Mostrar mensagens com a etiqueta Jesus Cristo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Jesus Cristo. Mostrar todas as mensagens

sábado, 5 de outubro de 2019

Paróquia de Tabuaço | Profissão de Fé 2019

Celebração da Profissão de Fé, dos pré-adolescentes, como gostam de ser tratados, do 6.º Ano de Catequese, na nossa Paróquia habitualmente em dia de Solenidade de Pentecostes, a 9 de junho de 2019.
Acompanham as fotos, duas belíssimas músicas do grupo cristão de Vila Real, DABAR (A Palavra) - "Jardineiro de sonhos" e "À volta".

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Discípulos missionários do Deus desconhecido

LUÍS RAFAEL (2019). Discípulos missionários do Deus desconhecido. Um estudo exegético-pastoral de Atos 17, 16-34. Lamego: LIAM. 142 páginas.
(Foto: Pe. Hermínio Lopes)

       O Pe. Luís Rafael, natural de Vila da Ponte, membro a Equipa Sacerdotal da Paróquia de Almacave, ligado há muitos anos aos Jovens Sem Fronteiras (JSF), lançou há algumas semanas a sua dissertação de mestrado: um estudo exegético-pastoral de At 17, 16-34. Em Lamego, a apresentação do Livro foi no Centro Pastoral de Almacave, no dia 20 setembro. Já demos nota na edição anterior do Jornal. Agora é a nossa leitura e consequente sugestão.
       O lema dos JSF é: “Estar perto dos que estão longe sem estar longe dos que estão perto”. E eu diria que por vezes temos dificuldade em valorizar o talento e o trabalho dos que nos são próximos e dos que estão por perto. A sugestão do livro é mais que merecida. Passou o o escrutínio dos avaliadores da Universidade Católica e chegou, com todo o mérito, à publicação assumida pela LIAM (Liga Intensificadora Missionária). 
       O texto em estudo é do livro dos Atos dos Apóstolos (17, 16-34), diz respeito à intervenção do Paulo no Areópago, em Atenas, perante uma plateia de homens livres, cultos, religiosos, que acreditavam haver pelo menos uns 3 mil deuses, um para cada situação da vida. O Apóstolo dir-nos-á que evangelizar para ele (e claro, para nós, discípulos missionários) não é uma escolha, mas uma obrigação, "ai de mim se não evangelizar" (1 Cor 9, 16). Recomenda a Timóteo: "proclama a palavra, insiste em tempo propício e fora dele, convence, repreende, exorta com toda a compreensão e competência" (2 Tim 4, 2). Ele próprio testemunha a sua vida missionária: "fiz-me servo de todos, para ganhar o maior número. Fiz-me judeu com os judeus, para ganhar os judeus; com os que estão sujeitos à Lei, comportei-me como se estivesse sujeito à Lei – embora não estivesse sob a Lei – para ganhar os que estão sujeitos à Lei; com os que vivem sem a Lei, fiz-me como um sem Lei – embora eu não viva sem a lei de Deus porque tenho a lei de Cristo – para ganhar os que vivem sem a Lei. Fiz-me fraco com os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para salvar alguns a qualquer custo. E tudo faço por causa do Evangelho, para dele me tornar participante" (1 Cor 9, 19-23).
       Paulo, uma vez convertido, procurou corresponder ao mandato de Jesus Cristo: “Ide e anunciai o Evangelho a toda a criatura” (Mc 16, 15).
       Tal como os demais apóstolos, também Paulo começou por se dirigir primeiramente aos judeus, até porque falavam a mesma língua, tinham a mesma base cultural e religiosa, mas cedo percebeu que o Evangelho não poderia ficar refém de um espaço, de um tempo, de uma cultura, mas abrir-se a todo o mundo. Não surpreende que Paulo procure outros mundos para também aí levar o Evangelho de Jesus Cristo. Na Sinagoga e na praça pública, Paulo não cessa de anunciar Jesus e de discutir com quem aparece. Na praça, aparecem também filósofos, epicuristas e estóicos, que o levam ao Areópago. Diante de atenienses e estrangeiros residentes em Atenas, Paulo procura ir ao encontro das suas discussões e anseios, para logo lhes anunciar Jesus Cristo: «Atenienses, vejo que sois, em tudo, os mais religiosos dos homens. Percorrendo a vossa cidade e examinando os vossos monumentos sagrados, até encontrei um altar com esta inscrição: ‘Ao Deus desconhecido.’ Pois bem! Aquele que venerais sem o conhecer é esse que eu vos anuncio».
       A partir do discurso de Paulo, o Pe. Luís Rafael meteu mãos à obra para nos desafiar, também a nós, a mim e a ti, a não recearmos os tempos nem os lugares, as dificuldades e os contratempos, mas, sem temor, vivermos, testemunharmos e anunciarmos o Evangelho, com alegria e criatividade.
       A dissertação divide-se em três movimentos principais: 1) Estudo sobre o texto e tudo o que o envolve, analisando os aspetos linguísticos-textuais, as circunstâncias histórico-geográficas, religiosas, socioculturais e filosóficas; 2) Análise exegética, os dilemas que o texto apresenta, as temáticas teológicas presentes e a ponte para a filosofia grega; 3) A atualização do relato, deixando-nos desafios, apresentando os novos areópagos e as oportunidades com que hoje nos deparamos para anunciar o Evangelho.
       O trabalho está bem fundamento, com recurso a diversas fontes e diferentes áreas da teologia e do saber. O terceiro capítulo coroa o caminho árduo do trabalho, numa dinâmica mais pessoal e escorreita, com cenários que nos convocam à esperança e ao compromisso com o Evangelho de Jesus. Os desafios são lançados depois do trabalho "árduo", que fundamentam, contextualizam e explicitam a sábia intervenção de São Paulo no Areópago, o maior evangelizador de todos os tempos.
       Eis os desafios que o Pe. Luís Rafael nos deixa, para sermos discípulos missionários do Deus a conhecer e sobretudo a viver: 

1) Religiosidade XXI. "A cidade repleta de ídolos" (Atos 17, 16b): 
"Quantas vezes os batizados trocam o encontro comunitário com Deus por uma simples ida a uma catedral desportiva ou por uma manhã de compras no centro comercial! Eis o despotismo da indiferença... já não se trata da negação de Deus, mas do Seu desconhecimento... Um evangelizador tem de se destacar pela diferença: ele não vende Deus, dá-O a conhecer, dá-O gratuitamente para saciar a sede de todos os que vivem perto e longe d'Ele, todos os que O amam ou O negam, e de modo especial a todos os que vivem atormentados com medo, subjugados a facilitismos cegos, guiados pela prevenção esotérica... aquelas pessoas que 'tateando', procuram na escuridão longínqua um Deus que, na verdade, está bastante próximo de cada um (cf. Atos 17, 27)". 

2) Lugares de proximidade. "De pé, no meio do Areópago" (Atos 17, 22a): 
"O anúncio do Evangelho também tem de ser feito em Braga, em Lamego, em Vila da Ponte, em nossa casa, no meio desta 'apostasia silenciosa', onde os próprios batizados vivem como se Deus não existisse... é necessário que sejamos corajosos e criativos... temos de ser nós a sair, a ir até às mais variadas periferias... As potencialidades dos novos meios comunicativos são imensas e, se soubermos aproveitar, podemos fazer com que os valores gravados nas páginas da Sagrada Escritura cheguem até às imensas pessoas que se servem deles, e que estão neles! Na verdade, mais que simples meios, eles também são em si mesmos um 'lugar de encontro e de testemunho da fé, são autênticas mediapolis". Por outro lado, "nesta missão, não existem pessoas que possam ser dispensadas, nem lugares a serem evitados... Impõe-se que estejamos online neste Areópago digital mundial, sem que isso nos faça perder a consciência de que o virtual não substitui o real! Na verdade, sempre que possível, o clique deve levar ao toque, à proximidade física, à reunião comunitária, porque acima de tudo, o Deus que anunciamos não está distante, mas 'inacreditavelmente próximo de nós', é n'Ele que 'vivemos, nos movemos e existimos' (Atos 17, 28a)". 

3) INculturação da Fé. "Aquele que venerais sem o conhecer é esse que eu vos anuncio" (Atos 17, 23b): 
"Jesus Cristo foi o primeiro agente e modelo de inculturação! Assumiu, verdadeiramente, a natureza humana com tudo aquilo que isso implicava: ser membro de um povo com hábitos e costumes, língua e religião, uma cultura humana concreta... O primeiro passo para uma evangelização fecunda assenta no escutar e compreender o modo de pensar das pessoas que estão diante de nós, fazer como Paulo em Atenas". 

4) Evangelização da Cultura. "Como também o disseram alguns dos vossos poetas" (Atos 17, 28b): 
"Uma fé que não se torna cultura é uma fé não plenamente acolhida, não totalmente pensada, não fielmente vivida" (João Paulo II). "Ciência e fé não são opostas, não se sobrepõem, não se confundem, mas completam-se... Se queremos ser autênticos discípulos missionários... temos de estar firmemente enraizados n'Aquele em Quem acreditamos e intelectualmente preparados para dialogar com os representantes das mais diversas áreas do mundo da cultura". 

5) Testemunho sem cálculos. "Concordaram com ele e abraçaram a fé" (Atos 17, 34a) 
"A nossa sociedade está a ser abalada por uma crise de esperança... se também nós cedermos ao pessimismo e nos tornarmos sócios da lamúria permanente, condenaremos o futuro à esterilidade... Eis-nos aqui, hoje, num tempo novo, numa conjuntura que deve ser encarada com prudência, realismo e ânimo... Não podemos ser escravos do medo! É verdade que nem sempre um evangelizador obtém os resultados esperados, mas a evangelização não é uma questão de multidões”. Devemos tornar-nos “sensíveis a cada realidade humana, fiéis à verdade, sem medo dos resultados, sempre disponíveis para mostrar o rosto de Deus... Não podemos ficar acomodados a ver o tempo passar".
      E para concluir com o autor, "o importante é não ficarmos parados, mas percebermos que a evangelização é uma ação teândrica, na qual se impõe que colaboremos com o DEuS-CONHECIDO para dar respostas às inquietações cruciantes do Homem contemporâneo".

sábado, 14 de setembro de 2019

Domingo XXIV do Tempo Comum - ano C - 15.09.2019

Exaltação da Santa Cruz - 14 de setembro

       1 – "A linguagem da cruz é certamente loucura para os que se perdem mas, para os que se salvam, para nós, é força de Deus... Nós pregamos um Messias crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios. Mas, para os que são chamados, tanto judeus como gregos, Cristo é poder e sabedoria de Deus" (1 Cor 1, 17-31).
       Só os criminosos eram condenados à crucifixão. A cruz é ignominiosa remetendo imediatamente para algum crime hediondo. Ao ser apresentado como Crucificado, Jesus é tido como um malfeitor, um criminoso.
       Por outro lado, como é que Jesus sendo Filho de Deus, todo-poderoso, pode deixar-Se matar? Como é que pode ser o Messias esperado e libertador, se Ele mesmo é preso, esbofeteado e morto? E sendo Deus, como pode morrer?
       Alguns tentam mitigar a gravidade e o escândalo, dizendo que a morte de Jesus foi aparente; ou só morreu Jesus (humano) separado do Cristo (divino); ou foi substituído no momento da crucifixão por um dos discípulos, por exemplo, por Judas Iscariotes (cujo corpo seria desviado do túmulo e estrategicamente “enforcado” para ser encontrado), e depois Jesus teria aparecido “ressuscitado” (não se encontrando o seu corpo em parte nenhuma, uma vez que não tinha morrido). Ainda há correntes religiosas que não aceitam que Jesus Cristo tivesse sido morto e muito menos numa cruz. As representações da figura de Jesus é romantizada com belíssimas passagens, mas numa em situação de sofrimento, de fragilidade ou de morte na cruz. Ora, se Jesus não tivesse sido morto, tudo seria uma encenação, um faz-de-conta, e que colocaria em causa toda a pregação de Jesus.
       Quando Jesus anuncia que vai morrer, logo os apóstolos O contestam, a começar por Pedro: Deus te livre de tal, nós não deixaremos. Já na Cruz, alguns zombam d’Aquele Messias: se és o Messias, desce da Cruz… Nas Aparições do Ressuscitado há um elemento bem visível, as marcas do Crucificado, as chagas do seu corpo, é o mesmo Jesus Cristo.
       No início da missiva aos Coríntios, o Apóstolo mostra-nos o centro da pregação e a identificação do Evangelho. A Cruz ocupa um lugar incontornável na fé cristã e na vida da Igreja. Com efeito, não se poderia falar em ressurreição se antes se não falasse da morte de Jesus. E, concretamente, na morte de Cruz, lugar de oblação, de entrega, lugar do amor levado às últimas consequência, até à última gota de sangue. Oferecendo-Se, Jesus oferece-nos a Deus. Desce ao mais profundo, para nos elevar ao mais elevado.
       Por mais voltas que se deem de forma a minorar os estragos da fé num Deus todo-poderoso, revelado em Jesus Cristo, a fé estaria condenada ao fracasso se não contemplasse a cruz. Os braços estendidos enlaçam-nos como irmãos. A cruz, cravada na terra, ligada a todos os que a habitam, levanta-se e levanta-nos para o alto. Dali, Jesus repara em nós, fixa o Seu olhar no nosso olhar e obriga-nos a levantar a cabeça para lá da Cruz.
       2 – «Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele». A Encarnação marca um tempo novo: Deus entra na história como verdadeiro Homem, como um de nós, carne da nossa carne, sangue do nosso sangue. Tal mistério traz-nos a eternidade de Deus, para no final, nos abrir, para escancarar, as portas do Céu. Mas o Céu já está entre nós, é Jesus Cristo, que ao morrer e ressuscitar nos levará para junto do Pai. Quis-Se connosco. Veio. Quer-Se connosco, leva-nos com Ele. Sem a abertura do Céu, ficaríamos apenas pó.
       Quando encontra Nicodemos, Jesus revela-lhe a importância da vinda do Filho de Deus:
«Ninguém subiu ao Céu senão Aquele que desceu do Céu: o Filho do homem. Assim como Moisés elevou a serpente no deserto, também o Filho do homem será elevado, para que todo aquele que acredita tenha n’Ele a vida eterna. Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna».
       Jesus recorda a Nicodemos como aquela serpente, levantada por Moisés no meio do nada, do deserto, antecipa a Cruz plantada entre salteadores, no meio dos homens: a salvação.
"O Senhor disse a Moisés: «Faz uma serpente de bronze e coloca-a sobre um poste. Todo aquele que for mordido e olhar para ela ficará curado». Moisés fez uma serpente de bronze e fixou-a num poste. Quando alguém, era mordido por uma serpente, olhava para a serpente de bronze e ficava curado".
       Mordidos pelo pecado, pelo egoísmo, pela maledicência, pela violência, só voltando-nos para o alto encontraremos a redenção que nos obriga a sair de nós, a olhar além do nosso umbigo.

       3 – Belíssimo o poema recolhido por São Paulo na Epístola aos Filipenses, e que resume todo o mistério de Jesus Cristo, a Encarnação, o abaixamento, a divindade que Se encolhe na humanidade, a eternidade que Se faz tempo e história, o Infinito que Se faz finito e frágil. Deus esconde-Se no Homem.
"Cristo Jesus, que era de condição divina, não Se valeu da sua igualdade com Deus, mas aniquilou-Se a Si próprio. Assumindo a condição de servo, tornou-Se semelhante aos homens. Aparecendo como homem, humilhou-Se ainda mais, obedecendo até à morte e morte de cruz. Por isso Deus O exaltou e Lhe deu um nome que está acima de todos os nomes, para que ao nome de Jesus todos se ajoelhem no céu, na terra e nos abismos, e toda a língua proclame que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai".
       Fácil imaginar uma Mãe (um Pai) a agachar-se para estar ao nível da criança, ora para brincar com ela, ora para a levantar em seus braços e a segurar no seu colo. Assim Deus. Debruça-Se para nos olhar olhos nos olhos, viver connosco no meio de nós, assumindo-nos no nosso pecado, na nossa fragilidade e finitude, identificando-Se com a nossa humanidade. Debruça-Se para depois nos erguer com Ele.
       Como não recordar Jesus no momento da última Ceia - a primeira deste tempo novo - quando Se ajoelha, colocando-Se ainda mais baixo que os discípulos, e lhes (e nos) lava os pés, em atitude de serviço. Está connosco à mesa, partilha connosco o pão e a vida. Já as suas palavras saem embargadas. Daqui a pouco terá uma prova de fogo e de resistência. Irá até ao fim. Por todos. Por cada um de nós. São suores de sangue, quando a vida biológica está sob ameaça. São palavras de entrega confiante ao Pai: faça-Se como Tu queres. Pai, nas Tuas mãos entrego o Meu espírito.
       Jesus fecha um círculo, enlaçando-o na nova vida que nos dá em abundância. Tudo n'Ele está consumado. A Cruz põe termo a toda a treva, a todas as distâncias. Jesus eleva-nos para Deus. O Seu abaixamento, torna-se exaltação. Deus dá-lhe um nome, diante do qual todos nos devemos ajoelhar para melhor O acolhermos, O louvarmos, para melhor nos deixarmos trabalhar por Ele.
       A nossa salvação, a Cruz de Jesus Cristo, está cravada na terra, entre nós, no mundo, entre a terra e o Céus. Enxertada na terra, mas erguendo-se para o alto, e com os braços bem abertos, para a todos nos envolver, para a todos nos acolher no Abraço do Pai.

Pe. Manuel Gonçalves


Textos para a Eucaristia: Num 21, 4b-9; Filip 2, 6-11; Jo 3, 13-17.

(Reposição da reflexão completa, 14 de setembro de 2014)

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Domingo XII do Tempo Comum - ano C - 1.09.2019

João António - Onde está Jesus, hoje?

J.A. PINHEIRO TEIXEIRA (2019). Onde está Jesus, hoje? A Igreja como cristopresença e cristovivência. Lamego. 392 páginas.

       Colaborador próximo da Voz de Lamego, de que já foi Diretor, presença habitual nas redes sociais e em jornais da região, o Reitor do Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, Pe. João António, vai-nos brindando com algumas publicações, em forma de testemunho e de desafio, envolvendo-nos no seguimento de Jesus e na identificação com a Sua vida, procurando, como Ele, sintonizar, transparecer e testemunhar a vontade de Deus.
       A escrita do autor é muito característica. Quem lê as suas crónicas, conhece o estilo: contrapontos, antíteses, dilemas, expressões subordinadas, avançando a reflexão em forma de espiral, retomando temáticas, repondo algumas frases, reforçando as ideias propostas, fazendo-nos aprofundar e progredir na reflexão. São muitas a referências a autores consagrados na teologia mas também em outras áreas do saber, de ontem e de hoje, mas a referência inadiável é Jesus, a Sua intimidade com o Pai, na oração, com as Suas opções, sem excluir ninguém, a preferência pelos pobres, pelos mais frágeis da sociedade, por aqueles que estão à margem, excluídos e até odiados, a coerência entre as palavras e a vida, as obras como expressão da fé, contra a hipocrisia, pelo serviço, caracterizado pelo amor, opondo-se a qualquer tipo de imposição e poder. 
       Já tivemos a oportunidade de noticiar a apresentação do livro, realizada no dia 12 de agosto, no Santuário dos Remédios. Nessa ocasião, disponibilizámos também a apresentação feita por D. António Couto, Bispo de Lamego, nas primeiras páginas do livro. D. António recomenda vivamente a leitura desta obra, tendo em conta a temática eclesial a desenvolver na nossa Diocese no triénio pastoral de 2018-2021: Igreja na sua vocação e identidade, na sua missão e no seu caminho. Tendo-o lido, com proveito, assim o esperamos, , secundamos agora a sugestão de D. António. É uma leitura muito oportuna, cuja densidade não impede a clareza.
       A Igreja é de Cristo. O que é Cristo terá que ser a Igreja. O que é Cristo teremos que ser nós. Cristo transparece e vive a vontade do Pai. Assim também nós havemos de deixar transparecer o amor de Cristo pela Sua Igreja, pela humanidade.
       Dos muitos pedaços de texto com que poderíamos ilustrar o que dissemos sobre este livro, as palavras da contracapa são suficientemente luminosas e sugestivas: 
Amo-te, minha mãe, minha mãe Igreja.
Amo-te, porque me dás o que ninguém mais me consegue dar: Cristo, Maria, os santos e o convívio diário com pessoas que exalam o incomparável perfume de Deus.
Amo-te, porque nem nos momentos de maior fragilidade desistes da nossa humanidade.
Amo-te, porque és tu que tens levado o Evangelho da paz e da esperança a tantos deserdados deste mundo.
Amo-te, porque és tu que queres aqueles que mais ninguém quer.
Amo-te e quero-te mais do que nunca.
É contigo que espero continuar a viver. E é nos teus braços que, um dia, quero morrer.