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sábado, 21 de outubro de 2017

Esta é uma geração perversa...

       Disse Jesus: "Esta geração é uma geração perversa: pede um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, senão o sinal de Jonas. Assim como Jonas foi um sinal para os habitantes de Nínive, assim o será também o Filho do homem para esta geração. No juízo final, a rainha do sul levantar-se-á com os homens desta geração e há-de condená-los, porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão; e aqui está quem é maior do que Salomão. No juízo final, os homens de Nínive levantar-se-ão com esta geração e hão-de condená-la, porque fizeram penitência ao ouvir a pregação de Jonas; e aqui está quem é maior do que Jonas" (Lc 11, 29-32).
       Ao ouvirmos hoje Jesus notamos uma certa indignação, ainda que Ele saiba o quanto é difícil a Sua mensagem ter plena aceitação, mas também sabe que um coração atento, disponível para o bem, para acolher os dons de Deus, poderá facilmente entrar no caminho da felicidade, da santidade, da salvação.
       Depois de vários sinais dados por Jesus - milagres, expulsão de espíritos impuros, anúncio da Palavra de Deus, acolhimento dos mais pobres e desfavorecidos, perdão dos pecados -, a incredulidade de muitos levam-n'O a ter este desabafo. Se as multidões reconhecessem o dom de Deus, como tudo seria tão diferente!
       O próprio filho do Homem - Jesus Cristo - será um sinal para esta geração, para todas as gerações. Cabe-nos acolher o sinal e deixarmo-nos converter. Não basta possuir talentos, ou receber dons, é necessário desenvolvê-los, colocá-los ao serviço dos outros. A presença de Jesus (como sinal) vale se deixarmos que a Sua presença seja impulsionadora na transformação da nossa vida e do nosso mundo.
       Por outro lado, na nossa vida há muitas situações que carecem de comprovação, como por exemplo a confiança que depositamos em alguém. Essa confiança é que nos vai levar a aproximarmo-nos dela. Se pelo contrário somos incapazes de confiar, nunca descobriremos que ela é uma pessoa de bem. A Jesus pedem-lhe um sinal inequívoco, depois de terem visto diversos prodígios. Jesus diz-lhes e diz-nos que o verdadeiro sinal é Ele mesmo, com a Sua vida e assim o será na morte e ressurreição...

sábado, 24 de janeiro de 2015

Domingo III do Tempo Comum - ano B - 25 de janeiro

       1 – "A glória de Deus é o homem vivo; e a vida do homem é a visão de Deus". Esta afirmação pertence a Santo Ireneu, Bispo e Mártir (nasceu por volta do ano 130 e foi morto no ano 200). Quando nos confrontamos com a prática religiosa, com as vivências crentes, a partir de fora, vêm ao de cima exigências, sacrifícios, renúncias. "Porque vais à Missa? Vem daí, vamos tomar um café, deixa lá a Missa, podes ir noutros dias. Com este tempo, já viste o sacrifício que vais fazer?"
       Uma visão utilitarista da religião, num ambiente consumista, onde domina a liquidez de ideias e de convicções, o bem-estar a qualquer preço, eliminando tudo o que possa cheirar a esforço, a persistência, a paciência. Desde logo se diga que a vida é multicolor, e não apenas a preto e branco, luz e trevas, deserto e oásis, é uma paleta de cores, com matizes diferentes conforme as circunstâncias que nos envolvem. Até a chuva e o sol alteram a nossa interação com os outros.
       Hoje, a Palavra de Deus traz-nos, envolvendo-nos, provocando-nos, um forte apelo à conversão. A Bíblia faz assomar violências e ódios, conflitos e disputas, guerras e vinganças. E, no entanto, entrelaça-nos em histórias de bênção, de aliança, de amizade, histórias de luta, de compromisso, de vida e de esperança, de luz. Algumas tramas fazem-nos pensar que Deus é "vingativo" quando não cumprimos, quando nos desviamos e transviámos. A dualidade da aliança: Deus ama-nos se vivermos segundo as Suas leis. Numa leitura rápida e superficial somos levados a olhar para Deus como um Ser caprichoso, cioso, que nos castiga à primeira falta. É, aliás, uma conceção que ainda voga nas nossas comunidades, em muitos cristãos.
       Uma leitura mais atenta, generosa, abrangente da Bíblia, põe em evidência Deus como criador e redentor. Está presente em todos os momentos da nossa vida e da nossa história, sobretudo nas adversidades, na míngua, no exílio e até na morte. A Sua maior glória é o Homem vivo, feliz. Cumprir os Mandamentos é garantia que nos tornamos mais irmãos, mais próximos, mais felizes connosco e com os outros. Deus ama-nos primeiro e sem condições prévias ou reservas futuras.
       2 – Entremos agora no Evangelho de São Marcos que nos faz escutar as primeiras palavras de Jesus. Antes, a voz do Pai que dá testemunho acerca de Jesus. Depois, a voz de João Batista que nos aponta o Cordeiro de Deus. Hoje é Cristo que em definitivo assume a missão de evangelizar o mundo.
       Depois de João Batista ter sido preso, Jesus parte para a Galileia, a Galileia dos gentios, onde se cruzam crenças e nacionalidades, numa abertura original a todos os que buscam e se deixam interpelar. A salvação está agora acessível a todos, está ao nosso alcance. Jesus vem à nossa aldeia, à nossa vida. É para nós que Ele dirige a Sua pregação: «Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho».
       Com Jesus, o tempo cumpre-se, chega ao seu fim. O reino está próximo, está no meio de nós, Jesus abre-nos os Céus. É Ele verdadeiramente o reino de Deus, a vida de Deus, a comunhão que nos enlaça para sempre. Podemos viver já sob o olhar amoroso de Deus, sob a Sua luz. Jesus vem porque Deus nos quer, Deus nos quer bem, nos quer vivos, nos quer verdadeiramente humanos, refletindo-O em nós, não por capricho Seu, mas para felicidade nossa.
       Caminhando junto de nós, junto do mar da Galileia, Jesus repara em nós. Vê-nos com olhos de ver, com o coração. Lançamos as redes ao mar! Quantas vezes andamos à pesca, à procura, sem saber onde encontraremos bom peixe, se a maré nos trará a fortuna ou a desgraça! A Simão e a André e a nós, Jesus lança o desafio: «Vinde comigo e farei de vós pescadores de homens».
       Eles deixam tudo, muito rapidamente, e seguem Jesus. Mais adiante, vê também Tiago e João, filhos de Zebedeu, que consertavam as redes. Jesus chama-os e também eles largam os seus afazeres e seguem-n’O. Serão pescadores de homens, preparam-se para ajudar a consertar o mundo, a história, a vida, contribuindo para que o tempo se cumpra para todos.
       3 – Página belíssima e luminosa nos traz o livro de Jonas. Também Jonas é chamado por Deus. A missão para o qual é enviado não se afigura muito fácil. É enviado a outra Galileia dos gentios, a uma nação estrangeira, a Nínive. Um povo que não é o seu, mas que Deus quer salvar: «Levanta-te, vai à grande cidade de Nínive e apregoa nela a mensagem que Eu te direi». Para Jonas o melhor seria que Deus fizesse o favor de quanto antes destruir a cidade. Recusa-se, inclusive, a dirigir-se àquela povoação para cumprir a missão que lhe está confiada. Jonas, contrafeito, engolido por uma baleia, desembarca em Nínive para que a vontade de Deus se realize.
       O autor dá-nos a informação preciosa de que Nínive era uma grande cidade, em extensão, mas sobretudo aos olhos de Deus. A mensagem é direta: «Daqui a quarenta dias, Nínive será destruída». Jonas intuiu a bondade de Deus e daí a recusa em anunciar o castigo. Percebe que se avisar os ninivitas estes podem ter tempo de se converter. Ainda assim não pôde fugir à sua missão.
       A pregação surte efeito, "Os habitantes de Nínive acreditaram em Deus, proclamaram um jejum e revestiram-se de saco, desde o maior ao mais pequeno. Quando Deus viu as suas obras e como se convertiam do seu mau caminho, desistiu do castigo com que os ameaçara".
       Vendo bem, o propósito de Deus, nesta como outras páginas da Escritura e da história, não é eliminar pessoas, mas eliminar o pecado, o mal, o que é diabólico, ou seja, o que nos afasta dos outros ou nos coloca contra eles. Há lugar para todos. O castigo é preparado por nós. Quando cada um só se preocupa com o seu umbigo, mais tarde ou mais cedo, a comunidade deixa de existir.
       No seguimento da leitura, vemos um Jonas revoltado, mal-humorado, levando-se demasiado a sério. Para Ele Deus deveria cumprir com o desiderato original e destruir a cidade, independentemente do número de pessoas que perecesse. "Por isso é que, precavendo-me, quis fugir para Társis, porque sabia que és um Deus misericordioso e clemente, paciente, cheio de bondade e pronto a renunciar aos castigos" (Jn 4, 2). Vendo que Deus não cumpre com (o que Jonas julgava ser) o prometido, manifesta-se desencantado e quer que Deus lhe dê a morte, já que a não deu aos ninivitas. A reposta de Deus é eloquente. Jonas descansa debaixo de um ricínio, que nasceu da noite para o dia, mas que morre do mesmo jeito. Jonas lamenta-se de novo. Chega a resposta de Deus: «E não hei de Eu compadecer-me da grande cidade de Nínive, onde há mais de cento e vinte mil pessoas, que não sabem distinguir entre a sua mão direita e a sua mão esquerda, e um grande número de animais?» (Jn 4, 11).

       4 – São Paulo segue de perto a missão do contrariado Jonas e sobretudo a missão do convicto Jesus. À comunidade de Corinto e às nossas comunidades:
"O que tenho a dizer-vos, irmãos, é que o tempo é breve. Doravante, os que têm esposas procedam como se as não tivessem; os que choram, como se não chorassem; os que andam alegres, como se não andassem; os que compram, como se não possuíssem; os que utilizam este mundo, como se realmente não o utilizassem. De facto, o cenário deste mundo é passageiro".
       O tempo é breve. Demasiado breve. É urgente que cumpramos o nosso tempo, preenchendo-o com o melhor de nós, com o que perdura para lá deste mundo, iniciando já a realeza de Jesus. Se é Ele que age em nós, é possível que todos os esforços valham a pena.
       A conversão é a condição de todos os que se abrem à graça de Deus, mendigando o amor de Deus, deixando-Se iluminar pela Sua benevolência.
       Na conclusão do Oitavário de Oração pela Unidade dos Cristãos (18 a 25 de janeiro), coincidindo com a conversão de São Paulo, a evidente certeza que todos precisamos de nos converter a Jesus Cristo, bebendo do mesmo caudal de água viva que jorra d’Ele e nos sacia até à eternidade.

       5 – Jonas, Jesus, São Paulo, mostram-nos a conversão como caminho para Deus, cientes da Sua misericórdia infinita, mas que promove a nossa liberdade, as nossas escolhas.
       Do mesmo jeito, o salmista nos convoca à oração, respondendo à Palavra de Deus:
"Mostrai-me, Senhor, os vossos caminhos, / ensinai-me as vossas veredas. / Guiai-me na vossa verdade e ensinai-me, / porque Vós sois Deus, meu Salvador. / Lembrai-Vos, Senhor, das vossas misericórdias / e das vossas graças, que são eternas. / Lembrai-Vos de mim segundo a vossa clemência, / por causa da vossa bondade, Senhor".
       A oração é-nos favorável, inicia com a certeza confiante da bondade de Deus. Cabe-nos, no seguimento, a predisposição para nos convertermos a Ele de todo o coração, para que a nossa vida prossiga até à eternidade, comunhão plena com Ele e com os irmãos, visualizável na partilha solidária e na comunhão fraterna.

Pe. Manuel Gonçalves


Textos para a Eucaristia (ano B): Jonas 3, 1-5. 10; Sl 24 (25); 1 Cor 7, 29-31; Mc 1, 14-20.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Daqui a 40 dias, Nínive será destruída... ou não!

        Jonas entrou na cidade e caminhou durante um dia, apregoando: «Daqui a quarenta dias, Nínive será destruída». Os habitantes de Nínive acreditaram em Deus, proclamaram um jejum e revestiram-se de sacos, desde o maior ao mais pequeno. Logo que a notícia chegou ao rei de Nínive, ele ergueu-se do trono e tirou o manto, cobriu-se de saco e sentou-se sobre a cinza. Depois foi proclamado em Nínive um decreto do rei e dos seus ministros, que dizia: «Os homens e os animais, os bois e as ovelhas, não provem alimento, não pastem nem bebam água. Os homens e os animais revistam-se de sacos e clamem a Deus com vigor; afaste-se cada um do seu mau caminho e das violências que tenha praticado. Quem sabe? Talvez Deus reconsidere e desista, acalmando o ardor da sua ira, de modo que não pereçamos». Quando Deus viu as suas obras e como se convertiam do seu mau caminho, desistiu do castigo com que os ameaçara e não o executou (Jonas 3, 1-10).
       Um olhar mais atento a esta passagem da Escritura e verifica-se que o autor sagrado sublinha sobretudo a misericórdia e benevolência de Deus, bem como a universalidade da salvação. Jonas é enviado a uma cidade estrangeira, onde as relações entre pessoas é pecaminosa, destrutiva, egoística, o que levará á destruição da cidade. Jonas é incumbido por Deus para alertar toda a cidade. As pessoas, a começar pelo rei invertem o seu comportamento, arrependem-se e mudam o seu estilo de vida, o que permitirá preservar a cidade.
       Deus olha para o pecado mas sobretudo para a capacidade e vontade de mudança. Claramente jogam duas visões de Deus: um Deus castigador, pronto a irritar-se e que agrada a Jonas, até porque aquele povo é inimigo, e um Deus misericordioso e compassivo, que quer a salvação de todos.

sábado, 21 de janeiro de 2012

III Domingo do Tempo Comum (ano B) - 22 de janeiro

       1 – "Depois de João ter sido preso, Jesus partiu para a Galileia e começou a proclamar o Evangelho de Deus, dizendo: «Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho».
       O primeiro anúncio de Jesus corresponde ao pré-anúncio de João Batista que proclamava iminente a vinda do reino de Deus e do Messias, promovendo a conversão, o arrependimento, a penitência, para que desse modo as pessoas pudessem reconhecer e acolher o dom de Deus. Em Jesus cumpre-se esse desiderato de João.
       No Evangelho de São Marcos, que nos irá acompanhar mais de perto neste ciclo de leituras do ano B, refere-se que o início da vida pública de Jesus prossegue depois de João ter sido preso, pressupondo que existe uma ligação próxima e subsequente entre uma e outra missão.
       Com Jesus cumpre-se o tempo, é chegada a plenitude dos tempos, na qual Deus Se manifesta pelo Seu Filho muito amado. E para que essa missão se possa efetivar através dos tempos, Jesus chama a Si discípulos. Quando chegar o momento de Jesus regressar ao seio de Deus Pai serão eles a prosseguir com a missão de anunciar a Boa Nova a todos os povos e a tornar presente o mistério de Deus connosco e no meio de nós.
       "Caminhando junto ao mar da Galileia, viu Simão e seu irmão André, que lançavam as redes ao mar, porque eram pescadores. Disse-lhes Jesus: «Vinde comigo e farei de vós pescadores de homens». Eles deixaram logo as redes e seguiram-n’O. Um pouco mais adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, que estavam no barco a consertar as redes; e chamou-os. Eles deixaram logo seu pai Zebedeu no barco com os assalariados e seguiram Jesus". 
       2 – A conversão é a atitude de todo aquele que quer acolher o dom que vem dos outros e, para nós crentes, o dom que Deus nos dá constantemente. Conversão e humildade, neste concreto, significam a mesma disponibilidade para se abrir ao outro e ao Totalmente Outro (ou Totalmente Próximo), ao mistério da vida divina que irrompe na nossa história através de Jesus, o Emanuel, Deus feito homem para viver em nós, connosco, nos revelar o caminho para sermos felizes, para chegarmos ao Pai, e a fim de nos inserir na lógica da salvação, da vida eterna que pode e deve iniciar-se já no tempo que dispomos neste mundo.
       Na primeira leitura que escutamos, vemos como a palavra de Deus é anunciada ao povo de Nínive. Sob a ameaça de castigo, sobressaindo uma linguagem muito humana, Deus faz saber que o caminho para que o povo se mantenha como povo e as pessoas possam viver confiantes e com dignidade, e possam encontrar a felicidade, passa pela conversão, pela mudança de hábitos e de atitude, passa por alterarem a forma de se relacionarem e de se protegerem mutuamente. Se cada um só pensar em si mesmo, fechando-se ao outro, mais tarde ou mais cedo sobrevém a desgraça, a frustração, o vazio, a ansiedade. Precisamos dos outros para nos sentirmos bem, para partilharmos o que somos, o que temos e o que fazemos, para desabafar nos momentos de crise, e para apreciarmos as coisas boas. Isso só é possível com os outros. Ninguém é alegre sozinho por muito tempo. Ninguém faz festa se não tiver com quem festejar. Do mesmo modo, precisamos de pátria, de casa, de espaços comuns. Somos ser sociais. Se cada um só pensar em si, pouco restará para a nossa dimensão social e solidária. Com efeito é na solidariedade que sobrevivemos como sociedade.
       "Os habitantes de Nínive acreditaram em Deus, proclamaram um jejum e revestiram-se de saco, desde o maior ao mais pequeno. Quando Deus viu as suas obras e como se convertiam do seu mau caminho, desistiu do castigo com que os ameaçara e não o executou". 
       Esta é uma mensagem muito atual e pertinente para nós, para a sociedade deste tempo, para Portugal, para a Europa e para o mundo. Se os países mais ricos só pensarem nos seus cidadãos, se os mais ricos, empresas e pessoas, só pensarem nos lucros que poderão obter, a sociedade corre o sério risco de se autodestruir, como facilmente se pode ver nesta Europa pouco comunitária.

       3 – Para nós cristãos importa em cada momento viver na presença do Senhor, como se fora a última oportunidade para realizar algo de grandioso e definitivo. Diz de forma intuitiva o Apóstolo São Paulo, na segunda leitura, "o que tenho a dizer-vos, irmãos, é que o tempo é breve. Doravante, os que têm esposas procedam como se as não tivessem; os que choram, como se não chorassem; os que andam alegres, como se não andassem; os que compram, como se não possuíssem; os que utilizam este mundo, como se realmente não o utilizassem. De facto, o cenário deste mundo é passageiro".
       Chegou o tempo, o reino de Deus está entre nós, em desenvolvimento. Cabe-nos a tarefa importante de o tornar visível para os nossos companheiros de viagem, neste tempo em que vivemos. O tempo é pouco, é sempre insuficiente para o bem que podemos fazer. É breve se o aplicarmos em ternura, perdão, em partilha solidária, na luta pela justiça, na prossecução da paz.
       A nossa fragilidade, porém, nem sempre nos envolve positivamente na transformação do mundo. Por conseguinte, ousamos pedir: "Mostrai-me, Senhor, os vossos caminhos, ensinai-me as vossas veredas. Guiai-me na vossa verdade e ensinai-me, porque Vós sois Deus, meu Salvador". Deixemos que no nosso coração ressoe esta oração, para também nós nos torarmos a oração de Deus para o tempo de hoje.

Textos para a Eucaristia (ano B): Jonas 3,1-5.10; Sl 24 (25) 1 Cor 7,29-31; Mc 1,14-20. 

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Justiça de Jonas :: Misericórdia de Deus

       "Jonas ficou muito desgostoso e irritado, quando Deus perdoou aos ninivitas, e orou, dizendo: «Ah, Senhor! Não era isto que eu dizia, quando estava ainda na minha terra? Por isso me apressei a fugir para Társis, por saber que sois um Deus clemente e compassivo, lento para a ira, rico de misericórdia e sempre disposto a desistir do castigo. Mas agora, Senhor, tirai-me a vida, porque para mim é melhor morrer do que ficar vivo»".
 
        Na primeira leitura proposta para a celebração da Eucaristia, neste dia, deparámo-nos como texto que nos fala do perdão de Deus para com o Povo de Nínive. A história (ou estória) de Jonas é conhecida. É chamado por Deus a ir à cidade de Nínive, avisar o povo do que está para acontecer, pois é um povo dividido, alheio ao bem e à solidariedade, distante dos mandamentos de Deus.
       Mas a  misericórdia de Deus é infinita. Ele não desiste de nós, mesmo que nós nos afastemos dos Seus mandamentos e do Seu caminho. Deus não cessa de vir ao nosso encontro e nos desafiar a uma vida nova. E, por conseguinte, chama e envia Jonas. Este, por sua vez, encara esta missão com enfado e má vontade. Afinal ia avisar um povo estrangeiro.
       O povo de Nínive soube responder claramente às palavras de Deus, arrependeu-se do seu mau caminho, penitenciando-se com gestos concretos, na perspectiva de mudarem os seus hábitos, para entrarem no caminho do Senhor.
       E vemos de novo um Jonas contrafeito, para quem esperava que Deus realizasse a promessa inicial de destruir o povo.
         "Então o Senhor Deus fez crescer um rícino, que se elevou por cima de Jonas, para lhe dar sombra à cabeça e o livrar do seu mau humor. Jonas ficou muito contente com o rícino. Mas no dia seguinte, ao romper da manhã, Deus mandou um verme, que roeu as raízes do rícino, e ele secou. Ao nascer do sol, Deus fez soprar do oriente um vento abrasador e o sol bateu em cheio na cabeça de Jonas, fazendo-o desmaiar. E Jonas tornou a pedir a morte...
       O Senhor disse-lhe: «Tu tens pena do rícino, que não te deu qualquer trabalho e não fizeste crescer, que nasceu numa noite e numa noite morreu. E Eu não devia ter pena da grande cidade de Nínive, onde há mais de cento e vinte mil pessoas que não sabem distinguir a mão direita da esquerda, além de grande número de animais?»" (Jonas 4, 1-11).

        Às vezes somos um pouco como Jonas, como gostaríamos de ver Deus a castigar claramente aqueles que aos nossos olhos são maus! E quando vemos que aqueles que são maus, pelo menos nos nossos critérios, têm uma vida desafogada e feliz, ainda mais nos irritamos.
       Vejam-se exemplos mais notórios, como a mortandade levada a efeito por alguns personagens da história, e o sofrimento das pessoas inocentes (vítimas da fome, da guerra, de doenças incuráveis, da toxicodependência) como nos apetecia tanto ver Deus a castigar os maus e a salvar os bons e os inocentes... e como isso nos revolta...
       Agora se pensarmos que Deus é Pai... que todos somos filhos... mesmo quando nos desviámos dos Seus caminhos... ou quando os outros se desviam do Seu olhar... e como quereríamos a misericórdia e compreensão para nós... como não querê-la também para os outros?!

quarta-feira, 16 de março de 2011

Nínive será destruída...

       Jonas entrou na cidade e caminhou durante um dia, apregoando: «Daqui a quarenta dias, Nínive será destruída». Os habitantes de Nínive acreditaram em Deus, proclamaram um jejum e revestiram-se de sacos, desde o maior ao mais pequeno. Logo que a notícia chegou ao rei de Nínive, ele ergueu-se do trono e tirou o manto, cobriu-se de saco e sentou-se sobre a cinza. Depois foi proclamado em Nínive um decreto do rei e dos seus ministros, que dizia: «Os homens e os animais, os bois e as ovelhas, não provem alimento, não pastem nem bebam água. Os homens e os animais revistam-se de sacos e clamem a Deus com vigor; afaste-se cada um do seu mau caminho e das violências que tenha praticado. Quem sabe? Talvez Deus reconsidere e desista, acalmando o ardor da sua ira, de modo que não pereçamos». Quando Deus viu as suas obras e como se convertiam do seu mau caminho, desistiu do castigo com que os ameaçara e não o executou (Jonas 3, 1-10).
       A misericórdia de Deus é infinita.
       Ele não desiste de nós, mesmo que nós nos afastemos dos Seus mandamentos e do Seu caminho.
       Deus não cessa de vir ao nosso encontro e nos desafiar a uma vida nova.
       Neste texto de Jonas, como a reflexão que hoje Jesus deixa no Evangelho, aludindo a este episódio de conversão, Deus não quer a condenação nem do justo nem do pecador mas que todos se convertam e convertendo-se se salvem, neste tempo e na eternidade futura.
       O povo de Nínive soube responder claramente às palavras de Deus, arrependeu-se do seu mau caminho, penitenciando-se com gestos concretos, na perspectiva de mudarem os seus hábitos, para entrarem no caminho do Senhor.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Levanta-te e vai a Nínive...

http://fotos.sapo.pt/PtavHST1tvkvFCHVL6uL/s320x240       Jonas levantou-se e foi a Nínive, conforme a palavra do Senhor... Jonas entrou na cidade e caminhou durante um dia, apregoando: "Daqui a quarenta dias, Nínive será destruída". Os habitantes de Nínive acreditaram em Deus, proclamaram um jejum e revestiram-se de sacos, desde o maior ao mais pequeno. Logo que a notícia chegou ao rei de Nínive, ele ergueu-se do trono e tirou o manto, cobriu-se de saco e sentou-se sobre a cinza. Depois foi proclamado em Nínive um decreto do rei e dos seus ministros, que dizia: "Os homens e os animais, os bois e as ovelhas, não provem alimento, não pastem nem bebam água. Os homens e os animais revistam-se de sacos e clamem a Deus com vigor; afaste-se cada um do seu mau caminho e das violências que tenha praticado. Quem sabe? Talvez Deus reconsidere e desista, acalmando o ardor da sua ira, de modo que não pereçamos". Quando Deus viu as suas obras e como se convertiam do seu mau caminho, desistiu do castigo com que os ameaçara e não o executou (Jonas 3, 1-10).

       O texto de Jonas mostra-nos a paciência de Deus para com o Seu povo e para com os povos estrangeiros. O fundamental não é pertencer a este ou àquele povo, mas a conversão ao Senhor e a mudança de atitude. É a mensagem de Deus, levada por Jonas à cidade de Nínive: mensagem de arrependimento, de conversão e de mudança de vida. O povo escuta e inicia o processo de conversão pelo jejum, pela penitência e pela oração. E assim se livram do castigo.
       Sublinhe-se, com efeito e uma vez mais, que o castigo já estava a realizar-se com as divisões egoísticas do povo, e com a fragilidade diante das ameaças vizinhas. Quando nos voltamos para nós, esquecemos a solidariedade que nos engrandece, nos protege e nos renova contantemente.