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segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Novena da Imaculada Conceição 2017 - Quinto Dia

       O 5.º dia da Novena coincidiu com o 1.º Domingo de Advento, tempo de preparação para a celebração do Natal, o nascimento de Jesus. Por ser domingo a dinâmica da Novena alterou-se um pouco, uma vez que a Eucaristia foi celebrada da parte da manhã. Sendo assim, a Eucaristia foi exposta em adoração e diante do Santíssimo Sacramento rezamos com Maria a Jesus, para que no Filho, pelo Espírito Santo sejamos acolhidos pelo Pai.
       Depois da recitação do Rosário, a proclamação do Evangelho deste domingo, em que Jesus nos desafia a estarmos preparados, vigilantes, pois o "dono da casa" virá a horas imprevistas e tendo-nos confiado a casa o expectável é que nos encontre acordados para o receber e com a casa bem arrumada.
       O Pe. Luís Rafael centrou a pregação na necessidade de prepararmos bem a vinda de uma Pessoa importante, de uma Pessoa muito especial, Jesus. Tal como fazemos quando vem uma personalidade importante à nossa terra, por exemplo, o Presidente da República, em que limpamos estradas e caminhos, tapamos buracos, arrancamos as ervas, as urtigas, as silvas, assim também, ao prepararmos a vinda de Jesus, arranquemos as urtigas que existem em nós, sabendo que picam, que picam quem se aproxima de nós. Se recebemos uma visita em casa, arrumamos melhor a casa, mesmo que esteja habitualmente arrumada, fazemos uma comida especial e ansiosamente esperamos, vamos espreitando pela janela a ver se a pessoa está a chegar. Então também com Jesus, vivamos nesta ansiedade pela Sua chegada, preparemo-nos bem para O acolhermos bem.
       Afinal, Ele quer estar connosco, tanto que Se fez um de nós. Tanto que não apenas Se fez um de nós mas Se transformou em Pão. Mais simples e mais acessível. Está ao nosso lado, está na Eucaristia, está exposto como Santíssimo Sacramento. Agora é a nossa vez de O acolhermos, de O acolhermos bem.
       Quando uma mulher está grávida, e muitas mulheres que estão na assembleia já estiverem grávidas, preparam tudo com antecedência para acolher o filho que vai nascer e sabendo quando darão à luz, preparam tudo para levar para o hospital, pijama, roupinha do bebé. Ela preparou-se durante 9 meses. Nós temos um pouco menos de 4 semanas para prepararmos bem, exterior e interiormente a vinda de Jesus. Em vésperas da Solenidade da Imaculada Conceição temos o Sacramento da Reconciliação para dessa forma nos prepararmos interiormente para a celebração festiva do nascimento de Jesus.

sábado, 2 de dezembro de 2017

Novena da Imaculada Conceição 2017 - Terceiro Dia

       A liturgia da Palavra ofereceu-nos como 1.ª Leitura um texto apocalíptico de Daniel, com imagens de animais, fortes, ferozes. Correspondem a 4 reinos cuja grandeza, riqueza e poder dominam e metem medo, mas não perdurarão, tem os dias contados. Num segundo momento, surge «alguém semelhante a um Filho do homem. Dirigiu-Se para o Ancião venerável e conduziram-no à sua presença. Foi-lhe entregue o poder, a honra e a realeza, e todos os povos, nações e línguas O serviram. O seu poder é eterno, não passará jamais, e o seu reino jamais será destruído» (Dan 7, 2-14).
       No Evangelho, Jesus fala na proximidade do reino, garantindo, que «não passará esta geração sem que tudo aconteça. Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão» (Lc 21, 29-33).
O Pe. Luís Rafael sublinhou que tudo passa, só não passa a Palavra de Deus, o reino de Deus permanece. E não apenas passa, a Palavra de Deus trespassa. Jesus é trespassado com um lança. Assim a Palavra de Deus deve trespassar-nos, deixar marcas em nós, para que possamos também transparecer essa Palavra que nos atravessa.
       Não é uma Palavra qualquer. É uma Palavra que marca. Beijamos o Evangelho, porque é importante. Não se beija um papel, a não ser alguma fotografia de quem gostamos, a quem amamos. Amamos a Palavra de Deus.
       Nossa Senhora deixou-se trespassar pela Palavra de Deus, acolhendo-A no Seu coração e no Seu ventre, na Sua vida. n'Ela podemos ler a Palavra de Deus. É uma Bíblia aberta. Trespassada pela Palavra de Deus, dá-no-l'A. Assim nos cabe a nós fazer o mesmo: amar a Palavra de Deus. Beijar a Palavra, deixarmo-nos trespassar pela Palavra de Deus e sermos uma Bíblia aberta para os outros, que eles descubram em nós a Palavra e a presença de Deus.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Novena da Imaculada Conceição 2017 - Segundo Dia

       Ao segundo dia de NOVENA, a Festa do Apóstolo Santo André. O Pe. Luís Rafael, tendo como referência Santo André, mas partindo sempre da liturgia da Palavra, começou por lembrar a importância da pregação para a fé. "Se confessares com a tua boca que Jesus é o Senhor e se acreditares em teu coração que Deus O ressuscitou dos mortos, serás salvo. Pois com o coração se acredita para obter a justiça e com a boca se professa a fé para alcançar a salvação".
       É a pregação que conduz à conversão, à fé, à adesão a Jesus Cristo (cf. Rom 10, 9-18). Não fales com estranhos, não fales com desconhecidos. é a recomendação dos nossos pais. Ora se Deus é desconhecido como podemos acreditar com o coração e professá-l'O com a boca? Se ninguém nos falar de Deus, Ele será então um desconhecido. Nós temos fé porque alguém O tornou conhecido para nós, os nossos pais e avós, as nossas catequistas, outras pessoas mais velhas que nos ensinaram a conhecer melhor Jesus, os nossos párocos. E assim foi com os Apóstolos, conhecendo Jesus Cristo puderam dá-l'O a conhecer a outros através da pregação, do testemunho.
       O Evangelho deste dia (Mt 4, 18-22) mostra como Jesus Se deu a conhecer aos Apóstolos, os chamou para O seguirem, O acompanharem e posteriormente darem d'Ele testemunho para que para outros Jesus Se tornasse conhecido. A pregação, esta Novena visa precisamente conhecer cada vez melhor Jesus, para nos tornamos Seus discípulos, nos tornarmos pescadores de homens e de mulheres. O contexto do chamamento apostólico é um mar. Para nós, sublinhou o Pregador, o mar é sinónimo de férias, relaxamento, de descanso. Para os apóstolos o mar é sinónimo de trabalho, de fadiga, de sofrimento e de morte. É a esse mar que Jesus os vai chamar. É para isso que Jesus dá a Sua vida. É o mistério da Sua morte e sobretudo da Sua ressurreição. Pescar homens e mulheres para os libertar do sofrimento e da morte. Com a Sua ressurreição, Jesus pescou-nos ao mar da morte, primeiro da Sua e depois da nossa. Depois chamou os apóstolos e chamou-nos também a nós, para sermos pescadores e pescarmos homens e mulheres ao mar do sofrimento, dos flagelos e da morte.
       Maria tem tudo a ver com isto. Ela dá-nos a conhecer Jesus, para que Ele não seja um desconhecido para nós e assim possamos acreditar n'Ele com o coração e professá-l'O com a boca. Foi ela que nos pescou a todos, nos tirou do mar das nossas casas, onde por vezes vivemos a dor, o sofrimento, e nos trouxe para melhor conhecermos Jesus, melhor O testemunharmos.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Novena da Imaculada Conceição 2017 - Primeiro Dia

      A Paróquia de Tabuaço, como certamente outras comunidades paroquiais, vive um tempo de graça, com a NOVENA de preparação e em honra de Nossa Senhora da Conceição, nossa Padroeira. Este ano o Pregador da Novena e da Festa é o Pe. Luís Rafael, natural de Vila da Ponte, Pároco de Almacave e responsável pelo Departamento Diocesano da Pastoral dos Jovens, tendo sido ordenado sacerdote a 2 de julho do corrente ano de 2017.
       Situando-nos à volta da Liturgia da Palavra, o Pe. Luís Rafael fez-nos revisitar o banquete de Nabucodunosor (Dan 5, 1ss), rei da Babilónia, um dos impérios que subjugou os judeus. Num banquete onde prevaleceu a maldade até que uma mão escreve na parede, vem o temor pelo mal feito e o pedido a Daniel para interpretar as palavras escritas por aquela mão, revelando-se a fragilidade daquele reino.
       Fazer as coisas corretas, ser cristão, seguir Jesus Cristo nem sempre é fácil, como referiu Jesus aos seus discípulos (Lc 21, 12-19). Uma das palavras vincadas no Evangelho é precisamente a que é dita também a Nossa Senhora pelo Anjo aquando da Anunciação: não temas!
      O mal pode levar-nos a tremer como varas verdes, mas deve levar-nos sobretudo à confiança em Deus, acolhendo-nos à Sua misericórdia. Preparamo-nos para a Festa da Senhora da Conceição, mas também para irmos até Jesus, reconhecendo o nosso pecado e recebendo o Seu perdão para prosseguirmos. Segui-l'O nem sempre é fácil, mas é decisivo, faz-nos bem, é bonito. Tal como Maria não temamos dar testemunho d'Ele, como Ela. Se ela tivesse optado pelo medo, não nos teria dado Jesus.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Novena da Imaculada Conceição 2016 - nono dia

       Ao nono dia, o Pe. Joaquim Dionísio, Pregador da Novena e da Festa de Nossa Senhora da Conceição fixou-se na nossa condição de discípulos missionários.
       A Palavra de Deus revela-nos Deus, mas também nos revela a nós. Quem melhor nos fala de Deus é Jesus Cristo, pelas palavras e pelos gestos, pela sua postura. Para os judeus Deus era juiz, distante, pronto para castigar. Jesus revela um Deus bom, um Deus que é Pai. Se é Pai, ama-nos. Sempre. Não desiste de nós. Para os judeus, Deus deve ser tratado com respeito, com distância, com frieza, pode-Se zangar. Para Jesus, Deus é tão próximo que espera por nós. Sublinha-se sobretudo o amor, a misericórdia, a proximidade de Deus. Se é Pai, ama. Ama todos os filhos. Todos somos filhos. Diante de Deus somos todos iguais. Todos contamos.
       As palavras de Jesus são revolucionárias ao mostrar-nos que Deus confia em nós e também nós devemos confiar. Se confiamos, anunciámo-lo. A missão de Jesus é revelar-nos o Amor do Pai. Como Seus seguidores a nossa missão é segui-l'O e deixarmos transparecer, testemunhar, viver esse amor de Deus. Somos discípulos missionários. É essa a temática para este nono dia de novena.
       O Papa Francisco utiliza a expressão sem o "e" que ligava os discípulos e missionários, podendo entender-se que poderíamos ser uma coisa sem a outra. A expressão discípulos missionários sublinha de imediato que uma dimensão exige a outra. Não podemos ser discípulos sem nos tornarmos missionários. A Igreja é por natureza missionária, é a sua identidade, como sublinha um dos documentos do Vaticano II (1962-1965). O cristão, todo o batizado, parafraseando o concílio, é por natureza missionário. Ninguém está dispensado.
       Santa Teresa do Menino Jesus, que entrou para o Carmelo com 15 anos e morreu com 24 anos de idade, é a Padroeira das Missões, sem ter saído do convento, mas pelo seu grande amor à missão, pela preocupação de testemunhar Jesus em todos os ambientes. Também nós podemos ser missionários, em nossa casa, no trabalho, onde quer que nos encontremos. Como batizados somos discípulos do Senhor. Todos somos chamados. Não apenas os que são perfeitos. Se a Igreja fosse constituída apenas por pessoas perfeitas, então a igreja estaria vazio porque nenhum de nós estaria cá. Olhemos para os discípulos de Jesus: Judas que O vende por 30 moedas. Pedro que o nega por três vezes - não O conheço - quando tinha comido com Ele várias vezes. Tomé que só acredita se vir as Suas chagas.
       Também nós somos chamados, não por sermos bons, mas porque somos filhos e Ele nos ama como filhos.
       Somos discípulos missionários na oração, colocando-nos confiantes nas mãos de Deus. Não apenas fé, mas confiança. Por vezes acreditamos mas temos dificuldade em acreditar.
       Uma pequena história. Um malabarista chegou a uma aldeia, na praça onde as pessoas se juntaram, atou a ponta de uma corda a um poste, num dos lados da praça, e a outra ponta da corda noutro poste do outro lado da praça. Perguntou: quem acredita que eu passo de uma lado para o outro sem cair. Se caísse corria o sério risco de morrer, tal era a altura a que estava colocada a corda. Todos responderem que acreditavam. E passou para o outro lado. Voltou a perguntar se acreditariam se regressaria em segurança ao ponto inicial. Todos responderam que acreditavam. Depois pegou numa vara, e à mesma pergunta responderam que acreditavam, e também no regresso ao ponto inicial. Pegou numa carreta, colocando-a sobre a corda e perguntou quem acreditava que ele passasse de um para outro lado. Todos disseram que sim. E ele mais uma vez passou em segurança. Quando chegou ao outro lado, perguntou quem queria colocar-se na carreta para ir para o outro lado. Ninguém se ofereceu. A não ser o filho. Acreditavam nele e nos seus feitos, mas não confiaram. Por vezes temos de confiar. Confiar em Deus. Assumir a fé e ter confiança em Deus que é Pai e nos ama.
        Peçamos a Maria, a Virgem Imaculada que nos mostre o caminho do seguimento, do discipulado. Fazei o que Ele nos disser. Se A queremos honrar é fazendo o que Ela nos manda. E Ela remete-nos para Jesus. Ela mostra-nos o caminho a seguir, ajuda-nos nas dificuldades, mostra-nos a misericórdia de Deus em Quem podemos confiar.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Novena da Imaculada Conceição 2016 - oitavo dia

       Deus revela-Se numa imagem tão simples e de fácil perceção. É jesus que nos mostra o Pai. É em Jesus que Deus melhor Se revela. A imagem do Bom Pastor. Tem 100 ovelhas, mas uma delas saiu do aprisco (cf. Mt 18, 12-14). Então o bom Pastor deixa as 99 nove ovelhas e vai em busca da que anda perdida. Para Deus todos contam, mas nenhum se perde no conjunto. Todos têm lugar. Cada pessoa.  
     Deus conhece-nos, ama-nos como filhos. Não desiste de nós. Lembremos a parábola do Filho Pródigo que evidencia a misericórdia daquele Pai, a misericórdia de Deus que é Pai. O filho apronta uma justificação. O Pai mal avista o filho à distância corre para o abraçar e nem o deixa terminar com as justificações.
       É aqui que podemos falar do Sacramento da Reconciliação, em vésperas da sua celebração dentro da Novena da Imaculada Conceição. Vamos então falar do Sacramento da Penitência. Foi desta forma que o Pe. Joaquim contextualizou a sua reflexão.
       Os Sacramentos são 7 e abarcam a vida da pessoa, desde o nascimento ao fim da sua vida histórica. Três deles só se celebram uma vez na vida, pois marcam a pessoa para sempre: o batismo, a confirmação e a ordem. O Sacramento da Reconciliação pode celebrar-se as vezes necessárias.
       Em primeiro lugar, sublinhar que os Sacramentos são um encontro festivo com o Senhor. Não recebo os sacramentos por superstição (vou receber um sacramento, porque me pode acontecer algo se não o receber). Os sacramentos não são mágicos. A graça de Deus atua em nós mas não anula da nossa natureza, a nossa vontade. Os sacramentos não são individualistas. Não é para mim, ou é o meu sacramento, mas da Igreja, de Cristo, configuram-nos a Cristo e inserem-nos na comunidade. Sublinha-se a dinâmica de encontro com o Senhor.
       Por outro lado, o Sacramento da Penitência, muitas vezes visto mais como um tribunal de penitência, do que um encontro libertador. Culpa da Igreja que acentuou uma dimensão mais acusatória. Na recente Carta Apostólica, Misericordia et Misera, o Papa relembra que os sacerdotes confessores não são juízes, não devem estar preocupados em saber coisas, curiosidades sobre os penitentes, devem acolher, escutar, aconselhar, comunicar a graça de Deus. É Deus quem perdoa.
       O Sacramento da Reconciliação e a dúvida acerca da misericórdia de Deus. Ora, relembrando novamente a parábola do Pai Misericordioso, o filho prepara uma desculpa que o justifique nos seus devaneios, o Pai faz festa pelo regresso do filho, faz festa por aquele que volta, como no caso da ovelha perdida.
       Outra dúvida: acerca de nós. Vou confessar-me mas vou voltar a fazer o mesmo. Devo confiar mais na graça de Deus. Deus não desiste de nós. Não desistamos nós também. Com a ajuda de Deus, com a Sua graça em mim vou conseguir corrigir este e aquele aspeto, pode não ser logo de uma vez, mas vou conseguir.
       Outro aspeto: não tenho pecados, não mato nem roubo... tenho a consciência limpa... se está limpa é porque não a uso. Todos somos pecadores. Posso não matar com uma faca ou pistola, mas posso matar os sonhos a uma pessoa, ou matar a sua honra quando digo mal dela. No sacramento da Penitência devo olhar mais para mim, fazer exame de consciência. Não vou confessar os pecados dos outros. Pequena história: o pai queixou-se ao filho que a mãe estava cada vez mais surda, não ouvia quase nada. O filho sugeriu ao pai uma experiência para verificar a que distância a mãe não ouvia. De longe o pai começou a perguntar à esposa, que estava na cozinha a preparar o jantar: Maria, o que vamos jantar hoje? E como não ouvisse a resposta foi-se aproximando, à entrada da cozinha, a dois metros, por detrás da esposa e finalmente tocou-lhe e perguntou de novo: Maria, o que temos para o jantar? Ó António já te respondi uma meia dúzia de vezes que eram batatas com frango! Às vezes só vemos o pecado nos outros.
       Que a Imaculada Conceição nos ilumine no desejo de nos aproximarmos do Senhor, com humildade e confiança, certos a benevolência de Deus.