Mostrar mensagens com a etiqueta Pai. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Pai. Mostrar todas as mensagens

sábado, 16 de março de 2019

Amai os vossos inimigos

       Disse Jesus aos seus discípulos: «Ouvistes que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo’. Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem, para serdes filhos do vosso Pai que está nos Céus; pois Ele faz nascer o sol sobre bons e maus e chover sobre justos e injustos. Se amardes aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem a mesma coisa os publicanos? E se saudardes apenas os vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não o fazem também os pagãos? Portanto, sede perfeitos, como o vosso Pai celeste é perfeito» (Mt 5, 43-48).
       O paradigma de Jesus é bem mais elevado e saudável que a nossa limitação. É certo que nós também sabemos que o perdão é muito mais eficaz e faz-nos melhor à saúde que o rancor, a inveja e o desejo de vingança. Mas quando nos fazem mal a nós, aí já se torna mais delicado perdoar. Mas, ainda que momentaneamente nos pareça humilhação, com o tempo perceberemos que é o único caminho que nos liberta, que nos faz sentir bem connosco, com o mundo e com Deus. Dar a outra face, amar até os inimigos, ser perfeitos como o Pai celeste é perfeito. É este o modelo de vida que Jesus nos propõe.
       Amar os nossos amigos é tarefa de fácil execução, não custa nada. Agora, amar os inimigos, aqueles de quem não gostamos, que nos fizeram mal ou a quem nós fizemos mal já é uma missão muito pesada, mas, garante Jesus, muito libertadora e que nos dignifica.
       Como é que podemos rezar por alguém que nos fez mal? Como é que podemos amar alguém que disse mal de nós? Como podemos nutrir sentimentos positivos por alguém que não vemos com bons olhos? Não é fácil, mas é o mandamento de Jesus. A referência é Deus Pai. O cristão não se fixa nos mínimos garantidos, mas almeja o máximo, a perfeição de Deus.

sábado, 12 de maio de 2018

Agora deixo o mundo e vou para o Pai

       Disse Jesus aos seus discípulos: «Em verdade, em verdade vos digo: Tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, Ele vo-lo dará. Até agora não pedistes nada em meu nome: pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa. Tenho-vos dito tudo isto em parábolas mas vai chegar a hora em que não vos falarei mais em parábolas: falar-vos-ei claramente do Pai. Nesse dia pedireis em meu nome; e não vos digo que rogarei por vós ao Pai, pois o próprio Pai vos ama, porque vós Me amastes e acreditastes que Eu saí de Deus. Saí de Deus e vim ao mundo, agora deixo o mundo e vou para o Pai» (Jo 16, 23b-28).
       Jesus está de partida.
       Mas logo há-de voltar.
       A garantia é do próprio Jesus: não vos deixarei órfãos, enviar-vos-ei o Espírito Santo. Mais, como nos diz hoje, tudo o que pedirmos em Seu nome o Pai no-lo concederá. Não ficamos sós porque Ele nos dá o Espírito; não ficamos sós porque na oração estaremos em comunhão íntima com Ele e com o Pai; não ficaremos sós se cumprirmos os Seus mandamentos, porque Ele e o Pai farão em nós a Sua morada.
       Como refere o próprio Jesus, Ele veio ao mundo de junto de Deus Pai, "Saí de Deus e vim ao mundo" e, diz-nos também Ele, "agora deixo o mundo e vou para o Pai". O razão é a mesma: por amor. Porque o Pai nos ama vem até nós; e porque nos ama regressa ao Pai para que a morte biológica não seja um entrave à Sua presença no mundo.

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Daqui a pouco já não Me vereis...

       Disse Jesus aos seus discípulos: «Daqui a pouco já não Me vereis e pouco depois voltareis a ver-Me». Alguns discípulos disseram entre si: «Que significa isto que nos diz: ‘Daqui a pouco já não Me vereis e pouco depois voltareis a ver-Me’, e ainda: ‘Eu vou para o Pai’?». E perguntavam: «Que é esse pouco tempo de que Ele fala? Não sabemos o que está a dizer». Jesus percebeu que O queriam interrogar e disse-lhes: «Procurais entre vós compreender as minhas palavras: ‘Daqui a pouco já não Me vereis e pouco depois voltareis a ver-Me’. Em verdade, em verdade vos digo: Chorareis e lamentar-vos-eis, enquanto o mundo se alegrará. Estareis tristes, mas a vossa tristeza converter-se-á em alegria» (Jo 16, 16-20).
        Jesus diz categoricamente aos seus discípulos que o seguimento não traz recompensas visíveis. Pelo facto de O seguirem, não terão a vida facilitada, ao invés, terão que enfrentar muitas provações. Este aviso tem como fito tranquilizar os discípulos, para que quando as dificuldades advierem não sejam apanhados de surpresa e desanimem.
       Mas Jesus, como prometido, não os deixará sós, enviará de junto do Pai o Espírito Santo que lhes revelará toda a verdade.
       Há situações na nossa vida que temos de ser nós a resolver, ninguém nos poderá substituir. Como por exemplo quando uma mãe quereria substituir o filho no sofrimento ou numa doença,... Mas o sabermos que podemos contar com alguém, que embora não resolva mas que se solidariza, compartilha o nosso sofrimento, isso dá-nos ânimo para superar a provação. Assim, o sabermos que Deus está também nas nossas dificuldades e preocupações, dá-nos alma para caminhar, para lutar, para vencer o que é humanamente possível vencer...

sábado, 3 de março de 2018

Pai, dá-me a parte da herança que me toca...

       É-nos proposto, para este sábado, o Evangelho em que Jesus apresenta Deus como um Pai infinitamente misericordioso, pronto a perdoar, que se lança aos braços dos filhos desavindos, que faz festa pelo regresso dos que se transviaram. É a conhecida parábola do filho pródigo, muito mais parábola do Pai Misericordioso.
       Por outro lado, agudiza-se o debate com os fariseus e doutores da lei. São como o filho mais velho, zelosos, e que julgam que por estarem há mais tempo na religião têm todos os direitos e podem decidir quem entra e quem sai, quem tem ou não direito à salvação.
       Por outro lado ainda, o convite à alegria e à festa, que por vezes se esquece na religião que assenta sobretudo na tradição e não na conversão pessoal, e na intimidade com Deus e com os outrso.
       Vale a pena ler toda a parábola:
Jesus disse-lhes então a seguinte parábola: «Certo homem tinha dois filhos. O mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me toca’. O pai repartiu os bens pelos filhos. Alguns dias depois, o filho mais novo, juntando todos os seus haveres, partiu para um país distante e por lá esbanjou quanto possuía, numa vida dissoluta. Tendo gasto tudo, houve uma grande fome naquela região e ele começou a passar privações. Entrou então ao serviço de um dos habitantes daquela terra, que o mandou para os seus campos guardar porcos. Bem desejava ele matar a fome com as alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. Então, caindo em si, disse: ‘Quantos trabalhadores de meu pai têm pão em abundância, e eu aqui a morrer de fome! Vou-me embora, vou ter com meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho, mas trata-me como um dos teus trabalhadores’. Pôs-se a caminho e foi ter com o pai. Ainda ele estava longe, quando o pai o viu: encheu-se de compaixão e correu a lançar- se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos. Disse-lhe o filho: ‘Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’. Mas o pai disse aos servos: ‘Trazei depressa a túnica mais bela e vesti-lha. Ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o vitelo gordo e matai-o. Comamos e festejemos, porque este meu filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’. E começou a festa. Ora o filho mais velho estava no campo. Quando regressou, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças. Chamou um dos servos e perguntou-lhe o que era aquilo. O servo respondeu-lhe: ‘O teu irmão voltou e teu pai mandou matar o vitelo gordo, porque chegou são e salvo’. Ele ficou ressentido e não queria entrar. Então o pai veio cá fora instar com ele. Mas ele respondeu ao pai: ‘Há tantos anos que te sirvo, sem nunca transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito para fazer uma festa com os meus amigos. E agora, quando chegou esse teu filho, que consumiu os teus bens com mulheres de má vida, mataste-lhe o vitelo gordo’. Disse-lhe o pai: ‘Filho, tu estás sempre comigo e tudo o que é meu é teu. Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque o teu irmão estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’» (Lc 15, 1-3.11-32).

quarta-feira, 12 de março de 2014

A belíssima oração do camponês

       Um pobre camponês que regressava do mercado a altas horas da noite, percebeu que não levava consigo o seu livro de orações.
       Então, pensou em rezar da seguinte maneira:
- Cometi uma verdadeira estupidez, Senhor. Saí de casa esta manhã sem o meu livro de oração e como tenho pouca memória, agora, não sou capaz de rezar nem sequer uma oração. De maneira que vou fazer uma coisa: vou rezar cinco vezes o alfabeto muito devagar, e tu, que conheces todas as orações, podes juntar as letras e formar essas oração que sou incapaz de recordar.
 
       E o Senhor disse aos seus anjos:
       - De todas as orações que escutei hoje, esta foi, sem dúvida, a melhor, porque brotou de um coração simples e sincero.

quarta-feira, 20 de março de 2013

O Pai é o que assiste com mais amor

"A parábola do filho pródigo e uma reflexão sobre o tema.
- O Pai é paciência infinita
- O Pai é respeito infinito
- O Pai é generosidade sem limites
- O Pai é amor que persegue
- O Pai é amor que sabe sofrer sem pesar nos outros
- O Pai é amor sempre operante
- O Pai é esperança respeitosa
- O Pai é ternura que sabe derramar o Seu Sangue em silêncio
- O Pai é criatividade, que sabe arriscar
- O Pai é Aquele que quer a todo o custo a salvação do seu filho
- O Pai é aquele que quer arrancar o filho do mal!
Então, continua a contar Jesus:
       Então aquele filho foi guardar os porcos para não morrer de fome. Queria comer ao menos as alfarrobas dos porcos, mas ninguém lhas dava.
       Era a maior humilhação. Nós sabemos que para um Hebreu, tocar um porco era ficar impuro, era não poder mais rezar nem ler a Escritura, não podia entrar no templo ou na Sinagoga.
       A vida ensina que há coisas que nunca conhecemos enquanto não as experimentamos.
       Mas, como Deus é amor operante, também permite estas coisas para que o pecador reentre em si, com a sua experiência pessoal. Deus conduz-nos pela mão com infinita paciência.

Jesus explica-nos quem é o Pai e continua:
       O Pai, é aquele que não abandona ninguém, antes pelo contrário, é aquele que assiste com mais amor quem necessita mais de Ti.
       Então eis que começa o primeiro passo para o Sacramento do Perdão. Diríamos nós, para a confissão.

Diz o Evangelho:
       "Então reentrou em si mesmo e disse: Quantos jornaleiros na casa do meu Pai têm pão em abundância e eu aqui morro de fome; levantar-me-ei e irei ter com meu Pai ".
       Cessa finalmente a resistência, triunfa o bom senso. A provação ajuda a ver o que é o egoísmo que não deixava ver e aquele jovem começa a pensar. Nós somos seres sem juízo como as crianças...!
       E o Pai, com paciência nos conduz. Obrigado, ó Pai, por tudo quanto fazes por nós, Tu tens a arte de tocar o nosso coração e de levar cada uni de nós ao Sacramento.
       E para alguns de nós, se calhar, o Pai teve que trabalhar tanto para nos trazer aqui...
       E o rapaz finalmente diz: levantar-me-ei e irei ter com Meu Pai e Lhe direi: "Pai pequei contra o Céu e contra Ti; já não sou digno de ser chamado teu, filho!"

       Neste momento, no coração do Filho, o Pai amadurece a vontade que o leva a tomar uma decisão: voltarei para o Pai, voltarei para o Sacramento da Reconciliação.
       O Pai é paciência, o Pai é tolerância, o Pai é amor infinito que trabalha constantemente no coração do homem e que nós nunca saberemos compreender: Porque ele manda situações duras, humilhações, sofrimentos, vergonhas, confrontações até que apareça o arrependimento.

Nesta altura o rapaz diz:
       Pequei, pequei, trata-me como o último dos teus servos...
       Então, partiu e foi: eis o SACRAMENTO DA RECONCILIAÇÃO!
       É mesmo assim, quando decidimos, pronto: estamos preparados para o sacramento do Perdão.

       E Jesus explica:
       O Sacramento é voltar para a casa! Voltar para os braços do Pai, é o arrependimento, é Reparação: trata-me como um dos teus servos.

Notemos que também esta decisão é uma graça do Pai;
é o arrependimento que se torna eficaz,
é o arrependimento que se torna acção,
é o arrependimento que se torna reparação.
Eis que assim nós vemos que o Pai não somente ama,
mas reconstrói dentro de nós com uma paciência infinita,
com o sofrimento e a dor.
O Pai dobra a vontade do filho.
O Pai trabalha no coração do homem com amor infinito
que nunca compreenderemos:
situações duras, humilhações, sofrimentos, vergonha etc.
até que apareça o arrependimento.
       E então o jovem diz finalmente:
       irei e lhe direi: Pequei. Trata-me como o último dos teus servos...
       Levantou-se e partiu!

       Eis o Sacramento: o Sacramento é voltar para os braços do Pai, o arrependimento é reparação bem definida.

       Notemos ainda: antes o amor do filho era muito frágil, depois, o Sacramento do Perdão reconstrói em nós uma criatura nova!
       "Correu para ele, abraçou-o"!
       Diante deste gesto, cada um de nós pode rezar assim: "Pai, eu posso cometer os mais horríveis crimes
(como sabemos este filho tinha destruído todo o seu património...), mas nenhum delito é tão grande até ao ponto de ser capaz de travar o Teu amor. Antes, quanto maior for o delito, mais nos dispensas ternura e amor". Tu beijas o filho, e o levas a retribuir-te o beijo!
       E que faz o filho?"

terça-feira, 19 de março de 2013

Solenidade de São José, Esposo de Maria

Nota biográfica:
       Nos desígnios de Deus, José foi o homem escolhido para ser o pai adoptivo de Jesus. É no seio da sua família modestíssima que se realiza, com efeito, o Ministério da Incarnação do Verbo. Intimamente unido à Virgem-Mãe e ao Salvador, José situa-se num plano muito superior ao dos mais profundos místicos: amando Jesus, amava o Seu Deus; toda a ternura respeitosa, com que envolvia Maria, dirigia-se à Imaculada Mãe de Deus.
      Figura perfeita do «justo» do Antigo Testamento, homem de uma fé a toda a prova, no cumprimento da sua missão, mostrará sempre uma disponibilidade total, mesmo nos acontecimentos mais desconcertantes.
       Protector providencial de Cristo, continua a sê-lo do Seu Corpo Místico. O exemplo da sua vida é sempre actual para todos quantos querem situar a sua vida na âmbito dos desígnios de salvação do Senhor.

Oração:
       Deus todo-poderoso, que na aurora dos novos tempos confiastes a São José a guarda dos mistérios da salvação dos homens, concedei à vossa Igreja, por sua intercessão, a graça de os conservar fielmente e de os realizar até à sua plenitude. Por Nosso Senhor Jesus Cristo...
 

sábado, 9 de março de 2013

IV Domingo da Quaresma - ano C - 10 de fevereiro

       1 – O evangelho deste dia apresenta-nos uma das mais extraordinárias parábolas de Jesus, um exclusivo de São Lucas, conhecida como a Parábola do Filho Pródigo, mais adequado seria Parábola do Pai Misericordioso. Veremos por quê. É uma verdadeira pérola que nos fala de um Deus que ama sempre, sem reservas, absolutamente.
       Jesus prossegue o seu ministério, nem sempre bem compreendido, com o Seu jeito de se relacionar com as pessoas, sem privilegiar classes, ou melhor, privilegiando precisamente os que estão abaixo das classes. Para Jesus o menos é MAIS. Os desprotegidos pelo poder, pela riqueza, ou até pela religião, os que têm menos, merecem de Jesus maior atenção, maior cuidado, mais tempo e delicadeza, para que se sintam chamados, amados, se sintam filhos queridos de Deus.
       Jesus come com pecadores, maltrapilhos, doentes, pedintes, publicanos. Esta constatação envolve uma acusação grave feita pelos fariseus a Jesus. Ele dá-Se com todos aqueles que a sociedade se encarregou de excluir, a escumalha que não deveria ter lugar à mesa. Ele acolhe-os e come com eles. E comer com alguém implica e significa comunhão, proximidade. Senta-se à mesa comigo quem considero amigo, ou da família.
       2 – Jesus conta-lhes então uma parábola.
       Um homem tinha dois filhos. Para os quais vivia. Sem que nada o fizesse prever, o mais novo decide pôr cobro aos laços familiares, abandonando a casa. Pede a parte da herança que lhe caberá em sorte. Sai de casa. Tem tudo, mas não se sente completamente feliz. Vai em busca de algo mais. Uma razão maior. O homem ultrapassa infinitamente o homem. A ambição (com conta, peso e medida) leva a procurar o melhor dos outros e a dar o melhor de nós mesmos. A ganância destrói-nos, mais cedo ou mais tarde, e destrói os que estão à nossa beira.
       À medida que se afasta da casa paterna, sem saber ainda, afasta-se da felicidade e de quem suporta a sua vida. Investe em novas amizades. Experimenta tudo. Esbanja o que tem. Diverte-se. Gasta e desgraça a vida, sempre em busca de mais. Uma sede sem fim. Ávido de prazeres, ocupa todo o tempo cronológico para não pensar em mais nada. Ocupa o lugar dos afetos com muitas coisas. Abafa a voz que o liga ao pai. Procura ir além de tudo o que já antes viveu em sua casa.
       Logo se apercebe que a felicidade não está longe, ou no exterior, ou nas coisas, ou nas facilidades, ou nos outros. Sente-se abandonado. Cada vez mais só. Cai em si. O dinheiro não compra a felicidade, nem os amigos, nem a alegria de se sentir amado. A vida parece ter-se esquecido dele. Melhor, ele abandonou o sonho, entregou-se à perdição.
       Há, porém, dentro dele, algo mais forte, tão forte que é impossível não encontrar, a ligação ao PAI. Recorda-se como era feliz, tendo tudo, mas sobretudo tendo um Pai que o amava, o respeitava, o compreendia, o apoiava nas suas decisões.
       Vence o orgulho e o sentimento de culpa por ter abandonado a casa paterna. Regressa. À sua casa. Aos braços do pai. Nem se importa de ser tratado como um dos criados, pois mesmo o mais insignificante tem mais do que ele tem agora, tem a atenção do pai, uma casa, um refúgio, um ombro amigo, um olhar compassivo. Não se importa de não recuperar os direitos de filho.
       Se nos centrássemos na figura do filho mais novo – há momentos em que também nós nos afastamos do Pai, dos outros, de nós mesmos, da nossa consciência – veríamos, ainda assim, um homem em busca da felicidade. Procura ser feliz por todos os meios. Precisou de se afastar para descobrir que a verdadeira felicidade estava dentro (dele), em casa, ao pé do pai. Por vezes só reconhecemos o valor do que temos quando o perdemos. E às vezes é tarde para recuperar e para regressar. Este filho ainda foi a tempo de descobrir a razão maior da sua felicidade, o amor do Pai.
       3 – Aquele pai tinha outro filho. Mais velho. Mais responsável. Com menos tempo para a diversão. Tinha que tomar conta do irmão mais novo. E aborrecer-se com ele. Começou a trabalhar com o pai, muito antes do irmão. Quando o irmão nasceu, os mimos dos pais passaram para ele. É fácil perceber como se sentiria ao ver todas as atenções colocadas no mais pequeno, mesmo que soubesse que o carinho tinha sido exclusivo para ele durante alguns meses ou anos. E nunca recuperável pelo mais novo.
       Fica triste com a partida do irmão. Habituara-se a ele. Algumas tarefas eram divididas. Já não tinha que fazer tudo. Fica triste com a tristeza do pai, com o seu desgosto e a sua melancolia. Mas doravante terá a atenção do pai só para si, sem comparações. Os bens materiais divididos nem lhe fazem moça. Dividir as atenções e cuidados do pai era muito mais violento.
       Casa, trabalho, (pouco) descanso. Muito tempo passa sem se lembrar do irmão que está perdido pelo mundo. Sabe que o pai não esquece, mas que pouco a pouco a dor será menor e ele terá o pai só para si. Passam-se dias em que quase nem falam. Nem se veem. O pai está garantido. Não precisa de conquistar a sua atenção. O chão é seguro. Não pergunta pelo irmão. Não pergunta pelos sentimentos do pai. Tudo está na ordem natural das coisas. Tem para si que o pai tudo fará para o compensar por ter ficado em casa. Não precisa de investir nos afetos. Não precisa de agradar ao pai. Este não se habilitará a perder outro filho. O pai é que tem a obrigação de se curvar diante dele e é se o quer junto de si.
       Como está enganado! O pai não pode esquecer nenhum dos filhos. Conhece-os e ama-os nas suas limitações. Saíram do seu coração. Há espaço para os dois. O lugar do filho foragido não é preenchido. É deste filho. Não pode ser compensado. Mesmo que morra, o lugar no coração do pai não será ocupado.
       O irmão mais novo regressa. Já pouco se lembrava dele. E para mais, o pai faz-lhe uma festa, perdoa-o, passa uma borracha no sucedido, não quer saber da ofensa, ou dos pecados passados. Está tão feliz que só quer festejar. O mais velho não entende tanta algazarra. Tinha como adquirido que o irmão estava morto, para si e para o pai também. Como é possível que o pai o acolha de volta? E o perdoe? E lhe faça uma festa? E lhe devolva a dignidade de filho? Veste-lhe roupas novas, sandálias, coloca-lhe o anel no dedo. Gastou tudo e ainda é compensado! Não compreende a atitude do pai. O amor do Pai. Não aceita. Fica profundamente magoado tanto com o regresso do irmão como com a benevolência do Pai.
       4 – Fixemos agora o olhar no PAI. Como faz Jesus. Nesta parábola a figura principal é Ele. Depois de algumas murmurações, Jesus deixa claro que Deus é Pai, e ama como Pai e como Mãe, no mais profundo de Si mesmo, é um AMOR entranhado na vida, na história do ser humano. Por mais que nos afastemos, Deus não nos desampara, não nos abandona à nossa sorte. Está sempre pronto a dar-nos a mão. Assim nos é mostrada a história de Israel. Deus alia-Se com a humanidade, pelos patriarcas, pelos profetas.
       Ao longo de toda a parábola Jesus está centrado no pai e em Deus como Pai que não Se incomoda em partir a cara, acolhendo, perdoando, sem respeitos humanos. Não teme o comentário, ou a desonra. Os filhos valem tudo, toda a riqueza, toda a vida, todo o amor.
       Aquele pai cria as condições para os filhos (e para os servos). Trabalha em função dos filhos. Quer que eles sejam alguém, mas acima de tudo que não lhes falte um abraço, a presença dos amigos, a alegria de desfrutar da vida, diariamente, no meio das fragilidades, em dias mais alegres e em dias mais sombrios. Quer que os filhos aprendam a trabalhar, a ser responsáveis, a cuidar da casa, para que outros possam usufruir, viver. Os filhos acompanham-no nos negócios. Partilha com eles a responsabilidade. Não se esconde nas preocupações do trabalho ou na acumulação de fortunas. Os filhos vão para ao campo. Misturam-se com a criadagem, pois para o Pai também contam, também precisam de casa, de amigos, de apreciar a vida.
       Tudo corre bem. Mais ou menos. Os filhos já estão crescidos. Os cuidados são os mesmos, mas agora são os filhos que orientam a sua vida, assumem as suas responsabilidades e as consequências dos seus atos. Conhece os filhos como a palma das suas mãos. Ainda antes do próprio, deteta sinais de alarme no filho mais novo. Dá-lhe espaço, mas está mais vigilante. Vê-o inquieto, ansioso. Não vê motivos para isso. Mas sabe que os filhos têm de viver a sua vida e passar por momentos menos bons. Também assim se cresce. Que andará a turbar-lhe a mente? Com a naturalidade de sempre pergunta-lhe sobre o que lhe vai na alma. Não obtém resposta satisfatória. Vê que o filho se mantém distante e a fazer perguntas e mais perguntas aos servos e aos viajantes. O pai vê o filho mais sisudo, já não se diverte como antes. Já tem preguiça de o acompanhar para o campo ou para os negócios.
       Está a desligar-se. Está a crescer. Está a pensar pela sua cabeça. Há que esperar e dar tempo ao tempo. Eis que o filho mais novo se abeira cheio de si mesmo: "Pai, dá-me a parte da herança que me toca". E parte. O pai sente que lhe falta o ar. Uma parte de si é-lhe arrancada. Não quer acreditar. Morre um pouco. O pedido do filho é um desejo de morte. A herança herda-se pela morte dos pais, e não em vida. O filho deseja que o pai morra. O que mais importa é sair de casa.
        5 – Debrucemo-nos um pouco mais sobre a postura do pai. Respeita a opção dos filhos. Dá parte dos seus bens – para ele não existem bens que paguem o amor aos filhos, tudo é para os filhos –, não reclama com o filho mais novo. Não o repreende. Não o castiga. Poderia, ao menos, deixá-lo partir mas de mãos vazias. Os bens são seus, enquanto viver, não dos filhos…
       Durante a ausência do filho, cuida da casa, para que o outro filho se sinta protegido, amado, e aos servos não falte o zelo do Pater familias. O tempo cura as maleitas dos afetos e dos sentimentos. Pelo menos dilui. Não desiste. Fora está alguém que torna a sua casa incompleta. Por ora não pode fazer muito. Não desiste. Cada dia, o seu olhar se fixa no horizonte, aguardando que o AMOR profundo que nutre pelo filho o faça regressar. A sua aposta não é defraudada. Demorou demasiado tempo. Vê uma sombra ainda distante. Não tem dúvidas. Só pode ser o seu filho que “estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado”. Lança-se ao seu encontro. Abraça-o. Devolve-lhe a dignidade de filho. Para ele, continuou a ser filho. Não o avalia pelos desaires, mas pelo coração. O amor não tem preço. Não há nada que pague o regresso do filho. É a vez de esbanjar a sua riqueza com o regresso do filho. A sua maior riqueza é o amor. Pelos filhos. Não importa o que tem de fazer. “Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha. Ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o vitelo gordo e matai-o. Comamos e festejemos”.
       A mesma atitude diante da intransigência do filho mais velho. Procura entender as razões que lhe assistem. Sempre esteve em casa. Certinho. Cumpridor. Fiel. De tão zeloso que não quer desculpar a safadeza e a rebeldia do irmão. Como é possível o regresso à normalidade? Como é possível que o Pai o trate como se nunca tivesse ido para longe, como se nunca lhe tivesse desejado a morte? Será que o pai perdeu o juízo e a vergonha? Só o amor do Pai/Mãe entende como o coração tem razões que toda a razão desconhece.
       O amor não permite cálculos. Quando é verdadeiro, genuíno. Também o filho mais velho não entende a predileção pelos filhos. Dá-lhes toda a atenção do mundo. O cuidado com o filho mais novo, não o desvia da delicadeza para com o filho mais velho. Tudo é para os filhos. Não importa os sacrifícios que tenha que fazer ou os gastos que tenha que efetuar. Tudo será para eles.
       Jesus mostra-nos como é imenso o amor de Deus por nós. Muito maior que a nossa fragilidade, gigantesco em relação ao nosso pecado. Se nós quisermos, não há nada que nos possa separar do amor de Deus.
       6 – Como outrora, também hoje Deus nos tira do opróbrio, da miséria. Deus vem para nos resgatar de toda a escravidão (primeira leitura). Dá-nos como herança, não uma parte, mas dá-Se todo, em Jesus Cristo, o Seu bem mais precioso, para que no Seu filho muito amado descubramos o caminho de regresso à Casa do Pai, onde jorra a vida.
       Deixemo-nos inebriar com as palavras do apóstolo:
“Se alguém está em Cristo, é uma nova criatura. As coisas antigas passaram; tudo foi renovado. Tudo isto vem de Deus, que por Cristo nos reconciliou consigo e nos confiou o ministério da reconciliação. Na verdade, é Deus que em Cristo reconcilia o mundo consigo, não levando em conta as faltas dos homens e confiando-nos a palavra da reconciliação. Nós somos, portanto, embaixadores de Cristo… A Cristo, que não conhecera o pecado, Deus identificou-O com o pecado por causa de nós, para que em Cristo nos tornemos justiça de Deus”.


Textos para a Eucaristia (ano C): Jos 5, 9a.10-12; 2 Cor 5, 17-21 ; Lc 15, 1-3.11-32.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Amai os vossos inimigos e orai por eles...

        Disse Jesus aos seus discípulos: «Ouvistes que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo’. Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem, para serdes filhos do vosso Pai que está nos Céus; pois Ele faz nascer o sol sobre bons e maus e chover sobre justos e injustos. Se amardes aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem a mesma coisa os publicanos? E se saudardes apenas os vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não o fazem também os pagãos? Portanto, sede perfeitos, como o vosso Pai celeste é perfeito» (Mt 5, 43-48).
       Amar os nossos amigos é tarefa de fácil execução, não custa nada. Agora, amar os inimigos, aqueles de quem não gostamos, que nos fizeram mal ou a quem nós fizemos mal já é uma missão muito pesada, mas, garante Jesus, muito libertadora e que nos dignifica.
       Como é que podemos rezar por alguém que nos fez mal? Como é que podemos amar alguém que disse mal de nós? Como podemos nutrir sentimentos positivos por alguém que não vemos com bons olhos? Não é fácil, mas é o mandamento de Jesus. A referência é Deus Pai. O cristão não se fixa nos mínimos garantidos, mas almeja o máximo, a perfeição de Deus.
       Na imagem que escolhemos para ilustrar o Evangelho proposto para hoje, o encontro de João Paulo II com Ali Agca, o turco que em 13 de maio de 1981 disparou contra o Papa, é ilustrativo. João Paulo II não só perdoa ao seu potencial assassínio como faz questão de o visitar na prisão e falar as sós com ele. Um gesto que concretiza as palavras de Jesus.

       Acrescentamos as palavras, enviadas por email pelo Pe. José Luís Rodrigues, do blogue: O Banquete da Palavra:
"Ao amável toda a gente ama, ao respeitável toda a gente respeita.
Com o encantador toda a gente simpatiza.
Mas, perdoar ao ofensor, calar frente a uma grosseria, ser afectuoso com o insuportável?
Só agarrados a um Jesus Cristo vivo é possíivel engolir em seco, ceder, deixar passar, ter paciência, compreender, perdoar..." (Frei Ignácio Larranaga).

sábado, 4 de junho de 2011

Solenidade da Ascensão do Senhor - 5 de junho

       1 – "Os onze discípulos partiram para a Galileia, em direcção ao monte que Jesus lhes indicara. Quando O viram, adoraram-n’O; mas alguns ainda duvidaram. Jesus aproximou-Se e disse-lhes: «Todo o poder Me foi dado no Céu e na terra. Ide e ensinai todas as nações, baptizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a cumprir tudo o que vos mandei. Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos»".
         A Ascensão de Jesus dá lugar à missão dos Apóstolos.
       Por um tempo, Jesus apareceu-lhes, atestando a Sua ressurreição. O sepulcro está vazio, abandonado. Ressuscitou como dissera atempadamente. A desilusão que os discípulos enfrentaram com a prisão do Mestre e com todo o processo que O leva da condenação à morte, dá lugar ao dia, à luz, à ressurreição. Jesus volta para eles. Por pouco tempo. É Jesus quem o prometera. Porquanto, eles podem ver, podem falar cara a cara, podem tocar, podem fazer uma experiência extraordinária de descoberta e de encontro, de vida nova e de comunidade.
       Logo Ele ascenderá aos Céus, para junto de Deus Pai.
      Já os tinha avisado. Já os prevenira. Tiveram tempo para se habituarem àquela que será uma ausência muito próxima: da vastidão de Deus, Jesus estará perto de todos e não apenas daquele pequeno grupo de discípulos. A morte biológica, na ascensão de Jesus ao Céu, deixa de ser um obstáculo para que o Filho de Deus Se manifeste a todo o mundo!

       2 – «Não vos compete saber os tempos ou os momentos que o Pai determinou com a sua autoridade; mas recebereis a força do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém e em toda a Judeia e na Samaria e até aos confins da terra». Dito isto, elevou-Se à vista deles e uma nuvem escondeu-O a seus olhos. E estando de olhar fito no Céu, enquanto Jesus Se afastava, apresentaram-se-lhes dois homens vestidos de branco, que disseram: «Homens da Galileia, porque estais a olhar para o Céu? Esse Jesus, que do meio de vós foi elevado para o Céu, virá do mesmo modo que O vistes ir para o Céu».
       São Lucas, no seu segundo livro, os Actos dos Apóstolos, apresenta este quadro da Ascensão, do qual se podem retirar importantes lições para os discípulos daquele e deste tempo.
       Jesus começa por alertar quanto à preocupação do tempo e dos momentos. Deus é o Senhor do tempo e da eternidade. Não nos afadiguemos com o que não nos compete. Deus dá-nos o tempo e a vida gratuitamente.
       A ascensão é uma graça, uma bênção sobre os discípulos. 
       O Espírito Santo descerá sobre eles, para que se tornem testemunhas do Mestre. Refira-se, uma vez mais, que o Espírito Santo não é dado para auto-glorificação, mas como instrumento de evangelização. Recebemos o Espírito para nos tornarmos verdadeiras testemunhas da verdade e do bem, da justiça e da caridade que Jesus nos comunica.
       Com efeito, Ele foi elevado para junto de Deus Pai, que fazemos a olhar para o Céu?
       Agora é o tempo de meter mãos à obra e trabalhar pelo Reino de Deus, vamos anunciar a todos os povos a boa-nova, baptizando em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo e ensinando tudo o que Jesus nos mandou.
       Não temamos. Ele está connosco até ao fim dos tempos. Encontremo-l'O onde quer que estejamos!

       3 – São Paulo, na saudação à comunidade de Éfeso, suplica para os crentes a sabedoria e a luz de Deus, para que todos compreendam o dom de Deus, e dessa forma se insiram na construção do Reino de Deus.
       "O Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda um espírito de sabedoria e de luz para O conhecerdes plenamente e ilumine os olhos do vosso coração, para compreenderdes a esperança a que fostes chamados, os tesouros de glória que encerra a sua herança entre os santos e a incomensurável grandeza que representa o seu poder para nós os crentes".
       Primeiro a conversão a Jesus Cristo, acolhendo os tesouros que nos chegam de Deus, tornando proveitosa a Sua graça. Depois, ou concomitantemente, o testemunho que há-de brilhar como luz, como sol refulgente para o mundo e para os contextos em que vivem os crentes. Acolhamos a graça de Deus e como a recebemos assim a comuniquemos entre nós.


Textos para a Eucaristia (ano A): Act 1,1-11; Ef 1,17-23; Mt 28,16-20

sábado, 28 de maio de 2011

VI Domingo da Páscoa - 29 de maio de 2011

       1 – Disse Jesus aos seus discípulos: «Se Me amardes, guardareis os meus mandamentos... Não vos deixarei órfãos: voltarei para junto de vós. Daqui a pouco o mundo já não Me verá, mas vós ver-Me-eis, porque Eu vivo e vós vivereis... Se alguém aceita os meus mandamentos e os cumpre, esse realmente Me ama. E quem Me ama será amado por meu Pai e Eu amá-lo-ei e manifestar-Me-ei a ele».
        Jesus é um grande pedagogo. Guia-nos pela mão para que possamos captar a Sua mensagem. Quando as palavras podem ser dúbias, apresenta-nos exemplos, imagens, comparações, parábolas. Permitindo-nos também uma escolha, pessoal, livre, despreconceituosa. Deixa margem para que possamos dizer não, ou para que sintamos que o nosso sim é mesmo nosso, é interior. Não se impõe, mas também não lava as mãos, oferece-Se por nós e coloca-nos diante de uma proposta de vida. A Sua tolerância não é de todo indiferença, mas acolhimento, compreensão, perdão, desafio. É Amor. Quer o nosso sim, mas como o Pai, também Jesus age numa dinâmica paterna, respeita o nosso não, ou dá-nos tempo para repensarmos, está sempre disponível, espera por nós, impele-nos para Ele, sem forçar.
       Quando sabe próxima a Sua hora, como morte e entrega, mas também como ressurreição/ascensão ao Céu, Jesus não deixa os Seus discípulos às escuras, em incerteza absoluta. A incerteza pode provocar medo e este por sua vez pode tornar-se uma fonte de poder e de controlo. Jesus deixa claro os tormentos por que vai passar, e a que estarão sujeitos os que O seguirem. Para que mais à frente não se sintam defraudados. Mas e ao mesmo tempo, a garantia que a Sua morte, como a Sua ascensão aos Céus, não será um abandono, mas um "até já", Ele enviará o Espírito Santo Consolador.
       Mais, Ele fica connosco se guardarmos os Seus mandamentos. É a oportunidade para Lhe mostrarmos o quanto O amamos, e a certeza que Ele e o Pai permanecem em  nós, fazem em nós a Sua morada.

       2 – São Pedro sustenta o fundamento da justiça e do bem: Jesus Cristo. O bem deverá ser o horizonte de todo o crente, mesmo que implique, por vezes, a perseguição, a prisão e a própria morte!
       A este propósito, São Pedro, na sua primeira epístola, é categórico: "... Mais vale padecer por fazer o bem, se for essa a vontade de Deus, do que por fazer o mal. Na verdade, Cristo morreu uma só vez pelos nossos pecados o Justo pelos injustos para nos conduzir a Deus. Morreu segundo a carne, mas voltou à vida pelo Espírito".
       Com efeito, Jesus, prosseguindo a vontade de Deus, passando pelo mundo fazendo o bem, optando pela verdade e pela justiça, é morto. Mas morre pelo Seu projecto de amor para com toda a humanidade. Na cruz, todos nós fomos/somos redimidos. Cumpre com a vontade de Deus. E a vontade de Deus é que leve até às últimas consequências o amor, a entrega por amor, mesmo que as últimas consequências signifiquem a morte.
       Assim como Jesus Cristo em relação a nós, também nós, pela nossa parte, deveremos prosseguir com o bem, mesmo que isso acarrete padecimentos. Sabendo, por outro lado, que Jesus Cristo está vivo e a agir em nós e no mundo através do Espírito Santo.

       3 – O início da Igreja é fulgurante, se pensarmos no número de discípulos e nos meios disponíveis para o anúncio da Palavra de Deus. Para se deslocarem de terra em terra precisavam de dias, de semanas, ou mesmo anos. Mas o que é certo, depois da ressurreição/ascensão de Jesus aos Céus, os discípulos espalham a boa notícia em Jerusalém e arredores.
       A perseguição a que estão sujeitos a partir daquela que deveria ser a cidade principal do cristianismo, Jerusalém – e foi-o nos primeiros tempos –, vai acelerar a evangelização. Obrigados a abandonar a cidade santa, vislumbram uma nova oportunidade para testemunhar em nome de Jesus Cristo, falando dos Seus tormentos e sobretudo do Seu projecto de amor para com todos.
       O Livro dos Actos dos Apóstolos, que nos narra os progressos da evangelização, hoje, fala-nos de Filipe e como este espalha a boa nova, seguindo-se a ligação à Igreja-Mãe no apostolado de Pedro e de João.
       "Filipe desceu a uma cidade da Samaria e começou a pregar o Messias àquela gente. As multidões aderiam unanimemente às palavras de Filipe, ao ouvi-las e ao ver os milagres que fazia... houve muita alegria naquela cidade. Quando os Apóstolos que estavam em Jerusalém ouviram dizer que a Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram-lhes Pedro e João. Quando chegaram lá, rezaram pelos samaritanos, para que recebessem o Espírito Santo, que ainda não tinha descido sobre eles. Então impunham lhes as mãos e eles recebiam o Espírito Santo".
        No cristianismo o que se recebe de graça, de graça se dá, se comunica. E desta forma, os Apóstolos comunicam o Espírito Santo que receberam de Jesus Cristo, para que todos os que adiram a Jesus possuam o Espírito de Deus e se convertam em suas testemunhas.

Textos para a Eucaristia (ano A): Act 8,5-8.14-17; 1 Ped 3,15-18; Jo 14,15-21 

sábado, 21 de maio de 2011

V Domingo da Páscoa - 22 de maio de 2011

       1 – «Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por Mim. Se Me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. Mas desde agora já O conheceis e já O vistes». A resposta de Jesus a Tomé e a Filipe deixa clarividente que Jesus é o ROSTO de DEUS. Já não vivemos nas trevas, ou à media luz, vivemos no dia, na luz, no tempo em que Jesus nos dá a conhecer o próprio Deus. Disse-Lhe Filipe: «Senhor, mostra-nos o Pai e isto nos basta». Respondeu-lhe Jesus: «Há tanto tempo que estou convosco e não Me conheces, Filipe? Quem Me vê, vê o Pai...».
        Sublinhe-se, uma vez mais, que o cristianismo não é uma Religião do Livro (a Bíblia), ou um conjunto de verdades, de leis, de decretos, mas é antes de mais e sobretudo, uma PESSOA e um acontecimento, Jesus Cristo com o mistério da Sua morte e Ressurreição, momento pelo qual nos oferece a Deus, redimindo-nos de todo o mal, e (re)colocando-nos em Deus.
       E nem a Sua ascensão ao Céus O afastará do mundo e sobretudo das pessoas: «Não se perturbe o vosso coração. Se acreditais em Deus, acreditai também em Mim. Em casa de meu Pai há muitas moradas...". Vai para junto do Pai, preparar a nosso morada, mas ainda mais próximo de cada um. Daí a nossa alegria, por sabermos que - tal como Deus Seu e nosso Pai - Ele ficará agora mais disponível, sem as limitações espácio-temporais.
       Ele é o CAMINHO, a VERDADE e a VIDA. N'Ele a garantia que o nosso presente e futuro estão assegurados. E se é certo que há tantos caminhos quantas as pessoas, como há alguns anos o referiu o então Cardeal Ratzinger. Cada um acolhe a fé à sua maneira, encaminhando-nos todos para Ele, o nosso caminho, caminho da Igreja, caminho da humanidade.

       2 – Com efeito, isto é tanto assim, que depois da ressurreição/ascensão de Jesus, os Apóstolos não ficam paralisados pelo medo anterior mas sentem-se animados pelo Espírito de Jesus Cristo e, destemidamente, testemunham a presença de Cristo vivo em cada um, nas comunidades crentes, nos sacramentos, no bem a promover.
       E cedo começam a ver que as limitações pessoais são superadas pela força do Espírito Santo. Os frutos aparecem. Novas necessidades, novas dificuldades, novas potencialidades.
       "Aumentando o número dos discípulos, os helenistas começaram a murmurar contra os hebreus, porque no serviço diário não se fazia caso das suas viúvas. Então os Doze convocaram a assembleia dos discípulos e disseram: «Não convém que deixemos de pregar a palavra de Deus, para servirmos às mesas. Escolhei entre vós, irmãos, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, para lhes confiarmos esse cargo. Quanto a nós, vamos dedicar-nos totalmente à oração e ao ministério da palavra»".
       O importante, em cada nova situação, é confiar em Deus e deixar que Ele seja protagonista. Quando assim acontece, as dificuldades tornam-se novo ponto de partida para o anúncio do Reino e para a solidificação do Evangelho.
       Mais pessoas a quem atender, sem secundarizar o anúncio da Palavra de Deus.
       São escolhidos 7 homens, honrados, justos, de entre a comunidade. Surgem os diáconos (= aquele que serve... serviço das mesas = caridade). A dimensão caritativa não é dispensável, não é acessória, não é engavetável, é o rosto da Igreja, porque é também o rosto de Jesus Cristo. Ele não vem para ser servido mas para servir. Diante dos discípulos para lhes lavar os pés, a reafirmação: assim como Eu vos fiz, fazei-o também vós uns aos outros. Ele é o caminho a percorrer. Mas cada pessoa, como rosto de Cristo para este tempo, é caminho para a salvação.

       3 – "Aproximai-vos do Senhor, que é a pedra viva, rejeitada pelos homens, mas escolhida e preciosa aos olhos de Deus. E vós mesmos, como pedras vivas, entrai na construção deste templo espiritual, para constituirdes um sacerdócio santo, destinado a oferecer sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus por Jesus Cristo..."
       Cada um de nós faz o seu caminho.
       Caminhamos juntos, mas não uns em vez dos outros!
       Temos uma identidade, preocupações e anseios específicos, sonhos e projectos determinados. Como crentes, somos pedras vivas. Cada um de nós é peça importante na construção do Reino de Deus. Contudo, o nosso caminho, como cristãos, há-de levar-nos a Jesus Cristo, é Ele a Pedra Viva, preciosa aos olhos de Deus. E assim, como referido no início, o nosso caminho, na sua dinâmica pessoal, vai-se aproximando de Jesus Cristo, o Caminho, a Verdade e a Vida, inserido-nos assim na comunidade crente, na dinâmica comunitária da fé. Juntos formamos o Corpo de Cristo que é a Igreja, como pedras vivas, formamos o Templo santo do Senhor.
       Cada um de nós faz o seu caminho.
       Caminhamos juntos, mas não uns em vez dos outros!
       Olhando para o lado, não vendo ninguém, o caminho torna-se desértico, arenoso.
       Mas com os outros, e com Deus no nosso caminho, tudo se torna mais luminoso, mais seguro, ainda que as dificuldades persistam. Sabemos com Quem caminhamos e para onde vamos. O nosso caminhar torna-se mais decidido.

Textos para a Eucaristia (ano A): Act 6, 1-7; 1 Ped 2, 4-9; Jo 14, 1-12.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Este é o Meu Filho muito amado: escutai-O

       "Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João e subiu só com eles para um lugar retirado num alto monte e transfigurou-Se diante deles. As suas vestes tornaram-se resplandecentes, de tal brancura que nenhum lavandeiro sobre a terra as poderia assim branquear. Apareceram-lhes Moisés e Elias, conversando com Jesus. Pedro tomou a palavra e disse a Jesus: «Mestre, como é bom estarmos aqui! Façamos três tendas: uma para Ti, outra para Moisés, outra para Elias». Não sabia o que dizia, pois estavam atemorizados. Veio então uma nuvem que os cobriu com a sua sombra e da nuvem fez-se ouvir uma voz: «Este é o meu Filho muito amado: escutai-O». De repente, olhando em redor, não viram mais ninguém, a não ser Jesus, sozinho com eles" (Mc 9, 2-13).
       No Evangelho de ontem, escutávamos o anúncio da Paixão de Jesus, com a contestação de Pedro, e o aviso de Jesus à navegação: é preciso estar preparado, quem quiser seguir-Me renuncie a si mesmo, tome a sua cruz, dia a dia, e siga-Me. Os tempos que aí vêm não vão ser fáceis, é necessário fé, muita fé, para não desanimar, para não desistir.
       No Evangelho de hoje, vemos Jesus, com Pedro, Tiago e João, no alto do monte, transfigurano-Se diante deles, de novo como no Baptismo, o testemunho da VOZ do Pai: ´"Este é o Meu Filho muito amado: escutai-O". Se antes Jesus anuncia a morte, agora dá um sinal claro de que é verdadeiramente Filho de Deus. Conforta e sossega desta forma os discípulos mais próximos, sem no entanto esconder ou escamotear os tempos que se aproximam.
       Deixemo-nos interpalar também pelo desafio de Deus, nosso Pai: "escutai-O", pois só na escuta da Sua palavra, da Sua Mensagem podermos descobri o sentido para a nossa vida, poderemos descobrir a nossa vocação.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Advento...Oração

Vigiai!

Vinde, com alegria!

Vamos em família para a casa do Pai.

Somos filhos do Deus da Luz:

abandonemos as obras das trevas

e caminhemos à luz de Cristo.

Peçamos a paz para todos os povos:

que façam das espadas alfaias agrícolas,

e das armas, ceifeiras para os trigais.

– Mostrai-nos, Senhor,

a vossa misericórdia

e dai-nos a vossa salvação.

Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo,

o Filho muito amado que o Pai nos enviou

como nosso Salvador.

– Mostrai-nos, Senhor,

a vossa misericórdia

e dai-nos a vossa salvação.

Senhor, despertai-nos do sono da evasão.

Ensinai-nos a vigiar e a estar preparados,

para que não nos surpreenda o vosso Dia.

Amém.

Frei Osvaldo Maffei, OFM

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Deus ama-te apaixonadamente, como és!

"Deus ama-te apaixonadamente, tal como és. (...)
O Senhor é um Deus apaixonado por ti.
Deus é amor e não pode, não sabe, não é capaz de fazer outra coisa
senão amar-te, gostar de ti, querer-te bem. (...)

O Senhor ama-te porque Ele é bom, porque é amor.
Não está à espera que tu sejas anjo ou santo para te amar.
Ele sabe que és barro, que és frágil e por isso te ama, te quer bem.
Não duvides deste amor e abre-te a Ele. (...)

Recorda o que o Senhor disse a Catarina de Sena:
«faz-te receptiva e Eu serei torrencial».
Aprende a ser receptivo, aprende a ter um coração pobre, despojado e humilde,
e o Senhor será, em ti, torrencial, encher-te-á, mais e sempre mais, do seu amor. (...)
Deixa Deus ser Deus, deixa Deus amar-te, abraçar-te, beijar-te,
acariciar-te como faz o Pai do pródigo.
Não fujas, não recues, não te afastes, não coloques obstáculos.
Deixa-te amar por Deus. (...)
Antes de pensares nos teus pecados, contempla o amor que Deus tem por ti,
antes de olhares as tuas misérias, descobre a ternura amorosa do teu Deus. (...)
Convence-te, cada dia sempre mais, que Ele não é capaz de deixar de te amar»
Dário Pedroso, s.j. , in Paróquia de Tarouca.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Ah!!! Se todo o filho pudesse ler isto...


AMADO FILHO
Espero que o dia em que este velho não seja mais o mesmo, tenhas paciência e me compreendas.
E quando deixar cair comida sobre a minha camisa e esquecer como se faz o laço no atacador do meu sapato, tenhas paciência comigo e lembra-te das horas que passei ensinando-te essas mesmas coisas.
Se quando conversares comigo eu repetir as mesmas histórias, não me interrompas e escuta-me. Quando eras pequeno, para que dormisses, tive de contar milhares de vezes as mesmas histórias até tu fechares os teus olhinhos.
Quando estivermos reunidos e sem querer fizer as minhas necessidades, não fiques com vergonha.Espero que compreendas que não tenho culpa disso, pois já não as posso controlar. Pensa quantas vezes pacientemente, troquei as tuas roupas para que tivesses sempre limpo e cheiroso.
Lembra-te que fui eu quem te ensinou tanta coisa...Comer, vestir e como enfrentar a vida tão bem como hoje o fazes. Isso é o resultado do meu esforço e da minha perseverança.
Se em algum momento quando conversarmos eu esquecer-me do que estávamos a falar, tem paciência comigo e ajuda-me a lembrar.Talvez a única coisa importante para mim naquele momento, seja o fato de te ver perto de mim e dando-me atenção e não o que falávamos.
Se alguma vez eu não quiser comer, espero que saibas insistir com carinho assim como fiz contigo.
Espero que compreendas que com o tempo não terei dentes fortes nem agilidade para engolir.
E quando as minhas pernas falharem por estarem tão cansadas e eu não conseguir mais me equilibrar...Com ternura dá-me a tua mão para me apoiar, como eu o fiz quando começaste a caminhar com as tuas perninhas tão frágeis.
Se algum dia me ouvires dizer que não quero mais viver, não te aborreças comigo.Algum dia entenderás que isto não tem a ver com o teu carinho ou com quanto te amo.
Espero que compreendas que é difícil ver a vida abandonando aos poucos o meu corpo, e que é duro admitir que já não tenho o mesmo vigor para correr ao teu lado.

TEU VELHO