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terça-feira, 20 de março de 2018

VL – Acolher Maria, escutá-la e viver ao jeito de Jesus

Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe, embeleza e humaniza toda a vida da Igreja, desde sempre e por todas as gerações. É Bem-aventurada, escolhida e preparada por Deus para ser a Mãe de Jesus, Deus humano que vem para habitar connosco, como um de nós, assumindo-nos na nossa humanidade, na nossa fragilidade e na nossa finitude.

Entramos em modo de Advento, para prepararmos interior e exteriormente a vinda de Jesus, o nascimento do nosso Salvador. Maria conduz-nos ao Presépio, Maria dá-nos Jesus, Ela mostra-nos Jesus e ensina-nos a gerá-l’O em nós, nas diferentes circunstâncias da vida. 

A solenidade da Imaculada Conceição, Padroeira de Portugal, Rainha e Senhora Nossa, litúrgica e cronologicamente divide o Advento. Corrijamos, Maria recentra-nos na pureza original, no silêncio que perscruta a voz de Deus, na disponibilidade total para perceber a vontade de Deus. Faz com que o Advento não seja formal, não fique num conjunto de gestos, de adereços, de adornos, ainda que importantes, introduz-nos no mistério misericordioso do Pai, na ternura materna de Deus. Ela é concebida sem qualquer marca de pecado, toda santa, por vontade de Deus que partilha a Sua santidade para n’Ela fazer a Sua morada humana, terrena, histórica. É um mistério que nos vai sendo revelado e que nos desafia, nos envolve e nos provoca, nos compromete e nos dá esperança. 

Ela é uma de nós! E ainda assim é escolhida por Deus! Sabemos então que n’Ela Deus nos ama e nos ama tanto que está disposto a fazer-Se pequeno, a fazer-Se um de nós, carne da nossa carne, sangue do nosso sangue, osso dos nossos ossos. "No momento da queda começa também a promessa… Na saudação do anjo torna-se claro que a bênção é mais forte que a maldição. O sinal da mulher tornou-se sinal de esperança, a mulher torna-se a guia da esperança… Tal como a fé de Abraão esteve no início da Antiga Aliança, assim a fé de Maria inicia a Nova Aliança na cena da Anunciação... Maria põe o seu corpo, todo o seu ser à disposição de Deus para abrigar a Sua presença..." (Joseph Ratzinger – Bento XVI). 

Louvar e bendizer Maria é predispormo-nos a imitá-la, a seguir as suas instruções que, em última análise, nos colocam a agir ao modo de Jesus, pois o seu mandato é esse: “Fazei tudo o que Ele vos disser”. O olhar de Maria que nos acolhe faz-nos olhar na direção de Jesus. É um olhar cheio de graça que transluz o seu filho Jesus.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Paróquia de Tabuaço | Imaculada Conceição | 2017

       Solenidade da Imaculada Conceição, Padroeira e Rainha de Portugal. Padroeira da Paróquia de Tabuaço. Madrinha dos Bombeiros Voluntários de Tabuaço.
       Este é um momento muito especial para a Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Tabuaço.
Depois de 9 dias de preparação mais espiritual, com a Novena, o dia da festa, envolvendo a comunidade paroquial, as instituições de Tabuaço e crentes das comunidades vizinhas.
       Autarquia, Bombeiros Voluntários, GNR, Guias e Escuteiros da Europa. Grupos paroquiais: zeladoras, conselhos pastoral e para os assuntos económicos, GJT, Grupo de Acólitos, Grupos corais, mordomas e tanta gente a contribuir e a participar com alegria.

CRÉDITOS:
Fotos: Daniela Rodrigues - Paróquia de Tabuaço
Músicas de fundo: Laetare - Mãe de Deus, Minha Mãe; Grupo Coral de Santa Maria de Almacave - Avé Maria.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Paróquia de Tabuaço: Festa da Imaculada Conceição

       A Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, de Tabuaço, mais uma vez viveu a festa em honra da Sua Padroeira. A comunidade compareceu em força, como é habitual. Sendo a Madrinha dos Bombeiros Voluntários de Tabuaço, também uma presença sempre significativa dos membros desta Corporação, no transporte e guarda de honra ao Andor, e este ano com o regresso da Fanfarra, tornando ainda mais majestosa a celebração festiva.


       A Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Maria preenche a igreja, mas sobretudo o coração dos seus fiéis. Referência para Tabuaço, referência para o País, pois Ela é a Rainha e Padroeira de Portugal. Também a Santa Casa da Misericórdia de Tabuaço A tem como Padroeira.
       A Celebração da Eucaristia coroou esta festa, com a contribuição generosa do Grupo Coral de de quantas pessoas quiseram participar ativamente, pessoas e grupos paroquiais, que ajudam na celebração, preparam o espaço, zelam para que tudo esteja acolhedor para quem vem. Seguiu-se a Procissão, por algumas das ruas da Vila e Paróquia de Tabuaço, com a participação habitual da Banda de Música de Sendim. Na ordenação do trânsito e prestando guarda de honra a Guarda Nacional Republicana de Tabuaço, a quem agradecemos na pessoa do seu Comandante, a disponibilidade neste e em tantos dias ao longo de todo o ano.
        A pregação esteve a cargo do Pe. Joaquim Proença Dionísio, Reitor do Seminário Maior de Lamego e Diretor da Voz de Lamego, Jornal Diocesano, sublinhando, na homilia, o COLO de Maria, que da parte de Deus, nos acolhe, nos protege e nos aproxima de Deus.
        Ao longo de nove dias - NOVENA -, o Pe. Joaquim fez-nos caminhar com Nossa Senhora, como testemunha de fé, como exemplo do seguimento de Jesus e da vontade do Pai, como discípula e missionária, mostrando a Misericórdia de Deus, sintonizando-nos na confiança a Deus.
       Pode encontrar os resumos de cada dia nas seguintes hiperligações:

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Pe. Joaquim Dionísio: a Imaculada Conceição

Imaculada Conceição da Virgem Maria


       Vivemos hoje, dia 8 de dezembro, a festa em honra da Imaculada Conceição da Virgem Maria, padroeira principal do nosso país e desta paróquia de Tabuaço. Tal celebração, vivida nos primeiros dias do novo ano litúrgico e em pleno advento, recorda-nos o singular destino desta jovem judia escolhida por Deus, bem como o que poderá acontecer connosco se decidirmos viver em obediência a Deus.
       Para a fé cristã, Maria é indissociável do Menino que trouxe ao mundo, Jesus, em quem se manifestou plenamente o Deus vivo. Por isso, ela é chamada, desde o concílio de Éfeso (431), “Mãe de Deus”. E segundo a tradição católica, desde a proclamação do dogma, feita pelo Papa Pio IX (08/12/1854), Maria foi proclamada preservada do pecado original desde a sua concepção: “Declaramos que a doutrina que diz que Maria foi concebida sem pecado original é doutrina revelada por Deus e que a todos obriga a acreditá-la como dogma de fé”.
       Assim se afirma, defende e ensina que, para acolher o Filho de Deus, Maria não podia ter no coração nenhum traço de hesitação ou de recusa. Qual fruto antecipado do perdão oferecido por Jesus na cruz, Maria é a imaculada, preservada de todo o pecado e da separação de Deus que marca a humanidade desde os princípios, o pecado original.
       Diante de Maria, da sua disponibilidade e mediação, certamente nos sentimos admiradores e gratos, sabendo que estamos diante de uma criatura e que tudo nela é obra do Omnipotente, o mesmo Senhor da Vida que a todos quer salvar.
       Quem, como Maria, na espera do nascimento do filho, poderá mostrar à Igreja e a cada um de nós, como dispor o coração para o receber? Ela é a figura da discípula atenta, da espera ativa e da confiança total em Deus.

A caminho, com Maria!


       A novena preparatória desta festa foi mais uma oportunidade para contemplar aquela a que, familiarmente, nos habituámos a olhar e a invocar como Mãe. E lembrar Maria como mãe é contemplá-la como aquela cuja presença nos sossega e cuja ação nos dá confiança.
       Mas não basta admirar e agradecer a ação maternal e protetora de Maria; urge estar atento ao seu exemplo e disponível para acatar o seu convite:
  • contemplar a misericórdia de Deus. Deus não desiste de nenhum de nós e o Seu amor concede-nos alegria, esperança e alento para avançar, apesar dos limites assumidos;
  • disponibilidade para escutar e seguir. Deus concede-nos dons que se transformam em deveres para nós, na medida em que a melhor forma de os guardar é gastá-los. O comodismo perturba o seguimento e a obediência que importa protagonizar quando está em jogo a vontade de Deus e a nossa felicidade;
  • silêncio eficiente. Nem sempre o ruído ou o gozo são sinónimos de acção profícua ou de exemplo meritório. Mais do que proclamar bem alto a intenção de ser ou de fazer, têm muito mais valor a escolha e a acção acertadas. As palavras são dispensáveis quando os gestos falam por si.
  • escolher bem. Nem sempre as estradas mais largas levam às metas desejadas. O Senhor convida-nos para a felicidade, mas tal meta não se atinge com facilidade.
  • não desistir de caminhar. Por vezes, as dificuldades que a vida nos traz pode pôr à prova a nossa perseverança e a nossa fé; desistir surge como opção. Mas sabemos que não estamos sós e que o Senhor nos leva “ao colo”. Por outro lado, Jesus Cristo sempre nos disse que a meta não se alcança sem esforço.
Invocando a intercessão de Nossa Senhora da Conceição, pedimos e esperamos, com alegria e confiança, a bênção e as graças do Senhor que vem.

Pe. Joaquim Dionísio

Imaculada Conceição, Senhora do Advento

       A Solenidade da Imaculada Conceição marca o ritmo do Advento em algumas paróquias. Com propriedade é evocada como Nossa Senhora do Advento. Através d’Ela, do Seu sim, Deus dá-nos Jesus que sendo Filho do Altíssimo Se faz pequenino para nos elevar.
       Rainha e Padroeira de Portugal, muitas comunidades colocaram-se sob o seu protetorado, para que Ela seja guia, seja Mãe, seja guardiã da nossa fé e da nossa vida, nos auxilie nas dificuldades, nos encaminhe para Jesus caminhando connosco, relembrando-nos a vontade de Deus.
       Com Maria somos convocados para a oração, para o silêncio que perscruta Deus, para a escuta atenta da Palavra divina. Ela nos dá Jesus, Ela nos aponta para Jesus. No Seu seio virginal começa a efetivar-se a obra da salvação, a Encarnação de Deus. Podia ser doutra maneira. Talvez. Mas Deus quis contar com a humanidade. Fez germinar um rebento do tronco de Jessé, da descendência de David. O Universal concretiza-se no particular, a eternidade sujeita-se ao tempo. Deus não Se impõe. Não passa por cima. Não força. Recomeça debaixo, da raiz, começa enxertando-Se na humanidade. Maria foi a escolhida, a eleita do Senhor. Toda a eleição acarreta uma resposta, uma missão. Deus chama-nos, mas espera por nós. Chama Maria e Ela responde-Lhe: «Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra» (Lc 1, 38).
       Com Ela começa o Advento no tempo. Desde sempre, Deus viveu a transbordar de amor. Criou-nos livres e amáveis. Mas não ficou impávido e sereno à espera que a humanidade se destruísse, afastando-Se de tal forma que não houvesse regresso possível. Deus não desiste de nós. Nunca desiste de nós. De diferentes modos, comunica-Se, deixando-Se perceber, deixando-Se intuir, fazendo-Se notar pelos Seus mensageiros, profetas, sacerdotes e reis. Ainda de longe vai preparando a Sua chegada ao mundo em carne e osso, em Pessoa. Permanece em Advento até à plenitude dos tempos.
       No tempo devido, a humanidade é convocada para cooperar de forma mais entranhada. A humanidade responde a Deus por Maria e começa o Advento histórico. No seio de Maria, Deus faz a Sua morada mais sublime. Ela tornar-Se-á a Mãe do Filho de Deus. Imaculada Conceição. Deus preparou-A, para que através d’Ela também nós possamos acolher Deus, perceber o Seu amor por nós, alimentar-nos da Sua misericórdia que nos faz irmãos uns dos outros.
       Senhora do Advento, Virgem Santa Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe, Imaculada Conceição, cheia da Graça de Deus, rogai por nós!

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4390, de 6 de novembro de 2016

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Paróquia de Tabuaço: Imaculada Conceição | 2014

       Festa da comunidade. A Paróquia de Tabuaço tem como Padroeira a Imaculada Conceição (PARÓQUIA DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO), daí que este dia, 8 de dezembro, seja a Festa da Comunidade, envolvendo os crentes, os paroquianos, os Guias e Escuteiros da Europa, os Bombeiros Voluntários de Tabuaço, que A adotaram como Madrinha.
       Depois de uma novena de preparação, a grande solenidade. É em dias como este que a Igreja se torna maior, para congregar todos os que se sentem filhos de Maria, pelos que acompanham os seus familiares, ou por outros tantos motivos que só Deus saberá. Aí estão imagens da Eucaristia, da Procissão e da bênção de mais uma Ambulância. Na celebração da Eucaristia, presidida pelo pároco, a presença amiga do Pe. Jorge Giroto e do Pe. Rui Manuel Borges (Pároco de Caria e do Carregal), o Pregador da Novena e da Festa.
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quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Paróquia de Tabuaço: Compromisso dos Acólitos - 2014

       Como habitualmente, no sábado anterior à solenidade da Imaculada Conceição, Padroeira da Paróquia de Tabuaço, o Compromisso dos Acólitos. Este ano calhou no dia 6 de dezembro, e realizou-se na mesma celebração da Festa do Acolhimento aos meninos do primeiro ano da catequese.
       Depois de um tempo de preparação, teórica e prática, o compromisso de 3 novos acólitos: o Marco, a Liliana e o Virgílio. Para os acolherem os Acólitos mais crescidos. A catequista deste ano da catequese, a Márcia Ribeiro, ambientou o contexto do compromisso na ligação à catequese. O Pedro, um dos representantes do Grupo de Acólitos no Conselho Pastoral Paroquial, convocou os Acólitos ao compromisso e apresentou os novos acólitos.
       Ficam algumas imagens:
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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Bento XVI - Maria, Virgem Imaculada, Mãe da Igreja

       Mas agora devemos perguntar-nos: o que significa "Maria, a Imaculada"? Este título tem algo a dizer-nos? A liturgia hodierna esclarece-nos o conteúdo desta palavra com duas imagens grandiosas. Em primeiro lugar, há a maravilhosa narração do anúncio a Maria, a Virgem de Nazaré, da vinda do Messias. A saudação do Anjo é tecida com fios do Antigo Testamento, especialmente do profeta Sofonias. Ele faz ver que Maria, humilde mulher de província que vem de uma estirpe sacerdotal e traz em si o grande património sacerdotal de Israel, é "o santo resto" de Israel ao qual os profetas, em todos os períodos de dificuldade e de trevas, fizeram referência. Nela está presente o verdadeiro Sião, a morada pura e viva de Deus. O Senhor habita nela, e nela encontra o lugar do seu repouso. Ela é a casa viva de Deus, que não habita em edifícios de pedra, mas no coração do homem vivo. Ela é o rebento que, na obscura noite invernal da história, brota do tronco abatido de David. É nela que se cumpre a palavra do Salmo: "A terra produziu o seu fruto" (67, 7). Ela é o botão do qual deriva a árvore da redenção e dos redimidos. Deus não fracassou, como podia parecer já no início da história com Adão e Eva, ou durante o período do exílio babilónico, e como novamente parecia no tempo de Maria, quando Israel se tornou definitivamente um povo sem importância, numa região ocupada, com poucos sinais reconhecíveis da sua santidade. Deus não fracassou. Na humildade da casa de Nazaré vive o Israel santo, o resto puro. Deus salvou e salva o seu povo. Do tronco abatido resplandece de novo a sua história, tornando-se uma nova força que orienta e impregna o mundo. Maria é o Israel santo; ela diz "sim" ao Senhor, coloca-se plenamente à sua disposição e assim torna-se o templo vivo de Deus.
       A segunda imagem é muito mais difícil e obscura. Esta metáfora tirada do Livro do Génesis fala-nos de uma grande distância histórica, e somente com dificuldade pode ser esclarecida; somente durante a história foi possível desenvolver uma compreensão mais profunda daquilo que ali é mencionado. Prediz-se que durante toda a história continuará a luta entre o homem e a serpente, ou seja, entre o homem e os poderes do mal e da morte. Porém, é também prenunciado que "a estirpe" da mulher um dia vencerá e esmagará a cabeça da serpente, da morte; prenuncia-se que a linhagem da mulher e nela a mulher e a própria mãe vencerá e que assim, mediante o homem, Deus vencerá. Se, juntamente com a Igreja crente e orante, nos colocarmos à escuta diante deste texto, então poderemos começar a compreender o que é o pecado original, o pecado hereditário, e também o que é a tutela contra este pecado hereditário, o que é a redenção.
       Qual é o quadro que nesta página nos é apresentado? O homem não confia em Deus. Ele tentado pelas palavras da serpente, alimenta a suspeita de que Deus, em última análise, tira algo da sua vida, que Deus é um concorrente que limita a nossa liberdade e que nós só seremos plenamente seres humanos, quando O tivermos posto de lado; em síntese, somente deste modo podemos realizar na plenitude a nossa liberdade. O homem vive na suspeita de que o amor de Deus cria uma dependência e que é necessário libertar-se desta dependência para ser plenamente ele mesmo. O homem não deseja receber de Deus a sua existência e a plenitude da sua vida. Quer haurir ele mesmo, da árvore da ciência, o poder de plasmar o mundo, de se fazer deus elevando-se ao nível d'Ele e de vencer com as próprias forças a morte e as trevas. Não quer contar com o amor, que não lhe parece confiável; ele conta unicamente com a ciência, dado que ela lhe confere o poder.
       Em vez de visar o amor, tem como objectivo o poder com que deseja ter nas suas mãos, de modo autónomo, a própria vida. E ao fazê-lo, confia na mentira e não na verdade, e assim mergulha com a sua vida no vazio, na morte. Amor não é dependência, mas dom que nos faz viver. A liberdade de um ser humano é a liberdade de um ser limitado e, portanto, ela mesma é limitada. Só a podemos possuir como liberdade compartilhada, na comunhão das liberdades: a liberdade pode desenvolver-se unicamente se vivermos do modo justo uns com os outros, e uns para os outros.
       Nós vivemos do modo justo, se vivermos segundo a verdade do nosso ser, ou seja, segundo a vontade de Deus. Porque a vontade de Deus não é para o homem uma lei imposta a partir de fora, que o obriga, mas a medida intrínseca da sua natureza, uma medida que está inscrita nele e que o torna imagem de Deus e, assim, criatura livre. Se nós vivermos contra o amor e contra a verdade contra Deus então destruir-nos-emos uns aos outros e aniquilaremos o mundo. Então, não encontraremos a vida, mas defenderemos o interesse da morte. Tudo isto é narrado com imagens imortais na história do pecado original e da expulsão do homem do Paraíso terrestre.
       Estimados irmãos e irmãs! Se reflectirmos sinceramente sobre nós mesmos e sobre a nossa história, devemos dizer que com esta narração se descreve não só a história do princípio, mas a história de todos os tempos, e que todos trazemos dentro de nós próprios uma gota do veneno daquele modo de pensar explicado nas imagens do Livro da Génesis. A esta gota de veneno, chamamos pecado original. Precisamente na festa da Imaculada Conceição manifesta-se em nós a suspeita de que uma pessoa que não peque de modo algum, no fundo, seja tediosa; que falte algo na sua vida: a dimensão dramática do ser autónomo; que faça parte do verdadeiro ser homem, a liberdade de dizer não, o descer às trevas do pecado e o desejar realizar sozinho; que somente então seja possível desfrutar até ao fim toda a vastidão e a profundidade do nosso ser homens, do ser verdadeiramente nós mesmos; que devemos pôr à prova esta liberdade também contra Deus, para nos tornarmos realmente nós próprios. Em síntese, pensamos que o mal no fundo seja bem, que dele temos necessidade, pelo menos um pouco, para experimentar a plenitude do ser. Julgamos que Mefistófeles o tentador tem razão, quando diz que é a força "que deseja sempre o mal e realiza sempre o bem" (J.W. v. Goethe, Fausto I, 3). Pensamos que pactuar com o mal, reservando para nós mesmos um pouco de liberdade contra Deus, em última análise, seja um bem, talvez até necessário.
       Contudo, quando olhamos para o mundo à nossa volta, podemos ver que não é assim, ou seja, que o mal envenena sempre, que não eleva o homem mas o rebaixa e humilha, que não o enobrece, não o torna mais puro nem mais rico, mas o prejudica e faz com que se torne menor. É sobretudo isto que devemos aprender no dia da Imaculada: o homem que se abandona totalmente nas mãos de Deus não se torna um fantoche de Deus, uma maçadora pessoa consencientemente; ele não perde a sua liberdade. Somente o homem que confia totalmente em Deus encontra a verdadeira liberdade, a grande e criativa vastidão da liberdade do bem. O homem que recorre a Deus não se torna menor, mas maior, porque graças a Deus e juntamente com Ele se torna grande, divino, verdadeiramente ele mesmo. O homem que se coloca nas mãos de Deus não se afasta dos outros, retirando-se na sua salvação particular; pelo contrário, só então o seu coração desperta verdadeiramente e ele torna-se uma pessoa sensível e por isso benévola e aberta.
       Quanto mais próximo de Deus o homem está, tanto mais próximo está dos homens. Vemo-lo em Maria. O facto de Ela estar totalmente junto de Deus é a razão pela qual se encontra também próxima dos homens. Por isso, pode ser a Mãe de toda a consolação e de toda a ajuda, uma Mãe à qual, em qualquer necessidade, todos podem dirigir-se na própria debilidade e no próprio pecado, porque Ela tudo compreende e para todos constitui a força aberta da bondade criativa. É nela que Deus imprime a sua própria imagem, a imagem daquela que vai à procura da ovelha perdida, até às montanhas e até ao meio dos espinhos e das sarças dos pecados deste mundo, deixando-se ferir pela coroa de espinhos destes pecados, para salvar a ovelha e para a reconduzir a casa. Como Mãe que se compadece, Maria é a figura antecipada e o retrato permanente do Filho. E assim vemos que também a imagem da Virgem das Dores, da Mãe que compartilha o sofrimento e o amor, é uma verdadeira imagem da Imaculada. Mediante o ser e o sentir juntamente com Deus, o seu coração alargou-se. Nela a bondade de Deus aproximou-se e aproxima-se muito de nós. Assim, Maria está diante de nós como sinal de consolação, de encorajamento e de esperança. Ela dirige-se a nós, dizendo: "Tem a coragem de ousar com Deus! Tenta! Não tenhas medo d'Ele! Tem a coragem de arriscar com a fé! Tem a coragem de arriscar com a bondade! Tem a coragem de arriscar com o coração puro! Compromete-te com Deus, e então verás que precisamente assim a tua vida se há-de tornar ampla e iluminada, não tediosa, mas repleta de surpresas infinitas, porque a bondade infinita de Deus jamais se esgota!".

Bento XVI, A Alegria da Fé.