim 4, 6-8.16-18; Lc18, 9-14
Reflexão Dominical na página da Paróquia de Tabuaço
sábado, 16 de outubro de 2010
XXIX Domingo Tempo Comum - 17/outubro
1 – A oração é a expressão da nossa fé. É, para todo o homem crente, um espaço vital, de encontro consigo mesmo, ouvindo a voz da sua consciência, de diálogo com Deus, deixando que o Espírito Santo inspire os seus desejos e acções, de distanciamento em relação aos outros e ao mundo, para se converter num maior compromisso com a realidade circundante.


Dito de outra forma, a oração coloca-nos antes de mais e sobretudo na intimidade com Deus, escutando a voz da nossa consciência, onde nos encontramos connosco e com a voz de Deus que fala em nós. Contudo, a oração não é estanque, como o não é a fé. Não é algo de abstracto ou desligado da vida. Mesmo que a oração exija distanciamento, recolhimento, silêncio, retiro em relação a pessoas e espaços, é sempre aberta e comprometida com o bem dos outros e com a transformação do mundo. Tal como a fé leva à caridade e nela se fortalece, assim também a oração nos leva a Deus, no-l’O traz ao nosso íntimo, e nos embrenha na acção, na prática do bem, da justiça, na vivência da caridade. Uma oração que não nos comprometesse com os outros e com o mundo, seria uma oração vazia.
Mesmo que seja súplica, ou agradecimento (sobretudo pessoal), a oração conduz-nos à comunidade, na partilha, no aprofundamento da fé, no testemunho de vida, na celebração. Quem se sente abençoado não deixará de extravasar para os outros a sua alegria. Quem sofre deverá assumir em humildade a comunhão de outros, sentindo-se mais fortalecido pela oração e pelos gestos de apoio de toda a comunidade.
2 – Somos convidados à oração por diversos motivos e por várias necessidades. E, do mesmo modo, poderemos ter posturas diferentes em relação aos frutos da oração, seja pessoal ou comunitária. A oração pode ser súplica, prece, agradecimento, promessa, partilha da fé. Pode enriquecer-nos interiormente, ser conversão, amadurecimento, compromisso com os outros. Mas sempre nos coloca na rota de Deus, a Quem nos dirigimos e a Quem acolhemos no nosso íntimo, a Quem agradecemos e/ou com Quem "discutimos".
Às vezes a oração dá-nos certezas, outras vezes provoca-nos inquietações. Mas que sempre nos conduza a sermos melhores, mais santos, mais felizes.
Na primeira leitura há uma ligação de causa e efeito, entre a oração e as suas consequências: "quando Moisés tinha as mãos levantadas, Israel ganhava vantagem; mas quando as deixava cair, tinha vantagem Amalec".
3 – Porém, nem sempre a oração nos traz conforto, ou respostas imediatas. Quantas vezes rezamos, voltamos a rezar e ficamos com a sensação que não somos ou não fomos ouvidos nas nossas súplicas?! Talvez até aconteça que quando tudo nos corre de feição tenhamos disponibilidade interior para rezar e agradecer, mas logo que alguma dificuldade nos bate à porta, logo duvidamos da oração, de Deus, da fé que professamos!
As leituras de hoje dizem-nos que podemos sempre confiar mesmo quando nos parece que Deus não nos escuta. No Salmo, o autor sagrado mostra-se convicto: "O Senhor te defende de todo o mal, o Senhor vela pela tua vida. Ele te protege quando vais e quando vens, agora e para sempre".


No Evangelho, por sua vez, Jesus utiliza uma parábola sobre uma mulher pobre e um juiz iníquo que, sendo desonesto e egoísta, demora em responder aos apelos da pobre viúva, mas atende-a para que ela não o importune continuamente. E Jesus contrapõe: "E Deus não havia de fazer justiça aos seus eleitos, que por Ele clamam dia e noite, e iria fazê-los esperar muito tempo? Eu vos digo que lhes fará justiça bem depressa. Mas quando voltar o Filho do homem, encontrará fé sobre esta terra?"
Fica depois este questionamento de Jesus: Deus responderá e nós cultivaremos a fé no meio das dificuldades e das dúvidas?!
4 – A fé, como a oração, em Jesus Cristo, leva-nos ao seguimento. Seguir Jesus compromete-nos com a Sua palavra, com os seus ensinamentos. Acolhemo-l'O na nossa vida, para O anunciar ao mundo inteiro. A oração permite-nos viver na intimidade com Deus, em Jesus Cristo, no Espírito Santo. Mas é uma intimidade e um amor que necessita de ser anunciado, partilhado, testemunhado.
Ouçamos as palavras de São Paulo a Timóteo e a cada um de nós, na segunda leitura, "Permanece firme no que aprendeste e aceitaste como certo, sabendo de quem o aprendeste. Desde a infância conheces as Sagradas Escrituras; elas podem dar-te a sabedoria que leva à salvação, pela fé em Cristo Jesus. Toda a Escritura, inspirada por Deus, é útil para ensinar, persuadir, corrigir e formar segundo a justiça... Proclama a palavra, insiste a propósito e fora de propósito, argumenta, ameaça e exorta, com toda a paciência e doutrina".
O compromisso em Cristo leva-nos à missão. Não recebemos a Palavra de Deus, a Sua graça e sabedoria, para a aprisionarmos, mas para a partilharmos e quanto mais a partilharmos melhor a acolheremos.
____________________________Ouçamos as palavras de São Paulo a Timóteo e a cada um de nós, na segunda leitura, "Permanece firme no que aprendeste e aceitaste como certo, sabendo de quem o aprendeste. Desde a infância conheces as Sagradas Escrituras; elas podem dar-te a sabedoria que leva à salvação, pela fé em Cristo Jesus. Toda a Escritura, inspirada por Deus, é útil para ensinar, persuadir, corrigir e formar segundo a justiça... Proclama a palavra, insiste a propósito e fora de propósito, argumenta, ameaça e exorta, com toda a paciência e doutrina".
O compromisso em Cristo leva-nos à missão. Não recebemos a Palavra de Deus, a Sua graça e sabedoria, para a aprisionarmos, mas para a partilharmos e quanto mais a partilharmos melhor a acolheremos.
Textos para a Eucaristia (ano C): Ex 17,8-13a; Salmo 120 (121); 2 Tim 3,14-4,2; Lc 18,1-8
Reflexão Dominical na página da Paróquia de Tabuaço.
sábado, 9 de outubro de 2010
XXVIII Domingo Tempo Comum - 10/outubro
1 – Uma característica fundamental para se ser feliz é a humildade. Do mesmo modo para se ser santo. Santidade e felicidade, para o cristão, são termos equivalentes. A humildade coloca-nos em comunhão com os outros e em comunhão com o Totalmente Outro (ou melhor, o Totalmente Próximo). Leva-nos a reconhecer a nossa indigência, as nossas limitações, a nossa finitude, não como fatalidade, mas como abertura solidária e aceitação do outro e da sua ajuda.
A soberba e a arrogância, expressões da auto-suficiência, encerram a pessoa em si mesmo. Com efeito, aquele que se considera independente em relação a tudo e a todos, assume não precisar de ninguém. Fecha o coração ao Outro (como próximo e como Deus). Não precisa de salvação. Fecha-se a novas descobertas, a novos encontros, ao conhecimento que vem dos outros e do mundo, fecha-se à esperança e ao futuro.
A soberba e a arrogância, expressões da auto-suficiência, encerram a pessoa em si mesmo. Com efeito, aquele que se considera independente em relação a tudo e a todos, assume não precisar de ninguém. Fecha o coração ao Outro (como próximo e como Deus). Não precisa de salvação. Fecha-se a novas descobertas, a novos encontros, ao conhecimento que vem dos outros e do mundo, fecha-se à esperança e ao futuro.
O Mestre dos Mestres, Jesus Cristo, mostra-nos que a humildade nada nos tira, mas pode dar-nos o essencial, a própria vida em abundância que Ele nos traz, o próprio Deus.

2 – Na liturgia da palavra deste domingo, salienta-se a humildade para acolher a salvação, ainda que esta possa vir de fora, doutra religião e de outra nacionalidade, e sobretudo do Alto, e para agradecer o DOM recebido.
Na primeira leitura, é-nos apresentada a última parte de um episódio que exige a humildade para se dar a cura/salvação. Um general sírio, chamado Naamã, ouve falar de Deus que Se revela a Israel, e do Seu poder. Estando leproso, depois de recorrer a vários meios, resolve tentar a religião judaica e o profeta Eliseu. Este manda-o lavar-se sete vezes no rio Jordão. Num primeiro momento vem o orgulho e a soberba. O general recusa-se, dizendo que no seu país também existem rios. Esperava uma intervenção imediata e milagrosa de Deus. Eliseu exige-lhe um gesto simples mas que implica a renúncia ao preconceito e à presunção. O próprio servo do general lhe lembra que não é nada de especial, não é nada que não se possa fazer facilmente. E então "o general sírio Naamã desceu ao Jordão e aí mergulhou sete vezes, como lhe mandara Eliseu, o homem de Deus".
No Evangelho, 10 leprosos vão até Jesus. Desde logo, a humildade para reconhecer a necessidade de cura. Jesus manda-os mostrar-se ao sacerdote. Algo de muito simples. A salvação de Deus é DOM que nos envolve, exige um movimento de aceitação da nossa parte.
3 – Mas a humildade também nos leva à gratidão, que por sua vez nos abre novas janelas para o futuro. O general Naamã volta para agradecer a Eliseu. Este cumpriu como intermediário da graça de Deus e, por conseguinte, a gratidão deve orientar-se para Deus. Também os dons que Deus nos dá são para colocarmos ao serviço uns dos outros.
No Evangelho, dos 10 leprosos, só um volta para agradecer a Jesus, glorificando a Deus: "um deles, ao ver-se curado, voltou atrás, glorificando a Deus em alta voz, e prostrou-se de rosto por terra aos pés de Jesus para Lhe agradecer. Era um samaritano. Jesus, tomando a palavra, disse: «Não foram dez que ficaram curados? Onde estão os outros nove? Não se encontrou quem voltasse para dar glória a Deus senão este estrangeiro?»"
Quantas vezes, bafejados pela vida, não nos damos conta dos bens que recebemos de Deus, na nossa família, dos que nos são próximos!
4 – A Epístola de São Paulo a Timóteo, ainda que de forma diversa, também nos fala da humildade do testemunho: recebemos de Deus, para darmos do que recebemos. "Se morremos com Cristo, também com Ele viveremos; se sofremos com Cristo, também com Ele reinaremos; se O negarmos, também Ele nos negará; se Lhe formos infiéis, Ele permanece fiel, porque não pode negar-Se a Si mesmo".
O testemunho é essencial no cristão: aquele que se sabe salvo por Deus, em Jesus Cristo, e que deixa transparecer a alegria, nas palavras e nas obras, para todo o mundo. A LUZ de Deus que irradia em nós torna-nos luminosos. Não opacos. É uma luz que incendeia o nosso coração, que queima, que transforma, que ilumina, e que não podemos encerrar em nós.
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Textos para a Eucaristia (ano C): 2 Reis 5,14-17; 2 Tim 2,8-13; Lc 17,11-19 sábado, 25 de setembro de 2010
Milagre de Moisés à luz da ciência
Um vento de cem quilómetros por hora permitiria separação das águas, mas não no mar Vermelho
Segundo a Bíblia, Moisés ergueu as mãos para o mar Vermelho e durante toda a noite Deus separou as águas com um forte vento de leste para permitir a fuga do povo hebreu do Egipto para a Palestina. De manhã, quando o exército do faraó os tenta seguir, foi engolido pelas águas. Agora, uma nova simulação de computador concluiu que um fenómeno natural pode realmente ter permitido este milagre, mas não no mar Vermelho.
"As pessoas sempre ficaram fascinadas com esta história do Livro do Êxodo, perguntando-se se tem origem em factos históricos", disse o investigador do Centro Nacional para a Pesquisa Atmosférica norte-americano, Carl Drews. "O que este estudo mostra é que a descrição da separação das águas tem por base leis da física", acrescentou o principal autor do estudo publicado online no jornal científico PloS ONE.
Com o recurso a antigos mapas topográficos, registos arqueológicos e modernas medições de satélite, a equipa encontrou um possível local para a travessia: não no mar Vermelho, onde normalmente se localiza o acontecimento de há três mil anos, mas numa área no delta do Nilo, onde aparentemente um ramo do rio inundava o antigo lago de Tanis.
Aí, um vento de leste a soprar a uma velocidade de um pouco mais de cem quilómetros por hora, durante oito horas, teria permitido afastar as águas (com 1,8 metros de profundidade). Uma faixa de terra lamacenta com entre 3,2 e quatro quilómetros de comprimento e 4,8 quilómetros de largura teria ficado a descoberto durante quatro horas, com duas paredes de água de ambos os lados. Assim que o vento parasse, o caminho teria ficado alagado.
"A simulação corresponde de forma bastante rigorosa com o relato do Êxodo", indicou Drews, no texto que acompanha as conclusões do estudo. "A separação das águas pode ser percebida através da dinâmica de fluidos. O vento move a água de acordo com as leis da física, criando uma passagem segura com a água nos dois lados e depois permitindo uma rápida inundação", acrescentou.
Este tipo de vento, capaz de diminuir as águas num determinado local e empurrá-las para outro, já foi documentado várias vezes - aconteceu, por exemplo, no Lago Erie perto de Toledo, no Ohio. Em pelo menos uma ocasião foi também detectado no delta do Nilo no século XIX, quando as águas terão recuado cerca de 1500 metros.
Uma anterior simulação de computador, feita por cientistas russos, tinha estabelecido que seriam necessários ventos de nordeste de pelo menos 120 quilómetros por hora para criar uma passagem no mar Vermelho, perto do actual Canal do Suez. Mas Drews e a sua equipa duvidam que fosse possível os refugiados caminharem com ventos tão fortes, explicando que o solo tinha de ser totalmente liso para permitir que a água recuasse em apenas 12 horas.
O novo estudo, que contou com a colaboração da Universidade de Colorado, é parte de uma investigação maior sobre o impacto dos ventos na profundidade das águas. Drews espera que, ao dar esta nova localização para o milagre de Moisés, possa ajudar os arqueólogos a descobrir provas concretas deste evento.
Fonte: Diário de Notícias.
Nota:
Diga-se que a Igreja e a reflexão teológica já tinham explicado que o milagre da separação das águas e a passagem a pé enxuto era sobretudo uma feliz coincidência das condições naturais, conjugando a altura do ano, o clima... O facto de a ciência demonstrar que o "milagre" de Moisés é possível, é mais um argumento para a veracidade/fundamentação de tal coincidência, que Moisés e o Povo interpretaram como milagre.
Como disse um dia Laurinda Alves, os milagres são coincidências através das quais Deus nos mostra o Seu caminho...
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Vaidade das Vaidades
"Vaidade das vaidades
– diz Coelet –
vaidade das vaidades, tudo é vaidade.
Que aproveita ao homem todo o esforço
com que trabalha debaixo do sol?
Passa uma geração,
vem outra geração e a terra permanece sempre.
Nasce o sol e põe-se o sol;
depressa volta ao ponto de partida, donde volta a nascer.
O vento sopra do sul, depois sopra do norte;
num vaivém constante, retoma os seus caminhos.
Todos os rios vão ter ao mar e o mar nunca se enche;
e embora cheguem ao ao seu termo, jamais deixam de correr.
Todas as coisas se afadigam, mais de quanto se pode explicar;
o olhar não se farta de ver, nem o ouvido se cansa de ouvir.
O que foi será outra vez e o que se deu voltará a acontecer:
nada de novo debaixo do sol.
Se de alguma coisa se disser:
«Vede que isto é novidade»,
o certo é que já foi assim nos tempos que nos precederam.
Mas nenhuma memória ficou dos tempos antigos,
nem haverá lembrança dos acontecimentos futuros
entre aqueles que vierem depois" (Ecl 1, 2-11)
– diz Coelet –
vaidade das vaidades, tudo é vaidade.
Que aproveita ao homem todo o esforço
com que trabalha debaixo do sol?
Passa uma geração,
vem outra geração e a terra permanece sempre.
Nasce o sol e põe-se o sol;
depressa volta ao ponto de partida, donde volta a nascer.
O vento sopra do sul, depois sopra do norte;
num vaivém constante, retoma os seus caminhos.
Todos os rios vão ter ao mar e o mar nunca se enche;
e embora cheguem ao ao seu termo, jamais deixam de correr.
Todas as coisas se afadigam, mais de quanto se pode explicar;
o olhar não se farta de ver, nem o ouvido se cansa de ouvir.
O que foi será outra vez e o que se deu voltará a acontecer:
nada de novo debaixo do sol.
Se de alguma coisa se disser:
«Vede que isto é novidade»,
o certo é que já foi assim nos tempos que nos precederam.
Mas nenhuma memória ficou dos tempos antigos,
nem haverá lembrança dos acontecimentos futuros
entre aqueles que vierem depois" (Ecl 1, 2-11)
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