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quarta-feira, 14 de março de 2012

Espaço para a autenticidade...

É urgente que a vida não seja só a acumulação do tempo e do seu cavalgar sonâmbulo
       Gosto, mas gosto muito, que a primeira palavra de Jesus no Evangelho de João seja uma pergunta (e seja aquela pergunta): “Que procurais?” (Jo 1,38). Consola-me ir percebendo que o que sustenta a arquitetura dos encontros e dos desencontros que os Evangelhos relatam é uma espécie de coreografia de perguntas, um intenso tráfico interrogativo, construído a maior parte do tempo a tatear, sem saber bem, com muitas dúvidas, muitos disparos ao lado, muita incapacidade até de comunicar. Isso é uma âncora, por muito que nos custe, pois uma vida só assente em respostas é uma vida diminuída, à maneira de uma primavera que não chegou a ser. Não sei como vai rebentar em nós a primavera, como se vai acender este reflorir que a natureza insinua, este renascer que o gesto pascal de Jesus espantosamente (res)suscita na nossa humanidade. Sei apenas que nas perguntas, mesmo naquelas que são difíceis e nos estremecem, reencontramos a vida exposta e aberta, certamente mais frágil, mas a única que nos permite tocar as margens de uma existência autêntica.

       Todos somos habitados por perguntas e elas cartografam zonas silenciosas, territórios de fronteira do nosso ser. Estes dias reencontrei a pergunta de Pilatos (ainda no Evangelho de João): “O que é a verdade?” (Jo18,38). E dei comigo a aproximar esta pergunta de uma das frases emblemáticas de Jesus: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,2). Sem querer relativizar a natureza densamente dogmática do enunciado, dei comigo, porém, a revisitá-lo em chave existencial. E era como se Jesus, mestre da vida que incessantemente se reformula em nós, nos desafiasse a uma apropriação. Sim, a uma apropriação. É necessário que perante a multidão dos caminhos percorridos e a percorrer cada um de nós diga: “eu sou o caminho que percorro”. É decisivo que as verdades que acordamos não sejam uma sobreposição, mas uma expressão profunda do que somos: “eu sou a verdade”. É urgente que a vida não seja só a acumulação do tempo e do seu cavalgar sonâmbulo, mas que cada um, pelo menos uma vez, possa dizer plenamente: “eu sou a vida”. Acho que é disto que o mistério pascal fala.

José Tolentino Mendonça, Editorial da Agência Ecclesia.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Expressão de Bento XVI é verdadeira

       Laboratório de Expressão Facial da Emoção, da Universidade Fernando Pessoa, no Porto, fez um estudo inédito da expressão e linguagens faciais do Papa Bento XVI.
       Segundo Freitas-Magalhães, director do laboratório da Faculdade de Ciências da Saúde, e especialista em expressão facial da emoção, "os movimentos e linguagens faciais do Papa Bento XVI são simétricos e articulados com o discurso verbal e contexto nos quais são produzidos e exibidos".
       Ou seja, o Sumo Pontífice exibe uma expressão facial "congruente, consistente e verdadeira".
       O estudo inédito da expressão e linguagens faciais do Papa Bento XVI, que está em desenvolvimento no Laboratório de Expressão Facial da Emoção da Universidade Fernando Pessoa, iniciou-se quando foi eleito pelo conclave de cardeais, em 2005, e faz parte do projecto científico "A neuropsicofisiologia da face: Os movimentos e linguagens em figuras públicas".
       O presidente norte-americano, Barack Obama, foi o primeiro a ser objecto da "autópsia facial" no âmbito daquele programa, seguindo-se o chefe de estado português, Cavaco Silva.
       Freitas-Magalhães vai apresentar os resultados sobre o estudo da expressividade da face do Papa Bento XVI durante a conferência "Os Vestígios Emocionais do Cérebro na Face Humana: O Efeito da Idade", a 20 de Maio, na Universidade Católica, em Braga.