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terça-feira, 6 de novembro de 2018

São Nuno de Santa Maria, religioso

Nota biográfica:
       "Nuno Álvares Pereira, fundador da Casa de Bragança, nasceu em Santarém (Portugal) a 24 de junho de 1360. Como Condestável do reino de Portugal, foi militar invencível; mas, vencendo se a si mesmo, pediu a admissão, como irmão leigo, na Ordem do Carmelo. Tinha uma admirável piedade e confiança para com a Santíssima Virgem Maria. Sentia grande satisfação em pedir esmolas pelas portas, desempenhar os ofícios mais humildes na casa de Deus, e mostrou sempre grande compaixão e liberalidade para com os pobres. Morreu no domingo da Ressurreição do ano 1431 (1 de abril)".
       Foi canonizado (reconhecido como Santo para a Igreja) no dia 26 de abril deste ano de 2009, na praça de São Pedro, no Vaticano.
Oração de coleta:
       Senhor nosso Deus, que destes ao bem-aventurado Nuno de Santa Maria a graça de combater o bom combate e o tornastes exímio vencedor de si mesmo, concedei aos vossos servos que, dominando como ele as seduções do mundo, com ele vivam para sempre na pátria celeste. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

BENTO XVI na homilia de Canonização:

"Sabei que o Senhor me fez maravilhas. Ele me ouve, quando eu o chamo" (Sl 4, 4). Estas palavras do Salmo Responsorial exprimem o segredo da vida do bem-aventurado Nuno de Santa Maria, herói e santo de Portugal. Os setenta anos da sua vida situam-se na segunda metade do século XIV e primeira do século XV, que viram aquela nação consolidar a sua independência de Castela e estender-se depois pelos Oceanos – não sem um desígnio particular de Deus – abrindo novas rotas que haviam de propiciar a chegada do Evangelho de Cristo até aos confins da terra. São Nuno sente-se instrumento deste desígnio superior e alistado na militia Christi, ou seja, no serviço de testemunho que cada cristão é chamado a dar no mundo. Características dele são uma intensa vida de oração e absoluta confiança no auxílio divino. Embora fosse um óptimo militar e um grande chefe, nunca deixou os dotes pessoais sobreporem-se à acção suprema que vem de Deus. São Nuno esforçava-se por não pôr obstáculos à acção de Deus na sua vida, imitando Nossa Senhora, de Quem era devotíssimo e a Quem atribuía publicamente as suas vitórias. No ocaso da sua vida, retirou-se para o Convento do Carmo por ele mandado construir. Sinto-me feliz por apontar à Igreja inteira esta figura exemplar nomeadamente pela presença duma vida de fé e oração em contextos aparentemente pouco favoráveis à mesma, sendo a prova de que em qualquer situação, mesmo de carácter militar e bélico, é possível actuar e realizar os valores e princípios da vida cristã, sobretudo se esta é colocada ao serviço do bem comum e da glória de Deus.

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Solenidade do Sagrado Coração de Jesus (ano B)

       Celebramos hoje a solenidade do Sagrado Coração de Jesus, acentuando-se o amor que Deus revela através da vida e sobretudo da oferenda de Jesus na Cruz. Com a Sua morte, Jesus mostra como o amor não tem limites, pode ir até à radicalidade, até às últimas consequência, com um senão, ficando na morte ficaria esquecido para sempre. Ele veio para testemunhar, para ilustrar o amor de Deus. Ao morrer, levou-nos conSigo, partimos no Seu coração, para o coração de Deus Pai, de onde nos atrai, nos envolve, nos assiste, pelo Espírito Santo que nos dá em abundância.
       Na última Ceia deixa-nos precisamente o memorial através do qual o Seu Corpo permanece, faz Corpo connosco.
       Mas vejamos cada uma das leituras que nos são propostas para esta solenidade.
       Na primeira leitura, retirado do profeta Oseias (11, 1.3-4.8c-9), as palavras calorosas e intimistas do Senhor Deus. Deus guia-nos como crianças ao colo da Mãe, cuidando, alimentando, através dos laços humanos:
«Quando Israel era ainda criança, já Eu o amava; do Egipto chamei o meu filho. Eu ensinava Efraim a andar e trazia-o nos braços; mas não compreenderam que era Eu quem cuidava deles. Atraía-os com laços humanos, com vínculos de amor. Tratava-os como quem pega um menino ao colo, inclinava-Me para lhes dar de comer. O meu coração agita-se dentro de Mim, estremece de compaixão. Não cederei ao ardor da minha ira, nem voltarei a destruir Efraim. Porque Eu sou Deus e não homem, sou o Santo no meio de ti e não venho para destruir».
       Deus que ama com o coração de Mãe. Bem sabemos como a linguagem em Oseias é por demais expressiva para nos permitir (quase) palpar o amor de Deus.
       Na segunda leitura, da Epístola de São Paulo aos Efésios (3, 8-12.14-19), o desafio para nos enraizarmos no grande amor de Jesus Cristo, que ultrapassa qualquer conhecimento:
"Assim, profundamente enraizados na caridade, podereis compreender, com todos os cristãos, a largura, o comprimento, a altura e a profundidade do amor de Cristo, que ultrapassa todo o conhecimento, e assim sejais totalmente saciados na plenitude de Deus".
       O Evangelho (Jo 19, 31-37), por sua vez, relato o momento pós-mortem de Jesus:
Ao chegarem a Jesus, vendo-O já morto, não Lhe quebraram as pernas, mas um dos soldados trespassou-Lhe o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água. Aquele que viu é que dá testemunho e o seu testemunho é verdadeiro. Ele sabe que diz a verdade, para que também vós acrediteis. Assim aconteceu para se cumprir a Escritura, que diz: «Nenhum osso lhe será quebrado». Diz ainda outra passagem da Escritura: «Hão-de olhar para Aquele que trespassaram».
       Do lado de Jesus sai sangue e água, símbolos dos Sacramentos. É pela água e pelo Espírito Santo que nos tornamos participantes do Corpo de Cristo, que é a Igreja. É no Seu sangue que Jesus sela a nova aliança connosco, é uma Aliança de Sangue. Melhor, é uma aliança que brota do Seu lado aberto, bem junto ao coração. O coração, anatomicamente não passa de um músculo, mas teológica, religiosa, poética e biblicamente, é o centro dos sentimentos e emoções, é no coração que a vontade nos aproxima (ou distancia) dos outros e de Deus.

Leituras e orações: Secretariado Nacional da Liturgia.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

CEP - Normas para Jejum e a abstinência

Jejum e abstinência
       3. O jejum é a forma de penitência que consiste na privação de alimentos. Na disciplina tradicional da Igreja, a concretização do jejum fazia-se limitando a alimentação diária a uma refeição, embora não se excluísse que se pudesse tomar alimentos ligeiros às horas das outras refeições.
       Ainda que convenha manter-se esta forma tradicional de jejuar, contudo os fiéis poderão cumprir o preceito do jejum privando-se de uma quantidade ou qualidade de alimentos ou bebidas que constituam verdadeira privação ou penitência.
       4. A abstinência, por sua vez, consiste na escolha de uma alimentação simples e pobre. A sua concretização na disciplina tradicional da Igreja era a abstenção de carne. Será muito aconselhável manter-se esta forma de abstinência, particularmente nas sextas-feiras da Quaresma. Mas poderá ser substituída pela privação de outros alimentos e bebidas, sobretudo mais requintados e dispendiosos ou da especial preferência de cada um.
       Contudo, devido à evolução das condições sociais e do género de alimentação, aquela concretização pode não bastar para praticar a abstinência como acto penitencial. Lembrem-se os fiéis de que o essencial do espírito de abstinência é o que dizemos acima, ou seja, a escolha de uma alimentação simples e pobre e a renúncia ao luxo e ao esbanjamento. Só assim a abstinência será privação e se revestirá de carácter penitencial.

Determinações relativas ao jejum e à abstinência
       5. O jejum e a abstinência são obrigatórios em Quarta-feira de Cinzas e em Sexta-feira Santa.

       6. A abstinência é obrigatória, no decurso do ano, em todas as sextas-feiras que não coincidam com algum dia enumerado entre as solenidades. Esta forma de penitência reveste-se, no entanto, de significado especial nas sextas-feiras da Quaresma.

       7. O preceito da abstinência obriga os fiéis a partir dos 14 anos completos.
       O preceito do jejum obriga os fiéis que tenham feito 18 anos até terem completado os 59.
       Aos que tiverem menos de 14 anos, deverão os pastores de almas e os pais procurar atentamente formá-los no verdadeiro sentido da penitência, sugerindo-lhes outros modos de a exprimirem. 
       8. As presentes determinações sobre o jejum e a abstinência apenas se aplicam em condições normais de saúde, estando os doentes, por conseguinte, dispensados da sua observância.

Determinações relativas a outras penitências
       9. Nas sextas-feiras poderão os fiéis cumprir o preceito penitencial, quer fazendo penitência como acima ficou dito, quer escolhendo formas de penitência reconhecidas pela tradição, tais como a oração e a esmola, ou mesmo optar por outras formas, de escolha pessoal, como, por exemplo, privar-se de fumar, de algum espectáculo, etc.

       13. Os cristãos depositarão o seu contributo penitencial em lugar devidamente identificado em cada igreja ou capela, ou através da Cúria diocesana. Na Quaresma, todavia, em vez desta modalidade ou concomitantemente com ela, o contributo poderá ser entregue no ofertório da Missa dominical, em dia para o efeito fixado.

CONFERÊNCIA EPISCOPAL PORTUGUESA. Normas para o Jejum e a Abstinência. (publicadas com a data 28 de Janeiro de 1985).

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Solenidade do Sagrado Coração de Jesus - ano A

       Depois de termos celebrado a solenidade do Corpo e Sangue de Jesus, é agora o dia de celebrarmos o Seu Sagrado Coração. A acentuação de um ou outro aspeto inserem-se na mesma dinâmica de sublinhar o AMOR que Deus nos tem, cuja plenitude se manifestada no mistério de Jesus Cristo, Encarnação, Vida, Morte e Ressurreição. Jesus doa-Se por inteiro a Deus Pai. Doa-Se por inteiro a favor da humanidade.
       Fixar-nos no Coração de Jesus é reconhecer que n'Ele todos somos bem Amados de Deus. Cabemos todos no Seu coração. Vejamos o que a liturgia da palavra acentua neste ciclo de leituras.
       Na primeira leitura, retirada do livro de Deuteronómio (7, 6-11) a predileção pelo povo, não pela quantidade de pessoas, mas precisamente pela grandeza do amor de Deus:
Moisés falou ao povo dizendo: «Tu és um povo consagrado ao Senhor teu Deus; foi a ti que o Senhor teu Deus escolheu, para seres o seu povo entre todos os povos que estão sobre a face da terra. Se o Senhor Se prendeu a vós e vos escolheu, não foi por serdes o mais numeroso de todos os povos, uma vez que sois o menor de todos eles. Mas foi porque o Senhor vos ama e quer ser fiel ao juramento feito aos vossos pais, que a sua mão poderosa vos fez sair e vos libertou da casa da escravidão... Guardarás, portanto, os mandamentos, leis e preceitos que hoje te mando pôr em prática».
       O salmo 102 (103) acentua a bondade de Deus sobre aqueles que O amam.
       Na segunda leitura (1 Jo 4, 7-16), São João insiste no mandamento do amor, pelo qual conhecemos Deus, pelo qual Deus permanece em nós. Amar a Deus nos irmãos:
Amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus; e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece a Deus. Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor. Assim se manifestou o amor de Deus para connosco: Deus enviou ao mundo o seu Filho Unigénito, para que vivamos por Ele. Nisto consiste o amor: não fomos nós que amámos a Deus, mas foi Ele que nos amou, e enviou o seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados. Caríssimos, se Deus nos amou assim, também nós devemos amar-nos uns aos outros. Ninguém jamais viu a Deus. Se nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós e em nós o seu amor é perfeito... Deus é amor: quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus permanece nele.
       No Evangelho de São Mateus (11, 25-30), Jesus convida-nos para que vamos a Ele e n'Ele encontremos sentido e descanso para a nossa vida. O Seu Coração é manso e humilde, a todos nos interpela, porque a todos nos ama, sem medida, com todas as suas forças, com todo o AMOR do Pai que lhe absorve a vida por inteiro:
Jesus exclamou: «Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, Eu Te bendigo, porque assim foi do teu agrado. Tudo Me foi dado por meu Pai. Ninguém conhece o Filho senão o Pai e ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e a minha carga é leve».
       Lembra-nos que só as pessoas de coração simples, pobre, humilde, poderão acolher o mistério que chega da eternidade.

Leituras e orações: Secretariado Nacional da Liturgia.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Solenidade do Sagrado Coração de Jesus - ano C

       Celebramos a solenidade do Sagrado Coração de Jesus, neste mês de junho que Lhe é especialmente dedicado, e cuja devoção popular está disseminada um pouco por todo o lado.
       "A liturgia deste dia convida-nos a contemplar a bondade, a ternura e a misericórdia de Deus pelos homens – por todos os homens, sem excepção. Como imagem privilegiada para exprimir esta realidade, a Palavra de Deus utiliza a figura do Pastor: Deus é o Pastor que, com amor, cuida do seu rebanho.
       A primeira leitura (Ez 34, 11-16) apresenta Deus como um “bom pastor” (contraposto aos líderes de Israel, os “maus pastores” que conduziram o Povo por caminhos de egoísmo e de morte), cuja preocupação fundamental é o bem-estar do seu rebanho; nesse contexto, o profeta anuncia a obra do Pastor/Deus: libertação do rebanho/Povo, o êxodo para a terra da liberdade, a condução do rebanho para “pastagens excelentes” e os cuidados amorosos que o Pastor dispensará a cada uma das suas ovelhas.
       A segunda leitura ( Rom 5, 5b-11) lembra-nos que o amor de Deus se derrama continuamente sobre os homens. A prova cabal desse imenso amor é Jesus Cristo, o Filho que o Pai enviou ao nosso encontro para nos libertar do egoísmo e do pecado e que deu a própria vida para que o projecto de amor do Pai se concretizasse e atingisse a humanidade inteira.
       O Evangelho ( Lc 15, 3-7) retoma a imagem do Deus/Pastor, cujo amor se derrama, de forma especial, sobre as ovelhas feridas e perdidas do rebanho. Dessa forma, sugere-se que o Pastor/Deus não só não exclui ninguém da sua proposta de salvação – nem sequer aqueles que, pelas suas atitudes “politicamente incorrectas” são marginalizados pelos outros homens – mas até tem um “fraco” especial pelos excluídos: são precisamente esses os destinatários privilegiados do amor de Deus".
Disse Jesus aos fariseus e aos escribas a seguinte parábola: «Quem de vós, que possua cem ovelhas e tenha perdido uma delas, não deixa as outras noventa e nove no deserto, para ir à procura da que anda perdida, até a encontrar? Quando a encontra, põe-na alegremente aos ombros e, ao chegar a casa, chama os amigos e vizinhos e diz-lhes: ‘Alegrai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha perdida’. Eu vos digo: Assim haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se arrependa, do que por noventa e nove justos, que não precisam de arrependimento».
Oração de coleta:
       Concedei, Deus todo-poderoso, que ao celebrar a solenidade do Coração do vosso amado Filho, recordemos com alegria as maravilhas do vosso amor e mereçamos receber desta fonte divina a abundância dos vossos dons. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima

       No âmbito das celebrações do centenário (1917-2017) das Aparições de Nossa Senhora em Fátima, a primeira Imagem Peregrina, produzida a partir das indicações da Irmã Lúcia, imagem entronizada na Basílica de Nossa Senhora do Rosário e que há 50 anos percorreu o país, vai visitar (de novo) as Dioceses portuguesas.
       Na nossa Diocese de Lamego, a Imagem peregrina será acolhida no dia 26 de julho, pelas 16h00, em Vila Nova de Foz Côa, recebendo-a da Diocese de Bragança. Será entregue no dia 9 de agosto, na Sé Catedral, aos responsáveis de Fátima, regressando ao Santuário até ao mês de setembro, reiniciando na Diocese do Porto.
       Na Zona Pastoral de Tabuaço, será acolhida no 2 de agosto, pelas 18h00, na Paróquia de Arcos, que a recebe da Paróquia de Cabaços, Zona Pastoral de Moimenta da Beira. Será confiada à Zona Pastoral de Armamar, no do 3 de agosto, pelas 18h00, nos limites da Paróquia de Santa Leocádia com a Paróquia de Santo Adrião.
       Irá percorrer todas as paróquias da Zona Pastoral / concelho de Tabuaço na ordem e nos horários que surgem no Cartaz: DIA 2 de AGOSTO: Arcos - Longa - Nagosa - Granja do Tedo - Carrazedo - Vale de Figueira - Tabuaço. A recepção em Tabuaço será junto ao RECINTO de Nossa Senhora da Conceição, iniciando-se, com a participação de todas as paróquias a Procissão das Velas, que recolherá na Igreja Paroquial, havendo então um momento de Vigília de Oração. Durante a noite a Igreja poderá ficar aberta, tendo em conta que já houve grupos que manifestaram esse desejo. Pelas 8h00, celebração de SANTA MISSA, despedida da Imagem em direção à Paróquia de Távora.
DIA 3 de AGOSTO: Távora - Granjinha - Paradela - Sendim - Chavães - Desejosa - Valença do Douro - Santo Aleixo - Adorigo - Pinheiros - Barcos - Santa Leocádia.


       Cruzará a Vila de Tabuaço por voltas das 13h30 do dia 3 de agosto, de Chavães em direção à Desejosa, e no regresso, pelas 15h15, de Valença em direção a Adorigo.
       As diferentes comunidades, e todas as pessoas que puderem e quiserem, podem deslocar-se para a colher a Imagem Peregrina, em Arcos, no dia 2 de agosto, e na passagem de testemunha em Santa Leocádia, no dia 3 de agosto. 18h00 - hora de acolhimento e de entrega.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

70 X 7: Entrevista de D. José Policarpo

       D. José da Cruz Policarpo, Cardeal Patriarca de Lisboa e Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, em entrevista ao Programa 70X7, programa da Igreja Católica na RTP 2, sobre diversas questões, o ano da Fé, o Concílio Vaticano II, a crise económico financeira, o apelo à serenidade, e à solidariedade cristã:


sexta-feira, 15 de junho de 2012

Solenidade do Sagrado Coração de Jesus (ano C)

       A liturgia deste dia convida-nos a contemplar a bondade, a ternura e a misericórdia de Deus pelos homens – por todos os homens, sem excepção. Como imagem privilegiada para exprimir esta realidade, a Palavra de Deus utiliza a figura do Pastor: Deus é o Pastor que, com amor, cuida do seu rebanho.
       A primeira leitura apresenta Deus como um “bom pastor” (contraposto aos líderes de Israel, os “maus pastores” que conduziram o Povo por caminhos de egoísmo e de morte), cuja preocupação fundamental é o bem-estar do seu rebanho; nesse contexto, o profeta anuncia a obra do Pastor/Deus: libertação do rebanho/Povo, o êxodo para a terra da liberdade, a condução do rebanho para “pastagens excelentes” e os cuidados amorosos que o Pastor dispensará a cada uma das suas ovelhas.
        A segunda leitura lembra-nos que o amor de Deus se derrama continuamente sobre os homens. A prova cabal desse imenso amor é Jesus Cristo, o Filho que o Pai enviou ao nosso encontro para nos libertar do egoísmo e do pecado e que deu a própria vida para que o projecto de amor do Pai se concretizasse e atingisse a humanidade inteira.
       O Evangelho retoma a imagem do Deus/Pastor, cujo amor se derrama, de forma especial, sobre as ovelhas feridas e perdidas do rebanho. Dessa forma, sugere-se que o Pastor/Deus não só não exclui ninguém da sua proposta de salvação – nem sequer aqueles que, pelas suas atitudes “politicamente incorrectas” são marginalizados pelos outros homens – mas até tem um “fraco” especial pelos excluídos: são precisamente esses os destinatários privilegiados do amor de Deus".

segunda-feira, 14 de maio de 2012

SEMANA da VIDA - 13 a 20 de maio de 2012

       Realiza-se mais uma semana da VIDA, de 13 a 20 de maio. Para ler a Mensagem completa, do Departamento Nacional da Pastoral Familiar, clique sobre a imagem/cartaz.
Para outros subsídios consulte a página respetiva: AQUI.

quinta-feira, 29 de março de 2012

A Nova Evangelização - um desafio para sair da indiferença

       Apresentação do livro "NOVA EVANGELIZAÇÃO", no Seminário Maior de Lamego, no dia 19 de março, solenidade de São José, Padroeiro do Seminário Maior. A apresentação esteve a cargo de D. António Couto, bispo de Lamego, Presidente da Comissão Episcopal para a Nova Evangelização.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Editorial Agência Ecclesia: homens de diálogo

A Agência Ecclesia nasce do trabalho que D. Manuel Falcão inaugurou no início da década de sessenta

       “O trabalho começa hoje e não acaba nunca”. A afirmação é do Papa Paulo VI e compõe o penúltimo parágrafo da primeira encíclica do seu pontificado. Paulo VI falava do diálogo – teria de ser – e da prática que encontra tanto no “interior da Igreja” como com os de fora. Isso é sinal de que “a Igreja está hoje mais do que nunca viva”. “Mas – continua de imediato -, reparando bem, parece que tudo está ainda por fazer”.
       Na Ecclesiam Suam, Paulo VI escreve 65 vezes a palavra diálogo. O documento é programático e de um pontificado que dava continuidade aos trabalhos do Concílio Vaticano II e teria de os fazer chegar à universalidade da Igreja. O Papa Montini reserva metade do texto, a segunda, para falar de diálogo. Antes, de outras duas atitudes que propõe para a Igreja Católica: consciência, renovação.
       Na década de sessenta, e nos dias de hoje, o diálogo “com tudo o que é humano” é o horizonte. Paulo VI assume “de bom grado” essa “primeira universalidade”: “a vida, com todos os seus dons e problemas”. Depois, na definição de “círculos concêntricos” onde a Igreja Católica é chamada a estar em diálogo, refere os “crentes em Deus”; num terceiro círculo, o “mundo que se intitula cristão”. O Papa fala depois no diálogo dentro da Igreja, um “diálogo doméstico”, que deseja “familiar e intenso”.
       O programa não é de há 50 anos. É dos dias de hoje. A comprová-lo, acontecimentos e sobretudo histórias de vida.
       Entre os acontecimentos, dois exemplos: a participação ativa e criativa de pessoas e instituições da Igreja Católica em iniciativas como Braga Capital Europeia da Juventude ou Guimarães Capital Europeia da Cultura.
       Entre as vidas, sobressai a notoriedade de algumas. Sobretudo quando correspondem não a comportamentos ocasionais, antes a uma atitude permanente. É o caso de D. Manuel Franco Falcão. 
        Despedirmo-nos deste homem exige sobretudo dizer-lhe obrigado! Ao longo dos seus 89 anos, na universidade, no sacerdócio, no ministério episcopal viveu a urgência do diálogo. E dialogou; lançou-se ao encontro do outro, nos mesmos círculos concêntricos propostos pelo Papa Paulo VI.
       Na História da Igreja em Portugal, D. Manuel Franco Falcão deixa capítulos inovadores sobre sociologia da religião, sobre diálogo da e na Igreja, sobre preservação e fruição do património. Deixa também largos passos dados na valorização dos meios de comunicação social. Concretamente, a Agência Ecclesia nasce do trabalho que D. Manuel Falcão inaugurou no início da década de sessenta. Por isso e por tudo, obrigado! Sobretudo por sempre ter valorizado essa fronteira do diálogo, onde a Igreja é chamada a estar cada vez com mais intensidade, o mundo dos media.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Homilia de D. António na tomada de posse...

(foto: Kymagem)

       «Eis que faço novas todas as coisas» (Apocalipse 21,5), diz Deus. De tal modo novas, diz Deus, que ninguém pode dizer: «Já o sabia» (Isaías 48,7).

       Eis então Jesus a entrar com os seus discípulos em Cafarnaum, na sinagoga deles, e ensinava e ordenava tudo de forma nova. Tão nova que inutilizava todas as comparações e catalogações. Não era membro de nenhuma confraria, academia, partido, ordem profissional ou instituição, que à partida lhe conferisse algum crédito, alguma autoridade. Nenhum crédito, nenhum currículo, nenhum diploma, o precedia. A sua autoridade começava ali, no próprio acto de dizer ou de fazer. E as pessoas de Cafarnaum foram tomadas de tanto espanto, que tiveram de constatar logo ali que saía dos seus lábios e das suas mãos um mundo novo, belo e bom, ordenado segundo as pautas da Criação. Um vendaval manso de graça e de bondade encheu Cafarnaum, e transvazava como um perfume novo de amor e de louvor por toda a região da Galileia e da missão. Saltava à vista que Cafarnaum não podia conter ou reter tamanha vaga de perfume e lume novo.
       As pessoas de Cafarnaum sabiam bem o que diziam os escribas, e como diziam os escribas. Não eram senão repetidores, talvez mesmo apenas repetentes de pesadas e cansadas doutrinas que se arrastavam na torrente de uma velha e gasta tradição. Os escribas diziam, diziam, diziam, recitavam o vazio (Salmo 2,1), compraziam-se na sua própria boca, nas suas próprias palavras (Salmo 49,14), e nada, nada, nada acontecia: nenhum calafrio na alma, nenhum rio nascia no deserto, ninguém estremecia ou renascia. Mas Jesus começou a falar, e as pessoas de Cafarnaum sentem um frémito, um estremecimento novo (Isaías 66,2 e 5), assalta-as uma comovida emoção, uma lágrima de alegria lhes acaricia o coração. Era como se acabassem de escutar aquela palavra única que há tanto tempo se procura, palavra criadora que nos vai direitinha ao coração, a ternura de quem leva uma criança pela mão!
        As pessoas de Cafarnaum sabiam bem o que eram, e como se faziam os exorcismos. Estavam muito em voga naquele tempo. Eram longos, estranhos, complicados, cheios de fórmulas mágicas e ritos esotéricos. Mas Jesus diz uma palavra criadora: «Cala-te e sai desse homem», e tudo fica de imediato resolvido!
       Abre-se um debate. O primeiro de muitos que o Evangelho de Marcos vai abrir. «O que é isto?», perguntam as pessoas de Cafarnaum, que nunca tinham visto tanto e tão novo e tão prodigioso ensinamento.
       Mas é apenas o começo da jornada deste maravilhoso ANUNCIADOR do Evangelho de Deus (Marcos 1,14). Logo a abrir o seu Evangelho, Marcos ensina-nos que a jornada iniciada naquele primeiro sábado em Cafarnaum salta os clichés habituais, e vai de madrugada a madrugada, de modo a deixar já bem à vista aquela outra sempre primeira madrugada da Ressurreição! Jesus começa de manhã na sinagoga; caminha depois 30 metros para sul, e entra, pelo meio-dia, na casa de Pedro e levanta da febre para o serviço do Evangelho a sogra de Pedro; à tardinha, já sol- posto, primeiro dia da semana, toda a cidade de Cafarnaum está reunida diante da porta daquela casa, para ouvir Jesus e ver curados por Ele os seus doentes; de madrugada, muito cedo, Jesus sai sozinho para rezar, e os discípulos correm a procurá-lo para o trazer de volta a Cafarnaum, pois, dizem eles, todas as pessoas o querem ver e ter. Ninguém o quer perder.
       Desconcertante reviravolta. Jesus diz aos seus discípulos atónitos: «VAMOS a outros lugares, às aldeias vizinhas, para que TAMBÉM ali ANUNCIE (kêrýssô) o Evangelho» (Marcos 1,38). Com este grávido dizer, Jesus deixa claro que ANUNCIAR o Evangelho enche por completo o seu programa e o seu caminho. Com aquele «vamos» [«vamos a outros lugares»], Jesus desinstala e agrafa a si os seus discípulos para este trabalho de ANÚNCIO do Evangelho seja a quem for, seja onde for. Com aquele «também» inclusivo [«para que também ali anuncie o Evangelho»], Jesus classifica como ANÚNCIO do Evangelho todos os afazeres da inteira jornada de Cafarnaum: ensinar, libertar, acolher, curar, recriar: é esta a toada do ANÚNCIO do Evangelho. ANUNCIAR (kêrýssô) é então o afazer de Jesus. E qual é a primeira nota que soa quando Jesus se diz com o verbo 
       ANUNCIAR? É, sem dúvida, a sua completa vinculação ao Pai, de quem é o arauto, o mensageiro, o ANUNCIADOR. Pura transparência do Pai, de quem diz e faz o que ouviu dizer (João 7,16-17; 8,26.38.40; 14,24; 17,8) e viu fazer (João 5,19; 17,4). Recebendo todo o amor fontal do Pai, bebendo da torrente cristalina do amor fontal do Pai (Salmo 110,7; cf. 1 Reis 17,4), Jesus, o Filho, é pura transparência do Pai, e pode, com toda a verdade dizer a Filipe: Filipe, «quem me vê, vê o Pai» (João 14,9). É mesmo aqui que reside a sua verdadeira AUTORIDADE e a verdadeira NOVIDADE do seu MODO novo de dizer e de fazer, que se chama ANUNCIAR.
       A primeira nota de todo o ANUNCIADOR ou Arauto ou Mensageiro não assenta na capacidade deste, mas na sua fidelidade Àquele que lhe confia a mensagem que deve anunciar. É em Seu nome que diz o que diz, que diz como diz. No Enviado é o Rosto do Enviante que se deve ver em contra-luz ou filigrana pura. No Enviado ou Mensageiro ou Anunciador é verdadeiramente Deus que visita o seu povo.
       Pertinho de Deus, cheio de Deus, Jesus leva Deus aos seus irmãos. É esta a Autoridade de Jesus. Ele é o profeta «como Moisés», mais do que Moisés, com a boca repleta das palavras de Deus (Deuteronómio 18,18). E não só a boca, mas também as mãos e o coração. Bem diferente dos escribas e dos falsos profetas e do povo rebelde no deserto. Estes dispensam a Palavra de Deus. O que querem ter na boca é pão e carne. O que recolheu menos, no deserto, diz-nos o extraordinário relato do Livro dos Números 11,31-35, recolheu 4500 kg de carne de codorniz. E começaram a meter a carne à boca com tamanha avidez, que morreram de náusea. Foram encontrados mortos, ainda com a carne entre os dentes, por mastigar (Números 11,33). Vê-se que é urgente libertar o coração, as mãos, a boca. Vive-se da Palavra. Morre-se de náusea.

  (foto: Kymagem)

        Caríssimos irmãos mais pequeninos, jovens amigos, caríssimos pais, caríssimos idosos e doentes, caríssimos catequistas, acólitos, leitores, cooperadores na missão da evangelização e da caridade, ilustres autoridades, caríssimos seminaristas, caríssimos religiosos e religiosas, caríssimos diáconos e sacerdotes, Senhores Bispos, Senhor D. Jacinto, Senhor Núncio Apostólico, Senhor Cardeal Patriarca, e todos vós que comigo pisais hoje este chão de generoso vinho e de amendoeiras em flor.

 
 (foto: Kymagem)

       Numa página sublime do Livro dos Números (17,17-26), Deus ordena a Moisés que recolha as varas de comando dos chefes das doze tribos de Israel, para, de entre eles, escolher um que exerça o sacerdócio em Israel. Em cada vara foi escrito o nome da respectiva tribo. Por ordem de Deus, o nome de Levi foi substituído pelo de Aarão. As doze varas foram colocadas, ao entardecer, na presença de Deus, na Tenda do Encontro. Na manhã seguinte, todos puderam ver que da vara de Aarão tinham desabrochado folhas verdes, flores em botão, flores abertas e frutos maduros (Números 17,23). Dos frutos é dito o nome: amêndoas! Vara de amendoeira em flor e fruto, que, por ordem de Deus, ficará para sempre na sua presença, diante do Propiciatório (cf. Hebreus 9,4), entre Deus e o povo, para impedir que o pecado do povo chegue a Deus, e para facilitar que o perdão de Deus chegue ao povo. Já ninguém estranhará agora que o candelabro (menôrah) que, noite e dia,/ ardia/ na presença de Deus, estivesse ornamentado com flores de amendoeira (Êxodo 25,31-35; 37,20-22). E também já ninguém estranhará que a tradição judaica tardia refira que a vara do Messias havia de ser de madeira… de amendoeira.
       Aí estão as coordenadas exactas do lugar do sacerdote e do bispo: entre Deus e o povo. Mais concretamente: pertinho de Deus, mas de um Deus que faz carícias ao seu povo, um Deus que ama e que perdoa; pertinho do povo, o suficiente para lhe entregar esta carícia de Deus.
       Queridos filhos e irmãos, pais e mães que Deus me deu nesta dorida e querida Diocese de Lamego. Quero muito ver o vosso rosto. Já sabeis que trago notícias de Deus. E que conto muito com cada um de vós, para levar a todos os lugares e a todas as pessoas desta bela Diocese este vendaval de graça e de bondade que um dia Jesus desencadeou em Cafarnaum.

       Seja Louvado Nosso Senhor Jesus Cristo!

+ António Couto, Bispo de Lamego

(A homilia, deste dia, encontra-se também no blogue de D. António: Mesa de Palavras.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Bispos de Portugal, tenho uma coisa para vos dizer!

D. António Couto escreve aos bispos de Portugal pedindo mais empenho na dimensão missionária 16-Jun-2010 Bispos de Portugal, tenho uma coisa para vos dizer!
       1. No espaço de dois anos e meio, o Papa Bento XVI fez aos Bispos de Portugal dois interessantíssimos discursos: o primeiro, em Roma, em 10 de Novembro de 2007, durante a Visita ad Limina; o segundo, em Fátima, em 14 de Maio de 2010, durante a Visita Apostólica a Portugal.

       2. No discurso de 2007, o Papa trouxe para primeiro plano a construção de uma Igreja de comunhão e participação, em que os seus membros não fiquem perdidos e entretidos nas pregas do tempo e da vaidade a discutir quem é o primeiro, mas se ocupem verdadeiramente nas coisas de Deus e no testemunho de Cristo, começando por apostar numa nova e fecunda iniciação cristã, que não vá deixando pelo caminho cada vez mais crianças e jovens. Mais do que os discursos e as ideias, é o encontro testemunhado com a Pessoa de Cristo que é determinante. Era este o caminho, o método.

       3. No discurso de 2010, Bento XVI, serenamente feliz, começou por apresentar o Papa como alguém que vive, não para si mesmo, mas para a presença de Deus no mundo, coram Deo e coram hominibus. Esta atitude faz toda a diferença. Por isso, insistiu que os Pastores não podem ser apenas pessoas que ocupam um cargo, mas têm de sentir-se responsáveis pela abertura da Igreja à acção do Espírito, como a harpa de David exposta ao vento do Espírito, de onde saem sempre as mais belas melodias.
       Sentinelas atentas, portanto, aos novos movimentos e novas formas eclesiais, que o Espírito vai despertando, e que vão transformando o «inverno da Igreja» em nova primavera.

       4. Coram Deo e coram hominibus. Difícil postura, sem equilibrismos, ao mesmo tempo contemplativa e profética. Testemunhal sempre. E Bento XVI voltou a lembrar que os discursos e apelos aos princípios e valores cristãos, ainda que necessários e indispensáveis, não chegam ao mais fundo do coração da pessoa, não tocam a sua liberdade, não mudam a vida. Aquilo que fascina, referiu, é sobretudo o encontro com pessoas crentes que, pela sua fé, atraem para a graça de Cristo, dando testemunho d’Ele.

       5. Por isso e para isso, Bento XVI lembrou aos Bispos o caminho pastoral que se propuseram fazer: oferecer a todos os fiéis uma iniciação cristã exigente e atractiva, radicada no Evangelho, e que venha a ter reflexos na vida pública. Por isso e para isso, lembrou ainda o Papa, é necessário um novo vigor missionário de todos os cristãos, chamados a formar um laicado maduro, empenhado na Igreja e solidário no coração do mundo, onde devem ser verdadeiras testemunhas de Jesus Cristo, sobretudo nos meios humanos onde o silêncio da fé é mais amplo e profundo, e referiu a propósito, os meios políticos, intelectuais e dos profissionais da comunicação.

       6. Mas também é fundamental o testemunho da alegria, da caridade e da esperança no mundo deste tempo, com tantas e tão acentuadas carências sociais, com tantas pobrezas, onde sobressai a falta do sentido da vida.

       7. Enfim, os Bispos de Portugal devem ser mestres e testemunhas, mestres porque testemunhas, exercendo sempre a sua paternidade episcopal, antes de mais com os sacerdotes, mas também com todos os fiéis, não descurando a denúncia profética e o seu papel de sentinelas que velam pelo rebanho e conduzem o rebanho, sem esquecer a atenção de privilégio que devem sempre saber dar à ovelha perdida. Isto porque, a grande referência para o Papa, para os Bispos e para todos os cristãos é Jesus Cristo. Sem Ele, disse em jeito de desabafo o Papa na Homilia da Santa Missa celebrada no Porto, no dia 14 de Maio: quanto tempo perdido, quanto trabalho adiado!

       8. Glosando o título deste breve texto, retirado das palavras certeiras de Jesus que dissolvem os pensamentos tortuosos insidiados no coração do fariseu Simão (Lc 7,36-50), os Bispos de Portugal foram desafiados a verem, para além das muitas acções que vão realizando neste país e neste tempo (a mulher do Evangelho acima citado realiza seis!), a sétima, que é a grande acção da Graça de Deus que há-de ser sempre o fio condutor da sua vida de Pastores, de bons Pastores. Portanto, só estando verdadeiramente e sem subterfúgios e sem intervalos coram Deo, se pode estar também verdadeiramente coram hominibus, prestando a esta humanidade sofrida e desalentada um verdadeiro serviço de qualidade.

       9. Para lá dos conteúdos dos discursos com que nos brindou, o maior realce tem de ser posto, todavia, também para que os discursos sejam verdadeiros, no facto de Bento XVI ter sido no meio de nós testemunha qualificada da acção da Graça de Deus em acção no nosso mundo.

D. António Couto, Bispo Auxiliar de Braga/novo Bispo de Lamego, in Agência Ecclesia.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

CEP - Esperança em tempo de crise

MENSAGEM dos BISPOS de PORTUGAL:

       Estimados concidadãos e também vós, os imigrantes que connosco constituís Portugal, neste difícil fim de 2011:
       É com inteira proximidade e muito afeto que vos dirigimos esta mensagem, querendo assinalar o nosso compromisso com todos, especialmente os mais atingidos pela presente crise e as grandes interrogações que ela levanta.
       Atravessamos dificuldades grandes, como grandes são as incertezas quanto ao futuro, tanto na economia como na vida social, para a generalidade dos cidadãos e muito especialmente os mais pobres e frágeis. Como bispos católicos, devemos e queremos estar absolutamente com todos, em especial com quem mais precisa de palavras e gestos de esperança: esta nasce da solidariedade e de um Deus que nunca nos abandona. Na compreensão cristã da vida, a generosidade e a coragem com que se superam as dificuldades são fermento de uma sociedade nova.
       Não é a primeira vez na nossa história que os sobressaltos na vida habitual e nas expectativas normais se tornam ocasiões de consciencialização e decisão coletivas. Aproveitemos este momento, que não desejávamos, para aprofundar valores que não deveríamos esquecer nunca, pois são a própria base duma sociedade justa e saudável.
       É certo que se juntaram fatores externos e internos, como muitas análises, mais ou menos coincidentes, não deixam de evidenciar. Excessiva especulação financeira e pouca consistência económica somaram-se negativamente e tanto nos enfraqueceram internamente como nos prejudicaram internacionalmente. Alimentámos, ou alimentaram-nos, aspirações que agora são impossíveis de concretizar. Falha hoje a própria base material em que tudo o mais se sustenta, ou seja, uma vida económica saudável e suficientemente apoiada pelo investimento e pelo crédito, que garanta trabalho digno para todos: trabalho que é condição indispensável para o sustento e a realização das pessoas e das famílias.
       Acompanhamos o esforço dos vários responsáveis nacionais e internacionais, agora mais premente pela magnitude dos problemas. É cada vez mais claro que a política internacional não pode reduzir-se, nem muito menos submeter-se, a obscuros jogos de capital que fariam desaparecer a própria democracia. Esta só acontece onde todos se reconhecem, respondendo cada um pelo que faz ou não faz, à luz de valores e direitos que a todos interessam e suportam. O capital provém do trabalho, que, realizando a pessoa humana, mantém prioridade absoluta. Nem podemos abster-nos da vida democrática, nem devemos cair nas mãos de novos senhores sem rosto. Também aqui se há de respeitar a verdade, condição básica da justiça e da paz.
       Nesta curta mensagem, que pretende ser um sinal de presença, oferecemos o que nos é mais próprio como Igreja Católica em Portugal:
– A nossa solidariedade ativa, como é exercida diariamente pelas instituições sociais católicas, com todas as possibilidades que tivermos e em franca colaboração com tudo o que se faça na sociedade em prol de um bem que tem de ser verdadeiramente comum e não deixe ninguém em condições desumanas.
– A nossa insistência nos valores e princípios fundamentais da doutrina social da Igreja, que aliás compartilhamos com a racionalidade humana em geral, concretizando-se em quatro pontos axiais: a dignidade da pessoa humana; o bem comum; a subsidiariedade, que suscita e apoia a contribuição específica de cada corpo social; e a solidariedade, expressão da fraternidade, que nunca procura o bem particular sem ter em conta o bem de todos.
– A certeza, mais uma vez afirmada, de que compartilhamos “as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias” dos nossos concidadãos, querendo reproduzir agora os sentimentos daquele Cristo, que tendo nascido há dois mil anos, quer “renascer” também no Natal que se aproxima – e com a mesma luz para idênticas trevas.
Com todos e cada um de vós,
Os Bispos de Portugal

Fátima, 10 de novembro de 2011

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Repensar a pastoral da Igreja

       "Repensar a Pastoral da Igreja em Portugal". Este é o propósito da Conferência Episcopal Portuguesa, que depois da Visita Ad Limina, ao Vaticano, e depois das chamadas de atenção do Papa Bento XVI, nessa ocasião e na Sua Viagem Apostólica a Portugal, procurando auscultar as Dioceses, Paróquias, Movimentos, Grupos paroquiais, sobre os desafios e interpelações da sociedade actual, descobrindo os sinais da presença e actuação do Espírito Santo e, por outro lado, os sinais e indicadores do Espírito Santo na vida da Igreja, potencialidades, calores, necessidades das pessoas e das comunidades, propostas para um melhor acolhimento e vivência da Palavra de Deus.
       Foi com esta preocupação que ontem, pela tarde, se realizou um encontro de reflexão, na paróquia de Tabuaço, com os diversos grupos paroquiais, zeladoras da Igreja e altares, grupos corais, catequistas, acólitos, conselho económico, escuteiros, leitores.
       Posteriormente a síntese será feita, a nível paroquial, arciprestal e diocesana e depois enviada para o Comissão Nacional que coordena este estudo...

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Confirmados na Fé, para viver na Caridade

       A Diocese de Lamego, tal como as demais dioceses portuguesas, vai procurar, ao longo deste ano pastoral, "Repensar juntos a Pastoral da Igreja em Portugal".
       As paróquias são um espaço concreto para ouvir, para reflectir e para viver na dinâmica da pastoral proposta pela Conferência Episcopal Portuguesa. Por um lado, todo o Plano Pastoral deve ater-se às preocupações fundamentais da Igreja Católica, da Igreja em Portugal, da sua Diocese e, por outro, assumir os aspectos específicos do seu meio, das suas vivências, das suas experiências mais importantes.
       Um dos aspectos importantes a ter em conta é a celebração do Sacramento da Confirmação (e da Visita Pastoral), com a presença do Sr. Bispo, D. Jacinto Tomaz Botelho.
        Um primeiro esboço da calendarização do ano pastoral levou-nos a concentrar-nos no lema: "Confirmados na fé, para viver na caridade". Viver a fé de forma mais consciente há-de conduzir-nos à partilha e ao serviço. Repensar a Pastoral, implica naturalmente auscultar as preocupações, os anseios, as necessidades das pessoas e do ambiente em que vivem, sem esquecer esta dimensão importantíssima da fé, da religiosidade que nos caracteriza. O Pastor da Diocese vem para confirmar, isto é, para abalizar das nossas vivência, para desafiar ao aprofundamento da fé, lançando desafios para o futuro.
       No amadurecimento da fé a presença constante da caridade. O cristão vive em atitude de caridade permanente, em cada gesto, em cada palavra, em cada encontro, com cada pessoa. Assim o cristão, assim a comunidade.

Para já o primeiro esboço, clique em PROGRAMAÇÃO PASTORAL.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Enquadramento das mudanças de Párocos

       Tendo como pano de fundo a mudança do Pároco de Fafe, na Arquidiocese de Braga e depois de todo o alarido através dos meios de comunicação social, vejamos a reflexão do Pe. Carlos Lopes, no blogue "Asas da Montanha". As suas interpelações podem ajudar-nos a compreender melhor a tomada de posição do Sr. Acebispo de Braga (actual Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa), ainda que compreendendo também a estreita ligação da população ao seu pároco e o que é de louvar e enaltecer:

       "O que sei é pela comunicação social. Não estou por dentro do assunto nem nada tenho que me meter. Contudo esta situação sugere-me alguns reflexões breves de ordem eclesial e pastoral.
       1. Nenhum padre se ordena para determinada paróquia, mas para o serviço da Igreja.
       2. Todo o padre, no acto da sua ordenação, promete obediência ao seu Bispo.
       3. Em muitas paróquias portugueses vive-se um certo "quintalismo". Só Paróquia é uma célula viva do corpo que é a Igreja Local (Diocese) a que preside o Bispo.
       4. O Bispo tem muitas vezes motivos para a mudança de um pároco que não pode dar a conhecer por caridade e até por confidencialidade.
       5. Porque responsável por toda a Igreja Local, o Bispo tem uma visão abrangente das necessidades pastorais que os paroquianos certamente não possuem.
       6. Nenhum Bispo, penso eu, nas actuais circunstâncias, age por mania ou despotismo. Cada situação é pormonorizadamente analisada, conversada, rezada.O Bispo houve muita gente, a começar, naturalmente, pelos seus conselheiros mais próximos.
       7. Claro que os leigos têm o direito de manifestar o que pensam. São Igreja. Só que muitas vezes perdem a razão pelo modo como se manifestam. Quando há o insulto suez, quando a manifestação cheira a sindicalismo, quando há violência de palavras e actos, os paroquianos perdem toda a razão.
       8. Dá a impressão que o "deus" de muitos é aquele padre. Não são cristãos por causa de Cristo, há até quem diga que "ia à Missa por causa daquele sacerdote". E isto é o pior testemunho da passagem de um pároco por uma paróquia, uma vez que, em vez de ajudar as pessoas a caminhar para Cristo, as fixou nele mesmo...
       É fantasticamente cristão quando as pessoas sentem saudades de quem parte, até vertem uma lágrima, manifestam sentimentos de amizade e gratidão, mas sabem abrir portas de esperança a quem parte e a quem chega. "Seja bem-vindo" quem vem em nome do Senhor."
       9. Alguns párocos também não ajudam nada. Agarrados ao lugar, tem palavras e atitudes que espicaçam as paixões de momento. É preciso saber entrar, mas é igualmente precisa a disponibilidade para partir. Em Igreja, ninguém se anuncia a si mesmo, todos anunciamos Cristo.
       10. Ao Bispo cabe naturalmente saber ouvir, estar atento ao modo de proceder, ser capaz de vir até às comunidades, auscultar seus anseios, sentimentos e razões, explicar-se. As decisões tomadas só nas paredes do gabinete, por mais pensadas que sejam, não são o caminho actual. Também aqui é preciso tornar a Igreja "Casa de Comunhão". Os leigos também são Igreja.
       11. Claro que uma decisão, uma vez tomada, é para manter, mesmo que isso acarrete para quem a toma desertos de sofrimento. Recuar por causa da cruz é indigno de cristãos. Há assim que decidir bem, ver aquilo que "o Espírito diz às Igrejas".
       12. É minha opinião que nenhum sacerdote se deveria fixar na mesma paróquia ou serviço diocesano por tempos indeterminados. Pode haver razões válidas para um prolongar do exercício sacerdotal num determinado serviço, mas eternizá-lo não me parece sadio. O povo tem razão quando afirma: "Quem se muda, Deus ajuda."
 
Pe. Carlos Lopes, Asas da Montanha.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Temporal da Madeira e a Caridade

Desta vez formos surpreendidos pelas notícias que nos chegaram pelos meios de comunicação social, da calamidade da Madeira, fruto de chuvas intensas e de ventos fortes, provocando o transvase das três principais ribeiras do Funchal, inundando ruas, casas, levando pela frente carros, pessoas, destruindo árvores, habitações, estradas, pontes, com aldeias, lugares, pessoas, a ficarem isoladas.
A morte de várias pessoas, os números oficiais apontam para já para 42, uma vez que ainda não há condições de recolher dados mais concretos, bem como dezenas de feridos. Em todo o caso o menos importante são mesmo os números, nestas horas são importantes as pessoas, cada pessoa, e ainda que fosse apenas uma vítima já deveria (e deve) merecer a nossa atenção, a nossa solidariedade e a nossa oração.
As imagens do sismo no Haiti comoveram-nos.
Outra catástrofe, agora, mais perto de nós, pode ter um efeito mais distante.
Quando nos habituamos às mesmas imagens, por vezes, familirizamo-nos tanto que já não lhes devotamos a mesma preocupação. É o efeito das imegens muitas vezes repetidas.
Mas, em todo o caso, são momentos dolorosos, os do Haiti, como os da Madeira.
Uma família que perde todos os seus bens, que não tem alimento, não tem vestuário, não tem casa, merece-nos toda a consideração.
Uma família que perde um dos seus membros, ou dois, ou mais, deve sensibilizarmos em qualquer circunstância, é um momento extremamente doloroso.
Tal como aquando do sismo do Haiti, a solidariedade para com as pessoas da Madeira não se fez esperar, a solidariedade das palavras, dos meios, da oração. Vários organismos mobilizaram-se para resgatar o que é possível, procurando ajudar as pessoas que se encontram isoladas, que estão feridas, ajudando a reconstruir.
Destacamos também o papel da Igreja. A Cáritas Portuguesa disponibilizou de imediato € 25.000,00, através da Cáritas do Funchal.
Associemo-nos também pela oração. Que Deus acolha os que partiram, dê coragem aos que perderam familiares. Que as nossas preces possam confortar todos os que desesperam, e que através das pessoas mais próximas encontram um mão amiga, acolhedora, confortante.
Deus abençoe o povo da Madeira, nesta hora de tristeza e luto.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

São Nuno de Santa Maria, religioso

Nota biográfica, apresentada na página do Secretariado Nacional da Liturgia da Conferência Episcopal:

       "Nuno Álvares Pereira, fundador da Casa de Bragança, nasceu em Santarém (Portugal) a 24 de Junho de 1360. Como Condestável do reino de Portugal, foi militar invencível; mas, vencendo se a si mesmo, pediu a admissão, como irmão leigo, na Ordem do Carmelo. Tinha uma admirável piedade e confiança para com a Santíssima Virgem Maria. Sentia grande satisfação em pedir esmolas pelas portas, desempenhar os ofícios mais humildes na casa de Deus, e mostrou sempre grande compaixão e liberalidade para com os pobres. Morreu no domingo da Ressurreição do ano 1431 (1 de Abril)".
Foi canonizado (reconhecido como Santo para a Igreja) no passado dia 26 de Abril deste ano de 2009, na praça de São Pedro, no Vaticano.