A terceira Carta Encíclica de Bento XVI empresta o título a este blogue. A Caridade na Verdade. Agora permanecem a fé, a esperança e a caridade, mas só esta entra na eternidade com Deus. Espaço pastoral de Tabuaço, Távora, Pinheiros e Carrazedo, de portas abertas para a Igreja e para o mundo...
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sábado, 3 de janeiro de 2026
quarta-feira, 3 de janeiro de 2024
sábado, 2 de janeiro de 2016
Solenidade da Epifania do Senhor - ano C - 03.01.2016
1 – Todos os encontros podem deixar marcas em nós, mas contam verdadeiramente aqueles que nos tocam a alma e mudam a nossa vida. Há encontros casuais, passageiros, que nem chegam a roçar a roupa. Há pessoas que passam por nós e se mantêm ou mantemos à distância. Cruzamos olhares, passamos ao lado, indiferentes ou em atitude de desprezo. Encontros negativos também contam e também deixam as suas marcas.
Há, porém, encontros que são decisivos e marcam definitivamente o rumo da nossa vida. Tocam o olhar, a pele, o coração, a alma, a vida. Se cada encontro pode influenciar-nos e enriquecer-nos, há aqueles que nos ajudam a ver a vida de um perspetiva diferente, a acreditar no amanhã, a depositar os nossos sonhos no futuro com esperança. Sentimos que chegamos a casa. Há estrelas que brilham no firmamento e nos atraiam para o melhor que a vida tem para nos dar.
Os Magos vêm de longe. Mas não importa a distância. Deixam os seus livros, a sua casa, as suas coisas, a família e os amigos. Não importa tanto o que se deixa se nos dirigimos para algo maior e "nos" levamos connosco, com a nossa história. Quem fica, não fica perdido, pois se nos ama acompanhar-nos-á para onde formos e se alegrará com a nossa alegria. Ainda que custe! Os magos seguem com leveza e com pressa de chegar. É uma das características destes dias: Maria com pressa de chegar junto de Isabel; os pastores com pressa de chegar ao Presépio, e os Magos com pressa de adorarem o Deus Menino.
2 – «Onde está – perguntaram eles – o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O». Quando não sabemos muito bem a direção é melhor parar e perguntar. O GPS – a estrela – levar-nos-á ao destino, mas a confusão da cidade pode distrair-nos do caminho.
Herodes fica perturbado. O medo toma conta do seu coração. Habituou-se ao poder e não quer que nada ponha em causa a sua comodidade. Chama os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo, informa-se acerca do local do nascimento do Messias, que segundo as profecias será «em Belém da Judeia, porque assim está escrito pelo Profeta: ‘Tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe, que será o Pastor de Israel, meu povo’».
O alvoroço provocado pela notícia de que o Messias nasceu mobiliza Herodes e a cidade. Uns com boas intenções e outros nem tanto. A notícia que o Menino nasceu e está entre nós deve inquietar-nos, desinstalar-nos, levar-nos a querer saber mais, a descobrir onde O encontrar, para com os Magos O adorarmos e Lhe levarmos os melhores presentes.
Na primeira leitura, Isaías convoca toda a cidade: "Levanta-te e resplandece, Jerusalém, porque chegou a tua luz e brilha sobre ti a glória do Senhor. Sobre ti levanta-Se o Senhor e a sua glória te ilumina. As nações caminharão à tua luz e os reis ao esplendor da tua aurora. Olha ao redor e vê: todos se reúnem e vêm ao teu encontro; os teus filhos vão chegar de longe e as tuas filhas são trazidas nos braços. Quando o vires ficarás radiante, palpitará e dilatar-se-á o teu coração, pois a ti afluirão os tesouros do mar, a ti virão ter as riquezas das nações. Invadir-te-á uma multidão de camelos, de dromedários de Madiã e Efá. Virão todos os de Sabá, trazendo ouro e incenso e proclamando as glórias do Senhor".
O mais triste é se estamos ao pé do sino e não ouvimos as horas, por habituação, por desleixo ou preguiça. Vêm de toda a parte. O alvoroço está instalado. Ficamos com Herodes, comodamente instalados à espera que as notícias nos cheguem aos ouvidos, ou seguimos com os Magos, para fora do palácio e da cidade, e vamos a Belém?
3 – O Messias que estava para vir está no meio de nós. A esperança de Israel concretiza-se n'Aquele Menino há tanto esperado. Todos se hão de prostrar diante d'Ele porque d'Ele virá todo o bem.
"Os reis de Társis e das ilhas virão com presentes, os reis da Arábia e de Sabá trarão suas ofertas. Prostrar-se-ão diante dele todos os reis, todos os povos o hão de servir. Socorrerá o pobre que pede auxílio e o miserável que não tem amparo. Terá compaixão dos fracos e dos pobres e defenderá a vida dos oprimidos".
São Paulo, sintonizado com o Salmo, mas sobretudo com Jesus Cristo, fala-nos desta graça que Deus lhe confiou a nosso favor, o mistério de Cristo. "Nas gerações passadas, ele não foi dado a conhecer aos filhos dos homens como agora foi revelado pelo Espírito Santo aos seus santos apóstolos e profetas: os gentios recebem a mesma herança que os judeus, pertencem ao mesmo corpo e participam da mesma promessa, em Cristo Jesus, por meio do Evangelho".
O nascimento de Jesus é um acontecimento inaudito, Deus assume-nos por inteiro. A todos. Vem para o Seu povo, mas ao alcance de todos os povos, como relembra o Velho Simeão: «Agora, Senhor, deixareis ir em paz o vosso servo, porque os meus olhos viram a vossa salvação, que pusestes ao alcance de todos os povos: luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo» (Lc 2, 22-35).
Os magos mostram que a Mensagem de Deus e os sinais da Sua presença no meio de nós chegam a toda a parte.
4 – Logo que os magos se afastam do palácio, da cidade, e das distrações, a Estrela que os guia volta a estar visível. Por vezes precisamos deste exercício, de nos afastarmos um pouco, parando, rezando, refletindo a vida, distanciando-nos da árvore para vermos toda a floresta, fazendo silêncio para ver, para escutar, para perceber o que nos rodeia e que caminho havemos de retomar.
"Eis que a estrela que tinham visto no Oriente seguia à sua frente e parou sobre o lugar onde estava o Menino. Ao ver a estrela, sentiram grande alegria. Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra".
A alegria é uma realidade que acompanha os magos e todos os que se deixam conduzir pela Estrela. Mas sobretudo, ALEGRIA de nos encontrarmos com Jesus. Os magos chegam finalmente onde se sentem em casa, junto de Jesus. E dão-lhe os presentes, simbólicos, a um tempo: ouro – realeza; incenso – divindade, e mirra – humanidade. Há mais alegria em dar do que em receber. E mais que dar, importa dar-se. É o que fazem os pastores, é o que fazem os magos. Dão o melhor que têm porque se querem dar fazendo-se presentes. E recebem o maior presente: Jesus, Deus Menino. E tudo muda.
O encontro com Jesus fá-los voltar por outro caminho. "E, avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho". Herodes tinha-lhes pedido que regressassem ao palácio e lhe dessem informações precisas sobre o Messias. Inspirados por Deus, pelo encontro com Jesus, voltam mas por outro caminho. Também o nosso encontro com Jesus nos há de levar por outro caminho, não preferentemente ao palácio, mas ao mundo.
"Senhor Deus omnipotente, que neste dia revelastes o vosso Filho Unigénito aos gentios guiados por uma estrela, a nós que já Vos conhecemos pela fé levai-nos a contemplar face a face a vossa glória".
Pe. Manuel Gonçalves
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segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
Percorrer hoje o caminho dos Magos
«Magos vós sois os santos mais nossos, náufragos sempre neste infinito, porém sempre a tentar, a procurar, a pedir, a fixar os abismos do céu até queimar os olhos do coração» (Turoldo).
Mensagens de esperança hoje: há um Deus dos que estão longe, dos caminhos, dos céus abertos, das dunas infinitas, e todos têm a sua estrada. Há um Deus que te faz respirar, que está numa casa e não no templo, em Belém, a pequena, não em Jerusalém, a grande. E os Herodes podem opor-se à verdade, abrandar a sua difusão, mas nunca bloqueá-la, ela vencerá seja como for. Mesmo se é frágil como uma criança.
Tentemos percorrer o caminho dos Magos como se fosse uma crónica da alma.
O primeiro passo está em Isaías: «Olha ao redor e vê». Saber sair dos esquemas, saber correr direito a um sonho, a uma intuição do coração, olhando mais longe.
O segundo passo: caminhar. Para encontrar Deus é preciso viajar, com inteligência e com o coração. É preciso procurar, de livro em livro, mas sobretudo de pessoa em pessoa. Então estamos vivos.
O terceiro passo: procurar em conjunto. Os Magos (não «três» mas «alguns», segundo o Evangelho) são um pequeno grupo que olha na mesma direção, fixam o céu e os olhos das criaturas, atentas às estrelas e atentos uns aos outros.
O quarto passo: não temer os erros. O caminho dos Magos está cheio de enganos: chegam à cidade errada; falam da criança com o assassino de crianças; perdem a estrela, procuram um rei e encontram um bebé, não no trono mas entre os braços da mãe.
Todavia não se rendem aos seus erros, têm a infinita paciência de recomeçar, até que ao verem a estrela experimentam uma imensa alegria. Deus seduz sempre porque fala a linguagem da alegria.
Entrados em casa viram o Menino e sua Mãe… Não só Deus é como nós, não só é connosco, mas é pequeno entre nós. Ide informar-vos acerca do Menino e avisai-me para que também eu vá adorá-lo. Esse rei, esse Herodes assassino de sonhos ainda envolto em faixas, está dentro de nós: é o cinismo, o desprezo que destrói os sonhos do coração.
Mas eu gostaria de resgatar as suas palavras e repeti-las ao amigo, ao teólogo, ao poeta, ao cientista, ao trabalhador, a cada um: encontraste o Menino?
Procura agora, com cuidado, nos livros, na arte, na história, no coração das coisas; procura no Evangelho, na estrela e na palavra, procura nas pessoas, e a fundo na esperança; procura com atenção, fixando os abismos do céu e do coração, e depois faz-mo saber para que também eu venha adorá-lo.
Ajuda-me a encontrá-lo e irei, com os meus pequenos presentes e com todo o orgulho do amor, proteger os meus sonhos de todos os Herodes da história e do coração.
P. Ermes Ronchi, © SNPC (trad.) | 05.01.14,
sábado, 5 de janeiro de 2013
Solenidade da Epifania do Senhor - 6 de janeiro
“Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente. «Onde está – perguntaram eles – o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O». Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes ficou perturbado e, com ele, toda a cidade de Jerusalém... Então Herodes mandou chamar secretamente os Magos e pediu-lhes informações precisas sobre o tempo em que lhes tinha aparecido a estrela. Depois enviou-os a Belém e disse-lhes: «Ide informar-vos cuidadosamente acerca do Menino; e, quando O encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-l’O». Ouvido o rei, puseram-se a caminho. E eis que a estrela que tinham visto no Oriente seguia à sua frente e parou sobre o lugar onde estava o Menino. Ao ver a estrela, sentiram grande alegria. Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra. E, avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho”.
Quando encontrámos Jesus na nossa vida, qual o caminho que percorremos? Como vai a nossa vida? E as nossas escolhas? Jesus é Luz para nós? Transforma-nos verdadeiramente? Voltamos ao mesmo de sempre, ou regressamos à vida por uma caminho novo, diferente, sendo transparência de Deus que nos habita?
2 – Os magos de então seriam hoje astrónomos (e não tanto astrólogos), e neste propósito representam o mundo da ciência e da cultura, que se abre à fé e presta adoração a Deus que Se revela na fragilidade daquele Menino. A grandeza e o extraordinário muitas vezes (para não dizer quase sempre) vem do mais simples e humilde, do que passa quase despercebido. A ciência não anula e não contrapõe a fé. A ciência sem Deus é um emaranhado de reações químicas, vazias, sem consciência, sem a sabedoria que liga à vida. A fé, por sua vez, socorre-se da ciência, e da cultura, e da história, para racionalizar, tornar perceptível e ligado ao mundo o que lhe vai na alma. Sem a abertura à ciência e ao mundo, poderia não passar de uma alucinação...
Os Magos vêm do Oriente, ou seja, vêm do mundo inteiro, representam a Humanidade toda. E nesta medida, a Visita dos Magos é Epifania do Senhor, é o reconhecimento de Cristo como Rei do Universo. Os magos estavam ao serviço do rei; os Magos deixam o serviço real e prostram-se diante do Rei por excelência.
Olham para o Céu, e não apenas para si mesmos. Quando nos centramos apenas em nós, acabaremos sós, em ruína, tropeçando nos acontecimentos, se positivos em alegria estonteante, se negativos em frágil e angustiante desilusão e tristeza. Os magos estão atentos às estrelas, ao Céu estrelado, o seu olhar descobre o horizonte. A Estrela que está no Céu só é visível pela fé, pela humildade, por um olhar que escuta. É possível que quem se centre em si mesmo, não veja outra luz (ou outra escuridão) que não seja a sua.
No Céu daquele tempo havia uma nova Estrela, mais brilhante que todas as outras. E nós? Olhamos para o Céu, para Deus? Quais são as estrelas que nos guiam? Onde está colocado o nosso olhar? Que luz nos faz caminhar, procurar, peregrinar, descobrir, partir? Que estrela nos faz sair de casa para encontrar Deus? Onde O procuramos? Em quem?
Voltam por outro caminho. O encontro com Jesus é revelador e transformador. Não é um comprazimento pessoal e egoísta. Encontrar-se com Jesus é deixar-se tocar por Ele, pelo Seu olhar, pelas Suas palavras. A vida não será mais a mesma. Nada voltará a ser como dantes. Os caminhos serão outros, transformados pelo olhar e pela fé. É bem diferente olhar a vida a partir do nada, do vazio, do ocaso, ou olhar a vida a partir da Estrela, a partir do Céu, de Jesus Cristo, do amor que Deus nos tem. Quem caminha com um sentido de plenitude, iluminado, caminha mais seguro, mais confiante, mesmo que os caminhos continuem a ser tortuosos.
A ciência levou os Magos a descobrir a grandeza do Universo numa criança inocente e desprotegida. Voltam por outro caminho. O que os movia ganha um novo sentido e sabor. Qual será o nosso caminho? Preenchido da Luz do Deus Menino? Até onde nos dispomos a levar a luz de Jesus?
3 – O profeta Isaías, na primeira leitura, canaliza a esperança de todo o Israel para a LUZ de Deus que está a chegar. A estrela que guia os Magos até Jesus, também guiou os profetas, através dos tempos, levando-os a preparar a humanidade para reconhecer e acolher a Luz que viria irradiar todas as trevas.
O profeta faz-nos entrar numa esperança quase palpável. Ainda não se experimenta a luz, mas é como se o coração já rebentasse de alegria pela chegada certa e inevitável da luz. É uma experiência que fazemos pela chegada das pessoas que nos são próximas. Mesmo antes de chegarem, a alegria ilumina os dias e/ou as horas que faltam. Queremos antecipar o tempo. Ocupámo-nos em preparativos, tal a intensidade das emoções e sentimentos que temos necessidade de nos abstrairmos; uma e outra vez fazemos o mesmo que tínhamos feito antes. Parece que o tempo não passa. A pressa é tanta que a cada segundo olhamos para o relógio a ver quanto falta, e ainda agora tínhamos olhado. Levantamo-nos, sentámo-nos. Bebemos. Comemos. Andamos para trás e para diante. Assim com os familiares que vêm de longe. Assim a mulher que está para ser mãe. Assim os meninos quando veem uma prenda que vão receber. E assim quando estamos à espera de alguma coisa, alguma resposta, que sabemos certa, mas que nos torna ansiosos até ao momento de se revelar.
“Levanta-te e resplandece, Jerusalém, porque chegou a tua luz e brilha sobre ti a glória do Senhor. Vê como a noite cobre a terra e a escuridão os povos. Mas, sobre ti levanta-Se o Senhor e a sua glória te ilumina. As nações caminharão à tua luz e os reis ao esplendor da tua aurora. Olha ao redor e vê: todos se reúnem e vêm ao teu encontro”.
4 – O que Isaías vê para o futuro, como esperança, que o faz rejubilar, envolvendo todo o Israel, e que o salmo evoca como oração – “Ó Deus, concedei ao rei o poder de julgar / e a vossa justiça ao filho do rei. / Ele governará o vosso povo com justiça / e os vossos pobres com equidade" – os Magos contemplam quando chegam à casa onde Maria, José e Jesus se encontram, prostrando-se diante de tão grande mistério. Não há palavras para descrever tamanha alegria que pode ser experimentada por todos os discípulos de Jesus.
É precisamente esse testemunho que Paulo confessa à comunidade de Éfeso:
“Certamente já ouvistes falar da graça que Deus me confiou a vosso favor: por uma revelação, foi-me dado a conhecer o mistério de Cristo. Nas gerações passadas, ele não foi dado a conhecer aos filhos dos homens como agora foi revelado pelo Espírito Santo aos seus santos apóstolos e profetas: os gentios recebem a mesma herança que os judeus, pertencem ao mesmo corpo e participam da mesma promessa, em Cristo Jesus, por meio do Evangelho”.
A Luz de Deus, desta feita, não é apenas para o povo da Aliança, mas estende-se, em Jesus Cristo, Nova Aliança, a toda a humanidade.
Textos para
a Eucaristia (ano C): Is 60, 1-6 ; Sl 71 (72); Ef 3, 2-3a.5-6 ; Mt 2, 1-12.
Reflexão Dominical na página da Paróquia de Tabuaço.
sábado, 8 de dezembro de 2012
Pe. Ricardo Barroco - Imaculada Conceição
Reflexão distribuída na Eucaristia solene:
(Imagem do teto da Igreja paroquial de Tabuaço)
"Nove dias passados, nove dias vividos com Maria. A vida é uma viagem feita de pequenas etapas, feita de pequenos encontros e o encontro com as pessoas de quem gostamos é sempre o mais fortuito. Esta novena foi assim como uma pequena mas importantíssima etapa em que caminhamos com a mãe de Deus, com a nossa mãe. Maria chegou, apresentou-se e sem gritar, sem correr, sem exaltar-se, tocou-nos onde mais precisamos: no nosso coração tantas vezes ferido, desconcentrado e perdido!
Não foram dias a falar de histórias passadas, fábulas ou de sonhos vãos. Falar de Maria é falar da nossa própria vida, do concreto, do presente. Não aguardamos ilusões; desejamos palavras reais. Não esperamos mentiras; queremos a autenticidade de gestos sentidos. Maria é o conjunto dos nossos dias, é o resumo das nossas lutas, vemos nela todos os esforços de uma vida. Ela é a procura de um sentido que se faz pessoa, exatamente como cada um de nós!
Um Anjo chega e anuncia-lhe o impensável. Ela não contava! Sente-se pequena, diz que sim, mas ainda lhe resta na cabeça um pouco daquela dúvida de que tudo não passa de um sonho... "Porquê eu?" É a pergunta que nos assalta em tantos momentos. A resposta deve ser como a desta mulher: continuar em frente! O anúncio de Deus não é para esconder, a mensagem é para espalhar! A Boa Nova é para ser dita, proclamada aos outros. Maria fê-lo de forma exemplar ao caminhar em direção aos famintos de Esperança. Dirige-se à casa dos seus primos, a uma Isabel que está grávida como ela. De repente todos parecem estar de "esperanças". Também nós devemos ficar "grávidos" de Deus, ele que se quer fixar em nós. Homens e mulheres "grávidos" de amor!
Deus vem então para se estabelecer em nós como um novo inquilino. Estabeleceremos um contrato com Ele que pagará com a vida, não em prestações mensais! É a totalidade que nos oferece, nunca remendos ou partes do que quer que seja. Ele vem habitar um mundo desconhecido, este mundo que somos nós! Chega, entra, instala-se em nós! Não quer sair mais: não adianta rescindir o contrato ou despejá-Lo... Ele veio para ficar.
No meio de tudo isto encontrámos um José baralhado. A mulher prometida prometeu igualmente a "Outro". Olha desconcertado para o à vontade daquela mulher: passeia a sua "infidelidade" com alegria. A bondade de um homem mede-se por aquilo que está disposto a assumir mesmo quando a inocência o justifica. Decide retirar-se! Todavia, uma segunda Anunciação: Maria é fiel, a Deus, a José, à Humanidade. O filho também é dele, é de todos nós. A paternidade que o Menino vem instaurar não é de sangue, mas de afinidade, afetos, de Amor.
Novamente juntos, como todos devemos estar, Maria e José apresentam-nos o seu filho! Muitas vezes estamos tão "aéreos" que Deus passeia em nós e não damos conta. Somos a sua Jerusalém onde Deus Se quer perder. Somos a Sua cidade repleta de ruas, avenidas, casas que Jesus quer percorrer, palmilhar centímetro a centímetro para tudo conhecer. Apenas temos de O acolher, abrir-Lhe as portas para que Ele se sinta em casa, em Sua casa.
Depois de Deus se instalar começa então a festa, o casamento, as Bodas de Caná. Alegria pura. Porém, mesmo no meio de tanta felicidade, esta vida que é dom torna-se tantas vezes um mar de sacrifício com as suas dores, doenças e azares. Uma festa interrompida invariavelmente na melhor parte. Nestes momentos Deus resgata-nos: somos as suas talhas onde Ele quer operar o milagre do esbanjamento. A mudança ocorre no interior. Uma mudança de esperança: tudo ficará bem! Acreditemos!
Junto à cruz Maria/nós provaremos o derradeiro teste. As nossas limitações, as nossas impotências perante o correr do mundo só tem comparação no mistério da morte, das nossas mortes, dos espinhos com que finitude nos vai magoando. Mas a morte só tem sentido porque é "vivida"! Até ela tem Vida, uma alma de que Cristo a investiu no momento decisivo: tudo acaba em Ressurreição, tudo ressurge numa casa eterna que é o coração deste Pai que tanto nos Ama!
Nossa Senhora da Conceição nos ilumine e nos leve como um pequeno barco, no qual somos convidados a embarcar numa viagem que mudará as nossas vidas!!!
Pe. Ricardo Jorge Barroco
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Novena da Imaculada Conceição - 9.º dia
No nono dia, o Pe. Ricardo conduziu-nos com Maria até à Cruz de Jesus. Ela diz pouco. Faz silêncio. Sofrimento e lágrimas. É hora de falar a cruz. A vida não é perfeita. Maria faz essa experiência. A dor está presente na Sua vida. A cruz é um espinho cravado no seu coração. A dor em si mesma nem sempre é mal, é um aviso que alguma coisa não está bem. E, por conseguinte, a dor pode levar à cura.
A cruz é como um espinho cravado no coração. No de Maria e no nosso. E como a dor relembra-nos que a nossa vida não é perfeita, temos de continuar a caminhar.
A Cruz é como um elevador, que se levanta da terra. Mas enquanto o elevador sobre e desce, a cruz sobe, não desce, eleva-nos. Está cravada na terra, como espinha no coração, para faz-nos ascender para o alto.
É como uma chave de fendas, gira sobre a terra. A CRUZ como que gira sobre a terra, apertando, apertando para compor, para ajustar. À memória a lembrança da estória de um rapazito que estava a "chatear" o pai, cientista famoso, enquanto este tentava trabalhar. Decidiu dar ao filho um puzzle do mundo, sabendo que o filho, de 5/6 anos nunca tinha visto o mapa mundo. Passados uns minutos a criança, para admiração do pai, entrega o puzzle completo. O pai pergunta muito admirado - como é que conseguiste compor tão rapidamente o mundo. Resposta do filho, por detrás do mundo, estava a figura de um homem... para consertar o mundo é necessário começar pelo homem, por nós...
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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
Novena da Imaculada Conceição - 8.º Dia
No oitavo dia da novena, o Pe. Ricardo, seguindo os mistérios da vida de Maria e de Jesus, guiou-nos às Bodas de Canaã. Maria e Jesus são convidados. Vão em dois grupos separados. Não confundir Nossa Senhora com Jesus, nem colocar Maria no lugar de Deus. Maria, é a mais perfeita das criaturas, mas não é Deus. Só Deus é Deus e só Ele deverá ser adorado como tal.
Jesus, como em Jerusalém, vai onde nós estamos, percorre os nossos caminhos, a nossa vida, em todas as artérias, em todas as circunstâncias. A história de Maria com Jesus é também a nossa história. Ele vem às nossas festas, ao nosso dia a dia.
Às tantas Maria apercebe-se que os noivos não têm um elemento fundamental para a festa. Como não perceber aqui a nossa vida. Tudo nos corre de feição de repente, sem que não o fizesse prever, alguma coisa nos acontece, uma doença, uma dificuldade, a morte de alguém, um braço partido e tudo se desmorona.
Maria fala discretamente a Jesus, sussurra-lhe ao ouvido. Não pede, ou não exige. Deixa ao discernimento de Jesus. Quantas vezes a nossa oração é sobretudo para que Deus faça o que nós queremos e não o que Ele quer para nós. É preciso pedirmos, mas Deus bem sabe do que precisamos.
Maria confia em Jesus, confia em Deus: fazei o que Ele vos disser. Jesus parece resmungar, mas atende ao pedido de Maria, Sua Mãe.
As talhas de água podem ser comparadas à nossa vida. Somos talhas, que é preciso encher de água e deixar que Deus a transforme em vinho, em vida.
A este propósito uma pequena estória: um mestre que levou vários discípulos a sua casa. Quando chegou disse-lhes para escolherem um chávena de entre a enorme coleção de chávenas que se encontravam na sala. Foi fazer um chocolate quente, e viu a confusão na escolha das chávenas, como se estas pudessem alterar o conteúdo ou o sabor, ou a textura do chocolate. Assim é connosco. Assim aquelas talhas. Água ou vinho, a alteração está no interior, está em Deus, e na nossa ligação a Deus. Por outro lado, as talhas, as chávenas são as coisas que temos, que em nada alteram o que somos. precisamos de bem materiais, mas o importante é o que somos cá por dentro. E de facto aquele vinho levado aos noivos é excelente.
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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
Novena da Imaculada Conceição - 7.º Dia
Depois do NATAL, reflexão proposta no dia anterior, o pregador situou-nos em dois mistérios da vida da Sagrada Família: Apresentação de Jesus, e Perda do Menino no Templo.
No Natal são os homens que vão ao encontro de Jesus, aos encontro do Menino: os pastores, os Magos vindos do Oriente. Com a Apresentação é Deus que em Jesus vai ao encontro das pessoas.
A apresentação de Jesus no Templo de Jerusalém, é a apresentação na cidade, onde vão, onde estão todos. Jesus vai ao encontro de todas, pelas ruas, pelos corações dos que estão lá, dos que estão cá. Por outro lado, poderá hoje acontecer como então. Deus vem ao nosso encontro, passeia-se pelos caminhos da nossa vida, nas nossas cidades e aldeias, passa por nós, mas muitas vezes DESCONHECIDO. Deus entra na cidade anonimamente. Deus no meio de tantas pessoas e não é reconhecido. Apenas a profetisa Ana e o velho Simeão, com o espírito aberto e disponível para o mistério de Deus, percebem que Deus está no templo, Deus está em Jerusalém, e proclamam-no.
Maria quase que desejava que ninguém soubesse. É o Seu Menino. Se se souber que é Deus, deixa de ser Seu, será de todos. Maria não quer ficar tão cedo sem o Seu amado Filho. Não está ainda preparada. Mas a voz de Ana e de Simeão lembram que Ele é para todos. Cedo deixará de ser apenas Seu Filho, para ser Filho do Homem, filho da humanidade, filho de Deus. Somos Ana e Simeão quando o nosso coração está sensível a encontrar Deus nos nossos irmãos.
Por volta dos 12/13 anos, Jesus volta a Jerusalém, acompanhado dos pais e de outros familiares, vizinhos e amigos. É a idade em que se assume como homem entre os homens, como se fora um adulto, já pode falar publicamente, ler e refletir a Sagrada Escritura em público. Jesus, inserido nas tradições judaicas cumpre como as outras crianças e jovens.
Nesta passagem vê-se como Jesus está mais crescido do que Maria. Ela não é Deus, Ela dá-nos Deus. É criatura como nós. A perda de Jesus pode ver-se em dois sentidos. Ele que Se perde. Maria e José que O perdem.
Ele perde-Se, Deus quer perder-Se entre nós. Quer estar connosco. De novo em Jerusalém, de novo no Templo, de novo no meio dos homens, de novo nos nossos caminhos. Ele está onde deve estar: a ocupar-se das coisas do Pai. Cresceu.
Maria e José regressam a casa. Quando a viagem vai em andamento, percebem que O perderam. Como deveria ter sido devastador. Não perdem uma coisa, perdem o Filho que tanto amam. Como é possível que nós percamos Deus, como é possível que Ele escape da nossa vida e nem nos apercebamos?! Quantas vezes nós perdemos Deus! Maria e José voltam atrás. O regresso a casa só faz sentido se Deus segue no seu caminho, de contrário é preferível voltar atrás, procurá-l'O onde se pode encontrá-l'O. Encontram-n'O onde Ele deveria estar. De novo se vê que Maria não está preparada para O perder para a humanidade. Ela já deveria saber que Ele está a ocupar-se das coisas de Deus. Também a Maria e José, Jesus indica o caminho (com Deus).
Deus vem aos nossos caminhos. Como e onde O poderemos encontrar? Quantas vezes O perdemos?
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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Novena da Imaculada Conceição - 6.º Dia
O padre pregador, Pe. Ricardo Barroco, retomou "o fio ao meada" e depois de ter falado de São José, figura importantíssima do Advento, seria agora tempo para falar do Natal. Começou por introduzir uma pequena estória: um professor/a que mostrou a foto de uma família a uma turma, em que um dos filhos do casal era diferente dos seus irmãos que apareciam na foto. Uma das crianças interrogou o professor/a que lhe respondeu que aquela criança era adotada. Outra criança perguntou o que significava ser adotada. Na sala levantou-se uma menina dizendo que podia explicar pois também era adotada: uma criança adotada nasce do coração e não da barriga.
Assim acontece com Maria e com José. Maria dá-nos um Filho que não é dela, é de todos, nasce do Seu ventre mas não é seu. Nasce sobretudo do coração. Maria vive 9 meses em advento, à espera do Filho de Deus. Dá-nos o Seu Filho, por Amor. A gravidez é uma alegria, mas é também uma dor. Ela sabe o que acontecerá, o Seu filho é para todos. Do mesmo jeito, e mais expressivo ainda, São José que é Pai adotivo, é Pai do coração e não do ventre. As duas coisas são importantes, mas no final o que nos une aos outros, aos filhos, é o amor. E por isso José é Pai de verdade porque ama até à loucura.
Num segundo momento, introduzindo Natal, apresentou-nos a simbologia da mangedoura relacionada com o altar da Eucaristia. Mangedoura, onde está o alimento (para os animais). É lá que Maria coloca Jesus. É na mangedoura que os Magos e nós encontramos Jesus, o Deus Menino. Assim também no altar, onde se dá o milagre do alimento da Eucaristia. Jesus está verdadeiramente sobre o altar, e depois é "partido" por todos como alimento até à vida eterna. A mangedoura não se pode dispensar, pois é nela que encontramos o nosso alimento.
No Natal, mas também no Advento, além de Maria (e de José), os Magos vindos do Oriente são figuras por demais relevantes. Quando chegam eles já fizeram um longo caminho. Estiveram em peregrinação durante meses ou anos. Maria esteve em advento 9 meses, nós 4 semanas, os Magos estiveram em atitude de espera e preparação durante largos meses. Vieram adorá-l'O. Como eles também nós devemos pôr-mo-nos a caminho, em peregrinação, mudando a nossa vida. Mudar o mundo é fácil, se começarmos por nos mudarmos a nós. O mais difícil é mudar o nosso coração.
Ofereceram ouro, incenso e mirra, mas o fundamental é o terem oferecido a sua vida, o seu amor. Para aquele menino de nada valem os presentes materiais - são quanto muito um gesto de delicadeza e reconhecimento - , o que vale é o amor. Os Magos vieram de longe. Alteraram as suas rotinas, mudaram as suas vidas para se encontrarem com Jesus. E nós, estamos dispostos a mudar para encontrar Jesus.
Coincidindo este com a celebração popular da popular Santa Bárbara, o pregador fez uma analogia entre Santa Bárbara e Maria, Mãe de Jesus. Prisioneira numa torre, Bárbara manda abrir uma terceira janela - evocando a Santíssima Trindade -, isto é, rasga as paredes para que entre mais luz. Assim Maia, rasga o mundo inteiro para que o Céu possa descer à terra. Com o Seu Sim vem mais LUZ, a Luz por excelência, Jesus. Por outro lado, a torre "cresce" para o alto, ultrapassam as demais construções. Em Maria, o nascimento de Jesus é como que a torre que nos une a Deus, eleva-Se da terra para o Céu, e simultaneamente e o Céu que brota da terra. Nossa Senhora faz uma ligação direta para Deus. Quando vivemos situações de maior dúvida e afastamento, sabemos que n'Ela temos ligação direta para Deus.
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sábado, 7 de janeiro de 2012
Solenidade da Epifania do Senhor - 8 de janeiro
1 – A luz que surge numa gruta, acessível a Nossa Senhora, a São José, e aos pastores, que são avisados pelos anjos, torna-se cada vez mais visível. Tal é a intensidade desta LUZ, que vem do Céu à terra, que não cabe em nenhuma gruta, ilumina todas as grutas, toda a escuridão.
A luz é visível à distância, ainda que seja necessário os nossos olhos estarem abertos para contemplar a Luz que brilha nas alturas. No Oriente, em toda a parte, os Magos – de todos os tempos, cuja sabedoria os desperta para perscrutarem tudo o que os rodeia, as pessoas, a terra, o céu, os sinais, a presença do Invisível – vigilantes, deparam-se com uma Estrela mais brilhante e deixam-se conduzir por ela.
O primeiro desafio para hoje é a abertura aos outros, ao mundo circundante. Se estivermos debruçados sobre nós mesmos, nada se passará à nossa volta, nada nos fará mudar do registo melancólico, da pena que acabaremos por sentir e que queremos que os outros sintam por nós. É preciso levantar o olhar para ver mais longe, para ver além, é necessário olhar até às alturas. É o primeiro passo, estar atentos ao mundo, aos outros, a Deus, às oportunidades com que nos deparamos todos os dias, todo o dia.
2 – "Levanta-te e resplandece, Jerusalém, porque chegou a tua luz e brilha sobre ti a glória do Senhor. Vê como a noite cobre a terra e a escuridão os povos. Mas sobre ti levanta-Se o Senhor e a sua glória te ilumina. As nações caminharão à tua luz e os reis ao esplendor da tua aurora".
Não basta comprazermo-nos na contemplação do mistério, do que de novo surge ao nosso olhar. É um primeiro passo, mas que desafia a outros. É necessário levantar-nos e pormo-nos a caminho.
É o convite do profeta Isaías, a todo o povo, e que se cumpre nos Magos (vindos do Oriente, vindos de toda a parte). O caminho faz-se caminhando. Os Magos não se põem a fazer cálculos, não convocam uma comissão para avaliar os sinais do Céu e da terra, partem, seguem a Estrela. Logo se verá. Confiam.
"Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O". É desta forma que se apresentam diante de Maria, José e o Menino. A Luz que se avista no Oriente (em toda a parte) leva-os, trá-los, a Belém. A LUZ que irradia do presépio também nos há de fazer levantar, ir ao encontro de Jesus, ir ao encontro do Homem e de Deus. Os magos saem do seu espaço de conforto. E nós estamos prontos para sair do nosso mundo, do nosso conforto, do nosso comodismo para nos deixarmos surpreender por Deus?
Quem já não se deixa surpreender pela vida, quem vive cinicamente, nunca apreciará convenientemente a alegria de viver, o prazer de estar, de se sentir vivo.
Como não lembrar aqui o episódio da visitação de Nossa Senhora à Sua prima Isabel. Atenta aos sinais, não precisa que lhe digam o que fazer, Maria sabe que Isabel precisa dos seus cuidados, vai apressadamente em seu auxílio. Sem calculismos, sem medos, saindo de sua casa, do seu conforto. Assim também nas bodas de Canaã. Podia ficar remetida ao silêncio, à indiferença, mas atenta aos outros, intercede por eles.
É este o segundo desafio para hoje: sair do nosso espaço de conforto para ir ao encontro dos outros.
3 – "Ao ver a estrela, sentiram grande alegria. Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra".
O que nos há de impulsionar é o encontro com Jesus, com a fonte de toda a LUZ. Os Magos seguem a intensidade da Luz, não se limitam a aceitar que é um fenómeno interessante, maravilhoso. Põem-se a caminho. Nada os detém, nada os faz desistir, ou relaxar. Mesmo encontrando os obstáculos da cidade - aqui podia entender-se tudo o que pode distrair-nos do essencial; na cidade perdem o rasto da LUZ, da estrela. Quantas vezes perdemos o norte, o rasto da luz? Quantas vezes desistimos, ou desanimamos, ou tememos continuar? Quantas vezes, já cansados, nos resignamos à vida que levamos, ao nosso comodismo?
Este é outro desafio: não desistamos de procurar. Quem procura, encontra, a quem pede dar-se-á, como um dia dirá Jesus aos seus discípulos. Não esgotemos a procura. Encontramos a luz, pusemo-nos a caminho, e agora, ficamos a meio do caminho? Olhamos para trás, esquecemos o que poderemos vir a encontrar? Quantas coisas nos impedem de ver, de olhar em frente? Que situações nos fazem perder a Luz que nos vem do alto?
4 – "Virão adorar-Vos, Senhor, todos os povos da terra" (resposta ao Salmo). "Agora foi revelado pelo Espírito Santo aos seus santos apóstolos e profetas: os gentios recebem a mesma herança que os judeus, pertencem ao mesmo corpo e participam da mesma promessa, em Cristo Jesus, por meio do Evangelho".
No presépio de Belém, com Jesus, Maria e José, encontramo-nos com a Salvação, com o Salvador do mundo, com a fonte de toda a luz, de toda a graça, de todo o amor. É LUZ para se revelar a todas as nações e não apenas a Israel, Seu povo eleito. N'Ele, o Emanuel, assentará a nova e eterna Aliança, com os todos povos. Une-se o Céu à terra e tudo é ligado pela LUZ de Deus.
Os Magos entenderam os sinais vindos do Céu, porque estavam vigilantes, disponíveis, prontos para caminhar, envolvidos pela luz que os precede, avançam destemidos, ainda que tenham que enfrentar dificuldades, e até se tenham desorientado. Não desistem, voltam a procurar a luz, a estrela, seguem até Belém.
Mas não acaba aqui.
"E, avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho". Encontram a LUZ e esse encontro será verdadeiramente transformador. Quem se encontra com Jesus não pode regressar pelo mesmo caminho, tem de transformar a sua vida, tem de regressar fortalecido, rejuvenescido, por outro caminho.
A luz mata as trevas, destrói a escuridão, guia-nos para outra vida (ou uma vida nova). É este outro desafio: encontrar-nos com Jesus, e deixarmo-nos transformar pela Sua luz, deixarmo-nos converter. O encontro com o Deus que Se faz Homem coloca-nos na senda da conversão.
Textos para a Eucaristia (ano B): Is 60,1-6; Sl 71 (72); Ef 3,2-3a.5-6; Mt 2,1-12.
Reflexão Dominical na Página da Paróquia de Tabuaço
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Os Reis Magos
Diz a Sagrada Escritura
Que, quando Jesus nasceu,
No céu, fulgurante e pura,
Uma estrela apareceu.
Estrela nova ... Brilhava
Mais do que as outras; porém
Caminhava, caminhava
Para os lados de Belém.
Avistando-a, os três Reis Magos
Disseram: “Nasceu Jesus!”
Olharam-na com afagos,
Seguiram a sua luz.
E foram andando, andando,
Dia e noite a caminhar;
Viam a estrela brilhando,
sempre o caminho a indicar.
Ora, dos três caminhantes,
Dois eram brancos: o sol
Não lhes tisnara os semblantes
Tão claros como o arrebol
Era o terceiro somente
Escuro de fazer dó ...
Os outros iam na frente;
Ele ia afastado e só.
Nascera assim negro, e tinha
A cor da noite na tez :
Por isso tão triste vinha ...
Era o mais feio dos três !
Andaram. E, um belo dia,
Da jornada o fim chegou;
E, sobre uma estrebaria,
A estrela errante parou.
E os Magos viram que, ao fundo
Do presépio, vendo-os vir,
O Salvador deste mundo
Estava, lindo, a sorrir
Ajoelharam-se, rezaram
Humildes, postos no chão;
E ao Deus-Menino beijaram
A alava e pequenina mão.
E Jesus os contemplava
A todos com o mesmo amor,
Porque, olhando-os, não olhava
A diferença da cor ...
(autor Olavo Bilac)
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Artaban, o quarto Mago...
Todos conhecemos os três Reis Magos. Mas nem todos sabem a História de Artaban, o quarto Mago, que passou a vida à procura de Jesus e só o encontrou quando Ele estava a ser crucificado. É uma lenda linda que nos revela uma criatura cheia de bondade e de fé que também viu a estrela brilhar sobre Belém, mas sempre chegava atrasado aos lugares onde Jesus poderia estar, porque encontrava pobres e miseráveis a precisar da sua ajuda.
Primeiro desencontrou-se de Melchior, Gaspar e Baltasar, porque lhe apareceu um homem meio morto no caminho, a quem o coração lhe pediu para ajudar.
Chegado a Belém, teve de comprar a vida de uma criança que estava para ser assassinada, às ordens de Herodes, dando ao soldado que a encontrara uma das pérolas que levava para oferecer ao Menino Jesus.
Sabendo que José e Maria tinham fugido para o Egipto, pôs-se a caminho mas Jesus havia regressado a Nazaré. Quis ir adorá-lO mas um escravo que ia ser levado à força para as Galés e Artaban achou que era melhor oferecer-se para esse trabalho.
Depois de trinta anos de trabalho forçados chega a Jerusalém. É tarde demais, o menino já se transformou em homem e está sendo crucificado naquele dia.
O rei havia comprado pérolas para Cristo, mas precisou vender quase todas para ajudar as pessoas que encontrou no seu caminho.
Sobrou apenas uma pérola – e o Rei Mago pensa com ela comprar a libertação de Jesus. Mas encontra uma mulher aflita a ser levada por uns homens. E salvou-a, oferecendo uma pérola aos atacantes.
Agora já nada mais pode fazer. Nem uma pérola lhe resta para resgatar Jesus.
- Falhei a missão da minha vida – pensa o rei mago.
Mas nesse momento, escuta uma voz:
- Ao contrário do que pensas, tu estiveste comigo durante toda a tua vida. Eu estava a morrer e tu me resgataste. Tu livraste me da morte quando acudistes àquelas pessoas necessitadas. A tua caridade para com os pobres foi a melhor pérola que me podias dar. Muito obrigado por tantos presentes de Amor!
É provável que esta história não passe de lenda. Mas revela-nos que todos podemos ser Reis Magos se vivermos em caridade para com os irmãos necessitados.
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