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segunda-feira, 15 de outubro de 2018

SANTA TERESA DE JESUS, virgem e doutora da Igreja

       Nasceu dentro da cidadela de Ávila, a 28 de março de 1515, sendo baptizada como Teresa de Ahumada... Lê a vida dos santos, depois livros de cavalaria, torna-se centro de atenções. Aos 17 anos entra nas Agostinhas de Grácia, como interna, onde brotará a vocação, entrando, alguns meses depois na Encarnação de Ávila. A 3 de novembro de 1536, faz a sua profissão religiosa.
       Será atacada de doenças várias: desequilíbrio nervoso, dores atrozes, doença do coração. Nessa altura terá os primeiros momentos de oração e de recolhimento.
       No convento da Encarnação leva uma vida folgada e tranquila, com pouca oração e se exercícios em comum com as outras irmãs. O seu lucatório é espaço onde se encontrava a alta sociedade de Ávila. Vive assim durante 20 anos.
       Um dia fixou-se, no seu lucatório, onde recebia as pessoas, numa imagem de Cristo atado à coluna. Caiu em si, vendo o que Jesus tinha feito pela humanidade e por ela também. Aos 40 anos faz a entrega definitiva a Deus. Aos 45 anos teve as primeiras visões e, um ano depois, funda o primeiro convento reformado, São José de Ávila. A ânsia de reforma espiritual, leva-a a percorrer a Espanha, fundando diversos conventos.
       Dá-se o encontro com o grande místico São João da Cruz e inicia, em novembro de 1568, a reforma entre os homens, com o convento de Duruelo.
       Faleceu no dia 4 de outubro de 1582 e enterrada ao outro dia.
       É considerada um dos maiores génios que a humanidade já produziu, possuía uma viva e arguta inteligência, num estilo vivo e atraente e com um profundo bom senso.
       Foi canonizada em 1622, com o Papa Gregório XV e em 1970, foi proclamada pelo Papa Paulo VI, com Santa Catarina de Sena, Doutora da Igreja, pelo Papa Paulo VI. As duas primeiras mulheres a receberem este título.

Oração de colecta:
       Senhor, que, por meio de Santa Teresa de Jesus, inspirada pelo Espírito Santo, manifestastes à vossa Igreja o caminho da perfeição, concedei-nos a graça de encontrar alimento na sua doutrina espiritual e de nos inflamarmos no desejo da verdadeira santidade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

Das Obras de Santa Teresa de Jesus, virgem
(Opusc. Libro de la Vida, cap. 22, 6-7.12.14) (Sec. XVI)
Lembremo-nos sempre do amor de Cristo
Estando presente tão bom amigo e tão generoso capitão, Jesus Cristo, tudo podemos suportar. Ele é ajuda e dá forças; nunca falta; é verdadeiro amigo. E eu vejo claramente que, para contentar a Deus e receber grandes mercês, Ele quer que seja pelas mãos desta humanidade sacratíssima, na qual a sua Majestade se deleita.
Muitas vezes o vi por experiência. O Senhor mo disse. Vi claramente que temos de entrar por esta porta se quisermos que a soberana Majestade nos mostre grandes segredos. Não se procure outro caminho, mesmo estando no mais alto grau da contemplação; é por aqui que se vai seguro. É por este Senhor nosso que nos vêm todos os bens; Ele o ensinará; olhando a sua vida, teremos o melhor exemplo.
Que mais desejamos de amigo tão bom ao nosso lado, que não nos deixará em dificuldades e tribulações, como fazem os do mundo? Ditoso aquele que O ama de verdade e O traz sempre junto de si. Consideremos o glorioso São Paulo que tinha sempre em sua boca o nome de Jesus, porque o tinha bem no coração. Depois de ter compreendido isto, reparei com cuidado em alguns Santos, grandes contemplativos, que não iam por outro caminho: São Francisco, Santo António de Pádua, São Bernardo, Santa Catarina de Sena. É com liberdade que devemos percorrer este caminho, abandonando nos nas mãos de Deus. Se sua Majestade nos quiser chamar para o segredo da sua antecâmara, devemos ir de boa vontade.
Sempre que pensarmos em Cristo, lembremo-nos do amor com que Ele nos concedeu tantas mercês e da caridade que Deus mostrou ao dar nos em penhor o próprio amor que tem por nós. O amor pede amor. Procuremos pois ir meditando nisto e despertando nos para amar. Na verdade, se o Senhor nos concede uma vez a graça de nos imprimir no coração este amor, tudo será fácil para nós e muito faremos em breve tempo e com pouco trabalho.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Novena da Imaculada Conceição 2016 - terceiro dia

       Ao terceiro dia da Novena, o Pe. Joaquim Dionísio começou por evocar a figura de Santa Teresa de Jesus, ou Santa Teresa de Ávila, ao tempo em que se tornou reformadora do Carmelo. Procurava então viver santamente, estendendo o testemunho às irmãs e aos religiosos em que viviam nos diferentes conventos. Pelo caminho encontrava muitos obstáculos, era criticada, abertamente, contestada, acusada, com processos que lhe moveram, dentro da própria congregação.
       Decidiu queixar-se a Jesus: bem vês o bem que procuro fazer e o testemunho que quero dar de Ti e do Teu Evangelho, procuro viver com humildade e ser prestável a toda a gente, e no entanto não me deixam em paz. A reposta de Jesus: é assim que trato os meus amigos. Contra-resposta pronta de Santa Teresa: é por isso que tens tão poucos!
       A partir daqui o nosso Pregador, propôs-se refletir sobre a dificuldade de dar testemunho. Também nós nos queixamos ao Senhor, questionando-O sobre as dificuldades que temos de enfrentar, rezamos, vimos à Missa, confiamos n'Ele, praticamos o bem, e mesmo assim sofremos, somos colocados à prova, com injustiças, sofrimentos, incompreensões, doenças, solidão... Questionamos Deus.
       No dia de Páscoa, dois homens caminham tristes, desiludidos em direção a Emaús, vão a falar do que sucedeu com o Senhor, em Quem tinha depositado a sua confiança, pensando que Ele ia resolver os problemas, restaurar a paz e a glória de Israel. Ouviram-n'O entusiasmados, acompanharam-n'O para todo o lado, pensaram que ira ser um tempo de sucesso. Mas no fim, Aquele que seria o Messias esperado, foi preso, julgado e morto numa cruz. Tudo pareceu em vão.
       Entretanto um terceiro Homem vem ao encontro deles e começa a falar com eles, a explicar-lhes as Sagradas Escrituras, mostrando que tudo o aquilo que aconteceu tinha de acontecer para se manifestar a glória de Deus. Este terceiro homem é o Senhor. Acompanhou-os ao longo do caminho. Como vinha caindo a noite, convidaram-n'O para pernoitar em sua casa. Durante a refeição, ao partir do pão, isto é, a Eucaristia, revelou-lhes que a ressurreição, a vida, venceu a morte. A dúvida deu lugar à fé e à confiança. A tristeza deu lugar à alegria. O medo deu lugar à partilha, ao anúncio, ao testemunho.
       Também isto é construir sobre a rocha, no dizer do Evangelho deste dia (Mt 7, 21.24-27).
       Os discípulos de Emaús somos nós. A escuta da Palavra, a sua reflexão, permite aclarar dúvidas e interrogações. A escuta da Palavra de Deus e o vir à sua mesa. A dúvida permite perguntar. Como Santa Teresa de Jesus. Deus responde com a Sua Palavra, com os Seus dons.
       Por outro lado, Deus não força. Vem, coloca-Se perto, mas respeita o nosso ritmo, não empurra, não arrasta, não exclui.Caminha connosco. Está no meio. Importa que esteja no meio. Os discípulos de Emaús estavam tristes porque perderam Jesus de vista. Ele tem de estar visível, ser o centro. Como tem referido o Papa Francisco, a Igreja reflete Cristo, havendo o perigo da autorrefencialidade, da Igreja se anunciar a si mesma. Como a Lua, que não tendo luz própria, reflete a luz do Sol, assim a Igreja, assim os cristãos. Vamos ao Seu encontro, deixemo-nos encontrar por Ele, coloquemo-l'O no centro.
       No primeiro dia de Novena, refletimos sobre a alegria de ser cristão. No segundo, do testemunho, neste terceiro dia, da dificuldade em dar testemunho, quando a fé é testada pela vida, pelos dias de chuva e sofrimento.
       Samta Teresa sentiu essas dificuldades. Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe, a Imaculada Conceição, também viveu momentos de dúvida, questionando o Anjo, e tantos outros momentos em que tudo parecia correr contrário ao que seria expectável da parte de Deus. Mas confiou em Deus, deixou que a fé superasse a dúvida e que o medo desse lugar à confiança. Também assim é construir sobre a rocha, na oração, na escuta da Palavra de Deus, participando do Seu banquete.
       Por fim, outro aspeto... Terminou o Jubileu da Misericórdia. O Papa colocou em grande evidência a reflexão e sobretudo a prática das 14 obras de misercórdia, 7 corporais e 7 espirituais. O Pregador desafia a vivência de uma 15.ª Obra de Misericórdia: acordar os que estão a dormir. Acordarmos quem está a dormir e deixarmo-nos acordar quando adormecemos. Podemos ir a caminho de Emaús, mas deixemos que nos acordem para regressar e dar testemunho do Crucificado-Ressuscitado, como Santa Teresa, como Maria. Também isto é construir sobre a rocha.
       Por vezes a fé acaba, as famílias desfazem-se, a relação pais-filhos esmorece, porque alguém se ficou a dormir, descuidando-se de viver. Deus dá-nos dons. Qual a melhor maneira de os guardar? Pergunta feita pelo Pe. Joaquim. A melhor forma de guardar os dons é partilhá-los. Quanto mais gastarmos a vida, quanto mais vivermos, mais vida teremos...
       Também isto é construir sobre a rocha, para testemunhar Jesus. Ajuda-nos no caminho, Nossa Senhora da Conceição, intercedendo por nós, cuidando para que Jesus esteja no centro, incentivando-nos à escuta da Palavra que alimenta a nossa fé, que nos alimenta no caminho e nas dificuldades que vamos encontrando.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

GOMES MACHADO. Edith Stein - Pedagoga e Mística.

António José GOMES MACHADO. Edith Stein: Pedagoga e Mística. Editorial A.O., Braga 2008, 304 páginas.
        António José Gomes Machado dá à estampa este livro correspondente à dissertação de Mestrado em Ciências Religiosas, sobre Edith Stein que viria a converter-se em Teresa Benedita da Cruz. Nasceu em Breslau, na Alemanha, em 12 de outubro de 1981. Este dia coincidia com o Dia do Perdão, para os judeus, uma das festas judaicas mais significativas.
       Como é sabido, o século XX é marcado pelas duas grandes guerras e também Edith Stein, como judia e como alemã, estará no centro destes dois conflitos. Na primeira, voluntariando-se como enfermeira para ajudar os muitos feridos que chegavam aos hospitais. Na segunda, como vítima da perseguição nazi. Pelo meio fica uma história de procura, de descoberta, de encontro, de conversão, de luta, de persistência.
       A sua família é judia. As festas principais são oportunidades para a família estar mais ligada ao povo da primeira Aliança, promovendo ritos, tradições, costumes. Cedo verificará que a vida não é consequente com a fé professada e celebrada, sendo que as festas judaicas se tornam sobretudo encontro com a família mas não tendo uma tradução prática na vida quotidiana. Por volta dos 14/15 anos chega assaltam em definitivo as dúvidas e a busca pela verdade, por um sentido mais pleno para a vida. Deixa a escola e passa por um tempo em que se mistura o agnosticismo, o indiferentismo religioso, e até o ateísmo, mas sem uma clara animosidade em relação à religião judaica ou outra.
       Como nos mostra o autor, a sua busca levá-la-á a Santa Teresa de Ávila (Teresa de Jesus), a mística que renovou o Carmelo. Nunca deixando de procurar um sentido para a vida, a verdade, Edith Stein volta a estudar, entra em contacto com o pai da Fenomenologia, tornando-se sua discípula, mas não se fixando aí. Contacta com outros filósofos como Max Scheler, católico. Lê a autobiografia de Santa Teresa de Jesus e dá-se o clique: é esta a verdade. A partir de então, embora continuando a investigar, a dar aulas, explicações, na área da educação e da pedagogia, procura assumir a conversão, compra o Catecismo da Igreja Católica e um Missal, pede a um sacerdote para ser batizada e torna-se católica. A sua busca continuará sempre. As suas investigações terão um ponto de apoio, Jesus Cristo, o Messias anunciando pela Sagrada Escritura, esperado pelos judeus, e que ela descobre em Jesus. Concorre para uma cátedra na universidade mas, por ser mulher, é impedida. Então resolve seguir em definitivo a sua vocação, torna-se religiosa, procurando imitar Santa Teresa de Jesus.
       Entramos na segunda guerra mundial. As religiosas acham por bem que se mude para a Holanda, para outro Carmelo. Os Bispos holandeses acharam por bem emitir uma Carta Pastoral denunciando as atrocidades cometidas pelos nazis. Esta carta foi lida em 24 de julho de 1942 em todas as Igrejas católicas da Holanda. Como resposta, os representantes do Reich ordenaram a deportação de todos os judeus católicos, arrancando-os dos conventos. Também Edith foi detida a 2 de agosto de 1942, juntamente com a irmã Rosa Stein. Passaram por alguns campos de concentração, até que no dia 7 de agosto foram deportadas para o mais famoso campo de extermínio Auschwitz-Birkenau, onde chegara no dia nove do mesmo mês. Nesse dia, as que chegaram nesta leva, foram conduzidas para uma câmara de gás para serem mortas. Durante a noite os seus corpos foram queimados.
       O livro apresenta os dados biográficos de Santa Teresa Benedita da Cruz, mas também os frutos da sua investigação acerca da educação e da pedagogia, sendo que ela própria procurar colocar em prática o que ensinava.
       É uma leitura que permite conhecer melhor a co-padroeira da Europa (ao lado de Santa Brígida da Suécia e Santa Catarina de Sena), com muitos textos da própria Edith Stein. O livro é um extraordinário testemunho de vida, na procura permanente pela verdade, pelo bem, por um sentido para a vida.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Leituras - Carlos Ros: Teresa de Jesus

CARLOS ROS (2015). Teresa de Jesus. Atualidade da santa de Ávila. Lisboa: Paulus Editora. 192 páginas.
       Completaram-se 500 anos do nascimento de Santa Teresa de Ávila e o autor achou por bem concentrar-se em escrever uma biografia da Santa carmelita, recuperando datas e dados, reabilitando algumas das personagens que a acompanharam na fundação dos carmelitas descalços, ramo feminino e ramo masculino.
       Depois de ter escrito livros sobre companheiros de Santa Teresa que foram relegados para segundo plano, ignorados nas biografias oficiais, Carlos Ros presta agora o reconhecido mérito à Santa de Ávila, também ela muitas vezes injuriada, perseguida, enclausurada, afastada de madre. Contudo, os seus escritos, a fama de santidade, e a reforma que iniciou, ultrapassou fronteiras que os seus delatores não conseguiram apagar, ainda que tivessem atribuído, por exemplo a fundação dos carmelitas descalços (ramo masculino) a um dos seus amigos frades.
        Nasceu dentro da cidadela de Ávila, a 28 de março de 1515, sendo baptizada como Teresa de Ahumada... Lê a vida dos santos, depois livros de cavalaria, torna-se centro de atenções. Aos 17 anos entra nas Agostinhas de Grácia, como interna, onde brotará a vocação, entrando, alguns meses depois na Encarnação de Ávila. A 3 de novembro de 1536, faz a sua profissão religiosa.
       Será atacada de doenças várias: desequilíbrio nervoso, dores atrozes, doença do coração. Nessa altura terá os primeiros momentos de oração e de recolhimento.
       No convento da Encarnação leva uma vida folgada e tranquila, com pouca oração e se exercícios em comum com as outras irmãs. O seu lucatório é espaço onde se encontrava a alta sociedade de Ávila. Vive assim durante 20 anos.
        Um dia fixou-se, no seu lucatório, onde recebia as pessoas, numa imagem de Cristo atado à coluna. Caiu em si, vendo o que Jesus tinha feito pela humanidade e por ela também. Aos 40 anos faz a entrega definitiva a Deus. Aos 45 anos teve as primeiras visões e, um ano depois, funda o primeiro convento reformado, São José de Ávila. A ânsia de reforma espiritual, leva-a a percorrer a Espanha, fundando diversos conventos.
       Dá-se o encontro com o grande místico São João da Cruz e inicia, em novembro de 1568, a reforma entre os homens, com o convento de Duruelo.
       Faleceu no dia 4 de outubro de 1582 e enterrada ao outro dia.
       É considerada um dos maiores génios que a humanidade já produziu, possuía uma viva e arguta inteligência, num estilo vivo e atraente e com um profundo bom senso.
        Foi canonizada em 1622, com o Papa Gregório XV e em 1970, foi proclamada pelo Papa Paulo VI, com Santa Catarina de Sena, Doutora da Igreja, pelo Papa Paulo VI. As duas primeiras mulheres a receberem este título.
       O livro acompanha a santa nas diversas peripécias da vida infantil, juvenil, adulta, na vida familiar e na vida religiosa, e como enveredou por um caminho de reforma do Carmelo. O autor revisita as fundações dos conventos, as dificuldades encontradas, os obstáculos a enfrentar, a fé e confiança em Deus e a alegria com que procurava em tudo viver a vontade de Deus.
"Foi uma mulher apaixonante, que redefiniu os padrões da sua época para se converter no arquétipo de mulher, de mística, de escritora, de tudo. Subiu à sétima morada enquanto se distraía na cozinha, porque também «entre os tachos anda o Senhor". Mulher alegre, que pedia que o Senhor a livrasse de santos encapotados, cheia de ternura, discrição, mãe e santa num corpo enfermiço de vida, exclamou antes de morrer: «Enfim,Senhor, sou filha da Igreja»".

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Homilia de João Paulo II sobre Santa Teresa d'Ávila


MISSA NO IV CENTENÁRIO DA MORTE DE SANTA TERESA DE JESUS
HOMILIA DO PAPA JOÃO PAULO II

Solenidade de Todos os Santos 
Ávila, 1 de Novembro de 1982

Veneráveis Irmãos no Episcopado
Queridos irmãos e irmãs!

1. "Assim implorei, e a inteligência foi-lhe dada; eu supliquei e o espírito de sabedoria veio a mim... Amei-a mais do que a saúde e a beleza... Com ela vieram a mim todos os bens, e nas suas mãos inumeráveis riquezas. Regozijei-lhe, porque a Sabedoria é o seu guia" (Sab 7, 7.10-12).
       Vim hoje a Ávila para adorar a Sabedoria de Deus, ao término deste IV Centenário da morte de Santa Teresa de Jesus, que foi filha singularmente amada da Sabedoria divina. Quero adorar a Sabedoria de Deus, juntamente com o Pastor desta diocese, com todos os Bispos da Espanha, com as Autoridades de Ávila e de Alba de Tormes presididas por Suas Majestades e Membros do Governo, com tantos filhos e filhas da Santa e com todo o Povo de Deus aqui reunido, nesta festividade de Todos os Santos.

Teresa de Jesus é riacho que leva à fonte, é resplendor que conduz à luz. E a sua luz é Cristo, o "Mestre da Sabedoria" (cf. Caminho de Perfeição, 21. 4), o "Livro vivo" em que ela aprendeu as verdades (cf. Vida, 26, 5); é essa "luz do céu", o Espírito da Sabedoria, que ela invocava para que falasse no seu nome e guiasse a sua pena (cf. Castelo Interior, IV, 1, 1; V, 1, 1 e 4, 11). Vamos unir a nossa voz ao seu canto eterno das misericórdias divinas (cf. Sl 88, 2; cf. Vida 14, 10-12); para dar graças a esse Deus que é "a mesma Sabedoria" (Caminho de Perfeição, 22, 6).

2. E alegra-me poder fazê-lo nesta Ávila de Santa Teresa que a viu nascer e conserva as recordações mais íntimas desta virgem de Castela. Uma cidade célebre pelas suas muralhas e torres, pelas suas igrejas e mosteiros que, com o seu conjunto arquitectónico, evoca na sua conformação esse castelo interior e luminoso que é a alma do justo, em cujo centro Deus tem a sua morada (cf. Castelo Interior, I, 1, 1.3). Uma imagem da cidade de Deus com as suas portas e muralhas, iluminada pela luz do Cordeiro (cf. Apoc 21, 11-14.23).
       Tudo nesta cidade conserva a recordação da sua filha predileta. "A Santa", lugar do seu nascimento e casa de nobre linhagem; a paróquia onde foi baptizada; a Catedral, com a imagem da Virgem da Caridade que recebeu a sua precoce consagração (cf. Vida, 1.7); a Encarnação, que acolheu a sua vocação religiosa e onde atingiu o ápice da sua experiência mística; São José, primeiro pombal teresiano, de onde saiu Teresa, como "andarilha de Deus", a fundar por toda a Espanha.
       Aqui também eu desejo estreitar ainda mais os meus vínculos de devoção para com os Santos do Carmelo nascidos nestas terras, Teresa de Jesus e João da Cruz. Neles não só admiro e venero os mestres espirituais da minha vida interior, mas também dois luminosos faróis da Igreja na Espanha, que iluminaram com a sua doutrina espiritual os caminhos da minha pátria, a Polónia, desde que no princípio do século XVII chegaram a Cracóvia os primeiros filhos do Carmelo Teresiano.
       A circunstância providencial do encerramento do IV Centenário da morte de Santa Teresa permitiu-me realizar esta viagem, há muito por mim desejada.

3. Quero repetir nesta ocasião as palavras que escrevi no principio deste Ano Centenário: ''Santa Teresa de Jesus está viva, a sua voz ressoa ainda hoje na Igreja" (Carta "Virtutis exemplum et magistra": AAS 73, 1981, p. 699). As celebrações do ano jubilar, aqui na Espanha e no mundo inteiro, confirmaram as minhas previsões.
       Teresa de Jesus, primeira Doutora da Igreja Universal, fez-se palavra viva a respeito de Deus, convidou à amizade com Cristo, abriu novas sendas de fidelidade e serviço à Santa Mãe Igreja. Sei que ela chegou ao coração dos bispos e sacerdotes, para neles renovar desejos de sabedoria e de santidade, para ser "luz da sua Igreja" (cf. Castelo Interior, V, 1.7). Exortou os religiosos e as religiosas a "seguirem os conselhos evangélicos com toda a perfeição" (cf. Caminho, 1, 2) para serem "servos do amor" (Vida, 11, 1). Iluminou a experiência dos leigos cristãos com a sua doutrina acerca da oração e da caridade, caminho universal de santidade, porque a oração, como a vida cristã, não consiste "em pensar muito mas em amar muito" e "todos são naturalmente capazes de amar" (cf. Castelo Interior, IV, 1, 7 e Fundações, 5, 2).
       A sua voz ressoou para além da Igreja católica; suscitando simpatia a nível ecuménico, e traçando pontes de diálogo com os tesouros de espiritualidade de outras culturas religiosas. Alegra-me sobretudo saber que a palavra de Santa Teresa foi acolhida com entusiasmo pelos jovens. Eles apoderam-se dessa sugestiva palavra de ordem teresiana, que eu quero oferecer como mensagem à juventude da Espanha: "Neste tempo são necessários destemidos amigos de Deus" (Vida, 15, 5).
        Por tudo isto quero expressar a minha gratidão ao Episcopado Espanhol que promoveu este acontecimento eclesial de renovação. Agradeço também o esforço da Comissão Nacional do Centenário e o das delegações diocesanas. A todos os que colaboraram na realização dos objectivos do Centenário, a gratidão do Papa que é o agradecimento em nome da Igreja.

4. As palavras do salmo responsorial recordam a grande empresa de Santa Teresa ao realizar as fundações: "Felizes os que habitam na vossa casa. Senhor, aí eles vos louvam para sempre.:. Um dia nos vossos átrios vale mais que milhares fora dele... O Senhor dá-nos a graça e a glória. Ele não recusa os seus bens... Feliz o homem que em Vós confia" (Sl 83. 5.11-13).
       Aqui em Ávila realizou-se, com a fundação do mosteiro de São José, e que foi seguido por outras fundações suas, um desígnio de Deus para a vida da Igreja. Teresa de Jesus foi o instrumento providencial, a depositária de um novo carisma de vida contemplativa que tantos frutos havia de dar.
       Cada mosteiro de Carmelitas Descalças tem de ser "pequeno recanto de Deus", "morada" da sua glória e "paraíso do seu deleite" (cf. Vida, 32, 11; 35, 12). Há-de ser um oásis de vida contemplativa, "um pequeno pombal da Virgem Nossa Senhora" (cf. Fundações, 4, 5). Onde se viva em plenitude o mistério da Igreja que é Esposa de Cristo; com esse tom de austeridade e de alegria característico da herança teresiana. E onde o serviço apostólico em favor do Corpo Místico, segundo os desejos e a recomendação da Mãe Fundadora, pode sempre expressar-se numa experiência de imolação e de unidade: "Todas juntas se oferecem em sacrifício por Deus" (Vida, 39, 19). Em fidelidade às exigências da vida contemplativa que recordei recentemente na Carta às Carmelitas Descalças (cf. Carta de 31 de Maio de 1982), serão sempre a honra da Esposa de Cristo, na Igreja Universal e nas igrejas particulares, onde estão presentes como santuários de oração.
        E o mesmo vale para os filhos de Santa Teresa, os Carmelitas Descalços, herdeiros do seu espírito contemplativo e apostólico, depositários dos anseios missionários da Mãe Fundadora. Oxalá as celebrações do Centenário os infundam também nos vossos propósitos de fidelidade no caminho da oração e de fecundo apostolado na Igreja! Para se manter sempre viva a mensagem de Santa Teresa de Jesus e de São João da Cruz.

5. As palavras de São Paulo, que escutámos na segunda leitura desta Eucaristia, levam-nos até a essa profunda nascente da oração cristã, de onde promana a experiência de Deus e a mensagem eclesial de Santa Teresa. Recebemos "o espírito de adopção pelo qual clamamos: Aba, Pai!... E, se filhos, também herdeiros de Deus, e co-herdeiros de Cristo, isto, porém, se padecermos com Ele, para que também com Ele sejamos glorificados" (Rom 8, 15.17).
       A doutrina de Teresa de Jesus está em perfeita sintonia com essa teologia da oração apresentada por São Paulo, o apóstolo com o qual ela se identificava tão profundamente. Seguindo o Mestre da oração, em plena consonância com os Padres da Igreja, quis ela ensinar os segredos da Oração comentando a prece do Pai Nosso.
      Na primeira palavra, Pai, a Santa descobre a plenitude que nos confia Jesus Cristo, mestre e modelo da oração (cf. Caminho, 26, 10; 27, 1, 2). Na oração filial do cristão encontra-se a possibilidade de estabelecer um diálogo com a Trindade que habita na alma de quem vive em graça, como tantas vezes experimentou a Santa (cf. Jo 14, 23; e Castelo Interior, VII, 1, 6): "Entre tal Filho e tal Pai — escreve — necessariamente há-de estar o Espírito Santo que enamore a vossa vontade, e juntos nutrem-na de grandíssimo amor..." (Caminho 27, 7). Esta é a dignidade filial dos cristãos: poderem invocar a Deus como Pai, deixarem-se guiar pelo Espírito, para serem em plenitude filhos de Deus.

6. Por meio da oração, Teresa buscou e encontrou Cristo. Buscou-O nas palavras do Evangelho que já desde a sua juventude "atuavam fortemente no seu coração" (Vida, 3, 5); encontrou-O "trazendo-O presente dentro de si" (cf. Vida, 4, 7); aprendeu a admirá-1'O com amor nas imagens do Senhor, das quais era tão devota (cf. Vida, 7, 2; 22, 4); com esta Bíblia dos pobresas imagense esta Bíblia do coraçãoa meditação da palavra pôde reviver interiormente as cenas do Evangelho e aproximar-se do Senhor com imensa confiança.
       Quantas vezes meditou Santa Teresa aquelas cenas do Evangelho que narram as palavras de Jesus às mulheres! Que alegre liberdade interior lhe proporcionou, em tempos de acentuado antifeminismo, esta atitude condescendente do mestre com a Madalena, com Marta e Maria de Betânia, com a Cananeia e a Samaritana, figuras essas femininas tantas vezes recordadas pela Santa nos seus escritos! Não há dúvida que Teresa pôde defender a dignidade da mulher e as suas possibilidades de um apropriado serviço na Igreja, a partir desta perspectiva evangélica: "Não Vos aborrecíeis. Senhor da minha alma, com as mulheres, quando andáveis pelo mundo, antes procuráveis favorecê-las sempre com muita piedade..." (Caminho, Autógrafo de El Escorial, 3, 7).
       A cena de Jesus com a Samaritana junto do poço de Sicar, que recordámos no Evangelho, é significativa. O Senhor promete à Samaritana a água viva: "Quem bebe desta água voltará a ter sede; mas quem beber da água que Eu lhe der jamais terá sede, porque a água que Eu lhe der tornar-se-á nele uma nascente de água a jorrar para a vida eterna" (Jo 4, 13-14).
       Entre as mulheres santas da história da Igreja, Teresa de Jesus é sem dúvida a que respondeu a Cristo com o maior fervor do coração: Dá-me desta água! Ela mesma no-lo confirma quando recorda os seus primeiros encontros com o Cristo do Evangelho: "Oh, quantas vezes me recordo da água viva de que falou o Senhor à Samaritana! E assim sou muito afeiçoada àquele Evangelho" (Vida, 30, 19). Teresa de Jesus, como uma nova Samaritana, convida agora todos a aproximarem-se de Cristo, que é manancial de águas vivas.
       Cristo Jesus, o Redentor do homem, foi o modelo de Teresa. N'Ele encontrou a Santa a majestade da sua divindade e a condescendência da sua humanidade: "Grande coisa é tê-1'O humano, enquanto vivemos e somos humanos" (Vida, 22, 9); via que, embora fosse Deus, embora fosse Homem, não se admirava das fraquezas dos homens. Que horizontes de familiaridade com Deus nos descobre Teresa na Humanidade de Cristo! Com que precisão afirma a fé da Igreja em Cristo, que é verdadeiro Deus e verdadeiro homem! Como o experimenta tão perto, "companheiro nosso no Santíssimo Sacramento!" (cf. ib. 22, 6).
       Partindo do mistério da Humanidade Sacratíssima que é porta, caminho e luz, chegou ao mistério da Santíssima Trindade (cf. ib. VII, 1, 6) fonte e meta da vida do homem, "espelho em que a nossa imagem está gravada" (ib. 2, 8). E a partir da altura do mistério de Deus compreendeu o valor do homem, a sua dignidade, a sua vocação de infinito.

7. Aproximar-se do mistério de Deus, de Jesus, "ter Jesus Cristo presente" (Vida, 4, 8) constitui toda a sua oração. Esta consiste num encontro pessoal com Aquele que é o único caminho para nos conduzir ao Pai (cf. Castelo Interior, VI, 7, 6). Teresa reagiu contra os livros que propunham a contemplação como um vago engolfar-se na divindade (cf. Vida, 22, 1) ou como um "não pensar em nada" (cf. Castelo Interior, IV, 3, -6) vendo nisso um perigo de se fechar sobre si mesmo, de se afastar de Jesus de quem nos "vêm todos os bens" (cf. Vida, 22. 4). Daqui o seu brado: "afastar-se de Cristo... tal não posso sofrer" (Vida, 22, 1). Este brado vale também nos nossos dias contra algumas técnicas de oração que não se inspiram no Evangelho e que tacticamente tendem a prescindir de Cristo em favor de um vazio mental, que dentro do cristianismo não tem sentido. Toda a técnica de oração é válida enquanto se inspira em Cristo e conduz a Cristo, o Caminho, a Verdade e a Vida (cf. Jo 14,6).
       Bem é verdade que o Cristo da oração teresiana vai mais além de toda a Imaginação corpórea e de toda a representação figurativa (cf. Vida, 9, 6); é Cristo ressuscitado, vivo e presente, que ultrapassa os limites de espaço e lugar, sendo ao mesmo tempo Deus e homem (cf. Vida, 27, 7-8). Mas contemporaneamente é Jesus Cristo, Filho da Virgem que nos acompanha e nos ajuda (cf. Vida, 27, 4).
       Cristo cruza o caminho da oração teresiana de extremo a extremo, desde os primeiros passos até ao ápice da comunhão perfeita com Deus. Cristo é a porta pela qual a alma tem acesso ao estado místico (cf. Vida, 10, 1). Cristo introdu-la no mistério trinitário (cf. Vida, 27, 2-9). A sua presença no desenvolvimento deste "trato amistoso", que é a oração, é obrigatória e necessária: Ele é que o actua e gera. E Ela é também objecto do mesmo. É o "livro vivo". Palavra do Pai (cf. Vida, 26, 5). O homem aprende a permanecer em profundo silêncio, quando Cristo o ensina interiormente "sem ruído de palavras" (cf. Caminho, 25, 2); esvazia-se dentro de si "contemplando o Crucificado" (cf. Castelo Interior, VII, 4, 9). A contemplação teresiana não é busca de escondidas virtualidades subjectivas por meio de depuradas técnicas de purificação interior. mas abrir-se em humildade a Cristo e ao seu Corpo místico que é a Igreja.

8. No meu ministério pastoral afirmei com insistência os valores religiosos do homem, com quem Cristo mesmo se identificou (cf. Gaudium et spes, 22); esse homem que é o caminho da Igreja, e pelo qual tanto determina a sua solicitude e o seu amor, para que todo o homem alcance a plenitude da sua vocação (cf. Redemptor hominis, 13, 14, 18).
       Santa Teresa de Jesus tem um ensinamento muito explícito sobre o imenso valor do homem: ó, meu Jesus — exclama numa formosa oração — quão grande é o amor que tendes pelos filhos dos homens, pois o melhor serviço que se lhes pode fazer é deixá-los a Vós por amor e proveito deles, e então sois possuído mais inteiramente... Quem não amar o próximo, não Vos ama. Senhor meu; pois com tanto sangue vemos demonstrado o amor tão grande que tendes pelos filhos de Adão!" (Exclamação, 2, 2). Amor de Deus e amor do próximo, unidos indissoluvelmente, são a raiz sobrenatural da caridade que é o amor de Deus e com a manifestação concreta do amor do próximo, como "o mais certo sinal" de que amamos a Deus (cf. Castelo Interior, V, 3, 8).

9. A ideia fundamental da vida de Teresa, como projecção do seu amor por Cristo e do seu desejo da salvação dos homens, foi a Igreja. Teresa de Jesus "sentiu a Igreja", viveu "a paixão pela Igreja" como membro do Corpo Místico.
       Os tristes acontecimentos da Igreja do seu tempo, foram como feridas progressivas que suscitaram ondas de fidelidade e de serviço. Sentiu profundamente a divisão dos cristãos como um dilaceramento do seu próprio coração. Respondeu eficazmente com um movimento de renovação para manter resplandecente o rosto da Igreja santa. Foram-se alargando os horizontes do seu amor e da sua oração à medida que tomava consciência da expansão missionária da Igreja Católica, com o olhar e o coração fixos em Roma, o centro da Catolicidade, com um afecto filial para com "o Padre Santo", como ela chama o Papa, que a levou inclusivamente a manter uma correspondência epistolar com o meu predecessor o Papa Pio V. Emociona-nos ler esta confissão de fé com a qual rubrica o livro das Moradas:"Em tudo submeto-me ao que a Santa Igreja Católica Romana determina, pois nisto vivo, confesso e prometo viver e morrer" (Castelo Interior, Epílogo, 4).
       Em Ávila estimulou-se aquela incandescência de amor eclesial que iluminava e afervorava teólogos e missionários. Aqui teve início aquele serviço original de Teresa na Igreja do seu tempo; num momento tenso de reformas e contra-reformas optou pelo caminho radical do seguimento de Cristo, pela edificação da Igreja com pedras vivas de santidade; levantou a bandeira dos ideais cristãos para animar os chefes da Igreja. E era Alba de Tormes, ao término de uma intensa jornada de caminhos de fundações, Teresa de Jesus, a cristã verdadeira e a esposa que desejava logo encontrar-se com o Esposo, exclama: "Obrigado... meu Deus..., porque me fizeste filha da tua santa Igreja Católica" (Declaração de Maria de São Francisco: Biblioteca Mística Carmelitana, 19, pp. 62-63). Sou filha da Igreja! Eis aqui o título de honra e de compromisso que a Santa nos legou para amarmos a Igreja, para a servirmos com generosidade!

10. Queridos irmãos e irmãs, recordámos a figura luminosa e sempre actual de Teresa de Jesus, a filha singularmente amada da divina Sabedoria, a andarilha de Deus, a Reformadora do Carmelo, glória da Espanha e luz da Santa Igreja, honra das mulheres cristãs, presença ilustre na cultura universal.
       Ela quer continuar caminhando com a Igreja até ao fim dos tempos. Ela, que no leito de morte dizia: "É hora de caminhar". A sua corajosa figura de mulher em caminho, sugere-nos a imagem da Igreja, Esposa de Cristo, que caminha no tempo já nos alvores do terceiro milénio da sua história.
       Teresa de Jesus que conheceu as dificuldades dos caminhos, convida-nos a caminhar levando Deus no coração. Para orientar o nosso roteiro e fortalecer a nossa esperança lança-nos ela esta palavra de ordem, que foi o segredo da sua vida e da sua missão: "Coloquemos os olhos em Cristo nosso bem!" (cf. Castelo Interior, I, 2, 11), para Lhe abrir de par em par as portas do coração de todos os homens. E assim, o Cristo luminoso de Teresa de Jesus será na sua Igreja, "Redentor do homem, centro do cosmos e da história".
       Os olhos em Cristo! (cf. Caminho, 2, 1; Castelo Interior, VII, 4, 8; Heb 12, 2). Para que no caminho da Igreja, como nos caminhos de Teresa que partiram desta cidade de Ávila, Cristo seja "Caminho, Verdade e Vida" (cf. Jo 14, 5 e Castelo Interior, VI, 7, 6).

Assim seja.

Maria Victoria Molins - Teresa mudou de nome

MARIA VICTORIA MOLINS, s.t.j. (2015). Teresa Mudou de Nome. Braga: Editorial A.O., 160 páginas.
       Decorre ainda o Ano da Vida Consagrada, que assenta na vida de Santa Teresa de Ávila do 5.º Centenário do seu nascimento. Santa Teresa de Jesus nasceu dentro da cidadela de Ávila, a 28 de março de 1515, sendo baptizada como Teresa de Ahumada.
       Aos 17 anos entra nas Agostinhas de Grácia, como interna, onde brotará a vocação, entrando, alguns meses depois na Encarnação de Ávila. A 3 de novembro de 1536, faz a sua profissão religiosa. A experiência no convento é, num primeiro momento, uma oportunidade para uma vida social intensa. Sendo de uma família com muitas posses, leva uma vida regalada. O pai procurou que ela levasse uma vida mais recatada, longe dos olhares e sobretudo de comentários populares.
       Será atacada de doenças várias: desequilíbrio nervoso, dores atrozes, doença do coração. Nessa altura terá os primeiros momentos de oração e de recolhimento.
       No convento da Encarnação leva uma vida folgada e tranquila, com pouca oração e se exercícios em comum com as outras irmãs. O seu lucatório é espaço onde se encontrava a alta sociedade de Ávila. Vive assim durante 20 anos. Só aos 40 anos, a história da sua vida começa a ter uma direção diferente e que a comprometerá com a reforma religiosa que dará origem a um novo movimento de renovação da vida religiosa e consagrada. Aos 45 anos tem as primeiras visões e no ano seguinte funda o primeiro convento reformado, São José de Ávila. A ânsia de reforma espiritual, leva-a a percorrer a Espanha, fundando diversos conventos.
       O encontro com o grande místico São João da Cruz, em novembro de 1568, vai levar à reforma da vida religiosa entre os homens, com o convento de Duruelo.
       É considerada um dos maiores génios que a humanidade já produziu, possuía uma viva e arguta inteligência, num estilo vivo e atraente e com um profundo bom senso.
       Faleceu no dia 4 de outubro de 1582 e enterrada ao outro dia.
       Foi canonizada em 1622, com o Papa Gregório XV e em 1970, foi proclamada pelo Papa Paulo VI, com Santa Catarina de Sena, Doutora da Igreja, pelo Papa Paulo VI. As duas primeiras mulheres a receberem este título.
       Refira-se que Santa Teresa do Menino Jesus se inspirou em Santa Teresa de Jesus para viver uma vida de total entrega e aperfeiçoamento a Deus, em tudo, nas pequenas coisas do dia a dia, em todas as tarefas. Mais tarde, Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein) inspirar-se-á nas duas Santas Teresa's, convertendo-se ao cristianismo e comprometendo-se na vida religiosa. E mais recentemente, também a popularmente aclamada Santa (Beata) Teresa de Calcutá adoptará o mesmo nome para viver uma vida de entrega total a Jesus Cristo.
       Este livrinho romanceia a vida de Santa Teresa de Jesus, no seu ambiente familiar, abordando as condições económicas e sociais dos primeiros tempos, e a "rebeldia" da infância e da adolescência, a entrada "forçada" num convento e os primeiros tempos de verdadeira "conversão", juntando outras irmãs religiosas e reformando a vida consagrada.
       Para quem não despende de tempo e/ou vontade para ler as Obras Completas de Santa Teresa, este livro é uma oportunidade para se deixar encantar pelo sonho de santa Teresa.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

João Paulo II sobre Santa Teresa de Jesus

       No dia 1 de Novembro de 1982, João Paulo II deslocou-se a Espanha, a Ávila, para homenagear Santa Teresa de Jesus a para apresentar, de novo, como modelo de cristã para toda a Igreja, no encerramento do 4.º centenário da morte de Santa Teresa.
       "Santa Teresa de Jesus está viva, a sua voz ressoa ainda hoje na Igreja...
       Teresa de Jesus, a primeira Doutora da Igreja Universal, fez-se palavra viva de Deus, convidou à amizade com Cristo.
        Entre as mulheres santas da história da Igreja, Teresa de Jesus é, sem dúvida, aquela que respondeu a Cristo com maior fervor do coração, na oração filial..."
Postado a partir de Sinais do Mundo.

Santa Teresa de Jesus - Nada te turbe

       Repomos estas canções inspiradas na oração de Santa Teresa de Jesus, "Nada te turbe, só Deus basta". Na sua língua materna e assumindo todo o texto, e em português numa interpretação magnífica.


sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Não temais os que matam o corpo...

Disse Jesus aos discípulos: 
"Não há nada encoberto que não venha a descobrir-se, nem há nada oculto que não venha a conhecer-se...
Não temais os que matam o corpo e depois nada mais podem fazer...
Temei Aquele que, depois de matar, tem poder para lançar na Geena. Sim, Eu vos digo, a Esse é que deveis temer. Não se vendem cinco passarinhos por duas moedas? Contudo, nenhum deles é esquecido diante de Deus. Mais ainda, até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais. Valeis mais do que todos os passarinhos" (Lc 12, 1-7).
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Jesus é contundente na crítica aos fariseus, e a todo o espírito farisaico. Importa, em todas as circunstâncias o interior, a conversão, a fé que se transforma, em obras. Ou como nos recorda Santa Teresa de Jesus: “O Senhor não olha tanto a grandeza das nossas obras. Olha mais o amor com que são feitas”. Importa pouco a imagem que os outros tenham de nós, e sobretudo se a imagem, fabricada, em pouco disser do que somos e do que devemos ser, como filhos de Deus, sua imagem e semelhança.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Frases de Santa Teresa

Para quem não conhece os escritos desta Santa maravilhosa, aqui vão umas frases:

“Quem ama, faz sempre comunidade; não fica nunca sozinho”

“A amizade é a mais verdadeira realização da pessoa”

“Falais muito bem com outras pessoas, por que vos faltariam palavras para falar com Deus?”

“A amizade com Deus e a amizade com os outros é uma mesma coisa, não podemos separar uma da outra”

“Em tempos de tristeza e de inquietação, não abandones nem as boas obras de oração, nem a penitência a que estás habituada. Antes, intensifica-as. E verás com que prontidão o Senhor te sustentará”

“Quem não deixa de caminhar, mesmo que tarde, afinal chega. Para mim, perder o caminho é abandonar a Oração”

“O Senhor não olha tanto a grandeza das nossas obras. Olha mais o amor com que são feitas”

“O verdadeiro humilde sempre duvida das próprias virtudes e considera mais seguras as que vê no próximo”

“Humildade é a verdade”

“Espera um pouco, filha, e verás grandes coisas”

“Vocês pensam que Deus não fala porque não se ouve a Sua voz? Quando é o coração que reza Ele responde”

“O Senhor sempre dá oportunidade para oração quando a queremos ter”

“Falte-me tudo, Senhor meu, mas se vós não me desamparardes, não faltarei eu a vós”

“Quem vos ama de verdade, Bem meu, vai seguro por um amplo caminho real, longe do despenhadeiro, estrada na qual, ao primeiro tropeço, Vós, Senhor, dais a mão; não se perde, por alguma queda, nem mesmo por muitas, quem tiver amor a Vós, e não às coisas do mundo”

“Se tiver humildade, não tenha receio, o Senhor não permitirá que se engane nem engane os outros”

“Uma prova de que Deus esteja connosco não é o facto de que não venhamos a cair, mas que nos levantemos depois de cada queda”

“Se não dermos ouvidos ao Senhor quando Ele nos chama, pode acontecer que não consigamos encontrá-Lo quando o quisermos”

“São felizes as vidas que se consumirem no serviço da Igreja”

“Basta uma graça dessas para transformar uma alma por inteiro”

“Não me parecia que eu conhecesse a minha alma, tão transformada eu a via”

“O olhar de Deus é amar e conceder graças”

“Eu quero ver a Deus e para isso é necessário morrer. Não morro, mas entro na vida”

"Não me move"

Não me move, Senhor para Te amar
O Céu que me prometestes
Nem me move o inferno tão temido
Para deixar por isso de Te ofender.

Tu me moves, Senhor,
Move-me ver-Te
Pregado em uma Cruz e escarnecido
Move-me ver teu Corpo tão ferido,
Movem-me tuas afrontas e tua morte.

Move-me enfim o teu amor,
E de tal maneira,
Que ainda que não houvesse Céu eu Te amaria,
E ainda que não houvesse inferno Te temeria.

Nada tens que me dar para que eu Te queira,
Pois mesmo que eu não esperasse o que espero,
O mesmo que Te quero
Eu te quereria.

(Santa Teresa de Jesus)

Santa Teresa - duas imagens


A primeira imagem é de Bernini, é o êxtase de Santa Teresa. A segunda é a imagem existente na paróquia de Tabuaço. Numa o êxtase, as visões, noutra o hábito, a cruz, a palavra de Deus e a escrita sábia de Santa Teresa.

Só Deus basta - Santa Teresa de Ávila


Santa Teresa de Jesus (de Ávila)

Nasceu dentro da cidadela de Ávila, a 28 de Março de 1515, sendo baptizada como Teresa de Ahumada... Lê a vida dos santos, depois livros de cavalaria, torna-se centro de atenções. Aos 17 anos entra nas Agostinhas de Grácia, como interna, onde brotará a vocação, entrando, alguns meses depois na Encarnação de Ávila. A 3 de Novembro de 1536, faz a sua profissão religiosa.
Será atacada de doenças várias: desequilíbrio nervoso, dores atrozes, doença do coração. Nessa altura terá os primeiros momentos de oração e de recolhimento.
No convento da Encarnação leva uma vida folgada e tranquila, com pouca oração e se exercícios em comum com as outras irmãs. O seu lucatório é espaço onde se encontrava a alta sociedade de Ávila. Vive assim durante 20 anos.

Um dia fixou-se, no seu lucatório, onde recebia as pessoas, numa imagem de Cristo atado à coluna. Caiu em si, vendo o que Jesus tinha feito pela humanidade e por ela também. Aos 40 anos faz a entrega definitiva a Deus. Aos 45 anos teve as primeiras visões e, um ano depois, funda o primeiro convento reformado, São José de Ávila. A ânsia de reforma espiritual, leva-a a percorrer a Espanha, fundando diversos conventos.
Dá-se o encontro com o grande místico São João da Cruz e inicia, em Novembro de 1568, a reforma entre os homens, com o convento de Duruelo.
Faleceu no dia 4 de Outubro de 1582 e enterrada ao outro dia.
É considerada um dos maiores génios que a humanidade já produziu, possuía uma viva e arguta inteligência, num estilo vivo e atraente e com um profundo bom senso.
Foi canonizada em 1622, com o Papa Gregório XV e em 1970, foi proclamada pelo Papa Paulo VI, com Santa Catarina de Sena, Doutora da Igreja, , pelo Papa Paulo VI. As duas primeiras mulheres a receberem este título.