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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Cultivar a verdadeira alegria

       "Cultivar a alegria não é tapar os olhos para não ver as coisas feias e os dissabores do mundo, não é cobrir a realidade com um véu cor-de-rosa para criar uma felicidade ilusória; pelo contrário, viver na alegria é viver na consciência extrema, testemunhando, na escuridão do mundo, que o nosso ser pertence a algo de diferente.
       A alegria não é uma linguagem de palavras, é uma linguagem de olhares, a alegria não convence, contagia.
       A alegria é poderosamente subversiva, porque é subversivo o amor sem distinções que ela transmite."

Susanna Tamaro, em «Querida Mathilda», in Abrigo dos Sábios.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

A Diferença...

Lindo demais! Por mais que tenhamos diferenças e outros tenham dificuldades [e que dificuldades não é?] as pessoas descobrem que não há fronteiras para a comunicação e para expressar talvez o que sentem diante do mundo tão diferente!
Para reflectir no final do ano!...

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Gestos na Liturgia Católica

       Falar de gestualidade litúrgica é lembrar-nos de que a nossa natureza humana tem e se exprime "num corpo".
       A gestualidade funda-se biblicamente numa experiência vital de Deus. Hoje para os cristãos esta experiência vital dá-se no interior da comunidade eclesial e na celebração dos sacramentos.
       O gesto coloca o corpo em oração, como pessoa inteira. Com a renovação litúrgica foi reencontrada «a nobre simplicidade dos ritos» (Constituição Litúrgica Sacrosanctum Concilium, n.° 34).
       O gesto é um acto que exprime um estado interior da pessoa. Os gestos na liturgia estão modelados segundo os próprios gestos que Cristo usou. O fundamento dos gestos é o próprio Cristo. Ao pensarmos n'Ele favorece-se o nível máximo de interiorização. Ele assumiu a dimensão da corporei­dade humana, tornando-Se assim a referência de toda a gestualidade litúrgica.
       Narra-nos a Carta aos Hebreus (10,5): «Entrando no mundo, Cristo disse: não quisestes sacrifício nem oblação, mas preparaste-Me um corpo.» É deste núcleo que deriva todo o posterior gesto litúrgico, porque a nossa espiritualidade litúrgica deve ser modelada e orientada sobre a gestualidade de Cristo. Assim, quando rezamos, tentamos imitar todos os gestos corporais da vida de Cristo, que foram muitos e vêm descritos no Evangelho, dando realce especial à Sua "paixão", durante a qual «Ele estendeu as mãos e morreu na cruz».

       O sinal é algo sensível que significa ou indica outra realidade ausente ou presente, e informa e orienta.
       O símbolo é uma linguagem muito mais expressiva e rica de co­notações do que simplesmente a falada. Tem uma função mediadora, comunicativa e unificadora. Apoia os fiéis na sua "procura" de Deus. Estabelece uma relação afectiva entre uma pessoa e a realidade pro­funda que não se consegue exprimir bem de outra forma. A liturgia e os costumes cristãos estão cheios de símbolos: a água para o baptismo, o pão para a Eucaristia, o vinho, o gesto de reconciliação, as palavras da absolvição e da consagração, a imposição das mãos, a bênção...
       A seguir descrevemos o significado de alguns gestos que aparecem na celebração eucarística - o sacramento "principal" (porque os sa­cramentos são mais diferentes do que iguais), mais conhecido.
  • De pé: é uma postura que significa a ressurreição de Cristo que se levantou do sepulcro, e que ganhou a liberdade para estar, conforme a sua promessa, em todas as assembleias cristãs. É sinal de atenção, adesão, respeito e disponibilidade. A lição do Evangelho ouve-se sempre "de pé".
  • De joelhos: traduz uma atitude de penitência, de humildade e de oração intensa. Recomenda-se para acompanhara Oração Eucarística, após a aclamação do "santo".
  • A genuflexão: é o gesto de dobrar o joelho direito até ao solo, com perfeição e na vertical. Indica respeito, reverência, adoração. Na Missa é feita pelo sacerdote 3 vezes: na ostensão do pão e do cálice consagrados e antes da Comunhão. Porém, todos os fiéis o devem fazer, com perfeição e calma, quando passam diante do SS.° Sacramento, diante do sacrário, e na procissão do Corpo de Deus. Genuflexões perfeitas são hoje em dia muito raras em Portugal, mas os santos faziam-nas perfeitíssimas, cheios de fé.
  • Sentados: é a postura de quem ensina com autoridade ou de quem escuta com atenção muito especial.
  • Beijo (Abraço da paz): na Missa é um rito antes da Comunhão. Significa concórdia, intimidade, união dos corações e dos ideais.
  • Sinal da Cruz: é uma profissão de fé baptismal, trinitária, identi­ficação com Cristo Crucificado.
  • Bater no peito: sinal de arrependimento e desejo de conversão. Usa-se no acto penitencial no início da Missa.
  • Mãos postas: muitos juntam-lhes também os olhos fechados. Significa intensidade, elevação, oração sincera, recolhida, elevador para a contemplação.
  • Estender os braços: imitação de Cristo que também estendeu os braços para morrer na Cruz.
  • Mãos abertas: louvor, petição, entrega e acolhimento dos dons de Deus.
  • Lava-mãos: sinal de purificação do pecado. Fá-lo o sacerdote antes de oferecer o sacrifício de Cristo e da Igreja.
  • Imposição das mãos: gesto bíblico muito antigo. Usa-se como epiclese (súplica ao Espírito Santo), para consagração de coisas e sobretudo de pessoas.
  • Elevação (a grande): é um gesto novo próprio da Missa, diferente da ostensão e colocado ao fim da Oração Eucarística, antes do Pai Nosso, quando o sacerdote eleva o pão e o vinho, mostrando-os aos fiéis e esperando que estes digam «Amen» em ratificação da oração sacerdotal. Sempre que o sacerdote presta atenção correcta a este rito, como é sua obrigação, revela uma sensível eclesiologia de admirar.
  • Fracção do pão: rito usado pelo próprio Cristo quando celebrava a Eucaristia. Simboliza o amor de entrega de Jesus por nós, e a paz e reconciliação que Ele nos adquiriu e em que nos colocou no decorrer da Santa Missa.
  • Silêncio: é um espaço em que Deus vive e Se manifesta. Cria o ambiente especialmente favorável ao encontro com Ele. Usa-se no espaço sagrado e todo o sacerdote o favorece antes das orações, na Comunhão e nas adorações eucarísticas.
  • Bênção: É "bem-dizer", primeiro a Deus; depois, Deus tem bênçãos espirituais em Cristo para os fiéis, e muitas bênçãos materiais para todas as criaturas.
       Tudo o que se faz e acontece na liturgia exige um entendimento. A catequese litúrgica torna-se cada vez mais necessária, e não admira que tenha sido inculcada pelo próprio Concílio Vaticano II. É uma maneira de se evitar "o adormecimento" ou "o aborrecimento" dos fiéis e de se exibir a "unidade" em Cristo de toda a comunidade cristã. Porque é que muitos em Portugal, especialmente os jovens, e muitos dos quais até costumam ir à Missa, dizem com facilidade que tudo isto «é uma "seca"»? -  Isto apenas traduz o deserto laico, secularizante que hoje se vive. É o baixar dos braços, pior que um freio, à evangelização.
       Há, porém, quem interprete a sua corporeidade precária, com todas as pobrezas que salienta (repetição, cansaço, doença, incomunicabilidade, medo, solidão e morte), como lugar histórico do triunfo de Cristo que vem, qual templo vivente, consagrado pelo Espírito do Filho enviado pelo Pai, ao qual suplicam com veemência: «Até quando; Senhor, Tu que és santo e veraz; até quando não virás para nos fazeres justiça?» (AP 6,10), e, porque se sente Esposa, diz com a voz do Espírito: «Vinde, Senhor Jesus» (AP 22,17.20). É assim que se descobre a profundidade das palavras de Tertuliano: caro salutis cardo (a carne é invólucro da salvação). Assim é, de facto, na "materialidade" dos sacramentos e na pluralidade dos gestos e sinais litúrgicos.
Pe. Mário Santos, in Paróquia de Tarouca.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Comunicar... com o corpo

Também comunicamos com o nosso corpo, nos gestos, na expressividade do olhar, do rosto, a colocação das mãos, a postura corporal....
ROSTO
O rosto faz transparecer as emoções, a inteligência, as frustrações, os desejos. O rosto mostra simpatia, irritação, nervosismo, alegria, serenidade, pressa...
OLHOS
O rosto já nos traz a alma, mas muito mais o olhar. Os olhos transparecem o que há de mais profundo em nós. Os olhos não enganam. É preciso saber olhar fundo apara ver a alma. Olhos nos olhos. Coração a coração. No olhar, descobrir a presença do outro. No olhar, acolher o OUTRO. Aprendamos a olhar com franqueza, com limpidez, com humanidade, pedindo e dando perdão.
LÁBIOS
Deles vemos sair as palavras que pronunciamos, mas há toda uma linguagem silenciosa que se capta através dos lábios, se estão comprimidos, ou semi-abertos, se denotam tensão ou descontracção. Sem palavras, os lábios também expressam emoções.
BRAÇOS
Braços abertos com um sorriso alegre que acolhem, que amam, que recebem, que dão, que abraçam. Braços que se fecham, que se encolhem, que se cruzam, e que podem significar apatia, indiferença, isolamento, reflexão, súplica...
MÃOS
As mãos são muito expressivas, quando em silêncio ou quando a falar. Acompanham a fala e acompanham os diversos sentimentos. Se estão nos bolsos, ficam na escuridão. Livres conseguem dizer muito: pedir, suplicar, acariciar, auxiliar, ferir, ou até matar...
Há gestos duros, quando as mãos se fecham, ou quando os dedos apontam e acusam, e também gestos ofensivos, obscenos. Há gestos que dizem a paz, a alegria, o carinho...
CORPO
Todo o nosso corpo é linguagem. Pode mostrar rigidez, empatia, nervosismo, o corpo ansioso, não pára, tranquilo, seguro. O corpo ajuda-nos a perceber os outros e ajuda-nos a ser percebidos pelos outros... O corpo separa-nos do mundo, mas identifica-nos, diferencia-nos, torna-nos únicos... é oportunidade de encontro, de descoberta, de completar com o mundo e com os outros o que nos falta...

Baseado: Revista Juvenil. Outubro 2009: n.º 530.