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quinta-feira, 2 de maio de 2013

Bento XVI aos jovens: para falar de Deus, falar com Deus

Na Mensagem para a Jornada Mundial da Juventude, a realizar em Julho, no Rio de Janeiro, Brasil, diz-nos Bento XVI (n.º 6 da Mensagem):
       A evangelização autêntica nasce sempre da oração e é sustentada por esta: para poder falar de Deus, devemos primeiro falar com Deus. E, na oração, confiamos ao Senhor as pessoas às quais somos enviados, suplicando-Lhe que toque o seu coração; pedimos ao Espírito Santo que nos torne seus instrumentos para a salvação dessas pessoas; pedimos a Cristo que coloque as palavras nos nossos lábios e faça de nós sinais do seu amor. E, de modo mais geral, rezamos pela missão de toda a Igreja, de acordo com a ordem explícita de Jesus: «Pedi, pois, ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita!» (Mt 9,38). Sabei encontrar na Eucaristia a fonte da vossa vida de fé e do vosso testemunho cristão, participando com fidelidade na Missa ao domingo e sempre que possível também durante a semana. Recorrei frequentemente ao sacramento da Reconciliação: é um encontro precioso com a misericórdia de Deus que nos acolhe, perdoa e renova os nossos corações na caridade. E, se ainda não o recebestes, não hesiteis em receber o sacramento da Confirmação ou Crisma preparando-vos com cuidado e solicitude. Junto com a Eucaristia, esse é o sacramento da missão, porque nos dá a força e o amor do Espírito Santo para professar sem medo a fé. Encorajo-vos ainda à prática da adoração eucarística: permanecer à escuta e em diálogo com Jesus presente no Santíssimo Sacramento, torna-se ponto de partida para um renovado impulso missionário.
       Se seguirdes este caminho, o próprio Cristo vos dará a capacidade de ser plenamente fiéis à sua Palavra e de testemunhá-Lo com lealdade e coragem. Algumas vezes sereis chamados a dar provas de perseverança, particularmente quando a Palavra de Deus suscitar reservas ou oposições. Em certas regiões do mundo, alguns de vós sofrem por não poder testemunhar publicamente a fé em Cristo, por falta de liberdade religiosa. E há quem já tenha pagado com a vida o preço da própria pertença à Igreja. Encorajo-vos a permanecer firmes na fé, certos de que Cristo está ao vosso lado em todas as provas. Ele vos repete: «Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus» (Mt 5,11-12).

Bento XVI aos jovens: quem não dá Deus, dá muito pouco

Na Mensagem para a Jornada Mundial da Juventude, a realizar em Julho, no Rio de Janeiro, Brasil, diz-nos Bento XVI (n.º 5 da Mensagem):
       A ação de evangelizar nasce do amor que Cristo infundiu em nós; por isso, o nosso amor deve conformar-se sempre mais ao d’Ele. Como o bom Samaritano, devemos manter-nos solidários com quem encontramos, sabendo escutar, compreender e ajudar, para conduzir, quem procura a verdade e o sentido da vida, à casa de Deus que é a Igreja, onde há esperança e salvação (cf. Lc 10,29-37). Queridos amigos, nunca esqueçais que o primeiro ato de amor que podeis fazer ao próximo é partilhar a fonte da nossa esperança: quem não dá Deus, dá muito pouco. Aos seus apóstolos, Jesus ordena: «Fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei» (Mt 28,19-20). Os meios que temos para «fazer discípulos» são principalmente o Batismo e a catequese. Isto significa que devemos conduzir as pessoas que estamos a evangelizar ao encontro com Cristo vivo, particularmente na sua Palavra e nos Sacramentos: assim poderão crer n’Ele, conhecerão a Deus e viverão da sua graça. Gostaria que cada um de vós se perguntasse: Alguma vez tive a coragem de propor o Batismo a jovens que ainda não o receberam? Convidei alguém a seguir um caminho de descoberta da fé cristã? Queridos amigos, não tenhais medo de propor aos jovens da vossa idade o encontro com Cristo. Invocai o Espírito Santo: Ele vos guiará para entrardes sempre mais no conhecimento e no amor de Cristo, e vos tornará criativos na transmissão do Evangelho.

Bento XVI aos jovens - Alcançai todos os povos

       Na Mensagem para a Jornada Mundial da Juventude, a realizar em Julho, no Rio de Janeiro, Brasil, diz-nos Bento XVI (n.º 4 da Mensagem):
     Cristo ressuscitado enviou os seus discípulos para dar testemunho de sua presença salvífica a todos os povos, porque Deus, no seu amor superabundante, quer que todos sejam salvos e ninguém se perca. Com o sacrifício de amor na Cruz, Jesus abriu o caminho para que todo homem e toda mulher possa conhecer a Deus e entrar em comunhão de amor com Ele. E constituiu uma comunidade de discípulos para levar o anúncio salvífico do Evangelho até os confins da terra, a fim de alcançar os homens e as mulheres de todos os lugares e de todos os tempos. Façamos nosso esse desejo de Deus!
       Queridos amigos, estendei o olhar e vede ao vosso redor: tantos jovens perderam o sentido da sua existência. Ide! Cristo precisa de também de vós. Deixai-vos envolver pelo seu amor, sede instrumentos desse amor imenso, para que alcance a todos, especialmente aos «afastados». Alguns encontram-se geograficamente distantes, enquanto outros estão longe porque a sua cultura não dá espaço para Deus; alguns ainda não acolheram o Evangelho pessoalmente, enquanto outros, apesar de o terem recebido, vivem como se Deus não existisse. A todos abramos a porta do nosso coração; procuremos entrar em diálogo com simplicidade e respeito: este diálogo, se vivido com uma amizade verdadeira, dará seus frutos. Os «povos», aos quais somos enviados, não são apenas os outros Países do mundo, mas também os diversos âmbitos de vida: as famílias, os bairros, os ambientes de estudo ou de trabalho, os grupos de amigos e os locais de lazer. O jubiloso anúncio do Evangelho se destina a todos os âmbitos da nossa vida, sem exceção.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Jovens da Diocese de Lamego na JMJ 2011

       Sob o tema: «Enraizados e edificados n’Ele... firmes na fé» (cf. Cl 2, 7), realizaram-se, em Madrid, capital de Espanha, as XXVI Jornadas Mundiais da Juventude. A Diocese de Lamego respondeu ao convite do Santo Padre e, em conjunto com o Sr. D. Jacinto Botelho, Bispo da Diocese, e do Sr. Vigário Geral, Mons. Joaquim Dias Rebelo, marcou presença com 140 jovens, acompanhados por seis sacerdotes. 
       No dia 10 de Agosto, o Sr. Bispo presidiu, na Sé de Lamego, à Eucaristia do envio. Nessa ocasião, 95 jovens da Diocese partiram em direcção a Fuentepelayo, onde foram recebidos por aquela Paróquia da Diocese de Segóvia, onde se realizaram as pré-Jornadas, de 11 a 15 de Agosto. Ao longo desses dias, os jovens, uma parte alojados nas instalações da Paróquia, outra parte alojados em famílias que os acolheram, tiveram a possibilidade de rezar e conhecer aquela Diocese.
       No dia 15 de Agosto, os restantes jovens da Diocese partiram em direcção a Madrid, onde todo o grupo da Diocese de Lamego ficou alojado na Paróquia de Galapagar, a cerca de 30kms do centro da capital espanhola. Nesses dias, ficaram a dormir no Pavilhão Gimnodesportivo daquela localidade. Foram jovens das Paróquias de Almacave, Sé, Cinfães, S. Cristóvão, Tendais, Parada de Ester, Castro Daire, Monteiras, Tarouca, Rabaçal, Penude, Leomil e Tabuaço, acompanhados por vários sacerdotes: P. Bráulio Carvalho (Director do Secretariado Diocesano da Pastoral Juvenil da Diocese), P. José Abrunhosa, P. José Alfredo Patrício, P. Miguel Peixoto, P. Tiago Cardoso e P. Manuel João Amaral.
       Apesar das condições de alojamento não serem as ideais, as dificuldades foram sendo superadas com optimismo e bom humor. Notámos, desde o primeiro momento, a boa vontade dos voluntários (em Madrid, eram mais de 30 mil) que procuraram solucionar um sem fim de problemas e contrariedades.
       No dia 16 de Agosto, ao final da tarde, depois de terem visitado o Mosteiro de El Escorial, os jovens participaram na Missa de início das Jornadas, que teve lugar na Plaza Cibeles, e foi presidida pelo Arcebispo de Madrid, Card. Rouco Varela, que, na homilia, deu as boas vindas às centenas de milhares de jovens que, já nesse dia, enchiam as ruas da cidade, com o seu entusiasmo e alegria.
       No dia 17 de Agosto, na Paróquia de Santo Cristo das Vitórias, no centro de Madrid, o Sr. D. Antonino Dias, Bispo de Portalegre-Castelo Branco orientou a catequese em língua portuguesa, na qual participaram também os jovens de Lamego, e na qual participaram jovens do Brasil, de Angola e de Moçambique. Nesse dia à tarde, os vários grupos de jovens de Lamego aproveitaram para conhecer a cidade.
       No dia 18 de Agosto, teve lugar o encontro dos jovens portugueses que participavam nas Jornadas com os Bispos portugueses. O encontro teve lugar no Madrid Arena, um pavilhão multiusos, e nele marcaram presença cerca de 12 mil jovens. Nesse encontro, também marcou presença o Sr. D. Jacinto e o Mons. Joaquim, Vigário Geral da Diocese. Foi um encontro marcado pela catequese proferida pelo Sr. Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, e pela celebração da Eucaristia. 
       No dia 19 de Agosto, na parte da manhã, os jovens de Lamego participaram activamente na manhã de formação, cabendo ao Secretariado Diocesano da Pastoral Juvenil a orientação da oração da manhã. Seguiu-se a catequese, presidida pelo Sr. D. Jorge Ortiga, Arcebispo de Braga, no final da qual o Sr. D. Jacinto, que estava presente, também teve uma breve intervenção, muito aplaudida pelos presentes. Na tarde desse dia, e apesar do intenso calor que se fazia sentir, os jovens seguiram novamente para a Plaza Cibeles, ao encontro do Papa, que presidiu à Via Sacra.
       Depois de dormirem a última noite em Galapagar, no sábado de manhã, dia 20, todo o Grupo, depois de uma manhã livre, se foi dirigindo para o Aeródromo de Cuatro Vientos, onde decorreria a Vigília e a Missa final, ambas presididas pelo Santo Padre. A caminhada não foi demasiado longa, como noutras Jornadas anteriores mas, foi com certa decepção, que, ao chegarmos ao aeródromo, o local que nos estava destinado, já estava completamente preenchido. Foi, por isso, necessário encontrarmos outro lugar, onde todo o Grupo de Lamego pudesse ficar em conjunto. Tendo encontrado um local, todos se prepararam para passar a noite. A tarde foi de um calor extremo, mas, a pouco e pouco, as nuvens foram carregando o céu. Pouco depois de ter início a vigília, que se ia acompanhando pelos ecrãs, espalhados pelo recinto, a chuva e o vento fizeram-se sentir durante largos minutos, obrigando o Santo Padre a interromper a vigília. O som e alguns dos ecrãs deixaram de funcionar e isso impediu o Papa de ler o texto que tinha preparado. Durante esse período, os jovens continuaram em oração, ora rezando o terço, ora fazendo a vigília, seguindo o esquema que estava disponível nos livros que foram distribuídos aos peregrinos. Quando o temporal amainou, todos perceberam que o Papa não se tinha ido embora e teve início a adoração eucarística, com a exposição solene do Santíssimo Sacramento. Foi então que um grande silêncio imperou, durante vários minutos, e aquela multidão de jovens se ajoelhou e, seguindo o exemplo do Santo Padre, adorou a Santíssima Eucaristia. Foi um silêncio impressionante, num ambiente que convidava a tudo menos a rezar e que, no entanto, foi um ambiente de oração. Assim que foi dada a bênção com o Santíssimo, aqueles jovens, que já superavam um milhão, deram azo à sua alegria, chamando pelo nome do Papa, em agradecimento pelo facto de o Santo Padre se ter mantido com eles ao longo daqueles momentos difíceis.
       No dia seguinte, amanheceu um dia radioso. Os sacerdotes deslocaram-se para a zona que lhes estava destinada, para poderem concelebrar a Eucaristia. Só com o amanhecer foram visíveis os estragos provocados pela trovoada, que tornou inseguras as Capelas onde estavam os vasos com hóstias que seriam consagradas para a distribuição da comunhão aos jovens. Não sendo possível aceder a esses vasos, também não foi possível distribuir a comunhão, pelo que só os Bispos e sacerdotes tiveram a possibilidade de comungar. Os jovens foram convidados a fazer uma comunhão espiritual e a oferecer esse sacrifício pela pessoa e intenções do Santo Padre.
       No final, ficou a imensa alegria de poder estar presente, de sentir a proximidade do Papa que quer bem aos jovens e de ouvir da boca dele conselhos tão oportunos. O regresso a Lamego fez-se sem dificuldade.
       Todos estão agradecidos ao Secretariado Diocesano da Pastoral Juvenil da Diocese de Lamego pelo árduo trabalho que tiveram na preparação e ao longo de todas as Jornadas, bem como a todos os Párocos que se esforçaram para que os jovens pudessem participar neste evento. Uma palavra de gratidão ao Sr. D. Jacinto e ao Sr. Vigário Geral pelo facto de também terem acompanhado os jovens da Diocese.

in Blogue da Diocese de Lamego

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Homilia de Bento XVI na JMJ 2011

Homilia do Papa Bento XVI na Eucaristia de Encerramento das Jornadas Mundiais da Juventude, em Madrid, 21 de Agosto de 2011
       Queridos jovens,
       Com a celebração da Eucaristia, chegamos ao momento culminante desta Jornada Mundial da Juventude. Ao ver-vos aqui, vindos em grande número de todas as partes, o meu coração enche-se de alegria, pensando no afecto especial com que Jesus vos olha. Sim, o Senhor vos quer bem e vos chama seus amigos (cf. Jo 15, 15). Ele vem ter convosco e deseja acompanhar-vos no vosso caminho, para vos abrir as portas duma vida plena e tornar-vos participantes da sua relação íntima com o Pai. Pela nossa parte, conscientes da grandeza do seu amor, desejamos corresponder, com toda a generosidade, a esta manifestação de predilecção com o propósito de partilhar também com os demais a alegria que recebemos. Na actualidade, são certamente muitos os que se sentem atraídos pela figura de Cristo e desejam conhecê-Lo melhor. Pressentem que Ele é a resposta a muitas das suas inquietações pessoais. Mas quem é Ele realmente? Como é possível que alguém que viveu na terra há tantos anos tenha algo a ver comigo hoje?
       No evangelho que ouvimos (cf. Mt 16, 13-20), vemos representadas, de certo modo, duas formas diferentes de conhecer Cristo. O primeiro consistiria num conhecimento externo, caracterizado pela opinião corrente. À pergunta de Jesus: «Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?», os discípulos respondem: «Uns dizem que é João Baptista; outros, que é Elias; e outros, que é Jeremias ou algum dos profetas». Isto é, considera-se Cristo como mais um personagem religioso junto aos que já são conhecidos. Depois, dirigindo-se pessoalmente aos discípulos, Jesus pergunta-lhes: «E vós, quem dizeis que Eu sou?». Pedro responde formulando a primeira confissão de fé: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo». A fé vai mais longe que os simples dados empíricos ou históricos, e é capaz de apreender o mistério da pessoa de Cristo na sua profundidade.
       A fé, porém, não é fruto do esforço do homem, da sua razão, mas é um dom de Deus: «És feliz, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que to revelou, mas o meu Pai que está no Céu». Tem a sua origem na iniciativa de Deus, que nos desvenda a sua intimidade e nos convida a participar da sua própria vida divina. A fé não se limita a proporcionar alguma informação sobre a identidade de Cristo, mas supõe uma relação pessoal com Ele, a adesão de toda a pessoa, com a sua inteligência, vontade e sentimentos, à manifestação que Deus faz de Si mesmo. Deste modo, a pergunta de Jesus: «E vós, quem dizeis que Eu sou?», no fundo está impelindo os discípulos a tomarem uma decisão pessoal em relação a Ele. Fé e seguimento de Cristo estão intimamente relacionados.
       E, dado que supõe seguir o Mestre, a fé tem que se consolidar e crescer, tornar-se mais profunda e madura, à medida que se intensifica e fortalece a relação com Jesus, a intimidade com Ele. Também Pedro e os outros apóstolos tiveram que avançar por este caminho, até que o encontro com o Senhor ressuscitado lhes abriu os olhos para uma fé plena.
        Queridos jovens, Cristo hoje também se dirige a vós com a mesma pergunta que fez aos apóstolos: «E vós, quem dizeis que Eu sou?» Respondei-Lhe com generosidade e coragem, como corresponde a um coração jovem como o vosso. Dizei-Lhe: Jesus, eu sei que Tu és o Filho de Deus que deste a tua vida por mim. Quero seguir-Te fielmente e deixar-me guiar pela tua palavra. Tu conheces-me e amas-me. Eu confio em Ti e coloco nas tuas mãos a minha vida inteira. Quero que sejas a força que me sustente, a alegria que nuca me abandone.
       Na sua reposta à confissão de Pedro, Jesus fala da sua Igreja: «Também Eu te digo: Tu é Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja». Que significa isto? Jesus constrói a Igreja sobre a rocha da fé de Pedro, que confessa a divindade de Cristo. Sim, a Igreja não é uma simples instituição humana, como outra qualquer, mas está intimamente unida a Deus. O próprio Cristo Se refere a ela como a «sua» Igreja. Não se pode separar Cristo da Igreja, tal como não se pode separar a cabeça do corpo (cf. 1 Cor 12, 12). A Igreja não vive de si mesma, mas do Senhor. Ele está presente no meio dela e dá-lhe vida, alimento e fortaleza.

       Queridos jovens, permiti que, como Sucessor de Pedro, vos convide a fortalecer esta fé que nos tem sido transmitida desde os apóstolos, a colocar Cristo, Filho de Deus, no centro da vossa vida. Mas permiti também que vos recorde que seguir Jesus na fé é caminhar com Ele na comunhão da Igreja. Não se pode, sozinho, seguir Jesus. Quem cede à tentação de seguir «por conta sua» ou de viver a fé segundo a mentalidade individualista, que predomina na sociedade, corre o risco de nunca encontrar Jesus Cristo, ou de acabar seguindo uma imagem falsa d’Ele.
       Ter fé é apoiar-se na fé dos teus irmãos, e fazer com que a tua fé sirva também de apoio para a fé de outros. Peço-vos, queridos amigos, que ameis a Igreja, que vos gerou na fé, que vos ajudou a conhecer melhor Cristo, que vos fez descobrir a beleza do Seu amor. Para o crescimento da vossa amizade com Cristo é fundamental reconhecer a importância da vossa feliz inserção nas paróquias, comunidades e movimentos, bem como a participação na Eucaristia de cada domingo, a recepção frequente do sacramento do perdão e o cultivo da oração e a meditação da Palavra de Deus.
       E, desta amizade com Jesus, nascerá também o impulso que leva a dar testemunho da fé nos mais diversos ambientes, incluindo nos lugares onde prevalece a rejeição ou a indiferença. É impossível encontrar Cristo, e não O dar a conhecer aos outros. Por isso, não guardeis Cristo para vós mesmos. Comunicai aos outros a alegria da vossa fé. O mundo necessita do testemunho da vossa fé; necessita, sem dúvida, de Deus. Penso que a vossa presença aqui, jovens vindos dos cinco continentes, é uma prova maravilhosa da fecundidade do mandato de Cristo à Igreja: «Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda a criatura» (Mc 16, 15). Incumbe sobre vós também a tarefa extraordinária de ser discípulos e missionários de Cristo noutras terras e países onde há multidões de jovens que aspiram a coisas maiores e, vislumbrando em seus corações a possibilidade de valores mais autênticos, não se deixam seduzir pelas falsas promessas dum estilo de vida sem Deus.
       Queridos jovens, rezo por vós com todo o afecto do meu coração. Encomendo-vos à Virgem Maria, para que Ela sempre vos acompanhe com a sua intercessão materna e vos ensine e fidelidade à Palavra de Deus. Peço-vos também que rezeis pelo Papa, para que, como Sucessor de Pedro, possa continuar confirmando na fé os seus irmãos. Que todos na Igreja, pastores e fiéis, nos aproximemos de dia para dia sempre mais do Senhor, para crescermos em santidade de vida e darmos assim um testemunho eficaz de que Jesus Cristo é verdadeiramente o Filho de Deus, o Salvador de todos os homens e a fonte viva da sua esperança. Amen.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

As melhores imagens da JMJ 2011

       As melhores imagens da JMJ 2011, em Madrid, e como música de fundo o respctivo hino destas Jornadas:

JMJ 2011: Uma Igreja que não se rende

Quatro dias em Madrid para que Bento XVI apelasse ao compromisso das novas gerações de católicos, ainda que em cenários de hostilidade

       Bento XVI encerrou hoje uma visita de quatro dias a Madrid, durante a qual insistiu na necessidade de uma geração sem “medo” de se assumir católica face à “cultura relativista dominante”, à indiferença e mesmo hostilidade de muitos.
        Os milhões de jovens que terão passado pelas diversas atividades religiosas, lúdicas e culturais da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), na capital espanhola, podem ler em casa uma mensagem que a chuva tirou da boca do Papa, na vigília de sábado: “Que nenhuma dificuldade vos paralise. Não tenhais medo do mundo, nem do futuro”.
       Por mais de uma vez, Bento XVI convidou a nova geração de católicos a não “desanimar com as contrariedades que, de diversos modos, se apresentam nalguns países”.
       Sem qualquer referência aos incidentes de contestação que rodearam a visita a Madrid, consideradas “marginais” pelo Vaticano, o Papa apontou como prioridade dar “testemunho da fé” nos mais diversos ambientes, incluindo nos lugares onde prevalece a “rejeição ou a indiferença”.
       Falando em português, como fez várias vezes, admitiu que os católicos se podem sentir em “contracorrente no meio duma sociedade onde impera a cultura relativista que renuncia a buscar e a possuir a verdade”.
       Por diversas vezes, Bento XVI apelou a uma presença junto dos “menos favorecidos” e defendeu uma compreensão diferente do “sofrimento”, tanto na via-sacra nas ruas de Madrid como valorizando os jovens portadores de deficiência como aqueles que fazem nascer gestos de “ternura”.
       “Por Cristo, sabemos que não estamos a caminhar para o abismo, para o silêncio do nada ou da morte, mas seguindo para a terra prometida”, diria aos seminaristas.
       Num encontro com milhar e meio de religiosas indicou, por outro lado, que “face ao relativismo e à mediocridade, surge a necessidade desta radicalidade que testemunha a consagração como uma pertença a Deus”.
       Aos professores universitários, com quem se encontrou pela primeira vez num contexto de JMJ, falou dos “abusos duma ciência que não reconhece limites para além de si mesma”.
       Foi também uma JMJ com marca portuguesa, com a presença recorde de 12 mil participantes, para lá da assumida candidatura a organizar um evento deste género a médio prazo.
        O encontro entre 17 bispos e os peregrinos lusos deixou diversos apelos a um compromisso em favor do “bem comum”, do esforço urgente e necessário para superar a atual crise - económica, mas também de valores – que atinge o país, no entender dos responsáveis da Igreja Católica.
       No final, a Jornada de Madrid fica como um momento de esperança de uma geração que não se rende perante sinais de desnorte e mesmo descarrilamento social que chegavam dos recentes motins do Reino Unido ou dos atentados da Noruega, para além das pesadas consequências do desgoverno financeiro internacional, sobretudo no aumento da precariedade e do desemprego.
       Apesar do pouco tempo que, em 79 horas, o Papa passou entre os jovens, a nova geração ‘JMJ’ respondeu presente e nem o calor, o pó, o cansaço, a chuva ou o vento conseguiram travá-la, sendo justo, por isso, o que disse Bento XVI após a tempestade da vigília de sábado: “Vivemos uma aventura juntos”.

Octávio Carmo, in Agência ECCLESIA, em Madrid

domingo, 21 de agosto de 2011

Bento XVI aos jovens: não se pode seguir a Cristo sozinho...

Bento XVI e os jovens em missão num mundo de rejeição

       Madrid, 21 ago 2011 (Ecclesia) – Bento XVI apelou hoje aos jovens católicos de todo o mundo para que testemunhem a sua fé publicamente, mesmo em “lugares onde prevalece a rejeição ou a indiferença”.
       O Papa falava na homilia da missa de encerramento da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) 2011, no aeródromo madrileno de Cuatro Vientos, onde se encontram mais de um milhão e meio de jovens.
       Retomando uma ideia já apresentada durante a visita de quatro dias à capital espanhola, iniciada quinta-feira, Bento XVI alertou contra a “mentalidade individualista que predomina na sociedade”, frisando que os jovens correm “o risco de nunca encontrar Jesus Cristo, ou de acabar seguindo uma imagem falsa dele”.
       “São certamente muitos os que se sentem atraídos pela figura de Cristo e desejam conhecê-Lo melhor. Pressentem que Ele é a resposta a muitas das suas inquietações pessoais. Mas quem é Ele realmente? Como é possível que alguém que viveu na terra há tantos anos tenha algo a ver comigo hoje?”, questionou.
       O espaço de Cuatro Vientos, onde João Paulo II esteve em 2003 na sua última viagem a Espanha, foi alargado pela organização do evento, após ter sido completamente lotado este sábado pelos participantes na JMJ, vindos de mais de 130 países.
       Bento XVI, que lembrou o pouco tempo de descanso que os jovens tiveram, nestes dias, disse que “a fé vai mais longe que os simples dados empíricos ou históricos, e é capaz de apreender o mistério da pessoa de Cristo na sua profundidade”, frisando que “a fé não é fruto do esforço do homem, da sua razão, mas é um dom de Deus”.
        O Papa destacou que “a fé não se limita a proporcionar alguma informação sobre a identidade de Cristo, mas supõe uma relação pessoal com Ele, a adesão de toda a pessoa, com a sua inteligência, vontade e sentimentos, à manifestação que Deus faz de si mesmo”.
        “É impossível encontrar Cristo, e não o dar a conhecer aos outros. Por isso, não guardeis Cristo para vós mesmos. Comunicai aos outros a alegria da vossa fé. O mundo necessita do testemunho da vossa fé; necessita, sem dúvida, de Deus”, declarou.
       Bento XVI aconselhou os jovens a procurarem a “inserção nas paróquias, comunidades e movimentos”, bem como a “participação na Eucaristia de cada domingo, a recepção frequente do sacramento do perdão e o cultivo da oração e a meditação da Palavra de Deus”.
       No final da missa, Bento XVI abençoou e entregou uma pequena cruz, a cinco jovens, ao mesmo tempo que benzeu as de todos os presentes, como sinal de envio missionário.
        O presidente do Conselho Pontifício para os Leigos, cardeal Stanislaw Rylko, dirigiu ao Papa palavras de agradecimento, sublinhada por uma salva de palmas dos presentes, e disse que os jovens “estão prontos de sair de Madrid para o mundo inteiro”.
       A 26.ª JMJ decorrue entre terça-feira e domingo sob o lema “Enraizados e edificados em Cristo, firmes na fé”, com a presença de Bento XVI desde quinta-feira e reunindo mais de um milhão de peregrinos, entre os quais 12 mil portugueses, números que fazem desta iniciativa o maior evento juvenil da Igreja Católica.

Octávio Carmo, enviado da Agência ECCLESIA a Madrid

Bento XVI no aeródromo Cuatro Vientos, JMJ 2011


A chuva, o vento, ... a tempestade na Vigília da JMJ 2011

O Papa regressa, depois da tempestade, para salientar a coragem e a resistência dos jovens:

sábado, 20 de agosto de 2011

Amparados pela fé da Igreja para ser testemunhas

       5. Naquele momento Jesus exclama: «Porque Me viste, acreditaste. Bem-aventurados os que, sem terem visto, acreditaram!» (Jo 20, 29). Ele pensa no caminho da Igreja, fundada sobre a fé das testemunhas oculares: os Apóstolos. Compreendemos então que a nossa fé pessoal em Cristo, nascida do diálogo com Ele, está ligada à fé da Igreja: não somos crentes isolados, mas, pelo Baptismo, somos membros desta grande família, e é a fé professada pela Igreja que dá segurança à nossa fé pessoal. O credo que proclamamos na Missa dominical protege-nos precisamente do perigo de crer num Deus que não é o que Jesus nos revelou: «Cada crente é, assim, um elo na grande cadeia dos crentes. Não posso crer sem ser motivado pela fé dos outros, e pela minha fé contribuo também para guiar os outros na fé» (Catecismo da Igreja Católica, n. 166). Agradeçamos sempre ao Senhor pelo dom da Igreja; ela faz-nos progredir com segurança na fé, que nos dá a vida verdadeira (cf. Jo 20, 31).
       Na história da Igreja, os santos e os mártires hauriram da Cruz gloriosa de Cristo a força para serem fiéis a Deus até à doação de si mesmos; na fé encontraram a força para vencer as próprias debilidades e superar qualquer adversidade. De facto, como diz o apóstolo João, «Quem é que vence o mundo senão aquele que crê que Jesus é Filho de Deus?» (1 Jo 5, 5). E a vitória que nasce da fé é a do amor. Quantos cristãos foram e são um testemunho vivo da força da fé que se exprime na caridade; foram artífices de paz, promotores de justiça, animadores de um mundo mais humano, um mundo segundo Deus; comprometeram-se nos vários âmbitos da vida social, com competência e profissionalidade, contribuindo de modo eficaz para o bem de todos. A caridade que brota da fé levou-os a dar um testemunho muito concreto, nas acções e nas palavras: Cristo não é um bem só para nós próprios, é o bem mais precioso que temos para partilhar com os outros. Na era da globalização, sede testemunhas da esperança cristã em todo o mundo: são muitos os que desejam receber esta esperança! Diante do sepulcro do amigo Lázaro, morto havia quatro dias, Jesus, antes de o chamar de novo à vida, disse à sua irmã Marta: «Se acreditasses, verias a glória de Deus» (cf. Jo 11, 40). Também vós, se acreditardes, se souberdes viver e testemunhar a vossa fé todos os dias, tornar-vos-eis instrumentos para fazer reencontrar a outros jovens como vós o sentido e a alegria da vida, que nasce do encontro com Cristo!