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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

A primavera está por toda a parte. Até em nós?

       A primavera está por toda a parte. Em nosso redor a natureza parece vencer a imobilidade do inverno e amontoa os traços insinuantes do seu reflorir. Há uma seiva que revitaliza a paisagem do mundo. Mesmo nos baldios, nos pátios e quintais abandonados, nos jardins mais desprovidos a primavera desponta com uma energia que arrebata. Penso muitas vezes nos versos do Cântico dos Cânticos, o mais primaveril poema da Bíblia: «Fala o meu amado e diz-me: Levanta-te! Anda, vem daí, ó minha bela amada! Eis que o inverno já passou, a chuva parou e foi-se embora; despontam as flores na terra, chegou o tempo das canções, e a voz da rola já se ouve na nossa terra; a figueira faz brotar os seus figos e as vinhas floridas exalam perfume. Levanta-te! Anda, vem daí, ó minha bela amada! Minha pomba, nas fendas do rochedo, no escondido dos penhascos: deixa-me ver o teu rosto, deixa-me ouvir a tua voz; pois a tua voz é doce e o teu rosto, encantador» (Ct 2, 10-14).
        Neste poema, a primavera do mundo é uma representação simbólica da primavera interior que nos desafia. Na verdade, o nosso coração não pode continuar eternamente sequestrado pelos impasses dos seus invernos gelados. A nossa vida está prometida à primavera, é a mensagem que o despertar da natureza (e aquele mais íntimo) nos parece segredar.
       Mas também acontece que o renascimento do mundo nos parece incomparavelmente mais simples que o nosso. Por nossa parte, sentimo-nos soterrados e sem forças. Achamos que já passou demasiado tempo, que em algum momento do percurso nos perdemos e que talvez isso seja agora irremediável. Vamo-nos deixando ficar num conformismo tácito, insatisfeitos e adiados, a ponto de desistir. Certamente a voz da primavera não nos deixa indiferentes: ela há de sempre sobressaltar-nos. Mas olhamos para ela com mais nostalgia do que com esperança. Contemplámo-la à distância. Ou então defendemo-nos dela como podemos, fingindo não perceber o que significa. No fundo de nós mesmos, consideramos que a primavera já não é para nós. E no nosso coração andamos às voltas com aquela pergunta que também a Bíblia conserva e que não temos paz enquanto não conseguirmos responder: «Pode um homem, sendo velho, nascer de novo?» (Jo 3,4).
       Os cristãos começam por estes dias um tempo litúrgico que é uma espécie de pronto-socorro da primavera. Falo da Quaresma. Gosto de explicá-la a mim mesmo como um curso intensivo de jardinagem, pois trata-se de revitalizar a paisagem da vida, projetando-a dinamicamente, devolvendo-lhe intensidade e cor. A quaresma aprofunda três sulcos, afinal muito simples (o da oração, o da esmola e o da renúncia a que chamamos jejum), mas pode constituir uma alavanca de transformação que restaura em nós a liberdade de ser, que cimenta a capacidade de reconstruir a vida e de a viver fraternalmente, que nos dá um sentido de confiança capaz de abraçar criativa e serenamente a própria fragilidade, que melhora o nosso ânimo e até o nosso humor. Fazemos Quaresma para arriscar a Páscoa.

José Tolentino Mendonça, in Diário de Notícias (Madeira), de 14-01-2011.

terça-feira, 9 de março de 2010

Será o fim do mundo?

       Depois do Haiti, da Madeira, do Chile, dos temporais na Europa, agora o sismo na Turquia, em que morreram mais de 60 pessoas. É nesta perspectiva que achamos relevante este texto do Pe. António Rego, ajudando-nos também ele a enquadrar as tragédias do tempo presente:

 Nada sabemos fechados no casulo estreito do nosso tempo, do nosso espaço e até dos factos que nos parecem o fim do mundo e que não passam duma gota de água no oceano incomensurável de Deus

       Acontece no dia-a-dia. Ou melhor, num dia entre muitos dias. Parece que se acorda com tudo a correr ao contrário. O trabalho urgente a concluir e chega um telefonema a decretar outro mais urgente, uma dor de cabeça que não vem a propósito, um assunto que chegou ao fim mal concluído, um problema novo que se interpôs a todos, alguma sensação de nervosismo com a ideia de que tudo corre mal.
       Para não falar no que está por fazer, na culpa de alguns insucessos, choques, tensões, com o ego de rastos, a triste sensação de incapacidade para iniciar um novo projecto, o cansaço que desaba e parece bloquear qualquer saída para qualquer problema. E tudo se enrola numa visão mais alargada na profissão, na família, no país de aspecto insolúvel, na economia que parece de terra queimada, na corrupção e esperteza como segredo de triunfo, no poder arrogante dos vencedores de sempre.
       E depois o fio da história, o bem e o mal, a incerteza do fim, a dúvida sobre o amanhã, os tons carregados de cinzento que se abatem sobre o humor, a resistência, a alegria, a relação com os outros, a estima por si próprio. E uma sequência de tragédias naturais exaustivamente exibidas cujas origens reais não sabemos deslindar. Tudo embrulhado na ementa informativa servida a cada refeição, numa selecção quase sádica e macabra de acontecimentos como se não houvesse outra forma de pintar a história a não ser em cores de sangue e dor, com tiros, lágrimas e gemidos lancinantes à mistura.
       Será esta uma representação real da vida ou estaremos marcados pela náusea de Sartre, o niilismo de Nietzsche, o desespero de Hamlet, a fúria de Herodes e a loucura de Hitler, ou a depressão e ansiedade dum pós modernismo insano?
       Bem diferente é a teoria de Jesus. E a sua prática: o desprendimento dos “lírios do campo”, a providência sobre “os cabelos da vossa cabeça”,a certeza de que “nada do que pedimos é em vão”, a confiança “no pão que nos concede” em vez do escorpião, a certeza de que Ele venceu o mundo – tudo isso que nos sustenta – e nos projecta para além do desencanto que pode ser um dia mal passado ou uma visão azeda da história.
       Nada sabemos fechados no casulo estreito do nosso tempo, do nosso espaço e até dos factos que nos parecem o fim do mundo e que não passam duma gota de água no oceano incomensurável de Deus. Há negrumes na alma que apenas a sabedoria de Deus pode romper.

António Rego, in Agência Ecclesia.

sexta-feira, 5 de março de 2010

O grande dilúvio

       Nestas semanas, desde o dia 12 de Janeiro, quando o Haiti sofreu um forte sismo, com centenas de mortos, desalojados, chegaram até nós notícias de cheias, tempestades, mau tempo: Madeira, ali bem perto com mais de 40 mortes e vários feridos e desalojados; a sismo do Chile que matou mais à volta de 800 pessoas, deixando feridas muitas mais; os temporais que varreram a Europa, com um rasto de violência e morte.
       Inevitavelmente muitas questões se levantam e muitas leituras se fazem: castigo de Deus, abuso do homem, coincidências infelizes. Sobre a leitura que fizemos aquando do sismo do Haiti pode ler-se de novo: Tragédia do Haiti - reflexões avulsas, e sobre o temporal da Madeira: Temporal da Madeira e Caridade, e Haiti, Madeira e Chile: notas avulsas
       Este texto, publicado no Voz Jovem, que fala do grande Dilúvio, ao tempo de Noé, em que numa leitura imediata se diz que foi o castigo de Deus pelo pecado do Homem, e que recolhe a oralidade sobre acontecimentos dramáticos passados. No entanto, o texto tem a preocupação de nos mostrar o quanto Deus nos ama, sempre disposto a levar-nos à Verdade e ao Bem, para nos encontrarmos com Ele em terra firme.
Noé e o grande Dilúvio:
       Noé abanou a sua cabeça em descrédito. Deus continuou a indicar os pormenores.
       “Lembra-te, Noé, que este dilúvio vai durar muito tempo. Irás necessitar de todos os tipos de alimentos para vós e para os animais. Agora – ao trabalho!”
       Noé fez exatamente o que Deus lhe havia pedido. Ele e a sua família cortaram as árvores e construíram o barco. Cobriram-no com alcatrão por dentro e por fora para que nem uma gota de humidade pudesse infiltrar-se.
       Depois, ceifaram campos de cereais. Encheram cesto após cesto com fruta e secaram-na ao sol. Arrecadaram estes mantimentos nas despensas da arca.
       Então deram início à tarefa mais espantosa de todas: chamaram os animais a si e guiaram-nos para dentro do barco. Por fim, todas as pessoas e animais se encontravam seguros a bordo. Deus fechou a porta depois de entrarem. Passaram-se sete dias.
       Então Deus ordenou que a chuva começasse: primeiro, algumas gotas grossas salpicaram a terra seca; depois, Noé escutou um som rápido da chuva a bater no topo do barco. Olhou para fora: uma torrente de água caía do céu.
       Assim que a chuva começou, não havia forma de suster a inundação. Os níveis dos rios subiram e as suas margens transbordaram. A água encheu vales e começou a subira acima dos montes. A pesada embarcação de Noé começou a flutuar.
       Todos os seres vivos a bordo estavam secos e seguros; todo o resto do mundo foi levado pelas águas. Choveu durante quarenta dias e quarenta noites e, por essa altura, o mundo estava completamente submerso. Havia apenas água e céu cinzentos… e a arca de Noé e Deus.

Mónica Aleixo, in Voz Jovem, Fevereiro 2010.

terça-feira, 2 de março de 2010

Uma flor para a Madeira

       Seguindo a sugestão de "Amor de Deus", fomos ouvir novamente uma das brilhantes actuações do programa: "Uma flor para a Madeira", e é realmente extraordinária esta interpretação de José Cid e José Perdigão. Vale a pena também rever outras actuações fantásticas: da Diana, do Filipe, do Laurent, do Camané, dos Xutos, de Paulo de Carvalho, dos Anjos, de Carlos da Madeira, do Luís Jardim, da Mariza, da Cátia Guerreiro, do Rui Veloso, do Marco Paulo, Tony Carreira, e tantos outros.
       De seguida ouça a primeira actuação da noite, Mariza e Luís Jardim: "Oh Gente da minha Terra":

       Através do programa da SIC foram recolhidos mais € 500.000,00. Hoje é a vez da RTP, em "Juntos pela Madeira", recolher fundos através de chamada telefónica, o que também acontece com a TVI. Os bancos abriram contas solidárias e os CTT estão a oferecer o envio de bens de primeira necessidade.
       A Cáritas Portuguesa enviou para a Cáritas do Funchal, nas primeira horas, € 25.000,00, e depois disso tem divulgado o pedido e a colaboração têm-se acentuado.
       Ajuda à Madeira: Por transferência bancária, através da conta do Montepio Cáritas Ajuda a Madeira:
NIB 00 3600 0099 1058 7824 394
       Através das Caixas Multibanco: Entidade: 33 333 e Referência: 333 333 333
       (A verba de ajuda à Madeira contabiliza: € 260 231, 28)
       Ajuda ao Haiti: Por transferência bancária, através da Campanha Cáritas Ajuda Haiti :
NIB 0035 0697 0063 0007 5305 3
       Nas Caixas Multibanco: Entidade: 22222 e Referência: 222222222
       (A verba de ajuda ao Haiti contabiliza € 1.142.009,08)

segunda-feira, 1 de março de 2010

Esperança apesar do Mal

       É impossível não ver a Cáritas como uma referência de compromisso, de esperança, de fé e de amor pelo próximo. Um sinal concreto de que é sempre possível acreditar.

   
       "Ilusão das ilusões”, disse Qohélet, “ilusão das ilusões: tudo é ilusão. Uma geração passa, outra vem; e a terra permanece sempre”. O que vale, afinal, o ser humano?
       Após termos sido confrontados, há pouco mais de um mês, com as imagens tremendas da devastação no Haiti, chegam da Madeira outras igualmente devastadoras, que deixaram atrás de si um inimaginável rasto de morte e destruição.
       Impossível não ficar perturbado perante a desfiguração quase completa de uma cidade, a perda de tantas vidas, o sofrimento de quem nada fez para o “merecer” nem o poderia prever.
       É essa aliás a questão mais dolorosa para quem vive esta situação de longe e não tem de estar mergulhado na lama ou a tentar arrancar do seu caminho as pedras que impedem uma vida normal, construída tantas vezes à custa de muito trabalho e suor: Porquê? Porque sofre o inocente? Porque morrem uma jovem mãe, uma criança, um idoso que dormia descansado?
       A violência do que vemos é assim intensificada por estas perguntas que nos acompanham perante tais imagens. Custa acreditar que o sofrimento tenha um qualquer objectivo purificador, que a vida tenha um sentido para lá deste “sem-sentido” em que a natureza nos reduz a uma terrível insignificância.
       Em boa verdade, é nestas situações que nos confrontamos com uma verdade incontornável sobre a nossa humanidade: não temos respostas. Pensamos que sim, gostamos de acreditar que o questionamento constante terá um resultado óbvio, feliz, mas às vezes nem mesmo o fim do caminho parece lançar alguma luz sobre o percurso que se acabou de fazer. Resta-nos questionar. E acreditar mesmo quando, aparentemente, não há esperança.
       Job, símbolo bíblico do sofrimento do inocente, dizia a certa altura: “Recordai-Vos que a minha vida não passa de um sopro e que os meus olhos nunca mais verão a felicidade”. Mergulhado num sofrimento terrível, tinha respostas definitivas. Enganava-se.
       Sem respostas, pelo menos as que desejaríamos ou as suficientemente óbvias para que as possamos perceber, parece impossível que haja lugar para a esperança. Felizmente, há alguns dos melhores entre nós que não param perante estas calamidades e lançam imediatamente mãos à obra para que o terrível presente destrua apenas o passado (se assim tiver sido) e não hipoteque por completo o futuro.
       No nosso país, quando chegam estes momentos, é impossível não ver a Cáritas como uma referência de compromisso, de esperança, de fé e de amor pelo próximo. Um sinal concreto de que é sempre possível acreditar. Em todas as lutas.
Octávio Carmo, Editorial, in Agência Ecclesia.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Haiti, Madeira e Chile: notas avulsas!

       As notícias que nos chegam pelos meios de comunicação social raramente são positivas. Nos últimos tempos, esta realidade é ainda mais evidente. Para lá das tricas políticas, o sismo no Haiti, que fez milhares de mortos e de desalojados; o temporal que se abateu na Madeira, que provocou 42 mortos, em números oficiais, uma centena de feridos, e várias pessoas desalojadas, e o terramoto/tsunami no Chile, que já conta mais de 700 mortos, provocam-nos apreensão, comovem-nos.
       Nestes casos, pelo menos directamente, não tem a mão humana, como em muitas guerras visíveis e invisíveis provocadas por pessoas e povos mais ou menos poderosos, mais ou menos merdosos. Isso não nos deixa, de todo, tranquilos, se bem que as tragédias provocadas pela mão do homem são muito mais sangrentas, algumas delas avassaladoras: guerra, fome, violência, toxicodepenência, conflitos transfronteiriços, gangs destabelizadores, corrupção com tantas máfias a desfazeram outras tantas famílias; acidentes rodoviáros; as duas Guerras Mundiais; o holocauto em que foram mortos 6 milhões de judeus; o comunismo na China, onde milhares de ciranças são mortas à nascença, e tantos outros horrores; os projecos nucleares que não apenas matam mas deixam gerações destruídas genéticamente; guerras civis sem fim; projec o conflito israel-árabe, a pena de morte ao desbarado,...
       Estes fenómenos da natureza, no entanto, movem muito mais a nossa emoção. No caso anterior sempre se arranja uma desculpa ou uma justificação. Neste caso, é a Natureza! Mas como culpar alguém? Deus? O homem? A Natureza cansada, revoltada? Nem tudo tem uma explicação, embora sobre os sismos e temporais possa haver dados científicos que explicam como se formam e em que condições, mas não o alcance de destruição material e sobretudo humano.
    
       Algumas notas avulsas:
       É abusivo culpar Deus, mesmo que se diga que é para castigar o mal. O homem castiga-se a ele mesmo quando se desvia do bem. Deus, o nosso bom Deus, é Pai, pronto a acolher-nos em todas as circunstâncias...
       É abusivo culpar o homem, ainda que, muitas situações, uma ou outra cheia, uma ou outra tempestade derivem da poluição atmosférica ou da interveção gananciosa do ser humano. Mas nesses caso há que atender aos dados científicos, antes de procurar culpados ou justificações!
      Em todo o caso há tantas lições a tirar destas situações: o ser humano é capaz de dar o seu melhor - quanta ajuda ao Haiti; quanta disponibilidade para ajudar a Madeira! Há sempre alguém que aproveita para se servir, olhe-se para as pilhagens, os gestos de violência, o tráfico de bens e de pessoas... mas não superam a partilha solidária.
      Por outro lado, são ocasiões como estas que nos devem ajudar a reflectir na vida e nas quezílias que por vezes nos desgastam e nos levam a situações depressivas. É oportunidade para nos lembrarmos da efemeridade da vida e da relatividade das seguranças mundanas, comprometendo-nos mais com os outros, dando em cada tempo o melhor de nós mesmos, enquanto há tempo, enquanto é hora.
       Para uns e outros poderá ser oportunidade para abrirmos o nosso coração a Deus, só Ele garante a nossa vida em plenitude, da vida passageira para a eternidade: se tudo acaba com a morte, valerá o nosso empenho por transformarmos o mundo? Se tudo acaba, que sentido terá o sofrimento, sobretudo o sofrimento inocente? E se a justiça for apenas a humana, onde ficará espaço para a redenção? Para a justificação?
       Quando não nos restar mais nada, façamos silêncio, rezemos, deixemos que a voz de Deus nos provoque, rezemos pelos que partiram, rezemos pelos que ficaram, rezemos por nós, abramo-nos ao mistério divino para melhor acolhermos o mistério humano... É tempo de apreciar ainda mais a vida e gastá-la no bem, no que pode perdurar para a vida eterna!

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Madeira: capela destruída, imagem intacta

       A Madeira é uma terra desolada pelo temporal que se abateu sobre o Funchal, sobre a Ribeira Brava. A atenção deve voltar-se antes de mais para os sobreviventes, procurando minorar a sua dor e devolver-se a esperança, colaborando par que possam retomar a sua vida, e para com os que morreram, presentes na nossa oração.
       Em todo caso, nestes dias irão surgir diversas estórias, dentro da história da Madeira, de pessoas que sobreviveram por um triz, que estavam num lugar diferente do que tinham previsto estar e sobreviveram.
       A vida das pessoas também é feita de muitas vivências. O povo da Madeira, como tradicionalmente todo o país, é um povo muito religioso.       Nesta tragédia, morreram pessoas, muitas ficaram feridas, houve casas arrasadas, e aqui a história da Capela de Nossa Senhora da Conceição, mais conhecida como Capela das Babosas, na paróquia do Monte, que ficou completamente destruída. No entanto, no meio dos escombros, como que miraculosamente a imagem da padroeira intacta, Nossa Senhora da Conceição, o que muito alegrou os naturais, é “sinal de esperança e consolação para todo o povo”, como referiu o pároco, Pe. Giselo Andrade. Entretanto a imagem de Nossa Senhora foi colocada na Igreja Paroquial, até que a Capela possa ser uma realidade.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Tragédia na Madeira...

Contra a força da natureza o homem fica impotente. São forças mais fortes que a própria imaginação do homem. É impressionante, mas temos de reconstruir o que foi destruído e continuar, para que a Madeira seja e continue a ser a pérola do Atlântico... Força e coragem a todos os madeirenses.
Unidos na mesma fé, os católicos elevaram a Deus as suas preces, por especial intercessão de Nossa Senhora. Neste momento de dor, também eu rezo e convido todos os católicos a rezar, confiando o sofrimento de todos, nesta hora, a DEUS que é grandioso...

Temporal da Madeira e a Caridade

Desta vez formos surpreendidos pelas notícias que nos chegaram pelos meios de comunicação social, da calamidade da Madeira, fruto de chuvas intensas e de ventos fortes, provocando o transvase das três principais ribeiras do Funchal, inundando ruas, casas, levando pela frente carros, pessoas, destruindo árvores, habitações, estradas, pontes, com aldeias, lugares, pessoas, a ficarem isoladas.
A morte de várias pessoas, os números oficiais apontam para já para 42, uma vez que ainda não há condições de recolher dados mais concretos, bem como dezenas de feridos. Em todo o caso o menos importante são mesmo os números, nestas horas são importantes as pessoas, cada pessoa, e ainda que fosse apenas uma vítima já deveria (e deve) merecer a nossa atenção, a nossa solidariedade e a nossa oração.
As imagens do sismo no Haiti comoveram-nos.
Outra catástrofe, agora, mais perto de nós, pode ter um efeito mais distante.
Quando nos habituamos às mesmas imagens, por vezes, familirizamo-nos tanto que já não lhes devotamos a mesma preocupação. É o efeito das imegens muitas vezes repetidas.
Mas, em todo o caso, são momentos dolorosos, os do Haiti, como os da Madeira.
Uma família que perde todos os seus bens, que não tem alimento, não tem vestuário, não tem casa, merece-nos toda a consideração.
Uma família que perde um dos seus membros, ou dois, ou mais, deve sensibilizarmos em qualquer circunstância, é um momento extremamente doloroso.
Tal como aquando do sismo do Haiti, a solidariedade para com as pessoas da Madeira não se fez esperar, a solidariedade das palavras, dos meios, da oração. Vários organismos mobilizaram-se para resgatar o que é possível, procurando ajudar as pessoas que se encontram isoladas, que estão feridas, ajudando a reconstruir.
Destacamos também o papel da Igreja. A Cáritas Portuguesa disponibilizou de imediato € 25.000,00, através da Cáritas do Funchal.
Associemo-nos também pela oração. Que Deus acolha os que partiram, dê coragem aos que perderam familiares. Que as nossas preces possam confortar todos os que desesperam, e que através das pessoas mais próximas encontram um mão amiga, acolhedora, confortante.
Deus abençoe o povo da Madeira, nesta hora de tristeza e luto.