A terceira Carta Encíclica de Bento XVI empresta o título a este blogue. A Caridade na Verdade. Agora permanecem a fé, a esperança e a caridade, mas só esta entra na eternidade com Deus. Espaço pastoral de Tabuaço, Távora, Pinheiros e Carrazedo, de portas abertas para a Igreja e para o mundo...
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sexta-feira, 17 de maio de 2024
sábado, 18 de novembro de 2023
sábado, 1 de setembro de 2018
A todo aquele que tem, dar-se-á mais...
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos a seguinte parábola: «Um homem, ao partir de viagem, chamou os seus servos e confiou-lhes os seus bens. A um entregou cinco talentos, a outro dois e a outro um, conforme a capacidade de cada qual; e depois partiu. O que tinha recebido cinco talentos fê-los render e ganhou outros cinco. Do mesmo modo, o que recebera dois talentos ganhou outros dois. Mas, o que recebera um só talento foi escavar a terra e escondeu o dinheiro do seu senhor. Muito tempo depois, chegou o senhor daqueles servos e foi ajustar contas com eles. O que recebera cinco talentos aproximou-se e apresentou outros cinco, dizendo: ‘Senhor, confiaste-me cinco talentos: aqui estão outros cinco que eu ganhei’. Respondeu-lhe o senhor: ‘Muito bem, servo bom e fiel. Porque foste fiel em coisas pequenas, confiar-te-ei as grandes. Vem tomar parte na alegria do teu senhor’. Aproximou-se também o que recebera dois talentos e disse: ‘Senhor, confiaste-me dois talentos: aqui estão outros dois que eu ganhei’. Respondeu-lhe o senhor: ‘Muito bem, servo bom e fiel. Porque foste fiel em coisas pequenas, confiar-te-ei as grandes. Vem tomar parte na alegria do teu senhor’. Aproximou-se também o que recebera um só talento e disse: ‘Senhor, eu sabia que és um homem severo, que colhes onde não semeaste e recolhes onde nada lançaste. Por isso, tive medo e escondi o teu talento na terra. Aqui tens o que te pertence’. O senhor respondeu-lhe: ‘Servo mau e preguiçoso, sabias que ceifo onde não semeei e recolho onde nada lancei; devias, portanto, depositar no banco o meu dinheiro e eu teria, ao voltar, recebido com juro o que era meu. Tirai-lhe então o talento e dai-o àquele que tem dez. Porque, a todo aquele que tem, dar-se-á mais e terá em abundância; mas, àquele que não tem, até o pouco que tem lhe será tirado. Quanto ao servo inútil, lançai-o às trevas exteriores. Aí haverá choro e ranger de dentes’» (Mt 25, 14-30).
Vigilância e compromisso. Utilizando a beleza das palavras, "obrigando" a refletir, Jesus vai educando os seus discípulos, daquele e deste tempo, para a vivência concreta da fé. Na parábola das 10 virgens, 5 prudentes e 5 insensatas, sublinhava-se precisamente que a espera e confiança em Deus não nos leva a cruzar os braços, mas a preparar-nos em tempo útil para o que virá. A espera não resignação, imobilismo, ociosidade. Pelo contrário, o facto de esperarmos por Deus, a certeza de que Ele virá e que não estaremos cá para sempre, há de levar-nos a aproveitar bem o tempo de que dispomos para dar valor e sentido à nossa vida. Quando Ele vier, se praticámos o bem, se vivemos com os outros em lógica de serviço e de amor, as nossas mãos erguer-se-ão, confiantes, até ao Céu com o perfume que irradiámos pelos outros, pelo mundo.
Hoje, do mesmo modo, a parábola dos talentos. Deus confia em nós. Deus coloca nas nossas mãos a salvação do mundo. Cabe-nos desenvolver os nossos talentos. A fé não nos desliga do tempo presente. Aliás, veja-se a oração sacerdotal. Jesus pede a Deus Pai não que livre os discípulos do mundo, mas do mal enquanto estão no mundo.
Somos as mãos, os pés, a voz, o rosto de Deus para os nossos concidadãos. Poderia ser de outro modo. Mas Deus ama-nos e por que nos ama aposta em nós. Conta connosco. Não desperdicemos os talentos que possuímos. Agradeçamo-los ao Senhor, sabendo que a melhor forma de agradecer é pô-los a render. Como é que sabemos os talentos que temos que não os colocamos em ação?
Como é que fixamos o olhar em Deus, se nos esquecemos de amar o nosso próximo?
Não é possível, como facilmente se conclui, amarmos a Deus se não amarmos os Seus filhos...
Vigilância e compromisso. Utilizando a beleza das palavras, "obrigando" a refletir, Jesus vai educando os seus discípulos, daquele e deste tempo, para a vivência concreta da fé. Na parábola das 10 virgens, 5 prudentes e 5 insensatas, sublinhava-se precisamente que a espera e confiança em Deus não nos leva a cruzar os braços, mas a preparar-nos em tempo útil para o que virá. A espera não resignação, imobilismo, ociosidade. Pelo contrário, o facto de esperarmos por Deus, a certeza de que Ele virá e que não estaremos cá para sempre, há de levar-nos a aproveitar bem o tempo de que dispomos para dar valor e sentido à nossa vida. Quando Ele vier, se praticámos o bem, se vivemos com os outros em lógica de serviço e de amor, as nossas mãos erguer-se-ão, confiantes, até ao Céu com o perfume que irradiámos pelos outros, pelo mundo.
Hoje, do mesmo modo, a parábola dos talentos. Deus confia em nós. Deus coloca nas nossas mãos a salvação do mundo. Cabe-nos desenvolver os nossos talentos. A fé não nos desliga do tempo presente. Aliás, veja-se a oração sacerdotal. Jesus pede a Deus Pai não que livre os discípulos do mundo, mas do mal enquanto estão no mundo.
Somos as mãos, os pés, a voz, o rosto de Deus para os nossos concidadãos. Poderia ser de outro modo. Mas Deus ama-nos e por que nos ama aposta em nós. Conta connosco. Não desperdicemos os talentos que possuímos. Agradeçamo-los ao Senhor, sabendo que a melhor forma de agradecer é pô-los a render. Como é que sabemos os talentos que temos que não os colocamos em ação?
Como é que fixamos o olhar em Deus, se nos esquecemos de amar o nosso próximo?
Não é possível, como facilmente se conclui, amarmos a Deus se não amarmos os Seus filhos...
sábado, 15 de julho de 2017
São Boaventura, Bispo e doutor da Igreja
Nota biográfica:
Nasceu aproximadamente no ano 1218 em Bagnoregio, na Etrúria; estudou filosofia e teologia em Paris e a seguir ensinou as mesmas disciplinas, com grande aproveitamento, aos seus irmãos da Ordem dos Frades Menores. Foi eleito Ministro Geral da sua Ordem, cargo que exerceu com prudência e sabedoria. Foi nomeado cardeal bispo de Albano e morreu em Lião no ano 1274. Escreveu muitas obras filosóficas e teológicas.
Concedei-nos, Deus todo-poderoso, que, celebrando hoje a memória de São Boaventura, aproveitemos a riqueza dos seus ensinamentos e imitemos a sua ardente caridade. Por Nosso Senhor...
«Certa vez, Frei Egídio (um dos companheiros mais queridos de S. Francisco), homem muito simples e piedoso, falou assim ao Ministro General, Frei Boaventura (+ 1274), um dos maiores teólogos da Igreja.
A MAIOR DAS CAPACIDADES: AMAR
«Certa vez, Frei Egídio (um dos companheiros mais queridos de S. Francisco), homem muito simples e piedoso, falou assim ao Ministro General, Frei Boaventura (+ 1274), um dos maiores teólogos da Igreja.
- Meu Pai, Deus deu-lhe muitos dotes. Eu, pessoalmente, não recebi grandes talentos. O que devemos nós, ignorantes e tolos, fazer para sermos salvos?
O douto e santo Frei Boaventura elucidou-o dizendo:
- Se Deus não desse ao homem nenhuma outra capacidade senão a de amar, isto lhe bastaria para se salvar.
- Quer dizer que um ignorante, pode amar a Deus tanto como um sábio?, perguntou Frei Egídio, tentando entender.
- Mesmo uma velhinha muito ignorante, disse-lhe com ternura o grande teólogo, pode amar mais a Deus do que um professor de Teologia.
Dando pulos de alegria, Frei Egídio correu para a sacada do convento e começou a gritar:
- Ó velhinha ignorante e rude, tu que amas a Deus Nosso Senhor, podes amá-l`O mais do que o grande teólogo Frei Boaventura.
E, comovido, ficou ali, imóvel, durante três horas.»
(Pe. Neylor J. Tonin, em "Histórias de Sabedoria"), in Abrigo dos Sábios.
São Boaventura, bispo: «Itinerário da alma para Deus»À sabedoria mística revelada pelo Espírito Santo
Cristo é o caminho e a porta. Cristo é a escada e o veículo; o propiciatório colocado sobre a arca de Deus e o sacramento escondido desde os séculos. Quem olha para este propiciatório, de rosto plenamente voltado para ele, contemplando-o suspenso na cruz, com fé, esperança e caridade, com devoção, admiração e alegria, com veneração, louvor e júbilo, realiza com Ele a Páscoa, isto é, a passagem. E assim, por meio da vara da cruz atravessa o Mar Vermelho, saindo do Egipto e entrando no deserto, onde saboreia o maná escondido. Descansa também no túmulo com Cristo, parecendo exteriormente morto, mas sentindo, quanto lhe é possível no estado de viador, aquilo que na cruz foi dito ao ladrão que aderiu a Cristo: Hoje estarás comigo no paraíso.
Nesta passagem, se for perfeita, é necessário que se deixem todas as operações intelectivas e que o ápice mais sublime do amor seja transferido e transformado totalmente em Deus. Isto porém é uma realidade mística e ocultíssima, que ninguém conhece a não ser quem recebe, nem ninguém recebe senão quem deseja, nem deseja senão aquele que é inflamado, até à medula da alma, pelo fogo do Espírito Santo, que Cristo enviou à terra. Por isso diz o Apóstolo que esta sabedoria mística é revelada pelo Espírito Santo.
Se pretendes saber como isto sucede, interroga a graça e não a ciência, a aspiração profunda e não a inteligência, o gemido da oração e não o estudo dos livros, o esposo e não o professor, Deus e não o homem, a nuvem e não a claridade. Não interrogues a luz, mas o fogo que tudo inflama e transfere para Deus, com unção suavíssima e ardentíssimos afectos. Esse fogo é Deus; a sua fornalha está em Jerusalém. Cristo acendeu-o na chama da sua ardentíssima paixão. Só verdadeiramente o recebe quem diz: A minha alma preferia o estrangulamento, e os meus ossos a morte. Quem ama esta morte pode ver a Deus, porque é indubitavelmente verdade que nenhum homem poderá ver-Me e continuar a viver.
Morramos, pois, e entremos nessa nuvem; imponhamos silêncio às preocupações terrenas, paixões e imaginações; passemos, com Cristo crucificado, deste mundo para o Pai, a fim de que, ao manifestar-se-nos o Pai, digamos com o apóstolo Filipe: Isto nos basta; e ouçamos com São Paulo: Basta-te a minha graça; e exultemos com David, exclamando: Desfalece a minha carne e o meu coração: Deus é o meu refúgio e a minha herança para sempre. Bendito seja o Senhor para sempre. E todo o povo diga: Amen. Amen.
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
XXXIII Domingo do Tempo Comum - ano A - 16 de novembro
1 – Aí está uma das últimas páginas do Evangelho de São Mateus. A concluir o ano litúrgico – no próximo domingo – a narrativa do Juízo Final (cf. Mt 25, 31-46); porquanto Jesus diz-nos como nos preparamos para que o encontro definitivo com Deus nos seja favorável: fazer render os dons que Ele nos dá. A vida nunca será um mar de rosas, terá os seus espinhos e as suas contrariedades, nem tudo dependerá de nós, surgirão imprevistos, situações difíceis que abalam a nossa confiança e, por vezes, nos levam a querer desistir. Mas ninguém viverá a vida por nós. Nem no bem nem no mal. A vida é nossa. Nossa é a história. E ainda bem, se formos meros espectadores da nossa vida, então passaremos pela história como o ar dentro de um balão que se esvazia tão rapidamente que nem se dá por isso. Não darão por nós. É como se não tivéssemos existido!
No final, seremos julgados pelo amor. O amor que nos aproximou dos outros e que nos levou a transparecer o amor de Deus. Quem vai para o mar prepara-se em terra. Jesus alerta-nos para nos prepararmos bem, investindo o nosso tempo, as nossas energias, os nossos talentos. Não adianta esconder-nos, adiar, deixar que outros resolvam, outros vivam. Há que apostar. Há que arriscar. Podemos errar. Podemos fracassar, esmurrar a cara, podemos cair. Mas importa arriscar, viver, sair, ir ao encontro dos outros, semear o bem e a justiça, cultivar a esperança e a alegria, plantar a misericórdia e o bem, deixar-se cativar pela generosidade e pelo perdão. Mesmo caindo!
A parábola é extraordinariamente clarificadora. Um homem vai de viagem e confia os seus bens aos seus servos, conforme a capacidade de cada um. Confia neles e segue viagem.
Assim Deus connosco. Confia em nós. Dá-nos os Seus dons. Não nos pede mais do que aquilo que seremos capazes de assumir, ou capacita-nos em ordem a cumprirmos a missão a que nos chama. Dá-nos o mundo inteiro para cuidarmos. Não nos controla como marionetas. Deixa que o trigo e o joio cresçam conjuntamente. E embora não cesse de nos envolver, de nos desafiar, de nos provocar, aguarda-nos no Seu banquete eterno.
2 – O que recebeu cinco talentos duplicou os rendimentos. O que recebeu dois talentos também os duplicou. O que recebeu um talento, não fez mais. Cruzou os braços à espera do patrão. Se pobre era, pobre ficou. Lamentou-se pelo pouco que recebeu e nada fez para melhorar a sua situação. Não investiu. Em vez de valorizar o dom recebido, refugia-se no medo em relação ao seu senhor. Ah, como se assemelha à nossa vida cristã: em vez de vivermos em alegria acolhendo a misericórdia de Deus, por vezes, vivemos atemorizados pelo que Deus nos pode vir a fazer. Ora Deus é Pai. Infinitamente misericordioso, bom e justo. O Juízo de Deus depende de nós. A Sua benevolência agracia-nos para que façamos render a vida e os dons recebidos. Nem todos temos as mesmas qualidades, mas se partilharmos o que temos, o que somos, procurando sempre melhorar, estamos a valorizar a balança a nosso favor.
Aquele homem recebeu um talento e outra coisa não fez que lamentar a sua sorte. A vida pode trazer-nos escolhos que não escolhemos. Pode acontecer que não mereçamos as partidas que a vida nos prega. Fazemos por merecer o melhor e tantas vezes nos deparamos com o pior! O lamento serve como desabafo, e podemos encontrar consolo em quem nos escuta, compreensão e incentivo, como forma de prosseguirmos, apesar de tudo. Porém, a vida não se altera se ficarmos apenas a lamentar-nos. Quantas vezes o copo meio cheio se nos afigura copo meio vazio?
«Senhor, eu sabia que és um homem severo, que colhes onde não semeaste e recolhes onde nada lançaste. Por isso, tive medo e escondi o teu talento na terra. Aqui tens o que te pertence». A resposta do seu senhor é inequívoca: «Servo mau e preguiçoso, sabias que ceifo onde não semeei e recolho onde nada lancei; devias, portanto, depositar no banco o meu dinheiro e eu teria, ao voltar, recebido com juro o que era meu».
Devolve-se ou paga-se o que se deve, o que se pediu emprestado, agradecendo. Se entramos no sistema económico-financeiro, a devolução é com juros. Só que no caso presente, o banco somos nós. Deus confia-nos os Seus dons. Dá-nos a Sua própria vida, em Jesus Cristo. A Sua vida por inteiro. E que fazemos com este "depósito"? Pomo-lo a render? Investimos para o devolvermos rentabilizado? Ou deixamos tudo na mesma, escondendo-nos no medo?
3 – Na segunda leitura, o Apóstolo São Paulo evoca as palavras do Senhor Jesus Cristo, dizendo aos cristãos que "sobre o tempo e a ocasião, não precisais que vos escreva, pois vós próprios sabeis perfeitamente que o dia do Senhor vem como um ladrão nocturno. E quando disserem: «Paz e segurança», é então que subitamente cairá sobre eles a ruína, como as dores da mulher que está para ser mãe, e não poderão escapar. Mas vós, irmãos, não andais nas trevas, de modo que esse dia vos surpreenda como um ladrão, porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia: nós não somos da noite nem das trevas. Por isso, não durmamos como os outros, mas permaneçamos vigilantes e sóbrios".
A preocupação pela hora em que seremos "devolvidos" à precedência, chamados à presença do Senhor, após a nossa morte, pode trazer-nos temor. Assusta-nos sempre, por maior que seja a nossa fé, falar da morte, melhor, falar da minha, da tua, da nossa morte. Quando morre alguém que nos é muito próximo, sentimos, em muitos casos, que a vida é madrasta. O Apóstolo alerta-nos para que não sejamos surpreendidos. Se somos filhos da luz, caminhemos como tal, de dia, pela prática das boas obras, da justiça, da retidão, da generosidade para com todos, especialmente para com os mais pequeninos.
Certo dia, Jesus conta a história de um homem rico, que tendo tido uma grande colheita, manda construir celeiros maiores, dizendo para consigo: "Tens muitos bens em depósito para muitos anos; descansa, come, bebe e regala-te". E se o Senhor o chamar naquela noite, para quem serão aqueles bens? (cf. Lc 12, 16-21). Jesus termina dizendo para acumularmos tesouros que perdurem para lá do tempo e nos façam entrar em definitivo no Seu reino.
A sensação de estarmos em segurança, não nos deve demover de lutarmos pelo melhor. Não durmamos. Mantenhamo-nos vigilantes e sóbrios, na certeza de que Deus não nos faltará, nem nesta nem na vida futura.
4 – A referência a Deus, a abertura para o Transcendente, a certeza de uma Vida que não se desfaz com a morte, a esperança na ressurreição – ainda que em gestação sintamos as dores e agruras da gravidez e do parto –, permite-nos olhar para o futuro e acreditar que podemos amar, podemos ser amados, podemos transformar o mundo que habitamos (ou que nos habita.
A primeira leitura e o salmo falam da felicidade daqueles que temem ao Senhor. É uma felicidade própria, mas também partilhável e assumida em comum:
"...mulher que teme o Senhor é que será louvada. Dai-lhe o fruto das suas mãos e suas obras a louvem às portas da cidade" (1.ª Leitura). Feliz o marido que encontrou uma esposa que teme ao Senhor. Mas o mesmo se refere a cada um de nós: "Feliz de ti que temes o Senhor e andas nos seus caminhos. Comerás do trabalho das tuas mãos, serás feliz e tudo te correrá bem" (Salmo).
Temer ao Senhor, não é fugir d'Ele com medo, mas aproximar-se d'Ele com esperança, na certeza do Seu amor por nós, tal como fazemos em relação àqueles de quem gostamos: tememos magoar, tememos desiludir, e, por conseguinte, podendo errar, tentamos dar o melhor de nós.
Temer ao Senhor, não é fugir d'Ele com medo, mas aproximar-se d'Ele com esperança, na certeza do Seu amor por nós, tal como fazemos em relação àqueles de quem gostamos: tememos magoar, tememos desiludir, e, por conseguinte, podendo errar, tentamos dar o melhor de nós.
Pe. Manuel Gonçalves
Reflexão dominical na página da Paróquia de Tabuaço.
segunda-feira, 22 de abril de 2013
A imperfeição humaniza-nos
"Levamos tanto tempo até perder mania das coisas perfeitas, das pessoas perfeitas, e curarmo-nos do impulso que nos exila no aparente conforto das idealizações, ou finalmente vencermos o vício de sobrepor à realidade um cortejo de confortáveis (mas falsas) imagens! «É preciso ir além da perfeição»...
"Abraçar a imperfeição é aceitar a amizade como uma história em aberto, que conta ativamente connosco. Na imperfeição é sempre possível começar e recomeçar. A imperfeição permite-nos compreender a singularidade, a diversidade, o real impacto da passagem do tempo em cada um... a imperfeição humaniza-nos. Acolhê-la é uma condição necessária na amizade, e na maturação pessoal que nos cabe fazer..."
"Todos somos feridos, opacos, inacabados. Cada um de nós traz dentro de si uma quantidade irrazoável de sonhos sufocados, de pontas desacertadas, de palavras que nunca chegaram a ser ditas, de uma violência interior, mais difusa ou concentrada. Mesmo a nossa felicidade vem misturada com a memória de infelicidades que ainda nos ardem, mesmo que as calemos. Somos verdadeiros, porém, quando tomamos consciência disso e quando o partilhamos na confiança de uma amizade. Os mecanismos de autodefesa e de culpabilização só nos isolam mais. E a santidade, há de explicar Jesus a Pedro, não é a impecabilidade, mas este movimento profundo em nós de nos voltarmos para um outro, para o Todo-Outro, e deixarmo-nos atravessar por uma experiência de reconhecimento e misericórdia como na penumbra da catedral o vitral se deixa atravessar pelo luz. O nosso pedido deve, por isso. ser: «Aproxima-te de mim, porque sou um homem pecador» atrevendo-nos a essa forma necessária e rara de audácia que é a humildade"
in TOLENTINO MENDONÇA. Nenhum Caminho será Longo.
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
O Corpo humano e os seus membros
O corpo humano:
É uma harmonia perfeita, tudo trabalha às mil maravilhas, a maior parte dos dias não nos perguntamos como funciona, a não ser que estejamos doentes. A mão não pergunta por que é que leva a comida à boca. A boca não se incomoda com o que acontecerá à comida que passa por si. As pernas levam-nos ao lugar da comida...
É uma harmonia perfeita, tudo trabalha às mil maravilhas, a maior parte dos dias não nos perguntamos como funciona, a não ser que estejamos doentes. A mão não pergunta por que é que leva a comida à boca. A boca não se incomoda com o que acontecerá à comida que passa por si. As pernas levam-nos ao lugar da comida...
Porém nem sempre foi assim.
Um dia, os diversos membros do corpo humano começaram a interrogar-se sobre o seu papel, ou a sua função, por que é que faziam isto ou aquilo e não deviam simplesmente descansar.
As pernas e os pés disseram:
– As mãos e a boca que trabalhem, já estamos fartos de andar à procura de comida e ninguém nos agradece.
As mãos do mesmo modo:
– Já é tempo de a boca se esforçar e pegar ela na comida, não somos criadas de ninguém.
A boca ao ver que nem os pés se encaminhavam para a comida, nem as mãos se moviam para pegar em alguma coisa, também desistiu:
– Porque é que me hei-de preocupar? Sempre fiz a minha parte! Fiz com que o alimento, através de mim, chegasse ao estômago, nunca recebi qualquer agradecimento, não me abrirei para deixar entrar a comida, não vou desperdiçar as minhas energias!
Bom, o estômago ainda reclamou, não percebia porque é que estava há tantas horas sem receber alimento. Procurou saber o que se passava. Informaram-no que os pés, as mãos, a boca, estavam em greve e se recusavam a trabalhar. E o estômago começou a ficar cada vez mais incomodado, mas pouco a pouco foi-se conformando:
– Têm razão, mal eles sabem da minha canseira, senão já há muito tempo tinham feito greve. Não há um minuto, um segundo em que eu não esteja em movimento, de ora em diante vou repousar. Não me chateiem. Tenho direito a descansar, nunca ouvi uma palavra de agradecimento por trabalhar o alimento para que o corpo funcione...
Entretanto, o tempo ia passando, e cada um dos membros do corpo mantinha com firmeza a sua posição. E à medida que as horas avançavam os membros começaram a sentir uma certa sonolência, mas julgaram que era resultado do descanso e que daí não viria mal ao mundo.
E o tempo foi passando... foi passando... foi passando... E o corpo cada vez mais mole, mais fraco, e ninguém queria dar parte fraca. As pernas já não se sentiam, estavam a ficar roxas, frias... As mãos estavam caídas sobre o corpo... A boca de quando em vez ainda fazia um ligeiro esforço para se abrir, mas acabava por desistir por achar que não valia a pena desperdiçar energias.
E o tempo ia passando... ia passando...
PALAVRA de DEUS:
Pois, como o corpo é um só e tem muitos membros, e todos os membros do corpo, apesar de serem muitos, constituem um só corpo, assim também Cristo. De facto, num só Espírito, fomos todos baptizados para formar um só corpo, judeus e gregos, escravos ou livres, e todos bebemos de um só Espírito.
O corpo não é composto de um só membro, mas de muitos. Se o pé dissesse: “Uma vez que não sou mão, não faço parte do corpo”, nem por isso deixaria de pertencer ao corpo. E se o ouvido dissesse: “Uma vez que não sou olho, não faço parte do corpo”, nem por isso deixaria de pertencer ao corpo. Se todo o corpo fosse olho, onde estaria o ouvido, onde estaria o olfacto?
Deus, porém dispôs os membros no corpo, cada um conforme lhe pareceu melhor. Se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo? Há, pois, muitos membros, mas um só corpo.
Assim, se um membro sofre, com ele sofrem todos os membros; se um membro é honrado, todos os membros participam da sua alegria. (1 Cor 12, 12-31).
terça-feira, 13 de julho de 2010
A beleza da minha rosa com espinhos
Um homem plantou uma rosa e passou a regá-la constantemente.


Antes que ela desabrochasse, ele a examinou e viu o botão que em breve desabrocharia, mas notou espinhos sobre o talo e pensou:
- Como pode uma flor tao bela vir de uma planta rodeada de espinhos tão afiados?
Entristecido por este pensamento, ele se recusou a regar a rosa e antes mesmo de estar pronta para desabrochar, ela morreu.
Assim é com muitas pessoas.
Dentro de cada alma há uma rosa: - São as qualidades dadas por Deus.
Dentro de cada alma temos também os espinhos: - São as nossas faltas.
Muitos de nós olhamos para nós mesmos e vemos apenas os espinhos, os defeitos.
Nós nos desesperamos, achando que nada de bom pode vir de nosso interior.
Nos recusamos a regar o bem dentro de nós, e consequentemente, isso morre.
Nunca percebemos o nosso potencial.
Algumas pessoas nao vêem a rosa dentro delas mesmas.
Portanto alguém mais deve mostrar a elas.
Um dos maiores dons que uma pessoa pode possuir ou compartilhar é ser capaz de passar pelos espinhos e encontrar a rosa dentro de outras pessoas.
Esta é a característica do amor. Olhar uma pessoa e conhecer suas verdadeiras faltas.
Aceitar aquela pessoa em sua vida, enquanto reconhece a beleza em sua alma e ajudá-la a perceber que ela pode superar suas aparentes imperfeições.
Se nós mostrarmos a essas pessoas a rosa, elas superarão seus próprios espinhos.
Só assim elas poderão desabrochar muitas e muitas vezes.
Portanto Sorriam e descubram as rosas que existe dentro de cada um de vocês e das pessoas que amam...
Autor desconhecido, recolhido do blogue "Nova Civilização".
quinta-feira, 8 de julho de 2010
A maior das capacidades: AMAR
«Certa vez, Frei Egídio (um dos companheiros mais queridos de S. Francisco), homem muito simples e piedoso, falou assim ao Ministro General, Frei Boaventura (+ 1274), um dos maiores teólogos da Igreja.
- Meu Pai, Deus deu-lhe muitos dotes. Eu, pessoalmente, não recebi grandes talentos. O que devemos nós, ignorantes e tolos, fazer para sermos salvos?
O douto e santo Frei Boaventura elucidou-o dizendo:
- Se Deus não desse ao homem nenhuma outra capacidade senão a de amar, isto lhe bastaria para se salvar.
- Quer dizer que um ignorante, pode amar a Deus tanto como um sábio?, perguntou Frei Egídio, tentando entender.
- Mesmo uma velhinha muito ignorante, disse-lhe com ternura o grande teólogo, pode amar mais a Deus do que um professor de Teologia.
Dando pulos de alegria, Frei Egídio correu para a sacada do convento e começou a gritar:
- Ó velhinha ignorante e rude, tu que amas a Deus Nosso Senhor, podes amá-l`O mais do que o grande teólogo Frei Boaventura.
E, comovido, ficou ali, imóvel, durante três horas.»
(Pe. Neylor J. Tonin, em "Histórias de Sabedoria"), in Abrigo dos Sábios.
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