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quinta-feira, 15 de junho de 2017

VL – Maria, Mãe da Igreja e Mãe nossa

       O mês de maio desafia-nos a olhar com mais atenção para Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe. O primeiro dia do mês é dedicado às Mães, com uma referência muito peculiar a Santa Maria Mãe de Deus. N'Ela, as características que queremos encontrar nas nossas mães: a candura, a doçura, a capacidade de nos amar em todas as circunstâncias, de nos desculpar e justificar, a diplomacia para a paz e para unidade na família, defendendo-nos com unhas e dentes, procurando a harmonia na família, o diálogo, a disponibilidade para o esforço e sacrifício, para sofrer em nossa vez, a humildade e, em muitas situações, a sujeição à humilhação.
       A vida de Maria mostra-nos a Sua delicadeza para com aqueles que precisam de ajuda, exemplo disso a pressa em ir ao encontro de Isabel ou a intervenção junto de Jesus para agir em favor dos noivos de Caná da Galileia; prontidão para se inteirar da vida do Filho, como quando lhe trazem más notícias. Respeita a Hora do Filho mas mantém-se por perto, vigilante.
       Pelos frutos se veem as árvores. Jesus não nasceu do ar, como extraterrestre, é de carne e osso. Ele aprendeu a ser delicado com os Seus pais, Maria e José. Com o Pai, o trabalho, a profissão, os valores do respeito e da honra, da palavra dada e do compromisso. Com a Mãe, a atenção aos outros, a doçura, a humildade, o olhar terno e a capacidade de se colocar – tanto quanto possível – no lugar dos outros, com as suas necessidades e dúvidas.
       A história bíblica vai-nos mostrando que Deus é Pai que nos ama com amor de Mãe. Jesus transparece a beleza e a misericórdia de Deus Pai, nas palavras, na postura, nas imagens utilizadas, na pregação, nos gestos assumidos. O seu último desejo, contudo, aponta para a Maria, dando-no-l'A por Mãe, assumindo-nos como irmãos, afiliando-nos a Maria: Eis a tua Mãe. Eis o teu filho.
       O Papa Sorriso, João Paulo I, lembra-nos que Deus é Pai, mas é mais Mãe. Mas se a referência para o Pai a podemos encontrar em Jesus – quem me vê, vê o Pai; Eu e o Pai somos Um – a referência maternal de Deus podemos encontrá-la visível em Maria. N’Ela Deus ensina-nos a dizer sim, a amar, a despojar-nos do nosso egoísmo e até de projetos mais pessoais, para responder ao Seu chamamento e embarcar num projeto que nos leve a frutificar, como Ela que no Seu ventre nos dá Jesus, e com Jesus a Luz e a eternidade.

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4411, de 9 de maio de 2017

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

GISELDA ADORNATO: PAULO VI - BIOGRAFIA

GISELDA ADORNATO (2014). Paulo VI. Biografia. A história, a herança, a santidade. Lisboa: Paulus Editora. 296 páginas.
       Surpreendente. Um retrato muito completo de um Papa que trouxe a Igreja para a atualidade, no meio de grandes provações, na procura de a manter fiel ao Evangelho da Verdade e da Caridade, tornando-a próxima do nosso tempo, da cultura e da ciência, apostando na evangelização, no compromisso missionário, aberta ao mundo, promovendo o ecumenismo e o diálogo com outras religiões e outras sensibilidades.
       A recente beatificação de Paulo VI, no passado dia 19 de outubro, no encerramento da III Assembelia Extraordinária do Sínodo dos Bispos (instituído por Paulo VI no prosseguimento do Vaticano II) e dedicada à família, tema amplamente refletido por ele que lhe trouxe muitos dissabores nomeadamente com a publicação da Exortação Apostólica Humanae Vitae, que suscitou as mais variadas reações, algumas de violento ataque ao papado e à Igreja, e que mesmo dentro da Igreja suscitou oposição e rutura.
       O pontificado de Paulo VI transformou a Igreja, ainda que tenha ficado marcado por vários episódios de tormento e provação. Depois da morte do bom Papa João XXIII, o Cardeal Montini, depois de um tempo de fervor pastoral na maior Diocese do mundo, Milão, regressa a uma casa que conhece bem, no serviço aos seus antecessores, nomeadamente Pio XII. Regressa como Papa, escolhendo o nome de Paulo, sublinhando desde logo a missionaridade da Igreja. 1963, o concílio está a meio e com a morte do Papa saltam as dúvidas se continuará e terá um desfecho. Logo Paulo VI retomará as sessões do Concílio, com uma intervenção muito interventiva, procurando pontes, não cedendo a pressões, com visões muitas vezes antagónicas entre os chamados conservadores e os progressistas. Paulo VI procura que uns e outros dialoguem, e se aproximem da verdade que é Jesus Cristo.
       Com Paulo VI iniciam-se as Viagens Apostólicas do Papa a diversos países do mundo: Israel, EUA, Portugal, Índia, Colómbia, Uganda... e um intenso trabalho apostólico de diálogo com os Ortodoxos, com as diversas confissões cristãs, mas também o diálogo interreligioso, com judeus e muçulmanos, mas também com outras culturas religiosas, encontro com o Dalai Lama.
(Paulo VI com João Paulo II, Dom Hélder da Câmara, com Madre Teresa de Calcutá, com João XXIII)

       Para quem viveu e cresceu com a figura de João Paulo II, de depois Bento XVI, e agora Francisco, os Papas anteriores são uma memória longínqua que nos é recordada de tempos a tempos. No entanto, com o reconhecimento da heroicidade das virtudes de Paulo VI, em 20 de dezembro de 2012, pela mão de Bento XVI e agora a beatificação, pelas mãos de Francisco, tornou-se urgente redescobrir esta figura iminente da Igreja.
       Tantas foram as vicissitudes que atravessaram a Igreja no século XX. Num tempo de grande transformação, a Igreja contou, no Papado, com figuras extraordinárias, pela inteligência, pela cultura, pela bondade, pela fé. Alguns dos Papas foram entretanto canonizados: Pio X, João XXIII, João Paulo II, e beatificado Paulo VI, mas decorre também o processo de beatificação de Pio XII aberto ainda por Paulo VI.
(Paulo VI com a Irmã Lúcia, com João Paulo I, com Bento XVI, com João Paulo II)

       Curiosa, nesta biografia, a grande proximidade de Paulo VI com os Predecessores mas também com os Sucessores. Trabalhou diretamente, na Cúria Romana, com Pio XI, Bento XV, Pio XII.

       João XXIII criou-o Cardeal, em 15 de dezembro de 1958. Por sua vez, Paulo VI cria Cardeal dois dos seus Sucessores, o futuro João Paulo II e Bento XVI.
       As intervenções de Paulo VI encontram eco alargado, pela clareza, pela insistência, pela frontalidade, pela humildade. Alguns temas são problemáticos e geram tensões. Ficará conhecido sobretudo pela Humanae Vitae, mas o seu magistério é muito mais abrangente, com a reforma litúrgica, a implantação do Concílio, a intervenção e compromisso social, o diálogo com a cultura e com a ciência, a aproximação aos jovens, a colegialidade dos Bispos em comunhão com o Papa, o ecumenismo, o diálogo interreligioso, as conferências episcopais, o dia Mundial da Paz, as viagens apostólicas, a intervenção na ONU, peregrino de Fátima, a internacionalização da Cúria Romana, e a reforma da mesma, o Ano da Fé (1968) e o Ano Santo (1975), acentuando precisamente a fé, a reconciliação, a centralidade de Jesus Cristo. As dissensões com os Bispos Holandeses, com Lefebrve, o beijar da terra em Milão, o beijar o pés a Melitone, metripolita de Calcedónia, estreitando os laços com a Igreja Luterana. A abertura da Igreja às mulheres e aos leigos. A Ação Católica.

       Nasceu a 26 de setembro de 1987, em Bréscia, e faleceu a 6  de agosto de 1978, em Castel Gandolfo. Formado em Filosofia, Direito Canónico e em Direito Civil. Durante a Segunda Guerra Mundial é o chefe do Serviço de Informações do Vaticano e repsonsável por procurar soldados e civis presioneiros ou dispersos. A 1 de novembro de 1954, é eleito por Pio XII para Arcebispo de Milão, é ordenado a 12 de dezembro do mesmo ano, no Vaticano. A 15 de dezembro de 1958, é feito Cardeal. É eleito Papa a 21 de junho de 1963. A 8 de dezembro de 1965 encerra o Concílio Ecuménico Vaticano II.
       Em 21 de novembro de 1964, Consagra Nossa Senhora com o Título de Mãe da Igreja, isto é, Mãe de todo o Povo de Deus.
       Em 24 de dezembro de 1964, proclama São Bento como Padroeiro principal da Europa.
       Em 1971, atribui o prémio da Paz João XXIII a Madre Teresa de Calcutá.
       Morre "velho e cansado", mas com esperança na Igreja, conduzida por Cristo, o verdadeiro timoneiro. Alguns meses passa por mais uma grande provação: o rapto (16 de março de 1978) e morte do estadista democrata cristão Aldo Moro, cujo funeral se realiza na Basílica de São João de Latrão, a 13 de maio. Depois a aprovação da Lei do Divórcio, em Itália, no seu último ano de vida assiste ainda à entrada em vigor da Lei do Aborto. Morre às 21h40 de 6 de agosto de 1978.

       O futuro Papa João XXIII sobre Montini quando este vai para Arcebispo de Milão: "E agora, onde poderemos encontrar alguém que saiba redigir uma carta, um documento como ele sabia?"

       João XXIII, em Carta ao Arcebispo de Milão: "Deveria escrever a todos: bispos, arcebispos e cardeais do mundo [...]. Mas para pensar em todos contento-me de escrever ao arcebispo de Milão, porque nele levo-os a todos no coração, tal como diante de mim ele a todos representa".

       Montini-Paulo VI sobre João XXIII: "Que Ele fosse bom, sim, que fosse indiferente, não. Como ele se atinha à doutrina, como temia os perigos, etc. [...] Não foi um transigente, não foi um atraído por opiniões erradas. [...] O seu diálogo não foi bondade renunciatória e pacífica..."

       Em 27 de junho de 1977, nomeia Cardeal Joseph Ratzinger, arcebispo de Mónaco e Frisinga. Sobre o futuro Bento XVI:
"Damos atestado desta fidelidade também a V. Eminência, cardeal Ratzinger, cujo alto magistério teológico em prestigiosas cátedras universitárias da Sua Alemanha e em numerosas e válidas publicações fez ver como a investigação teológica - na via maestra da fides quarens intellectum - não possa e não deva nunca andar separada da profunda, livre a criadora adesão ao Magistério que autenticamente interpreta e proclama a Palavra de Deus...".
       Sobre JOÃO PAULO II... Paulo VI nomeia-o Arcebispo de Cracóvia em 1964 e Cardeal em 1967. Recebeu-o pessoalmente 20 vezes e outras quatro com o Cardeal Wyszynski ou outros bispos polacos. Pedir-lhe-á para orientar os exercícios Quaresmais de 1976. 
       João Paulo II sobre Paulo VI: "Paulo VI trazia no seu coração a luz do Tabor, e com essa luz caminhou até ao fim, levando com alegria evangélica a sua cruz".

       Os os Bispos da América Latina que tomaram a iniciativa de promover o processo de Paulo VI para ser elevado aos altares. Por aqui se pode tirar um fio de ligação ao Papa Francisco...

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

João Paulo I - Procure cada um de vós ser bom

       Ontem à tarde fui a São João de Latrão. Por mérito dos Romanos, por gentileza do Presidente da Câmara e dalgumas autoridades do Governo italiano, foi para mim um acontecimento agradável. Não agradável, pelo contrário, mas doloroso, foi ler há poucos dias nos jornais que um estudante romano fora morto por um motivo fútil, friamente. E mais um de tantos casos de violência que sem descanso vão atormentando esta nossa sociedade, pobre e inquieta.
       E também nestes dias tornou a apresentar-se o caso de Luca Locci, criança de sete anos, raptada há três meses. As vezes diz-se: "estamos numa sociedade toda estragada, toda sem moral". Mas tal afirmação não é verdade. Há ainda tanta gente boa, tanta gente honesta. Pergunte-se antes: Que fazer para melhorar a sociedade? Eu responderia: Procure cada um de nós ser bom e contagiar os outros com uma bondade toda penetrada pela mansidão e pelo amor ensinado por Cristo. A regra de ouro de Cristo foi: "Não fazeres aos outros aquilo que não queres te seja feito a ti. Fazeres aos outros o que queres te seja feito a ti. Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração". E Ele deu sempre. Colocado na cruz, não só perdoou aos que o crucificaram, mas desculpou-os. Disse: "Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem". Isto é cristianismo, são sentimentos que, se fossem postos em prática tanto ajudariam a sociedade!
       Estamos no 30° aniversário da morte de Georges Bernanos, grande escritor católico. Uma das suas obras mais conhecidas é "Diálogos das Carmelitas". Foi publicada um ano depois da sua morte. Preparara-a tomando como base a narração da escritora alemã Gertrude von Le Fort. Concebera-a para o teatro. Subiu de facto ao teatro. Foi musicada e depois projectada nos "écrans" do mundo inteiro. É conhecidíssima. Pio X, em 1906, precisamente aqui em Roma beatificara as dezasseis Carmelitas de Compiègne, mártires durante a revolução francesa.
       Durante o processo ouviu-se a condenação: "À morte por fanatismo". E uma, na sua simplicidade, perguntou: — "Senhor Juiz, se faz favor, que quer dizer fanatismo?". Responde o juiz: — É pertencerdes tolamente à religião". — "Oh, irmãs!" — disse então a religiosa — "ouvistes, condenam-nos pelo nosso apego à fé. Que felicidade morrer por Jesus Cristo!". Fizeram-nas sair da prisão da Conciergerie, meteram-nas na carreta fatal e elas, pelo caminho, foram cantando hinos religiosos; chegando ao palco da guilhotina, uma atrás doutra ajoelharam-se diante da Prioresa e renovaram o voto de obediência. Depois entoaram o "Veni Creator"; o canto foi-se tornando, porém, cada vez mais débil, à medida que iam caindo, uma a uma, na guilhotina, as cabeças das pobres irmãs. Ficou para o fim a Prioresa, Irmã Teresa de Santo Agostinho; e as suas últimas palavras foram estas: "O amor sempre vencerá, o amor tudo pode". Eis a palavra exacta: não é a violência que tudo pode, é o amor que tudo pode.
       Peçamos ao Senhor a graça de que uma nova onda de amor para com o próximo invada este pobre mundo. 
Audiência Geral, 24 de setembro de 1978: AQUI

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

João Paulo I - cada bom ladrão tem a sua devoção

       Lá em cima, na região de Veneza, ouvia dizer: cada bom ladrão tem a sua devoção. O Papa, devoções, tem várias; entre outras, a de São Gregório Magno, de que hoje ocorre a festa. Em Belluno, o Seminário chama-se gregoriano, em honra de São Gregório Magno. Lá, passei eu sete anos como estudante, e vinte como professor. Dá-se a coincidência de hoje, 3 de Setembro, ter ele sido eleito Papa e começar eu oficialmente o meu serviço à Igreja universal. Ele era romano, e subira a primeiro Magistrado da Cidade. Depois, deu tudo aos pobres, fez-se monge, e veio a ser Secretário do Papa. Falecido este, elegeram-no a ele mas não queria aceitar. Interpôs-se o Imperador, e tamhém o povo. Por último, sempre aceitou, mas escreveu ao seu amigo Leandro, Bispo de Sevilha: "Tenho mais vontade de chorar do que de falar". E à irmã do Imperador: "O Imperador quis que um macaco se tornasse leão". Vê-se que, também naqueles tempos, era difícil ser Papa. Que bom que ele era para os pobres! Converteu a Inglaterra! Sobretudo escreveu livros belíssimos; um é a Regra Pastoral: ensina aos Bispos o seu ofício, mas, na parte final, tem estas palavras: "Eu descrevi o bom pastor, mas não o sou; mostrei a praia da perfeição a que é preciso chegar, mas pessoalmente encontro-me ainda nas tempestades dos meus defeitos, das minhas faltas. Sendo assim, — por favor disse ele — para que não venha a naufragar, lançai-me uma tábua de salvação com as vossas orações". Eu digo o mesmo; mas não é só o Papa que precisa de orações, é também o mundo. Um autor espanhol escreveu: "O mundo vai mal porque há mais batalhas que orações". Procuremos que haja mais orações e menos batalhas. 

Audiência Geral, 3 de setembro de 1978: AQUI

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Últimas imagens de João Paulo I - Papa do Sorriso

       O Papa Luciani foi eleito em 26 de agosto de 1978 (o antecessor, Papa Paulo VI morreu em 6 de agosto de 1978), escolhendo o nome de João Paulo I (fazendo a síntese entre os papas João XXIII e Paulo VI ) e morreu no dia 28 de setembro de 1978. O seu pontificado foi curto - 33 dias - mas o Seu sorriso ficou para sempre como marca deste pontificado. Eis as últimas imagens:


Vale a pena ler as palavras do Papa sobre a escolha do nome, em 27 de agosto de 1978:
       Ontem de manhã fui para a Sistina votar tranquilamente. Nunca poderia imaginar o que estava para acontecer. Apenas começou o perigo para mim, os dois Colegas que estavam ao meu lado sussurraram-me palavras de coragem. Um disse: "Coragem! Se o Senhor dá um peso, concede também a ajuda para levá-lo". E o outro Colega: "Não tenha receio, em todo o mundo há tanta gente que ora pelo Papa novo". Chegado o momento, aceitei. Depois tratou-se do nome, porque é perguntado também que nome se quer tomar, e eu pouco tinha pensado.
       Fiz então este raciocínio: o Papa João quis consagrar-me com as suas mãos, aqui na Basílica de São Pedro; depois, se bem que indignamente, em Veneza, sucedi-lhe na Cátedra de São Marcos, naquela Veneza que ainda está inteiramente cheia do Papa João. Recordam-no os gondoleiros, as Irmãs, todos. Depois o Papa Paulo não só me fez Cardeal, mas alguns meses antes, numa das pontes então colocadas na Praça de São Marcos, fez que me pusesse todo vermelho diante de 20.000 pessoas, porque levantou a estola e ma lançou sobre os ombros! Nunca me tinha posto tão vermelho! Por outro lado, em 15 anos de pontificado, este Papa mostrou, não só a mim, mas a todo o mundo, como se ama, como se serve, como se trabalha e como se sofre pela Igreja de Cristo.
       Por isso, disse: "Chamar-me-ei João Paulo". Eu não tenho nem "a sabedoria de coração" do Papa João, nem a preparação e a cultura do Papa Paulo. Estou, porém, no lugar deles e devo procurar servir a Igreja. Espero que me ajudeis com as vossas orações.

sábado, 27 de julho de 2013

XVII Domingo do Tempo Comum - ano C - 28 de julho

       1 – «Pedi e dar-se-vos-á; procurai e encontrareis; batei à porta e abrir-se-vos-á. Porque quem pede recebe; quem procura encontra e a quem bate à porta, abrir-se-á. Se um de vós for pai e um filho lhe pedir peixe, em vez de peixe dar-lhe-á uma serpente? E se lhe pedir um ovo, dar-lhe-á um escorpião? Se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo àqueles que Lho pedem!»
       Persisti na oração, diz-nos Jesus. Como Maria, irmã de Marta, coloquemo-nos aos pés Jesus, escutando a Sua Palavra, predispondo-nos a escutá-l’O e a falar com Ele, tão próximos que falem os corações.
       Um dos discípulos pede a Jesus para que Ele lhes ensine a rezar. E Jesus ensina: «Quando orardes, dizei: ‘Pai, santificado seja o vosso nome; venha o vosso reino; dai-nos em cada dia o pão da nossa subsistência; perdoai-nos os nossos pecados, porque também nós perdoamos a todo aquele que nos ofende; e não nos deixeis cair em tentação’».
       A oração do Pai-nosso, mostra a clareza da mensagem de Jesus. Não é preciso dizer muitas palavras, é necessário rezar com o coração e com a vida, e que as palavras traduzam a ligação alegre e confiante a Deus, reconhecendo-O como Pai, para nos reconhecermos como irmãos, acolhendo o Reino de Deus em nós para comunicarmos aos outros o evangelho da vida e da caridade.
       2 – Logo Jesus sublinha a necessidade de rezar, de pedir, de insistir com Deus como se insiste com um amigo. Jesus dá o exemplo daquele homem que tendo visitas e, sendo já tarde, vai ter com o seu amigo para lhe solicitar três pães. Insiste uma e outra vez, até incomodar, até ser atendido. Deus não deixará de atender a vossa prece. É Jesus Quem no-lo diz. Rezai assim. Insisti. Batei à porta!
       Na primeira leitura encontramos um belíssimo testemunho desta forma de rezar. Depois da visita de Deus a Abraão, através de três viajantes, que seguiram o seu caminho, Deus permanece e revela-lhe o propósito de destruir a grande cidade de Sodoma e Gomorra, pela maldade das suas gentes. Abraão regateia com o Senhor: «Irás destruir o justo com o pecador? Talvez haja cinquenta justos na cidade. Matá-los-ás a todos? Não perdoarás a essa cidade, por causa dos cinquenta justos que nela residem? Longe de Ti fazer tal coisa: dar a morte ao justo e ao pecador, de modo que o justo e o pecador tenham a mesma sorte! Longe de Ti! O juiz de toda a terra não fará justiça?». 
       Abraão transparece valentia na oração, intercedendo pelas pessoas daquela cidade, negociando com Deus até ao limite. Se lá houver 50, 45, 40, 30, 20, 10 justos, pergunta Abraão a Deus, irás destruí-los pelos pecados dos outros? Deus responde: «Em atenção a esses dez, não destruirei a cidade».
       Referindo-se a esta passagem, na Missa matutina, no início do mês, na de Casa de Santa Marta, o Papa Francisco falava da oração corajosa de Abraão, e como este negoceia a salvação da cidade. Vai fazendo com que o preço baixe de 50 para 10. Regateia enquanto é possível. Abraão assume as dores dos outros como suas; defende a cidade como se fizesse parte dela.
       O cristão há de ser corajoso ao rezar ao Senhor. Podem ser poucas palavras, mas confiantes no beneplácito de Deus. E rezando uns pelos outros, a exemplo do nosso Pai na Fé, Abraão.

       3 – Um exemplo muito plástico, muito visual: o COLO da Mãe. É a oração mais sublime. Desde que nasce a criança tem no colo materno o seu refúgio, a sua segurança, que se estende até à idade adulta. Na minha geração e nas anteriores mais ainda, a afetividade entre os filhos e os pais era mais comedida, mais sóbria. O mesmo amor, com menos palavras afetuosas e com menos gestos de carinho.
       Hoje a relação do filho com a mãe (com os pais) é de cumplicidade. O colo da mãe é ocupado muitas vezes por motivos diversos, em diferentes idades, independentemente de quem está à volta. Pensemos, ao jeito do sorridente Papa João Paulo II, que Deus é Pai e Mãe ou como muitas vezes releva da Sagrada Escritura, é Pai que ama como Mãe, a partir das Suas entranhas. É uma ligação umbilical, genética, mas também muito espiritual: a mãe pressente as dores do filho. Assim Deus para connosco.
       Recostamo-nos ao colo da Mãe, ao ventre que nos gerou, ao peito que nos amamentou, ao corpo que nos deu vida, nos dá vida. Aconchegamo-nos, em concha, em posição fetal, como se ainda nos sentíssemos dentro do seu corpo, com a mesma segurança, com a certeza que nada nos pode fazer mal se estamos juntos, colados nela, coração com coração, pele com pele, vida com vida.
       Recostamos a cabeça e o corpo todo, a vida por inteiro, no colo da Mãe, para sentirmos o aroma da sua presença, o seu conforto, a sua voz no nosso coração, o seu olhar na nossa alma, o seu amor na nossa vida. No colo da mãe, para pedir, para chorar, para nos sentirmos especiais, para nos sentirmos filhos. No regaço da mãe para sabermos que o mundo continua ali, e não nos foge por debaixo dos pés, sentindo o seu abraço e os seus beijos demorados, a sua atenção. Somos parte dela, somos a sua vida, preenchemos o seu coração e por isso quando nos afastamos, ou adoecemos, ou nos transviamos, o seu coração fica apertadinho, a quebrar e tudo o mais perde sentido e importância. A mãe esquece o frio e o calor, esquece as suas necessidades, por nós, por cada filho. Assim Deus.
       4 – Escutando o desafio de Jesus, rezemos com coragem e insistência.
       Pensemos em Deus como Mãe.
       Com a nossa mãe, no seu colo reconfortante, pedimos, e choramos, e rimos, sem máscaras, sem pudores. Sabemos que ela nos escuta e perscruta, o seu coração sintoniza o nosso, em alta fidelidade. Quando pode atende-nos, quando não pode compreende-nos, apoia-nos, solidariza-se, chora e ri connosco. Ao seu colo vamos para dizer muitas coisas, para lhe contar a nossa vida, os nossos medos, os nossos desejos, as nossas angústias e preocupações, as nossas alegrias e conquistas. E quando não temos palavras, ficamos em silêncio. Mãe que é mãe não enjeita o seu colo, mesmo magoada, ou cansada, ou desiludida. O seu colo é nosso e para nós.
       Deus de tanto nos amar, descobre o colo de Maria, e nesse colo nos dá Jesus, e mais tarde nos dará Maria por mãe, para que mesmo que nos falte a nossa mãe, nunca nos falte o colo de uma Mãe.
       Se rapidamente vamos ao colo da mãe, rapidamente nos acheguemos ao colo de Deus, pedindo, agradecendo, permanecendo junto d’Ele, deixando que Ele permaneça junto de nós, como permaneceu junto de Abraão, segredando-lhe os nossos medos e anseios, o nosso cansaço e a nossa dor, entreguemos-lhe o nosso coração. Com coragem, confiantes. Por mais persistente que seja o sofrimento, mais intensa seja a nossa oração. Também aí Ele associa a Sua paixão ao nosso desânimo. E se o sofrimento persistir, e não estiver ao alcance a cura, não deixemos de nos colocar ao Seu colo, pedindo força e ânimo para aceitarmos o que não é possível mudar.
       E ainda que queiramos protestar com Ele, façamo-lo sem medo. Ele escuta as nossas queixas. Ele não recua, como não recua o colo da Mãe. Muitas vezes a Mãe sofre o sofrimento do filho. Ela quereria assumir no seu corpo, na sua vida, o sofrimento do filho para que ele não sofresse. Mas não pode. Vale, nessas horas, a companhia, a certeza que nos apoia, que está do nosso lado, que compreende a nossa dor, e nos dá a mão e o regaço, e firma o seu no nosso olhar.

       5 – Ele vem para nascer e viver no meio de nós, caminhar connosco e connosco penetrar no sofrimento e na morte, e como Deus, Jesus nos abre de novo outro colo e outro céu, nos dá a mão e como irmão nos eleva para o coração de Deus. As distâncias encurtam-se. Deus faz-Se homem.
“Sepultados com Cristo no batismo, também com Ele fostes ressuscitados pela fé que tivestes no poder de Deus que O ressuscitou dos mortos. Quando estáveis mortos nos vossos pecados e na incircuncisão da vossa carne, Deus fez que voltásseis à vida com Cristo e perdoou-nos todas as nossas faltas. Anulou o documento da nossa dívida, com as suas disposições contra nós; suprimiu-o, cravando-o na cruz”.
       O Céu fica mais perto. Com a Ressurreição, Jesus parte, e envia-nos o Espírito Santo. A oração permite-nos acolher o Espírito e a salvação, compreender a nossa fragilidade e a nossa limitação. A oração predispõe-nos para reconhecer os outros como irmãos e para aceitarmos os nossos limites, para perdoarmos os limites dos outros, para transformarmos a fé em vida e em compromisso.


Textos para a Eucaristia (ano C): Gen 18, 20-32; Col 2, 12-14; Lc 11, 1-13.

sábado, 18 de maio de 2013

O beato João Paulo II faria 93 anos

       João Paulo II, eleito a 16 de Outubro de 1978, sucedendo a João Paulo I, nasceu em 18 de Maio de 1920, em Wadowice, uma pequena cidade a 50 kms. de Cracóvia. Era o mais novo de três irmãos. Filho de Karol Wojtyła e Emilia Kaczorowska, herda o nome do pai, Karol Wojtyla. A sua mãe faleceu em 1929, e o seu irmão mais velho, Edmundo (médico), em 1932; o seu pai (sub-oficial do exército), morreu 1941, e a sua irmã Olga morreu antes de ele ter nascido.
       Foi baptizado no dia 20 de Junho de 1920, pelo Pe. Franciszek Zak, na Igreja paroquial de Wadowice; aos  9 anos fez a Primeira Comunhão e aos 18 anos o Crisma...
       ... Foi ordenado sacerdote no dia 1 de Novembro de 1946, em Cracóvia, pelas mãos do Arcebispo Sapieha.
       No dia 4 de Julho de 1958, foi nomeado por Pio XII, Bispo Auxiliar de Cracóvia. Foi ordenado Bispo no dia 28 de Setembro de 1958, na Catedral de Wawel (Cracóvia), pelas mãos do Arcebispo Eugeniusz Baziak.
       No dia 13 de Janeiro de 1964, foi nomeado Arcebispo de Cracóvia, por Paulo VI, recebendo também dele o título de Cardeal a 26 de Junho de 1967.
       Eleito Papa a 16 de Outubro de 1978, iniciou o seu profícuo pontificado a 22 do mesmo mês.
       Morreu a 2 de Abril de 2005. Sucedeu-lhe Bento XVI, seu "braço direito" durante largos anos.
       No dia 28 de Junho de 2005, iniciou-se o processo da causa de beatificação e canonização, com dispensa de Bento XVI dos habituais cinco anos após falecimento.

Para consultar a biografia oficial e detalhada de João Paulo II consulte a página da Santa Sé, aqui!

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Papa Paulo VI, morreu há 34 anos...

6 de Agosto de 1978.
Dia em que morre o Papa Montini, isto é o Papa Paulo VI, em Castelgandolfo, a residência de férias dos Papas.
O nome de nascimento: Giovanni Battista Enrico Antonio Maria Montini, em Concesio, no dia 26 de Setembro de 1897.
Foi eleito Papa, com o nome de Paulo VI, no dia 21 de Junho de 1963. Sucedeu ao Papa João XIII. A seguir ao Papa Montini, como sabemos, o Papa João Paulo I e João Paulo II, e agora Papa Bento XVI.
Foi ordenado sacerdote em 1920.
Foi nomeado Arcebispo de Milão a 1 de Novembro de 1954.
Uma das grandes marcas do Papa Paulo VI é O Concílio Ecuménico Vaticano II. O Papa João XXIII convocou-o e iniciou-o. Paulo VI prosseguiu-o, concluiu-o e procurou implantá-lo em toda a Igreja.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Portugal e os Papas

       O Papa Paulo VI visitou Portugal no ano de 1967, como peregrino em Fátima, para presidir às celebrações dfo dia 13 de Maio.
       João Paulo I: como Cardeal e Patriarca de Veneza, Albino Luciani, visitou o Santuário de Fátima em 1977.
       João Paulo II fez três viagens apostólicas a Portugal. A primeira em 1982. Além de Fátima visitou Lisboa, Vila Viçosa, Coimbra, Braga e Porto, ao longo de 4 dias. A segunda viagem, nove anos depois, coloca o Papa em Lisboa, a 10 Maio de 1991, onde celebrou missa no Estádio do Restelo, partindo depois para os Açores e Madeira, terminando a visita no Santuário de Fátima. No ano 2000, João Paulo II regressa para a beatificação dos pastorinhos, Jacinta e Francisco Marto.
      Bento XVI, então Cardeal Joseph Ratzinger, presidiu às celebrações do dia 13 de Outubro de 1996, no Santuário de Fátima. Voltará alguns anos depois ao Porto, em Março de 2001, para um Conferência na Universidade Católica a convite do então Vice-reitor da Faculdade de Teologia e actual Bispo de Leiria-Fátima, D. António Marto. Como Papa, a Sua primeira Viagem Apostólica a Portugal acontecerá de 11 a 14 de Maio de 2010, Lisboa, Fátima e Porto.

Informações mais detalhadas na página oficial da Visita Pastoral a Portugal, Bento XVI em Portugal.